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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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10.07.21

TERESA POWER - TODOS OS DIAS DA NOSSA VIDA

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TERESA POWER (2021). Todos os dias da nossa vida. Prior Velho: Paulinas Editora. 128 páginas.
 

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Este é um livro que procura de testemunhar 25 anos de matrimónio. A autora, Teresa Power, percorre os 25 anos de compromisso a partir das leituras, das orações e do compromisso no dia do matrimónio. E como que distribui ou textos pelo tempo de encontro e namoro, o momento do consentimento e os vinte cinco anos de vida de casados, com o nascimento dos filhos e da vida familiar.
O compromisso inicial, concretiza-se nas dificuldades e nas bênçãos, na gravidez e o nascimento de um e outro filho, o crescimento, a educação, as opções. A alegria cresce à medida que a família aumenta. Os momentos de oração em família, a participação na missa do domingo e escuta da palavra. Todos os dias, a oração de bênção à refeição, com música e cânticos, a oração do terço, as leituras diárias da Missa, fazem parte do compromisso da educação na fé dos filhos. Os pais rezam e os filhos aprendem naturalmente a rezar e a apreciar o ambiente orante. 
A história da salvação, narrada da Bíblia, é também a nossa história, a história da família. Sete filhos vivos, que são uma bênção, mas também o filho que morreu. A doença e o definhar desse filho envolveu lágrimas e lamentos, mas muita oração e a presença permanente, ora do pai ora da mãe.
É um livro que se lê com muita facilidade. Em cada página escrita transparece vida, fé, a gratidão.
 

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Vejamos o livro sugerido na plataforma iMissio, por Bento de Oliveira:
"Esta é a história de uma vivência partilhada, uma história real, contada na primeira pessoa. Usa uma linguagem límpida e corrente por onde escorre uma comunicação ardente e entusiasmante!… A autora adianta, na Introdução, algumas das motivações que a forçaram a fazer esta partilha – «Quando, há um quarto de século atrás, o Niall e eu celebrámos o nosso matrimónio, não sabíamos que estávamos a iniciar uma história bíblica» – e acrescenta, então a razão maior: «Escrevi este livro para nunca me esquecer deste milagre… como oração de louvor, de súplica e de ação de graças.»
Extravasa do coração da autora o impulso de uma palavra que a força como um dever «para que outras famílias se deem conta de que a história de cada um é uma história bíblica» … ainda que para alguns, no decurso de tempos envoltos em névoa, sintam obliterado o céu.
Teresa Power é mãe de uma família de 8 filhos. Fundadora, junto com o marido, Niall, de um novo movimento laical, as Famílias de Caná, que pretende revitalizar a espiritualidade familiar. Teresa traz agora a público algumas das experiências espirituais que vive em família.
Para esses, especialmente, foi escrito este livro que os ajudará, sem dúvida, a (re)descobrir «o amor deste Deus imenso que nos dá não duas, mas infinitas oportunidades de regresso a Ele» … e às muralhas da família que Ele habita e que sempre cobre de bênção sempre que comungada".
 
 

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Algumas expressões da autora:
Nenhum de nós pode escolher os membros da sua família: não escolhemos os pais, não escolhemos os filhos, não escolhemos os tios ou sobrinhos, os avós ou os netos, os sogros ou as noras. Há uma única pessoa da nossa família, uma única, que podemos escolher: o nosso cônjuge. Não é irónico ver que cada vez mais pessoas parecem errar na única escolha livre lhes é dado fazer?
 
O amor, por definição, não tem fim. Ninguém ama a prazo. Ninguém ama sem ser loucamente, absurdamente, para sempre. Dizia Pier Giorgio Frassati: «O amor nunca diz: já chega». Porque o amor não é um sentimento, que hoje se experimenta e amanhã já mudou. O amor, diz Jesus, é o mandamento: Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei  (Jo 15, 12).
 
Um dia a nossa vida era perfeita, no dia seguinte acordamos no hospital pediátrico. Apesar de ambos estarmos já familiarizados com morte, o Niall de um irmão, eu do meu pai, a doença Tomás apanhou-nos totalmente desprevenidos. Agora, 14 anos depois destes dois meses no hospital pediátrico, falamos da morte com frequência. Porque não lhe temos mais medo. Porque sabemos que ela já não nos pode matar, antes nos projeta na vida.
 
Filho não é um direito, o filho é um dom. Nunca faremos nada que mereça tamanha graça de Deus. O filho ultrapassa-nos sempre, vem de nós, mas não nos pertence, nasce do nosso corpo, mas traz em si uma semente de eternidade.
 
A mãe dá luz, o pai precisa de cortar o cordão umbilical, uma e outra vez; a mãe dá colo, o pai lança o filho ao ar, em contínuos movimentos de vaivém - a brincar e na vida real; a mãe dá o leite, o pai dá o alimento sólido; a mãe abriga, o pai desafia; a mãe transporta o filho um abraço, para que viva ao ritmo de seu coração; o pai transporta-o às cavalitas - para que veja mundo, bem apoiado no seus ombros.
 
