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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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14.08.18

Solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu - 2018

mpgpadre

1 – «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre».

O mistério da Assunção de Nossa Senhora ao Céu, em corpo e alma, dogma católico, proclamado pelo Papa Pio XII, com a Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, a 1 de novembro de 1950, consagra uma verdade de fé reconhecida, aceite e professada, desde o início, pelas comunidades cristãs.

As primeiras palavras nos Evangelhos referidas a Maria dizem-nos que Ela é a cheia de Graça e que o Senhor está com Ela. É a saudação do Anjo. No encontro com Isabel a saudação é semelhante, mas desta feita incluindo já Jesus: bendita és tu, bendito é o fruto do teu ventre! Neste encontro sobrevém a alegria do encontro com Jesus e o primeiro anúncio da proximidade do Filho de Deus. A fé é a chave que nos possibilita a busca, a descoberta e o encontro com Deus. «Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

N'Ela, como em nós, o fim está incoativamente presente no início e ao longo da vida, em conformidade com as escolhas feitas. Se escolhemos fazer a vontade de Deus, deixar que Deus nos ilumine e nos conduza, por certo seguiremos no Seu encalço até à eternidade. Jesus relembra isso mesmo aos seus discípulos: quem der testemunho de Mim diante dos homens, também Eu darei testemunho dele diante de Meu Pai que está nos Céus (cf. Mt 10, 32).

«Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática». É a resposta dada por Jesus a uma mulher que do meio da multidão Lhe diz: «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito». A bem-aventurança está em escutar a palavra de Deus, procurando concretizá-la, traduzi-la na vida do dia-a-dia. Dessa forma nos predispomos a seguir o mandato de Maria – Fazei tudo o que Ele vos disser – que implicará configurar a nossa vida com a de Jesus no Seu jeito de amar, de servir e de Se entregar.

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2 – «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva».

Maria corporiza a humildade disponível para manifestar a grandeza de Deus e das Suas maravilhas no meio dos homens. O Magnificat assume a história da salvação contada e cantada através das gerações, em que Deus Se manifesta na proximidade aos pobres, aos simples, a todos quantos se abrem à Sua graça e se predispõem a seguir/viver os seus preceitos. Estes visam a inclusão de todos, fazendo sobressair o que une e faz deles, de nós, uma só família de Deus. Em contraponto, estão todos aqueles que na prepotência e no egoísmo se fecham à graça de Deus, sobrepondo a própria vontade, apetites e ganância a todos os outros, relacionando-se com eles em atitude de violência, de inimizade e de separação, deixando na terra marcas de sangue, de destruição e de morte.

Em Maria, Deus faz-Se um de nós. Com Jesus Cristo, Deus humaniza-Se, encarna, assume a nossa condição finita. Daí que o SIM de Maria seja decisivo, caucionando a vontade de Deus em Se tornar tão próximo da humanidade, que Se faz um de nós…

 

«A minha alma glorifica o Senhor

e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,

porque pôs os olhos na humildade da sua serva:

de hoje em diante me chamarão bem-aventurada

todas as gerações.

O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:

Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração

sobre aqueles que O temem.

Manifestou o poder do seu braço

e dispersou os soberbos.

Derrubou os poderosos de seus tronos

e exaltou os humildes.

Aos famintos encheu de bens

e aos ricos despediu de mãos vazias.

Acolheu a Israel, seu servo,

lembrado da sua misericórdia,

como tinha prometido a nossos pais,

a Abraão e à sua descendência para sempre».

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Textos para a Eucaristia:

Vigília: 1 Cr 15, 3-4.15-16; 16, 1-2; 1 Cor 15, 54b-57; Lc 11, 27-28;

Missa do dia: Ap 11, 19a; 12, 1-6a. 10ab; Sal 44 (45); 1 Cor 15, 20-27; Lc 1, 39-56.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

30.05.18

Isto é o Meu Corpo, isto é o Meu sangue, entregue por vós

mpgpadre

1 – «Tomai: isto é o meu Corpo… Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança, derramado pela multidão dos homens».

Em quinta-feira santa, Jesus chama à festa os Seus discípulos. Jesus tem uma mensagem importante a comunicar-lhes. Tem consciência que não Lhe restam muitas horas. Tudo se vem a precipitar e acelerar. Isso mesmo faz notar aos discípulos, dando-lhes pistas, indícios, sinais. Vai ser entregue às autoridades, vai ser condenado e vai ser morto. É preciso que saibam que a Sua morte não é em vão, mas é para cumprir, em tudo, a vontade do Pai, oferecendo-Se até ao fim, até ao último fôlego. Jesus não guarda nada para Si, dá-Se por inteiro. É o Meu Corpo, é o Meu sangue entregue por vós. Um pouco mais e será arrastado para a Cruz. Antes, porém, que O matem, Ele entrega-Se. A vida ninguém ma tira, Sou Eu que a dou!

