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...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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22.11.13

LEITURAS: Daniel Silva - o Anjo Caído

mpgpadre

DANIEL SILVA. O Anjo caído. Bertrand Editora. Lisboa 2013, 400 páginas.

       Gabriel Allon é um ativo dos serviços secretos israelita. Este é já o 12.º livro de Daniel Silva que tem como protagonista Gabriel Allon. É um extraordinário romance sobre os bastidores da segurança, da vigilância, na procura por salvar vidas inocentes. É o primeiro romance deste autor que me veio parar às mãos, oferta da família, e que em boa hora tive oportunidade de ler e descobrir. É daqueles livros em que se procura rapidamente avançar, página a página, com o trama a desenrolar-se diante dos nossos olhos como se estivesse dentro da história.

       A primeira reação, a partir do título, foi de suspeita preconceituosa. Depois de Dan Brown, com o Código Da Vinci, surgiram muitos títulos muito parecidos, procurando mostrar, ainda que romanceado, que o cristianismo seria uma farsa, com demasiados segredos e encobrimentos, com muitos crimes à mistura, violência, abusos de poder. Livros procurando desmontar que Jesus não existiu, ou teve uma amante... ou A virgem Maria, mãe carnal de muitos filhos... em Saramago, e José Rodrigues dos Santos, quase jurando que os dados revelados seriam mesmo documentos fidedignos. Embora no final se arranje uma forma ardilosa de justificar que afinal não existem tais documentos porque alguém os destruir. Tive oportunidade de ler vários romances de José Saramago, de ler Dan Brown, e excertos do polémico livro de José Rodrigues dos Santos, e entrevistas concedidas (além de ter lidos outros livros deste autor). A abundância de livros acentuando a teoria da conspiração a partir do Vaticano, cansou-me, até porque, tendo estudado História da Igreja e muitas disciplinas estritamente ligadas à teologia e ao cristianismo, nada do apresentado como descoberta é novidade, pois se estuda no tempo do Seminário, com as polémicas, a partir (sobretudo) do século XVIII, em que se colocam em causa muitas verdades de fé. Além, disso, desde os primeiros séculos houve milhentas discussões, síndodos, livros, missivas, concílios, a debater os conceitos mais importantes da fé: virgindade de Maria, Jesus como verdadeiro homem e verdadeiro Deus, papel e missão do Espírito Santo, Igreja de Jesus Cristo ou Igreja de São Paulo e muitas questões próximas.

       Quando vejo títulos que me apontem para o mesmo, sigo em frente. Também por esta razão, este é um livro fascinante, com intriga, com descrições que nos fazem situar ora nos EUA, na Holanda, em Israel, no interior do Vaticano, ou nas praças de Itália, em Viena de Áustria, em Paris. Cenários encantadores, onde a trama se desenrola e não falta o crime, o roubo de arte sacra, a congiminação para destruir o Estado de Israel e a sempre polémica negação, sobretudo por parte do mundo islâmico, do Holocausto e a edificação do primeiro e do segundo Templo de Salomão, em Jerusalém. A visita do papa Paulo VII (o Papa ficcionado), que evoca claramente as visitas de João Paulo II, mas também de Bento XVI, com reconhecimento, por parte da Igreja, dos pecados próprios contra os judeus, e a aproximação progressiva que se tem assistido desde Paulo VI, acentuada com João Paulo II, confirmada por Bento XVI e agora visualizada pelo Papa Francisco.

       O livro mostra-nos a beleza da arte e todos os interesses que se movem na obscuridade de roubos, de ganâncias, de poder. Obviamente que o autor não esquece algumas das polémicas que envolvem a Igreja, mas penso, que o faz com um sentido crítico equilibrado, acentuando a dimensão da fé, mas também a fragilidade daqueles que servem a Igreja.

       O livro ganha ainda mais a minha admiração, quando no final se deixa claro o que é romance e o que é história, o que é ficcionado e o que é real, fontes e inspiração. É visível, também no romance, o problema sempre atual da disputa de Israel e da Palestina pelos territórios de Abraão e de Jesus Cristo.

