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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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10.05.21

João Manuel Duque - NO CORPO DO TEMPO

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JOÃO MANUEL DUQUE (2021). No Corpo do Tempo. Teologia Breve I. Braga: Frente e Verso. 188 páginas.
 

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O autor: João Manuel Duque Doutor em Teologia Fundamental pela Phil.-Theologische Hochschule Sankt Georgen, Frankfurt, com uma tese sobre Gadamer. Professor Catedrático da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa e Pró-Reitor da mesma Universidade, para o Centro Regional de Braga. Diretor da revista Ephata. Publicou, entre outras obras, Homo credens. Para um Teologia da Fé (UCE), Cultura contemporânea e cristianismo (UCE). É casado e pai de três filhos.

Conjunto de reflexões de fácil leitura, acessíveis, escritas ao longo do tempo na revista "Mensageiro do Coração de Jesus" e agora colocadas em livro, com diversas temáticas, percorrendo o tempo litúrgico: Natal... Quaresma... Páscoa... sobre o Espírito Santo... a vida eclesial.

"De facto, tendo sido elaborados ao longo de cada ano, os artigos iam correspondendo à época do ano em que se publicavam, sobretudo na sua relação com o ano litúrgico e com as principais celebrações do ano cristão — com grande insistência no Natal, na Quaresma e na Páscoa. Por isso, este volume organiza as suas partes segundo esse ritmo, permitindo uma leitura de acordo com o tempo anual correspondente.
É claro que a referência ao tempo evoca, também, a temporalidade da nossa existência. Essa dimensão tem impacto sobretudo no conteúdo dos textos, mais do que na forma. De facto, a perspetiva fundamental da abordagem corresponde a uma compreensão da experiência de Deus no presente da história quotidiana dos humanos, ou seja, no tempo que marca as suas vidas. Daí a escolha do outro termo do título: o corpo. Porque a experiência de Deus e a correspondente experiência de salvação acontece já na história humana, no dia a dia das suas realizações, nos corpos pessoais e comunitários que lhe dão corpo. Ainda que haja uma referência especial ao corpo eclesial, de modo nenhum se pretende que esse corpo possa isolar-se dos corpos pessoais e comunitários que constituem o tecido do mundo, de que a Igreja faz parte e ao qual se orienta. Os corpos são todos permeáveis, porque estão todos expostos uns aos outros. Pretensas imunizações são perversas, ou mesmo ilusórias".
 
O primeiro texto começa assim:
"'Deus é amor (O Theos agapê estín – Deus caritas est) (1 João) – esta é, talvez, a mais condensada e mais completa «definição» de Deus. Corresponde, de modo pleno, à compreensão cristã de Deus, que resulta de um processo longo e complexo de revelação e de descoberta. Concluir que Deus é amor não é algo evidente, nem isento de consequências. Contudo, a palavra «amor» – e até a palavra «caridade» – sofreu uma forte erosão, sendo necessário algum esclarecimento sobre o seu significado no contexto da tradição bíblico-cristã.


Antes de tudo, amor é um modo de relação entre pessoas – ou entre seres pessoais. O que implica o esclarecimento de alguns elementos do conceito de pessoa. Em primeiro lugar, implica a afirmação da unidade e unicidade de cada pessoa. Isto é, implica que aquele ou aquela que está envolvido ou envolvida numa relação de amor seja único e irrepetível, e não apenas uma energia, um elemento num sistema englobante, um princípio lógico, uma aparência ou outra realidade qualquer. Como tal, não poderíamos considerar o amor como algo do género de uma energia contínua que flui entre os seres, como pontos ou nós numa rede eletrónica, sem que fosse considerada a unicidade pessoal de cada ser nele envolvido.

No mesmo sentido, cada ser único e irrepetível envolvido na relação amorosa é diferente de outro ser. Por isso, o amor é o contrário de uma fusão das identidades e das diferenças dos sujeitos envolvidos numa realidade que os englobasse e lhes anulasse as suas características pessoais. Só é possível amor entre pessoas diferentes – e, ao mesmo tempo, a realidade pessoal resultante da relação amorosa é sempre uma realidade inconfundível com outra.
Em Jesus Cristo, Deus revela plenamente quem é – mesmo que nós, humanos, ainda não o compreendamos completamente. E revela-se amando – dando a vida pelo outro; e revela-se sendo amado – acolhendo a vida como dádiva do Pai. Por isso, o amor de Deus, que se realiza no encontro com o humano, sendo plenamente humano em Jesus Cristo, é que revela o próprio Deus. É claro que, nas condições da nossa existência humana e das suas limitadas capacidades de compreensão, nós só podemos compreender o que seja esse amor de Deus pelos humanos de modo analógico – só a partir da limitada experiência que fazemos do nosso amor humano. Por isso, Deus revela-se, em Jesus Cristo, amando com amor humano – só assim conseguimos compreender e acolher esse amor. Mas, ao mesmo tempo, percebendo nós as limitações do amor humano, também percebemos a sua grandeza e, em certa medida, o facto de albergar, nessas limitações, algo que é maior do que ele mesmo. Por essa via, podemos acolher um amor que seja fonte do nosso amor humano – e, nesse sentido, infinitamente mais perfeito do que ele. Mais do que isso: podemos compreender que a nossa verdade – e a nossa salvação – reside na correspondência prática a esse amor primeiro e originário, pois ele é a fonte do nosso...

