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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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30.05.13

Festa da Visitação de Nossa Senhora à Sua prima Isabel

mpgpadre

       1 – Chegamos ao final do mês de Maria, não com a consciência de dever cumprido, pois estamos sempre a caminho, e é a caminhar que que Deus nos encontra, mas como página que quisemos pintar com a oração, com o encontro, sintonizando-nos uns com os outros, em Jesus Cristo, sob o olhar e a intercessão de Maria santíssima.

      Trouxemos à oração mariana a nossa vida, como deve ser, com alegrias que nos motivam agradecimento, louvor, com preocupações que percorrem os nossos dias, tristezas e dúvidas, unimo-nos à Igreja, rezamos pelo mundo e pela paz, suplicamos pelos nossos familiares, sobretudo aqueles que no presente nos suscitam mais cuidados, e pelas pessoas que se encontram em situação mais frágil.

       Iniciámos o mês com a festa de São José operário, um homem justo, trabalhador, discreto, que toma a seu cargo a missão de ser a Casa de Maria e de Jesus. Belo testemunho de vida e de fé!

       A meio do mês, a celebração da festa de Nossa Senhora de Fátima, com a Procissão das Velas, que traz muitos corações ao Coração de Maria, e com o dia 13, a comemoração da primeira aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos, em Fátima, mostrando que o Céu está perto de nós, só precisamos de fazer o nosso caminho de conversão, oração, empenho.

       Peregrinamos também ao Sabroso, onde a história da fé erigiu um templo em honra de Maria, convidando a sair da nossa comodidade para nos darmos aos outros.

       E terminámos o mês com o belíssimo e significativo episódio da Visitação de Maria à Sua prima Santa Isabel.

       2 – A liturgia da palavra remete-nos para a confiança em Deus, nosso Salvador. Ainda que o mundo inteiro desmorone, Deus não nos abandona. Por maiores que sejam as nuvens, para lá da escuridão é possível que encontremos Deus a velar por nós: “Não temas, Sião, não desfaleçam as tuas mãos. O Senhor teu Deus está no meio de ti, como poderoso salvador. Por causa de ti, Ele enche-Se de júbilo, renova-te com o seu amor, exulta de alegria por tua causa, como nos dias de festa”.

       Por outro lado, a caridade como fruto da graça santificante de Deus. Diz-nos São Paulo: "Seja a vossa caridade sem fingimento. Detestai o mal e aderi ao bem. Amai-vos uns aos outros com amor fraterno; rivalizai uns com os outros na estima recíproca. Não sejais indolentes no zelo, mas fervorosos no espírito; dedicai-vos ao serviço do Senhor. Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação, perseverantes na oração. Acudi com a vossa parte às necessidades dos cristãos; praticai generosamente a hospitalidade..."

       3 – No evangelho, o relato da Visitação:

“Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá… Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?»… Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-poderoso fez em mim maravilhas, Santo é o seu nome”.

     São Lucas deixa-nos alguns dados precisos. Maria vai apressadamente para a Montanha. A pressa das palavras deve dar lugar à pressa da caridade. A rivalidade, como lembra São Paulo, seja no serviço, na atenção ao outro, na caridade.

       Encontro, no seio materno, de João Batista e de Jesus. Ambos gerados por ação de Deus, envolvidos no mistério divino, ainda que a missão e as circunstâncias sejam distintas. A alegria é uma característica fundamental no nosso encontro com Jesus Salvador. Como nos sentimos por nos sabermos salvos por Jesus? É diferente a nossa vida por termos Jesus na nossa vida?

        Papel preponderante de Maria na vida de Jesus, e futuramente na comunidade cristã. Ela é a eleita do Senhor, a cheia de Graça, escolhida para ser a Mãe do Filho do Altíssimo. É bem-aventurada porque acreditou em tudo o que o Senhor lhe comunicou. Isabel deixou-se contagiar com a PRESENÇA de Deus em Maria. E nós, cristãos, de que forma nos deixamos contagiar por Jesus, pela Sua palavra, pelos seus sacramentos, pelas pessoas que Ele coloca ao nosso lado?


Textos para a Eucaristia: Sof 3, 14-18; Rom 12, 9-16b; Lc 1, 39-56.

24.06.12

E foi habitar no deserto até ao dia em que se manifestou a Israel

mpgpadre

       1 – "Entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista; e, no entanto, o mais pequeno no Reino do Céu é maior do que ele" (Mt 11, 11). O testemunho dado por Jesus acerca de seu primo João é por demais luminoso. Jesus reconhece e sanciona a vida e a missão de João Batista, apontando-o como referência. Por outro lado, um desafio incontornável: cada um de nós poderá superar o Precursor. Ele vem e está antes de Jesus. Nós somos batizados num batismo de fogo, na água e no Espírito Santo, configurados ao próprio Corpo de Cristo que é a Igreja.

       Fixemo-nos por ora em João Batista, a cujo nome se fixa a missão. Ele é o Batista. Não é a luz, mas vem guiar para a luz, vem "amaciar" o caminho, mergulhando-nos no arrependimento e na disponibilidade para nos convertermos de todo o coração.

