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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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04.01.24

Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O

mpgpadre

«Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Vieram de longe, mas querem estar perto do Messias. Andam em busca. No Céu uma estrela brilhante aponta-lhes um caminho, uma estrada, um sentido novo para as suas buscas. Perguntam. Informam-se. Acreditam que outros possam ter informações mais precisas. Em definitivo é a Estrela que os conduz até Jesus, até Belém.

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Num olhar rápido sobre o Evangelho, algumas notas soltas:

  1. Procurar sempre, sem desfalecer. Por cada descoberta, novos desafios. Buscar Deus em toda a parte, na terra, nas pessoas, no céu.
  2. Atentos e vigilantes. Nunca nos darmos por satisfeitos. Despertos para perceber os sinais de Deus que surgem no horizonte.
  3. Levantar o olhar, o coração e a vida. Há mais mundo e mais vida para lá do nosso umbigo. Levantar o olhar para o horizonte, para o Céu, para Deus, donde nos virá a luz. Se olharmos apenas para baixo, para os pés, acabaremos por tropeçar e de nos perdermos dos outros que seguem connosco.
  4. Não ter medo de sair, de ir ao encontro de Deus.
  5. Pôr-se a caminho. Não basta um exercício intelectual sobre a busca. É necessário descruzar os braços e mover as pernas, sair do seu espaço de conforto, fazer-se à estrada que se faz tarde.
  6. Vigilância. Pelo caminho surgirão outras luzes. A confusão da cidade. Os apelos do mundo, da moda, do tempo. Algumas luzes serão brilhantes e ofuscarão a Luz que vem das alturas, podem levar-nos a errar, podem baralhar-nos na nossa busca.
  7. g)Não desistir. Se estamos baralhados. Se há muitas luzes, muitos caminhos, procuremos o que nos leva mais longe, o que nos leva a Belém, o que nos leva a Jesus. Ainda que tenhamos que abandonar a cidade e ir ao deserto, aos nossos desertos. Não desista. Procure. Há de encontrar.
  8. É sempre possível retomar o caminho (enquanto estamos vivos).
  9. Ir até à fonte. Beber nos afluentes pode ajudar-nos a prosseguir viagem, mas a sede só se saciará verdadeiramente quando chegarmos à fonte, ao Presépio, quando chegarmos junto do Deus Menino.
  10. A leveza dos passarinhos, que os faz voar, é precisamente a agilidade em dobrar as pernas. Prostremo-nos em adoração diante d'Aquele que Se abaixou à nossa dimensão.
  11. Demos o melhor que temos. Demos o nosso coração, a nossa vida por inteiro. Os magos deram as suas riquezas. A nossa riqueza é a nossa vida, a nossa fragilidade, a nossa pobreza e o nosso pecado.
  12. Façamos a experiência da Alegria no encontro com Jesus. Há momentos da nossa vida em que tudo parece estar contra nós. Deus está a nosso favor. Encontramo-nos com Ele e ainda não experimentámos uma alegria profunda? Talvez ainda não O tenhamos encontrado. A luz da Fé abre-nos para a alegria do encontro com Jesus.
  13. Não voltemos ao mesmo lugar, mesmo que aí já tenhamos sido feliz, como nos diz a canção. Se encontrámos Jesus, a nossa vida não mais será a mesma. Regressámos à nossa vida, mas por outros caminhos, com outro sentido e outra luz. Doravante temos um MOTIVO maior que preenche todos os nossos dias e os nossos afazeres e nos compromete com os irmãos. Há que buscar e prosseguir por novos caminhos. Mas sobretudo deixar que Jesus Se faça CAMINHO connosco.

06.04.22

Boletim Paroquial Voz Jovem - janeiro a março de 2022

mpgpadre

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A vida de uma paróquia é muito mais do que aquilo que se possa expressão no texto, num conjunto de fotos, numa narrativa colocado por escrito, comunicada oralmente, ou fixada num vídeo. Há momentos e celebrações que englobam as pessoas física e espiritualmente presentes, mas há um mundo inteiro que escapa, que nos ultrapassa, como sentimentos, histórias de busca, de encontro, de desencontro, de esperança, de sonho, de respostas, de conversão, de desilusão! Porém, registar, colocar por escrito, permite-nos guardar parte de memórias, avivar acontecimentos, encontros, celebrações. É esse um dos objetivos de um boletim ou de um jornal, dando a conhecer a vida da comunidade, das famílias e das pessoas, permitindo que algum tempo depois, ou alguns anos mais à frente, se possam rever momentos, recordar vidas, sensibilizando(-se) para novos compromissos em família e comunidade.

