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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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02.10.21

ROLF DOBELLI - A ARTE DE PENSAR COM CLAREZA

52 erros de raciocínio que não devemos cometer

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ROLF DOBELLI (2013). A arte de pensar com clareza. 52 erros de raciocínio que não devemos cometer. Círculo de Leitores. 256 páginas.

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O nosso cérebro pode enganar-nos e com alguma facilidade, conduzindo-nos pela simpatia, pela voz, pela beleza. Quantas vezes compramos, porque o/a vendedor/a foi atencioso/a connosco, usando um tom de voz agradável, sincronizando os seus gestos com os nossos, dizendo-nos o que queremos ouvir. Outro exemplo, pessoas bem sucedidas que escrevem um livro, dando conselhos como atingir o sucesso... ou pessoas que tiveram sucesso (e fama) e foram entrevistados pela televisão ou jornal ou revista, mostrando como o talento e o esforço compensou... na verdade, muitos outros tinham talento e esforçaram-se do mesmo modo, mas não atingiram a fama... Um livro de orientação baseia-se no sucesso do seu autor e não nos fiascos de muitos outros, que não são escutados nem tidos em conta.
"As pessoas enganam-se facilmente. Quem souber isto está mais bem preparado. Rolf Dobelli examina os erros de raciocínio mais traiçoeiros e mais comuns para nos ajudar a perceber:
  • porque sobrevalorizamos sistematicamente os nossos próprios conhecimentos (e tomamos os outros por mais parvos do que são);
  • por que motivo há coisas que não estão certas apesar de milhões de pessoas acharem que sim;
  • porque nos agarramos a teorias que estão comprovadamente erradas".
É mesmo uma leitura muito interessante e de agradável digestão. Uma Universidade obtém melhores resultados, supostamente, o ensino será melhor. Mas como se comprova isso? Pelos professores ou pelos alunos? É que o sucesso pode ter a ver com o facto dos alunos selecionados terem já à partida melhores resultados, pois a exigência das médias era muito maior, levando a que só entrassem os melhores... obviamente que estão reunidas as condições para o sucesso dos alunos e da Universidade!
 

"Rolf Dobelli nasceu em Lucerna, na Suíça, em 1966. Licenciou-se em Ciências Empresariais pela Universidade de St. Gallen, foi diretor executivo de diversas empresas e fundou com amigos a emprega getAbstract, a maior produtora a nível mundial de obras condensadas de economia. Viveu em Hong Kong, na Austrália, em Inglaterra e durante vários anos nos EUA. É fundador e administrador de WORD.MINDS, uma comunidade de personalidades mundialmente conhecidas do domínio da ciência, da cultura e da economia".

22.09.21

BENTO XVI e ARIE FOLGER - JUDEUS E CRISTÃOS

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BENTO XVI e ARIE FOLGER (2020). Judeus e Cristãos. Cascais: Lucerna. 120 páginas.