 

... Mas como se nos revela o amor de Deus – e Deus como amor? Precisamente na atuação de Jesus, enquanto ama, como humano. Assim, o amor de Deus que vem ao encontro do ser humano é o próprio Deus que, feito humano, ama humanamente, mostrando aos humanos que o amor humano é o caminho para corresponder ao amor de Deus, acolhendo a salvação. E o amor, que é caminho de salvação, é a capacidade de dar a vida pelo outro, fazendo-se servo do outro, o mais pequeno entre os pequenos, assumindo a debilidade humana – incluindo a condição mortal – como modo de amar, partilhando um modo de ser. É isso precisamente o que acontece no Natal".
 

01.05.21

Boletim Paroquial Voz Jovem - janeiro a abril de 2021

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Há mais de um ano que vivemos em pandemia, o que levou a alterar hábitos, ritmos, encontros. As paróquias não ficaram alheias aos confinamentos gerais e a dois momentos de suspensão das clebrações comunitárias, em 2020, de 14 de março a 30 de maio, e em 2021, de 23 de janeiro a 15 de março. Mas se há um ano abarcou parte da Quaresma e todo o tempo de Páscoa, este ano permitiu-nos a celebrações de São José e da Semana Santa e porquanto, tendo em conta o evoluir da situação favorável, continuaremos a o usufruir de mais oportunidades de juntos, presencialmente juntos, celebrarmos a fé, partilharmos a vida, confraternizarmos, animar-nos mutuamente a acolher, viver com alegria e a testemunhar o Evangelho.

Temos saudades de momentos, encontros, celebrações que faziam parte da nossa comunidade, mas certos que o tempo de espera e o cuidado pelos outros produzirão o seu fruto e a consciência de precisarmos dos outros, de os sentirmos, de os ouvirmos e olharmos olhos nos olhos. Não sabemos o depois, mas sabemos que o mundo precisa de todos, de mim e de ti, para transparecer a bondade de Deus, a sua ternura e amor. É este o tempo favorável, o tempo da salvação, contando com todos os limites que nos impõem e com as nossas próprias fragilidades.

O Boletim Voz Jovem chega, às vossas mãos, em mais uma edição, com textos e fotos, fixando momentos importantes na vida da comunidade, não apenas para recordar, mas para provocar vontade em empenhar-nos ainda mais na vida comunitária.

A Semana Santa, sendo a Semana Maior da nossa fé, da liturgia, ocupa um lugar de grande destaque, mas também o tempo de preparação para a Páscoa. Além o ciclo da Páscoa, a solenidade de São José, num ano que lhe é especialmente dedicado, e a Paragem 23, na Paróquia de Pinheiros, num momento de oração pelas JMJ 2023, iniciativa do Departamento da Pastoral Juvenil de Lamego.

 

Ou fazer o download a partir da hiperligação:

BOLETIM PAROQUIAL VOZ JOVEM - janeiro a abril de 2021

30.03.21

Isidro Lamelas: MELITÃO DE SARDES - sobre a Páscoa

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ISIDRO LAMELAS (2021. Melitão, Bispo de Sardes. Sobre a Páscoa (Perì Pascha). A mais antiga homilia pascal. Prior Velho: Paulinas Editora. 80 páginas.

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Ao aproximar-se a festa maior dos cristãos, eis esta homilia do Bispo de Sardes, Melitão, data de 164 a 166. É uma das mais antigas homilias que se conserva e que mostra bem como a Páscoa era verdadeiramente a única das festas cristãs.
 