Neste primeiro trimestre do ano de 2022, ainda com a pandemia do novo corona vírus bastante ativa, com o rebentar da invasão da Ucrânia, por parte da Rússia, no passado dia 24 de fevereiro, destacámos neste boletim paroquial as seguintes atividades pastorais: bênção de crianças e grávidas, no âmbito da Festa da Apresentação de Jesus no Templo; o segundo ano da Missão País, em terras de Tabuaço; o lançamento de balões, azuis e amarelos, da cor da bandeira da Ucrânia, oportunidade de nos deixarmos envolver pela paz, mas também pela oração, no início da Quaresma, a 2 de março, e no sábado seguinte, com este gesto proposto pelo Município à catequese paroquial; participação dos jovens em duas atividades propostas pelo Departamento Diocesano da Juventude (COD de Lamego), em Lamego, no dia 20 de fevereiro, RUMO à JMJ 2023, e em Tarouca, no 12 de março, no RISE UP, e, por último, mas não menos importante, e daí também o destaque principal, a Festa da Eucaristia - Primeira Comunhão, para 20 crianças, do 5.º Ano de Catequese, em Dia de São José e, portanto, também Dia do Pai.

Que esta partilha nos convoque e nos envolva (mais) na vida da comunidade.

 

Para fazer o download, clique sobre a imagem ou siga a hiperligação:

BOLETIM PAROQUIAL VOZ JOVEM - janeiro a março de 2022

22.12.21

Filho, teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura...

mpgpadre

1 – "Tudo seria bem melhor se o Natal não fosse um dia, se as mães fossem Maria e se os pais fossem José; e se a gente parecesse com Jesus de Nazaré". Na canção do Pe. Zezinho está o desafio a fazermos com que o espírito do Natal esteja presente nas relações pessoais, familiares e profissionais, os valores do respeito, do amor e do cuidado, da vida, da alegria e da ternura, da simplicidade, da pobreza e da comunhão. Por outro lado, a referência à família de Nazaré como modelo, ainda hoje, para as famílias.

São Lucas apresenta-nos a perda e o encontro de Jesus no Templo, entre os Doutores da Lei (5.º mistério gozoso). Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém para celebrarem a Páscoa (judaica). Sem ostentação nem sobranceria, José e Maria assumem-se crentes entre os crentes, família como tantas outras, que procuram cumprir com os requisitos da religião. A família de Jesus está inserida na vida da comunidade, temente a Deus, cumpridora!

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2 – A família de Nazaré está imersa na tradição judaica, ainda que habitualmente houvesse a geração de mais filhos, sinal de bênção divina. Na pequena cidade de Nazaré, as famílias entreajudam-se, vivendo do que a terra produz. Nas hortas e nos campos, têm árvores de fruto, vinha, animais de pequeno porte, cabras e ovelhas, que garantem o leite, o fabrico do queijo e a lã; ajudam-se, trocando produtos e trabalho, e potenciam a arte de alguns (são José era carpinteiro). Ao sábado reúnem-se em família e em comunidade, para rezar, ler e meditar a Sagrada Escritura. Partilham as alegrias, o nascimento de uma criança, e as tristezas, a morte de um familiar.

 

3 – Maria, José e Jesus vão a Jerusalém com outras famílias. No regresso, apercebem-se da ausência de Jesus. Sabem-n’O ajuizado e julgam que vem com outros jovens da sua idade, em brincadeiras ou a falar da passagem à idade madura. Ao fim do dia, a família mais estrita junta-se para a última refeição e para dormirem no mesmo espaço, juntos. É aí que se dão conta que Ele não está. Procuram-n'O e verificam que não está na caravana. Têm de voltar atrás. Voltam a Jerusalém, onde O viram da última vez. Tinham feito um dia de viagem, fazem outro dia no regresso à cidade santa e encontram-n'O ao terceiro dia.

 

4 – Deste encontro podemos encontrar lições importantes:

– Podemos rezar em qualquer lado, em casa e no trabalho, e fazer da vida uma oração, mas a ida ao Templo permite-nos sair do nosso espaço e conforto para nos encontrarmos com Deus e com os outros. A oração há de ser, diz-nos Jesus, em espírito e verdade, em casa ou no Templo; terá que transparecer a nossa alma, comprometendo-se com a verdade, com a justiça e com a misericórdia.

– Ao Templo levamos a nossa vida, o louvor a Deus, a gratidão pelas graças recebidas; levamos também as nossas súplicas, pedidos e preocupações. Reencontramo-nos ao encontrá-l'O, fazendo silêncio e deixando que Ele nos fale ao coração. Os outros e a oração conjunta permitem-nos avalizar da nossa sintonia com Deus, afastando o risco da (auto)idolatria!

– O Templo, a Igreja, retempera a nossa vida, e faz-nos regressar a casa, iluminados pela Graça de Deus, revestidos do Seu amor.

– O regresso não nos dispensa de vigilância. Podemos perder-nos e dispersarmos do essencial. Como Maria e José, se perdemos Jesus, se Ele não está, é bom que regressemos para O reencontrar!