       Nota final para referir que, tendo em conta que sou sacerdote católico, sempre li com agrado as obras de Saramago, José Rodrigues dos Santos, Dan Brown, ou outras bastante polémicas. São enredos envolventes. O pecado, a meu ver, é que por vezes pretendem fazer história das polémicas, assumindo por vezes uma teoria de um ou outro historiador ou teórico em prejuízo de escolas de estudiosos, achando que todos os outros estão errados e só um pode estar certo, caindo em dogmatismos mais preservos do que aqueles que procuram combater. Ler um livro sabendo que é romance não é o mesmo que ler um romance que tem pretensões a ser um manual de história.

       Dito isto, se tiver oportunidade de ler algum livro de Daniel Silva, a ver pela amostra, não vai ficar desiludido/a, claro, se gostar de ler.

29.06.10

José Saramago, o último intelectual marxista

mpgpadre
       Morreu José Saramago e com ele morreu o último de muitos que, ao longo do século XX, se comprometeram com o comunismo e encontraram na ideologia marxista o sentido da sua escrita ou da sua arte. O seu nome junta-se ao de Gorki, Aragon, Picasso, Jorge Amado ou Paul Éluard, uma lista enorme de intelectuais que passaram pelas fileiras dos partidos comunistas. Saramago foi, como homem e como escritor, um empenhado militante da ideologia que abraçou e que lhe marcou sempre a vida e a escrita. A ideologia enquanto visão global do homem, da sociedade, da religião que Marx e Engels teorizaram e que Lénine, Mao, Brejnev ou Fidel, entre outros, levaram à prática.
       Olhando para a vida e a escrita de José Saramago, o que mais impressiona é o facto de ele ter vivido e visto o comunismo ruir na URSS e nos países do bloco de Leste, como a RDA, a Hungria, a Checoslováquia, a Roménia, a Albânia, entre muitos outros, e ter silenciado esse facto. Confrontar-se com o sofrimento daqueles povos, já não nos relatos de Sakharov ou de Soljenítsin, mas nas imagens dos directos das televisões e passar ao lado da alegria com que abraçaram a liberdade.
       Nem o confronto directo com o balanço dramático das vítimas dos que se libertaram do comunismo o fez alguma vez ter escrito ou dito qualquer palavra. O silêncio de quem usa a escrita é mais visível. Os seus gestos foram de quem passava ao lado: logo a seguir à queda do muro de Berlim, candidatou-se nas listas do Partido Comunista à autarquia de Lisboa. Que balanço faria dos anos de comunismo e do sofrimento das pessoas que viveram na pele um dos dois grandes horrores do século XX?
       Saramago não passou, que se leia em nenhum dos seus textos, por qualquer crise. Não lhe doeu, não se interrogou, não sofreu com o terrível juízo que a história fez, sem remissão nem perdão, do totalitarismo comunista.
       De Saramago, mesmo quando o comunismo foi julgado pela História, não se conhece nenhum sobressalto, nenhuma angústia. Muitas vezes me interroguei se seria uma total e completa insensibilidade moral?
       É certo que, ao longo do século XX, muitos dos intelectuais marxistas viveram mergulhados na ideologia totalitária e nunca olharam à sua volta. Não foram todos, claro. Uns sobressaltaram-se logo em 1917, outros com o Pacto Germano-Soviético, na invasão da Checoslováquia, ou da Hungria, ou na chacina do Camboja, ou na loucura da Revolução Cultural Chinesa.
       José Saramago não. Viveu e morreu mergulhado num mundo que ruiu à sua volta e cujo dramático balanço foi feito com muita dor. Sem uma palavra, sem uma linha, sem uma lágrima por quantos (milhões) de pessoas, de famílias, de gente, de operários, camponeses ou intelectuais que, ao longo do século XX, morreram e sofreram em nome do comunismo por todo o lado onde o marxismo passou da revolução ao Poder.
       Nem um gesto teve quando lhe pediram apoio os dissidentes cubanos presos por Fidel. Nem mesmo quando Susan Sontag o confrontou com esse facto. Uma única dúvida subsiste, porém, quando se observa que visitou Cuba diversas vezes, mas nunca foi à Rússia libertada, apesar de ter sido convidado a lançar os seus livros e a debatê-los numa universidade de Moscovo - aí o confronto com a história seria certamente impossível de ignorar e de silenciar. Um confronto que, reconheço, é muito difícil de viver.
Zita Seabra (JN2010.06.27 ), in O Povo.

