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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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23.07.13

D. Manuel Clemente - Uma Casa aberta a todos

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D. MANUEL CLEMENTE, Uma Casa Aberta a Todos. Paulinas Editora. 2.º edição. Prior Velho 2013, 248 páginas.

       No passado dia 7 de julho, D. Manuel Clemente, no Mosteiro dos Jerónimos, assumia a Diocese de Lisboa, como Patriarca, substituindo D. José da Cruz Policarpo. Se já era uma voz relevante na Igreja, na cultura, na sociedade, em Portugal, com a assunção do Patriarcado alarga a curiosidade sobre a sua vida e o seu pensamento.

       As Paulinas permitem-nos as duas coisas. Numa primeira parte, sob a condução de Paulo Rocha, diretor da Agência Ecclesia, responsável por programas como Ecclesia e 70X7 que passam na RTP 2, com uma forte ligação à Igreja, D. Manuel Clemente responde a diversas questões. É, aliás, o formato usado no programa Ecclesia, onde os dois têm abordado diversos temas relacionados com a vida da Igreja e com a sua história. A colaboração com essa assiduidade findam, mas para já a reprodução de algumas entrevistas de Paulo Rocha com D. Manuel Clemente, sobre a sua vida, vocação, como Bispo no Porto e como Patriarca em Lisboa, desafios pastorais, diálogo com a cultura, a sociedade e a política, temas fraturantes, promoção da vida e do bem comum.

        Em análise, nesta(s) entrevista(s), a figura do Papa Francisco, desde a eleição, os gestos e as palavras, e o recuo à sua infância, vocação, e intervenções enquanto Arcebispo de Buenos Aires.

       Na segunda parte desta obra, a Editora apresenta textos de D. Manuel Clemente, em diferentes intervenções, em ocasiões distintas, textos ao tempo de sacerdote, ou Bispo Auxiliar de Lisboa, Bispo do Porto, ou como professor, na Universidade, homilias, textos de reflexão, intervenções públicas, seguindo o Decionário. Em cada um das letras, variadíssimos temas: amor, vida, vocação, bem, bispo, corpo, confiança, crisma, alegria, Deus, Espírito Santo, Eucaristia, Educação, Europa e Cristianismo, Fé e Ciência, Família, Francisco de Assis, Idosos, Laicado, Oração, Páscoa, Porto, Peregrinação, Poesia, Professor, Vieira (Pe. António), Sociedade civil, e tantos outros.

       Na divisão das duas partes, álbum fotográfico, com fotos da família, da infância, da ordenação, como escuteiro, de sacerdote, bispo...

       Num género ou outro, a entrevista ou as reflexões, permitem conhecer melhor o novo Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente. Mais uma leitura agradável, permitindo encarar os desafios do ser cristão na sociedade deste tempo.

 

Para ler partes do livro - AQUI: Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

e AQUI a partir da Livraria Fundamentos.

18.06.13

D. António Couto, Bispo de Lamego - O livro do Génesis

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ANTÓNIO COUTO, O Livro do Génesis. Letras & Coisas, Leça da Palmeira 2013, 180 páginas (livro de bolso).

 

       O livro do Génesis suscita curiosidade e estudos diversos, para os homens da fé, da história, da cultura, da ciência. Umas vezes como fonte, outras para contraposição, às vezes para confirmar o que se sabe, outras vezes para conhecer a cultura e a época em que foi escrito, às vezes para escarnecer, outras para aprofundar a própria fé em Deus criador.

       Há aqueles que fazem do livro do Génesis um texto como que ditado por Deus, sem margem para erro; há quem perceba a inspiração de Deus, a leitura religiosa da criação, e se sinta inspirado para agradecer, para louvar a criação e amor de Deus, e para perceber como Deus age na história, por vezes silenciosamente.