De condição divina, não Se valeu da Sua igualdade com Deus, mas assumiu a nossa carne, a nossa humanidade, por inteiro, sujeitando-Se às leis físicas, sob as coordenadas do tempo e do espaço. O Verbo encarnou e habitou entre nós. Deus não nos salva a partir de cima ou do exterior, mas faz-Se um de nós. Vem habitar connosco. Habitar-nos. Embrenha-Se na nossa história, identificando-Se com as nossas dores e carregando-as, para nos libertar, para nos elevar conSigo para Deus. Mas não o faz simbolicamente num gesto de simpatia, fá-l'O visível e realmente, com o Seu corpo, com a Sua vida entregue ao Pai por nós, por nosso amor, para nossa salvação.

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2 – Na Cruz Jesus realiza o que antecipa na Ceia Pascal. Ele dá-Se, entrega o Seu Corpo e o Seu sangue, a Sua vida. A Cruz é expressão e certeza do Seu amor, de um amor encorpado (materializado) nas Suas palavras, nos Seus gestos e no oferecimento ao Pai: Pai nas Tuas mãos entrego o Meu espírito! É o Meu corpo. É o Meu sangue. É a minha vida. Podia ser uma expressão romântica, mas é real, física, carnal. Jesus nasce, vive e é morto na Cruz, depois de um processo apressado por aqueles que O viam como uma ameaça.

A Eucaristia, sacramento do mistério pascal, atualiza, torna presente o Corpo de Jesus, a Sua entrega, a Sua morte e ressurreição. O símbolo – o pão e o vinho – realiza o que significa. A crucifixão não se repete, Jesus oferece-Se uma vez para sempre. Os sacramentos, especialmente a Eucaristia, por ação do Espírito Santo, em Igreja (Corpo de Cristo), fazem com que a morte e ressurreição aconteçam (sacramentalmente) no nosso tempo, na nossa vida. Jesus torna-Se nosso contemporâneo. Está ali, como prometeu – Eu estarei convosco até ao fim dos tempos – está ali não às migalhas ou às prestações, mas presente totalmente, com o Seu corpo e com o Seu sangue!

3 – Chegada a plenitude dos tempos, Deus enviou o Seu filho ao mundo para que o mundo fosse salvo por Ele, a partir de dentro, a partir da humanização da humanidade, marcada pelo pecado, pela treva e pela morte. Todavia, não foi do pé para a mão. Deus criou-nos por amor e criou-nos livres e mas não nos deixou à nossa sorte!

Radica aqui um dos equívocos do nosso tempo, a independência em relação a Deus e em relação ao próximo. Abdicamos dos pais e de Deus, abdicamos da sabedoria dos outros, mesmo que vivamos confortavelmente graças à criatividade, ao engenho e ao sacrifício de muitos. A autonomia é defensável, a independência (como a autossuficiência e a prepotência) isola-nos, desagrega-nos, desumaniza-nos. Ao tornar-nos independentes, tornamo-nos órfãos e depois filhos únicos, sem irmãos, sem família, sem casa paterna/materna, sem amigos! E o risco é mortal, pois se ninguém nos pertence e não pertencemos a ninguém podemos destruir, excluir, matar quem nos possa fazer sombra, pois não temos nada a perder, não temos nada a ganhar!

O pecado de Adão e Eva não impede Deus de Se manter por perto e de guardar a Sua obra-prima. O fratricídio de Caim, que matou o seu irmão Abel, não impede Deus de o proteger, marcando-o com o Seu selo, para que ninguém lhe faça mal. Na provação, Deus aponta uma saída, uma esperança. Nada está perdido em definitivo, Deus não nos desampara. A história do povo de Deus é uma história de encontro, de Aliança/s de Deus com a humanidade através dos Patriarcas, dos Juízes, dos Profetas, dos sacerdotes e dos próprios acontecimentos.

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Textos para a Eucaristia (ano B): Ex 24, 3-8; Sl 115; Hebr 9, 11-15; Mc 14, 12-16. 22-26.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

26.05.18

Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo

mpgpadre

1 – O mistério acolhe-se, vive-se, reza-se, enquadra-se nas escolhas que fazemos, e também se racionaliza, mas continua a ser mistério. Jesus é o Logos (Verbo, verdade, Palavra, razão, Sabedoria do Pai), é Luz que nos guia, que clarifica o mistério de Deus, que traz Deus até nós tornando-O acessível, visível à história e ao tempo.

Quem Me vê, vê o Pai! Eu e o Pai somos Um! Ninguém vai ao Pai senão por Mim! Eu vou para o Pai e vou enviar-vos o Espírito Santo, o Paráclito, o Espírito de Verdade que vos revelará toda a verdade, Ele vos recordará o que vos disse, «Ele não falará por Si próprio, mas há de dar-vos a conhecer quanto ouvir e anunciar-vos o que há de vir… Tudo o que o Pai tem é meu; por isso é que Eu disse: ‘Receberá do que é Meu e vo-lo dará a conhecer’» (Jo 16, 13-15).

O mistério da Trindade santíssima é visualizável na vida e na missão de Jesus Cristo. Basta olhar para Ele, acreditar n'Ele, segui-l'O, amá-l'O, vivê-l'O, transparecendo-O, para estarmos por dentro do mistério trinitário, ou melhor, para a vida divina nos apossar com a Sua presença e com a Sua graça misericordiosa.

