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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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08.06.19

Recebei o Espírito Santo...

mpgpadre

1 – Jesus cumpre a Sua promessa. E o último momento desse comprometimento ainda acontece nos nossos dias: Ele estará connosco. Sempre que nos reunimos em Seu nome. De cada vez que fazemos o bem ao mais pequeno dos irmãos. Quando e sempre que assumimos a nossa pertença à Igreja, Seu Corpo, do qual somos membros, e deixamos que a Sua graça nos acaricie o coração, para que uma vez redimidos, possamos transparecer aos outros o Seu amor.

Eu vou partir, mas não vos deixarei órfãos. Vou preparar-vos um lugar, em casa de Meu Pai, há muitas moradas, para que onde Eu estiver vós estejais também. Por ora ficareis tristes, mas então a vossa tristeza converter-se-á em alegria, duradoura, que ninguém vos poderá tirar. É bom que Eu vá, para vos enviar o Espírito Santo, o Paráclito, o Consolador. Ele vos revelará toda a verdade. Não precisais de preparar a vossa defesa, o Espírito Santo inspirar-vos-á o que haveis de dizer! Não tenhais medo. Eu estarei convosco até ao fim dos tempos.

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2 – Ele dá-nos o Espírito Santo em abundância, mas como sói dizer-se, com o poder vem a responsabilidade. No Evangelho de São João, a dádiva do Espírito Santo acontece ao domingo, naquele domingo, o primeiro dia da semana. Jesus regressa, como prometido, e regressa colocando-Se no MEIO deles. Independentemente das portas e janelas fechadas, dos muros e das paredes, Jesus vem para nos ligar a partir do centro. Ele está ao meio.

A mensagem já a conhecemos: a paz! A paz que Ele nos deixa, uma paz que é cozinhada pelo amor, revestida de perdão, de serviço e do cuidado ao semelhante; a paz que nos faz querer ser como Ele, apostando na ternura e na compaixão, e na proximidade aos mais frágeis. Paz que se constrói a partir de dentro, a partir do coração, a partir de cada um de nós. A paz entre nós será possível quando e sempre que estivermos reconciliados connosco, com a nossa identidade e a nossa pertença. Não esqueçamos, pertencemos uns aos outros. A nossa identidade irmana-nos a Jesus, porque assim Ele o quis, e irmana-nos aos outros, onde Ele Se esconde e onde O poderemos encontrar.

«Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Jesus não Se apresenta só, mas com o Pai (e com o Espírito Santo). É em Nome do Pai que anuncia e realiza prodígios. Eu e o Pai somos Um. A nossa vocação, discipulado e missão decorrem desta comunhão trinitária. Somos enxertados em Jesus Cristo, no batismo, pela ação do Espírito Santo. E, por conseguinte, somos discípulos missionários, não por autorrecreação, mas na dependência estreita com Jesus. Quando esquecermos esta ligação, seremos como ramos decepados (cortados da cepa) que logo secam e só servirão para queimar.

 

3 – E se o chamamento vem de Deus, então a missão levar-nos-á a anunciar a vontade, a vida e a Palavra de Deus. Não nos anunciamos. Anunciamos Aquele que nos chama e nos envia. E como sabermos qual a vontade de Deus? Com as nossas limitações e fragilidade?

Olhemos para Jesus, para a Sua vida, e para a Sua entrega a favor de todos, especialmente dos pobres, dos despojados, dos pequeninos! E como Ele faz, façamos nós também. Eu que Sou Mestre e Senhor, lavei-vos os pés, para que, assim como Eu vos fiz, o façais uns aos outros. «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

A ternura, a compaixão e o perdão, a bondade, a delicadeza, o amor e a proximidade são a marca de Jesus que passa pelo mundo fazendo o bem. A marca de Jesus será a marca obrigatória dos Seus discípulos, dos cristãos, a marca da minha e da tua vida.

A oração convoca-nos para este caminho de santificação, acolhendo, desenvolvendo e partilhando os dons que Deus nos dá: «Deus do universo, que no mistério do Pentecostes santificais a Igreja dispersa entre todos os povos e nações, derramai sobre a terra os dons do Espírito Santo, de modo que também hoje se renovem nos corações dos fiéis os prodígios realizados nos primórdios da pregação do Evangelho».

A oração compromete-nos na realização daquilo que pedimos a Deus.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Atos 2, 1-11; Sl 103 (104); 1 Cor 12, 3b-7. 12-13; Jo 20, 19-23.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

01.06.19

Elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos.

mpgpadre

1 – A Ascensão do Senhor sublinha que a missão de Jesus conta connosco.

Jesus parte para o Pai sem nos deixar! Como é que isso é possível? Através do Espírito Santo. Encarnando, Jesus sujeita-Se à finitude, a fragilidade e às limitações humanas. Se está em Tabuaço, não pode estar em Penude. Se nasceu no ano 2000 não vai estar no mundo daqui a mil anos! Se não comesse e não bebesse, Jesus acabaria por morrer por inanição, como qualquer mortal.

