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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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10.01.17

Leituras: Marta Arrais - DESCALÇA AS TUAS FERIDAS

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MARTA ARRAIS (2016). Descalça as tuas feridas. Crónicas para todos os dias. Lisboa: Paulus Editora. 136 páginas.

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Descalça as tuas feriadas é um daqueles títulos de excelência. É como a água fresca em pleno Verão, brisa suave que alivia qualquer cansaço, leitura envolvente que nos conduz ao nosso interior, ao que somos, aos dons recebidos, às forças que ainda há para gastar; leva-nos a perscrutar a vida e o sofrimento dos outros, valorizando o essencial, a vida, o amor, o serviço, a alegria. Marta Arrais é transparente, simples, acessível, profunda. Toca diversos temas e diria, toca o coração de quem a escuta (ou lê). Enternecedora, desafia, interpela, questiona, faz-nos refletir.

Primeiro o contacto com os seus textos o sítio iMissio. Já tínhamos lido e partilhado algumas das suas reflexões. Depois o contacto com o livro. Na livraria da Diocese de Lamego, Gráfica de Lamego, peguei no livro e, como noutras ocasiões, perguntei à responsável, Paula Magalhães, se recomendava, se valia a pena. Também ela já tinha perguntado mas não lhe souberam responder. Voltei a olhar para o título, para o nome da autora e para a contracapa. E fez-se luz: acho que já li algumas reflexões, se for a autora dessas reflexões (do iMissio) então vale a pena. Vou levar. Fiquei convencido que era a autora das (tais) crónicas do iMissio e deixei a certeza à responsável que, sendo quem julgava ser, valeria bem a pena a compra e sobretudo e a leitura. E cá estou a confirmar o que então afirmei.

É um livro que se lê bem. Algumas das crónicas podem ser lidas no sítio sugerido: iMISSIO ou também na página criada (julgo eu) para secundarizar a publicação deste livro: MARTA ARRAIS, o Barco de Sonhar. Mesmo tendo lido algumas das crónicas e podendo ler outras, prefiro ter o livro, ler, sublinhar, rever os sublinhados.

E por falar em sublinhados, aqui ficam alguns:

"É a alegria que precisa de nos engordar! A vontade de fazer impossíveis, de gritar que não há dor que valha a pena. A tua dor não vale a pena. Vai encolher-te até deixares de saber quem és. Vai mirrar-te os horizontes e deixar-te sozinho. O colo da dor é muito frio. O da alegria. É nesse colo que deves enxugar as tuas lágrimas..."
"O amor sabe a pão acabado de sair do forno e é impossível que não queiramos empanturrar-nos dele. Mas o amor não chega se os que amamos não merecerem a nossa esperança. Merecem a nossa outra face aqueles que transformam a nossa esperança em luz e nos iluminam, boicotando todas as trevas que nos anoiteciam."
"Mas que pena. Que pena estar aqui esta sombra de gente a fazer-me pensar que um dia também poderei ficar assim. Sozinho. A beber cafés para chamar o sono. Quem mora no avesso do mundo bebe cafés para adormecer. Como quem ouve uma história de embalar. Isso de beber café para acordar é mania de gente que tem tudo. Quem não tem nada inventa novos sentidos para tudo. Até para o café"
"Somos mudados pela vida que os outros nos dão. Pela vida que os outros são para nós. A fé da Rosa não eram orações nem palavras repetidas. A fé da Rosa era a vida dela e era com a vida que a Rosa rezava (e reza) quando se sentava ao pé de mim na Eucaristia. Era a vida dela que se ajoelhava e que me ajudava, a mim, a rezar e a ser melhor.
"É tempo de colocar feridas à mostra. É tempo de deixar que o sol, que é Jesus, nos aqueça até transformar as feridas em água fresca. Costumamos ter vergonha das nossas cicatrizes porque nos lembram as nossas feridas. As cicatrizes são um grito costurado de silêncio mas, ainda assim, um grito... Não há nada que esteja mais perto da alma e da pele do que a presença de uma ferida. De um golpe. Ou do desenho que resta dele. Somos a cruz de Jesus. Somos a coroa de espinhos. Somos a humilhação, a mágoa, a tristeza, o sofrimento acabado em infinito. É tremenda esta responsabilidade. Jesus vem rezar connosco esta verdade que nos une profundamente a todos: somos as feridas de Jesus. “Tu és a minha ferida”... Nunca te esqueças que foste (e és!) tu a ferida mais querida de Jesus. Ele colocou-te no Seu colo e, do alto da Cruz ensanguentada, ofereceu-te ao Pai".
"Ser feliz é não saber onde acabamos. É não ter fim, não ter pressa, não ter nada. É apreciar profundamente essa maravilha que é não ter nada. Não te mintas. Não me venhas dizer que tens tudo o que te faz falta e que não precisas de mais um bocadinho de nada. Se pensas assim, inverte o sentido da marcha. Mas inverte agora. Porque ser feliz é nunca ter tudo. Ser feliz é querer ser tudo. É sentir que ter uma vida só é pouco para tudo o que se quer ser e fazer."
"Somos um perigo quando, de repente, deixamos de ter medo. Sentimos que nada podem contra nós, nada nos derruba, nada nos falta. Temos tudo. Podemos tudo. Cuidado. Piso escorregadio. Curva apertada à esquerda. À direita. Em todas as direções. Somos um risco e um perigo quando o nosso coração deixa de bater... Achávamos que íamos voar e caímos. Somos o maior perigo. É quando achamos que podemos tudo que podemos perder tudo. E perder-nos. Deformamos o mapa que somos e arriscamos demais. Queremos viver a vida toda num segundo. Queremos valer a pena. De uma vez só. Queremos engolir a vida de um só trago e despedaçamo-nos. Depois, lá sacudimos as lágrimas dos joelhos, atamos os arranhões com cicatrizes e dizemos como quem se quer convencer: “o que não te mata faz-te andar. Levanta-te”
Fazer o bem é fazer a única coisa que está ao nosso alcance. Estamos enganados quando achamos que o bem dá trabalho. Fazer o bem dá menos trabalho do que fazer qualquer outra coisa. Não é uma opção: é uma maneira de estar e de viver. A verdadeira e única forma de escrever o bem na nossa vida é pensar que para além de tudo o que é mau, ainda podemos fazer o bem. Apesar de todos os apesares que nos pesam, há um colo que se ilumina perante a possibilidade de fazer o bem. E sabes que colo é esse? É o teu. Quando fazes o bem, apesar de todos os tudos, o teu colo fica maior. Aparece aos olhos dos outros como uma risquinha do colo do próprio Jesus. O Bem também faz arder, sim. Faz arder os impossíveis, as lutas, as mágoas, e todas as outras palavras que rimam com a palavra triste.
Quando não puderes fazer mais nada quanto a isto ou aquilo, faz o bem.
Quando não puderes ver nada de bom, faz o bem.
Quando não puderes fazer o bem, faz melhor."

06.01.17

VL – Vocação universal à felicidade

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       Desde a mais tenra idade que cada um de nós procura realizar-se como pessoa, chamando a atenção dos outros, primeiro dos adultos, enquanto crianças, adolescentes e jovens e, depois, sendo mais idosos, de toda a gente e especialmente dos mais novos. Precisamos de atenção, de cuidado e carinho, ao longo de toda a vida. Precisamos de ser vistos e reconhecidos e que nos tratem pelo nome próprio – a melhor música para os nossos ouvidos – e não apenas por um apelido ou por um título profissional. Queremos a atenção dos outros. Queremos sentir-nos amados, especiais, únicos.

       É um desejo inscrito no coração, no nosso ADN.

       Uma pessoa indisposta o tempo todo também quer sentir-se bem, também quer ser feliz. Mas por qualquer motivo, um desgosto, o feitio, ou porque só dessa forma se sente capaz de chamar a atenção dos outros, assume uma atitude de azedume ou de prepotência. No final, como dizemos dos adolescentes mais indisciplinados ou mais ativos, o que quer mesmo é chamar a atenção de alguém, ainda que o faça da pior maneira, já que destrói a amizade e os laços de proximidade.

       Como nos lembrava um professor do Seminário, não importa que falem bem ou mal de ti, importa é que falem de ti. Se falam mal já estão a dar-te importância, já contas para eles. Obviamente que quem não se sente não é filho de boa gente e ninguém quer ouvir dizer mal de si próprio. Mas entre dizerem mal e não dizerem nada…. Mais vale que digam alguma coisa!

       A felicidade que procuramos leva-nos a melhorar a nossa relação com os outros, procurando ser amados e reconhecidos. Por outras palavras, procuramos ser bem-sucedidos. Numa linguagem mais religiosa, o aperfeiçoamento da nossa vida, para nos tornarmos perfeitos como Deus Pai é perfeito. Não uma perfeição que distancia, um perfeccionismo viciante, mas uma perfeição que ama, que promove os outros, servindo-os e cuidando deles. É a vocação universal à santidade.