– Onde podemos encontrá-l'O? Podemos encontrar Jesus nas pessoas crentes e praticantes. Mas teremos, sempre, que ir mais atrás, até ao Templo, até ao coração, pelo silêncio, pela oração, pela Palavra, para que Ele nos fale ao coração.

– Três dias depois… o texto remete-nos para a vida nova que reencontramos em Jesus Cristo. Ele ressuscitará ao terceiro dia!

– E novamente, voltar a casa, à terra, à vida quotidiana e ser-Lhe submissos, isto é, dispostos a acolher a Sua vontade, traduzindo-a em obras de caridade.

 

5 – "Senhor, Pai santo, que na Sagrada Família nos destes um modelo de vida, concedei que, imitando as suas virtudes familiares e o seu espírito de caridade, possamos um dia reunir-nos na vossa casa para gozarmos as alegrias eternas".

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Textos para a Eucaristia (ano C): Sir 3, 3-7. 14-17; Sl 127; Col 3, 12-21; Lc 2, 41-52.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

22.09.21

Frei DARLEI ZANON - SIMPLESMENTE JOSÉ

mpgpadre

FR. DARLEI ZANON (2021). Simplesmente José. Romance baseado na vida do Pai adotivo de Jesus. Apelação: Paulus, 392 páginas.

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O Papa Francisco estabeleceu que, a partir de 8 de dezembro de 2020, 150.º aniversário da proclamação do Decreto Quemadmodum Deus, com o qual o Beato Pio IX, movido pelas graves e lutuosas circunstâncias em que se encontrava a Igreja, insidiada pela hostilidade dos homens, declarou São José Patrono da Igreja Católica, bem como dia dedicado à Bem-aventurada Virgem Imaculada e Esposa do castíssimo José, até 8 de dezembro de 2021, seja celebrado um especial Ano de São José, em que todos os fiéis, seguindo o seu exemplo, possam reforçar em cada dia a sua vida de fé no pleno cumprimento da vontade de Deus.
A partir do século XVIII começam a aparecer as chamadas "Vidas de Jesus", com o intento de preencher as lacunas existentes na sua biografia, nomeadamente naqueles trinta e poucos anos de vida oculta em Nazaré. Por outro lado, a tentativa de fundir os quatro evangelhos num só, para que houvesse uma maior harmonização, limando e eliminando factos ou palavras que não fosse inteiramente concordes. Este é, com efeito, um critério da autenticidade dos Evangelhos, pois não são cópias uns dos outros ao ponto de coincidirem nos mais ínfimos pormenores. O outro critério complementar é que coincidem nos grandes acontecimentos / ensinamentos. Os evangelhos, porém, não têm uma preocupação biográfica, mas tão somente se fixam no mistério da morte e da ressurreição de Jesus. Esta faz com que os discípulos se voltem a reunir e formem comunidade. A partir daí começam a "pregar", dizer, ensinar o que Jesus disse e fez. Logo, a transmissão leva também o cunho da interpretação de cada um dos apóstolos, ainda que uns possam "aperfeiçoar" o relato dos outros. Mais à frente, a necessidade de fixar por escrito, para não se correr o risco, depois da morte dos apóstolos, não haver fontes fidedignas do que aconteceu na Galileia, na Judeia e na Samaria, com o Mestre dos Mestres.
Neste ano especial de São José, o Frei Darlei Zanon procurou perfazer a (auto)biografia de São José, que relata o que sucedeu para se tornar o pai adotivo de Jesus, recuando à sua genealogia, como à de Maria, e relatando o compromisso, os sonhos, a fuga, o crescimento de Jesus e como Jesus ia surpreendendo a todos.
Já havia um ou outro livro sobre a "biografia" de Nossa Senhora, agora chega-nos a de São José.
É um livro muito interessante para ler neste ano especial, não apenas para perceber melhor a missão de São José, mas de algum modo entendermos mais facilmente a sensibilidade de Jesus. Vejamos a finalizar a autobiografia, em que Deus, em sonhos, comunica com São José, através do Seu anjo: 
José, encontraste graça junto de Deus. Não tenhas medo. A morte dura apenas um instante, não tem poder. O Altíssimo está à tua espera. José, o teu exemplo de humildade e retidão, de dedicação e cuidado, de trabalho e caridade, de justiça e fé serão impressos no tempo e cruzarão todos os séculos. Por pouco tempo, permanecerás afastado de Jesus e Maria, e dos demais familiares aqui deste mundo. Será apenas por alguns instantes, fragmentos de tempo. Em breve a família celeste estará completa. Não tenhas medo, José!
Assim disse o anjo. E eu confiei. Estou pronto. Sinto-me fraco fisicamente, mas muito forte espiritualmente. As minhas energias diminuem, porém a minha confiança no poder do Altíssimo só aumenta. Ele guiará Jesus a partir de agora. O Pai Celeste indicará a hora do seu Filho.
 