original.jpgPor ocasião dos 50 anos da Declaração Nostra Aetate, documento do concílio Vaticano II sobre o diálogo inter-religioso, com o número quatro a ser dedicado ao diálogo entre a Igreja Católica e os Judaísmo, vieram a lume alguns documentos que ajudam a aprofundar as relações amistosas entre as duas religiões.
No diálogo bilateral, os judeus foram convidados a preparar uma resposta ao n.º 4 da Nostra Aetate. É nesse contexto, que o rabino Arie Folger mantém um debate público e por escrito, como o próprio refere no prefácio a este pequeno livro, primeiro contra e depois com Bento XVI, Papa Emérito, com quem se viria a encontrar.
Bento XVI escreve “Graça e chamamento sem revogação. Observações sobre o tratado De Iudaeis”. A publicação gera contestação, não da parte dos judeus, mas da parte de teólogos católicos. Porém, ajuda à reflexão, num pressuposto imediato: o diálogo não se faz à custa de abdicar das convicções e da identidade de cada um. Há caminho para o diálogo, para a reflexão, para aprofundar o conhecimento mútuo, para trabalhar temáticas que levem a um efetivo compromisso com a paz, com a justiça social, com a ecologia e a erradicação da pobreza, com a tolerância religiosa e com a liberdade de expressão. Arie Folger coloca-se do lado de Bento XVI, defendendo que o Papa Emérito propõe a leitura cristã-católica. Não se compreenderia que um Papa defendesse uma visão judaica da Bíblia e da Aliança. Bento XVI agradece e responde a Folger, por escrito, clarificando alguns pontos, como o facto de não haver revogação da Aliança de Deus com o Povo Eleito, e não haver lugar à substituição de uma Aliança por outra, mas de haver sucessivas Alianças de Deus com o Seu Povo, com Abraão, com Noé, com Moisés. Na fé e visão cristã, a nova e definitiva Aliança acontece com Cristo, na oferenda do Seu Corpo, na sua morte e ressurreição.
Há outros pontos de contacto, aproximações, compreensão mútua, compromisso moral, permitindo encontrar-se e rezar juntos.
Este livro contém a reflexão de Bento XVI; o prefácio de Arie Folger; a correspondência entre o Papa Emérito e o Rabino; o número 4 da Nostra Aetate; duas intervenções do Papa Francisco; o documento “Entre Jerusalém e Roma – Reflexões a 50 anos da Nostra Aetate”.
Papa Francisco: “De inimigos e estranhos tornámo-nos amigos e irmãos. Tenho esperança de que a proximidade, a mútua compreensão e o respeito entre as nossas duas comunidades continuem a crescer”.
Bento XVI: “De acordo com as previsões humanas, este diálogo nunca conduzirá à unidade das duas interpretações durante a história atual. Essa unidade está reservada para Deus no fim da história”.

22.09.21

Frei DARLEI ZANON - SIMPLESMENTE JOSÉ

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FR. DARLEI ZANON (2021). Simplesmente José. Romance baseado na vida do Pai adotivo de Jesus. Apelação: Paulus, 392 páginas.

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O Papa Francisco estabeleceu que, a partir de 8 de dezembro de 2020, 150.º aniversário da proclamação do Decreto Quemadmodum Deus, com o qual o Beato Pio IX, movido pelas graves e lutuosas circunstâncias em que se encontrava a Igreja, insidiada pela hostilidade dos homens, declarou São José Patrono da Igreja Católica, bem como dia dedicado à Bem-aventurada Virgem Imaculada e Esposa do castíssimo José, até 8 de dezembro de 2021, seja celebrado um especial Ano de São José, em que todos os fiéis, seguindo o seu exemplo, possam reforçar em cada dia a sua vida de fé no pleno cumprimento da vontade de Deus.
A partir do século XVIII começam a aparecer as chamadas "Vidas de Jesus", com o intento de preencher as lacunas existentes na sua biografia, nomeadamente naqueles trinta e poucos anos de vida oculta em Nazaré. Por outro lado, a tentativa de fundir os quatro evangelhos num só, para que houvesse uma maior harmonização, limando e eliminando factos ou palavras que não fosse inteiramente concordes. Este é, com efeito, um critério da autenticidade dos Evangelhos, pois não são cópias uns dos outros ao ponto de coincidirem nos mais ínfimos pormenores. O outro critério complementar é que coincidem nos grandes acontecimentos / ensinamentos. Os evangelhos, porém, não têm uma preocupação biográfica, mas tão somente se fixam no mistério da morte e da ressurreição de Jesus. Esta faz com que os discípulos se voltem a reunir e formem comunidade. A partir daí começam a "pregar", dizer, ensinar o que Jesus disse e fez. Logo, a transmissão leva também o cunho da interpretação de cada um dos apóstolos, ainda que uns possam "aperfeiçoar" o relato dos outros. Mais à frente, a necessidade de fixar por escrito, para não se correr o risco, depois da morte dos apóstolos, não haver fontes fidedignas do que aconteceu na Galileia, na Judeia e na Samaria, com o Mestre dos Mestres.
Neste ano especial de São José, o Frei Darlei Zanon procurou perfazer a (auto)biografia de São José, que relata o que sucedeu para se tornar o pai adotivo de Jesus, recuando à sua genealogia, como à de Maria, e relatando o compromisso, os sonhos, a fuga, o crescimento de Jesus e como Jesus ia surpreendendo a todos.
Já havia um ou outro livro sobre a "biografia" de Nossa Senhora, agora chega-nos a de São José.
É um livro muito interessante para ler neste ano especial, não apenas para perceber melhor a missão de São José, mas de algum modo entendermos mais facilmente a sensibilidade de Jesus. Vejamos a finalizar a autobiografia, em que Deus, em sonhos, comunica com São José, através do Seu anjo: 
José, encontraste graça junto de Deus. Não tenhas medo. A morte dura apenas um instante, não tem poder. O Altíssimo está à tua espera. José, o teu exemplo de humildade e retidão, de dedicação e cuidado, de trabalho e caridade, de justiça e fé serão impressos no tempo e cruzarão todos os séculos. Por pouco tempo, permanecerás afastado de Jesus e Maria, e dos demais familiares aqui deste mundo. Será apenas por alguns instantes, fragmentos de tempo. Em breve a família celeste estará completa. Não tenhas medo, José!
Assim disse o anjo. E eu confiei. Estou pronto. Sinto-me fraco fisicamente, mas muito forte espiritualmente. As minhas energias diminuem, porém a minha confiança no poder do Altíssimo só aumenta. Ele guiará Jesus a partir de agora. O Pai Celeste indicará a hora do seu Filho.
 
