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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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09.03.10

Será o fim do mundo?

mpgpadre

       Depois do Haiti, da Madeira, do Chile, dos temporais na Europa, agora o sismo na Turquia, em que morreram mais de 60 pessoas. É nesta perspectiva que achamos relevante este texto do Pe. António Rego, ajudando-nos também ele a enquadrar as tragédias do tempo presente:

 

 Nada sabemos fechados no casulo estreito do nosso tempo, do nosso espaço e até dos factos que nos parecem o fim do mundo e que não passam duma gota de água no oceano incomensurável de Deus
 

       Acontece no dia-a-dia. Ou melhor, num dia entre muitos dias. Parece que se acorda com tudo a correr ao contrário. O trabalho urgente a concluir e chega um telefonema a decretar outro mais urgente, uma dor de cabeça que não vem a propósito, um assunto que chegou ao fim mal concluído, um problema novo que se interpôs a todos, alguma sensação de nervosismo com a ideia de que tudo corre mal.

       Para não falar no que está por fazer, na culpa de alguns insucessos, choques, tensões, com o ego de rastos, a triste sensação de incapacidade para iniciar um novo projecto, o cansaço que desaba e parece bloquear qualquer saída para qualquer problema. E tudo se enrola numa visão mais alargada na profissão, na família, no país de aspecto insolúvel, na economia que parece de terra queimada, na corrupção e esperteza como segredo de triunfo, no poder arrogante dos vencedores de sempre.

       E depois o fio da história, o bem e o mal, a incerteza do fim, a dúvida sobre o amanhã, os tons carregados de cinzento que se abatem sobre o humor, a resistência, a alegria, a relação com os outros, a estima por si próprio. E uma sequência de tragédias naturais exaustivamente exibidas cujas origens reais não sabemos deslindar. Tudo embrulhado na ementa informativa servida a cada refeição, numa selecção quase sádica e macabra de acontecimentos como se não houvesse outra forma de pintar a história a não ser em cores de sangue e dor, com tiros, lágrimas e gemidos lancinantes à mistura.

       Será esta uma representação real da vida ou estaremos marcados pela náusea de Sartre, o niilismo de Nietzsche, o desespero de Hamlet, a fúria de Herodes e a loucura de Hitler, ou a depressão e ansiedade dum pós modernismo insano?

       Bem diferente é a teoria de Jesus. E a sua prática: o desprendimento dos “lírios do campo”, a providência sobre “os cabelos da vossa cabeça”,a certeza de que “nada do que pedimos é em vão”, a confiança “no pão que nos concede” em vez do escorpião, a certeza de que Ele venceu o mundo – tudo isso que nos sustenta – e nos projecta para além do desencanto que pode ser um dia mal passado ou uma visão azeda da história.

       Nada sabemos fechados no casulo estreito do nosso tempo, do nosso espaço e até dos factos que nos parecem o fim do mundo e que não passam duma gota de água no oceano incomensurável de Deus. Há negrumes na alma que apenas a sabedoria de Deus pode romper.

António Rego, in Agência Ecclesia.

06.03.10

Noé e o grande dilúvio

mpgpadre

       Nestas semanas, desde o dia 12 de Janeiro, quando o Haiti sofreu um forte sismo, com centenas de mortos, desalojados, chegaram até nós notícias de cheias, tempestades, mau tempo: Madeira, ali bem perto com mais de 40 mortes e vários feridos e desalojados; a sismo do Chile que matou mais à volta de 800 pessoas, deixando feridas muitas mais; os temporais que varreram a Europa, com um rasto de violência e morte.

       Inevitavelmente muitas questões se levantam e muitas leituras se fazem: castigo de Deus, abuso do homem, coincidências infelizes. Sobre a leitura que fizemos aquando do sismo do Haiti pode ler-se de novo: Tragédia do Haiti - reflexões avulsas, e sobre o temporal da Madeira: Temporal da Madeira e Caridade, e Haiti, Madeira e Chile: notas avulsas

       Este texto, publicado no Voz Jovem, que fala do grande Dilúvio, ao tempo de Noé, em que numa leitura imediata se diz que foi o castigo de Deus pelo pecado do Homem, e que recolhe a oralidade sobre acontecimentos dramáticos passados. No entanto, o texto tem a preocupação de nos mostrar o quanto Deus nos ama, sempre disposto a levar-nos à Verdade e ao Bem, para nos encontrarmos com Ele em terra firme.

Noé e o grande Dilúvio:

       Noé abanou a sua cabeça em descrédito. Deus continuou a indicar os pormenores.

       “Lembra-te, Noé, que este dilúvio vai durar muito tempo. Irás necessitar de todos os tipos de alimentos para vós e para os animais. Agora – ao trabalho!”

