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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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13.04.19

Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito

mpgpadre

1 – A semana começa bem para Jesus. E melhor ainda para aquela multidão de discípulos que O acompanham na entrada de Jerusalém. Esta primeira multidão é constituída por pessoas da Galileia, pobres e humildes, gente devota que vem para celebrar a Páscoa e vislumbra em Jesus a resposta de Deus aos seus anseios e à sua fé.

Logo serão outros a pedir a cabeça de Jesus.

Jesus não deixa de preparar os discípulos. Na Última Ceia, durante a qual acontece a primeira Eucaristia, Jesus antecipa a morte, mas também a Sua presença para sempre, de uma maneira nova. Isto é o Meu Corpo, entregue por vós. Isto é o Meu sangue, o Sangue da Nova Aliança. Disse-vos estas coisas, para que quando acontecerem, possais levantar a cabeça e o ânimo, pois a salvação chegou a vós. Vou preparar-vos um lugar para que onde Eu estou vós estejais também. Não temais, Eu venci o mundo. Fazei isto em memória de Mim. Estarei convosco até aos fim dos tempos!

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2 – Vários os momentos e várias as lições. Nos momentos mais dramáticos da vida, a oração pode ser mais difícil. A de Jesus e a nossa oração. Pai, se é possível afasta de Mim este cálice. Mas faça-Se a Tua vontade e não a Minha. A oração faz-nos suplicar, para que o sofrimento não nos vença. A resignação é ativa, acolhendo e promovendo a vontade de Deus. A oração prepara-nos para o que está a chegar. Ainda que, em muitas situações, concluamos que afinal não estávamos tão bem preparados como julgávamos estar.

Os discípulos confrontam-se com o medo, com uma ansiedade extrema. Vacilam. Ficam bloqueados. Mas Jesus, ainda assim não deixa de os desafiar e a nós também. O caminho vai ser duro.

 

3 – Fazemos parte da Via-Sacra, estamos a caminhar com Jesus, de um a outro tribunal, assumindo uma e outra atitude: discípulos e curiosos; acusadores e juízes; mulheres e salteadores; bons e maus ladrões; Pilatos e Simão Cireneu e José de Arimateia; Judas e Pedro e discípulos amados. Maria e Verónica; fariseus e doutores da Lei; anónimos e amigos; fariseus e doutores da Lei, Anás e Herodes!

Jesus vai-nos encontrando e vai-nos atraindo para Si. Cabe-nos responder. Aprendamos com Ele. Na bonança e na adversidade, Jesus mantém-se estreitamente ligado ao Pai. Faça-Se a Tua vontade. Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito, a minha vida.

A semana Santa interliga-se com esta opção. Jesus é o bendito que vem em nome do Senhor, a quem Se entrega e confia, no Jardim das Oliveira, no alto da Cruz. O Seu alimento é concretizar a vontade do Pai, prevalecendo o amor, o perdão e o serviço.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Is 50, 4-7; Sl 21 (22); Filip 2, 6-11; Lc 22, 14 – 23, 56.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

23.03.19

E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo!

mpgpadre

1 – Prevalência da misericórdia sobre a ira, primazia da paciência sobre a precipitação, precedência do amor sobre o egoísmo. É assim que Jesus vive. É desta forma que Jesus, pelas suas palavras e pela Sua vida, nos revela a vontade de Deus. Há de ser essa a nossa opção, para chegarmos a ser verdadeiramente filhos de Deus, para nos tornarmos, efetivamente, discípulos de Jesus.

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2 – Quando olhamos para as catástrofes naturais, como o ciclone em Moçambique, pode advir a tentação de culpar alguém ou, pelo menos, de interrogar Deus.

Há fenómenos que de facto não conseguimos abarcar, explicar ou justificar, como há situações na nossa vida que escapam à nossa compreensão. Um dia chegaremos a ver Deus face a face, já não na antecipação eucarística, mas realmente como Ele nos vê e como Ele nos deixará ver-nos: o que somos! Porquanto vamo-nos apercebendo que há questões para as quais não há respostas. Cabe-nos amar, servir, gastar a vida, colocar o melhor de nós em tudo o que fazemos. É o caminho da conversão que nos leva a Jesus, que nos faz ser como Jesus, gastando-nos até ao fim, sem pausas nem reservas. Discípulos missionários até morrermos! Tudo, todos, sempre em missão.

 

3 – Contam a Jesus como Pilatos tinha mandado matar alguns galileus. Logo há alguém diretamente culpado! Mas, e os que morreram? Jesus dá uma resposta clara: não menos e não mais pecadores que os outros galileus. E acrescenta outro acontecimento: 18 homens mortos pela queda da torre de Siloé! Nem mais nem menos culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém. Resposta desafiadora de Jesus. Foram estes, poderiam ter sido outros, sem que haja uma ligação direta entre culpa e castigo. É, na verdade, uma questão difícil de dissolver, pois há pessoas justas que se sentem esmagadas e há pessoas corruptas que se sentem abençoadas.

Jesus apõe um desafio: "E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo". Pode acontecer que morramos em qualquer altura, por causas provocadas pelos outros, por situações em que tenhamos contribuído para acelerar essa hora, ou por qualquer um outro incidente, ou simplesmente pelo "desgaste" do tempo!