Vejamos como é apresentado este livrinho:
"O conceituado exegeta franciscano Frei Isidro Lamelas oferece-nos aqui uma pequena pérola do tesouro da Tradição Patrística, concretamente, uma Homilia do século II sobre a Páscoa. Esta tradução para português é mais uma pedra do repositório patrístico, na nossa língua, de que o autor tem sido esforçado cultor. O autor da Homilia é o Bispo Melitão da cidade de Sardes, mas o ano em que foi proferida situa-se por volta de finais da década de 160, o que, em termos de cronologia, nos situa às portas da Ressurreição de Jesus. O especial interesse suscitado pelo texto desta Homilia reside no olhar que ela nos transmite sobre a forma como as primeiras comunidades se colocavam perante esse evento fundante da Ressurreição, como o viviam e que sentido e força regeneradora comportava, pois viviam-se tempos de testemunho cristão dado com intensa impregnação de sangue de mártires".
Antes da homilia, o enquadramento, contexto, a descoberta do texto e como se preservou, como se chegou ao seu autor, o estilo da homilia, a cidade de Sardes e as referências a esta Igreja no livro do Apocalipse. O autor tem o cuidado da apresentação, da tradução, das notas, explicitando aspetos da homilia, na ligação á Bíblia, às comunidades e a algumas heresias daquele tempo.
 
O autor:
ISIDRO PEREIRA LAMELAS é natural de Penude, concelho e diocese de Lamego e membro da Ordem Franciscana desde 1985. Licenciado em Teologia (UCP 1990), especializou-se em Estudos Patrísticos, no Instituto Patrístico Augustinianum de Roma. Frequentou Instituto Oriental de Roma (1997-1998), tendo concluído o Doutoramento na Universidade Gregoriana (1998).
Desde 2000 leciona na Faculdade de Teologia da UCP.
Ao longo destes anos tem promovido a tradução e estudo das fontes do cristianismo antigo, com especial atenção para o período pré-constantiniano e os autores galaico-lusitanos. Foi, entre 2013 e 2018, diretor da revista Didaskalia e, desde então, continua na Equipa editorial da revista Ephata, publicada pela Faculdade de Teologia. É ainda Diretor da revista Itinerarium, publicada pelos Franciscanos OFM. Tem publicados numerosos artigos e vários livros sobre o cristianismo das origens e a literatura patrística, de entre os quais destacamos os mais recentes: Gaudeo ubi audio, Santo Agostinho: a alegria da Palavra, 2012; Sim Cremos. O Credo comentado pelos Padres da Igreja, 2013; As origens do Cristianismo. Padres Apostólicos, 2016; A via da misericórdia na sabedoria dos Padres do deserto, 2016; Padres do deserto. Palavras do silêncio, 2019; Justino, filósofo e mártir do século II. Em defesa dos Cristãos, 2019; Os Padres da Igreja. Dos Apóstolos a Constantino, 2020; Potâmio de Lisboa. Escritos (em co-autoria com José António Gonçalves); Os espaços litúrgicos dos primeiros cristãos. Fontes literárias dos primeiros quatro séculos, 2021. É membro da Direção da Faculdade de Teologia da UCP e membro integrado do CITER-UCP
MELITÃO DE SARDES
Pouco sabemos da vida deste Bispo da Igreja de Sardes (na Lídia), pelos anos 160-170. As fontes antigas referem-se a ele como um dos «luminares» da antiquíssima Igreja da Asia Menor. Autor de vários escritos, entre os quais uma Apologia dirigia ao imperador Marco Aurélio (cerca do ano 170), quase tudo se perdeu. Visitou os lugares santos para estudar as Escrituras afirmando-se como um teólogo ilustrado e fecundo. Até meados do século passado não tínhamos como confirmar essa fecundidade teológica e literária atestada pelas fontes históricas. Desde 1940 0 nome de Melitão voltou a dar que falar, com a descoberta do texto quase completo da sua Homilia Sobre a Páscoa que aqui se publica.

12.08.20

Boletim Paroquial Voz Jovem - janeiro a junho de 2020

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Tempos novos estes!

No fim de semana de 14-15 de março, as celebrações comunitárias foram suspensas. Suspensos também os encontros de formação, de catequese, escolas da fé, celebração de sacramentos. O momento mais importante na vida da Igreja e das comunidades locais, a Páscoa, com as diversas celebrações, foi por certo a situação mais dura, assintomática, mas dolorosa!

Nada será como dantes?! Não seria de qualquer forma, houvesse ou não pandemia, pois a vida avança sempre, não permanece igual, amanhã estaremos diferentes! A alternativa: “vai ficar tudo bem”, com doses de otimismo e ingenuidade, sabendo que uns ficarão melhor que outros, uns sofrerão mais que outros, e para alguns as dificuldades  tornar-se-ão assustadoramente complexas.