       A primeira vocação do cristão é seguir Jesus. Segui-l’O imitando-O, assimilando a Sua postura de vida, dando-Se por inteiro a favor dos outros. A santidade é transmutável com a felicidade. Daí se dizer que os santos já se encontram na bem-aventurança (= felicidade) eterna.

       A santidade não é póstuma. Póstuma apenas a declaração e o reconhecimento da santidade em vida. Com todos os que Deus colocou à nossa beira, começamos, aqui e agora, o trajeto da santidade, começamos a ser felizes, como caminho de realização que nos salva…

 
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4385, de 1 de novembro de 2016

28.10.16

VL – Deslizar na vida como no tango

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Somos diferentes. No corpo e na mente. Lidar com os sentimentos e com os infortúnios. Diferentes a amar e a deixar-nos amar. Por vezes complicamos as situações mais simples e desvalorizamos o que tem de essencial. O essencial, como nos lembra Antoine de Saint Exupéry, no Principezinho, é invisível aos olhos, radica no coração, que tem razões, segundo Pascal, que a razão desconhece.
Para nós cristãos, a referência é Jesus Cristo: a docilidade à voz do Pai, a delicadeza para com todos, o gastar a vida até à última gota de sangue em benefício da humanidade, transparecendo a misericórdia do Pai, envolvendo-nos como irmãos… É um desafio e um compromisso. Dá-nos as ferramentas para nos descobrirmos como filhos do mesmo Pai e nos assumirmos, em definitivo, como irmãos.
No início, Caim não compreendeu que a fraternidade o humanizava. E matou o seu irmão. Quando as coisas não nos correm bem, sobretudo na relação com as pessoas que amamos, e seguindo a tendência do tempo, desistimos. Parece ser mais fácil voltar as costas aos problemas. Ou eliminar aqueles que consideramos rivais. Infelizmente não são apenas palavras. Cinco minutos de notícias e quantas quezílias que dão em violência e em morte!
Vivendo ao jeito de Jesus, Rosto e Presença da Misericórdia do Pai, vivamos nós também predispostos a dar/gastar a vida pelos outros, pela família, pelos amigos, pelos vizinhos, por aqueles de quem não gostamos tanto. Deslizar pela vida como no tango.
No tango, cada um dança em função do outro, deslizando de encontro ao seu corpo, a sua agilidade, segurando o outro, e ao mesmo tempo confiando e por isso deixando-se cair, deslizando, procurando sintonizar cada movimento, escutando a música, mas sobretudo a melodia do outro. São dois. Não um. Dois mas que quase se fundem como em um. A identidade de cada um. A agilidade de cada um. Cada um tem que conhecer os movimentos do outro, as possibilidades, limites. Até onde pode ir e onde não chega. Esforço, dedicação, treino, diálogo. Alguns atropelos. Recomeços. Voltar a tentar uma e outra vez, sem desistir, até que os passos e movimentos estejam de tal modo sintonizados e sincronizados que quem vê de fora lhe pareça natural e para os próprios extravase alegria, num diálogo de corpos, de emoções, centrando-nos no outro, no olhar, nas nuances, prevendo algum deslize ou alguma alteração, para se adaptar, corrigindo movimentos, para amparar o outro ou se deixar ir.
E no tango, como na vida, precisamos do outro.
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4378, de 13 de setembro de 2016

20.08.13

LEITURAS: Nuno Camarneiro - Debaixo de Algum Céu

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NUNO CAMARNEIRO. Debaixo de Algum Céu. Leya. Alfragide 2013, 200 páginas.

       Prémio Leya 2012, esta é a história de personagens que bem poderiam ser reais. Pelo menos, os traços poderão ser encontrados em diversas histórias de vida. Sete dias. Um prédio. Apartamentos que encerram segredos, fome de vida e de felicidade. Sonhos conquistados e sonhos perdidos, à procuram de realizar projetos, e o desencanto de quem perdeu a oportunidade. Sete dias. Uma Semana, do Natal ao novo Ano. Entre suspiros de esperança e de resignação. Estórias que se cruzam e se encontram. Acasos ou o pulsar da vida, da história e do tempo. Coincidências. também assim se faz a vida. Decisões. As nossas e as dos outros. As que impomos e as que nos impõem. Atores da nossa história, mas também vítimas das circunstâncias que irrompem por nós adentro, sem darmos por isso, sem tempo para reagirmos. O que predomina as nossas escolhas, ou o que se nos impõe? E como resgatar a nossa vida. A fé, a dúvida, a vida e a morte, o branco e o preto, mas também o cinzento e o azul, o vermelho e o laranja e muitas cores matizadas. Assim a nossa vida.