No mesmo sonho, eu respondi ao anjo, comunicando-me com o Senhor:
Obrigado, Adonai, meu Senhor e meu Deus. Cumpriram-se todos os dias da vida que me deste neste mundo, por isso peço-Te que fiques ao meu lado, até que a minha alma saia do corpo sem dor nem aflição. Conforta toda a minha família, para que não sejam tocados pela dor e perturbação. Permite-me em breve contemplar a Tua face, ver a glória de Teu rosto, ser abençoado com a Tua misericórdia e graça, Adonai.
Não temo. Já experimentei o amor no mundo, estou pronto para provar o amor junto do Criador. Superei há pouco meus quarenta anos, vivi tudo o que um homem pode esperar. Sou feliz, estou realizado. Não temo a separação momentânea de todos os que me completam.
 
O Autor:
Nascido no Brasil fez a sua profissão perpétua em 2007 e está em Portugal desde 2008. É conselheiro geral da Sociedade São Paulo tendo desempenhado a função de diretor editorial da PAULUS Editora, bem como de conselheiro regional e secretário da Sociedade São Paulo em Portugal. É formado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Belo Horizonte e recebeu o título de Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação pelo ISCTE-IUL

01.05.21

Boletim Paroquial Voz Jovem - janeiro a abril de 2021

mpgpadre

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Há mais de um ano que vivemos em pandemia, o que levou a alterar hábitos, ritmos, encontros. As paróquias não ficaram alheias aos confinamentos gerais e a dois momentos de suspensão das clebrações comunitárias, em 2020, de 14 de março a 30 de maio, e em 2021, de 23 de janeiro a 15 de março. Mas se há um ano abarcou parte da Quaresma e todo o tempo de Páscoa, este ano permitiu-nos a celebrações de São José e da Semana Santa e porquanto, tendo em conta o evoluir da situação favorável, continuaremos a o usufruir de mais oportunidades de juntos, presencialmente juntos, celebrarmos a fé, partilharmos a vida, confraternizarmos, animar-nos mutuamente a acolher, viver com alegria e a testemunhar o Evangelho.

Temos saudades de momentos, encontros, celebrações que faziam parte da nossa comunidade, mas certos que o tempo de espera e o cuidado pelos outros produzirão o seu fruto e a consciência de precisarmos dos outros, de os sentirmos, de os ouvirmos e olharmos olhos nos olhos. Não sabemos o depois, mas sabemos que o mundo precisa de todos, de mim e de ti, para transparecer a bondade de Deus, a sua ternura e amor. É este o tempo favorável, o tempo da salvação, contando com todos os limites que nos impõem e com as nossas próprias fragilidades.

O Boletim Voz Jovem chega, às vossas mãos, em mais uma edição, com textos e fotos, fixando momentos importantes na vida da comunidade, não apenas para recordar, mas para provocar vontade em empenhar-nos ainda mais na vida comunitária.

A Semana Santa, sendo a Semana Maior da nossa fé, da liturgia, ocupa um lugar de grande destaque, mas também o tempo de preparação para a Páscoa. Além o ciclo da Páscoa, a solenidade de São José, num ano que lhe é especialmente dedicado, e a Paragem 23, na Paróquia de Pinheiros, num momento de oração pelas JMJ 2023, iniciativa do Departamento da Pastoral Juvenil de Lamego.

 

Ou fazer o download a partir da hiperligação:

BOLETIM PAROQUIAL VOZ JOVEM - janeiro a abril de 2021

30.03.21

Giancarlo Paris - SÃO JOSÉ, o grande silencioso

mpgpadre
GIANCARLO PARIS (2021). São José, o grande silencioso. Prior Velho: Paulinas Editora. 96 páginas.

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Como expectável, em ANO especial dedicado a SÃO JOSÉ, estão a surgir várias publicações, estudos, recuperação de documentos, que nos permitirão conhecer melhor o Pai (adotivo) de Jesus e esposo da Virgem Maria, guardião de Maria, de Jesus e da Igreja, homem justo e temente a Deus.
No dia 8 de dezembro de 2020, o Papa Francisco convocou este ano especialmente dedicado a São José, no 150.º aniversário do Decreto Quemadmodum Deus, com o qual o Beato Pio IX, declarou São José Patrono da Igreja Católica, num tempo de grande hostilidade para com a Igreja. De 8 de dezembro de 2020 a 8 de dezembro de 2021, "seja celebrado um especial Ano de São José, em que todos os fiéis, seguindo o seu exemplo, possam reforçar em cada dia a sua vida de fé no pleno cumprimento da vontade de Deus"(Decreto sobre o dom das indulgências).

