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...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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04.02.14

LEITURAS: Fernanda Serrano - Também há finais felizes

mpgpadre

FERNANDA SERRANO. Também há finais felizes. Oficina do Livro. Alfragide 2013, 3.ª edição, 246 páginas.

       Partindo do título que nos é proposto, constatações imediatas: perante situações aflitivas é possível que haja esperança, pois a prática mostra que há situações que nos levam a bom porto, apesar do percurso atribulado e das tempestades que têm de se enfrentar.

       Esta é uma história de vida que poderia ter um fim trágico e que pelo meio poderia ter deixado sequelas de desgaste e destruição nunca recuperáveis. A conhecida atriz, do teatro e da televisão, e também manequim, tinha uma vida que muitos desejaria, sucesso, visibilidade, uma família unida, pais, marido, e com o segundo filho, uma menina, pareceria uma família completa. Mas a vida dá muitas voltas, e nem sempre apanhamos o comboio.

       Nasce a filha e quase por acaso a atriz descobre um caroço na mama direita. Como mulher e mãe procura manter-se tranquila, mas com uma inquietação crescente. O obstreta tranquiliza-a. A Mãe insiste para que por uma vez tire a limpo o que poderá ser aquele caroço. Dar de mamar à filha tornou-se cada vez mais doloroso, amamentando progressivamente apenas do peito esquerdo, tal o desconforto. Depois de alguma insistência, o obstreta lá lhe recomenda um exame específico, e o que temia aconteceu: tinha um nódulo maligno na mama direita. Há que secar o leite e preparar-se para retirar o peito ou pelo menos em parte. A família está em pânico. Ela, o marido, os pais e alguns amigos chegados. Enquanto pode mantém este segredo em família e no círculo mais chegado, só depois da operação o dará a conhecer ao país.

       Com a operação marcada para retirar a mama do lado direito, consulta outro médica que aconselha mais positivamente a retirar apenas parte pois o temor ainda está circunscrito. Operada tudo corre pelo melhor. Volta a fazer uma vida quase normal, preparando-se para voltar ao teatro e à televisão. está tudo a correr bem. Consulta de novo o seu obstreta a fim de precaver alguma gravidez que tem de evitar a custo, pelo menos nos 2 anos subsequentes à operação. Entretanto coloca o DIU pelo facto de não lhe ser aconselhado a tomar pílula. Durante três anos estará descansada quanto a gravidezes. Durante a quimioterapia não haveria o risco de engravidar.

       Pratica desporto, tem uma alimentação muito regrada, prepara-se em definitivo para fazer uma vida normal, como mãe, como esposa, como atriz. Vai emagrecendo. Menos a barriga. Até que decide fazer um teste de gravidez e outro e outro e está mesmo grávida, de 17 semanas. Quanto colocou o DIU já estava grávida. Correria para médicos. Drama. Indefinição. Corre sério risco de vida. A recomendação mais importante que lhe tinha sido dada era precisamente não engravidar. Está em risco a sua vida. Tem dois filhos para criar. Tem de decidir rapidamente. Em Portugal já não é possível fazer um aborto, a não ser que tivesse sido violada. Ainda assim os médicos dizem-lhe que tem de decidir rapidamente pois corre o sério risco de deixar órfãos os seus filhos.        Pede um sinal a Nossa Senhora de Fátima. "Sempre fui católica, mas nunca praticante. Era raro ir à missa ou rezar, não ligava nada a essas coisas. Quando passamos por situações delicadas agarramo-nos a tudo. Pode ser egoísmo - só nos lembrarmos nos momentos de aperto e de susto - mas, por outro lado, também é humano. Durante o meu processo clínico tornei-me muito mais crente. Muito mais... Orar, para mim, era uma conversa. Ainda hoje é. Dava graças a Deus pelo que tinha de bom, pedia que tudo se mantivesse bem, para mim e para as pessoas de quem gosto".

       Uma das suas amigas diz-lhe: "Pede uma resposta a Nossa Senhora e acredita que dentro de três dias vais tê-la". Entretanto decide-se a ligar para um especialista em medicina tradicional que a acompanha na recuperação e que lhe diz que a gravidez não acrescenta risco, pois o cancro não decorria de alterações hormonais e o feto em princípio ter-se-ia mantido protegia da intoxicação da quimioterapia. Consulta outro especialista, que lhe diz que a doença está controlada, que o cancro não era hormona-dependente e que a gravidez não acrescenta riscos para este cancro. A decisão desenha-se noutro sentido.

       "Nessa noite tive um sonho lindo, lindo. Sonhei com crianças, com bebés, coma amigas minhas que haviam sido mães há pouco tempo... já não sobravam dúvidas sobre nada. Aquela menina ia nascer. A resposta que tanto procurava, e que pedira a Nossa Senhora na noite de ano novo, chegara mesmo no prazo de três dias".