       Uma idosa sozinha que ainda sonha pelo seu marinheiro que afinal fugiu com outra. Um homem só, idoso, que guarda o prédio, é porteiro, contador de histórias, e sabe muitas, conhece cada inquilino, quem passa e quem fica, guardando memórias, tornando-se confidente de uns e outros. Uma jovem mulher. Viúva. Desesperada da vida. Acolhe o sacerdote, como amigo e mais do que isso. Mas nem este a regaste. Para ela os dias estão contados, o ano novo é para esquecer. Um sacerdote, que quis viver no meio de pessoas, deixando o conforto de uma família abastada. Com fé e com dúvidas. Tão pronto para deixar, como para prosseguir. Acabará por juntar uma ovelha abandona e descobrir que Deus fala e fala bem por quem foi considerado louco, e até demónio. Um jovem que trabalha em casa e cria personagens para um programa de computador, para gerir relacionamentos virtuais. Vai as livros e copia a caracterização das suas criações/cópias, e acabará por ser descoberto e ser despedido. Abandona o seu apartamento e corre para um amor de tempos anteriores, da universidade, para não ficar só. Dois casais, tão iguais e tão diferentes. Parecem viver bem, mas logo sobrevém o cansaço e a separação. Outros cuja rotina cansou mas que pequenos incidentes levam a valorizar e a fortalecer os laços familiares e a renovar o amor e o sentimento.

       É um livro fácil de ler, agradável. Sete dias em que a vida pode dar um salto. Sete dias em que se pode decidir a felicidade, alterar o curso da história, positiva e negativamente. Como sempre, pode ser um incentivo a sermos autores da nossa história, apesar das circunstâncias. Também debaixo deste Céu estamos a viver, a caminhar, a descobrir, a encontrar-nos, a perder-nos...

       Aproveite, poderá ser um dos seus livros de férias. Ainda que tenha pouco tempo, não deixe de ler. Enriqueça a sua mente, e dê mais densidade à sua vida.

01.11.12

Excluídos: há quem faça por isso e quem não tenha outro remédio

mpgpadre

 

       No evangelho de ontem, aparece um cego à beira do CAMINHO onde Jesus vai passar. No caminho de Jesus está uma multidão, no meio da multidão os discípulos, uns e outros seguem Jesus, ainda que alguns não estejam seguros do caminho em que vão.

       À beira do caminho, ou sem caminho algum, está um cego, sentado, a pedir esmola. É um dos muitos excluídos da vida, naquele e neste tempo. Qualquer enfermidade física pode ser um fator de exclusão. Também neste tempo. Qualquer enfermidade ou deficiência pode gerar excluídos que o não querem ser.

       Aquele cego não vê o CAMINHO, mas ouve os passos de Jesus e da multidão que vem lá. E então vê mais longe, vê com o coração que escuta antes de ver. Escuta um clamor que lhe anuncia Jesus. Grita. Grita. Sem parar. Há nele um desejo imenso de entrar no CAMINHO, de fazer parte dos "incluídos". Grita sem parar. Incomoda, como muitas vezes incomodam os que são diferentes, os que pensam diferente, os que vivem outras vidas. Incomoda os que vão mais ou menos seguros no caminho, como canta a Mafalda Veiga, diríamos que se incomodam com medo de verem a cegueira que ainda tolda os seus corações ou de também eles ficarem à beira do CAMINHO.

       Como então refletíamos, a postura de Jesus é bem diferente da multidão. Jesus escuta. Jesus pára. Jesus manda chamar. Jesus perscruta os desejos que vão no coração. Jesus atende a toda a prece feita com sinceridade. Não avança. Não Se incomoda. Não acelera o passo. Não tapa os ouvidos. Nem os olhos. No CAMINHO de Jesus há lugar para toda a gente, para a multidão, para os discípulos e para Bartimeu e para cada um de nós. Para Jesus não há excluídos. Ou melhor, não precisa de haver excluídos.

        Há excluídos por que não têm outro remédio.

        Porque nasceram em condições sociais já demasiado precárias para delas saírem. Porque não têm quem os ajude (como Bartimeu ajudado por alguns - Coragem...), porque alguma enfermidade os afasta do convívio social, e até eclesial, porque não têm forma nem meios para saírem da exclusão em que se encontram.

 

        Há excluídos por que o querem ser.