29.10.09

E depois de Saramago? Caim, evidentemente

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       Há polémicas que se convertem em oportunidades de reflexão.

       Se o objectivo de José Saramago - ao dizer que a Bíblia era um "manual de maus costumes", ou que Caim era vítima de Deus - era promover o seu mais recente romance conseguiu. Veja-se, contudo, por um lado a visão negativa sobre a Bíblia e os seus conteúdos, e por outro, o facto de partir da Bíblia, basear-se nas Escrituras Sagradas e discutir, dizendo que não tem fé, afirmando convictamente que Caim é vítima da ira de Deus. Até parece um homem de fé, revoltado com Deus, mas ainda assim crente, a falar de Deus.

       A reacção da Igreja, desta feita, foi muito ponderada, acentuando o direito que as pessoas têm a não terem fé, a consideração por aqueles que pensam e vivem de forma diferente. A tolerância da Igreja, ao mais alto nível, foi por demais evidente. Não deixando, naturalmente, de re-afirmar a fé, o valor na Sagrada Escritura, o contexto em que a Palavra de Deus, escrita em palavras humanas, surgiu. Neste sentido, a necessidade de conhecer não apenas a letra, mas também a mensagem, as verdades que o texto procura mostrar.

 

       A Bíblia, como nos diz o papa Bento XVI tem de ser lida como um todo. A Bíblia, Antigo e Novo Testamento, é a história que se entrelaça entre Deus e a humanidade. com avanços e retrocesso, com procura, descoberta e encontro, mas igualmente com infidelidades.

       O texto sagrado, mesmo não sendo considerado como tal, recolhe a história de um povo, as suas lutas e os seus fracassos, e igualmente da humanidade, procurando em tudo a presença de Deus.

       A história de CAIM e de ABEL é uma história de infortúnio, mas também de esperança e de compromisso.

 

       1 - Ao estudar-se a história dos dois irmãos verifica-se duas concepções de vida antagónicas: a vida das "cidades", sedentária, e a vida nómada. As duas formas de vida estão presentes no povo de Israel. Alguns defendem que o povo não se deve fixar, mas estar sempre em deslocação, lembrando que Abraão é um "arameu errante", sem terra. Outros, pelo contrário, sustentam a ideia de uma terra, dada por Deus em herança, ao seu povo, cumprindo a Sua promessa. O relato de Caim e Abel faz a opção clara pela "errância" do povo, predominando o pastoreio em vez a agricultura. Esta fixa-se na terra. Aquela avança de terra em terra.

 

       2 - Olhando para a história da humanidade de todos os tempos, verifica-se que a violência gratuita, os fratricídios (irmãos que matam irmãos) são frequentes: povos que se aniquilam, irmãos que guerreiam pela herança, que se matam por ciúmes e inveja, umas vezes por um pedaço de terra, outras vezes por uma ninharia. Ainda que possa haver sempre o ideal da reconciliação.

       Caim e Abel é a assumpção desta realidade histórica. O ciúme e a inveja levam um a matar o outro irmão.

Colocando-nos na posição do autor, diríamos que naquele tempo ele procurou ver um fundamento para haver tantas dissensões, para tantos conflitos. Encontrou essa justificação no pecado do egoísmo e do ciúme.

       3 - O elemento ESPERANÇA está presente em todo o relato, como em toda a Bíblia. Apesar da infidelidade humana, Deus acredita, Deus aposta no homem. Caim matou o irmão. Deus reafirma, e a fé também, o mandamento: "Não matarás". Quando alguém é morto, o "normal" é a vingança, a morte do agressor. Neste caso, o agressor é protegido, é filho de Deus, levará um sinal que impede que outros possam agir de forma violenta sobre ele. É uma história de amor e de salvação. Deus quer o nosso bem, em todas as circunstâncias, mesmo quando e apesar de nos desviarmos do bem.

 

       4 - Caim permanecerá como uma figura do lado mais obscuro que há em nós, mas em simultâneo na certeza que a descoberta de Deus nos conduz à salvação. O levantar a polémica sobre esta figura bíblica pode-nos levar, a nós crentes cristãos, a ler mais a Bíblia, a tentar conhecer melhor os personagens que atravessam a história da Salvação, do povo hebreu à Igreja. O texto de Saramago pode significar um desafio a que a personagem seja lida não apenas no romance mas sobretudo no texto original, o da Bíblia.

