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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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30.06.18

Se eu, ao menos, tocar nas suas vestes, ficarei curada

mpgpadre

1 – A vida de Jesus transparece o amor de Deus e a Sua ternura! Toda a vida de Jesus é um hino de louvor ao Pai e identificação com a humanidade, nos seus sonhos e nos seus sofrimentos.

Jesus passa à outra margem. O Filho do Homem está em movimento! Vem ao nosso encontro. Sai de uma para a outra margem, onde se junta uma grande multidão.

O Papa Francisco, em mais de uma ocasião, tem desafiado os pastores a terem o cheiro das ovelhas. Jesus está no meio de nós como quem serve! A Sua fama espalhara-se! As pessoas reconhecem-n'O. Prevalece a certeza da Sua bondade e delicadeza, da Sua atenção aos mais pobres, aos mais frágeis, aos excluídos da sociedade.

No evangelho, dois encontros inesperados, duas pessoas com estatuto social diverso, um homem e uma mulher. Jairo, bem conhecido de todos, pois é um dos chefes da Sinagoga, e procura uma resposta para a sua filha enferma. E uma mulher, desconhecida, que engrossa a multidão e (quase) não se distingue dos demais. Como outras mulheres naquela época, o seu lugar é o anonimato!

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2 – A multidão absorve e pode fazer esquecer a pessoa como pessoa. Vejam-se os ajuntamentos, os grupos, as manifestações! Para o bem e para o mal, a multidão sanciona comportamentos, reforça atitudes, desculpa e/ou disfarça o que corre mal.

Jairo destaca-se da multidão, porque chega, não estava na multidão, aproxima-se de Jesus, cai aos seus pés e suplica-Lhe:  «A minha filha está a morrer. Vem impor-lhe as mãos, para que se salve e viva». Jesus segue Jairo para se inteirar do que se passa e poder agir em conformidade.

Entretanto vêm avisar Jairo que a filha tinha morrido. O que este pai temia aconteceu! A reação da multidão é espontaneamente fria: «A tua filha morreu. Porque estás ainda a importunar o Mestre?». Contudo, Jesus não se esconde atrás da multidão e diz-lhe que basta ter fé. Pedro, Tiago e João acompanham-n'O a casa de Jairo. Chegados aí encontram grande alvoroço com pessoas a gritar e a chorar. Jesus serena os presentes dizendo-lhes que a menina está apenas a dormir. Jesus usa as palavras da ressurreição: «Talita Kum – Menina, Eu te ordeno: Levanta-te».

E a menina ergueu-se, ressuscitada. Jesus é homem como nós, mas é também verdadeiro Deus. Mais uma vez mostra ao que vem: salvar, redimir, ressuscitar, dar-nos nova vida.

 

3 – De partida para casa de Jairo, uma mulher aproxima-se de Jesus, por entre os apertos da multidão, toca-Lhe o manto e sente-se curada de um fluxo de sangue que a atormentava há vários anos. Não nos é revelado o nome, mas esta mulher tem rosto e tem uma história de sofrimento que carrega há muito. Gastou os seus bens à procura de cura. Quantas pessoas passam pelo mesmo? Recorrem a tudo e mais alguma coisa, ora com esperança ora cansadas de lutar. Gastam balúrdios e gastam-se e, em muitas situações, inutilmente. A fé pode ser essa força que nos anima, nos fortalece e não nos deixa desistir.

Para lá da doença física, a impureza cultual e o afastamento do contacto humano e social. A lei era explícita: «Quando uma mulher tiver o fluxo de sangue que corre do seu corpo, permanecerá durante sete dias na sua impureza… Quem tocar nalguma coisa que estiver sobre a cama ou sobre o móvel em que ela se sentou, ficará impuro até à tarde… Quando uma mulher tiver um fluxo de sangue durante vários dias, fora do tempo normal de impureza, isto é, se o fluxo se prolongar para além do tempo da sua impureza, ficará impura durante todo o tempo desse fluxo…» (Lv 15, 19-25).

Entenda-se, é uma impureza cultual e não uma impureza moral. No caso presente, é um fluxo de sangue que perdura há muito. É um estigma religioso e social. Jesus poderá ser a última oportunidade: «Se eu, ao menos, tocar nas suas vestes, ficarei curada». Aproxima-se discretamente, não quer ser denunciada. Basta o que tem sofrido. De Jesus emana uma força que salva, que acolhe, que cura, que inclui, que devolve a dignidade. «Minha filha, a tua fé te salvou». A força da cura sai de Jesus, mas advém também da fé desta mulher.

Jesus vê, sente, percebe esta mulher por entre uma multidão aos encontrões, para surpresa dos Seus discípulos: «Vês a multidão que Te aperta e perguntas: ‘Quem Me tocou?’».

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Textos para a Eucaristia (ano B):

Sab 1, 13-15; 2, 23-24; Sl 29 (30): 2 Cor 8, 7. 9.13-15; Mc 5, 21-43.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

19.08.17

Socorre-me, Senhor

mpgpadre

1 – A Palavra de Deus deve iluminar a realidade concreta, apontando caminhos, comprometendo os cristãos que a escutam. Hoje, vendo como Jesus lida com "os outros" que não pertencem ao povo judeu, sugere-me que partamos do momento que se avizinha em Portugal: a campanha eleitoral para as eleições autárquicas.