No mesmo sonho, eu respondi ao anjo, comunicando-me com o Senhor:
Obrigado, Adonai, meu Senhor e meu Deus. Cumpriram-se todos os dias da vida que me deste neste mundo, por isso peço-Te que fiques ao meu lado, até que a minha alma saia do corpo sem dor nem aflição. Conforta toda a minha família, para que não sejam tocados pela dor e perturbação. Permite-me em breve contemplar a Tua face, ver a glória de Teu rosto, ser abençoado com a Tua misericórdia e graça, Adonai.
Não temo. Já experimentei o amor no mundo, estou pronto para provar o amor junto do Criador. Superei há pouco meus quarenta anos, vivi tudo o que um homem pode esperar. Sou feliz, estou realizado. Não temo a separação momentânea de todos os que me completam.
 
O Autor:
Nascido no Brasil fez a sua profissão perpétua em 2007 e está em Portugal desde 2008. É conselheiro geral da Sociedade São Paulo tendo desempenhado a função de diretor editorial da PAULUS Editora, bem como de conselheiro regional e secretário da Sociedade São Paulo em Portugal. É formado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Belo Horizonte e recebeu o título de Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação pelo ISCTE-IUL

11.07.21

SAROO BRIERLEY - A LONGA ESTRADA PARA CASA

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SAROO BRIERLEY (2015). A Longa Estrada para casa. Lisboa: Editorial Presença. 208 páginas.

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Esta é uma história real colocada em livro. Um menino perde-se, numa estação de comboios, na Índia, e só passado 25 anos volta a encontrar a sua mãe, e também a irmã e o irmão, já casados e com filhos. O mais velho, que o tinha levado para trabalhar e o deixou na estação, com a intenção de voltar, morreu nesse dia debaixo de um comboio.

Como o irmão mais velho não regressasse, Saroo entrou num comboio que o levou durante várias horas até Calcutá, ficando a quilómetros de distância de casa e sem saber como se identificar ou à localidade de onde era originário.

Entregue às autoridades, acabaria por ser adotado por um casal australiano, que decidiu que já havia demasiadas pessoas no mundo, e assim, em vez de terem filhos biológicos, adotariam. Foi numa altura que a adoção estava mais agilizada, e que muitos australianos adotaram crianças oriundas da Índia. Saroo foi de avião para a Tasmânia, na Austrália. Os pais adotivos acabariam por adotar outra criança também indiana.