Mas podemos fazer com que a nossa vida prevaleça além da morte natural/biológica. Se nos arrependermos, se fizermos com que a nossa vida valha a pena para nós e para os outros - o amor faz-nos perdurar no tempo, faz com que a relações entre as pessoas se eternizem - então não morreremos de modo nenhum, pois seremos alcançados para a eternidade de Deus.

 

4 – Na parábola, ressalta a paciência para cuidar da figueira para que volte a dar fruto. Temos de fazer melhor. "Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano". É o trabalho de Jesus. Ele chama-nos e envia-nos (Igreja de Lamego, chamada e enviada em missão). Jesus não é um escudo que nos protege das garras do Pai, é o Rosto e a Presença do Amor de Deus que nos envolve e nos compromete, fazendo-nos ver que o amor e o serviço, o perdão e a ternura, a partilha e o cuidado aos outros, nos afeiçoa a Deus, tornando-nos semelhantes a Ele.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Ex 3, 1-8a. 13-15; Sl 102 (103); 1 Cor 10, 1-6. 10-12; Lc 13, 1-9.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

16.03.19

Este é o Meu Filho, o Meu Eleito: escutai-O

mpgpadre

1 – Do deserto para a montanha. Com Jesus aprendemos a responder à tentação com a Palavra de Deus, inspirando-nos, uma vez mais, no Espírito de Sabedoria, sabendo que outros momentos de hesitação, de tentação e desencontro podem acontecer, no deserto ou na cidade, quando sós ou em família, na Igreja ou no mundo.

Liturgicamente, o deserto conduz-nos à montanha. Porém, a transfiguração surge a meio da vida pública de Jesus, logo depois de anunciar aos discípulos a Sua morte e ressurreição. Mas, tal como o deserto, também a montanha nos aproxima de Deus, torna-nos (simbolicamente) mais perto do Céu. No deserto, a aridez, o inóspito; na montanha, a beleza e a pureza do ambiente que nos circunda. No deserto, tempo para falar com Deus. Na montanha, tempo para Deus nos falar, pela criação. Numa e noutra situação, somos impelidos à confiança, a colocar-nos nas mãos de Deus, a perceber a Sua presença nos momentos nublosos e nos momentos luminosos, a procurarmos nas Suas Palavras respostas para as nossas inquietações.

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2 – Quando as coisas não nos correm tão bem, em jeito de desabafo, dizemos que todos têm dias bons e dias maus, nem sempre as coisas correm como desejaríamos, dias melhores virão.

Por vezes basta um vislumbre, uma centelha de luz, um pouco de esperança, para seguirmos adiante. Com efeito, morremos não quando o coração para, mas quando deixamos de ter esperança! Uma bolacha para enganar o estômago enquanto esperamos pelo almoço…

O caminho com Jesus tem altos e baixos. Nem sempre as coisas correm como expectável, pelo menos do ponto de vista dos discípulos. A simpatia com Jesus, absorve-os também a eles. Contudo, à medida que o tempo passa, começam as armadilhas, as questões colocadas a Jesus, as insinuações por parte de fariseus, doutores da Lei e outros mais interessados em manter o estatuto social que em defender a justiça e a verdade.

O próprio Jesus não os deixa deslumbrar com os sucessos. O filho do Homem vai ser entregue às autoridades dos judeus e vai ser morto. Também não os deixa cair em desânimo. Três dias depois ressuscitará. Na transfiguração, Jesus mostra-lhes o final, ou melhor, um vislumbre da eternidade de Deus.

 

3 – O milagre (de Deus) surpreende-nos e ultrapassa a nossa compreensão humana. Insere-se e insere-nos na dimensão sobrenatural. No decorrer da oração dá-se a "transformação", a transfiguração de Jesus. O Seu rosto alterou-Se e as Suas vestes ficaram de uma brancura refulgente. É na oração que podemos acolher Deus e o Seu mistério de amor e de proximidade. A conversar com Jesus, Moisés e Elias. A humanidade do passado, e que vive em Deus, torna-se nossa família na oração.

Pedro representa-nos: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Quando estamos bem, num lugar em que nos sentimos em casa, junto de pessoas que nos querem e a quem queremos bem, não se dá conta do tempo passar. O tempo já não existe, existe o momento, a presença, a alegria, a luz, a paz. É um vislumbre da eternidade. Quereríamos que o tempo cristalizasse, tornando-se eterno. Quereríamos permanecer e que nada se alterasse. Mas ainda não é o fim, é um vislumbre. Há que colocar os pés no chão e voltar à cidade, ao convívio dos homens e das mulheres do nosso tempo. Somos peregrinos, estamos sujeitos à fragilidade e desgaste do tempo.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Gen 15, 5-12. 17-18; Sl 26 (27); Filip 3, 17 – 4, 1; Lc 9, 28b-36.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

09.03.19

Nem só de pão vive o homem...

mpgpadre

1 – "Normalmente, nas horas mais dolorosas da nossa vida, zangamo-nos com Deus, porque imaginamos que Ele está longe ou, pelo menos, é indiferente à nossa dor. É difícil crer em Deus quando se está pregado numa cruz, atormentado pela dor e a carne a desgarrar-se" (Ariel Álvarez Valdés). O teólogo argentino contextualiza-nos no momento da crucifixão, mas estas palavras podem ser ilustrativas das tentações que nos afetam e da opção fundamental de Jesus por Deus, ajudando-nos a confiar, a colocar-nos nas mãos de Deus.

