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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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14.09.19

Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa...

mpgpadre

1 – O amor é a maior força que existe no ser humano. Melhor, é a força divina que nos habita! Por amor, Deus criou-nos e por amor nos desafia a viver na alegria e na abundância. Sem amor, a vida humana não existiria, pois é o amor que nos une, nos aproxima, nos humaniza. A falta de amor, ao invés, desumaniza-nos, desagrega-nos, desfamiliariza-nos.

 

2 – O amor de Deus não tem limites, não faz aceção de pessoas. Isso mesmo nos mostra Jesus que privilegia os excluídos, os pequenos, os pobres; alegra-se com os retornados à vida, pródigos de amor e de perdão, a precisarem de um olhar, um abraço, um colo!

Jesus não exclui ninguém, optando prevalentemente por se aproximar dos excluídos. Preferir não é excluir. Não são os sãos que precisam de médico! O filho do Homem veio para os pecadores, para os que estavam perdidos! São estes que precisam de cura.

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3 – Para responder às murmurações, Jesus conta-lhes uma parábola (que se desdobra em três). Vale a pena ler e reler cada uma das parábolas. A primeira salienta a alegria do Bom Pastor por reencontrar a ovelha perdida: «Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar?».

A segunda expressa a felicidade, que se converte em festa, da mulher que encontra a moeda perdida: «Qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e tendo perdido uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente a moeda até a encontrar?».

E Jesus conclui dizendo que «haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento».

 

4 – A terceira das parábolas é das mais expressivas: um Pai tem dois filhos, a quem dá tudo, tempo, carinho e bens!

O mais novo conclui que é tempo de abalar e experimentar novas coisas, conhecer outros mundos, encontrar outras pessoas. Sai de casa e cedo esbanja os seus bens, perdendo-se numa vida dissoluta. Os novos amigos são-no enquanto tem dinheiro, deixam de o ser quando ele precisa de ajuda. Após tantos contratempos e adversidades percebe que a felicidade que procurava afinal esteve sempre em casa do Pai. E regressa, pedindo perdão, reconhecendo que nem merece ser tratado por filho, tal foi o desplante em desejar a morte ao pai (a herança recebe-se por morte dos progenitores).

A figura do Pai ocupa toda a parábola e "justifica" a postura de Jesus, transparecendo a misericórdia de Deus que age como Pai, com amor de Mãe. Se olharmos para cada pormenor da parábola talvez nos faça espécie a benevolência paterna e a safadeza do filho mais novo que, aparentemente, é recompensado pelo seu atrevimento. É precisamente isso que o filho mais velho faz sentir ao Pai: esse teu filho consumiu os teus bens com mulheres de má vida e tu faz-lhe uma festa, matando o vitelo gordo? Como vemos, o filho mais velho reconhece-se filho, mas não reconhece o irmão. Para ele, o irmão morreu, desapareceu, fugiu, não é justo readquirir o estatuto de filho!

Se o nosso olhar for o do Pai então valorizaremos a vida e a felicidade dos filhos, dos nossos irmãos, e, consequentemente, deixaremos de nos fixar nos erros, nos pecados, nas injustiças! Não é fácil! Em nós prevalece sobretudo a consciência da justiça, da verdade e do meritório.

O mérito deve ser compensado! Mas sem negar tudo isso, Jesus desafia-nos a revestirmos todas as nossas escolhas com a misericórdia de Deus. São os pecadores que precisam de amor! São os doentes que precisam de aconchego! São os pródigos que precisam de abraços! Mas o amor do Pai, o carinho da Mãe, não é divisível, chega para um, dois, três, cem filhos. Dá-se a cada um totalmente! A injustiça é superada pelo amor, pela alegria e pela festa. Tenho a impressão que esta parábola só será bem compreendida por aqueles que são pais, e melhor pelas mães. Se um filho estiver doente vai merecer toda a atenção, cuidado, toda a disponibilidade materna/paterna... e outros filhos vão sentir-se (um pouco) excluídos e até quererão ficar doentes para receberem o mesmo tratamento fidalgo!

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Textos para a Eucaristia (ano C): Ex 32, 7-11. 13-14; Sl 50 (51); 1 Tim 1, 12-17; Lc 15, 1-32.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço.

30.04.17

VL – O Jejum que Eu quero é a Misericórdia

mpgpadre

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É mais importante não comer carne à sexta-feira ou ir à Missa ao Domingo?