Na Carta Apostólica PATRIS CORDE, o Papa convoca-nos à oração: Só nos resta implorar, de São José, a graça das graças: a nossa conversão. Dirijamos-lhe a nossa oração:
 
Salve, guardião do Redentor e esposo da Virgem Maria!
A vós, Deus confiou o seu Filho;
em vós, Maria depositou a sua confiança;
convosco, Cristo tornou-Se homem.
Ó Bem-aventurado José,
mostrai-vos pai também para nós
e guiai-nos no caminho da vida.
Alcançai-nos graça, misericórdia e coragem,
e defendei-nos de todo o mal. Ámen.
 
Neste livro do bolso, o autor conduz-nos pelos Evangelhos, nas referências a São José e na ligação às promessas feitas por Deus ao Seu povo, no Antigo Testamento. A ligação, por exemplo, de São José a José, filho de Jacob, e como ambos têm a graça de Deus lhes falar através dos sonhos. Dos evangelhos, particularmente o de São Mateus e o de São Lucas, por apresentarem evangelhos de infância.
Num outro capítulo, a figura de São José no magistério dos Papas e a evolução na importância crescente do Esposo de Maria na vida da Igreja e da liturgia.
O Autor disponibiliza o terço de São José e as orações de São José. Referência especial para o túmulo de São José, onde se crê que foi sepultado, em Igreja que a arqueologia recuperou.

30.12.17

Maria e José levaram Jesus a Jerusalém...

mpgpadre

1 – «Senhor, Pai santo, que na Sagrada Família nos destes um modelo de vida, concedei que, imitando as suas virtudes familiares e o seu espírito de caridade, possamos um dia reunir-nos na vossa casa para gozarmos as alegrias eternas».

No Seu amor imenso, Deus vem habitar connosco. Assume-nos por inteiro, nas nossas fragilidades e na nossa finitude. O nosso Deus, Deus de nossos Pais, Abraão, Isaac e Jacob, Moisés e David, o Deus que Se revela plenamente em Jesus, é um Deus de amor, que nos ama sem desistir de nós. Ama-nos como Pai e como Mãe. É este o mistério do Natal, expressão visível da Encarnação de Deus.

Deus criou-nos por amor, à Sua imagem e semelhança, capazes de amar e ser amados. Deus é Amor, Deus é família: Pai, Filho e Espírito Santo, comunidade de vida e amor.

Para entrar no mundo, Deus escolheu uma família humana. Jesus não é um extraterrestre, ou uma espécie de super-homem caído do espaço. Deus humaniza-Se, encarnando, por ação do Espírito Santo, no ventre virginal de Maria. Na normalidade da família de Jesus, Maria e José, Deus mostra-nos o caminho do amor que une e salva.

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2 – José e Maria são um casal jovem, judeus, descendentes da linhagem de David. Em Belém ou em Nazaré, ninguém dirá que Aquele Menino é Filho de Deus. Nada há de estranho na família de Jesus. Os Seus pais trabalham arduamente para terem o necessário para viverem com dignidade, participam na vida da comunidade, nas festas e nos lutos, entreajudam-se nos trabalhos do campo e da vinha, trocam saberes e bens que manufaturam segundo a arte de cada um.

Como praticantes judeus, completando-se os dias da purificação, Maria e José levam Jesus ao Templo de Jerusalém para O apresentarem ao Senhor, cumprindo as prescrições da Lei de Moisés. É um momento importante para os Pais, pois dessa forma confiam o seu filho a Deus e inserem-se na Aliança de Deus com o Seu povo.

No Templo, Maria e José vão escutar palavras promissoras acerca do Seu querido filho. Um filho é uma bênção, ou deveria ser, nunca um estorvo ou empecilho. O Filho de Maria e de José foi inesperado, talvez até fora de tempo, acolhido com todo o amor. No Templo vão perceber que Ele será uma bênção para todo o Povo, conforme as palavras de Simeão: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo».

Também Ana, profetisa, mulher de idade avançada louva o Senhor Deus pelas maravilhas que fará através d'Aquele Menino.

 

3 – Mas a história não acaba aqui, muito pelo contrário.

Os pais tudo farão para evitar qualquer sofrimento ao(s) seu(s) rebento(s). As palavras de Simeão e de Ana acalentam a esperança de um futuro risonho para o Seu Menino. Porém, a vida é um mistério que se abre à nossa frente e que o futuro só a Deus pertence. Haverá sempre surpresas e nem todas fáceis de dirigir. É a vida! Um mistério a viver! Uma história a sonhar e a realizar. Os imponderáveis fazem parte da vida.

O Velho Simeão tem um recado para Maria e para José, ainda que se volte mais para Maria: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações».

A Luz de Israel – iluminará as Nações da terra inteira – ferirá os olhos habituados às trevas, à escuridão do pecado, do egoísmo e da vida cómoda; levará uns a lutar pela justiça e pela verdade, exporá outros que vivem à custa da exploração corrupta, à custa dos mais frágeis. A vida de Jesus, Aquele Menino-Deus, será uma caixinha de surpresas. Será uma bênção, entre muitas adversidades!


