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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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03.09.13

Papa João XXIII - Hoje, somente hoje...

mpgpadre

       Belíssima reflexão do bom Papa João XXIII, o Papa que convocou o Concílio Vaticano II. Vale a pena soltal a estas palavras. É no HOJE de Jesus que havemos de sintonizar a nossa vida. É HOJE que somos cristãos.

1. Somente hoje, procurarei viver o presente (em sentido positivo), sem querer resolver o problema da minha vida inteiramente de uma só vez.

2. Somente hoje, terei o máximo cuidado pelo meu aspecto: vestirei com sobriedade; não levantarei a voz; serei gentil nos modos; ninguém criticarei; não pretenderei melhorar ou disciplinar alguém, a não ser eu mesmo.

3. Somente hoje, serei feliz na certeza de que fui criado para ser feliz não só no outro mundo, mas também neste.

4. Somente hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que as circunstâncias se adaptem aos meus desejos.

5. Somente hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, lembrando que como o alimento é necessário para a vida do corpo, do mesmo modo a boa leitura é necessária para a vida da alma.

6. Somente hoje, realizarei uma boa acção e não o direi a ninguém.

7. Somente hoje, farei algo que não gosto de fazer, e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, farei de modo que ninguém perceba.

8. Somente hoje, organizarei um programa: talvez não o siga exactamente, mas o organizarei. E tomarei cuidado com dois defeitos: a pressa e a indecisão.

9. Somente hoje, acreditarei firmemente, não obstante as aparências, que a boa providência de Deus se ocupa de mim como de ninguém no mundo.

10. Somente hoje, não temerei. De modo particular, não terei medo de desfrutar do que é bonito e de acreditar na bondade. Posso fazer, por doze horas, o que me espantaria se pensasse em ter que o fazer por toda a vida.

 

Conclusão: um propósito totalitário: "Quero ser bom, hoje, sempre, com todos".

24.02.12

55. Carpe Diem. Vive o presente

mpgpadre

Carpe Diem. Vive o presente.
Cada dia tem as suas próprias preocupações.
O tempo não volta, gastemo-lo bem. Foi-nos dado gratuitamente.

Vive hoje, sem a ansiedade e o medo paralisante do futuro.
O futuro só a Deus pertence. Deus providenciará.
Façamos a nossa parte, o que está ao nosso alcance.
Não esperemos pelo amanhã para viver, para nos comprometermos, para modificarmos na nossa vida o que sabemos nos levará a bom termo. Nem esperemos pelo ontem que já foi.

CARPE DIEM:
A expressão popularizada é da autoria de Horácio, poeta romano (65-8 a.C.). Segundo a Wikipédia, quer dizer: "Colhe o dia presente e sê o menos confiante possível no futuro".
A expressão no contexto: "Enquanto estamos falando, terá fugido o tempo invejoso; colhe o dia, quanto menos confiada no de amanhã".

Jesus, no Evangelho, desafia os seus discípulos a viver no tempo atual, presente, sem medo do amanhã, confiando em Deus, mas não deixando a vida ao acaso, empenhando-se na edificação do Reino de Deus e da Sua justiça. O mais providenciará Deus.
"O vosso Pai celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isso. Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo. Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia o seu problema" (Mt 6, 33-34).
Depois de ensinar a oração do Pai-nosso, referindo que não é o número das palavras que conta, mas a disponibilidade para acolher o Deus que vem e de realizar na sua vida quotidiana a vontade de Deus, Jesus insiste para que os seus seguidores, embora de olhar fito nas alturas, estejam comprometidos com os irmãos no tempo que passa.

A expressão anterior - carpe diem - é utilizada em vários sentidos: "gasta a vida enquanto podes", "aproveita enquanto és novo", "goza agora que não sabes o dia de amanhã". Neste sentido pode ser mesmo um convite a desperdiçar o tempo presente, como se o de amanhã nos fosse roubado. É uma expressão para justificar também os excessos...
Mas é o mesmo Deus que nos garante o dia de hoje e o dia de amanhã.
Num sentido cristão, este é um convite a "desfrutar" com alegria o dia de hoje, a potenciar a nossa vida, a comprometer-nos agora, a dar-nos aos irmãos, a realizarmos o que está ao nosso alcance sem esperarmos que outros o realizem, ou que com o tempo alguém se lembre de fazer ou de resolver.