Horas duras foram também os funerais, e na nossa comunidade tivemos três, em que a presença de pessoas foi demasiado limitada, só para os familiares mais próximos e com breves momentos de oração, sem a celebração da Eucaristia com o corpo presente, sendo colocada a intenção na Missa celebrada sem a presença física do povo. Recordámos assim: Ilídio Manuel (+ 04/04), Quintino Cardoso (+ 08/04), e João da Silva Martinho  (14/04). Com celebração da Eucaristia de corpo presente, mantendo as regras de distanciamento e uso de máscara, tivemos, entretanto, mais quatro funerais: José Manuel Moita Santos (+ 24/05); Maria da Graça (26/05); Teresa da Conceição Rebelo (+ 26/06) e João Esperança Lemos (08/97). Confiamo-los a Deus.

Regressámos às celebrações comunitárias a 30 e 31 de maio, sábado e Domingo de Pentecostes. A vida comunitária vai retomando, mas ainda com muitas reservas. A catequese regressará em outubro, os batizados e matrimónios, em tempo oportuno… mas urge caminhar, avançar, confiantes que o Senhor continua connosco, também nesta hora que passa.

Nesta edição, atividades pastorais antes do confinamento social do país e pós desconfinamento progressivo.

Pe. Manuel Gonçalves, Editorial do número 182, janeiro a junho de 2020.

Pode ler o Boletim clicando sobre a imagem, será direcionado para o Boletim em formato PDF:

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Ou fazer o download a partir da hiperligação:

BOLETIM PAROQUIAL VOZ JOVEM - janeiro a junho de 2020

 

07.08.20

Boletim Paroquial Voz Jovem - janeiro a junho de 2020

mpgpadre

Tempos novos estes!

No fim de semana de 14-15 de março, as celebrações comunitárias foram suspensas. Suspensos também os encontros de formação, de catequese, escolas da fé, celebração de sacramentos. O momento mais importante na vida da Igreja e das comunidades locais, a Páscoa, com as diversas celebrações, foi por certo a situação mais dura, assintomática, mas dolorosa!

Nada será como dantes?! Não seria de qualquer forma, houvesse ou não pandemia, pois a vida avança sempre, não permanece igual, amanhã estaremos diferentes! A alternativa: “vai ficar tudo bem”, com doses de otimismo e ingenuidade, sabendo que uns ficarão melhor que outros, uns sofrerão mais que outros, e para alguns as dificuldades  tornar-se-ão assustadoramente complexas.

Horas duras foram também os funerais, e na nossa comunidade tivemos três, em que a presença de pessoas foi demasiado limitada, só para os familiares mais próximos e com breves momentos de oração, sem a celebração da Eucaristia com o corpo presente, sendo colocada a intenção na Missa celebrada sem a presença física do povo. Recordámos assim: Ilídio Manuel (+ 04/04), Quintino Cardoso (+ 08/04), e João da Silva Martinho  (14/04). Com celebração da Eucaristia de corpo presente, mantendo as regras de distanciamento e uso de máscara, tivemos, entretanto, mais quatro funerais: José Manuel Moita Santos (+ 24/05); Maria da Graça (26/05); Teresa da Conceição Rebelo (+ 26/06) e João Esperança Lemos (08/97). Confiamo-los a Deus.

Regressámos às celebrações comunitárias a 30 e 31 de maio, sábado e Domingo de Pentecostes. A vida comunitária vai retomando, mas ainda com muitas reservas. A catequese regressará em outubro, os batizados e matrimónios, em tempo oportuno… mas urge caminhar, avançar, confiantes que o Senhor continua connosco, também nesta hora que passa.

Nesta edição, atividades pastorais antes do confinamento social do país e pós desconfinamento progressivo.

Pe. Manuel Gonçalves, Editorial do número 182, janeiro a junho de 2020.

Pode ler o Boletim clicando sobre a imagem, será direcionado para o Boletim em formato PDF:

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BOLETIM PAROQUIAL VOZ JOVEM - janeiro a junho de 2020

 

24.05.19

Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz... Não se perturbe nem se intimide o vosso coração.

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1 – «Concedei-nos, Deus omnipotente, a graça de viver dignamente estes dias de alegria em honra de Cristo ressuscitado, de modo que a nossa vida corresponda sempre aos mistérios que celebramos». A primeira oração da Santa Missa faz-nos desejar que a nossa vida expresse a alegria da nossa fé em Cristo Ressuscitado e, ao mesmo tempo, nos comprometa na fidelidade Àquele que celebramos.

Jesus diz-nos como sermos seus discípulos e mostrar que O amamos verdadeiramente: «Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou».

Em Jesus, a Palavra é Vida, é Pessoa, é Ele mesmo, encarnado, historicamente visível pelo que diz e pelo que faz. As palavras e as obras expressem-n'O, mostram-n'O, tornam-n'O próximo.

