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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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18.05.24

Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós...

mpgpadre

      1 – A Páscoa é o mistério maior da fé cristã. A morte, em definitivo, não tem a última palavra. A última palavra é de Deus: da Vida e do Amor. A Ressurreição é o Amor mais forte que a morte. A morte faz parte da humanidade, mortal e finita. Com a Sua Ressurreição, Jesus coloca a nossa natureza junto de Deus, de onde nos atrai. Como em tantas situações da vida, mais dramático que os problemas e dificuldades, é a solidão e a falta de justificação da vida. Jesus dá-nos, com a Sua vida, morte e ressurreição, uma justificação e faz-nos companhia: a morte não é o fim, é passagem a uma vida nova, não ficamos sós, Ele conduz-nos ao coração de Deus, no qual nos descobrimos irmãos. 

       Ressurreição/Ascensão/Pentecostes são faces da mesma moeda. É o mesmo acontecimento pascal. Passagem. Vida nova. Vida no Espírito Santo. Missão. Ele connosco, pelo Espírito, em comunidade, mas doravante somos nós os portadores da Boa Notícia. Ele vem salvar-nos. Morre. Ressuscita. Ascende para Deus. Envia-nos o Seu Espírito, que por sua vez, nos dá (de novo) Jesus Cristo na Palavra proclamada e acolhida, nos Sacramentos e em todas as boas obras.

       A primavera desemboca no verão. A flor dará lugar ao fruto. Se o trigo não morrer não germinará vida nova. Se a flor permanecer sempre em flor, não descobrirá a beleza do fruto que está para chegar.

"Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos»".

       O Evangelista São João relata com clareza o acontecimento Páscoa: Jesus aparece no meio deles, não à parte, fora, ou de lado, mas no meio. Ele vem para o meio de nós. Mostra-lhes os sinais da paixão. O corpo glorioso de Jesus não anula as marcas do amor, presentes na crucifixão e na morte. A mensagem é a mesma: a paz. Os sorumbáticos apóstolos enternecem-se ao ver o Senhor e ficam cheios de alegria. Jesus sopra sobre eles, dá-lhes o Espírito Santo e envia-os, como o Pai O enviou.

       A linguagem do amor e do bem não tem fronteiras/barreiras, é facilmente percetível e universal. Todos nos entendemos facilmente nas palavras e nos gestos de carinho e de perdão, de amor e de partilha solidária.

 

       2 – São Lucas, evangelista, e autor do Livro dos Atos dos Apóstolos, apresenta-nos uma narração mais detalhada, com a preocupação de visualizar à comunidade cristã a grandeza do mistério vivido por Jesus Cristo, Deus feito homem. E, por outro lado, parte da constatação de que precisamos de tempo para amadurecer, para acolher, para compreender em toda a sua amplitude a grandeza do amor de Deus.

       Numa linguagem bíblica, usa os números para nos ajudar a compreender os passos de Jesus. Como víamos no Domingo passado, acerca da Ascensão, depois da ressurreição, Jesus permanece 40 dias com os Seus, elevando-se então ao Céu. Por outras palavras, Jesus prepara os discípulos e permanece o tempo necessário para eles crescerem e para os enviar em missão. Hoje, o relato do Pentecostes, na versão lucana, situa-nos 50 dias depois da Páscoa, chegou a plenitude da manifestação pascal. Os discípulos estão preparados para se tornarem apóstolos.

       Prestemos atenção às palavras da Escritura:

"Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar [proclamar as maravilhas de Deus] na sua própria língua…?»".

 

       3 – O Espírito Santo que Deus nos dá há de inundar de alegria, de paz e de amor, toda a nossa vida; como rajada de vento que tudo "arrasta" assim o Espírito de Deus nos "arrasta" para uma vida transformada, nova, comprometida. Como em outras ocasiões acentuámos, a dádiva do Espírito Santo assume uma dinâmica instrumental: converte-nos e leva-nos aos outros, insere-nos no mundo, mais e mais, na transformação das realidades que nos envolvem ou chegam até nós. Quem faz a experiência de encontro com Jesus ressuscitado, pela força do Espírito Santo, como escutámos no Evangelho, transborda de alegria. E quem transborda de alegria quer comunicar o sucedido a todo o mundo.

