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...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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16.07.16

Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada

mpgpadre

1 – Seguir Jesus é a vocação primeira do cristão. Não de qualquer jeito, mas segui-l'O imitando-O. Para O seguirmos precisamos de estar perto d'Ele, escutando-O, sentindo o bater do Seu coração, cruzando o nosso com o Seu olhar, fazendo com que o Seu sorrir passe para o nosso rosto, que as Suas palavras saiam dos nossos lábios, para multiplicarmos os Seus gestos de ternura, de perdão e de amor, de proximidade e delicadeza, de misericórdia e de serviço.

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2 – Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me». O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».

 

3 – O evangelho familiarizou-nos com a vocação, o seguimento, o envio e as exigências para sermos autênticos discípulos de Jesus. O tempo dirá da nossa maturidade e persistência, da nossa fidelidade e propósito, da nossa conversão permanente e adesão a Cristo . Como o ouro no crisol, também nos vamos moldando para fazermos emergir em nós a imagem e a presença de Cristo Jesus.

Jesus deixa claro a prioridade do discípulo: a proximidade e a escuta. É necessário não O perder de vista. Segui-l'O, deixando que Ele nos guie e não o contrário. Não nos podemos colocar à frente, como quereria Pedro, sob risco de provocarmos um eclipse. Somos mais lua do que sol. Somos discípulos e não mestres. A luz não é a nossa. É Cristo. A palavra não é a nossa. É Cristo. A projeto não é nosso. É o reino de Deus, visualizado na pessoa de Jesus Cristo. A vontade a realizar não é a nossa, mas a de Cristo, a de Deus.

Georg_Friedrich_Stettner_(attr)_Christus_im_Hause_

4 – “Faz isso e viverás”. “Vai e faz o mesmo”. São respostas de Jesus ao doutor da Lei. O mandato é para agir em conformidade com o que se sabe, com o que se diz.

Marta anda atarefada. E bem. Para acolher bem Jesus. Para Lhe agradar e aos seus discípulos, fazendo com que se sintam em casa. Maria faz o mesmo, fica sentada a ouvir Jesus. Oração e trabalho (ora et labora – a máxima de São Bento, Padroeiro da Europa e que celebramos a 12 de julho). Completam-se. A oração implica-nos com seriedade no trabalho. O trabalho pode tornar-se uma forma de oração, quando nos aproxima dos outros e nos faz transformar o mundo.

Se agimos sem a ligação a Jesus Cristo corremos o risco de instrumentalizar os outros e de desanimar diante das dificuldades.

Jesus precisava de se alimentar e de descansar. Mas precisava muito de se sentir em casa e não ser mais uma peça de mobília. Há tanta coisa que nos dispersa. Alguém chega e a azáfama continua. E quem chega pode sentir que está a dar trabalho como convidado ou até estranho e não como membro da casa e da família.

Devemos dar o melhor de nós mesmos, mas a prioridade é a pessoa que nos visita. Marta anda de um lado para o outro, como uma barata tonta. Não está concentrada nem no trabalho nem em Jesus. Está incomodada com o que os outros não fazem. Quer a atenção só para ela e para o que está a fazer. O centro é Cristo, que chegou e que importa acolher e amar. Jesus aprecia o trabalho e a dedicação de Marta. Mas o trabalho a contragosto nem rende. Percebemos que nos tornamos um estorvo, ainda que a pessoa não o faça por mal.

Maria faz-se casa para Jesus. Mais importante que o espaço é o tempo e a qualidade do mesmo. Há lugar para Marta e para Maria em nós, na Igreja e na sociedade. Como cristãos sabemos a primazia para vivermos e darmos Jesus Cristo: primeiro há que O acolher, pela oração, pela escuta e meditação da Palavra de Deus. Não podemos dar o que não temos. A luz que há em nós é Jesus. Se nos distanciamos d'Ele, escurecemos e Ele fica esbatido em nós e para os outros.

______________________

Textos para a Eucaristia (C): Gen 18, 1-10a; Sl 14 (15); Col 1, 24-28; Lc 10, 38-42.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE

21.07.13

Uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte...

mpgpadre

       1 – “Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra”.

       Primeira lição: o amor tem concretização. Não se vive genericamente. Amamos o mundo inteiro, mas precisamos de nos sentir acarinhados por alguém, um familiar, um amigo, uma pessoa que nos espera... Jesus vive a maior parte da sua vida com os pais. Vem para a humanidade inteira. Porém, nasce em Belém; seus pais são Maria e José; vive em Nazaré, e situa a Sua vida pública na Judeia e na Galileia, com algumas passagens pontuais pela Samaria.

       Segunda lição: Jesus não é o super-homem. Não é uma personagem esquisita, heroica, ao jeito das figuras televisivas ou cinematográficas. É um homem de carne e osso. Tem necessidade de comer, de descansar, de sentir a presença dos amigos.