 

       2 – São João Batista é primo de Jesus e nasce cerca de seis meses antes. O seu nascimento dá-se envolto em mistério. É uma esperança para Israel e para a humanidade inteira. Os seus pais, Isabel e Zacarias, eram já de idade avançada. Mas por graça e benevolência de Deus, geraram na velhice. É gerado para além da idade biológica. Os seus pais já passaram a idade fértil. Ou talvez não! Há sempre tempo para nos tornarmos férteis e gerarmos a vida em abundância que nos vem de Deus. 

       Para lá do tempo, anuncia-se um tempo novo, de graça e salvação, de conversão. O seu nascimento é sinal de que se aproximam os novos céus e nova terra. A promessa de Deus começa a cumprir-se. Como em límpida madrugada, em que já se insinua a claridade de um sol radiante, assim o Precursor nos coloca em espera próxima do Messias de Deus.

       João é abençoado desde o seio materno. A ele se adequam as palavras do profeta Isaías:

"O Senhor chamou-me desde o ventre materno, disse o meu nome desde o seio de minha mãe. Fez da minha boca uma espada afiada, abrigou-me à sombra da sua mão. Tornou-me semelhante a uma seta aguçada, guardou-me na sua aljava" (primeira leitura).

       Tal como de Jesus, pouco mais se sabe da vida de João Baptista até à idade adulta. São Lucas refere que o menino crescia em robustez, e que se manteve no deserto até ao dia da sua apresentação a Israel:

"A mão do Senhor estava com ele. O menino ia crescendo e o seu espírito fortalecia-se. E foi habitar no deserto até ao dia em que se manifestou a Israel".

 

       3 – As referências à sua missão e ao seu caráter estão amplamente relatadas nos evangelhos e em outros escritos do Novo Testamento. É descrito como um homem rígido, frontal, destemido, coerente, usando uma linguagem ríspida, apocalíptica, ameaçadora, como uma espada bem afiada que corta tudo onde toca.

       Usava trajes simples e pobres, alimentava-se frugalmente, dedicava-se à pregação e ao batismo de penitência. Alguns julgaram-no o Messias esperado, mas a todos foi respondendo que estava para chegar Alguém maior: "Prestes a terminar a sua carreira, João dizia: «Eu não sou quem julgais; mas depois de mim, vai chegar Alguém, a quem eu não sou digno de desatar as sandálias dos seus pés»" (segunda leitura). Desta forma, afirma-se pela humildade e pelo despojamento. Poderia canalizar o sucesso que granjeou em seu benefício pessoal. Mas não o faz. Aponta para diante. Para Outro.

       Vai para as margens, para fora da tenda de Israel, para o deserto e a partir daí retoma a caminhada para a terra prometida, a partir do exterior, vislumbrando a Promessa que se vai cumprir no Messias. Obriga as populações a saírem do seu espaço de conforto. As suas palavras desinstalam, provocam, dividem, geram conflito ou pelo menos incómodo. Não contemporiza. Não se lhe augura nada de bom!

       Denuncia injustiças, nomeadamente daqueles que estavam no poder. Herodes manda prendê-lo, mas João não deixa de o criticar. Herodes vivia com a mulher do seu irmão Filipe, Herodíades. Esta pedirá a cabeça de João. E assim ele morrerá decapitado. A persistência na denúncia custa-lhe a vida.

 

       4 – Há ainda outras facetas na vida de João Batista. Salientaríamos a ALEGRIA que leva ao testemunho. Um homem que se torna demasiado sério e virulento, mas cuja fonte é Jesus Cristo e a verdade. Já no seio materno, o Precursor transparece ALEGRIA no encontro com Jesus. "Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio" (Lc 1, 44).

       É Isabel, sua mãe, que expressa o júbilo daquele primeiro encontro, intrauterino, como que a dizer que mesmo no seio materno Jesus e João fazem acontecer o mistério de Deus no mundo. Ventres abençoados pelo Amor de Deus que neles opera e realiza maravilha em favor de todo o povo. 

       Um dia será o próprio João Batista a dar testemunho de Jesus num encontro carregado de simbolismo e iluminado com a presença amorosa de Deus, pelo mesmo Espírito de Amor:

«Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! É Aquele de quem eu disse: ‘Depois de mim vem um homem que me passou à frente, porque existia antes de mim.’… Vi o Espírito que descia do céu como uma pomba e permanecia sobre Ele… Pois bem: eu vi e dou testemunho de que este é o Filho de Deus» (Jo 1, 19-34).

       Destarte, a passagem de testemunho, a missão de João Batista logo dará lugar à missão de Jesus Cristo.

 

       5 – O nascimento é uma promessa que transborda de alegria e de esperança. João Batista cumpre a sua vida e coroa-a como oblação. Jesus, por sua vez, na prossecução da vontade de Deus Pai, leva a Sua vida, como oferta, até ao fim. O nascimento abre-nos um mundo de possibilidades. Poderemos inserir-nos no Reino de Deus, para nos tornamos grandes aos olhos de Deus Pai, uma vez que já o somos pelo batismo, cabe-nos “gastar” a vida em lógica de oblação, de entrega, semeando a verdade e o bem, alimentando-nos do Espírito de Deus e produzindo n’Ele frutos de santidade, pela caridade e pelo compromisso com as pessoas que Ele colocou para caminharem connosco.