       O Espírito Santo liberta-nos das amarras do medo, das portas e das janelas fechadas, do egoísmo que nos destrói, do pessimismo que inquina o nosso quotidiano, da desconfiança que nos agita e nos distancia dos outros, da arrogância que nos isola. Não nos livra das dificuldades, mas fortalece-nos e acompanha-nos para ressuscitarmos em cada momento de morte e de desalento, de incerteza e fracasso, de insegurança e de perda.

       O Apóstolo São Paulo fala do Espírito como oportunidade para o bem comum, para fundar ou refazer laços fraternos e duradouros. Cada pessoa é querida por Deus e dotada de qualidades que postas ao serviço dos outros mais se desenvolvem.

       Mas fixemo-nos nas palavras de São Paulo.

"Ninguém pode dizer: «Jesus é o Senhor», a não ser pela ação do Espírito Santo. De facto, há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. Assim como o corpo é um só e tem muitos membros, e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos batizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito".

       Belíssima a comparação! Como Igreja, comunidade dos seguidores de Cristo Jesus, somos como corpo e tal como o corpo é uma unidade/organismo com diversos membros, cada um de nós, com a sua vida, é membro do Corpo místico de Cristo, que é a Cabeça. 


Textos para a Eucaristia (ano B): Atos 2,1-11; 1 Cor 12,3b-7.12-13; Jo 17, 20-26.

17.11.23

Chegou o senhor daqueles servos e foi ajustar contas com eles

mpgpadre

       1 – Na aproximação ao final do ano litúrgico, a Palavra de Deus ajuda-nos a reflectir sobre as realidades últimas, a morte, a vida eterna, a passagem deste mundo para a comunhão com Deus. Obviamente que a reflexão sobre a morte e sobre a eternidade nos obriga a enquadrar o tempo que está antes, a nossa responsabilidade para com o tempo actual, neste nosso mundo, com as pessoas que estão à nossa volta. Pensamos no fim para melhorarmos o entretanto, o caminho que lá nos conduz. Quando chegar a nossa hora, o tempo deixa de ser nosso, restará a misericórdia de Deus e a esperança dos que ficam a aguardar pela sua vez. Por ora, o nosso compromisso, a nossa vida. 

       Ouçamos as palavras significativas do Apóstolo São Paulo: "Sobre o tempo e a ocasião, não precisais que vos escreva, pois vós próprios sabeis perfeitamente que o dia do Senhor vem como um ladrão nocturno. E quando disserem: «Paz e segurança», é então que subitamente cairá sobre eles a ruína, como as dores da mulher que está para ser mãe, e não poderão escapar. Mas vós, irmãos, não andeis nas trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão, porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia: nós não somos da noite nem das trevas. Por isso, não durmamos como os outros, mas permaneçamos vigilantes e sóbrios".

       Paulo recorda-nos as palavras que ouvimos de Jesus Cristo há uma semana: "vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora". Até podemos esquecer, atarefados, stressados, empenhados em viver bem (que seja sobretudo isto), mas, como popularmente se diz, temos o destino marcado, um dia haveremos de dar contas ao Senhor, Deus do Universo, e Deus nosso. O conselho de Paulo é o mesmo de Jesus: iluminados pelas palavras, pela vida, pela morte e ressurreição de Jesus, vivamos na luz, como filhos da luz, vigilantes e sóbrios, não nos deixemos adormecer por fáceis resignações, comodismos ou distrações.

       2 – Duas realidades incontornáveis e certas na nossa vida: a morte (ainda que não saibamos o dia nem a hora) e o amor. Queiramos ou não, novos ou mais velhos, com saúde de ferro ou doentes crónicos, homens ou mulheres, bem humorados ou zangados com todos, sorridentes ou sisudos, a nossa hora chegará um dia, não ficaremos para a semente. Mesmo que esse fosse o nosso anseio. Ninguém sobreviverá à corrupção do tempo e da história. Teremos um fim.

