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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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05.11.16

Devagar se vai ao longe… com a persistência do amor!

mpgpadre

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Depressa e bem não há quem. Diz o povo num dos seus ditados. Ou nestoutro, devagar se vai ao longe. Séneca põe-nos de sobreaviso: todos os ventos são desfavoráveis para quem não sabe para onde vai.
Na aprendizagem, nos relacionamentos, na vida das pessoas e das comunidades, a paciência é essencial para percorrer o caminho, por entre as dificuldades e os obstáculos. Por vezes, a forma inesperada e violenta como a vida nos surpreende pode levar-nos à desistência ou à resiliência. Desistir por certo não é uma opção para quem quer viver, para quem se quer feliz, para quem sonha e procura realizar-se como pessoa. Nem sempre é fácil. E facilmente dizemos aos outros que desistir é o caminho mais fácil. Mas se não os podemos substituir nas suas dificuldades podemos animá-los, pela presença, por uma palavra, um sorriso. E se é válido para os outros também é para nós. Resistir, insistir, recomeçar, com paciência, com amor, persistir no bem, na ligação aos outros. O “não” está certo, vamos procurar e lutar pelo sim, pela felicidade, apostando os trunfos não desistindo nem dos outros nem da vida.
O Papa Francisco utiliza uma belíssima imagem sobre a paciência e o amor que devemos ter com os outros. “Segurar o papagaio [de papel] assemelha-se à atitude que é preciso ter perante o crescimento da pessoa: em dado momento, é preciso dar-lhe corda, porque «rabeia». Dito de outra maneira: é preciso dar-lhe tempo. Temos de saber pôr o limite no momento justo. Mas, outras vezes, temos de saber olhar para o outro lado e fazer como o pai da parábola, que deixa que o filho se vá embora e desperdice a sua fortuna, para que faça a sua própria experiência”.
O cuidado com as pessoas, a tolerância baseada no amor e na ternura, a criatividade para deixar que o outro cresça e manifeste as suas qualidades. Dos pais para os filhos, dos educadores para os educandos, suficientemente perto para ajudar, humildes quanto baste para deixar que os próprios vão tomando a vida nas suas mãos.
Noutra passagem o Papa Francisco utiliza outro termo curioso: “Quantas vezes, na vida, é preciso travar, não querer atingir tudo de repente! Transitar na paciência pressupõe todas essas coisas: é claudicar da pretensão de querer solucionar tudo. É preciso fazer um esforço, mas entendendo que uma pessoa não pode tudo. Há que relativizar um pouco a mística da eficácia”.
A caridade é paciente, tudo espera, tudo suporta…
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4384, de 25 de outubro de 2016

14.10.14

GAARA do DESERTO: Podemos mudar o caminho da nossa vida

mpgpadre

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 «… Resta-me esforçar-me e fazer este percurso sozinho. Não quero continuar por este caminho de solidão. Ao fazer isto, talvez, talvez um dia possa ser como ele e por isso vou tentar ser Kazekage como qualquer outro shinobi da aldeia, para criar uma ligação que me permita viver ligado para sempre à aldeia. Quero esforçar-me para que todos reconheçam a minha existência assim. Penso nisto desde que conheci o Naruto Uzumaki. Até agora, eu tinha apenas ligações de ódio, instintos assassínios, com as pessoas à minha volta, mas ele esforçou-se por me mostrar que não devia ser assim. Agora começo a compreender algumas coisas: a dor, a tristeza, a própria alegria, ser capaz de compreender os outros e de ser compreendido pelos outros todos. Acho que foi isto que aprendi quando conheci e lutei contra o Naruto Uzumaki. Ele viveu a mesma dor que eu e ensinou-me que podemos mudar o caminho da nossa vida. A partir de agora quero ser alguém de quem as pessoas precisem, não como uma arma que seja perigosa para todos, mas como alguém em quem as pessoas possam sempre confiar. Como Kazekage da Aldeia Oculta na Areia».

03.09.14

Leituras: EVA SCHOLOSS - A Rapariga de AUSCHWITZ

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EVA SCHOLOSS, com Karen Bartlett (2014). A Rapariga de Auschwitz. Barcarena: Marcador Editora. 282 páginas.