Vale a pena repescar as palavras do Papa Francisco: «Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão... os cristãos não podem fazer de Pilatos, lavar as mãos... Devemos implicar-nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum... Os leigos cristãos devem trabalhar na política. Dir-me-ão: não é fácil... A política é demasiado suja, mas é suja porque os cristãos não se implicaram com o espírito evangélico. É fácil atirar culpas... mas eu, que faço? Trabalhar para o bem comum é dever de cristão».

A política é coisa boa. É o cuidado da polis (= cidade), o serviço aos cidadãos. É um elevado serviço de caridade quando procura o bem comum (não o bem individual, particular, privado, ainda que se exprima no serviço a pessoas concretas), o bem de todos, discutindo ideias e projetos para melhorar a vida das pessoas.

Infelizmente, muitas vezes vemos discutir pessoas e não projetos. "Nós fizemos", "Nós prometemos", "Eles não cumpriram", "Nós vamos cumprir"... O nosso grupo tem todas as qualidades... os outros são falsos, mentirosos, maus... E, no final, o que importa é favorecer os que nos ajudaram na eleição, os outros que aguardem mais quatro anos ou então que nos tivessem apoiado!

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 2 – Os discípulos de Jesus vivem (ainda) nesta dinâmica: o nosso grupo, os nossos, os que andam connosco. O Messias de Deus é nosso, pertence-nos, temos o exclusivo. Os milagres que fizer hão de beneficiar os nossos, os do nosso povo. As palavras que Ele disser são-nos dirigidas, a não ser que sejam para maldizer os outros, os estrangeiros, os que estão para lá do nosso grupo.

Contrariamente ao que seria expectável, Jesus mantém-se em silêncio (exterior) diante da investida desta mulher: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio».

Os discípulos estranham a posição do Mestre. Esta mulher tudo fará para reaver o filho, para o reconquistar para a vida. Sujeita-se ao ridículo, a ser olhada de esguelha, sujeita-se a uma humilhação pública. Mas que lhe importa? O importante é a saúde e a vida do filho. Até pode morrer, mas que o filho seja salvo! Os discípulos parecem incomodar-se mais com a sua gritaria do que com o seu sofrimento!

 

3 – Na resposta aos discípulos, Jesus diz-lhes que não foi enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Porém, esta Mãe não desiste e insiste, prostrando-se aos pés de Jesus: «Socorre-me, Senhor». Parece que Jesus não se comove! O que contraria o que está contido nos Evangelhos: a Sua delicadeza e proximidade às pessoas mais frágeis, pobres, doentes, mulheres, crianças, publicanos e pecadores! Então que se passa com a reação de Jesus? Assume a nossa postura para que nós nos ponhamos do lado de quem sofre e assumamos a Sua postura: amor ao serviço dos mais desfavorecidos.

Convertamos em pergunta a resposta dada por Jesus àquela Mulher: "Será justo tomar o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos?". Entramos na pedagogia de Jesus que nos desafia. A Mulher cananeia ajuda-nos a responder ao questionamento de Jesus: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos».

Jesus mostra que a salvação não se destina a um grupo ou a um povo, mas destina-se a todos. A fé é a única exigência para a cura, para a redenção. Fé que se torna humildade diante de Deus e predisposição para acolher o Seu amor, o Seu perdão e a Sua cura. É na fé amadurecida desta mulher que Jesus opera a cura da sua filha.


Textos para a Eucaristia (ano A):  Ap 11, 19a; 12, 1-6a. 10ab; Sl 44 (45); 1 Cor 15, 20-27; Lc 1, 39-5.
 

25.03.17

Enquanto Eu estou no mundo, sou a luz do mundo

mpgpadre

1 – Domingo da Alegria e da luz, da unção e da vida nova trespassada, presença de Deus na minha e na tua vida. Deserto e tentações, pão e palavra de Deus. Montanha e altura, Jesus e apóstolos, vislumbre da eternidade, luz vinda do Céu. Sede e água, Samaritana e Água Viva que é Jesus e um alimento maior que toda a fome.

Mais forte que toda a cegueira, a Luz de Cristo, que nos eleva para Deus e nos faz reconhecer os outros como irmãos. É conhecida a estória do sábio que pergunta aos seus discípulos qual o momento exato em que a noite dá lugar ao dia. Respostas: quando conseguimos ver o chão que pisamos, quando distinguimos as pessoas das árvores, quando surge o primeiro raio de sol no horizonte! Passa a ser dia, conclui o sábio, no momento em que olhamos para os outros e os reconhecemos como irmãos.

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2 – Jesus encontrou um cego de nascença. Neste encontro a proximidade de Jesus e a distância dos seus discípulos. Se ele está cego, alguma coisa fez de errado. Ou ele ou os pais. Infelizmente, ainda na atualidade, o obscurantismo da fé é gigante, manifestando falsa resignação: foi Deus que quis, paciência! Como se Deus quisesse o nosso mal, como se um Pai tivesse gosto em ver os filhos a sofrer.

Jesus não se interroga nem explica esta fragilidade, simplesmente intervém para curar, para salvar, para sanar todo o mal. «É preciso trabalhar, enquanto é dia, nas obras d’Aquele que Me enviou. Vai chegar a noite, em que ninguém pode trabalhar. Enquanto Eu estou no mundo, sou a luz do mundo».

Para os judeus, e para muitos de nós, a cegueira é sinal de maldição de Deus. Este homem é desprezado e excluído . Não bastava a falta de vista quanto mais a exclusão social e religiosa. Jesus inclui-o. Não de forma mágica, mas com o poder de Deus e a unção da terra e da vida (terra e saliva), e com a água que lava e purifica.