       O amor, por outro lado, comanda a vida. A este respeito há muitas discussões, pois o dinheiro comanda muitos mundos. O poder (e o desejo de poder) comanda outros mundos. O ódio e a vingança têm também os seus mundos e os seus adoradores. Mas no final sobrevém o amor, a vida, a esperança, a fé. Noutro contexto, o Apóstolo Paulo dir-nos-ia que agora coexistem a fé, a esperança e o amor, mas só o amor permanecerá até à eternidade. Se o mundo se regulasse pela lei do poder ou do dinheiro, já há muito não estávamos por cá, nem o meio mundo que engana, nem o meio mundo que é enganado. É pela força e dinâmica do amor que o mundo tem evoluído e tem sido transformado e não destruído.

       Para nós, crentes, é o amor de Deus que nos criou e é no Seu amor que sobrevivemos no tempo e na história e sobreviveremos à nossa morte biológica. Com efeito, em Deus o amor transborda em plenitude para nos criar e para nos salvar. É o amor que mobilizou, e mobiliza, homens e mulheres a ultrapassarem os seus limites e a colocarem o seu saber, o seu coração, os seus talentos e a sua vida ao serviço dos outros e da humanidade, nas mais diversas áreas de saber, da ciência, da tecnologia.

       É certo que muito mal e sofrimento grassa no mundo, por vezes tão rente a nós que se torna impossível ignorar. Ainda assim, connosco, o anseio de viver com alegria e saúde, por muito tempo, rodeados de esperança e de amigos e de situações que possamos desfrutar. É como que um impulso inscrito em nós por Deus para darmos sentido à nossa existência.

       3 – A morte é certa. Mas não podemos ficar sentados e de mãos cruzadas à espera. Então vivamos com entusiasmo. Vivamos no amor, que também é certo, o de Deus por nós, o que nos torna filhos em Jesus Cristo, o amor que o Espírito Santo nos inspira para nos ligarmos como família na partilha solidária, para entrarmos em comunhão uns com os outros, vivendo em dinâmica de felicidade.

       No Evangelho deste domingo, a parábola de Jesus sobre os talentos é muito expressiva, como que nos dizendo que Deus nos dá a vida e nos presenteia com muitos talentos. Na Sua "ausência", enquanto não nos recolhe de novo para a morada eterna, cabe-nos desenvolver, com criatividade e generosidade, os talentos que possuímos e que d'Ele nos aproximam constantemente.

       "Disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «Um homem, ao partir de viagem, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um entregou cinco talentos, a outro dois e a outro um, conforme a capacidade de cada qual; e depois partiu. O que tinha recebido cinco talentos fê-los render e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebera dois talentos ganhou outros dois. Mas, o que recebera dois talentos ganhou outros dois. Mas, o que recebera um só talento foi escavar na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor... Muito tempo depois, chegou o senhor daqueles servos e foi ajustar contas com eles»..."

       Há caminhos a percorrer, há quem escolha pôr mãos à obra de imediato e quem opte por se esconder no medo, nas desculpas, na falta de dons, no que os outros podem e devem fazer, nas circunstâncias desfavoráveis, na falta de tempo.

       Como poderemos chegar felizes junto de Deus se desperdiçamos o nosso tempo e as qualidades que Ele nos deu e as oportunidades que tivemos para sermos felizes e contribuirmos para a felicidade de outros? Quando Ele vier retomar o que é Seu, que teremos para oferecer? Multiplicámos o que nos deu, ou desculpar-nos-emos com o medo, com os outros, com as limitações pessoais ou com as circunstâncias?


Textos para a Eucaristia (ano A): Prov 31,10-13.19-20.30-31; 1 Tes 5,1-6; Mt 25,14-30.

15.11.14

Um homem partiu de viagem e confiou os seus bens

mpgpadre

1 – Aí está uma das últimas páginas do Evangelho de São Mateus. Jesus diz-nos como nos preparamos para que o encontro definitivo com Deus nos seja favorável: fazer render os dons que Ele nos dá. A vida nunca será um mar de rosas, terá os seus espinhos e as suas contrariedades, nem tudo dependerá de nós, surgirão imprevistos, situações difíceis que abalam a nossa confiança e, por vezes, nos levam a querer desistir. Mas ninguém viverá a vida por nós. A vida é nossa. Podemos deixar a nossa marca na história!

