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...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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28.08.16

Leituras: D. ANTÓNIO COUTO - A Misericórdia. Lugar e Modo

mpgpadre

D. ANTÓNIO COUTO (2016). A Misericórdia. Lugar e Modo. Lavra: Autores e Letras e Coisas. 84 páginas.

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       Vivemos o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, iniciado a 8 de dezembro de 2015, solenidade da Imaculada Virgem Maria, e a encerrar no dia 20 de novembro de 2016, solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. O propósito do Papa Francisco foi que se vincasse em definitivo e com clarividência a misericórdia de Deus. Num tempo e mundo complexos, a misericórdia de Deus há de resplandecer como proposta de salvação, como desafio, como esperança, como compromisso. Jesus é o Rosto da Misericórdia. Os cristãos devem alimentar-se da misericórdia de Deus e irradia misericórdia para com os outros, para com toda a criação.

       Com a convocação deste Ano Santo da Misericórdia, a reflexão à volta deste atributo de Deus e a sua fundamentação na bíblia, na história do povo judeu, na vida da Igreja.

       D. António Couto anteriormente publicou o Livro dos Salmos, já dentro deste Jubileu e com a referência que os salmos estudados têm com a Misericórdia de Deus. Porém, este novo estudo é especificamente sobre a Misericórdia.

       Em conferências, jornadas bíblicas, formação do clero e de leigos, D. António Couto tem intervindo sobre esta temática, com o enquadramento do jubileu, com as obras de misericórdia, com a contextualização litúrgica. Aqui coloca nas nossas mãos um estudo mais detalhado sobre a misericórdia, a linguagem da bíblia, a origem das palavras utilizadas, a misericórdia no Antigo Testamento, a misericórdia revelada em plenitude da Pessoa e na Mensagem de Jesus Cristo, com o Seu proceder, compassivo, com as parábolas da misericórdia que mostram o modo de ser de Deus.

       Este pequeno livro subdivide-se em três capítulos: 1 - Deus também reza em clave de misericórdia; 2 - A magna charta do amor de Deus (Ex 34, 6-7), e 3 - Jesus misericordioso, transparência da misericórdia do Pai.

"Deus fiel, fiável, Sim irrevogável, matriz fidedigna, maternal amor preveniente, condescendente, permanente, paciente, palavra primeira e confidente, providente, eficiente, a dizer-se sempre e para sempre dita, rochedo firme, abrigo seguro, alcofa para o nascituro, luz no escuro, amor forte sem medo da morte e do futuro. Deus fiel e confidente, fala, que o teu servo escuta atentamente. Nada do que dizes cairá por terra. A tua palavra à minha mesa, minha habitação, minha alegria, minha exultação, energia do meu coração, luz que me guia e que me alumia. A minha luz é reflexa, a minha palavra é lalação, de ti decorre, para ti corre a minha vida, dita, dada, recebida e oferecida. O teu rosto, Senhor, eu procuro, não escondas de mim o teu rosto, o teu gosto, a tua música. Dispõe de mim sempre, Senhor"

07.03.16

JOSÉ ANTONIO PAGOLA - JESUS. Uma abordagem histórica.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA (2008). Jesus. Uma abordagem histórica. Coimbra: Gráfica de Coimbra 2, 554 páginas.

- Uma explicação ao meu livro "Jesus, uma abordagem histórica. Suplemento. Coimbra: Gráfica de Coimbra 2, 64 páginas.

Pagola_Jesus.jpg

       Nos últimos anos foram publicados diferentes livros, romances, histórias, versões alternativas dos evangelhos, com "autênticas" revelações sobre a figura de Jesus, que estiveram escondidas em outros evangelhos (apócrifos), ou em dados secretos. Estas históricas ficcionadas partem de suspeições nunca levantadas, nem pela história, nem pela arqueologia, nem pela antropologia sociológica, e não levam em linha de conta os estudos que se têm realizado ao longo de décadas. Parecem "descobertas" surpreendentes como se de repente lhes caísse em cima material nunca antes visto. Este é um pressuposto para ler esta magnífica obra sobre Jesus, usando de perto o método histórico, analisando o contexto em que viveu Jesus, a cultura, a sociedade, os dados arqueológicos, a comparação com a vida social, cultural e religiosa daquele tempo, naquelas aldeias da Galileia e da Judeia.