        Nunca estão disponíveis para nada. Alheiam-se de todos os compromissos. Querem ficar a ver, à beira do caminho, fora do caminho. Se as coisas correm bem, lamentam-se por que ninguém lhes disse nada, ninguém lhes explicou o que era, ninguém os incentivou (pois até participariam, isto é, depois de saberem como correram as coisas); se as coisas correm mal, alegram-se porque não estiveram envolvidos, porque já adivinhavam (depois do acontecido), porque não alinham em projetos que não resultam.

 

        Há excluídos, que se excluem por medo de serem feridos.

        Quantas pessoas se excluem por medo de serem defraudadas nas suas expetativas, ou por receio de voltarem a dececionar-se? Com medo de se magoarem? Obviamente, não será fácil a alguém que se sente traído (nas seus relacionamentos pessoais, familiares, profissionais) voltar a acreditar e a apostar nos outros. Em todo o caso, o excluir-se também não ajuda. O lamentar-se também não ajuda...

 

        Há quem nunca se envolva em nada. Ainda que sempre prontos a verificar/julgar qualquer iniciativa, qualquer deslize, qualquer coisa de boa que os outros façam, na sociedade, na política, em Igreja, em atividades culturais e recreativas...

       Aquele cego à beira do CAMINHO desperta-nos. Ele não quer continuar a ser excluído, por isso grita até que a sua voz chegam aos ouvidos de quem deve chegar...

10.02.12

41. OUVIR, FALAR, AMAR.

mpgpadre

OUVIR, FALAR, AMAR.

A Compreensão é a única força de mudança.

Hoje partimos do título de um livro da conhecida jornalista e escritora Laurinda Alves, à conversa com o Pe. Alberto Brito, sacerdote jesuíta (sj), edição da Oficina do Livro. É um dos livros que recomendámos nas nossas notas do facebook.

A Laurinda Alves não precisa de apresentação, mas para quem desconhece pode sempre consultar o seu blogue pessoal: Laurinda Alves - A Substância da Vida.

O Pe. Alberto Brito orientou - esta é uma nota mais pessoal -, o nosso retiro de diaconal e sacerdotal. Melhor dizendo, em Agosto de 1998, eu, e os colegas padres, António José Ferreira, Leontino Alves, e José Manuel Correia, realizamos o retiro de preparação para "recebermos" os sacramentos da Ordem, eu de Diácono e eles de Presbítero, ainda que os 4 sejamos do mesmo curso de Seminário, mas por opção adiei um pouco mais...
Lembro-me perfeitamente de uma das conversas finais, na casa dos Jesuítas em Braga, com o Pe. Alberto. Disse-lhe claramente, e no que dizia respeito a avançar para o sacerdócio, que não tinha tirados dúvidas, pelo contrário, levava/trazia mais dúvidas, mais questões. Ao que ele respondeu - corresponde a respostas dadas também no livro/entrevista com Laurinda Alves -, que não tinha mal, por que as dúvidas me acompanhariam ao longo de toda a vida e que era benéfico quando as pessoas se interrogam, mesmo que não tenham respostas para tudo. Mas mesmo que as dúvidas persistam, a maturidade levar-nos-á a tomar uma opção. Sem medo.

Deixemos esta perspetiva mais pessoal (mas se calhar foi uma das razões que mais rapidamente me levaram a decidir comprar o livro, embora seja leitor da Laurinda Alves), para nos fixarmos nestas três palavras, ou três realidades importantes na nossa vida.

Ouvir/escutar, "porque ouvir os outros é a maior escola da vida". Escutar com o coração, prestar atenção não apenas ao que a pessoa diz e à sua história de vida, mas à pessoa em si mesma. Diz o Pe. Alberto que se nos fixarmos apenas nas histórias das pessoas e não nas pessoas, ficamo-nos pela fofoquice. Ficar-nos-íamos pelo ouvir, como se estivéssemos a ouvir um rádio e não uma pessoa concreta.

Falar. É assim que a comunicação acontece, é "a comunicar e a dialogar que nos entendemos e que se constroem relações". Temos uma boca e duas orelhas/ouvidos. Escutámos com interesse, a história da pessoa, mas sobretudo escutar com atenção o que a pessoa é, o que a pessoa sente, o que a pessoa vive, ouvindo o seu grito, o seu desabafo, acolhendo a sua partilha. Pode não ser fácil... queremos falar mais que escutar... queremos que alguém nos escute, nos compreenda, que por vezes esgotámos o tempo com as nossas palavras e não escutámos a pessoa que está diante de nós, como apelo e desafio. Quem não ouve, ou não quer ouvir, corre o sério risco de ficar a falar sozinho.