Estamos decididos a batizá-los [os filhos] poucos dias depois de nascer, para que não percam um só dia da graça que Deus lhes quer oferecer. E a levá-los à missa todos os domingos da sua vida no meio de nós. Porque não há forma mais excelente de os fazer a experimentar o Céu na Terra que a Eucaristia... Mas não podemos falhar no nosso dever primeiro de os levar a Casa do Pai, domingo após domingo, e de os ensinar a conversar com Ele, dia após dia. É que antes de serem nossos filhos, são filhos de Deus...

05.06.21

José Luiz Silva - DEFINIÇÕES DE CANALHA

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DEFINIÇÕES DO CANALHA, segundo José Luiz Silva, Na Calçada do Café São Luiz (1982)...

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O canalha é aquele que não concorda contigo, mas diz que estás certo.
O canalha é aquele que aprova sem aprovar, que aplaude sem aplaudir, que sofre sem sofrer, que manda cartões de pêsames sentindo parabéns.
Os amigos do canalha duram o tempo da função que eles exercem.
O canalha pode ser tratado permanentemente por excelência, mas jamais será excelente.
Onde reside o canalha? Em todos os lugares, todas as situações, menos nele mesmo.
O Canalha é um sertanejo às avessas. Ele é, antes de tudo, um fraco.
O canalha engorda com a inflação.
Quem diz que o canalha dorme? Ele é um eterno vigilante. Por isso, com ele os bons não conseguem sobreviver.
Quando Jesus Cristo disse que os filhos das TREVAS são mais espertos do que os filhos da LUZ, Ele via diante de Si a multidão de canalhas querendo usufruir o poder. Lá na Palestina…
Quando um canalha mora num palácio, ele se diz pragmático.
O canalha jamais aceitará um concorrente. Ele vive de jogadas. Aliás, para ele a vida é simplesmente um jogo.
O carro preto à mão de um canalha, será o carro fúnebre do povo.
As artimanhas do canalha, muitas vezes o transformam em amado. Aí reside o grande perigo. Mussolini foi amado por algum tempo. Hitler também.
Um país está em decadência, quando não consegue distinguir quem não é canalha.
Não se preocupe com o que estou escrevendo.
O CANALHA JAMAIS SOFRE.
 
José Luiz Silva, in Tribuna do Norte 18/04/82

29.05.21

Samuel Lauras: FILHOS DA LUZ EM TEMPOS DE PROVA

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DOM SAMUEL LAURAS (2020). Filhos da luz em tempos de prova. Reflexões de um monge para nos mantermos unidos na adversidade. Braga: Frente e Verso. 250 páginas.

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Pelo título, sem mais, diríamos que foi escrito em tempo de pandemia e para ajudar a manter a esperança neste tempo de especial provação. Com efeito, foi escrito antes da pandemia, mas é claramente um livro para este tempo, de luzes e sombras. Todos temos as nossas. Mas importa caminharmos, juntos, apesar das nossas diferenças. É possível conciliar São Bento com São Francisco de Assis, como é possível acolher com o mesmo deferimento Bento de XVI e Francisco.

Dom Samuel Lauras é natural da França eem 1954. Na juventude andou afastado da fé e da Igreja. Em 1983, entrou na Abadia de Notre Dame de Sept-Fons, fundada em 1132, da Ordem Cisterciense da Estrita Observância, conhecida como "Trapista". Hoje é abade de Nový Dvur, uma filha de Sept-Fons fundada na República Checa em 2002.

Dom Samuel parte da constatação de que todos somos diferentes, mas todos igualmente, filhos de Deus. Sendo diferentes, podemos aqui e além, deixar vir ao de cima as nossas sombras e criar muros intransponíveis. O desafio, não é anular as diferenças, sejam culturais e religiosas, mas procurar pontos de contacto, e quando não é possível aproximação nas ideias, que haja aproximação na oração, ao mesmo Deus, mantendo-se aberta a porta do diálogo, numa atitude de respeito e acolhimento do outro. O outro tem as suas sombras... mas eu e tu também as temos.

Na contracapa: "Foi nesta escuridão iluminada pela Palavra de Deus, afetado pela ansiedade com o futuro, preocupado com a evolução da sociedade contemporânea, assustado com os dramas que debilitam a Igreja e desolado pelos conflitos que estão a alterar as nossas relações internas, e que estão presentes em mim, que decidi escrever este livro, para dar testemunho.

Dar testemunho de quê? De que é possível viver em Igreja, estar na sociedade, discordar e discutir sem destruir os vínculos que mantêm de pé a comunidade cristã, seja a comunidade dos amigos, dos religiosos, da paróquia, do movimento apostólico, da diocese, da Igreja universal...

É possível discutir sem deixar de ser filho da Luz. Dom Samuel Lauras, abade trapista, não poupa nas palavras, não deserta dos problemas, não esquece o bom humor e, a certa altura, deixa-nos um conselho: "Se não tivéssemos razões para discutir, como ocuparíamos os nossos dias? Talvez pudéssemos construir o futuro..."

É um livro que se lê com agrado, de fácil leitura, acessível, com provocações que nos fazem refletir, sem teias de aranha, partindo sempre da verdadeira Luz com a qual devemos inundar as nossas vidas, opções, caminhos, discussões, as nossas comunidades.