Há tradições que são expressão da religiosidade mais popular. Mas, por vezes, parecem não passar de uma superstição entre outras como ver um gato preto, passar debaixo de uma escada, sentar-se a uma mesa com treze pessoas. É crucial não comer carne nas sextas-feiras da Quaresma porque é pecado e, pelo sim pelo não, mais vale prevenir e cumprir, não vá Deus chatear-Se. Temor sim, medo não. Deus ama-nos. É Pai de Misericórdia. Um Pai por certo não está à espera que o filho erre para o castigar, quando muito educa-o, dá-lhe ferramentas, aponta direções, caminhos…

Perguntam-me se comer carne às sextas-feiras da Quaresma é pecado! Apetecia-me responder: é mais importante ir à Missa ao Domingo. Uma pessoa não vai à Missa há dois ou três anos, só entra na Igreja num funeral, e depois pergunta se é pecado comer carne à sexta-feira? Claro que há muitas outras coisas essenciais, cuidar da família, comprometer-se com a justiça e com a verdade, ser honesto, ajudar os mais frágeis… Mas se falamos numa proposta feita pela Igreja, de abster-se de alguma coisa que se gosta muito, e que pode muito bem ser a carne, e que esse gesto (sacrifício) possa beneficiar uma causa, pessoas mais carenciadas, então talvez faça sentido interrogar-se sobre o que é essencial na vivência e expressão da fé!

Dois belíssimos textos no início da Quaresma. «Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes, convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e rico em misericórdia» (Joel 2, 12-13). «O jejum que me agrada é este: libertar os que foram presos injus­tamente, livrá-los do jugo que levam às cos­tas, pôr em liberdade os oprimidos, quebrar toda a espécie de opres­são, repartir o teu pão com os esfo­meados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e não des­prezar o teu irmão» (Is 58, 6-7).

Pergunta o Papa Francisco: como se pode pagar um jantar de duzentos euros e depois fazer de conta que não se vê um homem faminto à saída do restaurante? «Sou justo, pinto o coração mas depois discuto, exploro as pessoas… Eu sou generoso, darei uma boa oferta à Igreja… diz-me: tu pagas o justo às tuas colaboradoras domésticas? Aos teus empregados pagas o salário não declarado? Ou como a lei estabelece, para que possam dar de comer aos filhos?».

Desafia Jesus: «Ide aprender o que significa: prefiro a misericórdia ao sacrifício» (Mt 9, 13).

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4405, de 28 de março de 2017

06.03.17

Leituras: JOSÉ ANTONIO PAGOLA - IDE E CURAI

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA (2015). Ide e Curai. Evangelizar o mundo da saúde e da doença. Lisboa: Paulus Editora. 312 páginas.

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A doença e o sofrimento que acarreta nos próprios e na família e nos amigos é um tema de sempre. Poder-se-á dizer que é no sofrimento que se conhece o ser humano na sua profundidade. Os amigos e a resiliência da família e dos amigos testa-se no sofrimento, na doença crónica, nas doenças oncológicas, na SIDA, na toxicodependência, no alcoolismo, nas depressões profundas. Por vezes a persistência e a duração da doença são um autêntico desafio à coragem, à compaixão e ao amor. Mas não é fácil explicar, muito menos passar por algumas das situações dolorosas, para os próprios e para aqueles e aquelas que estão à sua volta.

A referência e o fundamento de qualquer compromisso cristão é Jesus Cristo, a força da Sua graça, a Sua postura e docilidade. O ministério de Jesus é um ministério de cura e de evangelização. Ide e evangelizai. Ide e batizai. Ide e curai. Tudo integra a missão de Jesus Cristo. Anuncia o Evangelho, a Boa Nova aos pobres, cura os doentes e todas as enfermidades, liberta os que são oprimidos pelos espíritos impuros. O desafio é igual para os seus discípulos e para a Igreja: Ide e anunciai o Evangelho, curai os enfermos, expulsai os demónios. Recebeste de graça, dai de graça.

A dimensão curativa foi sendo esquecida. A missão de Jesus inclui sempre a dimensão sanadora, curando e restaurando a dignidade dos esquecidos da sociedade e da própria religião. Neste livro, que agrega textos do autor escrito ao longo dos anos, indicações, sugestões, fundamentação bíblico-teológico. A caridade, nomeadamente na Cáritas, tem-se desenvolvido, mas muitas vezes falta maior organização, incluindo a pessoa como um todo, e não apenas a assistência às necessidades pontuais. A visita aos doentes e os visitadores é um dos aspetos que o autor sublinha, como início, mas não esquecendo que a pastoral da saúde e da doença deve incluir e comprometer toda a comunidade, interagindo com outras instituições, com Hospitais e Lares, dialogando com médicos e enfermeiros e outros agentes hospitalares, empenhando-se sobretudo em ir ao encontro dos doentes mais frágeis, excluídos, esquecidos, os que sugerem maior afastamento, com determinadas doenças, como, por exemplo, os doentes mentais. A preocupação com os doentes há estender-se também às famílias.

O autor propõe o conhecimento da realidade e dos doentes que existem no espaço territorial da paróquia, atendendo a todos, sabendo em que condições se encontram, se é ou não necessário pôr-se em contacto com a Cáritas, vendo quais as necessidades, mas também a atenção e o cuidado à família. A visita aos doentes deve resultar do compromisso de toda a comunidade e quem está comprometido com a pastoral da saúde deve estar envolvido na comunidade.