       2 – «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária».

       Depois de mais uma jornada, Jesus entra numa povoação e Marta recebe-O em sua casa. Aprendamos com ela a receber Jesus em nossa casa. Mas depois de O acolhermos, é necessário darmos-Lhe atenção. Marta atarefa-se para receber bem. Entretanto vê que a sua irmã está sentada aos pés de Jesus a escutá-l'O. Forma sublime de acolher, com o ouvido, melhor, com o coração!

       «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir?» Marta aproxima-se de Jesus e dá-lhe uma leve repreensão. Ele tinha obrigação de compreender. Sua irmã está ali “sem fazer nada”, quando poderia estar a ajudá-la.

       Na resposta, Jesus não recrimina Marta pelo carinho e generosidade com que O trata e como cuida da casa. No entanto alerta para algo mais importante. Jesus aponta para a escuta da Palavra, para a prioridade da oração, da contemplação, do estar junto d'Ele.

        3 – «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas».

       Como não revermo-nos neste alerta de Jesus?

       Vivemos numa luta permanente. Não há tempo para nada. Falta tempo para a família, para os pais brincarem com os filhos, para os filhos passarem tardes com os pais e os avós, ou participarem na Eucaristia, numa festa, um almoço ou jantar. Os filhos têm os seus compromissos, os horários dos pais não dão…

       Queremos fazer muitas coisas, estar em todo o lado, e acabamos por não estar em lado nenhum. Corremos, corremos, e parece que não saímos do mesmo lugar? Já alguém se sentiu assim? Com a vida a escapar-se como a areia entre os dedos das mãos?

        4 – «Uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte».

       Justo equilíbrio, sem perder o norte, o ponto de partida, o chão que nos liga, a meta para onde nos dirigimos. Marta e Maria.

       E assim a Igreja! A melhor parte: estar aos pés do Senhor. Escutá-l'O. Primeiro, discípulos, e depois apóstolos. De novo a fé e as obras. Uma coisa leva à outra. Se corremos muito mas sem Deus, sem oração, sem ligação a um sentido maior, corremos o risco de nos perdermos. Por outro lado, fé com carne, com vida, com obras.

       Espaço e tempo para a contemplação, a beleza, o encontro com amigos, com a família, para o descanso, para participar em atividades lúdicas e culturais, para apreciar a natureza, para louvar e agradecer…

 

       5 – «Se agradei aos vossos olhos, não passeis adiante sem parar em casa do vosso servo».

       Na primeira leitura, vemos a delicadeza de Abraão. Pela hora de mais calor, está a descansar. Vê passar três homens e entende este encontro como sinal da presença de Deus, sinal de bênção.

       Abraão faz uma leitura muito rápida. Quem passa pela minha casa, à frente da minha porta, vem da parte de Deus, então é necessário tratá-lo como enviado de Deus.

       Que bela lição esta que Abraão nos dá. É necessário que aqueles que passam por nós deixem um pouco de si e levam um pouco de nós, como evoca Antoine de Saint-Exupéry, no Principezinho. O que fizerdes ao meu irmão, a Mim o fazeis…

 

       6 – “Cristo no meio de vós, esperança da glória. E nós O anunciamos…”

       Deus passa em nossa casa, mas não vai adiante sem antes bater à nossa porta, permitindo-nos a hospitalidade. Podemos abrir-lhe a porta e deixá-l’O entrar, mais e mais na nossa vida. Não podemos dar o que não temos. Damos Aquele que nos habita.


Textos para a Eucaristia (ano C): Gen 18, 1-10a; Col 1, 24-28; Lc 10, 38-42.

 

12.04.11

RESSURREIÇÃO como promessa, garantia e certeza

mpgpadre

       A liturgia da Palavra proposta para este V Domingo da Quaresma pode ler-se a partir destes três itens, um para cada leitura: 1.º leitura: promessa; Evangelho:garantia; 2.º leitura: certeza.

PROMESSA: 

       «Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, o disse e o executarei» (Ez 37,12-14).

       O profeta Ezequiel apresenta-nos claramente a ressurreição como promessa de Deus. Diga-se, que esta ressurreição pode ser entendida em dois sentidos: Deus ressuscitar-nos-á para a eternidade, e, também, a ressurreição do povo de Israel, enquanto restauração do povo e do seu território.

GARANTIA:

       "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá" (Jo 11,1-45).

       Jesus garante-nos a vida futuro. Quem acredita no Filho do Homem não morrerá, irá à presença de Deus. É uma garantia que Se faz certeza na Sua ressurreição. Porquanto, ressuscitamos, pelo Baptismo, para a vida nova de filhos, para vivermos em espírito e verdade.