 

       Há leituras muitos diferentes da Bíblia. Certo. Respeitamos. Mas também temos o direito de fazer uma leitura diferente daquela que outros nos querem impor.

(texto extraído do blogue Caritas in Veritate.

27.10.09

Ler a Bíblia no seu todo, diz o Papa

mpgpadre

       O Papa Bento XVI sublinhou, hoje, a importância de se entender a Bíblia como um todo, referindo que o pressuposto fundamental para a compreensão teológica dos livros sagrados é a unidade das Escrituras. 

       O Sumo Pontífice, que se dirigia a professores, alunos e funcionários do Pontifício Instituto Bíblico, por ocasião do centésimo aniversário da sua fundação, referiu que nestes últimos cem anos aumentou o interesse pela Bíblia.

       Graças ao Concílio Vaticano II e à Constituição Dogmática Dei Verbum, em cuja elaboração participou, a importância da Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja tem sido mais compreendida, disse.

       A Dei Verbum, acrescentou, veio sublinhar a legitimidade e a necessidade do método histórico-crítico na análise da Bíblia, reconhecendo três eixos essenciais: "a atenção aos géneros literários, o estudo do contexto histórico e o exame do que habitualmente se designa por Sitz im Leben (contexto vital)".

 

       As declarações de Bento XVI surgem uma semana depois da controvérsia em Portugal em torno de declarações do escritor José Saramago, a propósito do lançamento do seu mais recente livro "Caim", nas quais o Nobel da Literatura português classificou a Bíblia como um "manual de maus costumes".  

Nas várias reacções a estas declarações foi sublinhado que Saramago fez uma leitura literal de parte do Antigo Testamento, esquecendo que a Bíblia é formada por dezenas de livros.

 

       Lusa. Notícia recolhida na Sic online.

       Notícia desenvolvida na Agência Ecclesia.

       Outros comentários sobre Saramago. Pode ainda ler outros textos neste blogue.

21.10.09

Caim e Saramago: de novo a dívida à sabedoria?!

mpgpadre

       Li alguns livros do Saramago. Dos piores que li foi mesmo o "evangelho segundo Jesus Cristo". E porquê? Porque nele não há qualquer tipo de imaginação ou criatividade, pelo menos para quem estudou teologia e autores do século XVIII e XIX, que põem em causa muitas verdades de fé. O trabalho de Saramago foi pegar nesses textos, acrescentar um escrita sem pontuação e sucesso garantido. Quando se quer ter sucesso basta pôr uma pitada de religioso polémico.

       Agora Caim. O livro não li e também não faço tensões de o  ler. Antes poder-se-ia entender que era irreverência do autor. Agora fica mais claro que se trata tão somente de ignorância manifesta sobre temas bíblicos e/ou religiosos e a vontade em fazer dinheiro rápido para sustentar a ilha onde vive, em Espanha.  O capitalismo que tanto repudia em nome do comunismo que professa, é que lhe sustenta as mordomias que contradizem em absoluto a doutrina comunista, marxista-leninista. Mas também nisto Saramago é esperto, cospe no prato em que come... Sabe-se que os últimos livros de Saramago não obtiveram relevância.  E uma ilha daquelas e um palácio daqueles gastam uma fortuna só em manutenção.

       Obviamente, todos têm direito a usufruir dos resultados do trabalho e do esforço dispendido, agora ofender, criticar, agredir, com o intuito apenas de ganhar à custa dos outros é que não é defensável. Não queria ser português, mas vem a Portugal promover os livros para que os portugueses que ele renega e odeia (tirando os camaradas comunistas) lhos comprem e sustetem o seu negócio. É comunista, mas são as pessoas que vivem no capitalismo que lhe dão o dinheiro a ganhar... É ateu, mas é à custa da religião e da polémica barata que adiquire o ganha pão...

       Tentando esta polémica, vende de certeza. Mas a ignorância fica clara: lê a Bíblia ao jeito de um analfabeto. Ouvimo-lo a falar sobre o início da criação. Sabemos que é uma imagem, uma profissão de fé em Deus Criador e Senhor da História. Para Saramago o que lá está é para ser lido assim...