A partida de alguém que estimamos gera desconforto, tristeza, incerteza. Há hoje muitas formas de atenuar a distância física, e obrigamo-nos a acreditar e a fazer acreditar os outros que nada muda, tudo permanece como antes, basta telefonar, fazer uma videochamada! Mas não é a mesma coisa. Nós sabemos isso. Olhar para um ecrã não é a mesma coisa que olhar olhos nos olhos a meio metro de distância. E ficará a faltar o beijo, o abraço, a carícia, o odor que nos liga, o tato da pele na pele do outro.

Quando a partida é provisória, começam a fazer-se contas aos dias que ficam a faltar para o regresso. Alimenta-nos mais a certeza do regresso, do encontro e da festa, do que a distância, e esta justifica-se pela necessidade. Problema maior é quando a partida é definitiva, para sempre, ou porque as condições e as opções de vida o exigem, ou por morte (e aqui o definitivo tem um carácter avassalador).

A partida de Jesus é definitiva! Previamente o anuncia, mas também a promessa do Seu regresso. Não um regresso ao "antes", físico, mas a partir de Deus, pela ação do Espírito Santo. Ele dá-nos, envia-nos de junto do Pai, o Espírito Santo.

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2 – "Vós sois testemunhas destas coisas". Ontem eles, hoje nós, discípulos missionários deste tempo, 2019, onde nos encontramos, na família, nos estudos, no trabalho, na festa como no luto, de manhã ou ao entardecer do dia e da vida. Somos testemunhas da Boa Notícia que nos é revelada em plenitude por Jesus Cristo e no Seu mistério de entrega e oblação. Ele entregou-Se inteiramente por nós.

O discípulo segue as peugadas do Mestre. «Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém».

Vendo a vida de Jesus, podemos antecipar como será a nossa vida uma vez a Ele convertidos. Se Ele, qual manso Cordeiro, foi injustiçado, perseguido, maltratado, morto, como não o seremos nós também se ousarmos persistir na verdade, no amor e no serviço?!

Mas não há que temer. «Eu vos enviarei Aquele que foi prometido por meu Pai… Recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas até aos confins da terra».

 

3 – Não nos ocupemos em saber os tempos, comprometamo-nos a evangelizar todas as situações. «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade».

Na Galileia, Jesus encontra-Se com os discípulos, sempre O podemos encontrar, e "elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos". Os discípulos ficam estupefactos. Não querem ainda acreditar que Jesus já não está fisicamente entre eles! Foi tão pouco tempo! Um instante! Três anos preenchidos de bondade, compaixão, de serviço aos mais pobres, de anúncio permanente do Evangelho. Um instante e logo Jesus é preso, acusado de malfeitor e é crucificado. Um instante! Jesus volta, ressuscitado, com as marcas da paixão, o amor levado até ao fim e mostra-lhes que estará no meio deles, mas de uma forma totalmente nova, pelo Espírito Santo, já não limitado pelo tempo ou pelo espaço. Estará ao alcance de todos.

Num misto de alegria e de tristeza, veem-n´O partir. Não há lugar ao engano ou ao faz-de-conta, Jesus afasta-Se em direção ao Pai. Sabemos onde Ele Se encontra! À direita do Pai. E, por conseguinte, o nosso olhar terá de ser peregrino do Céu, a nossa pátria verdadeira, mas com os pés bem assentes neste mundo: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu». Cidadãos do Céu, mas comprometidos no anúncio do Evangelho, na transformação do mundo que Deus nos dá como morada provisória, mas ainda assim para a tornarmos bela, cuidada, fazendo-a nossa casa, a minha e a tua casa, lugar em que nos encontramos, nos descobrimos e nos tratamos como irmãos.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Atos 1, 1-11; Sl 46 (47); Ef 1, 17-23; Lc 24, 46-53.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

 

24.05.19

Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz... Não se perturbe nem se intimide o vosso coração.

mpgpadre

1 – «Concedei-nos, Deus omnipotente, a graça de viver dignamente estes dias de alegria em honra de Cristo ressuscitado, de modo que a nossa vida corresponda sempre aos mistérios que celebramos». A primeira oração da Santa Missa faz-nos desejar que a nossa vida expresse a alegria da nossa fé em Cristo Ressuscitado e, ao mesmo tempo, nos comprometa na fidelidade Àquele que celebramos.

Jesus diz-nos como sermos seus discípulos e mostrar que O amamos verdadeiramente: «Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou».

Em Jesus, a Palavra é Vida, é Pessoa, é Ele mesmo, encarnado, historicamente visível pelo que diz e pelo que faz. As palavras e as obras expressem-n'O, mostram-n'O, tornam-n'O próximo.