Amar, "porque é a partir da aceitação de nós próprios e dos outros que tudo é possível". Escutámos a pessoa, comunicamo-nos como irmãos, para acolhermos e aceitarmos os outros, aceitando-nos também a nós como pessoas, cidadãos, filhos de Deus. Como diz o Pe. Alberto, o que nos separa e divide não são as ideias ou as crenças, mas os sentimentos. O maior desejo do ser humano, de todo o ser humano, é amar e ser amado. E o maior medo é ser rejeitado pelo(s) outro(s). A escuta e a comunicação visam aproximar-nos dos outros, com amor, com paixão, celebrando a vida.

Enquadra-se aqui outra realidade: a compreensão. "As pessoas quando se sentem compreendidas, mudam". É o que pode resultar da escuta que ama, das palavras que se tornam comunicação amistosa, dos sentimentos que se partilham e se acolhem.

Seja/sê ouvinte (escutador não tanto de estórias, mas das pessoas que estão perto de ti); fala do que te vai na alma; confia, estimulando os outros à confiança, a libertarem-se do medo; ama, com toda a tua alma, faz do(s) outro(s) a tua casa, o teu refúgio, tendo sempre como horizonte originário e final o Senhor Deus.

25.01.12

25. A conversão é a atitude permanente do cristão

mpgpadre

A conversão é a atitude permanente do cristão, mas também convite para todos. Obviamente, o sentido cristão da conversão leva-nos a um significado muito peculiar, deixar-se transformar pelo Espírito de Deus, tornando-se, com os seus gestos e com as suas palavras, nova criatura, num processo (sempre inacabado).
Entramos, de novo, na lógica da perfeição como caminho, ou da santidade. O ser humano, quem quer que seja, está chamado, desde logo, pela sua identidade humana, a aperfeiçoar-se cada vez mais, a abrir aos outros, a acolher os ensinamentos de pessoas mais velhas ou mais sábias. E até mesmo as pessoas que todos reconhecemos como arrogantes, até esses, têm necessidade dos outros e de aperfeiçoar alguns aspetos da sua vida, nem que sejam para serem mais ardilosos no que fazem.

A conversão tem também a ver com a adaptabilidade do ser humano.
Hoje, mais do que ontem, o ser humano tem que se adaptar e rapidamente a situações e desafios novos. A mudança que acontecia no mundo há 100 anos, permitia que as pessoas se adaptassem facilmente à evolução de costumes e de mentalidades, era em câmara muito lenta. Continua a afirmar-se que para mudar mentalidades é necessário uma geração, tempo e paciência. O que nos falta.
Hoje, numa década, em 5 anos, as mudanças são tão rápidas, que o nosso sistema tem alguma dificuldade em se adaptar, em se converter a novas situações.
O ser humano acomoda-se, tem necessidade de casa, de descanso, de repouso, de pisar a terra com a certeza de que está em terra. Mas ao mesmo tempo, a adaptabilidade é uma das suas características fundamentais de sobrevivência. E o que é certo, muitas foram as alterações ao longo dos séculos, e o ser humano foi-se adaptando.

Falar de conversão não é assim tão estranho, mesmo para não crentes, ou não praticantes. De facto, ao longo de uma vida, podemos ter necessidade de converter-nos várias vezes, mudar de profissão, mudar de local de emprego, mudar de habitação, deslocar-se para outra terra, aprender outra língua, aprender outra técnica para ser competitivo no trabalho...

Falar de conversão, no contexto da fé cristã, significa estar disponível para acolher a graça de Deus e para mudar sempre que necessário o nosso coração e nossa mente para podermos aproximar-nos de Deus e ser fiéis nas situações reais e concretas, do nosso tempo e no lugar onde habitamos, ao Evangelho da verdade e da caridade, isto é, traduzir em palavras e gestos concretos a fé que professamos e estar disponível para confrontar a nossa vida com a de Jesus Cristo.

A nossa fragilidade muitas vezes nos trai, na busca da verdade, na vivência da caridade, mas devemos prosseguir, na certeza que só tentando cumprimos a nossa missão como pessoas e como cristãos.

A conversão de São Paulo, que hoje celebramos, mostra como há alturas da vida em que podemos "cair do cavalo", cair em nós, tomar consciência do caminho a percorrer e do que ainda nos distancia da vontade de Deus. Ele era um judeu fervoroso, não era um judeu por ter nascido judeu, praticava, defendia, queria proteger o judaísmo. A perseguição aos cristãos têm a ver com essa vontade firme de proteger o judaísmo. Mas um dia deu-se conta que a perseguição aos cristãos o aproximou de Jesus Cristo e deixou-se converter por Ele.