 

3 – Diante do assombro, o medo ou a conversão, a maledicência ou o silêncio, a indiferença ou o testemunho, a negação e o cinismo ou a abertura ao mistério. Mais cego é aquele que não quer ver.

O cego de nascença foi curado. Os vizinhos e os que o tinham visto a mendigar interrogam-se e interrogam-no, incrédulos, atónitos.

Entram em cena os fariseus e o preconceito. Por todas as formas tentam desacreditar o milagre, mas como são muitas as pessoas que conheciam o cego de nascença e testemunham a cura, arranjam outra desculpa para não aceitarem Jesus. Afinal, Ele curou o cego, mas em dia de sábado! O mal passa a ser o dia da cura. Não querem ver e portanto arranjam desculpas como aqueles que não vão à Missa e justificam-se dizendo que os que lá vão são piores!

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4 – A cura é um primeiro passo, a conversão vem a seguir é mais demorada, leva uma vida inteira. Na maioria das vezes Jesus exige a fé (prévia) para intervir curando. No relato desta cura não se faz qualquer referência à fé deste homem. Deus toma a iniciativa e a Sua misericórdia ultrapassa a nossa vontade. Cabe-nos acolher ou recusar a Sua bondade e Suas maravilhas.

Tendo conhecimento do que os fariseus e doutores da Lei fizeram a este homem, Jesus veio ao seu encontro e, então sim, desafia-o à fé: «Tu acreditas no Filho do homem?». A fé é muito mais que um conjunto de ideias, ainda que credíveis, a fé é um encontro. Deus vem ao nosso encontro e em Jesus Cristo encontra-nos no nosso peregrinar, no nosso caminho. A fé decide-se diante Jesus: «Eu vim a este mundo para exercer um juízo: os que não veem ficarão a ver; os que veem ficarão cegos».


Textos para a Eucaristia (A): 1 Sam 16, 1b. 6-7. 10-13a; Sl 22 (23); Ef 5, 8-14; Jo 9, 1-41.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE 

28.05.16

Digo-vos que nem mesmo em Israel encontrei tão grande fé

mpgpadre

1 – A humildade encaminha-nos para a felicidade. Coloca-nos na rota da salvação. Abre-nos aos outros e a Deus. Possibilita a comunicação. Cimenta os laços de amizade e de ternura. Faz sobressair o melhor de nós, promovendo o melhor que os outros têm para nos dar.

A prepotência e o egoísmo encerram-nos num casulo. A humildade não se opõe à autoestima, benfazeja para uma vida saudável. A humildade opõe-se à soberba, à avareza e ao egoísmo, à autossuficiência e à ambição desmedida. A humildade faz-nos realistas e humanos. A nossa grandeza assenta na dignidade humana, seres únicos e irrepetíveis. Para os crentes, esta dignidade é fortalecida pela filiação divina, filhos amados de Deus e, portanto, irmãos. A humildade faz-nos reconhecer a nossa ligação aos outros, dando-nos a certeza que a felicidade se constrói com eles. Os outros não são, como pensava Sarte, o nosso inferno. Não. Os outros são a visita que Deus nos faz e que nos humaniza.

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2 – Um centurião recorre a Jesus a favor de um servo. Enviou anciãos judeus para intercederem junto de Jesus. Veja-se a dinâmica de intercessão: «Ele é digno de que lho concedas, pois estima a nossa gente e foi ele que nos construiu a sinagoga». Jesus não se faz rogado, não se desculpa, não olha para agenda, parte e acompanha-os.

A postura deste homem é admirável. Intercede por um servo! Por um filho, entende-se, agora por um servo, quando tem os que quer?! Por outro lado, apela a um judeu, professando outra religião, e nem ousa usar da sua posição social para chegar a Jesus ou para negociar com Ele. Pede aos anciãos. Num segundo momento, quando Jesus já está perto, envia-Lhe alguns amigos, com o seu pedido: «Não Te incomodes, Senhor, pois não mereço que entres em minha casa, nem me julguei digno de ir ter contigo. Mas diz uma palavra e o meu servo será curado. Porque também eu, que sou um subalterno, tenho soldados sob as minhas ordens. Digo a um: ‘Vai’ e ele vai, e a outro: ‘Vem’ e ele vem, e ao meu servo: ‘Faz isto’ e ele faz».

O posto que ocupava coloca-o "acima" e "à parte" dos simples mortais. Porém, o que vemos é diferente. É um homem bom. É "inimigo" dos judeus, mas ajuda-os. Não se sente digno de ir ao encontro de Jesus. Confia essa missão aos seus amigos.

Ao ouvir as palavras que Lhe trazem do centurião, Jesus sente admiração por ele: «Digo-vos que nem mesmo em Israel encontrei tão grande fé». Mais que de humildade, trata-se de fé. A fé faz sobressair o melhor de nós e dos outros. A fé converte-nos, torna-nos humildes, faz-nos cuidar dos outros como irmãos. A verdadeira e genuína humildade nasce, cresce e alimenta-se da fé.

"Ao regressarem a casa, os enviados encontraram o servo de perfeita saúde".

 

3 – Na verdade, a fé genuína radica em Cristo morto e ressuscitado e faz-nos humildes, solidários, leva-nos a ultrapassar qualquer barreira social, política, religiosa. O Centurião é estrangeiro, mas a sua fé aproxima-o de Jesus e dos seus servos.