 


Textos para a Eucaristia: Is 49,1-6; Atos 13,22-26; Lc 1,57-66.80. 

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço

22.01.12

Ninguém faz festa se não tiver com quem festejar

mpgpadre

       1 – "Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».

       O primeiro anúncio de Jesus corresponde ao pré-anúncio de João Batista que proclamava iminente a vinda do reino de Deus e do Messias, promovendo a conversão, o arrependimento, a penitência, para que desse modo as pessoas pudessem reconhecer e acolher o dom de Deus. Em Jesus cumpre-se esse desiderato de João.

       No Evangelho de São Marcos, que nos irá acompanhar mais de perto neste ciclo de leituras do ano B, refere-se que o início da vida pública de Jesus prossegue depois de João ter sido preso, pressupondo que existe uma ligação próxima e subsequente entre uma e outra missão.

       Com Jesus cumpre-se o tempo, é chegada a plenitude dos tempos, na qual Deus Se manifesta pelo Seu Filho muito amado. E para que essa missão se possa efetivar através dos tempos, Jesus chama a Si discípulos. Quando chegar o momento de Jesus regressar ao seio de Deus Pai serão eles a prosseguir com a missão de anunciar a Boa Nova a todos os povos e a tornar presente o mistério de Deus connosco e no meio de nós.

       "Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus". 

       2 – A conversão é a atitude de todo aquele que quer acolher o dom que vem dos outros e, para nós crentes, o dom que Deus nos dá constantemente. Conversão e humildade, neste concreto, significam a mesma disponibilidade para se abrir ao outro e ao Totalmente Outro (ou Totalmente Próximo), ao mistério da vida divina que irrompe na nossa história através de Jesus, o Emanuel, Deus feito homem para viver em nós, connosco, nos revelar o caminho para sermos felizes, para chegarmos ao Pai, e a fim de nos inserir na lógica da salvação, da vida eterna que pode e deve iniciar-se já no tempo que dispomos neste mundo.

       Na primeira leitura que escutamos, vemos como a palavra de Deus é anunciada ao povo de Nínive. Sob a ameaça de castigo, sobressaindo uma linguagem muito humana, Deus faz saber que o caminho para que o povo se mantenha como povo e as pessoas possam viver confiantes e com dignidade, e possam encontrar a felicidade, passa pela conversão, pela mudança de hábitos e de atitude, passa por alterarem a forma de se relacionarem e de se protegerem mutuamente. Se cada um só pensar em si mesmo, fechando-se ao outro, mais tarde ou mais cedo sobrevém a desgraça, a frustração, o vazio, a ansiedade. Precisamos dos outros para nos sentirmos bem, para partilharmos o que somos, o que temos e o que fazemos, para desabafar nos momentos de crise, e para apreciarmos as coisas boas. Isso só é possível com os outros. Ninguém é alegre sozinho por muito tempo. Ninguém faz festa se não tiver com quem festejar. Do mesmo modo, precisamos de pátria, de casa, de espaços comuns. Somos ser sociais. Se cada um só pensar em si, pouco restará para a nossa dimensão social e solidária. Com efeito é na solidariedade que sobrevivemos como sociedade.

       "Os habitantes de Nínive acreditaram em Deus, proclamaram um jejum e revestiram-se de saco, desde o maior ao mais pequeno. Quando Deus viu as suas obras e como se convertiam do seu mau caminho, desistiu do castigo com que os ameaçara e não o executou". 

       Esta é uma mensagem muito atual e pertinente para nós, para a sociedade deste tempo, para Portugal, para a Europa e para o mundo. Se os países mais ricos só pensarem nos seus cidadãos, se os mais ricos, empresas e pessoas, só pensarem nos lucros que poderão obter, a sociedade corre o sério risco de se autodestruir, como facilmente se pode ver nesta Europa pouco comunitária.

 

       3 – Para nós cristãos importa em cada momento viver na presença do Senhor, como se fora a última oportunidade para realizar algo de grandioso e definitivo. Diz de forma intuitiva o Apóstolo São Paulo, na segunda leitura, "o que tenho a dizer-vos, irmãos, é que o tempo é breve. Doravante, os que têm esposas procedam como se as não tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que andam alegres, como se não andassem; os que compram, como se não possuíssem; os que utilizam este mundo, como se realmente não o utilizassem. De facto, o cenário deste mundo é passageiro".

       Chegou o tempo, o reino de Deus está entre nós, em desenvolvimento. Cabe-nos a tarefa importante de o tornar visível para os nossos companheiros de viagem, neste tempo em que vivemos. O tempo é pouco, é sempre insuficiente para o bem que podemos fazer. É breve se o aplicarmos em ternura, perdão, em partilha solidária, na luta pela justiça, na prossecução da paz.

       A nossa fragilidade, porém, nem sempre nos envolve positivamente na transformação do mundo. Por conseguinte, ousamos pedir: "Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos, ensinai-me as vossas veredas. Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me, porque Vós sois Deus, meu Salvador". Deixemos que no nosso coração ressoe esta oração, para também nós nos torarmos a oração de Deus para o tempo de hoje.