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2 – Ao longo da Sua vida, Jesus vive em dinâmica de doação, de entrega, de serviço, de cuidado aos outros, de atenção aos mais desfavorecidos, mulheres e publicanos, crianças e estrangeiros, pecadores e doentes (surdos, mudos, leprosos, coxos, cegos, endemoninhados). Este é o mistério da Trindade: o amor levado ao limite do possível, até ao último fôlego; oferecido, em sacrifício, eternizando-o, confiando a Deus Pai. A finitude e a fragilidade humanas, os limites do tempo e do espaço são integrados no Infinito, na eternidade de Deus, são elevados às alturas, ressuscitam com Jesus Cristo!

Deus é Amor! Deus são três Pessoas! Faz parte do ser-pessoa a relação com os outros e com o mundo. É o que nos revela Jesus: o amor de Deus que Ele concretiza com a Sua vida. Deus é mistério, mas é um mistério que em Cristo Se revela, Se dá, amando-nos! Será impossível saber quem é Deus em Si mesmo! Mas também é impossível saber quem é cada pessoa em si mesma! Conhecemo-nos pelo que revelamos, pelo que dizemos e pelo que fazemos (ainda que sejamos mais do que isso)! É também assim que conhecemos Deus, através da Sua Palavra, Jesus, Deus humano, e em Jesus é visível o amor de Deus. Ser assumidos pelo mistério da Santíssima Trindade é deixar-se conduzir e enformar pelo amor como oblação, entrega, serviço, mas também como amizade, como partilha e como comunhão, integrando as diferenças e a identidade de cada um!

 

3 – «Deus Pai, que revelastes aos homens o vosso admirável mistério, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito da santidade, concedei-nos que, na profissão da verdadeira fé, reconheçamos a glória da eterna Trindade e adoremos a Unidade na sua omnipotência» (oração de coleta).

Professar a fé implica vivê-la. Não se trata de acreditar em algo, trata-se de acreditar e confiar em Alguém e querer que a Sua vida seja visível também na nossa! Queremos identificar-nos com Aquele que amamos ou, no mínimo, fazermos o que está ao nosso alcance para Lhe agradarmos! Vale na nossa relação com Deus, mas também vale na nossa relação com os outros!

Como o Pai me amou, também Eu vos amei! Como o Pai me enviou também Eu vos envio! «Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

A resposta ao amor de Deus, que nos inclui na Sua família – somos Seus filhos no Filho Jesus – faz-se para a frente, amando os nossos semelhantes, levando-lhes alento e conforto, ajuda e esperança.

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Textos para a Eucaristia: Deut 4, 32-34. 39-40; Sl 32; Rom 8, 14-17; Mt 28, 16-20.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

19.05.18

Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados

mpgpadre

1 – O Jovem galileu percorreu montes e vales, cidades e aldeias, pelo campo e à beira mar, espalhou um sonho, o sonho de Deus de reunir a todos numa só família, em que todos possam sentar-se à volta da mesma mesa, sob o mesmo teto, sentindo-se em casa.

Os discípulos puderam acompanhá-l'O, puderem ver a Sua postura diante das autoridades e em relação aos mais pobres e frágeis. Puderam testemunhar a Sua intimidade com o Pai, a Sua delicadeza com todos, a sua proximidade aos doentes e aos pecadores, a predileção para com as crianças e os estrangeiros, as mulheres (algumas de vida duvidosa) e os publicanos. Escutaram discursos, mas sobretudo diálogos e pequenas estórias desafiando ao melhor, à inclusão, ao amor, ao perdão, à partilha, à confiança em Deus que é Pai e nos ama daqui até ao infinito, nos ama como Mãe.

Jesus sujeita-se às coordenadas espácio-temporais. Não estará para sempre (fisicamente) no meio de nós. Antes, porém, previne e prepara os Seus discípulos, não os deixará órfãos, enviar-lhes-á, de junto do Pai, o Espírito Santo. Anuncia-O e comunica-O: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

A continuidade é assegurada pelo Espírito Santo. A presença de Jesus faz-Se notar. É Páscoa. Vida nova, ressuscitada! Ele está no meio de nós! Vive em nós e através de nós. Vivamos na Sua paz!

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2 – A Páscoa, ressurreição de Jesus e ascensão aos Céus, implica-nos, não podemos ficar a olhar para Céu, pasmados à espera que a vida se resolva. Somos chamados a seguir Jesus, a amar Jesus, a viver Jesus, a testemunhar e transparecer Jesus. Em todos os momentos! Em todas as circunstâncias! Em toda a parte! Onde estiver um cristão está a ressurreição.