Textos para a Eucaristia (ano B):Sir 3, 3-7. 14-17a; Sl 127 (128); Col 3, 12-21; Lc 2, 22-40.

23.12.17

Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo...

mpgpadre

1 – «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo... Não temas, Maria, conceberás e darás à luz um Filho… O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David… e o seu reinado não terá fim».

O relato da Anunciação faz-nos imaginar uma jovem nas lides domésticas, talvez a rezar, talvez a ler as Sagradas Escrituras. O Evangelho refere que o Anjo Gabriel foi enviado a uma Virgem desposada com um homem chamado José e que o nome da Virgem era Maria. O anjo vai ao encontro de Maria onde Ela está. Deus entra em nossa casa e na nossa vida, faz-Se convidado, depois caber-nos-á acolher a Sua vontade ou seguirmos o nosso caminho!

Por outro lado, para escutar a Sua voz é preciso silêncio, exterior, por certo, mas sobretudo interior, de quem se coloca em atitude de espera e de escuta. De contrário poderemos ouvir mas sem escutar, sem perceber quais as vozes pelas quais nos deixamos conduzir.

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2 – «Como será isto, se eu não conheço homem?». Porquê eu? Que é que Deus me pede? Como responder à Sua chamada?

A mudança nunca é fácil. Vamos estruturando de tal forma o nosso dia-a-dia que deixa de haver muito espaço para surpresas, ainda que exista margem para o mistério, pois nunca controlamos totalmente a nossa vida. Do ponto de vista da fé isso é positivo, confiarmos mais em Deus do que em nós, nunca dando a nossa vida como garantida. Estamos sempre a caminhar, a aprender, a santificar-nos.

Como é que se deve ter sentido Nossa Senhora? Talvez não tenha tido muito tempo para refletir. Porém, há tempo para interrogar o Anjo. Como será isto? Como jovem israelita a sua vida já estava alinhavada: viveria com José, com quem já se comprometera e teriam os filhos que Deus lhes desse, acolhendo os filhos como bênção. Estaria destinada a viver feliz, levando uma vida regrada, simples, discreta. Como tantas jovens da Judeia. Mas Deus quis precisar da sua cooperação de uma forma específica e privilegiada.

 

3 – «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice… porque a Deus nada é impossível».

O que Deus nos pede não nos prejudicará, ainda que momentaneamente possa acarretar mais esforço. Mas que seria da vida sem esforço? Seria como a comida sem tempero! Com efeito, temperamos a vida gastando-a e colocando o melhor de nós mesmos nos projetos a que nos propomos. A Deus nada é impossível. A única limitação somos nós. Deus quer e nós poderemos querer o que Ele quer ou simplesmente ignorar a Sua voz, o Seu querer e, até, o Seu amor.

Maria é surpreendida, mas confia em Deus. Sabe que pela frente não faltarão momentos conturbados, desde logo o facto de ter que justificar-se de uma gravidez milagrosa, estranha, inesperada.

 

4 – «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

Deus confia em nós. Deus aposta em nós. Deus espera por nós. Naqueles instantes, através do Anjo, Deus esperou por Maria e confiou que Ela pudesse dizer-Lhe sim. O repto estava lançado, mas faltava a palavra de Maria. Deus age, é todo-poderoso, mas conta comigo e contigo. Não faz por nós. Responsabiliza-nos, respeitando a nossa liberdade. Criou-nos sem nós, como nos recorda Santo Agostinho, mas não nos salva sem nós, sem o nosso assentimento.

Maria respondeu por Ela, mas também em nome de todo o povo. Queiramos que tenha respondido por nós também. Na sua humildade permite que a grandeza de Deus e o Seu amor Se faça Pessoa, encarnando, e ilumine o mundo inteiro.


Textos para a Eucaristia (ano B): 2 Sam 7, 1-5. 8b-12. 14a. 16; Sl 88 (89); Rom 16, 25-27; Lc 1, 26-38.

18.12.16

A virgem dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel

mpgpadre

1 – O sonho comanda a vida. O Sonho é uma constante da vida. Sempre que o homem sonha, o mundo pula e avança (António Gedeão). Deus quer, o homem sonha e a obra nasce (Fernando Pessoa). A vida acaba quando o sonho acaba, quando já não há esperança, nem aquém nem além. Sonhos e projetos, confiança no futuro, promessa de eternidade a iniciar-se na história. A esperança é a última a morrer, faz-nos passar ao outro mar.