Temos clara consciência que a palavra que não tem consequências, não gera compromissos, não conduz à vida, não envolve a nossa história concreta, é uma palavra que se converte em ruído! Temos consciência que as promessas e as juras valem quando se tornam visíveis. A palavra de honra que nos humanizava (e deveria humanizar) apresenta-se hoje sob suspeita. Sim acredito, mas qual Tomé, quando vir com estes olhos que a terra há de comer!

E também nós sabemos: amamos verdadeiramente alguém quando o escutámos, o perscrutamos, e procurámos que as suas palavras nos alimentem e nos façam agir em conformidade.

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2 – A garantia de Jesus é válida para hoje e para sempre. A promessa e a certeza baseiam-se na ligação ao Pai e ao Espírito Santo. «Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis».

A palavra é poder. O conhecimento é poder que muitos usam para singrarem por cima e além dos outros. A transparência cria laços que nos aproximam, que nos tornam vulneráveis (no bom sentido, predispostos a acolher o que vem do outro e festejar a vida do nosso semelhante), que nos humanizam. A opacidade afasta-nos dos outros e cria barreiras, ruturas, contradições, desumaniza-nos, tornando-nos prepotentes, assumindo uma assustadora sobranceria que nos endeusa. Alguns guardam zelosamente conhecimentos, porque dessa forma podem manipular, chantagear e espezinhar os outros.

A postura de Jesus é um desafio e um estímulo à transparência, à delicadeza e à partilha da vida, também do que temos, conhecimentos e cultura. Só assim nos enriquecemos! O que partilhamos multiplica-se, o que guardamos perde-se, acabará por "enferrujar".

 

3 – «Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu».

A confiança gera alegria e pacificação; a desconfiança gera medo e irritação. Para a confiança, a transparência é fundamental. Ninguém confia numa pessoa opaca, cujo olhar e expressão denotam reserva, fechamento e antipatia. Jesus apresenta-Se como É, frágil e vulnerável, próximo, humano, procurando explicar tudo aos seus amigos, desafiando-os a darem sempre mais de si mesmos, envolvendo-os no caminho, dando-lhes as ferramentas necessárias para quando fisicamente estiver ausente. Alerta-os para os perigos, para o que hão de encontrar, mas afiançando-lhes que não os abandonará. Não doura a pílula! Podem, e podemos contar sempre com Ele, mas nem por isso as dificuldades e contratempos deixarão de surgir.

«Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração». A paz que nos comunica vem de antes, vem do Céu, vem do Pai, para o Qual regressa sem nos deixar. Deus, na Sua infinita Sabedoria tornou-Se tão presente que Se misturou connosco, sendo um de nós, em Jesus Cristo. Como um de nós, também Ele se submete à fragilidade e à finitude do tempo. Porém, antes que tal aconteça, prepara esse tempo que há de chegar, com a promessa e a garantia que virá, que estará connosco até ao fim do mundo, que virá pela ação do Espírito Santo que o Pai nos dará. É essa paz que reconforta e que nos apazigua, nos alegra. É uma paz não imposta, não disfarçada, não maquilhada, é uma paz que assenta no amor, na Palavra anunciada, vivida e partilhada. É uma paz que resiste, perdura para lá do tempo e se mantém jovem, porque vem de dentro, vem do alto, vem de Deus.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Atos 15, 1-2. 22-29; Sl 66 (67); Ap 21, 10-14. 22-23; Jo 14, 23-29.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

12.05.18

Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura

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1 – Jesus estará presente nos discípulos através do Espírito Santo. Mas caber-lhes-á, e a nós também, pôr em marcha o anúncio do Reino que Ele instaurou com a Sua vida e, particularmente, com o mistério da Sua morte e ressurreição: «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for batizado será salvo; mas quem não acreditar será condenado».

Sem delongas, o evangelista informa-nos que Jesus foi elevado ao Céu, sentando-Se à direita do Pai, e os discípulos partiram por toda a parte, a anunciar o Evangelho, como lhes tinha sido ordenado, e logo verificam que o Senhor coopera com o seu ministério, visível nos milagres que comprovam e ilustram as palavras.

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2 – São Lucas faz-nos regressar um pouco atrás, sublinhando as hesitações e os medos, os percalços do caminho e o perigo da automatização da salvação. Os 40 dias dados para a Ascensão de Jesus força-nos a perceber que Ele esteve o tempo necessário para nos preparar para a missão, mas agora é a nossa vez, não podemos ficar de braços cruzados à espera que a vida aconteça, por si mesma.

Durante 40 dias apareceu-lhes, mas findaram esses dias. Será agora a restauração de Israel? Podemos ficar descansados, que tudo ficará diferente? Vamos ver o sol brilhar no país e no mundo? A resposta de Jesus é lapidar: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou… mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra».