Tão importante como visitar um doente, é telefonar-lhe, escrever-lhe, fazer com que vizinhos e familiares se aproximem. A celebração dos sacramentos, da Unção dos Enfermos e do Viático, deve acontecer naturalmente, para quem tem fé, para quem não tem pode ajudá-la a rezar, franquear-lhe a possibilidade mas não forçar. A presença, a escuta, a atenção é mais importante.

Por um lado, deve promover-se a celebração comunitária a Unção dos Enfermos. Por outro, os doentes também devem participar, quanto possível, na vida da comunidade. Por conseguinte, além de celebrações específicas, como Unção dos Doentes, o Dia Mundial do Doente, preparadas também com os doentes, eliminar, por exemplo, as barreiras arquitetónicas...

28.10.16

VL – O amor afasta o temor (Santa Faustina)

mpgpadre

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Imaginemos um pai severo, com muitas regras e castigos. Tão distante dos filhos que se faz respeitar pelo medo. Basta um olhar! E se for preciso desapertar a fivela do cinto...
Imaginemos um pai compreensivo, dialogante, carinhoso com os filhos, estabelece regras explica-as, negoceia fronteiras e limites...
Passados 30 anos, quais os filhos estarão mais próximos dos pais?
Há pessoas que se atêm à religião mais pelo medo, pela presença demoníaca, pela escrupulosidade do pecado, que pelo convite acolhedor de Jesus e do Seu Evangelho de Paixão e de Misericórdia.
O Ano Jubilar acentuou a dinâmica do amor de Deus para com a humanidade, assumido e plenizado na vida de Jesus, na Sua morte e ressurreição, e o desafio à Igreja para ser Casa da Misericórdia, assomando a beleza e a alegria da Boa Nova da redenção. 
Há um caminho importante a fazer. O caminho de cada um – lembrando as palavras do então cardeal Ratzinger: há tantos caminhos quantas as pessoas – há de aproximar-nos de Jesus, Caminho, Verdade e Vida. Com Ele experimentamos libertação, docilidade, prontidão, serviço. Não ameaça, atemorização. Jesus não olha para o inferno mas para o Céu, para o Pai.
Ao longo dos séculos, muitos círculos eclesiais acentuaram o medo e à ameaça. As descrições do inferno pareciam ser testemunhos de quem lá tinha estado. O inferno era garantia da nossa vida. Era preciso fazer tudo para ganhar o céu, pelo sacrifício, pela mortificação, anulando-se como pessoas e colocando-se em atitude de subserviência, à espera que à custa de tantos sofrimentos Deus pudesse compadecer-se. É o contrário, o Céu é garantia e a vida eterna está aí como dom que nos responsabiliza com os outros.
A vida, a pregação e a oração dos cristãos há de estar preenchida com ternura e o amor de Deus. Nãos se trata de negar a doutrina da Igreja, assente nas palavras e nos gestos de Jesus. Porém, seguindo-O, veremos a bondade e a filiação amistosa com o Pai. O inferno é uma possibilidade real. Deus leva-nos a sério, respeita a nossa liberdade e o nosso não. Mas como cristãos e como Igreja vivemos do amor de Deus. Jesus procura libertar, elevar, envolver. A Cruz é a assunção do amor levado até à última gota de sangue. Com a Sua ressurreição, Jesus coloca a nossa natureza humana na glória do Pai, de onde nos atrai e desafia.
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4380, de 27 de setembro de 2016

28.10.16

VL – Um Deus bom destrói a religião?!