Textos para a Eucaristia (ano B): Jonas 3,1-5.10; Sl 24 (25) 1 Cor 7,29-31; Mc 1,14-20. 

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço

15.01.12

Rabi, onde moras? Vinde ver...

mpgpadre

       1 – Depois do batismo de Jesus (no rio Jordão, por João Batista), iniciamos mais um ciclo, o do Tempo Comum. Sublinhe-se, desde logo, que o tempo comum é lugar de salvação, de manifestação da graça de Deus em nossas vidas. Liturgicamente são dois os ciclos fundamentais para a vida cristã: Natal e Páscoa, com os tempos de preparação (Advento e Quaresma) e com o tempo que se lhe segue. Com efeito, a Encarnação do Verbo tem como fim a Sua Manifestação plena no dar a vida pela humanidade. É no dar a vida que Jesus nos mostra o caminho de retorno a Deus. Com a Ressurreição percebemos o DOM da vida nova. É à luz da Páscoa que havemos de encarar toda a nossa vida de fé.

       O tempo comum celebra a Páscoa, em cada domingo, em cada Eucaristia. Com efeito, a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição de Jesus, que Ele antecipou na Última Ceia, de forma a permanecer em nós e no meio de nós depois da Sua ascensão para Deus, faz-nos participantes da vida divina, alimentando-nos até à eternidade. Por esta razão, a Eucaristia é a oração mais completa da Igreja. Encaminhamos-nos para a comunhão com Deus, alimentamo-nos da presença de Deus entre nós. Na palavra proclamada, refletida e acolhida e pela condivisão do Corpo de Cristo, tornamo-nos com Ele um só Corpo.

       Por outro lado, ao celebrarmos o tempo comum desafia-nos a deixar-nos surpreender por Deus em todos os momentos da nossa vida, também no silêncio e na aridez dos nossos dias, também na rotina e na azáfama, também nos vazios e nas dúvidas, nas contrariedades e nas nossas realizações humanas.

 

       2 – Escutemos o relato do Evangelho que hoje nos é proposto, procurando e aprendendo também nós a ser discípulos de Jesus Cristo, nosso Mestre.

       “Estava João Baptista com dois dos seus discípulos e, vendo Jesus que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus». Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus. Entretanto, Jesus voltou-Se; e, ao ver que O seguiam, disse-lhes: «Que procurais?» Eles responderam: «Rabi – que quer dizer ‘Mestre’ – onde moras?» Disse-lhes Jesus: «Vinde ver». Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era por volta das quatro horas da tarde. André, irmão de Simão Pedro, foi um dos que ouviram João e seguiram Jesus. Foi procurar primeiro seu irmão Simão e disse-lhe: «Encontrámos o Messias» - que quer dizer ‘Cristo’ –; e levou-o a Jesus. Fitando os olhos nele, Jesus disse-lhe: «Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas» – que quer dizer ‘Pedro’»”.

        A passagem de testemunho é conhecida: Eis o Cordeiro de Deus. É como que uma senha que João dá aos seus discípulos. Ide, que é Ele o Messias esperado, é Ele que vem para tirar o pecado do mundo, substituindo o cordeiro que cada ano era levado ao deserto com os pecados de todo o povo. Ele será o Cordeiro que leva/lava o pecado de toda a humanidade.

       Os discípulos de João seguem Jesus.

       É curioso acompanhá-los neste primeiro encontro. Que quereis? Que procurais? E se a pergunta nos fosse colocada? O que procuramos da vida? O que procuramos na religião, na vivência de fé? Que é que responderíamos a Jesus?

       Jesus não usa um texto pré-elaborado, ou argumentativo, para explicar onde mora. Vinde ver. Por vezes as palavras, ainda que multiplicadas, nada dizem. Ou já não nos dizem nada. Palavras leva-as o vento. Mais palavras, mais discursos. É fácil falar. E por que não responder ao desafio de Jesus?! Vamos ver. Acolhamo-l'O, vamos até à Sua morada, ou melhor, sejamos a Sua morada.

 

       3 – O seguimento de Jesus visa precisamente tornarmo-nos morada do Senhor. Ele vem até nós, para fazer em nós a Sua morada. Na volta, e se queremos seguir verdadeiramente Jesus, tornamo-nos nós a morada de Jesus. Como nos lembra São Paulo: "Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus? Não pertenceis a vós mesmos, porque fostes resgatados por grande preço: glorificai a Deus no vosso corpo".

       Pela água e sobretudo pelo Espírito Santo tornamo-nos novas criaturas, somos enxertados em Jesus Cristo, tornamo-nos parte do Seu corpo, que é a Igreja, tornamo-nos templo do Espírito Santo. Fomos resgatados por Jesus Cristo e neste resgate ganhamos outro corpo, outra vida, o Corpo e a Vida de Jesus. A nossa identidade coloca-nos na rota de Deus. Dele vimos, para Ele caminhamos.

 

       4 – Deus continua a chamar e a chamar-nos na nossa situação concreta.

      Por vezes, não percebemos a Sua voz. Outras preocupações nos desviam. Outras tarefas nos ocupam.

       O Senhor veio, aproximou-Se e chamou como das outras vezes: «Samuel! Samuel!» E Samuel respondeu: «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta». Samuel foi crescendo; o Senhor estava com ele e nenhuma das suas palavras deixou de cumprir-se.