Nunca se esqueceu de alguns dos pormenores, desde que se perdeu, até embarcar num comboio, a caminhar quilómetros, com a noção de que pelo menos durante 12 horas, e parar às ruas de Calcutá. Junto á estação, procurando comida no lixo ou junto de outras crianças na rua, enfrentando diversos perigos... até um jovem o levar á polícia, entrando assim num sistema público até á adoção. Pelo caminho, entrou em vários comboios com a esperança de regressar a casa.

Procurou memorizar lugares, pessoas, percursos, a mãe, os irmãos, para um dia regressar. No quarto  tinha o mapa da Índia que a mãe (adotiva) lhe tinha colocado lá, para sempre se lembrar das raízes. Já no tempo da universidade, regressou às pesquisas, através do Google Earth, incentivado e ajudado por outros indianos, procurando rotas dos comboios, velocidades que fariam os comboios nos anos oitenta, fazendo zoom sobre imagens reais, á procura de estações que se assemelhassem à estação de comboios da sua terra. A pronúncia da terra, como também do nome, sempre dificultaram a pesquisa. Depois de muitas horas e quando se preparava para continuar a procurar, moveu o mapa aleatoriamente e aumentou o perímetro de procura e encontrou a sua terra. Recorreu depois a um grupo no Facebook para confirmar com os dados que tinha. E isso também foi de grande ajuda.

Passados 25 anos regressa à Índia para encontrar a família, visitar novamente Calcutá e as pessoas que o ajudaram e para tentar reconstruir a viagem de comboio, da sua terra até Calcutá.

Foi entrevistado para televisão. Publicou este livro que, entretanto, inspirou um filme: Lion - A Longa Estrada Para Casa. Quem tiver a oportunidade de ler o livro e ver o filme, vai verificar que existem algumas diferenças na história, ainda assim permitem perceber a história vivida e narrada, e visualizar a imensa pobreza que ainda existe na Índia. Por outro lado, o livro tem o propósito de ajudar outras crianças ou jovens, perdidos, a não desistirem de encontrar as famílias de origem. Perdem-se cerca de 80 mil crianças, por ano, na Índia.

Vejamos agora o livro apresentado pela Editorial Presença:

Quando Saroo Brierley se serviu do Google Earth para descobrir a aldeia onde nasceu, a milhares de quilómetros de onde vive e da qual quase não se lembra, rapidamente se tornou notícia em todo o mundo.

Saroo, de cinco anos, está numa estação de caminho de ferro, sozinho. Perdeu-se de Guddu, o irmão mais velho, que o acompanhava. Sem saber como regressar a casa, enfia-se num comboio acreditando que Guddu há de encontrá-lo. Ali adormece e no dia seguinte vê-se nas perigosas ruas de Calcutá, por onde deambuIa durante semanas, só e sem qualquer documento, perante a indiferença da multidão. Acaba por ser acolhido num orfanato e, mais tarde, é adotado por um casal australiano. Embora feliz na Austrália, com a sua nova família, que em vão tenta conhecer as suas origens, Saroo nunca deixa de pensar na mãe e nos irmãos que ficaram a quase meio mundo de distância. Anos depois, passa horas a perscrutar imagens do Google Earth na esperança de localizar e identificar referências da sua aldeia que lhe permitam reencontrar a mãe biológica.

Um testemunho verídico na primeira pessoa, comovente e intenso, que já inspirou milhões de pessoas em todo o mundo. um hino à esperança, ao poder dos sonhos e à coragem de nunca desistir, que agora vê nova luz numa adaptação ao cinema pelo realizador Garth Davis com Nicole Kidman, Rooney Mara e Dev Patel

10.07.21

TERESA POWER - TODOS OS DIAS DA NOSSA VIDA

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TERESA POWER (2021). Todos os dias da nossa vida. Prior Velho: Paulinas Editora. 128 páginas.
 