mpgpadre

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A religião tem-se imposto pelo medo, pela ameaça, pela certeza de forças ocultas, poderosas, capazes de aniquilar o ser humano para sempre. Parece que quando maior o medo e o desconhecimento, maior o número dos que engrossam as fileiras da religião.
Esta servirá para aplacar a ira dos deuses, para compensar, pelo sacrifício, as ofensas para com um deus-supremo, Juiz, Vigilante, Patrão, Todo-poderoso. 
Será sempre mais fácil dizer que os padres destroem a religião.
Quando se dispensam ou alteram certas tradições populares, logo as pessoas sublinham que os padres hão de destruir a religião. Bem entendido, nem seria assim tão mal, se estivermos a falar da religião assente mais nos méritos humanos do que na gratuidade da salvação de Deus oferecida a todos os homens.
Neste ano jubilar tem-se acentuado o atributo maior de Deus, a Misericórdia, cujo Rosto é Jesus Cristo, nas palavras e nas obras, na vida e na morte, entendida como entrega até ao fim. Na Ressurreição de Jesus, a certeza do amor de Deus e da Sua misericórdia, que está acima de qualquer limitação.
Para alguns, sublinhar demasiado a misericórdia de Deus pode levar à desconstrução da religião composta por uma série de exigências, sacrifícios, sujeita a ameaças, anúncios de cataclismos sempre e quando o ser humano não cumprir com a vontade de Deus.
Por um lado, na Igreja como em outros movimentos religiosos, sempre que nos aproximamos do fim dos séculos ou do milénio, o medo que o mundo acabe gera mais pessoas à procura da proteção da religião. Se a ameaça termina, parece que as pessoas voltam às suas vidas e se esquecem de Deus e sobretudo se esquecem das suas obrigações com a comunidade. Poder-se-á agrafar aqui a máxima, só nos lembramos de santa Bárbara quando troveja.
Por outro lado, Jesus Cristo destruiu efetivamente a religião passada e do passado. Aproximou-nos de Deus e fez com que Deus chegasse tão perto de nós que pudesse ser perseguido, maltratado, injuriado, e morto. Em Jesus, Deus assume as chagas da nossa fragilidade e as limitações do tempo e do espaço. Ao mesmo tempo, ultrapassa as fronteiras das religiões e do templo. Com Jesus, Deus está ao alcance da mão. É um Deus bom, misericordioso, compassivo. Mas quem disse que ternura não pode exigir e pressupor a justiça? A misericórdia de Deus acaricia-nos além do perdão dos pecados. Com efeito, o amor afasta o temor, como diz Santa Faustina no seu diário.
No final, prender-nos-á mais o amor que o temor!

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4379, de 20 de setembro de 2016

26.10.16

Santa Faustina - DIÁRIO. A Misericórdia Divina na minha alma.

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Santa FAUSTINA KOWALSKA (2016). Diário. A Misericórdia Divina na minha alma. Fátima: Marianos da Imaculada Conceição. 632 páginas.

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       Santa Faustina adquiriu uma maior notoriedade neste Jubileu Extraordinário da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco, a decorrer entre 8 de dezembro de 2015, solenidade da Imaculada Conceição, e o dia 20 de novembro de 2016, solenidade de Cristo Rei. Outros santos estiveram em evidência, mas Faustina é tida como a Secretária/Santa da Misericórdia. Ela própria se define como Secretária da Misericórdia, segundo as revelações de Jesus, que lhe pede para escrever sobre a Misericórdia divina, como Secretária fiel em colocar por escrito tudo quanto Jesus lhe disser.

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Faustina "nasceu em Glogowiec, na Polónia central, no dia 25 de agosto de 1905, de uma família camponesa de sólida formação cristã. Desde a infância sentiu a aspiração à vida consagrada, mas teve de esperar diversos anos antes de poder seguir a sua vocação...
Com a idade de 16 anos deixou a casa paterna e começou a trabalhar como doméstica. Na oração tomou depois a decisão de ingressar num convento. Assim, em 1925, entrou na Congregação das Irmãs da Bem-aventurada Virgem Maria da Misericórdia, que se dedica à educação das jovens e à assistência das mulheres necessitadas de renovação espiritual. Ao concluir o noviciado, emitiu os votos religiosos que foram observados durante toda a sua vida, com prontidão e lealdade. Em diversas casas do Instituto, desempenhou de modo exemplar as funções de cozinheira, jardineira e porteira. Teve uma vida espiritual extraordinariamente rica de generosidade, de amor e de carismas que escondeu na humildade dos empenhos quotidianos.
O Senhor escolheu esta Religiosa para se tornar apóstola da Sua misericórdia, a fim de aproximar mais de Deus os homens, segundo o expresso mandato de Jesus: "Os homens têm necessidade da minha misericórdia".
Em 1934, Irmã Maria Faustina ofereceu-se a Deus pelos pecadores, sobretudo por aqueles que tinham perdido a esperança na misericórdia divina. Nutriu uma fervorosa devoção à Eucaristia e à Mãe do Redentor, e amou intensamente a Igreja participando, no escondimento, na sua missão de salvação. Enriqueceu a sua vida consagrada e o seu apostolado, com o sofrimento do espírito e do coração. Consumada pela tuberculose, morreu santamente em Cracóvia no dia 5 de Outubro de 1938, com a idade de 33 anos.
João Paulo II proclamou-a Beata no dia 18 de abril de 1993; sucessivamente, a Congregação para as Causas dos Santos examinou com êxito positivo uma cura milagrosa atribuída à intercessão da Beata Maria Faustina, e no dia 20 de dezembro de 1999 foi promulgado o Decreto sobre esse milagre" (Nota biográfica na página oficial do Vaticano: AQUI).