19.05.21

Pe. Aniceto Morgado - MEMÓRIAS DO CORAÇÃO

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 P. ANICETO MORGADO (2021). Memórias do Coração. Lamego: edição pessoal. 154 páginas.

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Como o título indica, este livro, agora sugestão, do Pe. Aniceto da Costa Morgado, apresenta memórias que ficaram gravadas no coração, e na vida, e agora estão fixadas em livro para que outros possam rever tempos passados, momentos e lugares ou situações similares. Os familiares, amigos, colegas e paroquianos veem retratadas várias situações da vida do Pe. Aniceto, desde o contexto familiar e social onde nasceu, a vivência da fé, a vocação, a vida no Seminário, o serviço sacerdotal em diferentes dioceses, a vida em Seminário, ora como prefeito ora como Diretor Espiritual, a vida nas paróquias e algumas peripécias.
 
No prólogo, o Pe. Aniceto apresenta as memórias e a razão de as colocar por escrito:
 
"O momento que a humanidade está a viver é de grande provação. Esta pandemia atingiu todos os países, credos e classes, mostrando-nos quão frágeis somos e dependentes uns dos outros. Só unidos poderemos vencer este inimigo comum. Mas, como em qualquer crise, podemos encontrar pontos positivos e oportunidades de crescimento e mudança. Pessoalmente, vivi belos momentos de intimidade com Deus, estive mais perto da família, respirei o ar puro da serra e experimentei a presença e o afeto dos amigos. Confinado na minha aldeia, recordei cenas e emoções dos tempos de criança e jovem, como quem faz “o filme da sua vida”. Resolvi então pôr por escrito todas essas vivências, pois só quem conhece e respeita o passado, pode avançar e projetar o futuro. É uma espécie de avaliação do caminho percorrido, marcado pela presença amorosa de Deus, que me leva a partilhar estes apontamentos com familiares e amigos. Chamo-lhe memórias do coração porque só guardamos aquilo que deixa marcas no coração".

 

A venda do livro reverte para a Cáritas Diocesana de Lamego.
É um livro que se lê com muito agrado. Feiras e romarias, festas populares, a situação da vida no campo, o ambiente familiar, o trabalho e as dificuldades, a vocação, a vida no Seminário Menor e depois no Maior, os desafios da vida paroquial/pastoral, a relação com os colegas e com os paroquianos, as alegrias e alguns contratempos, tudo faz parte da vida que se preenche de encontros e alguns desencontros, de muitas alegrias e alguns contratempos.
Além dos texto uma pequena fotobiografia que nos permite visualizar alguns momentos relatos no decorrer da escrita.

17.05.21

Pe João Luís Silva - TODOS OS CAMINHOS VÃO DAR A TUA CASA

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JOÃO LÚIS SILVA (2021). Todos os caminhos vão dar a tua Casa. Lisboa: Paulus Editora. 152 páginas.
 

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O Pe. João Luís Silva recolheu o testemunho de 55 personalidades, conhecidas dos portugueses, e que dão o seu testemunho sobre a fé e espiritualidade ligada a Nossa Senhora de Fátima. Para prefaciar, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, que revela que gostaria de estar como um dos testemunhos, mas ainda assim, como Presidente da República revela a sensibilidade do povo português e a relação dos portuguesas com Nossa Senhora, particularmente invocado como Nossa Senhora de Fátima. «E, hoje, como muitas outras exteriorizações do fenómeno religioso, reveste-se de feições globais, ecuménicas, diversificadas, umas mais ortodoxas, outras mais heterodoxas, múltiplas do foro individual, ou sem enquadramento institucional rígido. Como um todo, nunca deixou de ser uma realidade também nacional. Também partilhada, à sua maneira, por milhões de Portugueses, cá dentro e lá fora, nas Comunidades espalhadas pelo Mundo», afirma o Presidente da República.
 
Eis as personagens que dão o seu testemunho:
Ana Sofia de Maria e da Trindade; André Sardet; Ângela de Fátima Coelho; António Silva Ribeiro; António Zambujo; Aura Miguel; Branca Paúl; Carlos Azevedo; Cláudio Ramos; Cuca Roseta; Eunice Muñoz; Fátima Lopes; Fernanda Serrano; Fernando Santos; Filomena Teixeira; † Francisco José Senra Coelho; Francisco de Noronha e Andrade; Hélder Reis; Helena Sacadura Cabral; Isabel de Herédia; Isabel Silvestre; Joana Vasconcelos; João Aguiar Campos; João de Carvalho; João César das Neves; João Rôlo; João Sousa Araújo; José Luís Nunes Martins; Katia Guerreiro; Laurinda Alves; Leonor Leitão-Cadete; Manuel Arouca; Marco Daniel Duarte; Marco Paulo; Maria Amélia da Costa; Maria de Fátima Murta; Maria José Paschoal; Mário Tavares de Oliveira; Nuno Miguel Prazeres; Paulo Aido; Paulo Rocha; Pedro Conceição; Rão Kyao; Ricardo Carriço; Ricardo Pinheiro; Rui Nabeiro; Ruy de Carvalho; Sofia Alves; Tânia Ribas de Oliveira; Thereza Ameal; Tony Neves; Vera Roquette; Vítor Espadilha.
 