       E porque escreve sobre Caim, uma figura bíblica, e não sobre Afonso Henriques? Resposta: vende melhor.

       Ficam dois textos, em outros tantos post's, que achamos insuspeitos, a diferença entre polémica e ignorância.

21.10.09

Daixai falar o pobre Saramago

mpgpadre
       Um pouco de Bíblia, retalhada, cosida e interpretada ao gosto popular, uma pitada de teoria da conspiração, mais a Inquisição, inveja a Roma, anti-papismo primário, insinuações pornográficas, umas manchas de incesto e parricídio, mais histórias de seminário e crimes do Padre Amaro e eis que temos sucesso editorial garantido, de Dan Brown a Saramago. A receita vence desde o século XVIII. As pessoas gostam do sórdido, escaldam de entusiasmo com grandes mentiras, inebriam-se com o apedrejamento de tudo quanto inspire ordem, hierarquia e autoridade.
       Espanta-me que muitos ainda se alvorocem com um sub-género que nunca reuniu predicados elementares de integridade, que se repete e daí não sai. Espanta-me também que Saramago, em vez de Caim, não escolhesse a figura de Onan, mais conforme a expectativa de quem o lê.

 

       Tanta indignação contra Saramago e tanta invectiva e desabafo acabam, como pedem as regras do mercado, por atrair clientes. Ora, tenho a certeza absoluta que nove em dez daqueles que compraram o Evangelho segundo Jesus Cristo o não leram e aqueles restantes que o fizeram não compreenderam coisa alguma. A obra é ilegível e deixa de ter piada a partir da segunda página, pois da abolição das regras de pontuação nascem o caos intelectivo, enunciativo e dialógico, que juntos, permitem a fruição de um texto, literário ou não. Mutatis mutandis, escrevam uma receita culinária sem virgulas, pontos finais e parágrafos e provocarão grandes indisposições que terminarão numa consulta de gastroenterologia. Assim é a obra de Saramago, sem tirar.

 

       Depois, Saramago sofre de monomania religiosa, de doença da santidade invertida. Se literariamente é hoje um zero, também não possuiu qualquer autoridade em "Ciências da Bíblia". É um amador e como todos os amadores possui atevimento proporcional à ignorância. Tenho a absoluta certeza que o homem não sabe uma palavra em latim, nunca leu um tratado de apologética e desconhece coisa tão elementar como a Enciclopédia Católica. Depois, por tudo o que vai dizendo - deixai falar um ignorante, pois nunca devemos impedir um tolo de se enredar nas suas próprias palavras - parece confundir Teologia, Bíblia e História Eclesiástica. Se, em vez de o atacarem, o confrontassem com o seu [des]conhecimento, melhor serviço fariam. Infelizmente, parece haver uma lei de ouro nestas lutas sem interesse e sem consequência.

 

       Saramago vai voltar a escrever sobre o tema. Está a queimar inutilmente os últimos dias da sua passagem por esta vida escrevendo coisas votadas ao esquecimento. É uma pena, pois se o Memorial tinha o seu quê de curioso e o Levantados do Chão ecoava o que de humano havia no Neorealejo, estas coisas são, como o foram os panfletos de Oitocentos, mero lixo doméstico.

 

In Combustões (com a devida vénia ao Autor do texto)

Texto retirado de Ubi Caritas.

21.10.09

Um hino à ignorância

mpgpadre

O livro de Saramago é como o vídeo de Maitê Proença: um hino vivo aos píncaros da ignorância.
 
      Especialista em pequenos golpes publicitários, o sr. Saramago lançou, esta semana, um livrinho sobre Caim que o próprio, com a sua reconhecida modéstia, considera ser um exercício "divertidíssimo" contra "toda e qualquer religião". Tendo em conta este nobre objectivo, o escritor usou a apresentação de Caim para debitar umas opiniões firmes sobre Deus, a Igreja e a Bíblia, em particular sobre o Antigo Testamento, que ele notoriamente não conhece.