       O DIÁRIO é uma ferramenta essencial para compreender a vida, o pensamento de Santa Faustina e para nos deixarmos interpelar pela Mensagem da Misericórdia Divina. Como outros santos, vem ao de cima a luta constante pela humildade, pelo serviço, pela descrição, procurando o silêncio e a oração, com o desejo de permanecer junto de Deus, junto ao Coração de Jesus Vive para anunciar a Misericórdia divina, a confiança na bondade de Deus que a todos quer salvar. O desejo por salvar os pecadores compromete-a cada dia, ainda que a morte não seja desprezível, já que dessa forma se unirá em definitivo a Jesus Cristo.

       Por exemplo sobre a Hóstia consagrada. Nesta sugestão, a tradução/adaptação das Servas da Divina Misericórdia:

Ó Jesus Hóstia Santa, na qual está encerrado o testamento da Misericórdia de Deus para nós, e especialmente para Sacerdotes e os pobres pecadores.
Ó Jesus Hóstia Santa, na qual está encerrado o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor, como testemunho de infinita Misericórdia para connosco, especialmente para com os Sacerdotes, e os pobres pecadores.
Ó Jesus Hóstia Santana qual está encerrada a Vida eterna e a infinita Misericórdia concedida copiosamente a nós, especialmente aos Sacerdotes e aos pobres pecadores.
Ó Jesus Hóstia Santa, na qual está encerrada a Misericórdia do Pai, do Filho, e do Espírito Santo para connosco, especialmente para com os Sacerdotes e os pobres pecadores.
Ó Jesus Hóstia Santa, na qual está encerrado o infinito preço da misericórdia, que pagará todas as nossas dividas, especialmente as dos Sacerdotes e dos pobres pecadores.
Ó Jesus Hóstia Santa, na qual está encerrada a Fonte da água viva que brota da infinita misericórdia para connosco, especialmente para com os Sacerdotes e os pobres pecadores.
Ó Jesus Hóstia Santa, na qual está encerrado o fogo do amor mais puro, que arde no seio do Pai Eterno, como num abismo de infinita misericórdia para connosco, especialmente para com os Sacerdotes e os pobres pecadores.
Ó Jesus Hóstia Santa, na qual está encerrado o remédio para todas as nossas doenças, que flui da infinita misericórdia como de uma fonte para nós especialmente para os Sacerdotes e os pobres pecadores.
Ó Jesus Hóstia Santa, na qual está encerrada a união entre Deus e nós pela infinita misericórdia para connosco, especialmente para com os Sacerdotes e os pobres pecadores.
Ó Jesus Hóstia Santa, na qual estão encerrado todos os sentimentos do Dulcíssimo Coração de Jesus para connosco, especialmente para com os Sacerdotes e os pobres pecadores.
Ó Jesus Hóstia Santa, nossa única esperança, em todos os sofrimentos e contrariedades da vida.
Ó Jesus Hóstia Santa, nossa única esperança em meio ás trevas e ás tempestades interiores e exteriores.
Ó Jesus Hóstia Santa, nossa única esperança, na vida e na hora da morte.
Ó Jesus Hóstia Santa, nossa única esperança, em meio aos insucessos e ás profundas incertezas.
Ó Jesus Hóstia Santa, nossa única esperança em meio ás falsidades e ás traições.
Ó Jesus Hóstia Santa, nossa única esperança nas trevas e na perversidade que cobrem a Terra.
Ó Jesus Hóstia Santa, nossa única esperança em meio da saudade e da dor, em que ninguém nos compreende.
Ó Jesus Hóstia Santa, nossa única esperança em meio dos afazeres e a monotonia da vida quotidiana.
Ó Jesus Hóstia Santa, nossa única esperança, em meio à destruição das ruínas dos anseios e dos nossos esforços.
Ó Jesus Hóstia Santa, nossa única esperança em meio dos ataques do inimigo e das investidas do inferno.
Ó Jesus Hóstia Santa, confio em Vós, quando as dificuldades superarem as minhas forças, quando eu ver ineficazes os meus esforços.
Ó Jesus Hóstia Santa, confio em Vós, quando as tempestades agitarem o meu coração e o espírito atemorizado inclinar-se ao desespero.
Ó Jesus Hóstia Santa, confio em Vós, quando o meu coração tremer e, quando o suor mortal cobrir a minha fronte.
Ó Jesus Hóstia Santa, confio em Vós, quando tudo conspirar contra mim e o negro desespero penetrar em minha alma.
Ó Jesus Hóstia Santa, confio em Vós, quando a minha vista se apagar para tudo que é terrestre, e o meu espírito ver pela primeira vez os mundos desconhecidos.
Ó Jesus Hóstia Santa, confio em Vós, quando os meus trabalhos superarem as minhas forças e o insucesso me acompanhar continuamente.
Ó Jesus Hóstia Santa, confio em Vós, quando o cumprimento da virtude me parecer difícil e a natureza se revoltar.
Ó Jesus Hóstia Santa, confio em Vós, quando os golpes do inimigo forem desferidos contra mim.
Ó Jesus Hóstia Santa, confio em Vós quando os trabalhos e esforços forem condenados pelos homens.
Ó Jesus Hóstia Santa, confio em Vós, quando soar sobre mim Vosso Juízo, então, confiarei no oceano da Vossa Misericórdia.