       Há pessoas que já há muito deixaram de sonhar. Dizem elas, como desabafo, como desilusão, mas com a réstia de esperança que o que desdizem afinal não se confirme. Para os adeptos de futebol, quando a equipa está a perder, até ao último minuto vivem num misto de realidade e esperança... ainda falta um minuto, alguém vai marcar! A vida é mesmo assim. É claro que muitas pessoas vivem voltadas para o passado e esquecem-se de viver o presente e projetar o futuro. Mas mesmo em situações mais extremas, a saudade do passado é a forma de se manterem vivas, sonhando/esperando que voltem esses tempos. Seria ótimo que a presença do passado as levasse a procurar apreciar e viver novas situações.

       Outros há, que sonham o tempo todo, sempre com ganas de viver, de sugerir, de projetar. Por vezes, colam-se apenas aos sonhos e esquecem-se que os sonhos precisam de ser concretizados no tempo e na história e não apenas projetados na mente. Há sonhos que nunca realizaremos mas que, ainda assim, nos puxam para a frente, para o futuro. Há o sonho de deixar marcas positivas no mundo. Mesmo aqueles que deixam marcas negativas é com o sonho de não serem esquecidos. Sonhamos a dormir e sonhamos acordados. Quando jovens sonhamos mudar o mundo. Quando entrados na idade, sonhamos que outros sonhem em mudar o mundo.

       José teve um sonho. Não foi um sonho qualquer. Foi um sonho para mudar o mundo, a história, a sua e a nossa, a história da humanidade. O sonho de José faz dele uma personagem importante para a história da salvação, Deus entre nós, Deus connosco. Não há que ter medo de sonhar. Os sonhos equilibram a mente, por um lado, e, por outro, ajudam-nos a levantar-nos cada dia com um sorriso.

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       2 – José teve um sonho. Outro José, noutro contexto, conhecido como José do Egipto, e antepassado de São José, tornou-se importante à custa dos sonhos que interpretou para o Faraó, ganhando relevância, o que lhe permitiu salvar a sua família e o seu povo da miséria. São José tem um sonho que, do mesmo modo, faz com que se assuma guardião da Família sagrada.

       São Mateus apresenta-nos o nascimento de Jesus, sublinhando o mistério de Deus que age em nós e através de nós. A Virgem Imaculada concebeu por virtude do Espírito Santo. José, tomando consciência da gravidez de Maria, sem que tivesse convivido com Ela, decide repudiá-la em segredo, evitando difamá-la e açambarcando com a responsabilidade. Ao fugir assumia-se por culpado de "desonrar" Maria e impedia que Ela fosse condenada e quem sabe apedrejada.

       Mas os nossos pensamentos nem sempre são os de Deus e as nossas decisões nem sempre são as mais justas, ainda que assim o julguemos. Deus, também aqui, impele a escrever a história de uma maneira nova. Em sonho, Deus envia o Seu Anjo que revela a missão que José há de assumir: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados».

       O sonho altera a decisão de José, que recebe Maria por esposa, tornando-se o protetor da Sagrada Família, dando o nome a Jesus, assegurando que Maria e José terão um lar seguro e confortável para viver.

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       3 – O sonho vem de longe e a promessa também. A primeira leitura recorda-nos essa promessa feita ao povo eleito, através do rei Acaz, a quem Isaías desafia a pedir um sinal. Acaz não se sente confortável o suficiente para pedir um sinal ao Senhor, considerando uma tentação ou mesmo uma blasfémia. Quando pedem um sinal a Jesus, Este repreende-os por testarem a Deus, dizendo que é uma geração perversa, que não está atenta aos verdadeiros sinais nem ao tempo novo que está a emergir com a Sua vida.

       Agora, contudo, é o próprio Deus que sanciona o sinal. Isaías, em nome de Deus, diz a Acaz: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel».

       São Mateus, ao concluir o relato do sonho de São José, diz claramente que a promessa se cumpre agora. Logo que José desperta do sonho, age em conformidade com as palavras do Anjo do Senhor.

       O sonho é verdadeiramente importante se nos faz acordar e nos leva a agir. Por si mesmo, o sonho é pouco relevante se não tiver consequência, se não conduzir à mudança de vida. Os sonhos, com efeito, não são nem positivos nem negativos, mesmo que pareçam pesadelos. Quando muito fazem sobressair a necessidade da nossa mente ordenar o que pensamos, os conhecimentos que vamos armazenando ao longo da vida, as sensações e emoções que vivemos. Mas, havendo algum sonho a que demos mais importância, que seja para nos ajudar a melhorar a nossa vida e a vida dos irmãos.

       Do mesmo jeito, os sonhos, os projetos, as promessas, sejam um catalisador para nos envolver-nos na transformação positiva do mundo, empenhando-nos em transparecer e testemunhar a misericórdia de Deus, plenizada e encarnada em Jesus Cristo.

 

       4 – O Apóstolo Paulo, tal como São José, também foi surpreendido por Deus. As suas certezas e convicções são postas em causa com o surgimento de Deus na sua vida. A caminho de Damasco, em busca da verdade, Paulo é "apanhado" por Jesus e de perseguidor passa a seguidor.