Na primeira leitura, escutámos a oração de Salomão a favor dos estrangeiros. Para Deus não há fronteiras. Todo-poderoso, o Seu maior poder é fazer-Se do nosso tamanho, só assim O poderemos ver, encontrar, compreender. Só assim O podemos seguir. Tão pequeno que Se deixa ver, Se deixa amar, se deixa prender, perseguir e Se deixa matar às nossas mãos. Tão concreto que nos permite negá-l'O ou recusá-l'O. Salomão prepara o seu povo, aliás, o povo de Deus, para ser instrumento de salvação e lugar de acolhimento para todos, luz para todas as nações…

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Textos para a Eucaristia (C): 1 Reis 8, 41-43; Sl 116 (117); Gal 1, 1-2. 6-10; Lc 7, 1-10.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE

24.10.15

Que queres que Eu te faça? | Mestre, que eu veja.

mpgpadre

1 – O CAMINHO de Jesus constrói-se em movimento. São Marcos mostra como Jesus avança, progredindo na Mensagem, aprofundando as temáticas, exigindo cada vez mais e de forma mais clarividente. Vai ganhando CONFIANÇA, que Lhe vem de Deus, mas que testa no encontro com as multidões e com os discípulos.

O Evangelho de Marcos possibilita a reflexão à volta do segredo messiânico. Jesus realiza prodígios, revela pouco a pouco a Sua identidade, mas pede "segredo" – não digais nada a ninguém. É, segundo os estudiosos, uma criação literária do evangelista para nos envolver na revelação (progressiva) de Jesus como Filho de Deus, o que só acontecerá plenamente na Ressurreição, cuja luz eliminará as dúvidas e as trevas, mas que se desvela em diferentes momentos. Jesus deixa-Se ver, deixa-Se tocar, deixa-Se acolher. Podemos segui-l’O.

Jesus segue o Seu CAMINHO a caminhar. À beira do caminho está um cego a pedir esmola. Um mal nunca vem só. Não basta ser cego ainda é pobre pedinte. À beira continuam muitos cegos, refugiados, doentes, idosos, pobres. Estão à beira, quase fora, alheados, excluídos. Não estão no caminho, porque se afastaram ou foram impedidos de entrar nele. O texto mostra as diferentes possibilidades.

A voz do cego faz-se ouvir: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim». Certamente que já tinha ouvido falar de Jesus.

Veja-se a dualidade da multidão. Por um lado, espalhou o "segredo" sobre Jesus. Por outro, afasta aquele homem, silencia-o. Muitos tentam calá-lo. “Não nos incomodes com os teus problemas!”

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2 – Adentremo-nos no CAMINHO de Jesus. Somos o cego que reconhece a sua insuficiência e suplica a Jesus pela cura? Somos a multidão que divulga os feitos do Messias? Ou, a multidão que afasta os outros de chegarem perto de Jesus? Damos testemunho ou tornamos opaca a presença de Deus na nossa vida?

Jesus mostra a delicadeza que devemos usar uns com os outros. A multidão não abafa a voz de Bartimeu. Jesus está atento a quem se abeira ou a quem está fora ou na margem do caminho. Se é necessário uma paragem ou um desvio, Jesus não hesita. É agora que Ele é necessário. Há quem precise d'Ele neste momento. Tudo o mais é relativo.

Manda chamar Bartimeu. Mais uma parábola para o nosso compromisso cristão. Também a nós Jesus nos diz: «Chamai-o». Ide e anunciai. Espalhai o Evangelho. Fazei discípulos de todas as nações. Ide à procura da ovelha perdida.

A multidão responde ao desafio de Jesus e anima-o: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te». Por vezes é necessário um pequeno impulso e depois tudo se facilita. É preciso que alguém inverta a tendência negativa. Jesus dá um passo, a multidão dá o seguinte.

E logo, "o cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus". A cura já começara no momento em que este cego ouviu falar de Jesus. Quando soube que Jesus estava por perto fez tudo para se encontrar com Ele. Pergunta-lhe Jesus: «Que queres que Eu te faça?».

Para sermos curados precisamos, primeiramente, de ter consciência que estamos doentes e depois querermos ser curados. E o pedido é óbvio: «Mestre, que eu veja».

 

3 – «Vai: a tua fé te salvou». O cego – como bem lê o nosso Bispo, D. António Couto – pede para ver e Jesus envia-o: VAI. Estaríamos à espera que Jesus lhe dissesse: vê. Mas para ver precisa de IR, de andar, de caminhar, de se colocar em movimento, de sair do seu canto e partir ao encontro de Jesus. Também nós somos cegos quando não queremos ver, quando nos recusamos a caminhar em direção aos outros, quando nos fechamos, ensoberbecendo-nos.

Esta passagem ilustra a atitude para seguir Jesus. Antes, víamos os apóstolos a quererem um lugar ao lado de Jesus, sentados. Agora um cego, que está sentado, como sublinha D. António Couto, sentado e a pedir esmola, e que se LEVANTA para encontrar Jesus. A posição do discípulo é seguir Jesus, levantar-se, libertar-se de si e do que lhe pesa. Seguindo Jesus somos curados da nossa cegueira.