Temos clara consciência que a palavra que não tem consequências, não gera compromissos, não conduz à vida, não envolve a nossa história concreta, é uma palavra que se converte em ruído! Temos consciência que as promessas e as juras valem quando se tornam visíveis. A palavra de honra que nos humanizava (e deveria humanizar) apresenta-se hoje sob suspeita. Sim acredito, mas qual Tomé, quando vir com estes olhos que a terra há de comer!

E também nós sabemos: amamos verdadeiramente alguém quando o escutámos, o perscrutamos, e procurámos que as suas palavras nos alimentem e nos façam agir em conformidade.

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2 – A garantia de Jesus é válida para hoje e para sempre. A promessa e a certeza baseiam-se na ligação ao Pai e ao Espírito Santo. «Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis».

A palavra é poder. O conhecimento é poder que muitos usam para singrarem por cima e além dos outros. A transparência cria laços que nos aproximam, que nos tornam vulneráveis (no bom sentido, predispostos a acolher o que vem do outro e festejar a vida do nosso semelhante), que nos humanizam. A opacidade afasta-nos dos outros e cria barreiras, ruturas, contradições, desumaniza-nos, tornando-nos prepotentes, assumindo uma assustadora sobranceria que nos endeusa. Alguns guardam zelosamente conhecimentos, porque dessa forma podem manipular, chantagear e espezinhar os outros.

A postura de Jesus é um desafio e um estímulo à transparência, à delicadeza e à partilha da vida, também do que temos, conhecimentos e cultura. Só assim nos enriquecemos! O que partilhamos multiplica-se, o que guardamos perde-se, acabará por "enferrujar".

 

3 – «Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu».

A confiança gera alegria e pacificação; a desconfiança gera medo e irritação. Para a confiança, a transparência é fundamental. Ninguém confia numa pessoa opaca, cujo olhar e expressão denotam reserva, fechamento e antipatia. Jesus apresenta-Se como É, frágil e vulnerável, próximo, humano, procurando explicar tudo aos seus amigos, desafiando-os a darem sempre mais de si mesmos, envolvendo-os no caminho, dando-lhes as ferramentas necessárias para quando fisicamente estiver ausente. Alerta-os para os perigos, para o que hão de encontrar, mas afiançando-lhes que não os abandonará. Não doura a pílula! Podem, e podemos contar sempre com Ele, mas nem por isso as dificuldades e contratempos deixarão de surgir.

«Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração». A paz que nos comunica vem de antes, vem do Céu, vem do Pai, para o Qual regressa sem nos deixar. Deus, na Sua infinita Sabedoria tornou-Se tão presente que Se misturou connosco, sendo um de nós, em Jesus Cristo. Como um de nós, também Ele se submete à fragilidade e à finitude do tempo. Porém, antes que tal aconteça, prepara esse tempo que há de chegar, com a promessa e a garantia que virá, que estará connosco até ao fim do mundo, que virá pela ação do Espírito Santo que o Pai nos dará. É essa paz que reconforta e que nos apazigua, nos alegra. É uma paz não imposta, não disfarçada, não maquilhada, é uma paz que assenta no amor, na Palavra anunciada, vivida e partilhada. É uma paz que resiste, perdura para lá do tempo e se mantém jovem, porque vem de dentro, vem do alto, vem de Deus.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Atos 15, 1-2. 22-29; Sl 66 (67); Ap 21, 10-14. 22-23; Jo 14, 23-29.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

13.04.19

Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito

mpgpadre

1 – A semana começa bem para Jesus. E melhor ainda para aquela multidão de discípulos que O acompanham na entrada de Jerusalém. Esta primeira multidão é constituída por pessoas da Galileia, pobres e humildes, gente devota que vem para celebrar a Páscoa e vislumbra em Jesus a resposta de Deus aos seus anseios e à sua fé.

Logo serão outros a pedir a cabeça de Jesus.

Jesus não deixa de preparar os discípulos. Na Última Ceia, durante a qual acontece a primeira Eucaristia, Jesus antecipa a morte, mas também a Sua presença para sempre, de uma maneira nova. Isto é o Meu Corpo, entregue por vós. Isto é o Meu sangue, o Sangue da Nova Aliança. Disse-vos estas coisas, para que quando acontecerem, possais levantar a cabeça e o ânimo, pois a salvação chegou a vós. Vou preparar-vos um lugar para que onde Eu estou vós estejais também. Não temais, Eu venci o mundo. Fazei isto em memória de Mim. Estarei convosco até aos fim dos tempos!

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2 – Vários os momentos e várias as lições. Nos momentos mais dramáticos da vida, a oração pode ser mais difícil. A de Jesus e a nossa oração. Pai, se é possível afasta de Mim este cálice. Mas faça-Se a Tua vontade e não a Minha. A oração faz-nos suplicar, para que o sofrimento não nos vença. A resignação é ativa, acolhendo e promovendo a vontade de Deus. A oração prepara-nos para o que está a chegar. Ainda que, em muitas situações, concluamos que afinal não estávamos tão bem preparados como julgávamos estar.