       Em mais esta belíssima missiva, aos Romanos, o Apóstolo aponta para Jesus, que nasceu, segundo a carne, da descendência de David mas, segundo o Espírito, foi constituído Filho de Deus. A missão do Apóstolo é transparecer, testemunhar, anunciar Jesus Cristo, levá-l'O a todo o mundo, pregando o Evangelho da santidade, o mesmo é dizer, o Evangelho da caridade.

       A referência primeira, para o apóstolo, e para nós também, é a ressurreição de Jesus Cristo. Ele torna-Se para sempre o nosso Salvador. O Filho de Deus nasceu como um de nós, da nossa carne e dos nossos ossos, para nos ressuscitar para Deus, elevando-nos com Ele para a eternidade.

       A oração de coleta resume bem este mistério da nossa fé: "Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo, vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz alcancemos a glória da ressurreição".

       Pela oração predispomo-nos a acolher o sonho de Deus, o Seu projeto de amor, de vida nova, em que todos nos reconheçamos como irmãos e nos tratemos como tal.


Textos para a Eucaristia (A): Is 7, 10-14; Sl 23 (24); Rom 1, 1-7; Mt 1, 18-24.

02.01.16

Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O

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1 – Todos os encontros podem deixar marcas em nós, mas contam verdadeiramente aqueles que nos tocam a alma e mudam a nossa vida. Se cada encontro pode influenciar-nos e enriquecer-nos, há aqueles que nos ajudam a ver a vida de um perspetiva diferente, a acreditar no amanhã, a depositar os nossos sonhos no futuro com esperança. Sentimos que chegamos a casa. Há estrelas que brilham no firmamento e nos atraiam para o melhor que a vida tem para nos dar.

Os Magos vêm de longe. Seguem com leveza e com pressa de chegar. É uma das características destes dias: Maria com pressa de chegar junto de Isabel; os pastores com pressa de chegar ao Presépio, e os Magos com pressa de adorarem o Deus Menino.

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2 – «Onde está o rei dos judeus? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Quando não sabemos a direção é melhor parar e perguntar. O GPS – a estrela – levar-nos-á ao destino, mas a confusão da cidade pode distrair-nos do caminho.

Herodes fica perturbado. O medo toma conta do seu coração. Habituou-se ao poder e não quer que nada ponha em causa a sua comodidade. Chama os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, informa-se acerca do local do nascimento do Messias, que segundo as profecias será «em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’».

O alvoroço provocado pela notícia de que o Messias nasceu mobiliza Herodes e a cidade. Deve também inquietar-nos, desinstalar-nos, levar-nos a querer saber mais, a descobrir onde O encontrar.

O mais triste é se estamos ao pé do sino e não ouvimos as horas, por habituação, por desleixo ou preguiça. O alvoroço está instalado. Ficamos com Herodes, comodamente instalados à espera que as notícias nos cheguem aos ouvidos, ou seguimos com os Magos, para fora do palácio e da cidade, e vamos a Belém?

 

3 – A esperança de Israel concretiza-se n'Aquele Menino. Todos se hão de prostrar diante d'Ele porque d'Ele virá todo o bem. "Prostrar-se-ão diante dele todos os reis, todos os povos o hão de servir. Socorrerá o pobre que pede auxílio e o miserável que não tem amparo".

O nascimento de Jesus é um acontecimento inaudito, Deus assume-nos por inteiro. A todos. Vem para o Seu povo, mas ao alcance de todos os povos, como relembra o Velho Simeão: «Agora, Senhor, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo» (Lc 2, 22-35). Os magos mostram que a Mensagem de Deus e os sinais da Sua presença no meio de nós chegam a toda a parte.

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4 – Logo que os magos se afastam do palácio, da cidade, e das distrações, a Estrela que os guia volta a estar visível. Por vezes precisamos de nos afastarmos um pouco, fazendo silêncio para ver melhor e para perceber o que nos rodeia e que caminho havemos de retomar.

"Eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra".

Os magos chegam finalmente onde se sentem em casa, junto de Jesus. E dão-lhe os presentes, simbólicos, a um tempo: ouro realeza; incenso divindade, e mirra humanidade. Há mais alegria em dar do que em receber. E mais que dar, importa dar-se. É o que fazem os pastores, é o que fazem os magos. Dão o melhor que têm porque se querem dar fazendo-se presentes. E recebem o maior presente: Jesus, Deus Menino. E tudo muda.

O encontro com Jesus fá-los voltar por outro caminho. "E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho". Também o nosso encontro com Jesus nos há de levar por outro caminho, não preferentemente ao palácio, mas ao mundo.

___________________________________________________________

Textos para a Eucaristia: Is 60, 1-6; Sl 71 (72); Ef 3, 2-3a. 5-6; Mt 2, 1-12.

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE.

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