O tempo que não volta...
Ainda que haja situações idênticas, o tempo e a história não e repetem. Por mais que quiséssemos e por mais esforços que façamos o passado não volta. Não nos pertence.
Somos e (re)conhecemo-nos pelas referências aos tempos idos. Somos pessoas, com memória, com raízes, como já vimos por aqui... Não é possível a pessoa de hoje, sem a de ontem, e até mesmo sem se projetar no amanhã. Aliás, se menosprezássemos o passado, a história, seria uma enorme ingratidão para com as pessoas que nos precederam. A história não se compadece com os ingratos, a anulação da memória destrói a vida da pessoa, da família e da comunidade.

A melhor gratidão que prestamos à história e aos nossos antepassados, é a abertura ao futuro, à novidade. Eles rasgaram horizontes que nos permitem viver com muita comodidade, uns mais que outros. Puseram os seus talentos a render. Preparam o futuro (que é o nosso presente) com o seu engenho e esforço. Hoje cabe-nos a nós.
Não sejamos reféns do passado, parasitas do tempo. O tempo não pára. Não volta. O tempo atual é nossa, é graça de Deus. Não esqueçamos os que vieram antes e o que nos legaram. Agora é a nossa vez de construir e preparar o nosso futuro e o futuro dos vindouros.

Vivamos o hoje com alegria e confiança. Aguardemos que o amanhã nos dê a oportunidade de cimentarmos o que hoje semeamos.
Obviamente que a esperança no amanhã, e o compromisso com o hoje, não esconde a dificuldade que muitos têm de enfrentar. Pessoas com situações pessoais, familiares, profissionais preocupantes, sem horizonte, sem um vislumbre de segurança.
Porém, há situações que uma atitude de desânimo não ajuda, pelo contrário só complica o que já de si é complexo e delicado.

NB - Vive hoje com intensidade, sendo generoso consigo e com as pessoas que lhe estão mais próximas. A página que não preencher hoje, não a terá amanhã. Amanhã terá uma página inteirinha para escrever.