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Sobre o Terço da Misericórdia (n.º 476 do Diário)

“Primeiro dirás o Pai-nosso, a Avé-Maria e o Credo. Depois, nas contas do Pai Nosso, dirás as seguintes palavras: Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e dos do mundo inteiro. Nas contas da Ave-Maria rezarás as seguintes palavras: Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro. No fim, rezarás três vezes estas palavras: Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro” (Diário, 476).

10.09.16

Este meu filho estava morto e voltou à vida...

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1 – "Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és". Junta-te aos bons e serás como eles, junta-te aos maus e serás pior que eles! Qualquer um de nós está certo destes princípios. Facilmente nos colocaríamos do lado dos escribas e fariseus, contestando a promiscuidade de Jesus, que convive e come com publicanos e pecadores! Jesus anda em "más" companhias. Vai correr mal!

Conta-lhes, e a nós também, uma parábola, desdobrável em três. «Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar? Quando a encontra, põe-na alegremente aos ombros e, ao chegar a casa, chama os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida’. Assim haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento. Ou então, qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e tendo perdido uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente a moeda até a encontrar? Quando a encontra, chama as amigas e vizinhas e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida’. Assim haverá alegria entre os Anjos de Deus por um só pecador que se arrependa».

O Pastor deixa tudo e vai procurar a ovelha perdida. Ao encontrá-la, coloca-a aos ombros e faz festa com os amigos. O ambiente é adverso, o deserto. As complicações da vida podem conduzir ao desnorte e à perdição. Mas também podemos perder-nos dentro de casa, dentro da Igreja, no caminho da fé. A mulher perde a dracma em casa. Quando encontra a moeda perdida, faz festa com as amigas. Deus sempre faz festa, no nosso regresso! Antes, precisamos de arrumar a casa, acender a lâmpada da fé, de varrer tudo o que é poeira e estorvo, desviar os empecilhos, para então encontrarmos a moeda perdida.

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2 – Na terceira parábola, Jesus fala num Pai que ama até ao limite e dois filhos que não se reconhecem como irmãos e lidam com o Pai como Patrão. O Pai procura salvá-los pelo amor. Os filhos relacionam-se em dinâmica de poder, disputando para ver quem é o melhor.

O pai reparte os bens pelos seus filhos. Poderia não o fazer, pois só a morte o exigiria. Mas abaixa-se à vontade dos filhos. Por amor. A sua tristeza é evidente. Não se revolta. Não contesta os filhos. Continua a amá-los com amor materno. Parte-se-lhe o coração. Mas não desiste. Deus nunca desiste de nós. Espera, espreita o horizonte contando que o filho regresse. Quando isso acontece, não se faz rogado, "ainda ele estava longe, quando o pai o viu: enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos".

O filho continua a fixar-se em si mesmo e não no Pai. Quer ser acolhido como empregado. Regressa pela miséria em que caiu. Para o pai é suficiente um esboço de arrependimento: "Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho". Está tão feliz que nem espera pelas justificações do filho: "Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado". A misericórdia de Deus cancela as nossas dívidas, o nosso pecado; só não atua se não lhe abrirmos qualquer brecha.

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3 – A festa começa e, quando tudo parece bem, eis que vem o filho mais velho… Ciumento e invejoso, não vê o irmão que regressa vivo, mas um concorrente – esse teu filho – a disputar as graças do patrão! "Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo".

O filho mais velho reclama direitos. Sempre certinho, cumpridor, mas sem experimentar a alegria da proximidade com o pai. Não partilha alegrias, só trabalho. Não saboreia a vida, só obrigações. A relação com o Pai não assenta na familiaridade, mas em deveres.

Para o Pai, em todas as situações, prevalece o amor, a compaixão, a proximidade. Não há nada mais importante que os filhos. Podem maltratá-lo, esbanjar os bens, acusarem-no. O importante é que os filhos se sintam em casa e que estejam bem e sejam felizes. «Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado».


Textos para a Eucaristia (C): Ex 32, 7-11. 13-14; Sl 50 (51); 1 Tim 1, 12-17; Lc 15, 1-32.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE

28.08.16

Leituras: D. ANTÓNIO COUTO - A Misericórdia. Lugar e Modo

mpgpadre

D. ANTÓNIO COUTO (2016). A Misericórdia. Lugar e Modo. Lavra: Autores e Letras e Coisas. 84 páginas.

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       Vivemos o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, iniciado a 8 de dezembro de 2015, solenidade da Imaculada Virgem Maria, e a encerrar no dia 20 de novembro de 2016, solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. O propósito do Papa Francisco foi que se vincasse em definitivo e com clarividência a misericórdia de Deus. Num tempo e mundo complexos, a misericórdia de Deus há de resplandecer como proposta de salvação, como desafio, como esperança, como compromisso. Jesus é o Rosto da Misericórdia. Os cristãos devem alimentar-se da misericórdia de Deus e irradia misericórdia para com os outros, para com toda a criação.