Desde o início da Sua vida há um denominador comum: Jesus é conduzido pelo Espírito Santo. No Batismo, o Espírito de Deus desce sobre Ele, em forma de pomba; durante os quarenta dias que permanece no deserto, Jesus é conduzido pelo Espírito. Acima das tentações, o que sobressai é a presença do Espírito Santo que O conduz. Em todo o tempo. Também nas tentações.

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2 – No 1.º Domingo da Quaresma são-nos apresentadas as tentações de Jesus, colocadas no início da Sua vida pública. No Batismo Jesus é manifestado como o Filho Amado de Deus. Chegou a hora de passar do anonimato para a vida pública, da vida em família para uma vida exposta, anunciando a Boa Nova da salvação.

Como em outras ocasiões decisivas, Jesus faz deserto, Jesus faz quaresma, prepara-Se para a Páscoa. Esta primeira quaresma dura 40 dias. O deserto é um lugar inóspito, de dúvida e de morte, não há seguranças a que se agarrar! O deserto é também provação, avalia a nossa resiliência. Sem distrações, possibilita o encontro connosco, com os nossos medos e inseguranças. É um lugar de encontro de Deus, no mais fundo de nós. Nada nos ocupa mais, nada nos distrai, nada nos rouba tempo. Não nos falta a disponibilidade cronológica e com tanto tempo disponível haverá a oportunidade para orar, escutando Deus, para rezar, falando connosco, gritando, chorando sem ninguém para nos ouvir... ou melhor, como Jesus nos ensina, Deus Pai sempre nos escuta, também nos desertos da nossa vida.

Analogamente, poderíamos dizer que a vida toda, neste caso, de Jesus, é uma quaresma, na medida em que Se encaminha para o Pai, encaminhando-Se para a Páscoa. No deserto, carrega as baterias para os momentos adversos. Enraíza-se no Pai. É conduzido pelo Espírito Santo. Embora toda a vida possa ser oração, há momentos para "suspender" tudo para ser tudo, o tempo e a vida, o coração e os pensamentos, tudo para Deus, para que Deus seja tudo em nós.

 

3 – Não tendo comido durante esses dias, Jesus sentiu fome e surgiu a tentação: «Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão...  Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos, porque me foram confiados e os dou a quem eu quiser. Se Te prostrares diante de mim, tudo será teu... Se és Filho de Deus, atira-Te daqui abaixo, porque está escrito: ‘Ele dará ordens aos seus Anjos a teu respeito, para que Te guardem’; e ainda: ‘Na palma das mãos te levarão, para que não tropeces em alguma pedra’».

Perante as dificuldades e contratempos? Baixar os braços, desistir, ou usar todos os meios, mesmo que imorais e injustos, para reverter as situações em benefício próprio? Impor-se pela corrupção, pela violência, pela chantagem, pelo engodo? Ou resistir, insistir, lutar, procurar meios e formas justas e honestas de responder às adversidades? Passar por cima dos outros ou procurar respostas e soluções em conjunto? Criar ilusões ou enfrentar a realidade?

As respostas de Jesus são elucidativas: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem’... ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’... Não tentarás o Senhor teu Deus’».

Jesus recusa instrumentalizar Deus, usando o poder em benefício próprio. Recusa a espetacularidade e os caminhos fáceis, a imposição pelo milagre ou submeter-Se a poderes obscuros. Um dia far-Se-á Pão para todos! Gastará a Sua vida a nosso favor, respeitando a nossa liberdade e as nossas escolhas. Mostra-nos o caminho.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Deut 26, 4-10; Sl 90 (91); Rom 10, 8-13; Lc 4, 1-13

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

24.03.18

Contudo, não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres.

mpgpadre

1 – A Semana Santa faz-nos reviver especialmente as últimas horas da vida de Jesus. A Sua vida inteira está contida na celebração dos Sacramentos, especialmente na Eucaristia, que torna atual a Sua presença no meio de nós, fazendo-nos participar da Sua vida divina.

Há uma multidão que aclama Jesus: Hossana, Hossana, Filho de David! Bendito o que vem em nome do Senhor! O Rei vem num jumentinho! É um Rei sem poder, sem cavalos e sem exército! Um bando de maltrapilhos! São os amigos de Jesus. Entre eles, estamos nós! Uns mais pobres, outros mais desafogados, todos entusiasmados com os cânticos e com a manifestação de júbilo. Por vezes perdemo-nos na multidão, para o bem e para o mal! Deixamo-nos entusiasmar!

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2 – Na ceia pascal, o ambiente torna-se mais denso! Sentemo-nos ao redor de Jesus! Também somos Seus convidados.