05.01.12

5. CONFIANÇA.

mpgpadre

CONFIANÇA.
Por mais voltas que se deem, a confiança é essencial para a sobrevivência da humanidade, para a harmonia dos povos, para o entendimento das famílias, para o equilíbrio afectivo/emocional, é fundamental para a amizade, para o amor, para um lazer saudável e para o trabalho/profissão compensador.
Sem confiança, quase nos atreveríamos a dizer, que não há vida. Se há, não há qualidade de vida, pois o mundo dos afectos, das relações humanas, familiares, sociais, profissionais, precisam da confiança como o caminhante do deserto precisa da água para sobreviver...
PASSADO | PRESENTE | FUTURO.
Por mais voltas que possamos dar ao texto, para que a evolução cronológica existam e se interliguem precisamos de assentar e partir da confiança, nas pessoas e nas instituições. Quando se mina a confiança, destrói-se a rede que nos liga ao passado, ao presente e ao futuro.
Em relação ao PASSADO, por mais que este possa ser doloroso, é inevitável, pessoal e socialmente, que nos guiemos pela confiança. Confiamos nos nossos pais. De contrário teríamos que fazer (ainda agora) testes de paternidade/maternidade. Confiança no que nos dizem e na forma como nos protegem. Se não confiássemos (em geral) no que os nossos pais, e outras pessoas próximas, nos comunicaram e no que fizeram por nós, teríamos que recomeçar a vida desde (pelo menos) o dia que nascemos. Também assim socialmente. Há progresso, porque os que vêm depois confiam nos que vieram antes e nas descobertas que fizeram. A história (é sempre interpretação daqueles que a escrevem) exige um acto de confiança. de contrário não teríamos forma de estruturar a história do nosso país, da europa ou do mundo. Teríamos que refazer tudo o que estivesse para trás. A pessoa tem e precisa de memória. Esta dá-nos as ferramentas para vivermos hoje, conhecimentos, bens materiais e culturais, estruturas, instituições, habitação, alimento, deslocação. Tem a ver também com a interdependência que nos liga à vida. Quando acordamos, quantas pessoas trabalharam para nós?
Em relação ao PRESENTE, o único tempo que nos pertence verdadeiramente, e que podemos influenciar com as nossas palavras e com o nosso compromisso, só confiando, também aqui, em pessoas e em instituições, é possível viver.
No mundo dos afectos, pessoais e familiares, ou partimos da confiança, ou apostamos na confiança, ou viveremos em constante sobressalto, em conflito, em choque. Se desconfiamos permanentemente, a ansiedade e a angústia, a dúvida e o medo, tomarão conta de nós. Não haverá espaço forrarmos a nossa casa interior.
Não havendo confiança, nos outros, na sociedade, como é que podemos sair à rua? Como é que podemos acreditar em quer que seja. A "não-confiança" (desconfiança) levar-nos-á ao egoísmo: só nós é que sabemos, não precisamos de ninguém, não conseguimos olhar ninguém de frente. Seria uma tragédia. Mesmo as pessoas mais desconfiadas têm de ter um elevado grau de confiança nos outros e nas instituições. Não é possível de outro modo. Voltamos à interdependência ou se quisermos ao chamado "efeito borboleta", o que fazemos e o que os outros fazem altera o mundo em que vivemos. Contamos com os outros. Eles cotam connosco. Só assim a humanidade pode sobreviver.
Em relação ao FUTURO - só a Deus pertence.
Tenho dificuldade em perceber como é que um descrente ou um não crente pode acordar de manhã com disposição, com alegria, para mais um dia. A descrença leva ao cinismo. Saliente-se, com efeito, que há muitas pessoas magníficas que não são crentes, mas que fazem da sua vida um hino de louvor. Muitas vezes a sua descrença não é em relação a Deus, mas em relação às representações (falsas) do mesmo.
Acreditar em Deus, depositar confiança n'Ele, permite-nos viver para a frente. Se Deus existe, e existe na minha, na tua vida, então tudo é possível. O amanhã não será uma incerteza angustiante. O que nos espera, sendo de Deus, será sempre bom. Claro que o futuro (como o presente) não está isento de sofrimento. mas quem disse que o sofrimento é negação do amor, da vida, da felicidade. Muitas vezes é um caminho, um desafio, uma chamada de atenção...
Estamos no início de 2012... não te deixes, não se deixe, afoguear pela desconfiança. Aposte, confie, acredite. E sempre em DEUS.

02.01.12

2. De cada situação da vida, uma lição, um ensinamento...

mpgpadre

De cada situação da vida, uma lição, um ensinamento.

Toda a nossa vida passada há de ser assumida, relida, atualizada neste novo ano.

Fixamos o olhar no futuro, em Deus, vivemos o presente.

O passado é quase como a areia entre as mãos, foge-nos. É passado. Não podemos corrigir. Não há lugar para arrependimentos.

Há lugar à conversão.

O que aprendemos, o que vivemos pode servir-nos para agora.

Um filme, a leitura de um livro, de um texto, um encontro marcado ou casual, ou até mesmo um desencontro (com a própria vida), uma descoberta, uma aprendizagem, uma palavra, mais intencional ou quase inaudível como a brisa da tarde em qualquer primavera da nossa existência, um gesto ou um sorriso, a dureza ou a leveza com que nos trataram...

Tudo faz parte da vida e tudo nos pode ensinar a viver mais, melhor, com mais qualidade de vida.

Não sabemos tudo. Ainda bem.

Se soubéssemos tudo, seríamos deuses, perder-nos-íamos na solidão, eternos, incompreendidos, acima, para lá dos outros, já não precisaríamos de estar no mundo. Melhor, este já não seria o nosso mundo.

A perfeição é um caminho (sem fim, ou melhor, com o fim em Deus, na eternidade).