Em dia de Pentecostes, os Apóstolos estão reunidos. Os discípulos ainda não estavam suficientemente amadurecidos na sua fé, esperavam que a manifestação final de Jesus transformasse por completo o mundo onde vivemos, com a destruição do mesmo e com o surgimento de um mundo novo! Ao ascender para Deus, a mensagem que volta é do comprometimento com o mundo: Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda a criatura, fazei discípulos de todas as nações! Não fiqueis aí a olhar para o Céu, ide, Jesus virá do mesmo modo que O viste partir. Antes, no mistério da Encarnação, veio incógnito, na simplicidade e pobreza da família de Nazaré, homem entre os homens, passando despercebido! Agora está da mesma forma no meio de nós, homem entre os homens, escondido mas presente em cada pessoa que encontramos no nosso caminho.

3 – O apóstolo São Paulo relembra-nos como a ação do Espírito Santo é imprescindível para acolhermos Jesus, para acreditarmos em Jesus, para nos predispormos a integrar o Seu Corpo, como membros, procurando constituir uma só família, um só rebanho. Com efeito, o Espírito Santo que recebemos permiti-nos encontrar Jesus na nossa vida e agir para que a Sua vida e a Sua mensagem continuem a germinar no mundo. É por Ele que fomos/somos salvos. É n'Ele que tudo se renova, aparecendo os novos céus e a nova terra.

O Espírito Santo revela-nos a verdade que há em Cristo, toda a verdade, a verdade que nos salva, nos aproxima uns dos outros e nos faz participantes da vida divina. O projeto de Cristo, o sonho de Deus, o reino dos Céus já começou em Cristo Jesus e continua em mim e em ti, comigo e contigo, connosco. Os dons que Deus nos dá só o são verdadeiramente enquanto e na medida em que beneficiam todo o Corpo. Será disfuncional e destrutivo se um membro não "puxar" com todo o corpo!

«Há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum... fomos batizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo».

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Textos para a Eucaristia: Atos 2, 1-11; Sl 103 (104); 1 Cor 12, 3b-7. 12-13; Jo 20, 19-23.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

12.05.18

Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura

mpgpadre

1 – Jesus estará presente nos discípulos através do Espírito Santo. Mas caber-lhes-á, e a nós também, pôr em marcha o anúncio do Reino que Ele instaurou com a Sua vida e, particularmente, com o mistério da Sua morte e ressurreição: «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for batizado será salvo; mas quem não acreditar será condenado».

Sem delongas, o evangelista informa-nos que Jesus foi elevado ao Céu, sentando-Se à direita do Pai, e os discípulos partiram por toda a parte, a anunciar o Evangelho, como lhes tinha sido ordenado, e logo verificam que o Senhor coopera com o seu ministério, visível nos milagres que comprovam e ilustram as palavras.

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2 – São Lucas faz-nos regressar um pouco atrás, sublinhando as hesitações e os medos, os percalços do caminho e o perigo da automatização da salvação. Os 40 dias dados para a Ascensão de Jesus força-nos a perceber que Ele esteve o tempo necessário para nos preparar para a missão, mas agora é a nossa vez, não podemos ficar de braços cruzados à espera que a vida aconteça, por si mesma.

Durante 40 dias apareceu-lhes, mas findaram esses dias. Será agora a restauração de Israel? Podemos ficar descansados, que tudo ficará diferente? Vamos ver o sol brilhar no país e no mundo? A resposta de Jesus é lapidar: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou… mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra».

O decisivo não é a irrupção do Reino Deus, o fim do mundo, a vitória do bem sobre o mal, os bons em lugar dos maus, a vida a absorver a morte, a confiança a destruir o sofrimento; o decisivo é o que eu e tu podemos fazer para sermos verdadeiras testemunhas de Jesus, em Jerusalém e em toda a parte, na minha e na tua casa, na minha e na tua paróquia, na minha e na tua rua!

 

3 – Tal como Marcos, também Lucas conclui que Jesus Se eleva à vista deles, mas logo uma nuvem O esconde dos seus olhos!

O Céu faz ouvir o seu grito: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».

O olhar voltado para o Céu remete-nos para a terra: Jesus virá do mesmo modo! É preciso não descurar a terra, o mundo! Não basta simplesmente ficarmos pasmados a contemplar o que possa estar para lá das nuvens, é necessário que a nossa vida seja sol e luz para os irmãos, sejamos testemunhas de Jesus, do Seu amor e do Seu perdão, para, dessa forma, purificarmos o nosso olhar, o nosso coração, para que vendo-O nos irmãos, O cheguemos a ver face a face.

A Madre Teresa de Calcutá dá-nos uma dica preciosa: «Reza como se tudo dependesse de Deus e age como se tudo dependesse de ti...». O mundo precisa de Deus e precisa de nós, de mim e de ti, para levarmos o Deus que nos habita a todos que não O conhecem ou vivem afastados d’Ele.

 

4 – Hoje, sobretudo em Portugal, mas um pouco por todo o mundo, evoca-se Maria, Mãe de Jesus, como Nossa Senhora de Fátima, 101 anos depois da primeira aparição aos Pastorinhos.

A mensagem é a do Evangelho: conversão, mudança de vida, oração pela paz no mundo, compromisso com a verdade e com a justiça, defesa e promoção da vida e da dignidade das pessoas, sobretudo as mais frágeis!