Em Betânia, em casa de Simão o leproso, uma mulher derrama um vaso de alabastro, perfume de alto preço, sobre a cabeça de Jesus. Diante de alguma contestação Jesus declara: «Ela fez o que estava ao seu alcance: ungiu de antemão o meu corpo para a sepultura».

Logo depois, a Ceia Pascal. Um memorial que nos remete para a Eucaristia, instituída na Última Ceia. Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco! Estamos também lá! Somos João, Pedro e Judas, somos Tomé e Filipe, Tiago e André. Porque é que o Mestre está tão concentrado, o que é que Lhe vai na cabeça?

«Tomai: isto é o meu Corpo... Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança derramado pela multidão dos homens». Jesus não nos deixará sós! Ainda não foi morto, mas já abre uma janela, uma possibilidade, Ele ficará presente!

 

3 – Cantaram os salmos e saíram para o Jardim das Oliveiras. Jesus previne. «Ficai aqui e vigiai». Todos garantem que não O abandonarão… Jesus reza, suplica, volta-Se totalmente para o Pai: se é possível, afasta de Mim este cálice, «Contudo, não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres». A oração gera intimidade com Deus.

Judas, um dos amigos mais chegados, trai-O com um beijo. Jesus é levado às autoridades dos judeus e logo de seguida ao poder romano, pois só este pode decretar a morte de alguém. Novamente a multidão se junta. «Crucifica-O». Um multidão em polvorosa. A humanidade tem do melhor e do pior. Cada um de nós!

 

5 – A morte está logo ali! Porém, Jesus não Se deixa destruir. Podem matá-l'O (fisicamente), mas não O destroem. Ele entrega a Sua vida ao Pai. Ele entrega a Sua vida para nos salvar. A Sua Cruz é por nós, para nossa salvação. Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á e quem perder (gastar) a sua vida ganhá-la-á para a vida eterna. É o que Ele faz, dá-Se até ao último fôlego, até à última gota de sangue.

A oração de Jesus na Cruz envolve o nosso próprio sofrimento, a nossa confiança em Deus e o nosso clamor: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?».

Soltando um forte grito expirou. Fica o testemunho: «Na verdade, este homem era Filho de Deus». Fica o silêncio e a presença de algumas mulheres. Fica a delicadeza da sepultura: José de Arimateia, ilustre membro do Sinédrio, pediu o corpo de Jesus e deu-Lhe sepultura num sepulcro novo cravado na rocha.


Textos para a Eucaristia (B): Is 50, 4-7; Sl 21 (22); Filip 2, 6-11; Mc 14, 1 – 15, 47.

17.03.18

Se o grão de trigo não morrer, fica só...

mpgpadre

1 – «Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna».

Jesus faz-nos perceber o mistério do Seu amor por nós, desafiando-nos a fazer o mesmo: gastar a vida; morrer para o egoísmo e para a inveja, produzindo frutos de misericórdia e de compaixão; morrer para a idolatria, ressuscitando na alegria e na esperança; morrer para a violência e para a indiferença, crescendo em bondade e ternura; morrer para as aparências e prepotência, rejuvenescendo na humildade e no perdão; morrer para a ganância desmedida e para a corrupção, desenvolvendo gestos de carinho e cuidado.

«Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo». É o caminho de cada cristão: seguir Jesus, amar Jesus, viver Jesus, servir Jesus. Onde Ele estiver, ali estarei, ali estarás, ali estaremos para O vermos e O imitarmos.

«Queremos ver Jesus». Pedido de alguns gregos (judeus emigrantes) que vieram a Jerusalém pela Páscoa. Há de ser este o nosso desejo e o nosso pedido constante. Querer ver Jesus, para O seguirmos, para estarmos onde Ele está. Mas como Filipe e como André também temos a "obrigação" de conduzir os outros a Jesus.

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2 – «Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto».

Avizinha-se uma hora sombria, dolorosa, fatídica! «Agora a minha alma está perturbada. E que hei-de dizer? Pai, salva-Me desta hora?». Desde a primeira hora que Jesus se encaminha para a HORA certa, hora de glorificação que é coincidente com a MORTE. Vamos por partes. Não morrendo o grão de trigo fica só, não produzirá fruto, mas se morrer dará fruto em abundância. Assim o Filho do Homem morrendo dará muito fruto, muita vida, vida nova, abençoada, definitiva. A morte não é o fim. O fim é a vida, a entrega, o dar-Se por inteiro. Uma casa não habitada degrada-se tão ou mais rapidamente que uma casa em uso, assim um carro, assim a nossa vida.

Deus faz-Se ouvir: «Já O glorifiquei e tornarei a glorificá-l’O». Na comunicação o que se diz não é, quase nunca, igual ao que se ouve. Daí que duas pessoas tendo ouvido o mesmo discurso o traduzam por acentuações diferentes e, por vezes, diametralmente opostas.

A multidão que está perto de Jesus não é concorde: um Anjo que Lhe falou? Um trovão? Jesus clarifica a VOZ que vem do Céu e o conteúdo da mensagem: «Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir; foi por vossa causa».

3 – O trigo que é lançado à terra, morrendo, dará muito fruto. «Chegou a hora em que este mundo vai ser julgado. Chegou a hora em que vai ser expulso o príncipe deste mundo. E quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim».