O autor:
Pe. João Luís Gonçalves da Silva nasceu em Chaves, e é atualmente presbítero da Arquidiocese de Évora. Licenciou-se em Educação de Adultos e Desenvolvimento Comunitário pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa. É assistente do Secretariado do Movimento da Mensagem de Fátima da Arquidiocese de Évora e da Fundação Apostolado do Imaculado Coração de Maria.
 
Pe. João Luís: «Este livro […] é um tributo à Senhora mais brilhante que o Sol, à Rainha de Portugal, que nesta pandemia acalentou no seu Coração Imaculado cada um de nós com o perfume do seu manto. Desse jardim intemporal germinou este “beijo escrito” pela mão de várias figuras públicas da nossa sociedade como um testamento que nos leva a contemplar na oração o seu sorriso materno: enquanto houver portugueses tu serás o seu amor, no segredo de cada nome sussurrado».
 
A venda deste livro reverte a favor do Projeto MENTALizar da Fundação São João de Deus, que intervém junto de pessoas e organizações na promoção da Saúde Mental.

17.05.21

JOSEPH FADELLE - O PREÇO A PAGAR

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JOSEPH FADELLE (2016). O Preço a pagar por me tornar cristão. Prior Velho: Paulinas Editora. 6.º Edição. 232 páginas

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O título já diz muito do que poderá conter este livro. É um testemunho de vida e de fé. Um muçulmano, escolhido pelo pai para lhe suceder á frente do clã, protegido e temido.

Nasceu em 1964, Mohammad al-Sayyid al Moussaoui, em uma família xiita iraquiana. Uma família cuja tradição quer descendência direta do Profeta através do 7.º Imam.
Vai para o exército, numa altura em que o Iraque de Saddam Hussein guerreia o Irão. O pai fará tudo para o livrar só três anos de tropa a que está sujeito, mas a determinada altura tem que se apresentar ao serviço militar e é enviado para o sul. Fica situado um pouco atrás da zona de combate, mas na sua caserna está um cristão, a quem tentará converter ao Islamismo. No primeiro impulso, quer que lhe arranjem outra caserna: "É um homem bom, um agricultor. Tem 44 anos e é cristão...". Soam os alarmes. Surpresa, medo e pânico que o fazem gritar como um louco... mas o soldado convence-o a esperar. Diz Joseph (Mohamed): "Na minha terra, os cristãos são considerados párias impuros, seres que não valem nada, com quem devemos misturar-nos, custe o que custar. No Alcorão, que recito todos os dias desde a minha mais tenra idade, são hereges que adoram três deuses". Vendo a razoabilidade das palavras do soldado que o guiou à caserna, começa a maturar na possibilidade de ter sido Alá a enviar aquele cristão para ele o converter. Curioso, que mais tarde trata de comprar um cavalo, como presente para Massoud, certo de que o vai converter ao Islamismo.

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(Reencontro, em França, com o irmão, entretanto também batizado)