       Como a ignorância é livre e, em Portugal, tem mesmo direitos de cidadania, Saramago não se coíbe no que toca aos mais improváveis disparates. Com a profundidade de uma poça, garante solenemente que a Bíblia é "um manual de maus costumes", impróprio para crianças, que tudo o que lá está é "absurdo e disparatado"; que Deus, embora não exista, deve ser devidamente responsabilizado por todos os males da humanidade; que a "insolência reaccionária" da Igreja tem que ser combatida com a "insolência da inteligência viva"; e que o Papa é "cínico" por "ter a coragem de invocar Deus (…), um Deus que ele jamais viu e com quem nunca se sentou para tomar café". Ou para comer um croquete, já agora, com um cigarro pelo meio e meia dúzia de piadas a rematar.

       Do que aqui fica dito, percebe-se que para Saramago a Bíblia é uma espécie de romance de cordel para adultos, recheado de imoralidades várias que não se compadecem com a doce inocência da infância. A ideia de que um livro sagrado, não sendo fácil de interpretar, tem uma chave de leitura que exige um conhecimento profundo da história, da geografia, da língua e do fenómeno religioso é-lhe manifestamente estranha. Saramago, como é óbvio, dispensa esse tipo de qualificações. Para falar sobre a Bíblia basta-lhe uma leiturinha pela rama, meia dúzia de frases ocas e a necessidade de criar uma conveniente polémica que o ajude a vender o livro que escrevinhou em tempo recorde. Desta vez, as suas esperanças depositam-se nos judeus – já que os católicos, segundo o próprio, não perdem tempo a ler o Antigo Testamento e não podem, portanto, fazer-lhe o jeito e contribuir para o sucesso editorial da obra.

       Confesso, no entanto, que não vejo razões para grandes polémicas ou para fundadas indignações. As diatribes de Saramago são como o vídeo de Maitê Proença: um hino vivo à ignorância.

Constança Cunha e Sá, Jornalista

 

14.10.09

Saramago e a sua dívida à sabedoria

mpgpadre

       Tem uma imaginação muito fértil na escrita. Tenho lido os vários livros. Mas quando fala é uma desgraça. Se Cavaco Silva fosse eleito saía de Portugal, quando já estava a viver em Espanha. Vem a Portugal e num dia faz campanha por um partido, no dia seguinte por outro, e ao terceiro dia por outr ainda, a seguir insulta os do PS, e logo depois os do PCP, do CDS, do PSD, e de todos os que lhe aparecem pela frente... Sai de Potugal dizendo que vivemos em ditadura, caso não seja da sua cor os que governam o país... Quando vêm de Espanha dar-nos lições!!! A outra vinha do Brasil, este ilustre vem de Espanha, vender em Portugal, e depois tem dificuldade em respeitar quem pensa diferente, e dizem-se estes senhores paladinos da liberdade.

       Contra o capitalismo, mas vive numa ilha com o dinheiro que o capitalismo lhe tem dado... O próprio Nobel que recebeu é fruto do sistema capitalista... Contra a pobreza, mas os países comunistas era onde estava mais dissiminada...

        Os insultos ao Papa Bento XVI só podem ser de um homem intelectualmente diminuído, mesmo e apesar de Nobel da Literatura, ou é puro provincianismo. Também é certo, o Papa Bento XVI fala mais fluentemente, em várias línguas, escreve com uma facilidade enorme. A diferença, entre outras, linguagem do Papa é acessível a todos. Saramago, para a maioria, é intragável.

       Outra diferença, nunca verão o papa Bento XVI, ou outro papa, a falar mal do Saramago. E, claro, Saramago tem muito contra os papas, pois a Igreja também contribuiu para o fim do comunismo marxista-leninista... Em vez de Espanha, deveria estar em Cuba ou na China... e depois nos países que tanto ama já não dizia tudo o que lhe apetecia, mesmo desrespeitando pessoas e instiuições. Os opositores acérrimos de dogmas, são ainda e sempre muito mais dogmáticos.

      Quem continua a elogiar o comunismo de Lenine ou de Estaline, e a pensar que eram deuses!!! E ainda vem de Espanha dar lições de democracia e liberdade a Portugal, a vender-nos a democracia marxista-leninista, aquela em que uns poucos destruiram a vida de muitos...

       Todos temos afinal de reconciliarmo-nos com muita história...

 

Pode ver artigo no Corrreio da Manhã.

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Velho - Mafalda Veiga

Festa de Santa Eufémia

Pinheiros, 16/17 de setembro de 2012

Primeira Comunhão 2013

Tabuaço, 2 de junho

Profissão de Fé 2013

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