A HORA de Jesus está aí. Vai ser entregue às autoridades, vai ser julgado e vai ser morto. O Filho do Homem será elevado da terra para salvar, dando pleno cumprimento à vontade do Pai. Cumpre em perfeição a humanidade e introduz-nos em definitivo na vida divina. Vem viver connosco para nos permitir viver com Ele. Por conseguinte, a Sua morte não nos fará chegar a um abismo, ao vazio, mas far-nos-á encontrar com Deus: Pai nas Tuas mãos entrego a minha vida! É para lá que Ele nos conduz, é de junto do Pai que Ele nos atrai, nos protege e nos abençoa, nos ilumina e nos desafia a gastarmos a nossa vida, para que onde Ele estiver estejamos nós também.

A vida é assim, quanto mais se gasta, mais se ganha em sentido e em qualidade, mais se enriquece de alegria e de felicidade!


Textos para a Eucaristia (ano B): 2 Cr 36, 14-16. 19-23; Sl 136 (137); Ef 2, 4-10; Jo 3, 14-21.

10.03.18

Todo aquele que acredita terá n’Ele a vida eterna

mpgpadre

1 – «Alegra-te, Jerusalém; rejubilai, todos os seus amigos. Exultai de alegria, todos vós que participastes no seu luto e podereis beber e saciar-vos na abundância das suas consolações».

O 4.º Domingo da Quaresma sublinha a alegria, o júbilo pelo caminho percorrido, pela proximidade à meta: a celebração festiva da Páscoa de Jesus! É o Domingo Laetare! A Igreja rejubila com os seus fiéis pela entrega confiante que Jesus faz da humanidade ao Pai.

A Quaresma põe-nos a caminhar. É um caminho que parte da Páscoa "terrena" de Jesus. Existimos como comunidade porque Ele ressuscitou e está vivo no meio de nós. Ele precede-nos na morte e procede-nos na ressurreição! O caminho, por mais árduo que seja, está iluminado por Jesus, pela vida nova da Sua ressurreição.

Porquanto caminhamos sob as coordenadas do tempo e do espaço, sujeitos às limitações e fragilidades humanas, cientes dos nossos pecados, mas certos da misericórdia infinita de Deus, que nos impele a prosseguir ao jeito de Jesus, o Bom Samaritano: aproximando-nos dos mais frágeis, ajudando-os, cuidando das suas feridas, levantando-os e conduzindo-os à estalagem, para que sintam o conforto da presença familiar de Cristo e da Igreja, possam restabelecer forças e prosseguir caminho!

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2 – A nossa alegria radica na Cruz de Jesus Cristo, nossa Páscoa! A Cruz não nos desafia ao sofrimento, não nos conforma com o mal, não nos resigna com as injustiças. A Cruz é instrumento de redenção, sacramento do Amor, proposta de vida nova.

No diálogo com Nicodemos, Jesus compara a Sua missão à da serpente elevada por Moisés no deserto. Quantos fossem mordidos por serpentes, olhando para a serpente de bronze viveriam! O Filho do Homem também será elevado da terra e todos os que acreditarem terão n'Ele a vida eterna!

Tu e eu talvez tenhamos sido mordidos por serpentes! Imersos na morte e ressurreição de Jesus, pelo Batismo, tornámo-nos novas criaturas. Mas, como nos lembra São Paulo, por vezes ainda no deixamos seduzir pelo nosso egoísmo!

«Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito… Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele». Jesus explica a Nicodemos o que quem não nascer da água e do Espírito não entrará no Reino de Deus. Só pode falar verdadeiramente das coisas do Alto quem vem do alto, o Filho do Homem. É o mistério da Encarnação que terá o seu desenlace no mistério pascal. A morte de Jesus será expiadora, redentora, será a exaltação da entrega.

 

3 – Há um feixe de luz que vem da eternidade e que desbrava o caminho. A bola está do nosso lado. Basta olhar para o Filho do Homem, basta acreditar no nome do Filho Unigénito de Deus. É a nossa oportunidade, a nossa salvação. A condenação é não acreditar, é amar mais as trevas que a luz!

Jesus salva-nos pela Sua entrega, abre-nos as portas da eternidade, indica-nos o caminho a seguir, faz-Se Ele mesmo o nosso Caminho! Sabemos o caminho, mas ninguém nos obriga a segui-lo.

Quando olhamos alguém olhos nos olhos e deixamos que o seu olhar nos exponha é porque confiamos e estamos prontos para lhe responder ou para o escutar. Quando desviamos o olhar é porque não queremos que nos veja a alma, temos medo ou desconfiamos da pessoa que está à nossa frente. Não queremos dar-lhe uma resposta. Não queremos ouvir o que tem para nos dizer. Se as nossas obras são boas, feitas em Deus, então a luz é nossa amiga e companheira. Se as nossas obras são más, feitas às escondidas de Deus, então a luz torna-se incómoda e preferimos as trevas. A fé em Jesus Cristo é luz que nos encaminha para o bem e agiliza a prática das boas obras.


Textos para a Eucaristia (ano B): 2 Cr 36, 14-16. 19-23; Sl 136 (137); Ef 2, 4-10; Jo 3, 14-21.