       São tantas as oportunidades em que Deus Se deixa ver e tantas as formas de nos chamar. Há pessoas e situações em que Deus grita por nós. Nem sempre estamos disponíveis, nem sempre percebemos que é Ele que nos interpela.

       Heli, homem justo e vigilante, ajuda Samuel a perceber que é Deus quem o chama. João Batista mostra aos seus discípulos que Jesus é o Messias esperado. No nosso tempo continua a ver pessoas/vozes/situações que nos falam de Deus, que nos mostram o Seu rosto. Qual a resposta que estamos disponíveis para Lhe dar?


Textos para a Eucaristia (ano B): 1 Sam 3, 3b-10; 1 Cor 6,13c-15a.17-20; Jo 1,35-42. 

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço.

18.12.11

Faça-se em mim segundo a tua palavra

mpgpadre

       1 – ACOLHER. Deixarmo-nos surpreender pelo mistério, pela presença de Deus nas nossas vidas, é o desafio para este domingo. Maria não estava à espera. Embora conhecedora das profecias, da Sagrada Escritura, nada lhe indicava que algum dia pudesse ser a escolhida, daí a surpresa: "Como será isso se eu não conheço homem".

       Mas vejamos o desenrolar dos acontecimentos, na Anunciação, pelas palavras do Anjo:

       «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo; bendita és tu entre as mulheres… Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; e o seu reinado não terá fim… O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice porque a Deus nada é impossível».

       A reação de Maria interpela-nos. Pergunta porquê, como é possível que se realize tal "milagre", mas não contesta, encontra-se em atitude de escuta, de acolhimento do mensageiro e da mensagem que chega até ela. Não lhe encontramos desculpas ou falsa modéstia. Mesmo que não entenda tudo, no momento presente, entrega-Se a Deus, abre-Se à Sua graça. É a cheia de graça. Não apenas naquele momento, mas cada dia em que responderá do mesmo jeito: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

       2 – Ao acolher a vocação específica para ser a Mãe do filho de Deus, Ela cumpre, para nós e para a humanidade inteira, os desígnios de Deus, que nos criou por amor, para sermos felizes, termos vida e vida em abundância.

       Pelos profetas, Deus vai revelando o Seu projeto de amor e salvação. Somos convidados a fazer em nossa vida a morada de Deus, a acolhê-l´O, na certeza que é Ele que quer fazer a Sua casa em nós, tornar-nos Sua habitação. Quando David intenta construir um Templo para acolher a Arca da Aliança, sinal do pacto entre Deus e o povo, Deus faz saber através do profeta Natã: "o Senhor anuncia que te vai fazer uma casa. Quando chegares ao termo dos teus dias e fores repousar com teus pais estabelecerei em teu lugar um descendente que há-de nascer de ti e consolidarei a tua realeza. Ele construirá um palácio ao meu nome e Eu consolidarei para sempre o teu trono real. Serei para ele um pai e ele será para Mim um filho. A tua casa e o teu reino permanecerão diante de Mim eternamente e o teu trono será firme para sempre".

       Nestas palavras se confirma que Deus nunca abandonará o Seu povo, mas reforçará a ALIANÇA e tornará eterno o reino que está para chegar.

       Com a anunciação do Anjo a Maria, torna-se mais próximo o cumprimento das promessas feitas por Deus ao Seu povo, a favor da humanidade inteira. Com a vinda de Deus, encarnando no seio da Virgem Mãe, o mistério adensa-se e desvenda-se, ao mesmo tempo.

       Diz-nos o Apóstolo São Paulo: "a revelação do mistério encoberto desde os tempos eternos mas agora manifestado e dado a conhecer a todos os povos pelas escrituras dos Profetas segundo a ordem do Deus eterno, dado a conhecer a todos os gentios para que eles obedeçam à fé – a Deus, o único sábio, por Jesus Cristo".

 

       3 – Maria mostra-nos a proximidade de Deus mas também a possibilidade da nossa vida ser morada de Deus. Ela foi escolhida de antemão por Deus para ser a Mãe do Messias. Foi preservada de toda a mancha, Virgem Imaculada, salva por privilégio divino, antecipando os méritos da CRUZ redentora de Cristo Jesus. Mas n'Ela descobrimos que também poderemos ser morada de Deus, templo do Espírito Santo. Com efeito, Maria é Mãe biológica de Jesus, mas também discípula, cumpridora dos ideais do Evangelho, gerando vida em abundância pela caridade, pela intercessão, tornando-se Mãe espiritual, Mãe da Igreja.

       "Minha mãe e meus irmãos são aqueles que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática". O mistério e o milagre na vida de Nossa Senhora poderão repetir-se na nossa vida, desde e quando cumprirmos o mesmo sim a Deus, faça-se em mim segundo a Tua Palavra. Quando aceitamos os desígnios do Senhor, quando acolhemos a Sua vida na nossa vida, quando nos tornamos a Sua casa, pela verdade, pelo bem e pela partilha solidária, cumprimos a nossa vocação, como filhos amados de Deus, no caminho da santidade, tornando-nos verdadeiramente família de Jesus.