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Textos para a Eucaristia (B): Jer 31, 7-9; Sl 125 (126); Hebr 5, 1-6; Mc 10, 46-52.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

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05.09.15

O Senhor ilumina os olhos dos cegos, e levanta os abatidos,

mpgpadre

1 – Jesus Cristo vem para todos. O Reino de Deus não tem excluídos, a não ser aqueles que se autoexcluem. A opção preferencial pelos mais frágeis situa a urgência e a obrigação da inclusão…

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2 – A doença e a deficiência (mas também a pobreza material) facilitam a exclusão. Dos próprios, quando já não têm voz…  De todos, quando remetemos para outros a responsabilidade de ajudar…

Naquele tempo, um leproso, um coxo, um cego, um surdo, tinham o mesmo tratamento que um publicano, uma mulher adúltera, ou uma prostituta. A exclusão é semelhante. Se estes podem ter alguma responsabilidade pessoal, aqueles não. De recordar o episódio em que Jesus cura um cego de nascença e conclui que nem ele nem os pais tiveram culpa alguma, excluindo qualquer leitura moral (cf. Jo 9).

Em resposta aos emissários de João Batista, Jesus responde-lhes: «Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciado o Evangelho…» (Lc 7, 19-23).

Jesus vem de Deus para incluir, para salvar, para envolver. Não há nada que nos possa afastar do amor de Deus: nem a doença, nem a pobreza, nem o pecado, nem a raça ou a religião, nem a deficiência.

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3 – A multidão por vezes é um empecilho, impede-nos de ir onde queremos. Outras vezes é uma ajuda preciosa, guia-nos e ampara-nos. Trouxeram a Jesus um surdo que mal podia falar. Pedem-Lhe que imponha as mãos sobre ele. Jesus faz o que está ao Seu alcance. Afasta-Se com ele da multidão, mete-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva toca-lhe a língua, ergue os olhos para Deus, e diz-lhe «Efatá», que quer dizer «Abre-te».

Jesus usa os sentidos. Aquela pessoa é surda e mal fala. Jesus aproxima-se dela ao máximo, tocando-lhe. Não é a magia a funcionar, é o toque humano que transforma, acolhendo, amando, salvando.

Os políticos, os atores, os mágicos precisam de quem aplauda. Jesus usa de discrição, no início e no fim, recomendando que não se conte nada a ninguém. Parece que este pedido, como quando se pede um segredo, não resultou o efeito pretendido, pois o feito é divulgado com assombro: «Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e que os mudos falem».

 

4 – A missão primeira de Jesus é o anúncio do Reino de Deus. As curas testemunham a Sua divindade. Porém, o grande milagre que Jesus opera é a conversão. Jesus é Deus connosco, que vem salvar-nos da surdez que nos impede de escutar os outros, da cegueira que nos impede de reconhecer os outros como irmãos.

Não é possível eliminar todo o mal, mas devemos eliminar o mal que nos é humanamente possível. Se existir alguma limitação que não é possível superar… Deus ama-nos, além das nossas limitações, do nosso pecado, das nossas insuficiências. Aceitar a nossa condição é meio caminho andado para a cura!

 

5 – Vale a pena concretizar os gestos e as palavras de Jesus com as recomendações de São Tiago. A fé em Jesus não admite aceção de pessoas. Mais um exemplo concreto: "Pode acontecer que na vossa assembleia entre um homem bem vestido e com anéis de ouro e entre também um pobre e mal vestido; talvez olheis para o homem bem vestido e lhe digais: «Tu, senta-te aqui em bom lugar», e ao pobre: «Tu, fica aí de pé», ou então: «Senta-te aí, abaixo do estrado dos meus pés». Não estareis a estabelecer distinções entre vós e a tornar-vos juízes com maus critérios? Escutai, meus caríssimos irmãos: Não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do reino que Ele prometeu àqueles que O amam?".

 

6 – A Virgem Mãe, cujo natal celebramos a 8 de setembro, vem ao mundo com esta missão de acolher Jesus e nos ensinar a acolher a Sua vontade – fazei o que Ele vos disser –, apressando o auxílio na Visitação e apressando a missão de Jesus, intercedendo a favor dos noivos de Caná da Galileia. Exemplo de inclusão e de intercessão!

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Textos para a Eucaristia (B): Is 35, 4-7a; Sl 145 (146); Tg 2, 1-5; Mc 7, 31-37.

 

REFLEXÃO DOMINCIAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE

08.08.15

Eu sou o pão que desceu do Céu

mpgpadre

1 – O murmúrio parece inevitável. Porque nos magoaram! Porque não merecemos o que nos fazem ou o que dizem de nós! Seja como for, o murmúrio não acrescenta nada à nossa vida.

E quando nos voltamos para Deus? Certamente que o fazemos porque O consideramos amigo. E os amigos "têm a obrigação" de nos compreender, de nos escutar e de agir a nosso favor. Quantas vezes a vida atraiçoa a nossa confiança e a nossa fé em Deus?!

Moisés leva a Deus o murmúrio do povo que privilegia o pão, o conforto, a segurança, à liberdade e confiança em Deus. Deus escuta e dá-lhes o Pão do Céu, provisório, pois o verdadeiro Pão descido do Céu é Jesus, do Qual nos alimentamos na Eucaristia até à vida eterna.

Os hebreus murmuraram na míngua de pão; os judeus, ao tempo de Jesus, murmuram por Ele ter dito: «Eu sou o pão que desceu do Céu», argumentando com o facto de conhecerem as suas origens (terrenas): «Não é Ele Jesus, o filho de José? Não conhecemos o seu pai e a sua mãe? Como é que Ele diz agora: ‘Eu desci do Céu’?».

 

2 – Vale a pena escutar por inteiro a resposta de Jesus:

«Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a Mim, se o Pai, não o trouxer; e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia… Quem acredita tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. No deserto, os vossos pais comeram o maná e morreram. Mas este pão é o que desce do Céu, para que não morra quem dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo».