03.03.18

Não façais da casa de meu Pai casa de comércio!

mpgpadre

1 – Existe a sensação que nada é sagrado, nem a própria vida!

O Templo deveria ser lugar de encontro, de fé e de festa, espaço sagrado de encontro do homem com Deus, mas tornou-se oportunidade de negócio, sobretudo por ocasião das festas, com inflação dos preços dos animais para os sacrifícios, mas também a usura no câmbio das moedas para o pagamento do imposto anual ao Templo.

O comércio floresce à volta dos grandes centros religiosos.  Para acolher os peregrinos são necessárias estruturas, espaços para pernoitar, para comer, lojas de recordações. Isso beneficia a economia, gera empregos, envolve pessoas e famílias. Em épocas altas, porém, os preços aumentam considerável e até abusivamente. Assim terá sido em Fátima por ocasião da Visita do Papa Francisco.

É muito difícil colocar limites “arquitetónicos”. Alguns comerciantes eram bem capazes de retirar o altar e colocar lá a banca. Felizmente que a criação de regras permite uma relação mais saudável entre os lugares sagrados e os espaços comerciais.

Por outro lado, antigamente as igrejas funcionavam como asilo para os fugitivos e como albergue para os mendigos. Hoje são assaltadas, vandalizadas e usadas para protestos, para difundir ideologias ou princípios contrários à Igreja e ao cristianismo.

EXPULSIÓN VENDEDORES DEL TEMPLO.-FRANCESCO BASSAN

2 – Jesus vai ao Templo de Jerusalém. Havia, com efeito, um lugar reservado aos cambistas e aos vendedores de ovelhas e de pombas. Jesus sabia disso. Então porquê esta reação? A exploração dos peregrinos por parte dos comerciantes. Os mais indefesos são os mais pobres, simples e sem estudos, mas com grande devoção e piedade, cumprindo generosamente nas ofertas para o Templo.

«Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio». Já várias vezes Jesus tinha mostrado a Sua estranheza em relação à postura das autoridades religiosas e políticas, aos abusos de poder, ao autoritarismo, à corrupção, à inversão do que deveria ser um dirigente. Sobreavisa os Seus discípulos para a tentação do poder sobre os demais. O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida por todos. Como Eu fiz, fazei-o vós uns aos outros. Quem quiser ser o primeiro seja o último, o servo de todos. É esta a lógica de Jesus. O serviço e o amor como único poder para quem quiser ser Seu discípulo.

 

3 – Este episódio é conhecido como expulsão dos vendilhões do Templo, mas também como Purificação do Templo, indiciando o início de um novo culto. Este far-se-á em espírito e verdade. Jesus será o novo Templo e n’Ele o culto novo.

Nos evangelhos sinóticos, Marcos, Mateus e Lucas, o episódio situa-se depois da entrada triunfal em Jerusalém e parece ser a gota de água que faltava para decisão final: Jesus tem que ser eliminado!

No evangelho joanino, o episódio aparece no início da vida pública, dando a entender a consciência de Jesus, desde a primeira hora, do que está para acontecer: «Destruí este templo e em três dias o levantarei». Intuindo a própria morte, Jesus anuncia já a ressurreição.

Perplexidade: o Templo demorou 46 anos a construir, como é que Alguém poderá reconstruí-lo em três dias?! Seria uma loucura. Depois da ressurreição, os discípulos vão compreender que Ele falava do Seu corpo! O Templo é Jesus, lugar para o verdadeiro e definitivo culto, lugar privilegiado para o encontro com Deus. Pela história, o culto celebrar-se-á no Seu Corpo Místico, a Igreja.

Deus está em toda a parte e não pode ser encerrado dentro de um edifício ou de um santuário, mas sem o sagrado também não há presença, não há sacramento. É como o amor! Ama-se no concreto, pessoas concretas. Amar toda a gente é filosofia barata, é amar ninguém. Por outro lado, o amor não se vê, mas expressa-se em gestos, em palavras, em atitudes. Assim também o nosso encontro com Deus. Quando nada é sagrado, também deixa de haver lugar para Deus. Agora nem na manjedoura!


Textos para a Eucaristia (ano B): Ex 20, 1-17; Sl 18 (19); 1 Cor 1, 22-25; Jo 2, 13-25.

25.02.18

Este é o meu Filho muito amado: escutai-O

mpgpadre

1 – Quem não gostaria de ter um vislumbre do futuro, a ponta do véu levantada em relação a um acontecimento, uma pessoa, um novo projeto. Uma dica que facilitasse a confiança no que se está a fazer, a garantia que tudo vai correr bem ou que pelo menos nas agruras não estaremos sós, porque alguém vai apoiar-nos, não nos vai deixar cair no abismo! Quando as coisas correm mal, uma insinuação de bem, de alteração da situação poderá provocar novo ânimo e levar-nos a novas insistências. Mas também quando as coisas correm bem, como gostaríamos de saber que assim vão continuar!