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Textos para a Eucaristia: Atos 1, 1-11; Sl 46 (47); Ef 1, 17-23; Mc 16, 15-20.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

 

01.04.18

Deus ressuscitou-O ao 3.º dia e permitiu-Lhe manifestar-Se...

mpgpadre

1 – Jesus é a nossa Páscoa. A vida toda se encaminha para este grande e admirável mistério da nossa salvação. Tudo acontece e tudo parte da Páscoa de Jesus.

É o grande Dia, o Dia do Senhor, da Vida Nova que germina, florescendo e frutificando! A morte, diante da Ressurreição, é, afinal, um momento provisório. Sério, intenso, dramático, desolador, mas ainda assim passageiro, momentâneo, pois o que é definitivo é a vida, a vida em Deus. Se tudo tivesse ficado naquele sepulcro, onde 40 horas antes foi depositado, então a dispersão seria completa e a vida ficaria incompleta, o vazio tomaria conta da humanidade.

Depois do sábado, dia sagrado para os judeus, Maria Madalena, na versão joanina, ainda escuro, vai ao sepulcro, vê a pedra retirada e imediatamente corre para avisar Sião Pedro e o discípulo amado: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». A desolação continua! Pedro e o discípulo amado correm para ir ver o que aconteceu. Ao entrarem no túmulo e, vendo a disposição das ligaduras e do sudário, percebem que algo de extraordinário aconteceu, conforme o Mestre predissera e segundo as Escrituras, Jesus já não Se encontra no túmulo, mas está vivo, ressuscitou!

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2 – A morte de Jesus na Cruz gera dispersão, abandono e desolação. A Sua Páscoa, a ressurreição de entre os mortos, algo de inusitado e ao alcance somente de Deus – «A ressurreição é um acontecimento dentro da história, que, todavia, rompe o âmbito da história e a ultrapassa» (Joseph Ratzinger/Bento XVI) –, gera conforto, alegria, esperança, gera comunidade e encontro.

Na estrada de Emaús, os dois discípulos expressam bem o desconforto que provocou a morte de Jesus, as esperanças que n'Ele tinham depositado e como tudo se esboroou! Com o Seu regresso ao convívio dos vivos, a proximidade, os elos que ligavam os discípulos, a motivação para estarem juntos regressa em força.

 

3 – Neste primeiro dia da nova criação, o Dia do Senhor (= Domingo), cada passo nos aponta a comunidade, tudo nos conduz a Jesus. Procuramos agora rever e reatualizar o que antes nos tinha dito com as Suas palavras, gestos e prodígios!

Maria Madalena vai sozinha ao túmulo, mas logo regressa ao encontro dos discípulos, Pedro e discípulo amado. Por sua vez, os dois correm juntos... juntos devem caminhar os discípulos... O outro discípulo, porém, antecipou-se, pois corria mais depressa, mas aguardou a chegada de Pedro, deixando que este entrasse primeiro. Pedro precisa recuperar o tempo perdido com a negação do Mestre. Cada um de nós tem o seu próprio ritmo, caminhamos em conformidade com as nossas forças e com as nossas limitações, mas ainda assim não devemos dispersa-nos dos outros. Até à morte, as distâncias podem centuplicar-se, mas a passagem à vida requer que sejamos discípulos e lembra-nos que somente com os outros passaremos além do túmulo, além da morte!

 

3 – Pedro corre atrás do prejuízo! Comprometeu-se com muito – eu não, eu não Te negarei – mas quando chegou a hora do aperto, sacudiu a responsabilidade – eu não, eu não conheço Esse Homem! Não uma, nem duas, mas três vezes! Precisa agora de tonificar os músculos, sobretudo o do coração, reintegrando-se na comunidade.

À beira do lago, Jesus há de lhe perguntar pelo amor, pela fidelidade no amor, pela firmeza em amar! A consistência da sua pregação vem-lhe da confiança, do amor e da proximidade a Jesus.

A identidade de Jesus, morto e ressuscitado, compromete cada um de nós, compromete Pedro, Tiago e João, compromete-me a mim e a ti! Cada um com a sua responsabilidade. Os primeiros enviados são aqueles que com Ele comeram e beberam com Ele, pois são testemunhas privilegiadas porque O acompanharam na história e nos caminhos da Judeia, da Galileia e da Samaria. Por conseguinte, depois da Ressurreição, Jesus envia-os a «pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos».

Agora é connosco, também nós comemos com Ele, melhor, nós comungamos o Seu Corpo e Sangue e, por conseguinte, tornámo-nos testemunhas e, nessa condição, somos enviados a pregar…


Textos para a Eucaristia (B): Atos 10,34a.37-43; Sl 117 (118); Col 3,1-4 ou 1 Cor 5, 6b-8; Jo 20,1-9.

06.01.18

Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O

mpgpadre

1 – Do Oriente, diz-nos Mateus, chegam a Jerusalém uns Magos, por ocasião do nascimento de Jesus em Belém da Judeia. «Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». A pergunta é acompanhada de um propósito: adorar Aquele que nasceu.