Os dias vão passando e verifica que afinal não está surpreendido com o odor deste cristão, pois segundo a família, um cristão conhece-se pelo mau cheiro. Vai ficando curioso. Trocam palavras, por exemplo, sobre agricultura. Deixa-se "seduzir" pelo seu charme, pela sua fluência a falar e começa a estudá-lo para saber como o converter ao islão. Entretanto, Massoud ausenta-se durante um dia para tratar de uma missão. Curioso, vê um livrinho, "Os milagres de Jesus", tendo na capa um homem a sorrir, cercado por um halo luminoso. Nunca tinha ouvido falar deste Jesus, mais tarde verificará que o Alcorão lhe dá outro nome. Deixa-se fascinar pelos milagres de Jesus e sente alegria que lhe faz bem. Depois confessa a Massoud, a leitura e pergunta-lhe quem é Jesus: Isa ibn Maryam, o Filho de Maria. A partir daqui fica também a saber que os cristãos também têm um livro Sagrado, a Bíblia, com o Antigo e Novo Testamento. Querendo conhecer a Bíblia, Massoud pergunta-lhe sobre o Alcorão e convida-o a ler (reler) com atenção o Alcorão e não automaticamente. Ao ler o Alcorão vai-se dececionando, como por exemplo a superioridade dos homens e a subjugação das mulheres, que terão só metade do cérebro... o casamento de Maomé com uma menina de 7 anos; ou com uma nora... uma mulher perde o seu marido e deve esperar três meses e dez dias para voltar a casar-se e Maomé casa com uma mulher no dia em que perde o marido, morto a mando do Profeta... Tudo isto deixa Joseph muito abalado na sua fé.
A primeira vez que se recorda de um sonho ao acordar - tinha ciúmes dos irmãos que sonhavam e relatavam os seus sonhos - é sobre um rio, está na margem, na outra margem um homem com cerca de 40 anos, com uma túnica bege, sem gola. Quando começa a atravessar o regato, fica suspenso no ar... o homem da outra margem estende-lhe a mão e ajuda-o a atravessar a água e a aterrar ao seu lado. Fica impressionado com a beleza deste homem, olhos azuis acinzentados, uma barba rala e cabelos longos... Diz-lhe este homem: "para atravessares o ribeiro, precisas de comer o pão da vida".
Quando abre os olhos, Massoud está de regresso e traz-lhe o Evangelho. Fala-lhe das quatro versões do Evangelho e convida-o a começar pelo de São Mateus. Para não seguir todas as indicações, começa pelo quarto Evangelho, o de São João. Quando chega ao capítulo seis, encontra as palavras "o pão da vida". "Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome..."
Começa a sentir-se chamado... "Se Alá fala comigo como um pai que ama os seus filhos, se Ele perdoa aos pecadores, então a minha relação com Ele nunca mais poderá ser a mesma. Já não estou no domínio do medo, mas no do amor, como numa família".
A partir de então, começa uma verdadeira façanha, procurando Igrejas para ser batizado, querendo testemunhar Jesus Cristo também junto da família, achando que a família o compreenderá. Vai sendo avisado para ter precaução, pois a conversão ao cristianismo é sentença de morte para o próprio e para quem está envolvido nessa conversão. É preso e torturado, na esperança que esqueça o cristianismo. É lançado sobre ele fatwa pelo aiatola Mohammed Sadr (a grande autoridade xiita no país na época), detenção e tortura, condenação à morte, executada pelo tio Karim e pelos irmãos. Quando vão para atirar sente um impulso, intuição, voz interior, para fugir. Os tiros vão falhando. Cai como morto, desmaiado, na lama. Acorda no hospital, sem saber como foi lá parar. Tinha sido baleado na barriga da perna. Um das balas furou a roupa debaixo do braço. A religiosa responsável pelo Hospital exige que deixe o hospital quanto antes, para não colocar em risco as religiosas e quantos trabalham no hospital. O recursos a cirurgiões amigos da irmã/religiosa que o ajuda, chegam à conclusão que tem que ser extraída a bala quanto antes (não há buraco de saída), mas não encontram clínicas que se disponham a abrir as portas. Enquanto discutem numa sala contígua o que fazer, Joseph chama-os porque está a deitar sangue do outro lado da barriga da perna. A bala desapareceu. Procuram no quarto, mas não encontram. O médico fica incrédulo e propõe que se faça uma ecografia. Conclusão, não há sinais de bala, nem de ferimento no interior da perna, pelo que fica aberta a possibilidade para algo extraordinário.
De aldeia em aldeia, já batizado, ele e a esposa, e os filhos, vão-se escondendo até que rumam a França, onde vivem.
Este é um testemunho, na primeira pessoa, de fé e coragem, no meio de muitas "provações", contratempos, riscos, mas o foco é o batismo e a comunhão e testemunhar a fé em Cristo. E pelo meio muitos sinais e "coincidências"...

10.05.21

ABEL BOTELHO - MULHERES DA BEIRA

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ABEL BOTELHO (2004). Mulheres da Beira. Porto: Lello Editores. 228 páginas.

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A Câmara Municipal de Tabuaço instituiu, em cooperação com a Escola EB 2,3/S Abel Botelho, o Prémio Abel Botelho, atribuído aos melhores alunos do segundo e terceiro ciclos e de cada ano do Ensino Secundário e Cursos Profissionais, e que se realiza no dia do nascimento deste patrono, a 23 de setembro. Houve por bem reeditar os livros deste reconhecido escritor. Em 2004, foi republicado "Mulheres da Beira", um conjunto de contos sediados na região.
O conto "Cerro" situa-se bem em Tabuaço, na Vila, nos arredores, e em aldeias próximas, sobretudo Távora, Castanheiro, Chavães, Barcos e Santo Aleixo, e com indicações de Santuários ou lugares de culto, Santa Luzia, Santa Eufémia, Freixinho; Igreja Matriz de Tabuaço e Capela de São Plácido. É mais uma história de amores e desamores, cujo romantismo é evidente nas descrições, mas sobretudo no amor impossível, com o fito de salvaguardar a honra, o nome, o estatuto da família. Sacrifica-se o amor à manutenção do status social e sublima-se no fanatismo religioso. E o romantismo também tem destas coisas: amores não realizados definham no pessimismo doentio e que desemboca na pobreza e na morte.
Este conto inicia precisamente com a vindima, preparativos, a chegada dos "serranos" de Chavães, a azáfama, as cantorias, a refeição bem matinal/madrugadora, a adega onde homens vão aliviar a garganta depois do transporte de pesados cestos, cheios de uvas, sobre as enxergas. E o pisar das uvas, a lagarada!
Há depois outros contos que nos fazem visualizar belíssimas paisagens, descrições pormenorizadas de casas senhoriais, da lavoura, dos caminhos e morros, dos montes, das pessoas que circulam nesses contos. Lamego e a Senhora dos Remédios, a Música de Magueija, passagem por Penude, Feirão, Gralheira, Arouca, Alhões, Oliveira e Tendais, Cinfães, Resende, Cambres, Longroiva e Mêda e tantas outras terras nossas conhecidas.
Mas não apenas as terras que nos fazem ler "Mulheres da Beira", mas as descrições, as histórias apaixonadas das personagens de cada conto, tradições, usos, religiosidade, superstições, lutas pela amada, traições e abusos, procura da felicidade, renúncia ao amor para salvaguardar a honra, definhamento e morte.
São contos agradáveis de ler, apesar do romantismo, apesar do fatalismo, situados no final do século XIX e que nos fazem conhecer ambientes e as ideias em voga nessa altura.