 (Anne Frank; Eva Geiringer; Eva ao colo da mãe e com o irmão)

 

       Meia-irmã póstuma de Anne Frank, a autora desta história de vida, Eva Schloss, conta, a partir da sua experiência pessoal e da sua família, a experiência terrível dos campos de concentração, os antecedentes e como a vida, com as marcas do sofrimento e da perda de familiares e amigos, se foi refazendo aos poucos. Os acontecimentos marcantes da infância e da juventude e a militância por uma causa, para que no presente e no futuro, a descriminação por motivos de pele, de nacionalidade, de religião, de opção de vida, não se torne no tormento que foi a guerra liderada por Hitler e pelo regime nazi, cuja Solução Final era eliminar os judeus da face da terra. Pouco a pouco os campos de concentração levaram à morte milhares de pessoas inocentes, mulheres, homens e crianças, escolhidos (quase) aleatoriamente para morrerem primeiro, ou por que eram muito novos ou muito doentes para trabalhar, ou por que levantaram a cabeça ou ousaram perguntar alguma coisa. O motivo principal e único: ser judeu.

       Eva Schloss (que viria a casar com Zvi Schloss, de quem adoptou o apelido), encontrou-se com Anne Frank em Amesterdão, na Holanda, depois de ter saído da Áustria, sua terra natal, com a família, já sob a perseguição e ameaça nazi. Viviam perto da família de Anne Frank. Não eram amigas especiais, mas encontraram-se com idades muito próximas, 15 anos, sendo a Anne um mês mais velha, embora esta, reconhece a autora, parecesse mais senhora do seu nariz. Tinham amigos comuns. As famílias viviam com a mesma esperança de viverem num jardim que os protegeria das investidas nazis. Mas a Holanda não aguentou a invasão. Escondendo-se em casa de amigos, mas uma e outra família foram traídas e entregues às autoridades.

       Anne Frank viria a morrer em Auscwitz-Birkenau, juntamente com a irmã, poucos dias antes da libertação. A mãe de Anne Frank morreu um pouco antes. Sobreviveu-lhes o pai, Otto Frank. Da parte da família de Eva, o pai e o irmão morreram, também pouco antes da libertação.

       Entretanto chega a hora a libertação, Eva cruza-se com Otto Frank, muito reservado e abatido pela morte das suas filhas. No regresso a Amesterdão voltam a encontrar-se e pouco a pouco Otto passa a ser uma visita habitual da casa. O pai de Anne Frank e a mãe de Eva compreendem-se, reconfortam-se na dor e na perda dos seus familiares. Mutti - a mãe de Eva - vai estar muito envolvida na publicação e divulgação do Diário de Anne Frank, colaborando com Otto, com quem se casa pouco depois da filha Eva se casar.

       Como apontamento da capa deste livro, a Rapariga de Austchwitz começa onde o Diário de Anne Frank termina, pois aqui a história e as vidas continuam. A autora herda a máquina fotográfica Leica com a qual Otto tirava fotos às filhas. Por um momento da sua vida dedicar-se-á à fotografia, depois às antiguidades, e finalmente, o que mudou a sua vida, dedica-se à causa de Anne Frank, contando a sua própria experiência, não tanto para desenterrar o passado mas para deste ajudar no presente e no futuro a eliminar a intolerância, as injustiças, a descriminação.

       É uma leitura envolvente desde logo por nos colocar dentro dos acontecimentos que feriram os judeus, diretamente, mas toda a civilização ocidental.

«Filhos, prometo-vos isto», disse o meu pai: «Tudo o que fazem deixa algo para trás; nada se perde. Todo o bem que praticarem continuará nas vidas das pessoas que tocaram. Fará a diferença para alguém, em algum lugar, algum dia, e os vossos atos serão continuados. Tudo está ligado como uma corrente que não pode ser quebrada» (p 13)
"Há sempre esperança... as circunstâncias da vida mudarão sempre - às vezes para melhor, outras para pior. Nada se mantém na mesma..." (p 163)
"Viver a vida num mundo ao qual todos podem «pertencer» não é um ideal altruísta aos meus olhos - tem sido sempre uma das maiores e mais perturbadoras questões da minha vida...
Comecei a minha vida na Áustria, tornei-me uma refugiada apátria, e depois vi-me reduzida a um número, dolorosamente tatuado no antebraço. Depois da guerra, os Aliados decidiram que os judeus não deveriam ser tratados como um grupo separado e que deveriam ser de novo designados como «austríacos» (curiosamente, fomos agrupados com os mesmos nazis que nos tinham perseguido e considerados «inimigos estrangeiros»). Nunca obtive a cidadania holandesa e, alguns anos mais tarde, acabei por morar em Inglaterra, onde jamais imaginei que me casaria e teria uma família...
Este livro contou-vos algumas das minhas memórias dessa época, mas as recordações deveriam ocupar um lugar menor no mundo, pois o importante é mudar as coisas para melhor" (p. 276)