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Este é um livro que procura de testemunhar 25 anos de matrimónio. A autora, Teresa Power, percorre os 25 anos de compromisso a partir das leituras, das orações e do compromisso no dia do matrimónio. E como que distribui ou textos pelo tempo de encontro e namoro, o momento do consentimento e os vinte cinco anos de vida de casados, com o nascimento dos filhos e da vida familiar.
O compromisso inicial, concretiza-se nas dificuldades e nas bênçãos, na gravidez e o nascimento de um e outro filho, o crescimento, a educação, as opções. A alegria cresce à medida que a família aumenta. Os momentos de oração em família, a participação na missa do domingo e escuta da palavra. Todos os dias, a oração de bênção à refeição, com música e cânticos, a oração do terço, as leituras diárias da Missa, fazem parte do compromisso da educação na fé dos filhos. Os pais rezam e os filhos aprendem naturalmente a rezar e a apreciar o ambiente orante. 
A história da salvação, narrada da Bíblia, é também a nossa história, a história da família. Sete filhos vivos, que são uma bênção, mas também o filho que morreu. A doença e o definhar desse filho envolveu lágrimas e lamentos, mas muita oração e a presença permanente, ora do pai ora da mãe.
É um livro que se lê com muita facilidade. Em cada página escrita transparece vida, fé, a gratidão.
 

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Vejamos o livro sugerido na plataforma iMissio, por Bento de Oliveira:
"Esta é a história de uma vivência partilhada, uma história real, contada na primeira pessoa. Usa uma linguagem límpida e corrente por onde escorre uma comunicação ardente e entusiasmante!… A autora adianta, na Introdução, algumas das motivações que a forçaram a fazer esta partilha – «Quando, há um quarto de século atrás, o Niall e eu celebrámos o nosso matrimónio, não sabíamos que estávamos a iniciar uma história bíblica» – e acrescenta, então a razão maior: «Escrevi este livro para nunca me esquecer deste milagre… como oração de louvor, de súplica e de ação de graças.»
Extravasa do coração da autora o impulso de uma palavra que a força como um dever «para que outras famílias se deem conta de que a história de cada um é uma história bíblica» … ainda que para alguns, no decurso de tempos envoltos em névoa, sintam obliterado o céu.
Teresa Power é mãe de uma família de 8 filhos. Fundadora, junto com o marido, Niall, de um novo movimento laical, as Famílias de Caná, que pretende revitalizar a espiritualidade familiar. Teresa traz agora a público algumas das experiências espirituais que vive em família.
Para esses, especialmente, foi escrito este livro que os ajudará, sem dúvida, a (re)descobrir «o amor deste Deus imenso que nos dá não duas, mas infinitas oportunidades de regresso a Ele» … e às muralhas da família que Ele habita e que sempre cobre de bênção sempre que comungada".
 
 

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Algumas expressões da autora:
Nenhum de nós pode escolher os membros da sua família: não escolhemos os pais, não escolhemos os filhos, não escolhemos os tios ou sobrinhos, os avós ou os netos, os sogros ou as noras. Há uma única pessoa da nossa família, uma única, que podemos escolher: o nosso cônjuge. Não é irónico ver que cada vez mais pessoas parecem errar na única escolha livre lhes é dado fazer?
 
O amor, por definição, não tem fim. Ninguém ama a prazo. Ninguém ama sem ser loucamente, absurdamente, para sempre. Dizia Pier Giorgio Frassati: «O amor nunca diz: já chega». Porque o amor não é um sentimento, que hoje se experimenta e amanhã já mudou. O amor, diz Jesus, é o mandamento: Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei  (Jo 15, 12).
 
Um dia a nossa vida era perfeita, no dia seguinte acordamos no hospital pediátrico. Apesar de ambos estarmos já familiarizados com morte, o Niall de um irmão, eu do meu pai, a doença Tomás apanhou-nos totalmente desprevenidos. Agora, 14 anos depois destes dois meses no hospital pediátrico, falamos da morte com frequência. Porque não lhe temos mais medo. Porque sabemos que ela já não nos pode matar, antes nos projeta na vida.
 
Filho não é um direito, o filho é um dom. Nunca faremos nada que mereça tamanha graça de Deus. O filho ultrapassa-nos sempre, vem de nós, mas não nos pertence, nasce do nosso corpo, mas traz em si uma semente de eternidade.
 