Nunca é demasiada, a perfeição. É um ideal que nos lança para a frente, para cima, para o futuro

Só em Deus, a perfeição, a Quem buscamos, e que nos encontra e com quem nos encontraremos em definitivo na eternidade e então sim a perfeição, a plenitude do que vemos (veremos) e do que somos (seremos).

Aprendamos com as pessoas mais simples e humildes.

Simples de coração, de abertura solidária às pessoas com quem se cruzam. Deus revelou as verdades aos simples e aos pequeninos e não aos sábios e inteligentes, diz-nos Jesus.

Aprendamos também com estes, os que se consideram mais que todos, auto suficentes, também com eles podemos aprender a ver a vida de outros ângulos, ainda que aprendamos como não deveremos viver...

Aprendamos com o medo e com a dúvida, com a alegria e com a festa e com a beleza que nos rodeia.

Em 365 dias, do ano que findou, que lições importantes trouxemos para 2012?

Cada dia, cada sol e cada lua, cada orvalhada e cada chuva, nos traz um lição que havemos de aproveitar para vivermos com mais intensidades as situações novas que surjam na nossa vida.

No ano de 2012, a maioria de nós tem pouco mais de 364 dias para viver... Ou já só temos 364 dias e mais qualquer coisita para aprendermos algo, para vivermos, para sermos transparência da LUZ que nos vem do presépio de Belém...

02.01.12

1. Faltam 364,5 dias para 2013.

mpgpadre

Faltam 364,5 dias para 2013.

Tanto e tão pouco.

Preocupações, crise, chatices, problemas, dificuldades.

Tantas coisas temos pela frente. Mas, como muitas vezes repetimos, não há mal que sempre dure... logo chegaremos a 2013, e a esperança de um novo ano alimentar-nos-á por alguns instantes... e depois, mais 365... e o mesmo.

Mas por quê esperar tanto tempo, até 2013?! Será que os problemas se revolvem por si só? Quem não quiser dificuldades, ou tiver medo de todo e qualquer sofrimento, já desistiu.

E se aproveitarmos os 364,5 dias que ainda temos pela frente! De forma positiva. Há novas coisas a descobrir, novos dias, novas descobertas, novas lutas e compromissos. Podemos optar pelo lamento, pela resignação, somos assim, não há esperança para nós. Podemos ir à luta, sabendo que pelo caminho vamos encontrar obstáculos, não acertar sempre, e poderá haver ocasiões que teremos de refazer o caminho... falta tão pouco para 2013, já não faltam 366 dias que completam este ano de 2012.

Quando os Apóstolos aceitam seguir Jesus Cristo, aderindo ao Seu projeto, sabem que encontrarão muitos muros, pontes destruídas, perseguição, prisão, a possibilidade de serem mortos, ainda assim aceitam com alegria, sabem que o Senhor estará sempre com eles... Também connosco Ele estará, sempre, em todas as circunstâncias, em cada momento.

Hão de surgir momentos em que não perceberemos que é Ele que nos guia, que nos leva ao colo, tal será a dor, o sofrimento, a dúvida! Não desanimemos. Que Deus nos abençoe e proteja neste novo ano. Aproveitemos os 364,5 dias e meio que muitos de nós terão para viver, saltar, pular, gritar, cair, levantar, hesitar, sorrir...

17.03.11

Ah! Quem me dera voltar atrás!

mpgpadre

       Todas as pessoas já viveram situações que desejariam não ter vivido.

       Por vezes ouvimos alguns a dizerem que se voltassem atrás fariam tudo de novo, as mesmas coisas, repetiriam a vida. Como se isso fosse possível! As circunstâncias teriam que ser as mesmas. A vida não volta para trás. E, claro, todos alterariam alguma coisa. Só não mudam os burros e os sábios, como diz um provérbio chinês. Olhando para trás, se não houvesse nada a mudar, era sinal que nada se tinha aprendido com as diversas experiências., nada se teria aprendido com a própria história. Repetindo tudo, também os erros seriam repetidos.