       Noé fez exatamente o que Deus lhe havia pedido. Ele e a sua família cortaram as árvores e construíram o barco. Cobriram-no com alcatrão por dentro e por fora para que nem uma gota de humidade pudesse infiltrar-se.

       Depois, ceifaram campos de cereais. Encheram cesto após cesto com fruta e secaram-na ao sol. Arrecadaram estes mantimentos nas despensas da arca.

       Então deram início à tarefa mais espantosa de todas: chamaram os animais a si e guiaram-nos para dentro do barco. Por fim, todas as pessoas e animais se encontravam seguros a bordo. Deus fechou a porta depois de entrarem. Passaram-se sete dias.

       Então Deus ordenou que a chuva começasse: primeiro, algumas gotas grossas salpicaram a terra seca; depois, Noé escutou um som rápido da chuva a bater no topo do barco. Olhou para fora: uma torrente de água caía do céu.

       Assim que a chuva começou, não havia forma de suster a inundação. Os níveis dos rios subiram e as suas margens transbordaram. A água encheu vales e começou a subira acima dos montes. A pesada embarcação de Noé começou a flutuar.

       Todos os seres vivos a bordo estavam secos e seguros; todo o resto do mundo foi levado pelas águas. Choveu durante quarenta dias e quarenta noites e, por essa altura, o mundo estava completamente submerso. Havia apenas água e céu cinzentos… e a arca de Noé e Deus.


Mónica Aleixo, in Voz Jovem, Fevereiro 2010.

 

       O texto sobre o dilúvio enquadra-se num dos géneros literários presentes na Bíblia, neste caso, é uma narrativa mitológica, simbólica. Por outras palavras, não é um acontecimento histórico, com uma narração jornalística. A Bíblia não tem essa preocupação, procura sobretudo apresentar a fé das pessoas e do povo em Deus.

       O texto bíblico procura acentuar uma verdade, neste caso concreto, a necessidade de conversão e de mudança de atitude face aos outros. O distanciamento de Deus e dos Seus mandamentos leva à morte, à destruição, ao dilúvio. Mas Deus sempre nos envia uma tábua de salvação, uma barca, uma palavra, um mensageiro. Sublinha-se também que Deus é próximo, dispõe-se a intervir para que o homem descubra o caminho do bem, a terra firme.
       Em todo o caso, alguns estudiosos referem que o dilúvio é uma reminiscência dos deglaciares; com o aquecimento da terra, houve lugar ao degelo, o que provocou verdadeiros dilúvios...

26.02.10

A cidade literária do Funchal

mpgpadre

       Um dia, que esperamos não muito distante, a imagem desta baía em ruínas, soterrada hoje em lama e pranto, há-de dar lugar, de novo, à paisagem verdadeira. Passaremos deste inverno intransigente e funesto à clemência de uma estação que devolva ao Funchal a sua luz.

       As buganvílias voltarão a estender placidamente sobre as ribeiras os seus braços brancos, rosa, cor-de-vinho; a árvore de fogo do Largo do Colégio levantará mais alto o seu deslumbre; os Jacarandás repetirão o assombro colorido; as Tipuanas desdobrarão, nos inícios de Junho, um incrível tapete amarelo frente a São Lourenço ou na subida de Santa Luzia.
        Esperamos que, num tempo não distante, se possa reconhecer, de novo, a limpidez do traçado atlântico do centro, as ruas confusamente populares, o arabesco do mercado, o mesmo desenho de cheiros, a mesma mescla de sonoridades, o brando silêncio que nas praças tem o seu quê de familiaridade tímida, quase cerimoniosa.
        Encravado na forma de uma concha há cinco séculos, burgo marítimo de referência, com construção fantasiosa, o Funchal foi a primeira cidade europeia nascida fora da Europa. O resultado é um património humano e urbanístico únicos. Evoca, é claro, o modelo de algumas cidades continentais, mas já é outra coisa, como acontece aos territórios de fronteira. É uma cidade reservada e extravagante, cosmopolita e primitiva, enérgica e indolente. Tanto como outras, mas diferente, de uma maneira que é só sua. Por exemplo, em certas horas vazias, as inúmeras varandas terrestres espalhadas pelas encostas parecem colocadas num imenso navio como os que muitas vezes ali aportam, e sente-se (isto é real) que toda a cidade flutua.
       O Funchal é, ainda que isso seja escassamente recordado, uma cidade literária, como Trieste ou Marraqueche: ali não apenas nasceram Edmundo Bettencourt, Cabral do Nascimento, Herberto Helder ou Ana Teresa Pereira, nasceram os seus universos.
       Conta-se que o poeta António Nobre gravou a canivete numa árvore do Funchal: “sede de luz como que de relâmpagos”. Um dia, que esperamos não muito distante, chegará a luz.
 
José Tolentino Mendonça (Pe.)

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