De repente deixou de ver... no contacto com a intensidade de LUZ que vem de Jesus também nós podemos ficar cegos, e sobretudo se quisermos que os nossos olhos sejam mais fortes que a luz de Cristo, e que os nossos olhos nos conduzam pela vida... é necessário que nos caiam as escamas, ou seja, que os nossos olhos possam deixar passar a LUZ de Deus, possam ver com o olhar de Deus.
Como dizia o poeta, Fernando Pessoa, como tudo seria diferente se olhássemos para a vida, para o mundo e para as pessoas (não com o nosso mas...) com o olhar de Deus.

24.01.12

24. Seja generoso consigo mesmo.

mpgpadre

Seja generoso consigo mesmo.

Se ontem convidávamos a apreciar as qualidades dos outros, como forma de purificarmos o nosso olhar, o nosso coração, e nos tornarmos mais afáveis com os outros, mas também como forma de apostarmos na confiança. Quanto mais reconhecemos qualidades nos outros tanto mais isso nos pode ajudar a olhar a vida com generosidade, pela positiva, e mais tarde ou mais cedo também em nós se repercutirá a visão positiva da vida.

Não é um paradoxo: apreciar as qualidades dos outros :: ser generoso consigo mesmo. É antes uma forma de ver a vida, de incluir e não excluir, de conciliar em vez de opor, de agregar e não dividir, de comungar e não diabolizar.


Hoje acentuamos este aspeto: olhe para si com a mesma positividade e tolerância que aprecia os outros. Aposte na auto estima. Os espelhos (físicos) na maioria das vezes devolvem-nos uma imagem errada do que somos no nosso íntimo. Depende da disposição, é certo. Então, por que ficar de rastos diante de um espelho, um mero objeto, que nos devolve o que desejamos, ou que a nossa disposição permite. Nem sempre a horta da vizinha é melhor que a nossa, nem sequer a sopa.

Já pensaram que quando éramos mais novos, gostávamos sempre da comida dos estranhos e por vezes depreciávamos a comida feita em casa pelas nossas mães. E agora, que os anos vão passando, e Deus queira que vão passando muito anos sobre nós, apreciámos cada vez mais a sopa que a nossa mãe nos faz?!

 

Jesus apostava, como víamos ontem, em pessoas que à partida não desenvolviam grandes capacidades, mas fazia-as descobrir que eram filhas de Deus. Quantos se curaram ao aproximar-se de Jesus, quantos se sentiram salvos na Sua presença?

O desafio é o mesmo, antes de mais somos imagem de Deus, com a mesma capacidade de amar e ser amados, com o mesmo dom de recriar a vida. Olhar para nós com generosidade é reconhecer, antes de mais, que somos a obra prima de Deus... e então temos muito para louvar, para agradecer... Por outro lado, se temos uma visão positiva sobre nós, mais facilmente veremos os outros de forma positiva... Pense nisso.

23.01.12

23. Aprenda a apreciar as qualidades dos outros.

mpgpadre

Aprenda a apreciar as qualidades dos outros.
O célebre psiquiatra brasileiro, Augusto Cury, defende à saciedade que os defeitos que criticamos nos outros, são os defeitos que existem em nós. Odiamos neles, o que não gostamos em nós. Então tentemos inverter, procuremos apreciar, com humildade e generosidade, o que os outros nos podem oferecer de bom, de belo e de sábio.

Quando verificamos que existem pessoas que vivem com a desgraça alheia, só podemos concluir que ainda não descobriram que a maior felicidade e compensação vem de dentro, do que somos - numa perspetiva cristã, somos filhos amados de Deus -.
A autoestima não ilude as insuficiências que nos moldam, mas, no reconhecimento das nossas fragilidades, levam-nos a potenciar as nossas qualidades e a contar com as qualidades dos outros.
Há árvores que crescem, crescem, crescem, mas não são fator de crescimento para outras árvores, secam tudo em redor. Como seres humanos, o nosso caminho não é sermos árvores gigantescas contra os outros, ou com os outros distantes, mas árvores de fruto, que se amparam e protegem mutuamente, que se alimentam "da mesma seiva", buscam a mesma água, que partilham, o mesmo húmus, a mesma terra, crescem juntamente, não se impedem de buscar o sol e absorver as suas propriedades. O SOL que eu recebo não se esgota, por mais que eu recolha. Também outros poderão beneficiar do mesmo sol, da mesma luz, do mesmo calor.