       Também a ressurreição de Lázaro é uma garantia, do poder de Deus, do Seu amor por nós, e do poder que é mais forte que a morte. Lázaro é "reanimado" para a vida temporal, mas também um dia morrerá e então há-de ressuscitar para a eternidade de Deus.

CERTEZA:

      "Vós não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós... E, se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós"(Rom 8,8-11).

       A ressurreição de Jesus é a certeza de que Aquele que O ressuscitou também nos ressuscitará. A nossa vida e a nossa fé são sustentadas e enformadas pela Ressurreição de Jesus. Primeiro Ele, depois nós. 

11.04.11

Deus criou-nos para a ressurreição e para a vida

mpgpadre

Na Sua Mensagem para esta QUARESMA 2011, Bento XVI diz o seguinte sobre este V Domingo de Quaresma:

 

       Quando, no quinto domingo, nos é proclamada a ressurreição de Lázaro, somos postos diante do último mistério da nossa existência: «Eu sou a ressurreição e a vida... Crês tu isto?» (Jo 11, 25-26). Para a comunidade cristã é o momento de depor com sinceridade, juntamente com Marta, toda a esperança em Jesus de Nazaré: «Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo» (v. 27). A comunhão com Cristo nesta vida prepara-nos para superar o limite da morte, para viver sem fim n’Ele. A fé na ressurreição dos mortos e a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência: Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem futuro, sem esperança.

10.04.11

Se estivesses aqui meu irmão não teria morrido!

mpgpadre

       1 – "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá". A afirmação de Jesus é inaudita e surpreendente, e incontornável. A pergunta/desafio a Marta vai muito para além de uma concepção de vida apenas terrena e material, transcendendo-nos nas nossas limitações humanas.

       A fé é essencial para que a vida ressurja constantemente. O desafio à confissão de fé de Marta, para que não se deixe afoguear pela dor e pelo luto, mas, ela e nós, se abra à confiança plena em Deus, na certeza de que, para os crentes, como nos recordará São Paulo, a vida não acaba apenas se transforma e desfeita a morada deste exílio terrestre, entraremos na morada eterna, já não feita por mãos humana, mas dádiva de Deus e que n’Ele perdurará para sempre.

       A ressurreição, para nós, crentes cristãos, é crucial, é o ponto de partida da nossa vida espiritual e a nossa meta. Está presente em todo o tempo. Radicámos toda a nossa vida de fé a partir da ressurreição de Jesus Cristo, como antecipação da nossa ressurreição para a eternidade de Deus. Aliás, em cada Eucaristia, em cada Domingo e, como solenidade, anualmente, a liturgia da Igreja centra-se na Páscoa de Jesus.

 

 

 

       2 – Quando Marta se aproxima de Jesus, quando Maria O interpela, uma e outra confiam no Seu poder e sabem que Deus está com Ele. Marta acredita em Jesus. Maria diz mesmo que a presença de Jesus evitaria a morte do seu irmão. Ambas sabem que a vida e a ressurreição acompanham Jesus, na Sua pregação, nos seus gestos e na promessa de nos preparar uma morada eterna. Compreendem que a vida não se esgota agora, no tempo presente, crêem na ressurreição, ainda que a separação de Lázaro lhes traga sofrimento e tristeza. Não é o fim. Esta certeza, contudo, não anula a dor, mas enquadra-a na garantia da eternidade.

       "Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse: «Pai, dou-Te graças por Me teres ouvido. Eu bem sei que sempre Me ouves, mas falei assim por causa da multidão que nos cerca, para acreditarem que Tu Me enviaste». Dito isto, bradou com voz forte: «Lázaro, sai para fora». O morto saiu, de mãos e pés enfaixados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário".

       A ressurreição de Lázaro é antecipação da ressurreição de Jesus. É sinal e expressão, tal como outros prodígios realizados por Jesus, que o poder de Deus está no meio de nós, pela fé e simultaneamente que o mal, o sofrimento, a doença e a morte devem ser combatidos até onde for humanamente possível, com a ajuda de Deus. Mas, contrariamente à ressurreição de Jesus, a de Lázaro é sobretudo uma reanimação, para a vida terrena. Biologicamente, na nossa finitude e fragilidade humanas, a morte chegará um dia. Também a de Lázaro. Mas não como fatalismo. Na ressurreição do Seu amigo, Jesus mostra-nos que o poder de Deus vence a morte, como mais claramente se verá na Sua própria ressurreição. A separação dos entes queridos é passageira, logo nos encontraremos na comunhão gloriosa dos santos.

 

       3 – Enquanto caminhamos neste "vale de lágrimas", onde nos deparamos com o sofrimento, com a doença e com o mal, com a solidão e com a morte, somos enlevados pela esperança que Se funda nas promessas de Deus a Israel: "Assim fala o Senhor Deus: «Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, o disse e o executarei». Aqui de novo se pode entender a fé na ressurreição em dois sentidos: os que morrem ressuscitarão para a vida eterna; o povo enquanto tal não morrerá mas será reconduzido para a terra prometida, renovando-se.