17.08.14

Leituras - SOLOMON NORTHUP - 12 Anos Escravo

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SOLOMON NORTHUP (2014). 12 Anos Escravo. Queluz de Baixo: Marcador Editora. 264 páginas.

 

       Como o próprio título indica, o livro fala de escravidão, na primeira pessoa. No final do século XIX, nos Estados Unidos da América. Alguns Estados já não permitiam a escravatura, mas havia outros onde estava em vigor. Solomon Northup é um homem livre, que nasceu livre, no Estado de Nova Iorque, com a mulher os filhos. A sua vida é tranquila, trabalhando por uma vida digna. É um bom carpinteiro e toca rabeca como ninguém.

       Em busca de trabalho, é abordado por dois homens que lhe prometem bom salário, prémios, na trabalhar num circo. Após um a noite de copos, acorda acorrentado se sem documentos que ateste a sua liberdade. Sempre que um "preto" viajasse teria que ter documentos como era um homem livre, para não correr o risco de ser levado à justiça, ou feito escravo num estado em que a escravatura fosse admissível. Mais tarde esses registo e os testemunhos vão ser uma enorme ajuda para ser declarado homem livre.

        Silenciado pela violência para não revelar que é homem livre, originário de Nova Iorque, com mulher e filhos, será vendido para o dono de uma plantação no Lusiana. É feito escravo. Durante 12 anos. Na própria pele fica a saber o que significa ser escravo e tratado como outro animal, cujo valor se calcula pela utilidade. Para o patrão cada escravo é uma mercadoria que pode dar-lhe dinheiro a ganhar. Ainda assim encontra patrões com bom coração, que julgam que a escravatura não tem nada de mal, mas que tratam os escravos com benevolência. Outros patrões cometem todo o tipo de tropelias. Para alguns as chicotadas são o pão nosso de cada dia. Cada escravo tem que produzir cada vez mais.

       Durante todo o tempo, Solomon sonha em regressar a casa, assumindo a sua vida de homem livre, para encontrar os braços da esposa e o carinho dos filhos.

       Fugir ou pedir a intercessão de quem possa levar informações a pessoas de bem que em Nova Iorque poderão despender esforços em vista à sua libertação. Alguns esforços são em vão. Outros são descobertos, dificultando ainda mais a vida como escravo. A rabeca ajuda-o a ter alguma paz, bem como os dotes para a carpinteira. Uma carta chega à sua terra natal, dando origem à sua libertação e respetivo regresso a casa. A mãe entretanto morrera e já tem um neto.

       O relato é feito pelo próprio Solomon, um ano depois de regressar à liberdade. É um testemunho na primeira pessoa, dando uma ideia mais precisa e real do que significa ser escravo.

       A história já está em filme, nomeado para 9 Óscares e venceu o Globo de Ouro para melhor drama.

17.05.12

Milagre da Esperança - vida de Van Thuan

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LEITURAS:

André Nguyen van Chau, O milagre da esperança. Prisioneiro político, profeta da paz. Vida de Francisco Xavier Nguyen Van Thuan. Paulinas. Prior Velho 2006.

       A vida do Cardeal Van Thuan é uma história que se cruza com o sofrimento da sua família e da sua pátria. Natural do Vietname, a sua família vivia nas orlas do poder, mas rápido passou a ser perseguida. Um dos tios, Diem, é desafiado por diversas vezes para assumir o poder, como primeiro-ministro, que exerce como um serviço à sua pátria. Mas logo será morto, como outros familiares de Van Thuan.