Nesta imagem sugestiva, o desafio a valorizarmos o que de bom e bem os outros são capazes. Comecemos em casa. Por vezes, em casa, desdenhamos do que o outro tem, da forma como veste, das escolhas que faz, da maneira de falar, isto que lhe fica mal, a mim ficava melhor... Invertamos, procuremos os aspetos positivos, e certamente descobriremos rapidamente que existem muitos motivos para engrandecermos os outros (da nossa família, da nossa turma, no nosso local de trabalho, na nossa comunidade). O que o outro faz de bem não me empobrece, ensina-me, incentiva-me a procurar o bem e a fazer bem o que faço.

Apreciar os outros, é uma forma de descobrirmos neles a presença de Deus.
Quando depreciamos os outros, pensemos se não estamos a fazê-lo por inveja, por ciúme, ou porque nos revemos neles, criticando-os naquilo que não gostamos em nós, ou criticando-nos para escondermos as nossas fragilidades.
Isto acontece com alguma frequência: criticar o outro para esconder o que em nós é "censurável"... ou porque gostaríamos de ser assim como eles, ou fazer como eles fazem, ou termos a áurea que eles têm... Somos diferentes, não há mal nisso. Valorizemos os outros, veremos como nos sentimos melhor. Veremos como podemos, dessa forma, ganhar mais autoestima e confiança.

Jesus chama a Si pessoas que pouco têm para lhe oferecer, humanamente falando. Um técnico de recursos humanos não escolheria nenhum deles, a não ser Judas Iscariotes... talvez! Jesus aprecia neles o que eles ainda não foram capazes de desenvolver... mas acredita, e com o tempo eles tornam-se grandes pregadores, grandes missionários, pessoas extraordinárias...

02.01.12

2. De cada situação da vida, uma lição, um ensinamento...

mpgpadre

De cada situação da vida, uma lição, um ensinamento.

Toda a nossa vida passada há de ser assumida, relida, atualizada neste novo ano.

Fixamos o olhar no futuro, em Deus, vivemos o presente.

O passado é quase como a areia entre as mãos, foge-nos. É passado. Não podemos corrigir. Não há lugar para arrependimentos.

Há lugar à conversão.

O que aprendemos, o que vivemos pode servir-nos para agora.

Um filme, a leitura de um livro, de um texto, um encontro marcado ou casual, ou até mesmo um desencontro (com a própria vida), uma descoberta, uma aprendizagem, uma palavra, mais intencional ou quase inaudível como a brisa da tarde em qualquer primavera da nossa existência, um gesto ou um sorriso, a dureza ou a leveza com que nos trataram...

Tudo faz parte da vida e tudo nos pode ensinar a viver mais, melhor, com mais qualidade de vida.

Não sabemos tudo. Ainda bem.

Se soubéssemos tudo, seríamos deuses, perder-nos-íamos na solidão, eternos, incompreendidos, acima, para lá dos outros, já não precisaríamos de estar no mundo. Melhor, este já não seria o nosso mundo.

A perfeição é um caminho (sem fim, ou melhor, com o fim em Deus, na eternidade).

Nunca é demasiada, a perfeição. É um ideal que nos lança para a frente, para cima, para o futuro

Só em Deus, a perfeição, a Quem buscamos, e que nos encontra e com quem nos encontraremos em definitivo na eternidade e então sim a perfeição, a plenitude do que vemos (veremos) e do que somos (seremos).

Aprendamos com as pessoas mais simples e humildes.

Simples de coração, de abertura solidária às pessoas com quem se cruzam. Deus revelou as verdades aos simples e aos pequeninos e não aos sábios e inteligentes, diz-nos Jesus.

Aprendamos também com estes, os que se consideram mais que todos, auto suficentes, também com eles podemos aprender a ver a vida de outros ângulos, ainda que aprendamos como não deveremos viver...

Aprendamos com o medo e com a dúvida, com a alegria e com a festa e com a beleza que nos rodeia.

Em 365 dias, do ano que findou, que lições importantes trouxemos para 2012?

Cada dia, cada sol e cada lua, cada orvalhada e cada chuva, nos traz um lição que havemos de aproveitar para vivermos com mais intensidades as situações novas que surjam na nossa vida.

No ano de 2012, a maioria de nós tem pouco mais de 364 dias para viver... Ou já só temos 364 dias e mais qualquer coisita para aprendermos algo, para vivermos, para sermos transparência da LUZ que nos vem do presépio de Belém...

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