10.05.21

João Manuel Duque - NO CORPO DO TEMPO

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JOÃO MANUEL DUQUE (2021). No Corpo do Tempo. Teologia Breve I. Braga: Frente e Verso. 188 páginas.
 

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O autor: João Manuel Duque Doutor em Teologia Fundamental pela Phil.-Theologische Hochschule Sankt Georgen, Frankfurt, com uma tese sobre Gadamer. Professor Catedrático da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa e Pró-Reitor da mesma Universidade, para o Centro Regional de Braga. Diretor da revista Ephata. Publicou, entre outras obras, Homo credens. Para um Teologia da Fé (UCE), Cultura contemporânea e cristianismo (UCE). É casado e pai de três filhos.

Conjunto de reflexões de fácil leitura, acessíveis, escritas ao longo do tempo na revista "Mensageiro do Coração de Jesus" e agora colocadas em livro, com diversas temáticas, percorrendo o tempo litúrgico: Natal... Quaresma... Páscoa... sobre o Espírito Santo... a vida eclesial.

"De facto, tendo sido elaborados ao longo de cada ano, os artigos iam correspondendo à época do ano em que se publicavam, sobretudo na sua relação com o ano litúrgico e com as principais celebrações do ano cristão — com grande insistência no Natal, na Quaresma e na Páscoa. Por isso, este volume organiza as suas partes segundo esse ritmo, permitindo uma leitura de acordo com o tempo anual correspondente.
É claro que a referência ao tempo evoca, também, a temporalidade da nossa existência. Essa dimensão tem impacto sobretudo no conteúdo dos textos, mais do que na forma. De facto, a perspetiva fundamental da abordagem corresponde a uma compreensão da experiência de Deus no presente da história quotidiana dos humanos, ou seja, no tempo que marca as suas vidas. Daí a escolha do outro termo do título: o corpo. Porque a experiência de Deus e a correspondente experiência de salvação acontece já na história humana, no dia a dia das suas realizações, nos corpos pessoais e comunitários que lhe dão corpo. Ainda que haja uma referência especial ao corpo eclesial, de modo nenhum se pretende que esse corpo possa isolar-se dos corpos pessoais e comunitários que constituem o tecido do mundo, de que a Igreja faz parte e ao qual se orienta. Os corpos são todos permeáveis, porque estão todos expostos uns aos outros. Pretensas imunizações são perversas, ou mesmo ilusórias".
 
O primeiro texto começa assim:
"'Deus é amor (O Theos agapê estín – Deus caritas est) (1 João) – esta é, talvez, a mais condensada e mais completa «definição» de Deus. Corresponde, de modo pleno, à compreensão cristã de Deus, que resulta de um processo longo e complexo de revelação e de descoberta. Concluir que Deus é amor não é algo evidente, nem isento de consequências. Contudo, a palavra «amor» – e até a palavra «caridade» – sofreu uma forte erosão, sendo necessário algum esclarecimento sobre o seu significado no contexto da tradição bíblico-cristã.


Antes de tudo, amor é um modo de relação entre pessoas – ou entre seres pessoais. O que implica o esclarecimento de alguns elementos do conceito de pessoa. Em primeiro lugar, implica a afirmação da unidade e unicidade de cada pessoa. Isto é, implica que aquele ou aquela que está envolvido ou envolvida numa relação de amor seja único e irrepetível, e não apenas uma energia, um elemento num sistema englobante, um princípio lógico, uma aparência ou outra realidade qualquer. Como tal, não poderíamos considerar o amor como algo do género de uma energia contínua que flui entre os seres, como pontos ou nós numa rede eletrónica, sem que fosse considerada a unicidade pessoal de cada ser nele envolvido.

No mesmo sentido, cada ser único e irrepetível envolvido na relação amorosa é diferente de outro ser. Por isso, o amor é o contrário de uma fusão das identidades e das diferenças dos sujeitos envolvidos numa realidade que os englobasse e lhes anulasse as suas características pessoais. Só é possível amor entre pessoas diferentes – e, ao mesmo tempo, a realidade pessoal resultante da relação amorosa é sempre uma realidade inconfundível com outra.
Em Jesus Cristo, Deus revela plenamente quem é – mesmo que nós, humanos, ainda não o compreendamos completamente. E revela-se amando – dando a vida pelo outro; e revela-se sendo amado – acolhendo a vida como dádiva do Pai. Por isso, o amor de Deus, que se realiza no encontro com o humano, sendo plenamente humano em Jesus Cristo, é que revela o próprio Deus. É claro que, nas condições da nossa existência humana e das suas limitadas capacidades de compreensão, nós só podemos compreender o que seja esse amor de Deus pelos humanos de modo analógico – só a partir da limitada experiência que fazemos do nosso amor humano. Por isso, Deus revela-se, em Jesus Cristo, amando com amor humano – só assim conseguimos compreender e acolher esse amor. Mas, ao mesmo tempo, percebendo nós as limitações do amor humano, também percebemos a sua grandeza e, em certa medida, o facto de albergar, nessas limitações, algo que é maior do que ele mesmo. Por essa via, podemos acolher um amor que seja fonte do nosso amor humano – e, nesse sentido, infinitamente mais perfeito do que ele. Mais do que isso: podemos compreender que a nossa verdade – e a nossa salvação – reside na correspondência prática a esse amor primeiro e originário, pois ele é a fonte do nosso...