Está aqui tudo o que diferencia Jesus de outros Messias e nos diferencia de outros crentes. É o Corpo de Cristo que comungamos, é o Seu sangue que bebemos.

As palavras de Jesus vão provocar uma razia entre os discípulos. É compreensível a dúvida e o questionamento dos judeus: como é que Ele pode dar-nos a Sua carne a comer? Alguns discípulos vão seguir por outros caminhos, pois não estão preparados para o que ouvem.

Obviamente que a Eucaristia não faz de nós canibalistas, faz-nos irmãos porque nos transforma em Cristo, pois quando comungamos não absorvemos Cristo, como diria Santo Agostinho, mas deixamo-nos absorver por Ele. Vale também para aqueles que, não podendo abeirar-se da comunhão sacramental, comungam Cristo na Palavra de Deus, assumindo os mesmos sentimentos e propósitos, para se unirem a Ele e ao Seu Corpo, que é a Igreja, que somos nós.

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3 – Elias entra no deserto, antes da importante missão a que Deus o chama. Também Jesus Cristo passará a prova do deserto.

O deserto é um lugar inóspito. Não há seguranças. Chegará o tempo que só Deus nos valerá. Como não evocar as palavras do papa Bento XVI no dia em que iniciava solenemente o Seu pontificado, em 24 de abril de 2005: «E existem tantas formas de deserto. Há o deserto da pobreza, o deserto da fome e da sede, o deserto do abandono, da solidão, do amor destruído. Há o deserto da obscuridão de Deus, do esvaziamento das almas que perderam a consciência da dignidade e do caminho do homem. Os desertos exteriores multiplicam-se no mundo, porque os desertos interiores tornaram-se tão amplos…»

Um dia inteiro no deserto e Elias cai em desânimo: «Já basta, Senhor. Tirai-me a vida, porque não sou melhor que meus pais». Elias deita-se por terra e adormece. Deus chama-o através do seu santo Anjo: «Levanta-te e come». Elias comeu e bebeu e tornou a deitar-se.

A vida por vezes é tão dura que só nos apetece desistir.

O Anjo do Senhor insiste: «Levanta-te e come, porque ainda tens um longo caminho a percorrer». Elias levanta-se, come e bebe. Revigorado, Elias prossegue o seu caminho, "durante quarenta dias e quarenta noites até ao monte de Deus, Horeb".

Que mais poderemos dizer? Que o verdadeiro alimento nos é dado por Deus, que nos alenta nos desertos a percorrer ao longo da vida, até chegarmos ao Seu monte santo, até que os nossos dias se completam sobre a terra.

 

4 – Hoje a Igreja evoca a memória de Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) que, “como cristã e judia, aceitou a morte com o seu povo e para o seu povo, que era visto como lixo da nação alemã” (Bento XVI, em Auschwitz, 2006).

Teresa Benedita da Cruz foi morta em Auschwitz-Birkenau, campo de extermínio nazi, em 9 de agosto de 1942, poucos meses depois de ser aprisionada. Tinha 51 anos de idade. As suas origens judaicas não a impediram de procurar mais além da sua religião e, inspirando-se em Santa Teresa de Ávila, tornou-se cristã, consagrando-se como irmã carmelita. Dedicou a sua vida aos judeus e aos alemães. Fez de Cristo o Seu único alimento até entrar na glória eterna.

____________________________

Textos para a Eucaristia (B): 1 Reis 19, 4-8; Sl 33 (34); Ef 4, 30 – 5, 2; Jo 6, 41-51.

 

REFELEXÃO COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no meu outro blogue CARITAS IN VERITATE

27.06.15

«Menina, Eu te ordeno: Levanta-te»

mpgpadre

1 – O mistério do sofrimento humano esbate com a bondade e a omnipotência de Deus.

A religião garante-nos que Deus é sumamente bom e Todo-poderoso. A Bíblia procura conjugar o sofrimento com a omnipotência divina e com a compaixão de Deus. Mas não há respostas fáceis. Aqueles a quem a vida corre bem, na abundância dos filhos, dos bens e dos anos, são abençoados por Deus, porque são justos e praticam o bem. Os maus são castigados por Deus e sofrem na pele a consequência do seu mau proceder. Um exemplo sugestivo é a figura de Job, que coloca o seu sofrimento diante de Deus e da Sua justiça. Sempre foi justo e foi castigado por Deus. Onde está a justiça de Deus? No final, Deus mostra que está acima e além da nossa compreensão.

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2 – O evangelho é revelador da condição humana. O sofrimento está aí com evidência. A doença crónica que faz desesperar aquela mulher e a morte de uma filha. Jesus depara-Se com muitas situações de pobreza, exclusão e sofrimento. Humanamente não é possível eliminar todo o mal. Divinamente não é possível anular todas as limitações sem hipotecar a liberdade humana.

Jesus não gasta tempo a explicar o sofrimento, ou a culpar alguém. Compadece-Se e faz por minorar e vencer as adversidades.

Há uma multidão que O procura. A multidão pode ajudar-nos a encontrá-l’O, mas pode também impedir-nos de chegar perto d'Ele. Um dos chefes da Sinagoga, Jairo, suplica a Jesus: «A minha filha está a morrer. Vem impor-lhe as mãos, para que se salve e viva». Jesus larga o que está a fazer e segue Jairo até sua casa.