       Viveu 13 anos em cativeiro. Bispo, mas impedido de exercer. Nomeado para Bispo Coadjutor de Saigão, com direito à sucessão, é impedido de assumir, até ao fim da vida. Prisioneiro, primeiro, e depois exilado, ainda que com a nuance que podia voltar ao Vietname. O regime comunista tudo fez para o silenciar, para o esquecer, para que as pessoas o esquecessem. Mesmo depois de o libertarem aconselham-no a tirar férias no Vaticano, a trabalhar na Santa Sé, de modo a não assumir nenhum cargo na hierarquia da Igreja vietnamita.

       Por onde passou deixou um raio de esperança, de fé, de confiança em Deus. Esta obra, em jeito de biografia, narra a sua vida, a história que o levaria ao sacerdócio e ao episcopado, os sofrimentos a que esteve sujeito no cativeiro, até se tornar Presidente do Concelho Pontifício para Justiça e Paz, e depois feito Cardeal por Papa João Paulo II.

       Nasceu em 17 de abril de 1928 e viria a falecer em 16 de setembro de 2002. Partilhamos as palavras de João Paulo II no seu funeral:

"Nos últimos dias, quando já não conseguia falar, fixava o olhar no crucifixo que tinha diante de si. Rezava em silêncio, enquanto consumava o seu último sacrifício, coroando uma vida marcada pela heróica configuração com Cristo na cruz.

Agora que o Senhor o pôs à prova, como «ouro no cadinho», e o aceitou como «oferta queimada em sacrifício» podemos afirmar com toda a verdade que «a sua esperança estava cheia de imortalidade» (cf. Sb 3, 4-5). estava cheia de Cristo, vida e ressurreição de todos os que confiam nele.

Tal como a sua vida, a morte do Cardeal Van Thuan também foi, de facto, um verdadeiro testemunho de esperança. Possa o seu legado espiritual, como a sua esperança, ser «cheio de imortalidade».

Ele deixa-nos, mas o seu exemplo permanece. A fé garante-nos que ele não morreu: apenas entrouu no dia eterno, aquele dia que não conhece ocaso".

Veja a recomendação do livro: Cinco pães e dois peixes, obra prima do Cardeal Van Thuan, AQUI.

18.04.12

Van THUAN - Cinco pães e dois peixes

mpgpadre

Francisco Xavier Nguyen Va Thuan, Cinco pães e dois peixes. Do sofrimento do cárcere, um alegre testemunho de fé. Prior Velho. Paulinas 2009.

O AUTOR:

        "Chamo-me Francisco Nguyen Van Thuan e sou vietnamita. Durante oito anos fui bispo de Nhatrang, no Centro do Vietname. Depois, Paulo VI nomeou-me arcebispo-coadjutor de Saigão. Quando os comunistas chegaram a Saigão, disseram-me que a minha nomeação era fruto de um complô e, três meses depois, prenderam-me. Foi a 15 de agosto de 1975, solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria".

 

O LIVRO:

       "Liberto, após treze anos de cativeiro, quero compartilhar convosco as minhas experiências: como encontrei Jesus em cada momento da minha experiência quotidiana, no discernimento entre Deus e as suas obras, na oração, na Eucaristia, nos meus irmãos e irmãs, na Virgem Maria, oferecendo-vos deste modo, também eu, e à maneira de Jesus, cinco pães e dois peixes".

 

       O autor parte do Evangelho de São João (6, 5-11), do episódio em que Jesus, os discípulos e a multidão se encontram juntos, numa hora mais adiantada, aproximando-se a hora de uma refeição para se aguentarem. Diante das questões, André diz a Jesus que há um miúdo com 5 pães e 2 peixes... Jesus pega nos pães e nos peixes, reza, abençoa e distribui-os pela multidão e todos ficam saciados.

Também Van Thuan compartilha 5 pães e 2 peixes:

 

1.º PÃO - Viver o momento presente.

       "Se passo o meu tempo a esperar, talvez as coisas que espero não aconteçam nunca. A única coisa que certamente acontecerá é a morte". Preso a 15 de agosto de 1975, pouco depois lembra-se de fazer como São Paulo, escrever àqueles que lhe tinham confiado. Em mês e meio, escreve 1001 mensagens, em pequenos blocos de calendário que uma criança de 7 anos traz e leva para copiar. O livro - CAMINHO DE ESPERANÇA - está publicado em várias línguas: italiano, português, francês, inglês, alemão, espanhol, coreano, chinês...