Os discípulos confrontam-se com o medo, com uma ansiedade extrema. Vacilam. Ficam bloqueados. Mas Jesus, ainda assim não deixa de os desafiar e a nós também. O caminho vai ser duro.

 

3 – Fazemos parte da Via-Sacra, estamos a caminhar com Jesus, de um a outro tribunal, assumindo uma e outra atitude: discípulos e curiosos; acusadores e juízes; mulheres e salteadores; bons e maus ladrões; Pilatos e Simão Cireneu e José de Arimateia; Judas e Pedro e discípulos amados. Maria e Verónica; fariseus e doutores da Lei; anónimos e amigos; fariseus e doutores da Lei, Anás e Herodes!

Jesus vai-nos encontrando e vai-nos atraindo para Si. Cabe-nos responder. Aprendamos com Ele. Na bonança e na adversidade, Jesus mantém-se estreitamente ligado ao Pai. Faça-Se a Tua vontade. Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito, a minha vida.

A semana Santa interliga-se com esta opção. Jesus é o bendito que vem em nome do Senhor, a quem Se entrega e confia, no Jardim das Oliveira, no alto da Cruz. O Seu alimento é concretizar a vontade do Pai, prevalecendo o amor, o perdão e o serviço.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Is 50, 4-7; Sl 21 (22); Filip 2, 6-11; Lc 22, 14 – 23, 56.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

06.04.19

Ninguém te condenou?... Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar.

mpgpadre

1 – Jesus foi, uma vez mais, para o monte das Oliveiras. Manhã cedo regressa ao templo, sendo rodeado pelo povo. Senta-Se e começa a ensinar. Escribas e fariseus aproveitam este "ajuntamento" para Lhe armarem uma cilada: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?».

A  Lei previa o apedrejamento, reconhecendo que a infidelidade é demasiado séria para alijar responsabilidades, desculpas ou justificações. Um dos Mandamentos diz claramente que não se deve cobiçar nem a mulher, nem a casa, nem os animais e nem os bens do próximo. É uma questão muito sensível e que, em muitas situações, provoca desgraças, como se vê pelos meios de comunicação social. Violência, perseguição e morte. A Lei previa uma pesada pena para dissuadir as tentações. Mais que a lei ou as penalizações, o fundamental são as convicções e o compromisso consciente e sério com o outro, seja na relação pessoal e familiar, seja ao nível profissional. A infidelidade acarreta infelicidade, acarreta um grande sofrimento, levando à auto-culpabilização e a situações depressivas.

Ainda há países (de influência muçulmana) que preveem a pena de morte (por apedramento) para mulheres adúlteras. O judaísmo previa que a lei fosse igual para mulher e homem, isto é, se apanhados em flagrante adultério os dois seriam levados à justiça. Vê-se, todavia, que só a mulher foi levada a Jesus. Nos países em que vigora esta lei só se aplica à mulher.

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2 – Jesus não responde de imediato. Com ânimos exaltados, em causas sensíveis, perante uma multidão influenciável por quem grita mais alto ou pareça mais convincente, Jesus opta pelo silêncio, mas não fica indiferente, começa a escrever no chão. Não sabemos ao certo o que é que terá escrito, talvez os pecados dos denunciantes.

Então Jesus ergue-Se e diz-lhes/nos: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Inclina-Se novamente e continua a escrever no chão. A começar pelos mais velhos, todos se retiram, ficando apenas Ele com a mulher, que estava no meio. Terão tomado consciência que afinal tinham pecados tão graves como os desta mulher.

Mas há outros pecados gravíssimos como a corrupção, a desonestidade, a maledicência, o destruir a vida dos outros por insinuações e boatos, o roubar-lhes a honra ou o ganha-pão, a retenção dos bens alheios, a falência de uma empresa, por exemplo, por egoísmo e falta de zelo e de preocupação pelos trabalhadores, a avareza e a prepotência, a violência doméstica.

 

3 – No final, diria Santo Agostinho, fica a misericórdia e a miséria, Jesus e a mulher. Claro que Jesus não sanciona o mal feito, como alguns fazem crer. Porém, Ele olha para ela como mulher, como pessoa, antes de olhar para o seu pecado e para as suas falhas. E sabe que falta ali o homem com quem foi apanhada! O que conta agora é o caminho a fazer. «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?... Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar».

Poderia ter sido o fim. Jesus propõe a ressurreição, a vida nova, a reconversão da vida, a escolha de uma alternativa, nada está perdido. Não desistir das pessoas; a condenação do pecado há de ser oportunidade para refazer a vida; valorizar a pessoa e não as suas falhas; apostar no perdão, no acolhimento e na misericórdia, em vez de julgar, condenar e excluir, mesmo em questões sensíveis e gravíssimas. O reconhecimento do próprio pecado e a consciência da nossa condição de pecadores, permite maior compreensão em relação às fragilidades dos outros, mas também permite rever o caminho que temos seguido, e sincronizar a nossa postura com a de Jesus.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Is 43, 16-21; Sl 125 (126); Filip 3, 8-14; Jo 8, 1-11.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

 

30.03.19

Este teu irmão estava morto e voltou à vida

mpgpadre

1 – Jesus mostra-nos a misericórdia do Pai, através da “Parábola do Filho Pródigo”, centrada no Pai Misericordioso.