O decisivo não é a irrupção do Reino Deus, o fim do mundo, a vitória do bem sobre o mal, os bons em lugar dos maus, a vida a absorver a morte, a confiança a destruir o sofrimento; o decisivo é o que eu e tu podemos fazer para sermos verdadeiras testemunhas de Jesus, em Jerusalém e em toda a parte, na minha e na tua casa, na minha e na tua paróquia, na minha e na tua rua!

 

3 – Tal como Marcos, também Lucas conclui que Jesus Se eleva à vista deles, mas logo uma nuvem O esconde dos seus olhos!

O Céu faz ouvir o seu grito: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».

O olhar voltado para o Céu remete-nos para a terra: Jesus virá do mesmo modo! É preciso não descurar a terra, o mundo! Não basta simplesmente ficarmos pasmados a contemplar o que possa estar para lá das nuvens, é necessário que a nossa vida seja sol e luz para os irmãos, sejamos testemunhas de Jesus, do Seu amor e do Seu perdão, para, dessa forma, purificarmos o nosso olhar, o nosso coração, para que vendo-O nos irmãos, O cheguemos a ver face a face.

A Madre Teresa de Calcutá dá-nos uma dica preciosa: «Reza como se tudo dependesse de Deus e age como se tudo dependesse de ti...». O mundo precisa de Deus e precisa de nós, de mim e de ti, para levarmos o Deus que nos habita a todos que não O conhecem ou vivem afastados d’Ele.

 

4 – Hoje, sobretudo em Portugal, mas um pouco por todo o mundo, evoca-se Maria, Mãe de Jesus, como Nossa Senhora de Fátima, 101 anos depois da primeira aparição aos Pastorinhos.

A mensagem é a do Evangelho: conversão, mudança de vida, oração pela paz no mundo, compromisso com a verdade e com a justiça, defesa e promoção da vida e da dignidade das pessoas, sobretudo as mais frágeis!

___________________

Textos para a Eucaristia: Atos 1, 1-11; Sl 46 (47); Ef 1, 17-23; Mc 16, 15-20.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

 

14.04.18

Vós sois testemunhas de todas estas coisas!

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1 – Jesus caminha connosco. Nem sempre O reconhecemos, por seguirmos distraídos ou ocupados com muitas coisas; porque o sofrimento não nos deixa abrir os olhos e muito menos o coração; porque estamos saciados de nós mesmos.

A Sua Palavra prepara-nos, ajuda-nos a lavar os olhos quando nos pesam pelo cansaço, pela fraqueza, pela desilusão; quando nos adormecem perante o mal que nos circunda e que julgamos invencível; quando se fecham ao sofrimento e às súplicas dos irmãos.

Ele caminha connosco! Hoje somos nós os discípulos de Emaús.

Os discípulos de Jesus nunca O conheceram bem. Pensavam que Ele Se tornaria um guerreiro, um Rei todo-poderoso. Mas foi morto! E com a Sua morte morreram as suas, as nossas esperanças! Mas afinal, Ele apanhou-nos no caminho, deixou-Se convidar por nós, entrou em nossa casa, sentou-Se à nossa mesa, partilhou o pão connosco. Oferecemos-Lhe o que nos deu, para Ele nos dar o que Lhe oferecemos, o pão de cada dia convertível no Seu Corpo todos os dias até ao fim dos tempos. Foi então que percebemos, foi então que os nossos olhos se abriram! Ele estaria presente no pão partilhado, estará presente no amor dado e na vida gasta a favor dos outros!

A fração do pão gera comunidade e alarga-a. Não comemos o mesmo pão se não for para sermos o mesmo Corpo!

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2 – Jesus descerra portas e janelas e vem colocar-Se no meio dos discípulos, no meio de nós. O medo, o preconceito e a desconfiança isolam-nos, afastam-nos dos outros, mesmo da família. Os discípulos estão fechados com medo dos judeus, sendo eles judeus!

Jesus liberta-nos da ansiedade, oxigena a nossa mente, ilumina-nos com a Sua presença, devolve-nos a confiança, envia-nos aos irmãos, faz-nos sentir em casa, Ele está no meio de nós, podemos novamente sentar-nos à volta da mesa e comer do mesmo pão, podemos abrir as portas para que outros possam entrar e sentar-se à mesa, partilhar o pão e a vida, sentindo-se em casa, sentindo-se irmãos. Com as portas e janelas abertas, somos enviados a partir à procura de outros que andem perdidos ou distraídos.