Vêm de onde? Do Oriente, isto é, de todo o mundo. Só se conheciam povos a Oriente; a Ocidente, água e mar. Por conseguinte, os Magos foram adquirindo ao longo do tempo nomes e cor de pele diferente, para significar/representar as nações do mundo inteiro.

Quantos eram? A tradição mais popular popularizou-os em três, a conta que Deus fez. Porém, o Evangelho só se refere a Magos! Serão dois? Serão três? Quatro? Talvez! Ou cinco ou seis, eu e tu também queremos estar lá para adorar o Senhor Jesus!

Quem são os Magos? Eu e tu? Podemos ser todos! São Reis ou são Magos? São sábios! Hoje seriam os homens da ciência e da cultura. Jesus veio para os pastores! Veio para mim e para ti. Veio para os Magos! Veio por mim, por ti e por todos e todos somos convidados a adorá-l'O, reconhecendo-O como Deus, para nos reconhecermos iguais e caminharmos fraternalmente. Os Reis ficam descansados, fartos, acomodados no Palácio! Os magos são buscadores da luz e da verdade! No final, é um Rei que encontram! Mas um Rei-Menino, pobre, simples, Deus, despojado, sem ouro nem adornos.

Que presentes dar? O melhor que têm! Ouro, Incenso e Mirra. Divindade, Realeza, Humanidade. Reconhecimento do mistério que se desvela e se esconde n'Aquela criança. O facto de serem três presentes, levou a tradição a considerar que os magos eram tantos quantos os presentes que deram a Jesus! Talvez tenhamos que colocar aos pés do Menino-Deus mais alguns presentes para lá cabermos também nós: o nosso olhar, o nosso coração, a nossa vida! A minha e a tua!

Na Eucaristia rezamos para que seja Ele o nosso presente: «Olhai com bondade, Senhor, para os dons da vossa Igreja, que não Vos oferece ouro, incenso e mirra, mas Aquele que por estes dons é manifestado, imolado e oferecido em alimento, Jesus Cristo».

adoracao dos magos -  Francesco Bassano - 1567-69.

2 – O encontro com Jesus provoca alegria. Com efeito, quando a estrela «parou sobre o lugar onde estava o Menino, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra».

 

3 – A vinda de Jesus ao mundo é para todos. Para mim e para ti! Certamente! Mas também para ele! Para aqueles que estão perto e para aqueles que estão longe! O desafio papal em colocar a Igreja em rota de saída, de evangelização, indo às periferias (não apenas geográficas, mas sobretudo) existenciais recorda-nos que Jesus veio para todos e a todos deve ser anunciado.

 

4 – O encontro com Jesus provoca a mudança de rumo. O encontro dos Magos com Jesus muda as suas vidas. A alegria do encontro deixo-os prostrados em adoração. Quando regressam às suas terras, regressam por outro caminho, percebendo que não podem voltar aos mesmos lugares. Num primeiro plano, não podem regressar ao palácio, pois Herodes tem o propósito de matar o Menino. Num plano mais abrangente, o encontro é de tal forma luminoso e redentor que a vida nunca será como dantes. A Luz que os guiou está mais viva, mais dentro, levá-los-á mais longe! Há que rasgar novos horizontes, novas vias, estradas e avenidas!

Predisponhamo-nos a seguir a Estrela de Belém, a seguir a Luz que é Jesus e a deixarmo-nos guiar por Ele. «Senhor Deus omnipotente, que neste dia revelastes o vosso Filho Unigénito aos gentios guiados por uma estrela, a nós que já Vos conhecemos pela fé levai-nos a contemplar face a face a vossa glória». E, uma vez inundados pela Luz de Jesus, deixemos que a luz passe para os outros.


Textos para a Eucaristia (ano B): Is 60, 1-6; Sl 71 (72); Ef 3, 2-3a, 5-6; Mt 2, 1-12.

 

31.12.17

Maria conservava todos estes acontecimentos...

mpgpadre

1 – Iniciar um novo ano, cada nova etapa da vida, envolve-nos numa mistura de sentimentos entre o que se deixa para trás e o que poderá advir. De um ano ao outro são milésimas de segundo, hoje é dia 31 de dezembro de 2017 e um breve pestanejar e já é 1 de janeiro de 2018. Um movimento de expirar e inspirar o ar que nos permite viver. Um instante que se multiplicará, se Deus quiser, por milhares. Por dia, 23 mil movimentos de inspirar/expirar. 8 395 000 de um movimento impercetível, mas que nos fará viver mais um ano. Isso lembra-nos que a vida se vive e se resolve, na maioria das vezes, com o que é aparentemente insignificante! Um pormenor fará diferença, eu e tu podemos fazer a diferença neste mundo, acolhendo as bênçãos e os dons de Deus e deixando que Ele nos transfigure constantemente.

«Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção, resplandeça sobre nós a luz do seu rosto».

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2 – No início de cada ano, o amor de uma Mãe, escolhida desde sempre para acolher a semente de um mundo novo, rejuvenescido pelo amor, pela bondade e pelo serviço solidário. Deus nunca Se afastou de nós e quando O rejeitámos Ele continuou a amar-nos. É-nos pedido que procedamos do mesmo modo uns para com os outros.

«Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adotivos».

A vinda de Jesus é a maior dádiva com que Deus nos brinda. É o Seu Presente para nós! Criou-nos por amor e por amor nos recria em Jesus Cristo, chamando-nos a uma vida pautada pela bondade, pela ternura e pelo amor, pela compaixão, pela partilha e pelo perdão.

Jesus ilumina as trevas mais densas, irradia vida, amor e bênção! É a promessa de Deus que se enraíza no mundo, na história, no tempo. Deus, em Jesus, faz-Se igual a nós. Abaixa-Se para viver como Um de nós, não para nos nivelar por baixo mas para nos elevar.

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3 – O Natal traz-nos a alegria pelo nascimento de Jesus, mas faz-nos também perceber a fragilidade da vida humana, a grandeza do amor de Deus que Se apequena para sincronizar connosco, irmana-nos fraternalmente com todos, a começar pelos mais pequenos, os pobres, os excluídos, as crianças, as mulheres descriminadas, os idosos esquecidos e relegados, os estrangeiros, os refugiados sem pátria e sem teto, os doentes e os presos, os desempregados, as pessoas portadoras de deficiência.

No Presépio adoramos o Deus-Menino. Um Deus-bebé força-nos a cair de joelhos. Como é possível que ali esteja a omnipotência de Deus?! É assim tão grande o Seu poder? Assim tão grande o Seu amor por nós? Só quem ama se encolhe, se abaixa, se humilha. Pensemos numa Mãe que corre mundos para interceder pelos filhos, sem se importar de importunar e de passar vexames. Tudo pelos filhinhos! Ai de alguém que toque nos seus filhos! Ai de alguém que não trate os seus filhos como deve ser! Há de levar para contar! Assim o nosso Deus que é Pai mas é mais Mãe (João Paulo I).

José e Maria ficam "babados" com o que se diz acerca do seu Menino. Os pastores, pessoas sem linhagem, sem nome, sem importância, simples e pobres, são os primeiros a perceber o que aconteceu, os primeiros a escutar a voz dos anjos e a encontrar Jesus numa manjedoura. Tornam-se adoradores e apóstolos: a Maria e a José levam as palavras de Deus acerca d'Aquele Menino, mas que outros escutam; saindo, continuam a louvar e glorificar a Deus.


Textos para a Eucaristia (ano B): Num 6, 22-27; Sl 66 (67); Gal 4, 4-7; Lc 2, 16-21.

15.08.17

Felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a praticam

mpgpadre

1 – A solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu – verdade de fé confirmada pelo Papa Pio XII, a 1 de novembro de 1950, a partir da sensibilidade, do sensus fidei, do povo de Deus, que há muito considerava que Àquela que acolheu o Filho de Deus, gerando-O e dando-O ao mundo, sem nunca se desligar do filho, teria que estar onde está o filho, na eternidade do Pai, sem experimentar, nem no início (Imaculada Conceição) nem no fim (ressurreição, Assunção) a corrupção do corpo – celebra a certeza que Deus não desiste de nós e não nos quer perder nem no tempo nem na eternidade.

Jesus, o Filho bem-amado do Pai, é enxertado na história, para caminhar connosco e nos fazer caminhar com Ele.

Sem forçar, Deus conta connosco. Desafia Maria e espera a sua resposta. Ao responder ao chamamento de Deus, Maria torna possível um novo avanço na Aliança de Deus com o Seu povo. Já não mensageiros, já não à distância, mas na própria carne humana. Deus torna-Se, com propriedade, Emanuel, Deus connosco.

O Sim de Maria compromete-a e a nós também. É um SIM que se traduz em muitos sins, repetidos, atualizados, novos. A vida também é assim, quem diz sim, di-lo para cuidar, para proteger, para servir. Não se ama num sim que se esvai na memória, ama-se num sim que se renova em gestos, em palavras, em cuidado e ternura, e nas carícias do olhar e do sorriso, do beijo e do afago e do abraço. É essa a resposta de Jesus a uma mulher que o interpela – «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito»«Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática».

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2 – A vida eterna inicia com a vida terrena. Não há quebras, ainda que haja novidade. A vida é gerada desde sempre para não se perder. Essa é a vontade de Deus e de quem ama. Quando se ama quere-se que perdure o amor, a pessoa amada e a ligação.

Jesus precede-nos como primícias (= primeiros frutos da terra). Ele ressuscita primeiro, depois nós. Em Maria, começa-se a cumprir a promessa. Ela é assumpta por Deus para sempre. Ela que nunca Se afastou de Jesus, é elevada para junto d'Ele na eternidade. Para nós, a postura constante de Jesus: alimentar-Se da vontade e da presença do Pai. Para nós, o exemplo de Maria, que em tudo procura enaltecer as maravilhas do Senhor, dando Jesus, apontando para Jesus: Fazei tudo aquilo que Ele vos disser. É feliz todo aquele que escutar a Palavra de Deus e a traduzir em vida, em serviço e amor. Inicia-se no tempo o que será na eternidade: a comunhão plena com Deus.