Estamos na Quaresma! No primeiro domingo, as tentações, superáveis com a ajuda de Deus, sob o impulso do Espírito Santo. O caminho faz-se caminhando e ao longo do caminho as dificuldades, as tentações, as contrariedades, provocadas pelos outros, pelas circunstâncias da vida, ou pelas nossas escolhas atuais ou passadas. Jesus não é um milagreiro, um fazedor de milagres tais quê poderíamos cruzar os braços e deixar que o Céu resolvesse a nossa vida. Afinal, Jesus calçou-se de humanidade e fez-Se caminho para nós.

Jesus não esconde as dificuldades que advirão. Aliás, no meio da refrega, convida-nos para n'Ele descansarmos: vinde a Mim todos vós que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei!

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2 – No alto da Montanha, Jesus desvenda um pouco do Céu!

Jesus revelara aos discípulos que iria ser julgado, condenado e morto e três dias depois ressuscitaria! Mas como acontece connosco, também os discípulos só ouvem o anúncio da morte.

Não temais! Eu estarei convosco até ao fim dos tempos.

Num caminho de altos e baixos, Jesus retira-Se para a montanha e leva conSigo Pedro, Tiago e João (e por certo Judas!), ainda não refeitos daquele "murro no estômago", e transfigura-Se diante deles. «As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear».

Junto de Jesus e a conversar com Ele toda a história da salvação representada por Moisés e por Elias. É um lampejo da eternidade. Deus é um Deus de vivos, não de mortos, é o Deus de Abraão,  Isaac e Jacob, Moisés e David, Elias e Ester, Ana, Isaías, eu e tu!

Inebriado pela situação, Pedro diz a Jesus para permanecerem ali, basta preparar três tendas, uma para Jesus, outra para Moisés e outra para Elias. Então de entre as nuvens faz-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O». É uma informação que nos compromete. Deus revela-nos que Jesus é Seu amado filho, mas logo nos interpela: escutai-O! Prestai atenção! Vede até onde Ele vos pode levar! Não vos deixeis subjugar pelas tempestades!

 

3 – Deus não mora à superfície (Tomáš Halík). Não é um mágico que nos iluda. Ele leva-nos a sério, também/sobretudo nos momentos de sofrimento, de dúvida, de hesitação. Jesus não garante uma vida sossegada, garante-nos, isso sim, que não há nada que nos afaste d'Ele e do Seu amor por nós.

É a convicção de São Paulo: «Se Deus está por nós, quem estará contra nós? Deus, que não poupou o seu próprio Filho?»

A Transfiguração é um lampejo de luz que nos garante que as trevas não levarão a melhor. Um fósforo aceso, uma vela que arde, a lanterna de um telemóvel, a chama de um isqueiro, abrem uma clareira na escuridão, por mais densa que seja. A Transfiguração é esta clareira de luz, que nos vem de Deus e nos traz Jesus, e nos dá ânimo para prosseguirmos em Quaresma pois o que lá vem supera todo o desgaste. É como a mulher que está para ser Mãe, não caminha para a dor, caminha para a vida, para o parto, para dar um filho ao mundo!

Os discípulos descem do monte! É hora de voltar à cidade dos homens e das mulheres! Tudo o que nos aproxima de Deus nos aproxima simultaneamente dos outros! Não há Céu sem cidade e é na cidade, no mundo, que acolhemos a Palavra de Deus, que acolhemos Deus feito Homem, em Jesus.


Textos para a Eucaristia (ano B): Gen 22, 1-2. 9a. 10-13. 15-18; Sl 115; Rom 8, 31b-34; Mc 9, 2-10.

26.11.17

Leituras: RANIERO CANTALAMESSA - PARA QUE NADA SE PERCA

mpgpadre

RANIERO CANTALAMESSA (2017). Para que nada se perca. Novos pensamentos sobre o Concílio Vaticano II. Lisboa: Paulus Editora. 128 páginas.

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Raniero Cantalamessa é o Pregador oficial da Casa Pontifícia, há mais de 30 anos, desde 1980. Nos tempos fortes do Advento e da Quaresma, é ele quem, habitualmente, orienta os retiros do Papa, dos Cardeais e de outros signatários da Cúria vaticana. Cantalamessa, italiano, nascido a 22 de julho de 1934, é frade franciscano capuchinho.

No 50.º aniversário do Encerramento do Concílio Ecuménico Vaticano II, o autor teve a ideia de refletir sobre o mesmo nos retiros seguintes a realizar na Casa Pontifícia, Advento (2015) e Quaresma (2016). Muito já se refletiu sobre o Vaticano, Cantalamessa procurou abordar os principais documentos, as quatro Constituições: Lumen Gentium, sobre a Igreja; Sacrosanctum Concilium, sobre a Liturgia; Dei Verbum, sobre a Palavra de Deus, e Gaudium et Spes, sobre a Igreja no mundo, refletindo também sobre o Decreto sobre o Ecumenismo, Unitatis redintegratio.

A reflexão proposta visa uma dinâmica sobretudo espiritual dos documentos, acentuando os compromissos dos cristãos e da Igreja já em andamento ou ainda a cumprir, desafiando-nos de novo a debruçar-nos sobre a riqueza do Concílio e dos documentos gerados para bem da Igreja e do compromisso dos cristãos para este tempo da história, deixando que o Espírito Santo continue a a inspirar-nos para acolhermos e transparecermos Jesus Cristo e assim nos assumirmos, em definitivo, filhos do mesmo Pai.