       O outro pressuposto, sublinhado pelo Papa Bento XVI, referido pelo autor no suplemento, a importância, não exclusiva do método histórico, mas a ajuda para melhor conhecer Jesus encarnado, Há o perigo de uma fé ficcionada, dispensando os dados históricos que se referem a Jesus. O perigo contrário seria basear a fé apenas nos dados comprovados cientificamente. O encontro com Jesus está para lá de todos os dados científicos, mas pressupõe-nos. De contrário, os evangelhos seriam uma fraude e a encarnação uma histórica de embalar.

       É um livro com muitas páginas, mas que se lê com facilidade. A linguagem do autor é simples e acessível. As notas de rodapé podem ajudar a uma maior compreensão, mas o texto pode ser lido sem as notas e tornar-se mais leve. Como em outras obras, o autor procura envolver-nos dentro da história e da vida de Jesus. Sendo sacerdote católico, procura que a abordagem história se assuma em primeiro lugar. Como o próprio refere, o crente cristão, porque está envolvido, vai entranhar-se e dedicar-se melhor ao estudo de Cristo. Portanto, Pagola parte da ambiência da fé, propondo a figura de Jesus para hoje, a partir de tudo o que ajuda a situar Jesus no seu tempo. Para os não-crentes, o livro pode revestir-se de uma informação séria sobre a figura de Jesus. Para os crentes pode ajudá-los a acolher Jesus (não romantizado mas) encarnado, no tempo e na história, procurando sintonizar-se com o Seu proceder para que as respostas que damos hoje sejam mais cristãs e nos convertam em irmãos, para construir uma sociedade mais justa e fraterna.

       O estilo é vivo, direto, de fácil compreensão. O suplemento explicita alguns pontos que alguns críticos consideraram duvidosos, precisamente por ser um sacerdote a escrever e poder dar azo a leituras contrárias. Clarifica mas não acrescenta nada de substancial que não seja o compromisso com o Evangelho, com a fé católica, na perspetiva de nos aproximar de Jesus e do seu ambiente histórico e cultural e O trazer para o nosso tempo.

 

Do mesmo autor já aqui sugerimos:

28.11.13

LEITURAS: Gabriel Magalhães - Espelho meu

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GABRIEL MAGALHÃES. Espelho meu. A leitura diária do Evangelho pode mudar a vida. Paulinas Editora. Prior Velho 2013. 128 páginas.

       Mais um título da coleção "Poéticas do viver crente", coordenada pelo Pe. Tolentino Mendonça.

É um testemunho contado na primeira pessoa. O autor partilha a sua experiência de fé, mostrando como a leitura diária do Evangelho, ainda que um pequeno trecho, pode revolucionar a vida cristã e o compromisso com os outros. Também aqui há conversão e vida nova. O Evangelho, como a participação na Missa, pode passar quase indiferente. Faz parte da tradição. Escuta-se mas sem entrar, sem fazer mossa.

       O autor, como refere, pertence à geração daqueles que  achavam que a Igreja e o cristianismo pertenciam à menoridade, como que paralisando o desenvolvimento lúcido do pensamento e da vida. Aos 24 anos, mais ou menos, revolveu ter o Novo Testamento e lê-lo a partir da sua "perspectiva arrogante", sobretudo como forma de aumentar a cultura geral, já que não passaria disso. Mas a leitura revolucionou a sua vida e a forma de ver o Evangelho, como enriquecimento, como descoberta, como encontro. "Aquele livro era a vida, e a vida era aquele livro... Os Evangelho criam com a realidade uma relação de total fraternidade: de comunhão e de identidade... Os Evangelho são capazes desta transparência por causa da presença de Jesus. Ele é o cristal de amor, através do qual a verdade passa. O que há de mais absoluto nestes textos sagrados são as palavras de Jesus".

       Leitura partilhada do Evangelho. Momentos da vida de Jesus nos quais podemos rever-nos e encontrar-nos.

       Esta é uma reflexão muito interessante. Transparece a vivência quotidiana. Não são palavras de um erudito ou do professor universitário, mas as palavras de um crente cristão que se deixou transformar pelas palavras de Jesus e nos contagia com o seu testemunho. Claramente, a fé não obscurece a vida, pelo contrário e apesar das dificuldades que a todos afetam a fé ilumina, aponta mais para além, justifica e dá sentido à existência.

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