«A paz esteja convosco». O Ressuscitado traz-nos a paz. Não a minha ou a tua paz, não apenas a paz entre nós, mas a paz derradeira, definitiva, a paz de Jesus Cristo. A reação, contudo, continua a ser de espanto, de medo, de suspeição. Tinham acabado de ouvir os discípulos de Emaús, mas o encontro com Jesus ultrapassa qualquer realidade. Tal como no Evangelho de São João, que escutámos no domingo passado, também o de Lucas sublinha a presença inequívoca de Jesus através das marcas da Paixão: «Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo; tocai-Me e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho».

Apanhados "em falso" ficamos ainda renitentes. Jesus prossegue: «Tendes aí alguma coisa para comer?». Com efeito, a refeição aproxima-nos, faz-nos perder o medo, solidariza-nos, fortalece os laços que nos unem. Começando a comer, os discípulos compreendem que Jesus está com eles, continua no seu meio, continua a congregá-los como irmãos.

 

3 – «Vós sois testemunhas de todas estas coisas». Jesus relembra o essencial do Seu mistério pascal, mostrando como n'Ele se cumprem as promessas feitas por Deus ao Seu povo.

Os discípulos presenciaram o viver, o agir de Jesus ao longo de aproximadamente três anos, in loco, acompanhando-O por aldeias, campos e cidades, junto das multidões, mas diante de pessoas concretas, com nome e família. As últimas horas foram as mais penosas. Jesus previra-o e prevenira-os. Ainda assim são surpreendidos pelos acontecimentos. Ninguém está preparado para uma fatalidade!

O encontro com o Ressuscitado restabelece os laços de amizade. Ele vive e congrega em Igreja o Seu Corpo. A debandada foi grande, traição, negação, fuga, dispersão. Mas é com eles que Jesus conta. Eles foram testemunhas de todas aquelas coisas, estão em condições de serem enviados, testemunhando-O em toda a parte.


Textos para a Eucaristia (B): Atos 3, 13-15. 17-19; Sl 4; 1 Jo 2, 1-5a; Lc 24, 35-48.

01.04.18

Deus ressuscitou-O ao 3.º dia e permitiu-Lhe manifestar-Se...

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1 – Jesus é a nossa Páscoa. A vida toda se encaminha para este grande e admirável mistério da nossa salvação. Tudo acontece e tudo parte da Páscoa de Jesus.

É o grande Dia, o Dia do Senhor, da Vida Nova que germina, florescendo e frutificando! A morte, diante da Ressurreição, é, afinal, um momento provisório. Sério, intenso, dramático, desolador, mas ainda assim passageiro, momentâneo, pois o que é definitivo é a vida, a vida em Deus. Se tudo tivesse ficado naquele sepulcro, onde 40 horas antes foi depositado, então a dispersão seria completa e a vida ficaria incompleta, o vazio tomaria conta da humanidade.

Depois do sábado, dia sagrado para os judeus, Maria Madalena, na versão joanina, ainda escuro, vai ao sepulcro, vê a pedra retirada e imediatamente corre para avisar Sião Pedro e o discípulo amado: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». A desolação continua! Pedro e o discípulo amado correm para ir ver o que aconteceu. Ao entrarem no túmulo e, vendo a disposição das ligaduras e do sudário, percebem que algo de extraordinário aconteceu, conforme o Mestre predissera e segundo as Escrituras, Jesus já não Se encontra no túmulo, mas está vivo, ressuscitou!

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2 – A morte de Jesus na Cruz gera dispersão, abandono e desolação. A Sua Páscoa, a ressurreição de entre os mortos, algo de inusitado e ao alcance somente de Deus – «A ressurreição é um acontecimento dentro da história, que, todavia, rompe o âmbito da história e a ultrapassa» (Joseph Ratzinger/Bento XVI) –, gera conforto, alegria, esperança, gera comunidade e encontro.

Na estrada de Emaús, os dois discípulos expressam bem o desconforto que provocou a morte de Jesus, as esperanças que n'Ele tinham depositado e como tudo se esboroou! Com o Seu regresso ao convívio dos vivos, a proximidade, os elos que ligavam os discípulos, a motivação para estarem juntos regressa em força.

 

3 – Neste primeiro dia da nova criação, o Dia do Senhor (= Domingo), cada passo nos aponta a comunidade, tudo nos conduz a Jesus. Procuramos agora rever e reatualizar o que antes nos tinha dito com as Suas palavras, gestos e prodígios!