Antes, a acusação dos fariseus e dos escribas: Jesus acolhe publicanos e pecadores e come com eles. O ato de comer, no mundo judaico, implica estar ou entrar em comunhão de vida com o outro. Senta-se à minha mesa quem se dá comigo, familiares e amigos. Ele come com a escumalha da sociedade, com os pobres, os excluídos, os pecadores, os publicanos. É neste contexto que Jesus lhes/nos faz ver que o Amor de Deus é infinito, nós é que lhe colocamos limitações pelo nosso pecado, pelo nosso egoísmo, pela nossa fragilidade.

Um homem (Deus) tinha dois filhos (nós). O mais novo pediu a parte da herança e abandonou a casa paterna. Aventurou-se numa vida longínqua. Foi gastando tudo numa vida libertina. Quando lhe acabaram os bens, procurou um trabalho, aceitando o mais indigno, como guardador de porcos (para os judeus os porcos eram demoníacos). Pouco a pouco toma consciência da miséria em que vive e decide voltar para o Pai. Sabe que tem de se justificar e arranjar argumentos para convencer o Pai do seu arrependimento. Nem se importa ser tratado como um dos trabalhadores do seu Pai.

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2 – O Pai não precisa de ser convencido. Ele ama com todas as veias do seu corpo. Daria a vida para que os filhos tivessem vida abundante. Com olhos encovados e a vista desgastada, o Pai avista o filho ao longe e corre para o abraçar e o cobrir de beijos.

Bem vistas as coisas, o Pai vê, aproxima-se, abraça, beija, porque ama. Levanta o filho. Ainda este se justifica – "Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho" – e já o pai está em festa: "Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado".

A misericórdia do Pai cancela a miséria do filho, renovando-o, devolvendo-o à vida. Estava morto. Agora está vivo. Ressuscitou.

 

3 – O irmão mais velho deu o mais novo como perdido e não o quer de volta, lhe parece que o amor do Pai se vai dividir, novamente, quando pensava que agora tinha toda a atenção. O irmão levou a herança, desgostou o pai, fê-lo sofrer, pois ao pedir a herança em vida do pai está a desejar-se-lhe a morte. O filho mais velho viu o sofrimento do Pai. Entretanto, tornara-se filho único. Quando o irmão regressa, não o quer ver, fica ressentido com a festa, não quer ver o pai e não reconhece o irmão - "esse teu filho". O pai recorda-lhe os motivos da festa e a pertença, a ligação, a família: "este teu irmão estava morto e voltou à vida". O Pai não diz o "meu filho", mas “o teu irmão”. Diz-lhe a ele, o mais velho e diz-nos a nós: o teu irmão. A Caim, Deus pergunta: onde está o teu irmão? Que lhe fizeste?

Reconhecer Deus como Pai faz-nos reconhecer-nos como irmãos. Não podemos chamar a Deus Pai, se depois não reconhecemos os outros como parte da nossa família nem os tratamos como tal.

O Pai (a Mãe) ama com o coração inteiro, um e outro filho ou uma dúzia. Cada um é único. Ama cada um com todo o amor, não às prestações, mas total, integralmente como se não houvesse amanhã. "Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado".

Teremos de ser nós a tirar conclusões. Somos o filho mais novo ou o mais velho? Estamos dentro, mas com vontade de estar fora? Ou estamos fora, prontos para regressar? O Pai já fez a Sua escolha: amor único e total por cada um de nós.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Jos 5, 9a. 10-12; Sl 33 (34); 2 Cor 5, 17-21; Lc 15, 1-3. 11-32.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

23.03.19

E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo!

mpgpadre

1 – Prevalência da misericórdia sobre a ira, primazia da paciência sobre a precipitação, precedência do amor sobre o egoísmo. É assim que Jesus vive. É desta forma que Jesus, pelas suas palavras e pela Sua vida, nos revela a vontade de Deus. Há de ser essa a nossa opção, para chegarmos a ser verdadeiramente filhos de Deus, para nos tornarmos, efetivamente, discípulos de Jesus.

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2 – Quando olhamos para as catástrofes naturais, como o ciclone em Moçambique, pode advir a tentação de culpar alguém ou, pelo menos, de interrogar Deus.

Há fenómenos que de facto não conseguimos abarcar, explicar ou justificar, como há situações na nossa vida que escapam à nossa compreensão. Um dia chegaremos a ver Deus face a face, já não na antecipação eucarística, mas realmente como Ele nos vê e como Ele nos deixará ver-nos: o que somos! Porquanto vamo-nos apercebendo que há questões para as quais não há respostas. Cabe-nos amar, servir, gastar a vida, colocar o melhor de nós em tudo o que fazemos. É o caminho da conversão que nos leva a Jesus, que nos faz ser como Jesus, gastando-nos até ao fim, sem pausas nem reservas. Discípulos missionários até morrermos! Tudo, todos, sempre em missão.