       D. António Couto, neste estudo, aborda diversas questões, a criação de Deus, o ser humano como dom da criação, a cultura envolvente, a originalidade do texto bíblico, a igual dignidade do homem e da mulher, criados por Deus - não são extensão ou da mesma natureza, mas são dom -, o pecado, o paraíso/jardim como dádiva de Deus, que dele cuida, confiando-o ao homem, o pecado dos primeiros pais, o fratricídio de Caim, a teologia da eleição, da aliança, de Deus que nunca desiste da humanidade e sempre nos salva.

       As figuras patriarcais, Abraão, Isaac e Jacob, mas também a sugestiva história de José, o filho predileto, o irmão rejeitado, mas que é eleito para a salvação da família de Jacob, para a preservação da aliança de Deus com o Povo.

       Notório nesta páginas a eleição, um povo, mas instrumento de salvação e de bênção para todos os povos. Só nessa medida faz sentido a eleição, como mediação para todos os povos.

       Para quem quiser aprofundar o estudo do livro dos Génesis, para crentes que queiram acolher a história da salvação, como dom a rezar, a agradecer, para outros que queiram alargar os horizontes das suas questões, ou dúvidas, ou enriquecer-se com reflexões sugestivas.

       É um estudo mais científico, mais académico, em relação a outras sugestões que aqui trazemos, mesmo de D. António, como conjunto de reflexões e homilias, mas que se lê e percebe com facilidade. Será uma belíssima oportunidade para ficar por dentro de toda a problemática levantada sobre o livro do Génesis, e sobre a teologia da criação, em diálogo com a ciência, a história, a antropologia, e com uma referência que passa como fio condutor, a encarnação de Jesus Cristo, a Sua morte e ressurreição, o seu ministério de amor e de salvação. Neste fio condutor percebe-se como tudo desemboca em Jesus Cristo, no Qual todas as coisas foram criadas.

       Boa leitura. Meditada. rezada. "Que o leitor se delicie com estas páginas, em que Deus e o homem se procuram e encontram, ou se distanciam. Foi um prazer, espanto e proveito sempre renovados que as fui escrevendo" (D. António Couto).

 

Veja também a sugestão deste estudo na Livraria Fundamentos: AQUI.

30.05.11

Abrão, Isaac e a opção pelo Deus da Vida - Gn 21,8-21

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       Algum tempo depois, Deus colocou à prova a fé de Abraão. “Pega no teu filho Isaac” – disse Deus, “o filho que tanto amas. Vai até ao cimo de uma montanha na terra de Moriá. Aí, deves sacrificá-lo em meu nome”.

       Abraão não questionou aquilo que escutara. A prática de sacrificar crianças não era estranha entre alguns dos povos vizinhos. Na manhã seguinte, cortou lenha para a fogueira, albardou o jumento e partiu para a montanha com Isaac e dois servos. Ele tinha-os informado que iria fazer um sacrifício, não havia explicado mais nada.

       À medida que se aproximavam da montanha, Abraão pediu aos servos para esperar com o jumento, enquanto ele e Isaac iriam prosseguir com a cerimónia.

       Isaac transportou a lenha. Abraão levava uma faca e um pote com brasas para acender a fogueira.

       “Oh, sabeis do que nos esquecemos?” – perguntou Isaac. – “Não temos o cordeiro para o sacrifício!”

       “Deus tratará de arranjar um” – respondeu Abraão, lacónico.

       Os dois continuaram a subir. No cimo da montanha, Abraão construiu um altar em pedra e deitou sobre este a lenha. Subitamente, agarrou Isaac com violência, amarrou-o e deitou-o em cima do altar. Levantou a sua faca. “Abraão” – chamou Deus.

       “Aqui me tendes” – respondeu Abraão. “Não magoes o teu filho” – disse Deus. “Tudo isto Me provou que estás disposto a obedecer-me”. Abraão baixou a faca. Olhou à sua volta. Atrás de si encontrava-se um carneiro selvagem,  preso num silvado. Abraão desamarrou o seu filho e sacrificou o carneiro. O seu amado filho estava salvo. “A partir de agora” – disse Deus, “podeis estar certo de que abençoarei o teu filho e os filhos do teu filho por todas as gerações vindouras”.

 

Mónica Aleixo, in Boletim Voz Jovem, maio 2011.

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