No meio da multidão, uma mulher, cuja doença a afasta da convivência social, aproxima-se sorrateiramente de Jesus, toca-lhe na fímbria do manto e fica curada. Revejamos os passos. Não se trata de magia. É a força de Jesus que a liberta e a cura. Apertado por todos os lados, Jesus percebe que alguém, com nome e com rosto, O tocou. Para e diz a esta mulher que não precisa de ter medo ou vergonha: «Minha filha, a tua fé te salvou».

Contraponto à sensibilidade e atenção de Jesus, a insensibilidade e a distância dos discípulos: «Vês a multidão que Te aperta e perguntas: ‘Quem Me tocou?’».

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3 – Entretanto, da casa de Jairo vêm dizer-lhe que já não adianta importunar Jesus, pois a menina morreu. Não há nada a fazer. Pelo menos para nós. "Basta que tenhas fé", diz-lhe Jesus. Tinha dito àquela mulher que ousou aproximar-se e tocar-lhe no manto: "A tua fé te salvou". Para que haja cura, ressurreição e vida é necessário o nosso assentimento. Deus não age sem nós. Conta connosco e respeita-nos.

Ao chegar a casa de Jairo, Jesus encontra grande alvoroço, com pessoas a chorar e a gritar. Garante aos presentes que a menina está apenas a dormir. A fé é um dom mas também um caminho, não se impõe. Jesus tinha uma oportunidade de ouro para dar espetáculo, mas usa de descrição. O mais importante é o bem da menina. Jesus “entrou no local onde jazia a menina, pegou-lhe na mão e disse: «Talita Kum», que significa: «Menina, Eu te ordeno: Levanta-te». Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar, pois já tinha doze anos. Ficaram todos muito maravilhados. Jesus recomendou-lhes que ninguém soubesse do caso e mandou dar de comer à menina”.

Novamente Jesus pede para que não se faça publicidade, há que fixar-nos no essencial, a escuta da Palavra de Deus, a conversão, a prática do bem, o serviço aos irmãos.

 

4 – A primeira leitura prepara-nos para acolher o Evangelho. Deus é um Deus de vida que quer o nosso bem: «Não foi Deus quem fez a morte, nem Ele Se alegra com a perdição dos vivos. Pela criação deu o ser a todas as coisas, e o que nasce no mundo destina-se ao bem. Em nada existe o veneno que mata, nem o poder da morte reina sobre a terra, porque a justiça é imortal. Deus criou o homem para ser incorruptível e fê-lo à imagem da sua própria natureza».

Ele criou-nos para a vida e para a felicidade.

______________________

Textos para a Eucaristia (B): Sab 1, 13-15: 2, 23-24; Sl 29 (30); 2 Cor 8, 7. 9. 13-15; Mc 5, 21-43.

 

Reflexão COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.

16.08.14

Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas

mpgpadre

       1 – O amor de Deus não se circunscreve a um determinado círculo. É universal e concreto. Tem um Rosto. Uma Palavra. Um Corpo. Uma Vida. O amor de Deus visualiza-se em Jesus Cristo, no Qual nos descobrimos como irmãos, como família de Deus.

       A Encarnação de Deus realiza a redenção humana.

       Deus vem. Faz-Se um de nós. Dá-nos a Sua vida. Dá-nos o melhor de Si. O Seu maior e único amor: o Filho. Como facilmente verificamos, e como popularmente se diz, as moscas caçam-se com mel e nunca com o vinagre. O ser humano é salvo pelo amor, pela proximidade, pelo serviço. Nunca pela prepotência, pela instrumentalização.

       O percurso de Jesus leva-O ao encontro de povoações e de multidões. Porém, Ele não se perde em generalizações ou boas intenções. Está disponível. É todo ouvido, acolhimento. Acolhe o Amor do Pai. Acolhe-nos e envolve-nos nesse Amor maior. Sem fronteiras.

Na região de Tiro e de Sidónia, uma mulher, estrangeira, cananeia, faz-se ouvir: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio».

       Aparentemente há um diálogo de surdos. Veja-se a guerra que se desenrola atualmente em Israel, com os israelitas de um lado e os palestinianos do outro. Breves tréguas, mas logo surge um disparo e a violência continua. Uma cananeia aproxima-se de um judeu para lhe pedir a cura da filha.

       Jesus não lhe responde e os discípulos intercedem: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós». A preocupação dos discípulos não é a mulher e as suas necessidades, mas o facto de ela estar a incomodar. Então Jesus responde o que os discípulos e as pessoas que os acompanham estavam à espera: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel... Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos».

       Esta era a posição oficial e popular: o Messias de Deus viria para restaurar o povo de Israel, como nação escolhida por Deus.

       A mulher não se cala. Como nenhuma mãe se cala quando em causa está o bem dos filhos: «Socorre-me, Senhor... Também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos».

       Jesus não Se faz rogado e responde-lhe: «Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas». Esta mulher e mãe consegue o que queria: a cura da filha. O amor salva-nos. Expande o nosso coração. Faz-nos pensar nos outros e agir em prol deles.

       2 – O clamor da cananeia, é também o clamor dos salmistas, é o nosso clamor: "Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção, resplandeça sobre nós a luz do seu rosto. Na terra se conhecerão os vossos caminhos e entre os povos a vossa salvação". Se Deus é Pai e nos ama com amor de Mãe não deixará atender as nossas preces.

       O povo de Israel fora escolhido para ser um instrumento de salvação. Como promessa a Abraão, n'Ele serão abençoados todos os povos da terra. Não se estranham as palavras do profeta: «Respeitai o direito, praticai a justiça, porque a minha salvação está perto e a minha justiça não tardará a manifestar-se. Quanto aos estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor para O servirem…hei de conduzi-los ao meu santo monte, hei de enchê-los de alegria na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceites no meu altar, porque a minha casa será chamada 'casa de oração para todos os povos'».