 

3 – Contam a Jesus como Pilatos tinha mandado matar alguns galileus. Logo há alguém diretamente culpado! Mas, e os que morreram? Jesus dá uma resposta clara: não menos e não mais pecadores que os outros galileus. E acrescenta outro acontecimento: 18 homens mortos pela queda da torre de Siloé! Nem mais nem menos culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém. Resposta desafiadora de Jesus. Foram estes, poderiam ter sido outros, sem que haja uma ligação direta entre culpa e castigo. É, na verdade, uma questão difícil de dissolver, pois há pessoas justas que se sentem esmagadas e há pessoas corruptas que se sentem abençoadas.

Jesus apõe um desafio: "E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo". Pode acontecer que morramos em qualquer altura, por causas provocadas pelos outros, por situações em que tenhamos contribuído para acelerar essa hora, ou por qualquer um outro incidente, ou simplesmente pelo "desgaste" do tempo!

Mas podemos fazer com que a nossa vida prevaleça além da morte natural/biológica. Se nos arrependermos, se fizermos com que a nossa vida valha a pena para nós e para os outros - o amor faz-nos perdurar no tempo, faz com que a relações entre as pessoas se eternizem - então não morreremos de modo nenhum, pois seremos alcançados para a eternidade de Deus.

 

4 – Na parábola, ressalta a paciência para cuidar da figueira para que volte a dar fruto. Temos de fazer melhor. "Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano". É o trabalho de Jesus. Ele chama-nos e envia-nos (Igreja de Lamego, chamada e enviada em missão). Jesus não é um escudo que nos protege das garras do Pai, é o Rosto e a Presença do Amor de Deus que nos envolve e nos compromete, fazendo-nos ver que o amor e o serviço, o perdão e a ternura, a partilha e o cuidado aos outros, nos afeiçoa a Deus, tornando-nos semelhantes a Ele.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Ex 3, 1-8a. 13-15; Sl 102 (103); 1 Cor 10, 1-6. 10-12; Lc 13, 1-9.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

16.03.19

Este é o Meu Filho, o Meu Eleito: escutai-O

mpgpadre

1 – Do deserto para a montanha. Com Jesus aprendemos a responder à tentação com a Palavra de Deus, inspirando-nos, uma vez mais, no Espírito de Sabedoria, sabendo que outros momentos de hesitação, de tentação e desencontro podem acontecer, no deserto ou na cidade, quando sós ou em família, na Igreja ou no mundo.

Liturgicamente, o deserto conduz-nos à montanha. Porém, a transfiguração surge a meio da vida pública de Jesus, logo depois de anunciar aos discípulos a Sua morte e ressurreição. Mas, tal como o deserto, também a montanha nos aproxima de Deus, torna-nos (simbolicamente) mais perto do Céu. No deserto, a aridez, o inóspito; na montanha, a beleza e a pureza do ambiente que nos circunda. No deserto, tempo para falar com Deus. Na montanha, tempo para Deus nos falar, pela criação. Numa e noutra situação, somos impelidos à confiança, a colocar-nos nas mãos de Deus, a perceber a Sua presença nos momentos nublosos e nos momentos luminosos, a procurarmos nas Suas Palavras respostas para as nossas inquietações.

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2 – Quando as coisas não nos correm tão bem, em jeito de desabafo, dizemos que todos têm dias bons e dias maus, nem sempre as coisas correm como desejaríamos, dias melhores virão.

Por vezes basta um vislumbre, uma centelha de luz, um pouco de esperança, para seguirmos adiante. Com efeito, morremos não quando o coração para, mas quando deixamos de ter esperança! Uma bolacha para enganar o estômago enquanto esperamos pelo almoço…

O caminho com Jesus tem altos e baixos. Nem sempre as coisas correm como expectável, pelo menos do ponto de vista dos discípulos. A simpatia com Jesus, absorve-os também a eles. Contudo, à medida que o tempo passa, começam as armadilhas, as questões colocadas a Jesus, as insinuações por parte de fariseus, doutores da Lei e outros mais interessados em manter o estatuto social que em defender a justiça e a verdade.

O próprio Jesus não os deixa deslumbrar com os sucessos. O filho do Homem vai ser entregue às autoridades dos judeus e vai ser morto. Também não os deixa cair em desânimo. Três dias depois ressuscitará. Na transfiguração, Jesus mostra-lhes o final, ou melhor, um vislumbre da eternidade de Deus.