Maria Madalena vai sozinha ao túmulo, mas logo regressa ao encontro dos discípulos, Pedro e discípulo amado. Por sua vez, os dois correm juntos... juntos devem caminhar os discípulos... O outro discípulo, porém, antecipou-se, pois corria mais depressa, mas aguardou a chegada de Pedro, deixando que este entrasse primeiro. Pedro precisa recuperar o tempo perdido com a negação do Mestre. Cada um de nós tem o seu próprio ritmo, caminhamos em conformidade com as nossas forças e com as nossas limitações, mas ainda assim não devemos dispersa-nos dos outros. Até à morte, as distâncias podem centuplicar-se, mas a passagem à vida requer que sejamos discípulos e lembra-nos que somente com os outros passaremos além do túmulo, além da morte!

 

3 – Pedro corre atrás do prejuízo! Comprometeu-se com muito – eu não, eu não Te negarei – mas quando chegou a hora do aperto, sacudiu a responsabilidade – eu não, eu não conheço Esse Homem! Não uma, nem duas, mas três vezes! Precisa agora de tonificar os músculos, sobretudo o do coração, reintegrando-se na comunidade.

À beira do lago, Jesus há de lhe perguntar pelo amor, pela fidelidade no amor, pela firmeza em amar! A consistência da sua pregação vem-lhe da confiança, do amor e da proximidade a Jesus.

A identidade de Jesus, morto e ressuscitado, compromete cada um de nós, compromete Pedro, Tiago e João, compromete-me a mim e a ti! Cada um com a sua responsabilidade. Os primeiros enviados são aqueles que com Ele comeram e beberam com Ele, pois são testemunhas privilegiadas porque O acompanharam na história e nos caminhos da Judeia, da Galileia e da Samaria. Por conseguinte, depois da Ressurreição, Jesus envia-os a «pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos».

Agora é connosco, também nós comemos com Ele, melhor, nós comungamos o Seu Corpo e Sangue e, por conseguinte, tornámo-nos testemunhas e, nessa condição, somos enviados a pregar…


Textos para a Eucaristia (B): Atos 10,34a.37-43; Sl 117 (118); Col 3,1-4 ou 1 Cor 5, 6b-8; Jo 20,1-9.

26.06.17

VL – A manhã de Páscoa é (também) hoje - 2

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O mistério da morte e da ressurreição de Jesus faz-nos entrar na comunhão de Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, inserindo-nos no Seu Corpo que é a Igreja. Ele a cabeça, nós os membros. Pelo batismo somos imersos na vida de Deus. Somos novas criaturas. Mergulhamos na Sua morte para ressuscitarmos com Ele. Hoje, como ontem, precisamos de viver ressuscitados e ressuscitar a cada instante na nossa identidade original: filhos de Deus, irmãos em Jesus Cristo.

A sociedade do nosso tempo é altamente individualista. A cultura do "eu" está na mó de cima. Verificável também no meu grupo, partido, no clubismo, na ideologia. Imersos num mundo global, mas cujas referências e gostos nos comprometem, não com o diferente, mas com quem tem os mesmos gostos que nós. Nas redes sociais aderimos aos grupos afins e excluímos rapidamente quem pensa diferente. Eu e o meu grupo.

O grupo dos apóstolos faz esta experiência até ao fim. De diferentes origens e com temperamentos diversos. João e André, filhos do trovão; Pedro, impulsivo; Judas Iscariotes tendencialmente revolucionário; Mateus, cobrador de impostos. Filipe letrado. Tão diferentes mas todos lutam por se colocar acima e disputar o lugar cimeiro na futura hierarquia do Reino de Deus. Como grupo fecha-se e impede que outras pessoas entrem. Afastam as crianças (cf. Mt 19, 13-15). Quando encontram um homem a pregar em nome de Jesus e a curar, proíbem-no: "ele não andam connosco" (cf. Mc 9, 38-41). A resposta de Jesus é clarificadora: deixai vir a mim as crianças, é delas o reino de Deus; não o proibais, quem não é contra nós é por nós.

Olhamos a vida a partir da nossa janela. O outro vê-nos partir da sua janela. São olhares que não se anulam, não veem o mesmo, não são fundíveis. Duas linhas retas, paralelas, nunca se tocam. Também a nossa vida. O problema não está em sermos diferentes, o problema está em não nos aceitarmos diferentes, valorizando as diferenças que nos enriquecem, pois nos fazem ver, ouvir, saborear, saber outras realidades.

Não é fácil deixarmos alguém entrar no nosso grupo. Não é fácil sentir-nos em casa num grupo que não é o nosso grupo de origem. Somos invasores, o grupo já existia quando chegamos. Quando chega alguém ao nosso grupo parece dividir a atenção que tínhamos uns com os outros, vem desestabilizar os equilíbrios que construímos ao longo do tempo.

Jesus faz essa experiência com os apóstolos, não desistindo de nenhum, treinando-os para viver em lógica de serviço e de amor.

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4416, de 13 de junho de 2017

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