       Por aqui se vê a lucidez de Isaías que alarga a Aliança a todos os povos da terra e que Jesus visualiza com a Sua vida.

       São Paulo depara-se, num tempo posterior, com discussão semelhante, judeus zelosos da sua predileção e pouco disponíveis para acolher pessoas de outros credos.

       Reafirma o Apóstolo: «Enquanto eu for Apóstolo dos gentios, procurarei prestigiar o meu ministério a ver se provoco o ciúme dos homens da minha raça e salvo alguns deles. Porque, se da sua rejeição resultou a reconciliação do mundo, o que será a sua reintegração senão uma ressurreição de entre os mortos? Porque os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis».

       São Paulo tudo fará para que judeus e gregos, religiosos e pagãos, escutem a Palavra de Deus e possam beneficiar do Evangelho de Jesus Cristo.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 56, 1.6-7;Sl 66 (67) Rom 11, 13-15.29-32; Mt 15, 21-28.

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.

29.03.14

Os que não veem ficarão a ver

mpgpadre

       1 –  Jesus é a ÁGUA VIVA, que sacia a nossa busca de sentido (3.º Domingo da Quaresma). É a LUZ que ilumina o nosso peregrinar, o bom PASTOR que nos conduz às águas calmas, a pastagens verdejantes (Sl); destrói a nossa cegueira (Evangelho), desperta o nosso coração para reconhecermos os outros como irmãos. É a RESSURREIÇÃO e a VIDA. Faz-nos passar da morte à vida, ressuscitando-nos com o Seu amor e com a Sua entrega (próximos Domingos).

       2 – A palavra de Deus proposta para este 4.º Domingo da Quaresma – Laetare – incentiva a ver além das aparências (1.ª Leitura), a iluminar a nossa visão com a luz da fé, para dessa forma abandonarmos as trevas e as obras do mal (2.ª Leitura), vendo a vida e os outros com o olhar de Jesus, Ele ajuda-nos a ver com amor e bondade (Evangelho), levando-nos pela mão, como o Pastor (Salmo).

 

       3 – Samuel é enviado a Belém, para ungir um descendente de Jessé. Ele será o novo Rei de Israel. O profeta deixa-se levar pelas aparências e de cada vez que um dos filhos de Jessé lhe é apresentado ele tem a certeza que será o escolhido de Deus. Samuel repara na beleza, na estatura, na robustez, ou seja, nos aspetos que são visíveis ao primeiro olhar. O escolhido de Deus não está visível, é aquele que não faz parte da contagem, um simples pastor, insignificante, criança ainda, franzino, no qual não se divisa futuro. «Deus não vê como o homem; o homem olha às aparências, o Senhor vê o coração».

       Chegada a plenitude dos tempos, Jesus será o novo David, o verdadeiro Pastor de Israel, cuja fragilidade será a salvação da humanidade inteira. Julgar-nos-á pelo amor!

       4 – Com a Sua morte e ressurreição, Jesus introduz-nos numa nova criação. Pela água e pelo Espírito Santo passamos da morte à vida, das trevas à luz. Se somos filhos da luz e do dia, pratiquemos o que é justo e agradável ao Senhor do dia e da noite. O nosso compromisso com os outros tem a sua origem na gratuidade do amor de Deus.

       "Outrora vós éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz, porque o fruto da luz é a bondade, a justiça e a verdade. Procurai sempre o que mais agrada ao Senhor. Não tomeis parte nas obras das trevas, que nada trazem de bom... «Desperta, tu que dormes; levanta-te do meio dos mortos e Cristo brilhará sobre ti».

       5 – No encontro de hoje, Jesus faz-Se caminho e luz para aquele cego de nascença. Adentra-se na sua vida. A Sua mensagem não é um discurso genérico à humanidade, é um encontro com pessoas concretas, de carne e osso, materializa-se em gestos de bondade e misericórdia. A Encarnação "localiza" o amor de Deus num tempo e num lugar.

       Com a cura do cego de nascença, Jesus mostra também que a Sua missão é devolver-nos a vista, libertando-nos das cadeias injustas, das trevas que dificultam a nossa relação com os outros.

       Pelo caminho, exige-se a nossa cooperação. Não somos marionetas nas mãos de Deus. Ele cria-nos livres para amar. Liberta-nos pela verdade e pela doação da Sua própria vida. O Seu amor desafia sem forçar. Será sempre uma proposta de vida nova.

       É no mundo que encontramos, pelo Espírito Santo, a redenção de Cristo. Ele utiliza ferramentas que estão no mundo. Com efeito, Jesus "cuspiu em terra, fez com a saliva um pouco de lodo e ungiu os olhos do cego". Vem depois a proposta para ficar curado: «Vai lavar-te à piscina de Siloé». Ele fez como Jesus lhe ordenou, lavou-se e ficou a ver. Purificados na água e no Espírito também nós ficamos a ver...

       Mais cego é quem não quer ver. Neste ditado popular encontrámos a resistência à Palavra de Deus por parte dos fariseus de ontem e de hoje. A salvação é colocada ao nosso alcance por Jesus, mas por vezes ainda arranjamos umas desculpas para não ver, para não fazer, para não nos comprometermos.


Textos para a Eucaristia (ano A): 1 Sam 16, 1-13; Sl 22 (23); Ef 5, 8-14; Jo 9, 1-41.

 

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