Quem vai para o mar prepara-se em terra. Jesus alerta-nos para nos prepararmos bem, investindo o nosso tempo, as nossas energias, os nossos talentos. Não adianta esconder-nos, adiar, deixar que outros resolvam, outros vivam. Há que apostar. Há que arriscar. Podemos errar. Podemos fracassar, esmurrar a cara, podemos cair. Mas importa arriscar, viver, sair, ir ao encontro dos outros, semear o bem e a justiça, cultivar a esperança e a alegria, plantar a misericórdia e o bem, deixar-se cativar pela generosidade e pelo perdão. Mesmo caindo!

A parábola é extraordinariamente clarificadora. Um homem vai de viagem e confia os seus bens aos seus servos, conforme a capacidade de cada um. Confia neles e segue viagem.

Assim Deus connosco. Confia em nós. Dá-nos os Seus dons. Não nos pede mais do que aquilo que seremos capazes de assumir. Dá-nos o mundo inteiro para cuidarmos. Não nos controla como marionetas. Deixa que o trigo e o joio cresçam conjuntamente.

01 Parabola dos Talentos.jpg

2 – O que recebeu cinco talentos duplicou os rendimentos. O que recebeu dois talentos também os duplicou. O que recebeu um talento, não fez mais. Cruzou os braços à espera do patrão. Se pobre era, pobre ficou. Nada fez para melhorar a sua situação. Em vez de valorizar o dom recebido, refugiou-se no medo em relação ao seu senhor. Ah, como se assemelha à nossa vida cristã: em vez de vivermos em alegria acolhendo a misericórdia de Deus, por vezes, vivemos atemorizados pelo que Deus nos pode vir a fazer.

Aquele homem recebeu um talento e outra coisa não fez que lamentar a sua sorte. A vida pode trazer-nos escolhos que não escolhemos. Pode acontecer que não mereçamos as partidas que a vida nos prega. Fazemos por merecer o melhor e tantas vezes nos deparamos com o pior! Podemos encontrar consolo em quem nos escuta, compreensão e incentivo para prosseguirmos, apesar de tudo. Porém, a vida não se altera se ficarmos apenas a lamentar-nos. Quantas vezes o copo meio cheio se nos afigura copo meio vazio?

«Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e recolhes onde nada lançaste. Por isso, tive medo e escondi o teu talento na terra. Aqui tens o que te pertence». A resposta do seu senhor é inequívoca: «Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde nada lancei; devias, portanto, depositar no banco o meu dinheiro e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu».

Devolve-se ou paga-se o que se deve, o que se pediu emprestado, agradecendo. Se entramos no sistema económico-financeiro, a devolução é com juros. Só que no caso presente, o banco somos nós. Deus confia-nos os Seus dons. Dá-nos a Sua própria vida, em Jesus Cristo. A Sua vida por inteiro. E que fazemos com este "depósito"? Pomo-lo a render? Investimos para o devolvermos rentabilizado? Ou deixamos tudo na mesma, escondendo-nos no medo?

Temer ao Senhor, não é fugir d'Ele com medo, mas aproximar-se d'Ele com esperança, na certeza do Seu amor por nós, tal como fazemos em relação àqueles de quem gostamos: tememos magoar, tememos desiludir, e, por conseguinte, podendo errar, tentamos dar o melhor de nós. 


Textos para a Eucaristia:

Prov 31, 10-13. 19-20. 30-31; Sl 127 (128); 1 Tes 5, 1-6; Mt 25, 14-30.

 

Reflexão dominical COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.

07.01.11

O Corpo humano e os seus membros

mpgpadre

       O corpo humano:

       É uma harmonia perfeita, tudo trabalha às mil maravilhas, a maior parte dos dias não nos perguntamos como funciona, a não ser que estejamos doentes. A mão não pergunta por que é que leva a comida à boca. A boca não se incomoda com o que acontecerá à comida que passa por si. As pernas levam-nos ao lugar da comida...

       Porém nem sempre foi assim.

       Um dia, os diversos membros do corpo humano começaram a interrogar-se sobre o seu papel, ou a sua função, por que é que faziam isto ou aquilo e não deviam simplesmente descansar.

       As pernas e os pés disseram:

       – As mãos e a boca que trabalhem, já estamos fartos de andar à procura de comida e ninguém nos agradece.

       As mãos do mesmo modo:

       – Já é tempo de a boca se esforçar e pegar ela na comida, não somos criadas de ninguém.