       "Penso que devo viver cada dia como o último da minha vida. Deixar tudo o que é acessório, concentrar-me no essencial. Cada palavra, cada gesto, cada telefonema, cada decisão é a coisa mais bela de minha vida. Reservo a todos o meu amor, o meu sorriso; tenho medo de perder um segundo, vivendo sem sentido..."

 

2.º PÃO - Discernir entre Deus e as obras de Deus.

       Deus e só Deus. As obras de Deus, que fazia enquanto sacerdote e bispo, livre, podem ser confiadas a outros, por ora importa viver e alimentar do amor a Deus. Só Deus basta.

 

3.º PÃO - Um ponto firme, a Oração.

       "Não é assim tão simples como podeis pensar... Ali houve dias em que, reduzido ao maior cansaço, à doença, não consegui rezar uma única oração!"

 

4.º PÃO - Minha única força, a Eucaristia.

       "Nunca poderei exprimir a minha grande alegria: todos os dias, com três gotas de vinho e uma gota de água na palma da mão, celebro a minha Missa... Fabricávamos saquinhos com o papel dos maços de cigarros, para conservar o Santíssimo Sacramento. Jesus eucarístico estava sempre comigo no bolso da camisa... Até budistas e outros não cristãos se converteram. A força do amor de Jesus é irresistível. A obscuridade do cárcere ilumina-se, a semente germinou da terra durante a tempestade... celebro missa todos os dias às três horas da tarde: a hora de Jesus agonizante na cruz... são as mais belas missas da minha vida... À noite, entre as 21 e 22 horas, faço uma hora de adoração, canto..."

 

5.º PÃO - Amar até à unidade, o Testamento de Jesus.

       "... só o amor cristão pode mudar os corações, nem as armas, nem as ameaças, nem os media.

       ...O maior erro é não reparar que os outros são também Cristo. Há pessoas que só vão descobrir isso no último dia... A caridade não tem fronteiras. Se há fronteiras não existe mais caridade".

 

Primeiro PEIXE - Maria Imaculada, meu primeiro amor.

       Preso a 15 de agosto, solenidade da Assunção de Nossa Senhora. A estudar em Roma, desloca-se a França e na gruta de Nossa Senhora de Lurdes, ressoam nos seus ouvidos as palavras de Nossa Senhora a santa Bernardette: "não te prometo alegrias e consolações nesta terra, mas provações e sofrimentos"... Até ao dia em que foi preso, experimentou alegrias e consolações, as provações e sofrimentos vieram com a prisão e com o isolamento.

       "Mãe, se vês que já não poderei ser útil à Igreja, concede-me a graça de terminar a minha vida na prisão. Mas se tu, ao invés, sabes que poderei ainda ser útil à tua Igreja, concede-me sair da prisão no dia de uma festa tua". Foi libertado no dia 21 de novembro de 1988, mais de treze anos depois de ter sido feito prisioneiro. Era a Festa da Apresentação de Nossa Senhora. "Para mim, Maria é como um Evangelho vivo, maneiro, de grande difusão, mais acessível que a vida dos santos".

 

Segundo PEIXE - Escolhi Jesus.

       "Se vivermos vinte e quatro horas radicalmente por Jesus, seremos santos. São vinte e quatro estrelas que iluminam o teu caminho...:

  1. Queres fazer uma renovação: renovar o mundo... dia após dia, prepara um novo Pentecostes no lugar onde vives.
  2. Empenha-te numa campanha que tem por objetivo: tornar todos felizes.
  3. Mantém-te fiel ao ideal do apóstolo: dar a vida pelos irmãos.
  4. Grita um único slogan: «Todos um». Unidade.
  5. Tu acreditas numa única força: a Eucaristia.
  6. Veste um único uniforme e fala uma única língua: a caridade. A caridade é sinal de que tu és discípulo do Senhor.
  7. Atém-te firmemente a um único princípio orientador: a oração.
  8. Observa uma única regra: o Evangelho.
  9. Segue lealmente um único chefe: Jesus Cristo e os seus representantes: o Santo Padre, os bispos, sucessores dos Apóstolos.
  10. Cultiva um amor especial por Maria.
  11. A tua única sabedoria será a ciência da cruz. Olha para a cruz e encontrarás a solução para todos os problemas que te assaltam. Se a cruz é o critério sobre o qual baseias as tuas escolhas e as tuas decisões, a tua alma estará em paz. Na prisão fez uma tosca cruz e madeira e com um fio elétrico, que solicitou a um guarda, fez pequenos aros, para formar um fio, onde colocou a CRUZ, que passou a ser a sua cruz peitoral, mesmo depois de sair do cativeiro, foi-lhe acrescentado o revestimento em metal...
  12. Conserva um único ideal: estar voltado para Deus pai, um Pai que é todo amor.
  13. Há um único mal que tu deves temer: o pecado.
  14. Cultiva um único desejo: «Venha o Teu Reino. Seja feita a Tua vontade assim na terra como no Céu» (Mt 6,10).
  15. Falta-te uma única coisa: «Vai, vende o que tens, e dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-Me» (Mc 10,21).
  16. No teu apostolado, usa o único método eficaz: o contacto pessoal. Com ele, entra na vida dos outros, aprendendo a compreendê-los a amá-los.. coração a coração!
  17. Há uma única coisa verdadeiramente importante: «Maria escolheu a melhor parte», quando se sentou aos pés do Senhor (cf. Lc 10, 41-42).
  18. O teu único alimento: «A vontade do pai» (Jo 4, 34). É com ela que deves viver e crescer, fazendo as tuas ações proceder da vontade de Deus. Ela é como um alimento que te faz viver, tornando-te mais forte e mais feliz. Se vives afastado da vontade de Deus, morrerás.
  19. Para ti, o momento mais belo é o momento presente (cf. Mt 6, 34; Tg 4, 13-15). Vive-o plenamente no amor a Deus.
  20. Tens uma «magna carta»: as bem-aventuranças (Mt 5, 3-12).
  21. Há um único objetivo importante: o teu dever. Não importa se é pequeno ou grande, porque tu colaboras na obra do Pai celeste.
  22. Há uma única maneira de nos tornarmos santos: pela graça de Deus e pela tua vontade (cf. 1Cor 15, 10). Deus nunca deixará que te falte a Sua graça: mas a tua vontade é bastante forte?
  23. Uma só recompensa: o próprio DEUS.
  24. Tu tens uma Pátria. Ajuda a tua pátria com toda a tua alma. Sê fiel a ela. Defende-a com o teu corpo e com o teu sangue. Constrói-a com o teu coração e a tua mente. Partilha a alegria dos teus irmãos e a tristeza do teu povo.

       Este livrinho, pequeno mas intenso, integram uma coleção das Paulinas, horizontes de Luz, da qual recomendamos também outras leituras já realizadas em dias anteriores:

  • Enzo Bianchi, Jesus de Nazaré. Paixão, morte e ressurreição. Prior Velho 2011.
  • Raniero Cantalamessa, Páscoa. Uma passagem para aquilo que não passa. Prior Velho 2006.
  • Bruno Forte, As quatro noites da salvação. Prior Velho 2009.

       Acrescente-se ainda que D. Van Thuan morreu, em Roma, em 16 de setembro de 2002. Passados  5 anos da sua morte, foi iniciado o processo de beatificação, para o reconhecimento público e oficial da Igreja acerca das suas virtudes heróicas.

27.12.11

Natascha Kampusch: sentia o desejo da normalidade, esqueci o som da liberdade

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"Eu sentia um enorme desejo de normalidade. Eu queria conhecer outras pessoas, sair daquela casa, ir às compras, ir nadar. Ver o sol quando me apetecesse. Falar com quem quisesse, sobre qualquer coisa. Havia dias em que essa vida em conjunto imaginada pelo criminoso, em que ele me iria permitir ter alguma liberdade, em que poderia sair de casa sob sua supervisão, me aprecia o mãximo que a vida me podia proporcionar. A liberdade, a verdadeira liberdade, eram para mim impossível de imaginar depois de todos aqueles anos. Eu tinha receio de sair daquela vida formatada. dentro daquele formato, eu aprendera a escala musical completa e todos os seus tons. Tinha-me esquecido do som da liberdade".