A mãe dá luz, o pai precisa de cortar o cordão umbilical, uma e outra vez; a mãe dá colo, o pai lança o filho ao ar, em contínuos movimentos de vaivém - a brincar e na vida real; a mãe dá o leite, o pai dá o alimento sólido; a mãe abriga, o pai desafia; a mãe transporta o filho um abraço, para que viva ao ritmo de seu coração; o pai transporta-o às cavalitas - para que veja mundo, bem apoiado no seus ombros.
 
Estamos decididos a batizá-los [os filhos] poucos dias depois de nascer, para que não percam um só dia da graça que Deus lhes quer oferecer. E a levá-los à missa todos os domingos da sua vida no meio de nós. Porque não há forma mais excelente de os fazer a experimentar o Céu na Terra que a Eucaristia... Mas não podemos falhar no nosso dever primeiro de os levar a Casa do Pai, domingo após domingo, e de os ensinar a conversar com Ele, dia após dia. É que antes de serem nossos filhos, são filhos de Deus...

29.05.21

Samuel Lauras: FILHOS DA LUZ EM TEMPOS DE PROVA

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DOM SAMUEL LAURAS (2020). Filhos da luz em tempos de prova. Reflexões de um monge para nos mantermos unidos na adversidade. Braga: Frente e Verso. 250 páginas.

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Pelo título, sem mais, diríamos que foi escrito em tempo de pandemia e para ajudar a manter a esperança neste tempo de especial provação. Com efeito, foi escrito antes da pandemia, mas é claramente um livro para este tempo, de luzes e sombras. Todos temos as nossas. Mas importa caminharmos, juntos, apesar das nossas diferenças. É possível conciliar São Bento com São Francisco de Assis, como é possível acolher com o mesmo deferimento Bento de XVI e Francisco.

Dom Samuel Lauras é natural da França eem 1954. Na juventude andou afastado da fé e da Igreja. Em 1983, entrou na Abadia de Notre Dame de Sept-Fons, fundada em 1132, da Ordem Cisterciense da Estrita Observância, conhecida como "Trapista". Hoje é abade de Nový Dvur, uma filha de Sept-Fons fundada na República Checa em 2002.

Dom Samuel parte da constatação de que todos somos diferentes, mas todos igualmente, filhos de Deus. Sendo diferentes, podemos aqui e além, deixar vir ao de cima as nossas sombras e criar muros intransponíveis. O desafio, não é anular as diferenças, sejam culturais e religiosas, mas procurar pontos de contacto, e quando não é possível aproximação nas ideias, que haja aproximação na oração, ao mesmo Deus, mantendo-se aberta a porta do diálogo, numa atitude de respeito e acolhimento do outro. O outro tem as suas sombras... mas eu e tu também as temos.

Na contracapa: "Foi nesta escuridão iluminada pela Palavra de Deus, afetado pela ansiedade com o futuro, preocupado com a evolução da sociedade contemporânea, assustado com os dramas que debilitam a Igreja e desolado pelos conflitos que estão a alterar as nossas relações internas, e que estão presentes em mim, que decidi escrever este livro, para dar testemunho.

Dar testemunho de quê? De que é possível viver em Igreja, estar na sociedade, discordar e discutir sem destruir os vínculos que mantêm de pé a comunidade cristã, seja a comunidade dos amigos, dos religiosos, da paróquia, do movimento apostólico, da diocese, da Igreja universal...

É possível discutir sem deixar de ser filho da Luz. Dom Samuel Lauras, abade trapista, não poupa nas palavras, não deserta dos problemas, não esquece o bom humor e, a certa altura, deixa-nos um conselho: "Se não tivéssemos razões para discutir, como ocuparíamos os nossos dias? Talvez pudéssemos construir o futuro..."

É um livro que se lê com agrado, de fácil leitura, acessível, com provocações que nos fazem refletir, sem teias de aranha, partindo sempre da verdadeira Luz com a qual devemos inundar as nossas vidas, opções, caminhos, discussões, as nossas comunidades.