       Obviamente, todos mudaríamos alguma coisa.

       Mesmo que saibamos que as circunstâncias em que agimos não nos tivessem antes permitido agir doutra forma. Como nos lembra Ortega y Gasset, nós, somos nós e as nossas circunstâncias. Quando fazemos algum gesto, quando assumimos um comportamento determinado, estamos sempre condicionados por muitos factores interiores, medo/confiança, experiência/inexperiência, coragem/hesitação, pessimismo/experiência, e por muitas factores exteriores, os outros, o tempo, as condições sociais, políticas, económicas, familiares.

       Deparamos também com aqueles que torcem as orelhas: quem me dera voltar atrás, como tudo seria diferente! Ah, como eu mudaria muita coisa! Ah, como tudo seria bem diferente! Se pudesse voltar atrás...

       Mas também não podemos voltar atrás. A nossa vida decide-se e resolve-se no presente e avança impreterivelmente para o futuro, para o amanhã, e este só Deus no-lo pode garantir. Cabe-nos viver o presente, o aqui e agora (hic et nunc) da nossa vida, do nosso quotidiano, o passado já lá está, o futuro a Deus pertence. Carpe diem - colha o dia, viva o momento! Num sentido cristão, positivo, significa que não desculpamos a vida com o passado ou com o futuro mas comprometemo-nos com o nosso semelhante no dia de hoje, nas circunstâncias que nos é dado viver.

       Quem me dera voltar atrás!

       Em tempo de Quaresma, este poderá ser um bom propósito, não para olhar (simplesmente) para trás, mas para nos "situarmos" (nos imaginarmos) no futuro, quando chegar o dia, se deixarmos, em que, ao voltar-nos para trás, para o passado, tenhamos que fazer tal afirmação, como lamento, como desilusão, como impossibilidade, com a resignação de quem sabe que poderia ter aproveitado a vida, poderia ter vivido bem, com verdade, com alegria, com honestidade, com garra, com história, e agora já não pode fazer nada com o tempo que desperdiçou, com as oportunidades que não agarrou... Não vale a pena chorar sobre o leite derramado!

       Para que um dia não tenhamos que também nós dizer "quem me dera voltar atrás", não percamos tempo nem oportunidades, façamos tudo, em todas as ocasiões, como se não houvesse amanhã, como se não tivéssemos mais tempo pela frente, como se fosse o último dia, o último encontro, a última palavra, o último café, o último sorriso.

       Demos o melhor de nós mesmos, agora! E então, mais à frente, poderemos dizer: não fiz tudo bem, cometi erros, poderia ter feito melhor, mas tentei dar o melhor de mim mesmo, não adiei escolhas, não desbaratei as minhas energias em futilidades, não desperdicei a oportunidade para ser feliz, não fugi a responsabilidades, não enganei, não maltratei, não injuriei, não menosprezei ninguém... posso morrer em paz!

       Podemos não fazer tudo bem, mas não deixemos de tentar, voltar a tentar, recomeçar, recomeçar uma e outra vez, não desistir da luta, não virar a cara às dificuldades, não esperar que outros façam o que eu posso fazer, não deixemos que outros escolham por nós o nosso destino!

       Quaresma é tempo de conversão, de propósitos de mudança de vida, para darmos o melhor de nós mesmos, nos tornarmos mais solidários, mais próximos, para testemunharmos o Deus da vida...

       Na nossa fragilidade, na nossa birrice, ou na nossa preguiça, peçamos a Deus que nos dê o discernimento para fazermos escolhas de bem e coragem para cumprir com a vida e com todos os projectos que nos transformam em irmãos uns dos outros.

       Não podemos voltar atrás, mas podemos construir detrás para a frente, de hoje em diante,...

13.03.10

O pão dos outros

mpgpadre

       Remi está a conversar com a avó.

       Gosta de a ouvir falar dos seus tempos de menina.

       – Na minha aldeia, na Provença, pelo Ano Novo, no primeiro dia de Janeiro, toda a gente oferecia uma prenda a toda a gente. Vê lá se és capaz de adivinhar o que seria.