       Um e outro sentido, são garantia que Deus continuará a agir na história e no tempo a favor da humanidade.

       Mas não apenas isso. A nossa esperança agora tem um rosto, real e concreto, Jesus Cristo, que vem de junto de Deus para nos mostrar o Seu amor, e regressa, pela Sua morte e ressurreição, para nos introduzir no Reino eterno de Seu e nosso Pai.

       "Vós não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós... E, se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós".

       A fé em Jesus Cristo, Filho de Deus, morto e ressuscitado, dá-nos a certeza de que a nossa identidade humana não se perderá com a morte natural, mas prosseguirá na eternidade, na comunhão dos santos, com a ressurreição da carne.

___________________________

Textos para a Eucaristia (ano A): Ez 37,12-14; Rom 8,8-11; Jo 11,1-45.

 

19.07.10

... a melhor parte não nos será tirada!

mpgpadre
       1 – O cristianismo não é abstracto, mas vivência concreta do Evangelho no meio do mundo, na relação concreta e quotidiana com pessoas de carne e osso, procurando a verdade, a partilha solidária, o compromisso pela justiça, o empenho pela paz, a construção de um ambiente saudável e fraterno, em casa, com a família, com os vizinhos, no local de trabalho, no lazer, proporcionando aos outros bem-estar e alegria.
       A Primeira Leitura intui a delicadeza de um homem de fé. Abraão, pela hora do calor, resguarda-se à entrada da tenda, na sombra e no descanso. Passam três homens (de Deus) e imediatamente o grande patriarca os retém para que parem, descansem, retemperem forças. Para ele, em todo o caso, são presença Deus. Com efeito, em todas as pessoas poderemos acolher o rosto de Deus. São muitas as oportunidades que se nos apresentam para fazermos o bem. ainda que seja um copo de água.
       Também no Evangelho deste domingo vemos a vivência do carinho para com Jesus, vivido em gestos concretos de acolhimento, ternura e conforto. Cansado da jornada, Jesus tem na casa de Lázaro, de Maria e de Marta um porto de abrigo. Ao passar sabe que pode descansar e retemperar as forças. Marta atarefa-se para cuidar do bem-estar de Jesus. Maria acolhe-O na escuta atenta. Duas formas de acolhimento que Jesus aprecia.
       2 – Em tempos de agitação, de crise, de dificuldades, o nosso porto seguro é Jesus Cristo. Ouvimos as Suas palavras, "vinde a Mim todos os que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei". Para nós, Ele é a tenda de Abraão, a casa de Lázaro, de Maria e de Marta. É Ele que nos trata das feridas, o Bom Samaritano, que nos acolhe, nos escuta, nos dá novas forças para o caminhar. É d'Ele que nos alimentamos, na Sua palavra e nos Seus sacramentos, em especial da Eucaristia, o alimento espiritual até à vida eterna.
       Paulo, na Segunda Leitura, mostra a sua alegria por contribuir para disseminar a palavra de Jesus Cristo, por deixar transparecer o Seu amor por nós, manifesto sobretudo na Sua paixão redentora. Cada um de nós, seguindo a interpelação de São Paulo, deve testemunhar a paixão de Jesus Cristo com alegria, pela voz e com a vida.
       3 – A dinâmica da fé permite que todos nós possamos contribuir com os nossos talentos, com a nossa forma de ser, com as nossas qualidades, procurando dar o melhor de nós mesmos, com a tal alegria de que nos fala São Paulo. Por vezes perdemos tempo a discutir os dons que não temos, ou os dons que os outros têm.
       Ora, Deus é o mesmo. É o mesmo Pai. Os dons são tão variados quanto as pessoas, e cada um tem algo importante e essencial a dar aos outros e ao mundo.
       Quando Jesus chama a atenção de Marta: "Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada", diz-lhe precisamente isso. Marta acolhe Jesus com trabalho, arranjando a casa, preparando o repouso e a refeição, mas deverá fazê-lo com alegria, com generosidade e não em esforço. O reparo de Marta a Jesus, merece d’Ele um outro reparo. O que Maria faz é tão ou mais importante. Não basta alimentar o corpo, mas também o espírito. Ela escuta-O, conforta-O do cansaço da missão.
       A Igreja é Marta e Maria. Mas se for demasiado Marta pode esquecer-se da sua origem e do seu fim último. Tudo começa em Deus, na oração, na meditação e na contemplação que leve à Sua adoração. O compromisso com os outros e com o mundo, para o crente, há-de partir daqui, para que não haja instrumentalização de pessoas nem falte a alegria no serviço solidário.

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