Textos para a Eucaristia (ano B): 2 Sam 7,1-5.8b-12.14a.16; Rom 16,25-27; Lc 1,26-38. 

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço

15.12.11

O Céu existe mesmo - o menino que foi ao céu e voltou!

mpgpadre

Todd Burpo e Lynn Vicent, O Céu existe mesmo, lua de papel, Alfragide 2011.

 

       O menino a chegar os 4 anos de idade e que faz um experiência conhecida como post-mortem. Operado ao apêndice, cinco dias depois de rebentar o abcesso e depois de cuidados intensivos e de novo operado, com os pais a verem sinais da morte presente no filho. O pai é pastor, protestante, e está habituado, na assistência aos moribundo, a detetar sinais de morte iminente. São os mesmos sinais que deteta no filho. Contudo a oração intensa e a não desistência realizam o milagre. Deus não os abandona.

       Mais tarde, Colton começa a relatar os momentos em que se viu a ser operado, tendo saido do seu corpo, guiado por Jesus, ascende ao Céu, onde encontra o avô do seu pai, crianças pequenas como ele, Jesus, Deus Pai, Deus Espírito Santo, Maria, João Baptista, a irmã não nascida, e de que nunca se falara em sua casa, e muitos situações conhecidas das Sagradas Escrituras mas cuja compreensão numa criança daquela idade é (quase) impossível. Fala de morte, e do céu, sem medo. A determinada altura chega mesmo a dizer que tem saudades da irmã (sem nome porque os pais não chegaram a colocar-lhe nome) e que não se importa de morrer, seria uma forma de voltar ao céu.

       Independentemente da fé de cada um, este é um testemunho impressionante. Para que tem fé, pode ser mais um sinal. Para quem não tem, pode ser um desafio a deixar-se interpelar pelo "DESCONHECIDO".

       Neste como em outros casos, com mais fé ou menos fé, leia, de espírito aberto, sem preconceitos. No final não deixará de ser uma bela história, uma leitura agradável. Se ajudar a cimentar a sua fé, melhor ainda. Em todo o caso, está de acordo com as profecias do Apocalipse e com muitos episódios da Sagrada Escritura.

       Este livro sugere-nos outras leituras como A vida para além da Vida, ou até mesmo A Cabana, (neste caso é uma história ficcionada), que retrata episódios semelhantes...

11.12.11

Vivei sempre alegres, orai sem cessar...

mpgpadre

       1 – EXULTAR. Se no domingo passado a atitude era ESPERAR, neste terceiro domingo é a ALEGRIA. Ambas as dimensões devem estar presentes na vida dos cristãos constantemente. A espera não é passiva, mas pró-activa, comprometida com o bem, a verdade, com os outros, procurando nas boas obras antecipar a chegada d'Aquele que vem. Do mesmo modo, a alegria de quem se sente confortado pela presença de Deus na Sua vida, fazendo a experiência de salvação, aguardando a plenitude do encontro com Deus.

       O Advento prepara a celebração festiva de Jesus, o Messias de Deus, o Emanuel, Deus connosco. Porém, faz-nos viver, liturgicamente, numa tensão entre o momento presente, e o futuro de Deus que vem até nós. Isto vale para o advento, mas vale para a nossa vida toda. Caminhamos até à eternidade, com o olhar fito em Deus, mas sendo "instrumentos" activos de salvação no mundo de hoje.

       Esperamos a manifestação de Deus, em definitivo, no nosso encontro com Ele na eternidade e, ao mesmo tempo, vivemos na certeza que em Jesus Cristo, a eternidade entrou na história e no tempo, pela Sua vida, morte e ressurreição Jesus Cristo salvou-nos, colocou-nos na comunhão com Deus.

       Com preparação para o Natal, a tensão é comparável à da mulher que está para ser mãe. Ainda tem um caminho a percorrer, ainda tem etapas para cumprir, experimentará ainda o incómodo, o desconforto, o sacrifício, o sofrimento, mas nada a desvia do que vai acontecer, dar à vida um filho. É uma consolação para as suas dores. Ela antecipa a criança no colo, as brincadeiras futuras, as reacções do seu bebé, o seu desenvolvimento.

       Como Jesus Cristo que em gérmen está em nós, para que o demos à luz, no nosso quotidiano, em palavras e gestos.

 

       2 – A este propósito é muito expressiva a Palavra de Deus.

       Isaías convoca todo o povo para a alegria, para a paz, para o júbilo, já está perto o reino de Deus, a chegada do Ungido do Senhor, um tempo de salvação e de graça, de esperança e consolo. Já repousa o Espírito do Senhor sobre Aquele que vai chegar. "O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os corações atribulados, a proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, a promulgar o ano da graça do Senhor".

       Os novos céus e a nova terra que se anunciam são motivo suficiente para a alegria. "Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de justiça, como noivo que cinge a fronte com o diadema e a noiva que se adorna com as suas jóias. Como a terra faz brotar os germes e o jardim germinar as sementes, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor diante de todas as nações".

       A certeza da chegada iminente de Deus envolve-nos a todos no júbilo.