       Remi lança palpites:

       – Comprar prendas para a aldeia inteira… É preciso muito dinheiro. Quer dizer que as pessoas eram ricas?

       A avó riu-se:

       – Oh, não! Naquele tempo, tinha-se muito pouco dinheiro e ninguém na aldeia comprava prendas. Nem sequer havia lojas como há hoje.

       – Então faziam as prendas?

       – Não propriamente!

       – Então como é que faziam?

       – Era muito simples. Ora ouve…

       Antigamente, cada família fazia o seu pão. Não havia água corrente nas casas. Então íamos buscá-la à fonte, no largo da aldeia.

       E, no dia um de Janeiro, de manhã muito cedo, a primeira pessoa que saía de casa, colocava um pão fresco no bordo da fonte, enquanto enchia a bilha de água. Quem chegava a seguir pegava no pão e punha outro no mesmo lugar para a pessoa seguinte, e assim por diante…

       Desta forma, em todas as casas, se comia um pão fresco oferecido por outra pessoa. Nem sempre se sabia por quem, mas garanto-te que o pão nos parecia muito bom porque era como se fosse um presente de amizade.

       As pessoas que estavam zangadas pensavam que talvez estivessem a comer o pão do seu inimigo e isso era uma espécie de reconciliação…

       Durante alguns dias, esta história andou a martelar na cabeça de Remi.

       Uma manhã, teve uma ideia.

       Meteu no bolso uma fatia de pão de lavrador. É o pão que se come na casa de Remi.

       E na escola, um pouco antes do recreio, Remi pousou o pão bem à vista, em cima da carteira de Filipe, o seu vizinho.

       Filipe está sempre com fome e repete sem cessar a Remi:

       – Oh! Que fome, que fome eu tenho! Bem comia agora qualquer coisa!

       Quando Filipe viu a fatia de pão, que rica surpresa! Sabia muito bem quem lha tinha dado, mas fingiu que não sabia.

       No recreio, todo contente, comeu o pão sem dizer nada a Remi, mas…

       No dia seguinte, sabem o que é que Remi encontrou em cima da carteira, mesmo antes do recreio? … Um pedaço de cacete!

       Um grande pedaço bem estaladiço! Um verdadeiro regalo!

       Filipe ria-se.

       E assim continuaram a dar um ao outro presentes de pão.

       Na aula, a Carlota e a Sílvia estão sentadas logo atrás de Filipe e de Remi. Rapidamente souberam da história do pão e quiseram também participar nas surpresas.

       No dia seguinte, Sílvia levou uma fatia de cacetinhoe Carlota uma fatia de pão centeio.

       Outras crianças quiseram participar nas prendas de pão.

       Apareceu pão grosseiro, pão de noz, pão de sêmea, pão sem côdea, pão caseiro, pão fino, pão russo, negro e um pouco ácido, que Vladimir levou, pedaços de pão árabe, que a mãe de Ahmed cozera no forno, e ainda muitos outros tipos de pão.

       Desta forma, quase toda a turma se pôs a trocar pedaços de pão durante o recreio.

       A professora apercebeu-se das trocas e perguntou:

       – Mas o que é que vocês estão aí a fazer?

       Carlota e Remi contaram-lhe toda a história do pão dos outros.

       E logo após o recreio, o que é que estava em cima da secretária da professora? …um pedaço de pão!

       Toda a classe tinha os olhos postos na professora. Ela sorriu e comeu o pão.

       E, no domingo seguinte, quando Remi viu a avó, era ele que tinha uma história para lhe contar:

       – Sabes, avó? Olha, na minha turma…
 

Michèle Lochak, Le pain des autres Paris, Flammarion, 1980. In Contadores de Histórias.

30.04.08

Viver o presente, no dia de hoje...

mpgpadre


"Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado
e passamos a sofrer pelas nossas projecções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido
ao lado do nosso amor e não conhecemos,
por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
 
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante
e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente convosco,
mas por todos os momentos
em que poderíamos estar confidenciando a ela
as nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos
e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!
A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do
sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional..."

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