       A boca ao ver que nem os pés se encaminhavam para a comida, nem as mãos se moviam para pegar em alguma coisa, também desistiu:

       – Porque é que me hei-de preocupar? Sempre fiz a minha parte! Fiz com que o alimento, através de mim, chegasse ao estômago, nunca recebi qualquer agradecimento, não me abrirei para deixar entrar a comida, não vou desperdiçar as minhas energias!

       Bom, o estômago ainda reclamou, não percebia porque é que estava há tantas horas sem receber alimento. Procurou saber o que se passava. Informaram-no que os pés, as mãos, a boca, estavam em greve e se recusavam a trabalhar. E o estômago começou a ficar cada vez mais incomodado, mas pouco a pouco foi-se conformando:

       – Têm razão, mal eles sabem da minha canseira, senão já há muito tempo tinham feito greve. Não há um minuto, um segundo em que eu não esteja em movimento, de ora em diante vou repousar. Não me chateiem. Tenho direito a descansar, nunca ouvi uma palavra de agradecimento por trabalhar o alimento para que o corpo funcione...

       Entretanto, o tempo ia passando, e cada um dos membros do corpo mantinha com firmeza a sua posição. E à medida que as horas avançavam os membros começaram a sentir uma certa sonolência, mas julgaram que era resultado do descanso e que daí não viria mal ao mundo.

       E o tempo foi passando... foi passando... foi passando... E o corpo cada vez mais mole, mais fraco, e ninguém queria dar parte fraca. As pernas já não se sentiam, estavam a ficar roxas, frias... As mãos estavam caídas sobre o corpo... A boca de quando em vez ainda fazia um ligeiro esforço para se abrir, mas acabava por desistir por achar que não valia a pena desperdiçar energias.

       E o tempo ia passando... ia passando...

 

PALAVRA de DEUS:

 

       Pois, como o corpo é um só e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, apesar de serem muitos, constituem um só corpo, assim também Cristo. De facto, num só Espírito, fomos todos baptizados para formar um só corpo, judeus e gregos, escravos ou livres, e todos bebemos de um só Espírito.

       O corpo não é composto de um só membro, mas de muitos. Se o pé dissesse: “Uma vez que não sou mão, não faço parte do corpo”, nem por isso deixaria de pertencer ao corpo. E se o ouvido dissesse: “Uma vez que não sou olho, não faço parte do corpo”, nem por isso deixaria de pertencer ao corpo. Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido, onde estaria o olfacto?

       Deus, porém dispôs os membros no corpo, cada um conforme lhe pareceu melhor. Se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Há, pois, muitos membros, mas um só corpo.

        (1 Cor 12, 12-31).

10.07.10

A nossa maior qualidade: AMAR

mpgpadre
       «Certa vez, Frei Egídio (um dos companheiros mais queridos de S. Francisco), homem muito simples e piedoso, falou assim ao Ministro General, Frei Boaventura (+ 1274), um dos maiores teólogos da Igreja.
       - Meu Pai, Deus deu-lhe muitos dotes. Eu, pessoalmente, não recebi grandes talentos. O que devemos nós, ignorantes e tolos, fazer para sermos salvos?
       O douto e santo Frei Boaventura elucidou-o dizendo:
       - Se Deus não desse ao homem nenhuma outra capacidade senão a de amar, isto lhe bastaria para se salvar.
       - Quer dizer que um ignorante, pode amar a Deus tanto como um sábio?, perguntou Frei Egídio, tentando entender.
       - Mesmo uma velhinha muito ignorante, disse-lhe com ternura o grande teólogo, pode amar mais a Deus do que um professor de Teologia.
       Dando pulos de alegria, Frei Egídio correu para a sacada do convento e começou a gritar:
       - Ó velhinha ignorante e rude, tu que amas a Deus Nosso Senhor, podes amá-l`O mais do que o grande teólogo Frei Boaventura.
       E, comovido, ficou ali, imóvel, durante três horas.»
 
(Pe. Neylor J. Tonin, em "Histórias de Sabedoria"), in Abrigo dos Sábios.

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  234. D

Velho - Mafalda Veiga

Festa de Santa Eufémia

Pinheiros, 16/17 de setembro de 2012

Primeira Comunhão 2013

Tabuaço, 2 de junho

Profissão de Fé 2013

Tabuaço, 19 de maio

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