       No "salmo responsorial", por sua vez, o cântico do MAGNIFICAT, de São Lucas, em que Maria, que está para ser Mãe, exulta de alegria em Deus, Seu salvador, porque olhou para Ela, serva humilde, e porque através d’Ela Deus continua a operar maravilhas no seu povo, a favor de todas as nações.

       Também o Apóstolo São Paulo é categórico na convocação à Igreja: "Vivei sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias, pois é esta a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus. Não apagueis o Espírito, não desprezeis os dons proféticos; mas avaliai tudo, conservando o que for bom. Afastai-vos de toda a espécie de mal. O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser – espírito, alma e corpo – se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. É fiel Aquele que vos chama e cumprirá as suas promessas".

 

       3 – Note-se, nos vários textos, como a alegria não significa uma satisfação momentânea e passageira, superficial e acessória. Há-de ser uma atitude permanente do crente, brota da certeza de que em Cristo fomos/somos salvos. E, importa não esquecer, a alegria vive-se e expressa-se no compromisso com a justiça, com a verdade e com o bem.

       Alegramo-nos porque Deus vem e preparamos em nós e no mundo que nos rodeia a Sua chegada, pela oração e pela caridade, ao jeito de João Baptista. Ele não é luz, mas por ele entrevemos a LUZ que está a chegar. Quando nos aproximamos da meta, somos impulsionados, movidos, adquirimos as forças que já estavam a minguar. Ao olharmos em frente, ao olharmos para Deus, experimentamos a alegria desse encontro e como que damos passadas mais firmes, assentes na certeza desse encontro.

       Escutemos as palavras do Evangelho: "Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Foi este o testemunho de João: «Eu não sou o Messias... Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías... Eu baptizo na água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias»".

       Se estamos na escuridão e vislumbramos um fiozinho de luz que seja é o suficiente para nos encaminharmos para a luz, resolutos e felizes. Na voz de João Baptista, não cessemos de procurar o Senhor, na alegria de quem já o experimenta presente, procuremo-l'O, Ele está no meio de nós.


Textos para a Eucaristia (ano B): Is 61, 1-2a.10-11; 1 Tes 5, 16-24; Jo 1, 6-8.19-28

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço.

04.12.11

Preparai no deserto o caminho do Senhor...

mpgpadre

       1 – Preparar. Esta é a palavra e a atitude fundamental neste segundo domingo de Advento. Tal como se prepara com esmero, com alegria, com generosidade a vinda de alguém que nos é próximo e/ou familiar, fazendo com que a nossa casa seja um lugar acolhedor, em que a visita se sinta em sua própria casa, assim a preparação para recebermos Jesus Cristo, para celebrarmos em festa o Seu nascimento, sinal e expressão da Encarnação de Deus, ou seja, do Amor de Deus por nós, que não apenas Se faz próximo mas entra na história e no tempo, entra na humanidade, entra na nossa vida. 

       Com efeito, são eloquentes as palavras do profeta Isaías: "Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém e dizei-lhe em alta voz que terminaram os seus trabalhos e está perdoada a sua culpa... Uma voz clama: «Preparai no deserto o caminho do Senhor, abri na estepe uma estrada para o nosso Deus. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas... «Eis o vosso Deus. O Senhor Deus vem com poder, o seu braço dominará. Com Ele vem o seu prémio, precede-O a sua recompensa. Como um pastor apascentará o seu rebanho e reunirá os animais dispersos; tomará os cordeiros em seus braços, conduzirá as ovelhas ao seu descanso»".

       O anúncio profético é de promessa, mas também de júbilo, de festa, porque o Senhor virá, virá como o pastor que guarda e protege o seu rebanho, cuidando de todos os animais, cordeiros e ovelhas, conduzindo-os em segurança ao seu descanso.

 

       2 – No Evangelho concretiza-se o anúncio de Isaías. O profeta, na verdade, anuncia o Precursor que prepara o caminho, como anuncia também a chegada do Emanuel, Deus connosco. João Baptista é a voz que antecipa a Palavra de Deus que vai encarnar, para mais à frente nos ajudar a acolher a Palavra feita homem, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

       "Apareceu João Baptista no deserto a proclamar um baptismo de penitência para remissão dos pecados..."

       O Precursor apresenta-se precisamente como Aquele que vem antes, aquele que cumpre parte da profecia de Isaías, e simultaneamente prepara o cumprimento pleno n'Aquele que está para vir. João refere-o de forma inequívoca na sua pregação: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu baptizo-vos na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo».

       Como há dois mil anos, estas palavras devem suscitar em nós a mesma atitude de conversão, de preparação para a vinda do Messias de Deus.

       É uma preparação intemporal, para todos os tempos, preparando a celebração festiva do Natal, mas igualmente preparando o nosso encontro definitivo com Deus, como nos é referido pelo Apóstolo São Pedro: "o dia do Senhor virá como um ladrão... Uma vez que todas as coisas serão assim dissolvidas, como deve ser santa a vossa vida e grande a vossa piedade, esperando e apressando a vinda do dia de Deus... Portanto, caríssimos, enquanto esperais tudo isto, empenhai-vos, sem pecado nem motivo algum de censura, para que o Senhor vos encontre na paz".

       A nossa espera não é passiva, mas (pro)activa, comprometida em transformar a nossa vida e o mundo que nos rodeia e pela qual também somos responsáveis.