19.05.21

Pe. Aniceto Morgado - MEMÓRIAS DO CORAÇÃO

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 P. ANICETO MORGADO (2021). Memórias do Coração. Lamego: edição pessoal. 154 páginas.

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Como o título indica, este livro, agora sugestão, do Pe. Aniceto da Costa Morgado, apresenta memórias que ficaram gravadas no coração, e na vida, e agora estão fixadas em livro para que outros possam rever tempos passados, momentos e lugares ou situações similares. Os familiares, amigos, colegas e paroquianos veem retratadas várias situações da vida do Pe. Aniceto, desde o contexto familiar e social onde nasceu, a vivência da fé, a vocação, a vida no Seminário, o serviço sacerdotal em diferentes dioceses, a vida em Seminário, ora como prefeito ora como Diretor Espiritual, a vida nas paróquias e algumas peripécias.
 
No prólogo, o Pe. Aniceto apresenta as memórias e a razão de as colocar por escrito:
 
"O momento que a humanidade está a viver é de grande provação. Esta pandemia atingiu todos os países, credos e classes, mostrando-nos quão frágeis somos e dependentes uns dos outros. Só unidos poderemos vencer este inimigo comum. Mas, como em qualquer crise, podemos encontrar pontos positivos e oportunidades de crescimento e mudança. Pessoalmente, vivi belos momentos de intimidade com Deus, estive mais perto da família, respirei o ar puro da serra e experimentei a presença e o afeto dos amigos. Confinado na minha aldeia, recordei cenas e emoções dos tempos de criança e jovem, como quem faz “o filme da sua vida”. Resolvi então pôr por escrito todas essas vivências, pois só quem conhece e respeita o passado, pode avançar e projetar o futuro. É uma espécie de avaliação do caminho percorrido, marcado pela presença amorosa de Deus, que me leva a partilhar estes apontamentos com familiares e amigos. Chamo-lhe memórias do coração porque só guardamos aquilo que deixa marcas no coração".

 

A venda do livro reverte para a Cáritas Diocesana de Lamego.
É um livro que se lê com muito agrado. Feiras e romarias, festas populares, a situação da vida no campo, o ambiente familiar, o trabalho e as dificuldades, a vocação, a vida no Seminário Menor e depois no Maior, os desafios da vida paroquial/pastoral, a relação com os colegas e com os paroquianos, as alegrias e alguns contratempos, tudo faz parte da vida que se preenche de encontros e alguns desencontros, de muitas alegrias e alguns contratempos.
Além dos texto uma pequena fotobiografia que nos permite visualizar alguns momentos relatos no decorrer da escrita.

17.05.21

Pe João Luís Silva - TODOS OS CAMINHOS VÃO DAR A TUA CASA

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JOÃO LÚIS SILVA (2021). Todos os caminhos vão dar a tua Casa. Lisboa: Paulus Editora. 152 páginas.
 

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O Pe. João Luís Silva recolheu o testemunho de 55 personalidades, conhecidas dos portugueses, e que dão o seu testemunho sobre a fé e espiritualidade ligada a Nossa Senhora de Fátima. Para prefaciar, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, que revela que gostaria de estar como um dos testemunhos, mas ainda assim, como Presidente da República revela a sensibilidade do povo português e a relação dos portuguesas com Nossa Senhora, particularmente invocado como Nossa Senhora de Fátima. «E, hoje, como muitas outras exteriorizações do fenómeno religioso, reveste-se de feições globais, ecuménicas, diversificadas, umas mais ortodoxas, outras mais heterodoxas, múltiplas do foro individual, ou sem enquadramento institucional rígido. Como um todo, nunca deixou de ser uma realidade também nacional. Também partilhada, à sua maneira, por milhões de Portugueses, cá dentro e lá fora, nas Comunidades espalhadas pelo Mundo», afirma o Presidente da República.
 