       Com a convocação deste Ano Santo da Misericórdia, a reflexão à volta deste atributo de Deus e a sua fundamentação na bíblia, na história do povo judeu, na vida da Igreja.

       D. António Couto anteriormente publicou o Livro dos Salmos, já dentro deste Jubileu e com a referência que os salmos estudados têm com a Misericórdia de Deus. Porém, este novo estudo é especificamente sobre a Misericórdia.

       Em conferências, jornadas bíblicas, formação do clero e de leigos, D. António Couto tem intervindo sobre esta temática, com o enquadramento do jubileu, com as obras de misericórdia, com a contextualização litúrgica. Aqui coloca nas nossas mãos um estudo mais detalhado sobre a misericórdia, a linguagem da bíblia, a origem das palavras utilizadas, a misericórdia no Antigo Testamento, a misericórdia revelada em plenitude da Pessoa e na Mensagem de Jesus Cristo, com o Seu proceder, compassivo, com as parábolas da misericórdia que mostram o modo de ser de Deus.

       Este pequeno livro subdivide-se em três capítulos: 1 - Deus também reza em clave de misericórdia; 2 - A magna charta do amor de Deus (Ex 34, 6-7), e 3 - Jesus misericordioso, transparência da misericórdia do Pai.

"Deus fiel, fiável, Sim irrevogável, matriz fidedigna, maternal amor preveniente, condescendente, permanente, paciente, palavra primeira e confidente, providente, eficiente, a dizer-se sempre e para sempre dita, rochedo firme, abrigo seguro, alcofa para o nascituro, luz no escuro, amor forte sem medo da morte e do futuro. Deus fiel e confidente, fala, que o teu servo escuta atentamente. Nada do que dizes cairá por terra. A tua palavra à minha mesa, minha habitação, minha alegria, minha exultação, energia do meu coração, luz que me guia e que me alumia. A minha luz é reflexa, a minha palavra é lalação, de ti decorre, para ti corre a minha vida, dita, dada, recebida e oferecida. O teu rosto, Senhor, eu procuro, não escondas de mim o teu rosto, o teu gosto, a tua música. Dispõe de mim sempre, Senhor"

16.08.16

VL - A misericórdia de Deus reabilita-nos

mpgpadre

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       O Jubileu da Misericórdia alimenta-se da liturgia, permitindo acolher a Palavra de Deus ao longo do ano, refletindo-A e renovando propósitos que nos levam a ser misericordiosos como o Pai.
       Nos últimos três domingos (IX, X, XI, do Tempo Comum, ano C) fomos surpreendidos pela ternura, compaixão e proximidade de Jesus, que nos reabilita do pecado e da morte, “contaminando-Se” com a nossa fragilidade, deixando-nos contaminar com a Sua santidade.
       No primeiro episódio (Lc 7, 1-10), um centurião intercede por um dos seus servos, revelando uma grande humildade e uma grande fé, que o próprio Jesus testemunha. A compaixão do centurião leva-O a Jesus, cuja compaixão devolve a saúde ao servo. Atente-se à disponibilidade para partir. Nós temos que ver a agenda. Jesus parte e vai ao encontro de quem precisa da Sua ajuda! Sem hesitar.
       Num segundo momento (Lc 7, 11-17), Jesus, ao entrar na cidade de Naim, depara com um funeral. Uma pobre Mãe, viúva, leva o seu filho único a sepultar. Uma desgraça. A perda de um filho, arrasa qualquer pai. Acrescente-se o facto de ser filho único e a mãe ser viúva! O Evangelho mostra a comoção de Jesus. “Ao vê-la, o Senhor, compadeceu-Se dela”. Jesus não se fica pela contemplação da dor. Diz àquela mãe: “Não chores”. Aproxima-Se. Toca no caixão. E ordena: «Jovem, Eu te ordeno, levanta-te». Jesus levanta-nos, ressuscita-nos dos caixões que nos aprisionam, dos medos, do sofrimento e da perda e diz-nos que a última palavra não é da morte mas da vida.
       Neste último domingo (Lc 7, 36-50), uma mulher, pecadora, aproxima-se de Jesus, banha-lhe os pés com as lágrimas, derrama um vaso de alabastro, perfume de alto preço, enxuga-lhe os pés com os cabelos. Gestos que ressalvam a sua humildade e a predisposição para mudar de vida. Sente-se impelida por Jesus. Não tem muito a perder. Comprada às escondidas, rejeitada às claras. Vive e alimenta-se da escuridão. Não tem vida pessoal. Os afetos comprados não são afetos, são comércio que não tocam a alma, a não ser para a destruir. Quem a vê (de dia) desvia-se, com medo de ser contaminado e/ou que os outros levantem alguma suspeição. Se é pecadora pública, reconhecida como tal, outros contribuem para o seu pecado, comprando-a, expondo-a, promovendo a maledicência.
        Jesus deixa-Se tocar por esta mulher. Não Se desvia. Atrai-a para a Sua Luz. O amor tudo alcança. «A tua fé te salvou. Vai em paz». Os seus muitos pecados são-lhe perdoados porque muito amou.
 