 

... Mas como se nos revela o amor de Deus – e Deus como amor? Precisamente na atuação de Jesus, enquanto ama, como humano. Assim, o amor de Deus que vem ao encontro do ser humano é o próprio Deus que, feito humano, ama humanamente, mostrando aos humanos que o amor humano é o caminho para corresponder ao amor de Deus, acolhendo a salvação. E o amor, que é caminho de salvação, é a capacidade de dar a vida pelo outro, fazendo-se servo do outro, o mais pequeno entre os pequenos, assumindo a debilidade humana – incluindo a condição mortal – como modo de amar, partilhando um modo de ser. É isso precisamente o que acontece no Natal".
 

28.04.21

Ricardo Figueiredo - NÃO EU, MAS DEUS - Carlo Acutis

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RICARDO FIGUEIREDO (2021). Não eu, mas Deus. Biografia espiritual de Carlo Acutis. Apelação: Paulus Editora. 132 páginas.

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Carlo Acutis morreu há 15 anos, tinha então 15 anos de idade, em 2006. Pouco antes, foi-lhe diagnosticada leucemia, um tipo de leucemia de tal forma agressiva que teria algumas semanas de vida. Foi beatificado, em Assis, no dia 10 de outubro de 2020, graças a um milagre registado no Brasil. Foi dado como exemplo pelo Papa Francisco na sua exortação pós-sinodal “Christus Vivit”: «Carlo Acutis não caiu na armadilha. Via que muitos jovens, embora parecendo diferentes, na verdade acabam por ser iguais aos outros, correndo atrás do que os poderosos lhes impõem através dos mecanismos de consumo e aturdimento. Assim, não deixam brotar os dons que o Senhor lhes deu, não colocam à disposição deste mundo as capacidades tão pessoais e únicas que Deus semeou em cada um. Na verdade, "todos nascem - dizia Carlo - como originais, mas muitos morrem como fotocópias". Não deixes que isto te aconteça!» (Papa Francisco, Christus Vivit, 106).
Nasceu em Londres, mas pouco depois os pais regressaram para Milão, onde cresceu. Depois de ter feito a sua primeira comunhão, aos 7 anos de idade, passou a ir à missa sempre que podia e a dedicar algum tempo à adoração eucarística.
"Antes de mais, Carlo teve uma consciência muito clara e profunda da presença real de Jesus Cristo na Eucaristia. Tinha uma rara perceção deste mistério, que hoje em dia, tantas vezes, é ignorado ou desprezado pelos católicos. Carlo sublinhava este aspeto de uma forma muito concreta. De tal forma que construiu com a ajuda dos pais uma exposição sobre os milagres eucarísticos no mundo. Viveu verdadeiramente como Apóstolo da Santa Missa e procurava que muitos participassem na celebração. Finalmente, podemos ver na sua vida um binómio fundamental: a comunhão e a adoração eucarísticas. Indissociáveis uma da outra, encontram em Carlo uma profundidade sem igual".
Carlo Acutis procurou ir a todos os locais onde Nossa Senhora apareceu, a Lurdes ou a Fátima, e aos locais onde se tinham dado os milagres eucarísticos. 
Era um génio da informática, e colocou esse talento ao serviço da evangelização.
Estes e outros dados podem e reflexões podem ser encontrados neste livro, que já vai na segunda edição.
 
O autor do livro: Ricardo Figueiredo nasceu em 1990, em Sintra. Presbítero desde 2015, exerceu os seus dois primeiros anos de ministério nas paróquias de Peniche, Atouguia da Baleia e Serra d’El Rei, onde conviveu com muitos jovens. Atualmente é pároco de Óbidos e diretor espiritual de vários jovens.

28.04.21

TOMÁŠ HALÍK - O TEMPO DAS IGREJAS VAZIAS

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TOMÁŠ HALÍK (2021). O tempo das igrejas vazias. Prior Velho: Paulinas Editora. 152 páginas.
 