Rezemos para que Deus, que elevou «à glória do Céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria» nos conceda «a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos participar da sua glória».

Com os olhos fitos em Jesus e na Bem-aventurada Virgem Mãe, com os pés bem assentes neste chão e nesta terra, com o coração bem ligado aos outros, com as mãos livres para abençoar, para abraçar, para trabalhar, para levantar; para acolher (a bênção e os dons de Deus) e para partilhar (tudo quando recebemos de Deus como dom, para que se multipliquem na dádiva); com as mãos livres e estendidas para Deus, com as mãos abertas e libertas para os irmãos.


Textos para a Eucaristia (ano A):  Ap 11, 19a; 12, 1-6a. 10ab; Sl 44 (45); 1 Cor 15, 20-27; Lc 1, 39-5.
 

14.06.17

Eu sou o pão vivo descido do Céu...

mpgpadre

1 – Olhemos para a cruz. Jesus de braços abertos a pender da trave, entendido no tronco que se fixa na terra. A presença de Jesus na cruz é essencial, é salvação, doação, entrega, vida oferecida a Deus, vida oferecida por nós, pela humanidade. É uma vida inteira que da terra Se levanta e nos levanta para Deus. Um corpo desfeito pela violência do nosso pecado, ensanguentado, em falência, pronto para se gastar até à última gota de sangue.

Cuidar de Jesus Cristo, como tão bem nos ensina Santa Teresa de Calcutá, nas feridas de pessoas concretas e reconhecê-las como presença de Deus, para não as reduzir a números nem a meios…

Um risco inverso, fazer da Igreja uma entidade espiritual, desfazendo-se dos bens que tem e dos organismos que os gerem para ajudar os pobres, esquecendo que é através desses mesmos organismos que pode intervir. Quando o Papa Francisco manda colocar chuveiros públicos no Vaticano para os sem-abrigo, não se pense que os chuveiros e o trabalho caiu do céu e foi executado por anjos!

A Igreja não se pode remeter à sacristia. Mas também não pode ser apenas ONG. A Cruz obriga a ligar-se a Deus, verticalidade, sem deixar de abraçar a terra, as pessoas que a habitam, horizontalidade.

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2 – Como Igreja, depois da Morte e Ressurreição de Jesus, somos o Corpo de Cristo. Ele a Cabeça, nós os membros. Jesus não espiritualizou, como um fantasma. Encarnou. Assumiu um Corpo. Ele é Corpo, é pessoa, de carne e osso e sangue e pele. Veio habitar no meio de nós como um de nós, em tudo igual, exceto no pecado.

A nossa corporeidade (e assim a de Jesus) fixa-nos na terra, sujeitos às coordenadas do tempo e do espaço. Nascemos a um tempo e morremos. Vivemos num espaço, aqui e não acolá. A pele, a extremidade do nosso corpo, delimita-nos em relação aos outros e ao mundo. Mas também nos identifica: eu diferencio-me do outro. O que nos separa, o corpo, também nos permite comunicar e aproximar-nos.

A solenidade do Corpo de Cristo acentua a Sua presença na Igreja, em particular na Hóstia consagrada. O Seu corpo, melhor, a Sua vida oferecida por nós continua presente na história, nas nossas vidas. Ele está vivo e apareceu aos Apóstolos. Não é um espírito, é Jesus Crucificado-Ressuscitado. Aparece-nos também a nós, como foi da Sua vontade. Dando-nos o Espírito Santo que no-l’O dá sobretudo nos Sacramentes e de forma peculiar na Eucaristia.

Na Última Ceia, Jesus, antecipando a Sua morte e ressurreição, confia-nos o Seu corpo, a Sua vida. Isto é o Meu Corpo. Isto é o Meu sangue, entregue por vós, entregue por todos, para a todos redimir. Sempre que fizerdes isto em Minha memória Eu estarei no meio de vós. Como quem serve!

 

3 – «Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é a minha Carne, que Eu darei pela vida do mundo».

Na multiplicação dos pães, Jesus sublinha a abundância do alimento que nos vem de Deus. Quem O segue alimentar-se-á até à eternidade. Jesus terá oportunidade de fazer a ponte entre o alimento corporal, necessário, como direito fundamental, como apelo à partilha solidária, como obra de misericórdia, dar de comer a quem tem fome, como resposta à mendicidade de Jesus, o que fizerdes ao mais pequeno dos irmãos é a Mim que o fazeis, mas ao mesmo tempo, insiste que os Seus discípulos não devem buscar apenas o alimento que perece, mas o alimento que permanece para sempre e que os fará entrar na comunhão plena e definitiva na glória do Céu. Há que buscar o Reino de Deus e a sua justiça, o mais virá por acréscimo, pois quem busca o reino de Deus já se está a comprometer com a justiça.


Textos para a Eucaristia (A): Deut 8, 2-3. 14b-16a; Sl 147; 1 Cor 10, 16-17; Jo 6, 51-58.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE

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