É um saboroso contributo para viver a fé na e com a Igreja, Corpo de Cristo, do qual somos membros, povo de Deus convocado pela palavra e pela caridade. Fica mais perto de nós o sopro do Espírito Santo que inspirou os Padres conciliares do Vaticano II.

 

Algumas frases sugestivas proferidas pelo autor e agora passadas a livro:

Mérito do então Cardeal Ratzinger ao ter realçado a relação intrínseca entre as duas imagens: «A Igreja é Corpo de Cristo porque é Esposa de Cristo... Corpo de Cristo que é Igreja com o Corpo de Cristo que é a Eucaristia... Sem a Igreja e sem a Eucaristia, Cristo não teria "corpo" no mundo».

«O que conta não é o lugar que ocupo na Igreja, mas o lugar que Cristo ocupa no meu coração!».

«Se a Igreja é o corpo de Cristo, a adesão pessoal a Ele é o único modo de começar, existencialmente, a fazer parte dela».

«Jesus já não é uma personagem, mas uma pessoa; já não é alguém de quem se fala, mas alguém a quem e com quem se pode falar, porque ressuscitado e vivo; já não é apenas uma memória, por mais liturgicamente viva e operante, mas uma presença... A fecundidade da Igreja depende do seu amor a Cristo».

 

«Não nos salvamos pelas boas obras, mas não nos salvamos sem  as boas obras... A criança não pode fazer absolutamente nada para ser concebida no ventre da mãe, precisa do amor de dois progenitores... no entanto, depois de ter nascido, tem de acionar os seus pulmões para respeirar e mamar; em suma tem de fazer alguma coisa, senão a vida que recebeu acabará... a fé sem as obras morre».

«O contrário de santo não é pecador, mas fracassado».

Madre Teresa de Calcutá: «A santidade não é um luxo, é uma necessidade».

 

«É sobretudo quando a oração se torna cansaço e luta que se descobre toda a importância do Espírito Santo para a nossa vida de oração. Então o Espírito Santo torna-se a força da nossa oração 'débil', a luz da nossa oração extinta; numa palavra, a alma da nossa oração. Na verdade, Ele 'irriga o que é árido'... O fosso que existe entre nós e o Jesus da história é preenchido pelo Espírito Santo. Sem Ele, na liturgia tudo é apenas memória; com Ele, tudo também é presença».

 

Santo Inácio de Antioquia: «Que nada se faça sem o teu consentimento; mas tu não faças naa se o consentimento de Deus».

 

«Não há missão, nem envio, sem uma prévia saída. Falamos frequentemente de uma Igreja 'em saída'. Mas devemos dar-nos conta  de que a primeira porta que temos de sair não é da Igreja,da comunidade, das instituições ou das sacristias; é a do nosso 'eu'. O Papa Francisco explicou-o muito bem em determinada ocasião: 'Estar em saída - dizia - significa antes de tudo sair do centro para deixar no centro o lugar a Deus'».

«Antes de ferir os ouvintes, a palavra deve ferir o anunciador, mostrar-lhe o seu pecado e impeli-lo à conversão».

«Quanto mais aumenta o volume da atividade, tanto mais deve aumentar  o volume da oração».

«A palavra não faltará, certamente, porque, ao contrário, quanto menos se ora, mais se fala, mas são palavras ocas, que não chegam a ninguém».

«O Evangelho do amor só se pode anunciar por amor. Se não nos esforçarmos por amar as pessoas que temos diante de nós, as palavras transformam-se-nos facilmente nas mãos em pedras que ferem e das quais nos protegemos como nos protegemos de uma saraivada».

«É preciso amar Jesus, porque só quem está apaixonado por Jesus pode proclamá-l'O ao mundo com íntima convicção. Só se fala com entusiasmo daquilo por que se está apaixonado. Quando, no anunciador, existe o amor também existe a alegria, o que é o fator determinante para o sucesso do anúncio».

 

«Abrir-se ao outro sexo é o primeiro passo para se abrir ao outro que é o próximo, até ao Outro com maiúscula que é Deus. O matrimónio nasce no sinal da humildade; é o reconhecimento de dependência e, portanto, da própria condição de criatura. Apaixonar-se por uma mulher ou por um homem é fazer o ato mais radical de humildade. É fazer-se mendigo e dizer ao outro: 'Não e basto a mim mesmo, preciso do teu ser'... Diante de Deus, podemos dizer que a sexualidade humana é a primeira escola de religião».

«O predomínio do homem sobre a mulher faz parte do pecado do homem, não do projeto de Deus».

«Deus é amor e o amor exige comunhão, permuta interpessoal; requer que haja um 'eu' e um 'tu'. Não há amor que não seja amor por alguém; onde só há um sujeito não pode haver amor, mas apenas egoísmo ou narcisismo. Onde Deus é concebido como Lei ou como Poder absoluto não há necessidade de uma pluralidade de pessoas... O Deus revelado por Jesus Cristo é amor, é único e só, mas não é solitário; é uno e trino...».

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