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Há um ano, tal como em Portugal e em muitos países, também na República Checa, a necessidade de confinamento devido ao novo coronavírus levou à suspensão das celebrações comunitárias, com particular relevância para a Eucaristia dominical. Tomáš Halík, sacerdote checo e um dos teólogos em maior evidência na Igreja atual, optando por não transmitir a Eucaristia na paróquia universitária que lhe está confiada, São Salvador, preparou e divulgou, pela Internet, reflexões para cada Domingo da Quaresma até à solenidade de Pentecostes, incluída também a homilia da Quarta-feira de Cinzas, portanto, de todo o ciclo da Páscoa.
Este conjunto de homilias foram publicadas, neste livro que sugerimos, com o título de "O Tempo das Igrejas Vazias", sob a chancela das Paulinas Editoria. Trata-se de um convite à reflexão sobre a realidade da fé e da Igreja, do abandono de muitos cristãos, já antes da pandemia, mas que pode, agora, fazer soar mais alarmes pela debandada que se acentua. Só depois da pandemia se verá até que ponto alguns se acomodaram a uma nova realidade e deixaram de ser "praticantes". É tempo para a reflexão sobre a linguagem da Igreja, a pregação dos sacerdotes, o testemunho dos cristãos, a alegria do anúncio, a coerência de fé, a tradução viva da fé no quotidiano.
O autor viveu na clandestinidade, foi ordenado sacerdote às escondidas, durante anos celebrou Missa sozinho ou com mais uma pessoa ou com algumas famílias. Neste caso, celebravam à noite depois de as crianças adormecerem, crianças, nas famílias que as tinham, para não correrem riscos de denúncia, sabendo que as crianças podem facilmente dizer o que viram ou ouviram... A suspensão das celebrações comunitárias, do terceiro Domingo da Quaresma, em março, até ao Pentecostes, no final de maio, e o facto que voltar a celebrar quase sozinho, não o surpreendeu tanto assim. Antes, o comunismo e a perseguição à Igreja, agora a pandemia.
O tempo das Igrejas vazias é uma oportunidade para refletir a forma como somos Igreja. No caso do autor, oportunidade para dar lugar ao silêncio e à oração, à contemplação do mistério e à reflexão sobre o caminho percorrido, pela Igreja, e o caminho a percorrer, com as possibilidades que se abrem à Igreja e aos cristãos. A pandemia pode dar lugar à desolação ou à pregação apocalíptica. E, pelos vistos, alguns voltaram a pregações medievais, provocando o medo, como se o medo obrigasse as pessoas a regressarem à Igreja.
As Igreja vazias devem preocupar-nos? Sim. Mas são também um desafio a darmos maiores razões da nossa fé, não no anúncio de um deus vingativo, mas na certeza confiante de um Deus misericordioso, que é Pai e Mãe, e que em Jesus Cristo abraça a história e o sofrimento humano, caminhando connosco.
Teremos de dar razões da nossa fé, em todos os momentos, nas situações favoráveis e adversas. Deus faz-Se presente na oração - rezemos mais; na Palavra proclamada e meditada - sacudamos o pó das nossas Bíblias; na vivência da Eucaristia, como remédio e alento para o caminho – não desperdicemos este alimento; no cuidado do irmão, no serviço aos mais frágeis – o que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos é a Mim que o fazeis. As Igrejas vazias são oportunidade para sermos Igreja onde quer que nos encontremos, e em tudo o que fizermos. A Eucaristia, vivida com autenticidade, é o primeiro passo para a caridade.
 
Algumas expressões de Tomáš Halík neste livro:
 
A vitalidade da (sua) comunidade paroquial assenta em três pilares que se interligam:
"Cultivar uma fé refletida capaz de um diálogo intelectual com uma sociedade predominantemente agnósticas, «apateística», anticlerical (contudo não ateísta); segundo, cultivar um constante crescimento espiritual, uma cultura de uma abordagem contemplativa à vida; terceiro, cultivar o compromisso dos cristãos na sociedade civil".

Em relação à opção da não transmissão das Missas na paróquia de São Salvador:

"A minha convicção de que a presença rela de Cristo na Eucaristia deve ser acompanhada da presença real dos fiéis à volta da mesa do banquete sagrado... a celebração da Eucaristia é um banquete em que a presença real de Cristo no sacramento está ligada à presença real (e não virtual) dos fiéis. É na Eucaristia que somos recebidos por Cristo e, ao mesmo tempo, recebemos os nossos irmãos e por eles e neles recebemos o próprio Cristo". 
"Quando a fé de alguns cristãos enfraquece, ao ver que o mundo não vai na direção por eles esperada, intensifica-se a tentação de substitui o Deus do amor, da fé e da esperança por um velho vingativo que do Além persegue os seus filhos com castigos cruéis, que levariam qualquer pai a ser justamente julgado".

Possibilidade de apanhar a Covid e morrer. O autor viria mesmo a apanhar a doença, mas foi curado. Diz-nos:

"Este pensamento sobre a possibilidade de uma morte iminente não provocou em mim medo, mas, sim, uma necessidade de recapitular, de prestar contas. Também nestas homilias se revelava a necessidade de estar consciente em que direção se move a nossa paróquia, a minha teologia, a minha vida, o que constitui, na verdade, o âmago da minha fé: o que significa para mim ser cristão".
Sobre as três virtudes teologais:
"A esperança é abertura para o futuro, a fé é abertura ao mistério de Deus e a caridade é abertura para o mistério do homem e de Deus ao mesmo tempo... A fé é remédio contra o pânico e o medo".
Uma das ideias que sobressai neste conjunto de homilias é o da ressurreição contínua. O mistério pascal está no centro da vida da Igreja e dos cristãos. É preciso morrer para muitas coisas, e para algumas imagens sobre Deus e sobre comportamentos eclesiais.
Sublinha-se também a dinâmica do ecumenismo num sentido mais abrangente, não apenas a outras Igrejas cristãs, mas também outras religiões (diálogo inter-religioso), bem como com agnósticos ou mesmo ateus, pessoas em busca...

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