       Esta é uma leitura que vai valer a pena. Nem todas as histórias são iguais, pois as pessoas e as circunstâncias são diferentes. A história de Fernanda Serrano é comovente, mas é também um AVISO sério às mulheres e aos médicos que as tratam, para que não adiem, para que não façam de conta quando detetam alguma sinal de alarme. É uma história motivadora, de alguém que nunca desistiu, mesmo e apesar de horas bem negras e absolutamente sobre humanas. É uma história de fé, através da qual sempre sentiu sinais de Deus através de Nossa Senhora. É uma história de família. Esta foi um esteio, de apoio, de refúgio, de suporte físico e emocional, de bênção. É uma história de generosidade, e competência. Há muitos erros e alguns são fatais. Há, em contrapartida, pessoas extraordinariamente atentas, disponíveis, competentes, delicadas.

       Não deixe de ler e recomendar. A todas as mulheres. Mas também a todos os familiares, todos temos irmãs, mãe, pessoas amigas.

13.12.11

Natascha Kampusch - 3096 dias de cativeiro

mpgpadre

Natascha Kampusch, 3096 dias, Edições Asa: 2011

       Natascha Kampusch foi "roubada" à vida que tinha, no dia 2 de março de 1998. Passados 3096 dias, no dia 23 de agosto de 2006, consegue finalmente ganhar coragem para fugir ao seu raptor, a única pessoa com quem podia falar, viver, relacionar-se. Só 4 anos depois, no entanto, é que consegue ser e sentir-se livre:

"Com este livro, tentei fechar o capítulo mais longo e mais negro da minha vida. Sinto-me profundamente aliviada por ter encontrado palavras para o improferível e para as constradições. Vê-las impressas diante dos meus olhos ajuda-me a olhar com confiança para o futuro. Porque aquilo por que passei também me tornou forte. Sobrevivi ao encarceramento na masmorra, consegui libertar-me sozinha e mantive a minha integridade. Acredito firmemente que também conseguirei viver a minha vida em liberdade. E essa liberdade começa apenas agora, quatro anos depois do dia 23 de agosto de 2006. Apenas agora, depois destas linhas, consigo colocar um ponto final nesta história e dizer em toda a verdade: SOU LIVRE".

       Nasceu a 17 de fevereiro de 1988. A mãe tinha então 38 anos e duas filhas já crescidas. Os viviam há três anos juntos. Vai ter de conquistar o seu lugar no mundo.

       Naquele dia acordou triste e furiosa. A fúria da mãe, por causa do pai, recaíra nela. A mãe proibiu-a de voltar a ver o pai. Queria ser adulta para se libertar das discussões da mãe. Com 10 anos aproximava o tempo de se tornar independente, faltavam 8 anos, para fazer os 18 da maioridade. Convencera a mãe a deixá-la ir a pé para a escola. Afinal já andava na quarta classe. Naquele dia saía de casa alterada com a mãe de quem memorizara as palavras: "Nunca se deve partir quando estamos furiosos com alguém. Nunca se sabe se voltaremos a ver essa pessoa".

Não se despediu da mãe e não a voltaria a ver por muito, muito, por demasiado tempo. Aproxima-se do homem que a fará prisioneira, com receio, mas quando olha para ele os seus receios desvanecem-se, estava errada, foi empurrada para a carrinha, que lhe despertara a atenção momentos antes.

"Tentei gritar. Mas não saiu nenhum som da minha boca. As minhas cordas vocais simplesmente se recusaram a colaborar. Eu toda era um grito. Um grito mudo, que ninguém conseguia ouvir".

       É encarcerada numa masmorra, sem luz natural, pequena (2,70 m de comprimento, 1,80 m de largura, 2,40 m de altura), uma jaula, na cave. Durante 8 anos será agredida com violência física e emocional (ninguém quer saber de ti, ninguém gosta de ti, só me tens a mim), passa fome, sede, por vezes fica dias inteiros sozinha, com a luz acesa, ou às escuras, com um teporizador a controlar o tempo. É forçada a trabalhar, a limpar tudo num brinco, e por vezes voltar a limpar o já limpo, só por capricho, há-de ajudar o raptor em trabalhos mais pesados, carrega pesos maiores do que as suas forças, o racionamento da comida é outra forma de controlo. O raptor promete-lhe uma vida feliz a dois, se ela não desobedecesse, se colaborasse.

       Há dias apresentamos aqui uma história de resistência e sobrevivência - INVENCIVEL -, diríamos que também esta é uma história de sobrevivência e de uma grande resistência. Não quebra, não se deixa destruir, ainda que por vezes tivesse pensamentos destrutivos, não perde a grandeza que lhe vai na alma:

"Eu sempre resisti às suas tentativas de me apagar e me transformar numa criatura sua. Ele nunca me conseguiu quebrar. Por outro lado, as tentativas dele para me transfomarem noutra pessoa caíram em solo fértil"...