Natascha Kampusch, 3096 dias, Edições Asa: 2011

21.12.11

Natascha Kampusch: não se morde a mão que nos alimenta

mpgpadre

"A fome é uma experiência física extrema. Primeiro, ainda nos sentimos bem: quando se corta o fornecimento de comida, o corpo ainda se estimula. A adrenalina é libertada parta o sistema. De repente, sentimo-nos melhor, cheios de energia. É provavelmente um mecanismo através do qual o corpo nos quer indicar que ainda tem reservas, e que podemos usá-las para procurar alimento. Encarcerados debaixo da terra, não podemos encontrar qualquer alimento, e o suplemento de adrenalina não nos serve para nada. Somos atormentados pelos barulhos que o estômago faz e pelos sonhos de comida. Os pensamentos giram apenas em redor do próximo pedaço de comida. Depois, perdemos a ligação à realidade, e deslizamos para um estado de delírio. deixamos de sonhar, e entramos simplesmente noutro mundo. Vemos bufetes, grandes pratos cheios de esparguete, tortas e bolos, muito perto de nós. Miragens. Cólicas que sacodem o corpo todo, de tal maneira que aparece que o estômago se está a devorar a si próprio. As dores que a fome provoca são insuportáveis. Isto é incompreensível para quem a a fome nunca passou de uns ligeiros barulhos que o estômago faz. Eu gostaria de nunca ter sentido aquelas cólicas. Por fim chega a fraqueza. Quase não conseguimos erguer um braço, a circulação sanguínea falha, e quando nos levantamos, vemos tudo preto e desmaiamos...

Não se morde a mão que nos alimenta. No meu caso apenas havia uma mão que me podia livrar de morrer de fome. Era a mão do mesmo homem que passava a vida a privar-me de comida... É tão fácil controlar alguém quando o mantemos esfomeado".

Natascha Kampusch, 3096 dias, Edições Asa: 2011

15.12.11

Natascha Kampusch: nem branco nem preto, cinzento...

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"Não existe nada que seja absolutamente branco ou absolutamente preto. E ninguém é totalmente bom. E isso também é verdade em relação ao criminoso. Estas são frases que as pessoas não gostam de ouvir da boca de uma vítma de rapto. Porque desse modo pomos de cabeça para baixo o conceito claramente definido do que é bom e do que é mau, que as pessoas preferem adoptar, de maneira a não perderem a orientação num mundo cheio de tonalidades de cinzento. Quando falo sobre isto, consigo detetar laivos de irritação e de rejeição nos rostos de alguns dos que nunca passaram por uma situação deste tipo. Aquilo que ainda há instantes era uma empatia sentida em relação ao que me sucedeu gela e transforma-se em repulsa. As pessoas que não têm a mínima ideia do que é a complexidade do encarceramento negam-me a capacidade de julgar as minhas próprias experiências com as seguintes palavras: Sindrome de Estocolmo"... não é um síndrome, é uma estratégia de sobrevivência...

Natascha Kampusch, 3096 dias, Edições Asa: 2011.

14.12.11

Natascha Kampusch: fazer as pazes com o passado e olhar para o futuro

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"Agora, quatro anos depois de me ter libertado sozinha, posso respirar em paz e dedicar-me ao capítulo mais difícil, ou seja, tentar lidar com o que aconteceu: fazer as pazes com o passado e olhar para o futuro. Presentemente,só algumas pessoas reagem de um modo agressivo em relação a mim. A maior parte das pessoas que encontro vai-me apoiando ao longo do meu caminho. Lenta e cuidadosamente, ponho um pé à frente do outro e vou aprendendo a confiar de novo... O meu tempo de encarcerada vai estar sempre presente na minha mente, mas, aos poucos, tenho a sensação de que já não derterminará a minha vida. É uma parte de mim, mas não é tudo. Ainda existem muitas outras facetas da minha vida que quero experimentar..."

Natascha Kampusch, 3096 dias, Edições Asa: 2011

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Velho - Mafalda Veiga

Festa de Santa Eufémia

Pinheiros, 16/17 de setembro de 2012

Primeira Comunhão 2013

Tabuaço, 2 de junho

Profissão de Fé 2013

Tabuaço, 19 de maio