 

       3 – No entanto, não estamos abandonados à nossa sorte, e sobretudo nós que vivemos no tempo dos novos céus e da nova terra que Jesus inaugurou. Ele é o Bom Pastor que veio e que desce à nossa vida, que nos guia por caminhos de encontro e de felicidade. Em Jesus cumpre-se a promessa, Deus qual pastor que nos congrega para o banquete da vida.

       O grito de Isaías é um desafio confiante, as trevas da desolação desaparecem com a chegada do Messias.

       Do mesmo modo as palavras de São Pedro, desafiam-nos e sossegam-nos: "um dia diante do Senhor é como mil anos e mil anos como um dia. O Senhor não tardará em cumprir a sua promessa, como pensam alguns. Mas usa de paciência para convosco e não quer que ninguém pereça, mas que todos possam arrepender-se". 


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 40,1-5.9-11; 2 Pedro 3,8-14; Mc 1,1-8. 

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço

08.02.11

Visita Pastoral e Crisma, em Távora

mpgpadre

       No dia de ontem, 6 de Fevereiro, Domingo, a paróquia de Távora esteve em festa, com a Visita Pastoral de D. Jacinto Botelho, que presidiu à Eucaristia que incluía a celebração do Sacramento da Confirmação (Crisma) de 10 jovens: a Carla, a Joana, o Pedro, a Ana Filipa, a Raquel Patrícia, a Vanessa, o João Carlos, o Marcelo, a Daniela, a Beatriz.

       Na passada quinta-feira, 3 de Fevereiro, o Sr. Bispo tinha estado na Escola do Primeiro Ciclo e Jardim Infância, a meio da tarde, e com os grupos paroquias (Conselho Económico, Grupo Coral, Catequistas, Acólitos, Zeladoras da Igreja e dos altares, Leitores) e com os Crismandos.

       O domingo centrou-se no essencial, a celebração da Eucaristia e da Confirmação.

       No início da Eucaristia, uma catequista deu as boas-vindas ao Sr. Bispo com as palavras que se seguem:

 

       "Excelentíssimo e reverendíssimo Sr. Bispo

       Reverendo Pároco

       Cristãos desta nossa comunidade

 

       É com muita alegria, em preito de louvor e acção de graças, que queremos receber Vossa Excelência Reverendíssima, D. Jacinto, como Sucessor dos Apóstolos, como nosso Pastor e Guia, à frente da Diocese de Lamego, à qual pertencemos.

       Há 7 anos atrás, pudemos testemunhar as Sua presença e saborear as suas sábias palavras, no encontro com os grupos paroquiais, com as crianças da escola, na visita aos doentes aquando da Visita Pastoral e posteriormente na inauguração dos trabalhos realizados na Sacristia. A finalizar a Visita Pastoral, por motivos de saúde não se pôde deslocar a Távora, sendo enviado por Vossa Excelência Reverendíssima o então Vigário-Geral, Mons. Eduardo Russo, entretanto na Casa do Pai.

       Hoje está no meio de nós para nos confirmar na Fé, para connosco partilhar o que Lhe vai na alma, para testemunhar, com as suas palavras e com a sua vida, a comunhão a Jesus Cristo – esta vida nova que todos recebemos pela água e sobretudo pelo Espírito Santo, no dia do nosso baptismo. Preside à Eucaristia, como preside a toda a Diocese, para tornar mais sólida a nossa comunhão com a Igreja, para fortalecer a nossa fé, para celebrar festivamente o mistério da Morte e Ressurreição de Jesus, para nos incentivar à caridade, a fim de vivermos como comunidade de irmãos e irmãs em Jesus Cristo.

       Cada comunidade, e a nossa também, é constituída por pessoas, com sensibilidades diferentes, com diferentes qualidades e limitações, com muitos talentos que Deus nos dá, para vivermos em povo. Por vezes, porém, afastamo-nos da fé em Jesus Cristo e cada um caminha por si mesmo, seguindo as suas ideias e preocupações. Como cristãos, devemos e pudemos viver nos mesmos sentimentos de Cristo, alimentando-nos da Sua Palavra e dos Sacramentos que nos deixou, até à vida eterna. Desta forma, não estamos sós. Ele está no meio de nós, caminha connosco, dá-nos o auxílio da Sua graça e da Sua caridade.

       Pedimos ao Espírito Santo, cujos dons recebemos na celebração da Confirmação e que hoje, 10 jovens da nossa comunidade vão receber também, nos dê a humildade para escutarmos o que Jesus Cristo nos quer dizer na pessoa de Vossa Excelência Reverendíssima, nosso Bispo e Pastor, e nos conceda a sabedoria e a audácia para seguirmos com fidelidade e alegria os desígnios de Deus para nós e para a nossa comunidade paroquial.

       São João Baptista, nosso Padroeiro, ilumine a nossa conduta, a nossa vivência cristã, na opção pela verdade e por Deus e que nada nos afaste da fidelidade à Palavra de Deus, acolhida, vivida, amadurecida e celebrada em Igreja, na comunhão com o nosso Pároco e com o nosso Bispo, para assim vivermos em comunhão com toda a Igreja.

       São João Baptista, rogai por nós!"

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