 

3 – O milagre (de Deus) surpreende-nos e ultrapassa a nossa compreensão humana. Insere-se e insere-nos na dimensão sobrenatural. No decorrer da oração dá-se a "transformação", a transfiguração de Jesus. O Seu rosto alterou-Se e as Suas vestes ficaram de uma brancura refulgente. É na oração que podemos acolher Deus e o Seu mistério de amor e de proximidade. A conversar com Jesus, Moisés e Elias. A humanidade do passado, e que vive em Deus, torna-se nossa família na oração.

Pedro representa-nos: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Quando estamos bem, num lugar em que nos sentimos em casa, junto de pessoas que nos querem e a quem queremos bem, não se dá conta do tempo passar. O tempo já não existe, existe o momento, a presença, a alegria, a luz, a paz. É um vislumbre da eternidade. Quereríamos que o tempo cristalizasse, tornando-se eterno. Quereríamos permanecer e que nada se alterasse. Mas ainda não é o fim, é um vislumbre. Há que colocar os pés no chão e voltar à cidade, ao convívio dos homens e das mulheres do nosso tempo. Somos peregrinos, estamos sujeitos à fragilidade e desgaste do tempo.

____________________________________________________________________________________________

Textos para a Eucaristia (ano C): Gen 15, 5-12. 17-18; Sl 26 (27); Filip 3, 17 – 4, 1; Lc 9, 28b-36.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

09.03.19

Nem só de pão vive o homem...

mpgpadre

1 – "Normalmente, nas horas mais dolorosas da nossa vida, zangamo-nos com Deus, porque imaginamos que Ele está longe ou, pelo menos, é indiferente à nossa dor. É difícil crer em Deus quando se está pregado numa cruz, atormentado pela dor e a carne a desgarrar-se" (Ariel Álvarez Valdés). O teólogo argentino contextualiza-nos no momento da crucifixão, mas estas palavras podem ser ilustrativas das tentações que nos afetam e da opção fundamental de Jesus por Deus, ajudando-nos a confiar, a colocar-nos nas mãos de Deus.

Desde o início da Sua vida há um denominador comum: Jesus é conduzido pelo Espírito Santo. No Batismo, o Espírito de Deus desce sobre Ele, em forma de pomba; durante os quarenta dias que permanece no deserto, Jesus é conduzido pelo Espírito. Acima das tentações, o que sobressai é a presença do Espírito Santo que O conduz. Em todo o tempo. Também nas tentações.

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2 – No 1.º Domingo da Quaresma são-nos apresentadas as tentações de Jesus, colocadas no início da Sua vida pública. No Batismo Jesus é manifestado como o Filho Amado de Deus. Chegou a hora de passar do anonimato para a vida pública, da vida em família para uma vida exposta, anunciando a Boa Nova da salvação.

Como em outras ocasiões decisivas, Jesus faz deserto, Jesus faz quaresma, prepara-Se para a Páscoa. Esta primeira quaresma dura 40 dias. O deserto é um lugar inóspito, de dúvida e de morte, não há seguranças a que se agarrar! O deserto é também provação, avalia a nossa resiliência. Sem distrações, possibilita o encontro connosco, com os nossos medos e inseguranças. É um lugar de encontro de Deus, no mais fundo de nós. Nada nos ocupa mais, nada nos distrai, nada nos rouba tempo. Não nos falta a disponibilidade cronológica e com tanto tempo disponível haverá a oportunidade para orar, escutando Deus, para rezar, falando connosco, gritando, chorando sem ninguém para nos ouvir... ou melhor, como Jesus nos ensina, Deus Pai sempre nos escuta, também nos desertos da nossa vida.

Analogamente, poderíamos dizer que a vida toda, neste caso, de Jesus, é uma quaresma, na medida em que Se encaminha para o Pai, encaminhando-Se para a Páscoa. No deserto, carrega as baterias para os momentos adversos. Enraíza-se no Pai. É conduzido pelo Espírito Santo. Embora toda a vida possa ser oração, há momentos para "suspender" tudo para ser tudo, o tempo e a vida, o coração e os pensamentos, tudo para Deus, para que Deus seja tudo em nós.

 

3 – Não tendo comido durante esses dias, Jesus sentiu fome e surgiu a tentação: «Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão...  Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos, porque me foram confiados e os dou a quem eu quiser. Se Te prostrares diante de mim, tudo será teu... Se és Filho de Deus, atira-Te daqui abaixo, porque está escrito: ‘Ele dará ordens aos seus Anjos a teu respeito, para que Te guardem’; e ainda: ‘Na palma das mãos te levarão, para que não tropeces em alguma pedra’».

Perante as dificuldades e contratempos? Baixar os braços, desistir, ou usar todos os meios, mesmo que imorais e injustos, para reverter as situações em benefício próprio? Impor-se pela corrupção, pela violência, pela chantagem, pelo engodo? Ou resistir, insistir, lutar, procurar meios e formas justas e honestas de responder às adversidades? Passar por cima dos outros ou procurar respostas e soluções em conjunto? Criar ilusões ou enfrentar a realidade?

As respostas de Jesus são elucidativas: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem’... ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’... Não tentarás o Senhor teu Deus’».