Publicado na Voz de Lamego, de 14 de junho de 2016

23.07.16

Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis...

mpgpadre

1 – A vocação primeira do cristão é apaixonar-se por Cristo e segui-l'O. Ele segue à frente, adianta-Se, aponta-nos a meta, a direção e o quanto temos ainda que percorrer, para não afrouxarmos! Quando os nossos passos se tornam vacilantes, inseguros, Jesus volta-Se, espera por nós, vem até nós dar-nos ânimo para retomarmos o caminho.

A oração é o combustível que nos dá a vitalidade para enfrentarmos as adversidades, a humildade para nos reconhecermos pecadores, a sabedoria para aceitarmos que é a Sua mão que nos leva à felicidade, a pobreza para nos enriquecermos com a Sua graça.

O Evangelho de Lucas mostra-nos Jesus, recolhido, a orar.

Os discípulos são contagiados pela postura orante de Jesus, pedindo-Lhe que lhes ensine a rezar. Jesus deixa claro que não são precisas muitas palavras, é imprescindível sintonizar o coração – pensamentos, intenções, propósitos – e a vida – serviço aos outros, luta pela justiça e pela paz, compromisso com os mais frágeis – com o coração e a vida de Deus.

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2 – A oração torna-nos íntimos de Deus e cúmplices uns dos outros. Jesus ensina-nos a rezar: «Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso reino; dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; perdoai-nos os nossos pecados, porque também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixeis cair em tentação».

Se rezamos a Deus reconhecendo-O como Pai, assumimo-nos como filhos. Encaixa aqui o pedido do Pão nosso de cada dia. Se o pedimos ao nosso Pai, não o pedimos só para nós, teremos que o pedir para todos os Seus filhos, para os nossos irmãos.

Jesus faz-Se Pão e Vida para nós. Para todos. Jesus é partilhável. Como Seus discípulos, também nós teremos de nos fazermos pão e vida uns para os outros e cuidar que a ninguém falte o necessário para viver com dignidade e em segurança.

 

3 – Deus não nos deixará sem resposta. A oração dilata o nosso coração e sintoniza-nos com Deus. Coloca-nos em atitude de escuta. A oração é um diálogo com Deus. Falamos a Deus e Deus fala-nos. Deus conhece-nos intimamente. Melhor que nós mesmos. Sabe do que precisamos. Não precisamos de dizer muito. Precisamos de nos dizer. Precisamos de perceber a vontade de Deus, escutando-O.

Haverá ocasiões em que sobrevirá a dúvida… Deus não atenta contra nós. Não nos exige sacrifícios que nos anulem e nos desumanizem, exige-nos, isso sim, como Pai, que nos tratemos como irmãos cuidando sobretudo dos mais pequeninos. Nessa ocasião estaremos a cuidar de Jesus Cristo. “Sempre que fizeste isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizeste” (Mt 25, 40).

Jesus convida-nos a resistir na oração, confiando em Deus. Se um amigo nos atende pela amizade ou pelo incómodo, quanto mais Deus que é nosso Pai. «Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á».

Deus responder-nos-á como Pai e tudo fará para nos abençoar, proteger e guiar à felicidade que a todos integra como família.

 

4 – É expressiva a oração de intercessão de Abraão. Em primeiro lugar, vê-se com clareza como Abraão confia em Deus e na Sua misericórdia. Pede. Sugere. Negoceia. Não para si, mas para os outros. A oração irmana-nos e leva-nos a querer o bem de todos.

Abraão não cessa de interceder, apelando à compreensão e à benevolência de Deus. E se houver 50 justos na cidade? E se houver 40? «Se o meu Senhor não levar a mal, falarei mais uma vez: talvez haja lá trinta justos... vinte justos... talvez lá não se encontrem senão dez». A resposta de Deus é elucidativa: «Em atenção a esses dez, não destruirei a cidade». No final nem 5 justos! Uma cidade onde impere a injustiça, o egoísmo, a corrupção e a prepotência desembocará inevitavelmente em desgraça e destruição!

______________________

Textos para a Eucaristia (C): Gen 18, 20-32; Sl 137 (138); Col 2, 12-14; Lc 11, 1-13.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE

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