       Até o nome quis trocar-lhe. Quando ela fazia algum erro, ele não perdoava: "És burra que nem um porta"... agarrou num saco de cimento e atirou-lho:

"Não foi a dor o que mais me chocou. O saco era pesado e o embate magoou-me, mas eu teria podido suportá-lo. Foi a dimensão da agressão do criminoso que me tirou a respiração. Ele era a única pessoa que existia na minha vida, e eu estava totalmente dependente dele. Aquele ataque de fúria ameaçava-me de um modo extremo. Senti-me como um cão batido que não pode morder a mão que o agride porque é a mesma que lhe dá de comer. A única saída que me restava era a fuga para dentro de mim. Fechei os olhos e ignorei tudo e não saí do sítio".

       Compensou-a com gomas.

       Mas ele não venceria...

 

"Mas acabei por vencer. Nunca, nem uma única vez, durante todos os anos em que ele exigiu de um modo tão veemente, lhe chamei «meu senhor».

Nunca me ajoelhei diante dele.

Muitas vezes teria sido mais fácil desistir. Teria sido poupada a alguns murros e pontapés. Mas eu tinha de preservar um certo espaço de manobra naquela situação de total submissão e de total dependência do raptor... Ele dominava-me quando me humilhava e maltratava sempre que lhe apetecia. Dominava-me quando me fechava dentro da masmorra, quando me obrigava a trabalhar como escrava. Mas nesse ponto fiz-lhe frente. Chamava-lhe «criminoso» quando ele queria que eu o chamasse de «meu senhor». Chamava-o de «querido» ou de «meu tesouro» em vez de «meu senhor» para o fazer ver a situação grotesca em que ele nos pusera".

       Vai escrevendo sobre o que lhe sucede. As tantas apenas sobre os maus tratos. É um segundo EU que lhe promete a libertação para os 18 anos. Nessa altura, o outro EU pegar-lhe-á na mão e conduzi-la-á em direcção à liberdade. É um grito que se mantém e certamente a ajudará a manter-se sã e decidida a viver até ao dia em que fugirá do seu raptor.

"Não te deixes abater quando ele diz que tu és demasiao estúpida para tudo.

Não te deixes abater quando ele te bate.

Não te importes quando ele di que és uma incapaz.

Não te importes quando ele diz que não consegues viver sem ele.

Não reajas quando ele te apaga a luz.

Perdoar-lhe tudo e não continuar zangada com ele.

Ser mais forte.

Não desistir. Nunca desistir"

       Mais fácill de dizer que fazer. Eis que se aproxima a hora que prometera a si mesma para fugir, e com ela a dúvida, a incerteza, a hesitação:

       "A minha incerteza acerca do criminoso afinal poder ter razão e eu estar melhor à sua guarda do que lá fora começou a diluir-se lentamente. Agora eu era uma pessoa adulta, o me segundo Eu tinha-me firmemente na mão e eu sabia muito bem que não queria continuar a viver daquela maneira".

"«Colocaste-nos numa situação em que apenas um de nós poderá sobreviver», disse eu de repente. O criminosso olhou para mim surpreendido. Eu não me deixei distrair. «Estou-te sinceramente grata por não me teres matado e por me tratares tão bem. É muito simpático da tua parte. Mas não me podes obrigar a viver contigo. Eu sou senhora de mim mesma, e tenho as minhas necessidades. Esta situação tem de ter um fim»... Eu continuei a falar. «É apenas natural que eu tenha de partir. Tu devias ter contado com isso desde o princípio. Um de nós tem de morrer, não existe outra solução. Ou me matas, ou me libertas»... Nunca desitir. Nunca desistir. Eu não vou desistir de mim... respirei e disse a frase que modifcou tudo: «Tentei tantas vezes suicidar-me - contudo, era eu a vítima. Na realidade, seria muito melhor se tu te suicidasses. Tu não tens qualquer outra opção. Se te matasses, todos os problemas deixariam de existir»... eu fugiria à primeira oportunidade. E um de nós não iria sobreviver a isso".

       Chega a dia da sua fuga. Quando ele tenta vender, por telefone, um apartamento que remodelaram, vê a oportunidade de fugir. Hesita mas foge. O portão do jardim está aberto. Cruza-se com dois homens, a quem pede socorro e um telefone para ligar para a polícia, seguem em frente. Entra no jardim de uma mulher assustada que só quer que ela saia do jardim, mas que decide ligar para a polícia, daí a pouco estão dois incrédulos polícias junto dela. Estava concluída parte da sua fuga.

      É esta a história narrada pela própria, numa linguagem atraente, em que sobressaem os seus sentimentos, quase se vêem as suas lágrimas, o seu sofrimento, a sua confusão, a sua dignidade. Este é mais uma excelente leitura, sobre sobrevivência humana. Em situações tão medonhas é impressionante que Natascha Kampusch não tenha quebrado.

 

       Apresentação do livro da TVI:

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