Jesus recusa instrumentalizar Deus, usando o poder em benefício próprio. Recusa a espetacularidade e os caminhos fáceis, a imposição pelo milagre ou submeter-Se a poderes obscuros. Um dia far-Se-á Pão para todos! Gastará a Sua vida a nosso favor, respeitando a nossa liberdade e as nossas escolhas. Mostra-nos o caminho.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Deut 26, 4-10; Sl 90 (91); Rom 10, 8-13; Lc 4, 1-13

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

23.02.19

Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam...

mpgpadre

1 –  Amar os amigos, rezar pelas pessoas de quem se gosta, emprestar de quem se espera algo em troca, fazer favores para mais tarde os cobrar, não é nada do outro mundo. Jesus convida a ir mais longe, a amar mais, a dar-se mais, a gastar-se totalmente em prol dos outros. «Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, orai por aqueles que vos injuriam. A quem te bater numa face, apresenta-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, deixa-lhe também a túnica. Dá a todo aquele que te pedir e ao que levar o que é teu, não o reclames. Como quereis que os outros vos façam, fazei-lho vós também».

Aquele é (ou era) uma pessoa cinco estrelas, amigo do seu amigo. Eu sou amigo de toda a gente, desde que não me cheguem mostarda ao nariz, pois aí é que me ficarão a conhecer. É uma tautologia. Ser amigo do amigo não custa, é natural, lógico, não se esperaria outra coisa. Ora o Evangelho desafia-nos a superar-nos, a perdoar a quem nos ofende, a dizer bem (= a abençoar) de quem nos injuria, a optar por inverter qualquer resquício de ódio, de irritação contra o outro, colocando de lado a vontade de vingança. Não apenas a não dizer mal, não apenas a não fazer mal, mas positivamente, dizendo e fazendo bem.

A referência é Cristo, que passou fazendo o bem, sem exceção de pessoas. Isso não invalida a Sua opção preferencial pelos mais pobres, os excluídos da sociedade, da cultura, da política e da religião, da economia, doentes, leprosos e coxos, cegos e surdos, pecadores e publicanos, mulheres de vida duvidosa e crianças, estrangeiros e pedintes. A lógica é essa: incluir, devolver a dignidade perdida, recuperar, refazer o tecido humano e social, salvar pecadores.

Por vezes, ao olharmos para o mundo, podemos desanimar perante a espiral de violência, pobreza, corrupção, expressão de egoísmo, de inveja e de prepotência. Sempre foi assim… Isso é para quem tem dinheiro e conhecimentos... Que posso fazer para mudar as coisas? E, depois, ouvimos a Santa Teresa de Calcutá: o que faço pode ser apenas uma gota de orvalho no vasto oceano, contudo, essa gota faz diferença, sem ela o oceano não está completo.

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2 – Jesus não Se rende, não vacila, não Se cala diante das injustiças, da hipocrisia. Mais do que palavras usa a vida, os gestos, convivendo com os excluídos, misturando-Se com o povo, como dirá o Papa Francisco, tem o cheiro das ovelhas, entranha-Se nas suas vidas, com as suas alegrias e tristezas, lutas e sofrimentos.

Pela palavra e pelos gestos, Jesus não Se conforma com a falsidade, com a arrogância, com os abusos de poder, mas a Sua luta não passa pela força, pela violência, não passa por pagar com a mesma moeda. A Sua força é amor, a Sua vingança é o perdão, a Sua revolta é a compaixão.

 

3 – Para seguir Jesus, ser cristão, não basta não fazer mal, é preciso imitá-l'O, sendo fiel aos Seus ensinamentos. Há, a propósito, uma estória de um homem, que no seu viver escrupuloso pediu para ser encerrado numa cabana, com as mãos e os pés atados, para não fazer nada a ninguém. Quando morreu e foi à presença do Senhor, apresentou-se feliz pois nunca tinha feito mal a ninguém. Então o Senhor perguntou-lhe: e fizeste bem a quem? Quantas pessoas ajudaste? Os dons que eu te dei o que fizeste, guardaste-os para quem?

Seguir Jesus implica-nos com os outros, com a transformação positiva da realidade, procurando ser mais-valia em todas as situações. «Se amais aqueles que vos amam, que agradecimento mereceis? Também os pecadores amam aqueles que os amam. Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo. E se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto».

Não precisamos de querer ser melhores que os outros, pelo menos na intenção e na definição, precisamos de ir mais além em tudo o que fazemos. «Amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca. Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não sereis condenados. Perdoai e sereis perdoados. Dai e dar-se-vos-á: deitar-vos-ão no regaço uma boa medida, calcada, sacudida, a transbordar. A medida que usardes com os outros será usada também convosco».

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Textos para a Eucaristia (ano C): 1 Sam 26, 2. 7-9.12-13.22-23; Sl 102 (103); 1 Cor 15, 45-49; Lc 6, 27-38.

 

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