Eis as personagens que dão o seu testemunho:
Ana Sofia de Maria e da Trindade; André Sardet; Ângela de Fátima Coelho; António Silva Ribeiro; António Zambujo; Aura Miguel; Branca Paúl; Carlos Azevedo; Cláudio Ramos; Cuca Roseta; Eunice Muñoz; Fátima Lopes; Fernanda Serrano; Fernando Santos; Filomena Teixeira; † Francisco José Senra Coelho; Francisco de Noronha e Andrade; Hélder Reis; Helena Sacadura Cabral; Isabel de Herédia; Isabel Silvestre; Joana Vasconcelos; João Aguiar Campos; João de Carvalho; João César das Neves; João Rôlo; João Sousa Araújo; José Luís Nunes Martins; Katia Guerreiro; Laurinda Alves; Leonor Leitão-Cadete; Manuel Arouca; Marco Daniel Duarte; Marco Paulo; Maria Amélia da Costa; Maria de Fátima Murta; Maria José Paschoal; Mário Tavares de Oliveira; Nuno Miguel Prazeres; Paulo Aido; Paulo Rocha; Pedro Conceição; Rão Kyao; Ricardo Carriço; Ricardo Pinheiro; Rui Nabeiro; Ruy de Carvalho; Sofia Alves; Tânia Ribas de Oliveira; Thereza Ameal; Tony Neves; Vera Roquette; Vítor Espadilha.
 
O autor:
Pe. João Luís Gonçalves da Silva nasceu em Chaves, e é atualmente presbítero da Arquidiocese de Évora. Licenciou-se em Educação de Adultos e Desenvolvimento Comunitário pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa. É assistente do Secretariado do Movimento da Mensagem de Fátima da Arquidiocese de Évora e da Fundação Apostolado do Imaculado Coração de Maria.
 
Pe. João Luís: «Este livro […] é um tributo à Senhora mais brilhante que o Sol, à Rainha de Portugal, que nesta pandemia acalentou no seu Coração Imaculado cada um de nós com o perfume do seu manto. Desse jardim intemporal germinou este “beijo escrito” pela mão de várias figuras públicas da nossa sociedade como um testamento que nos leva a contemplar na oração o seu sorriso materno: enquanto houver portugueses tu serás o seu amor, no segredo de cada nome sussurrado».
 
A venda deste livro reverte a favor do Projeto MENTALizar da Fundação São João de Deus, que intervém junto de pessoas e organizações na promoção da Saúde Mental.

17.05.21

JOSEPH FADELLE - O PREÇO A PAGAR

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JOSEPH FADELLE (2016). O Preço a pagar por me tornar cristão. Prior Velho: Paulinas Editora. 6.º Edição. 232 páginas

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O título já diz muito do que poderá conter este livro. É um testemunho de vida e de fé. Um muçulmano, escolhido pelo pai para lhe suceder á frente do clã, protegido e temido.

Nasceu em 1964, Mohammad al-Sayyid al Moussaoui, em uma família xiita iraquiana. Uma família cuja tradição quer descendência direta do Profeta através do 7.º Imam.
Vai para o exército, numa altura em que o Iraque de Saddam Hussein guerreia o Irão. O pai fará tudo para o livrar só três anos de tropa a que está sujeito, mas a determinada altura tem que se apresentar ao serviço militar e é enviado para o sul. Fica situado um pouco atrás da zona de combate, mas na sua caserna está um cristão, a quem tentará converter ao Islamismo. No primeiro impulso, quer que lhe arranjem outra caserna: "É um homem bom, um agricultor. Tem 44 anos e é cristão...". Soam os alarmes. Surpresa, medo e pânico que o fazem gritar como um louco... mas o soldado convence-o a esperar. Diz Joseph (Mohamed): "Na minha terra, os cristãos são considerados párias impuros, seres que não valem nada, com quem devemos misturar-nos, custe o que custar. No Alcorão, que recito todos os dias desde a minha mais tenra idade, são hereges que adoram três deuses". Vendo a razoabilidade das palavras do soldado que o guiou à caserna, começa a maturar na possibilidade de ter sido Alá a enviar aquele cristão para ele o converter. Curioso, que mais tarde trata de comprar um cavalo, como presente para Massoud, certo de que o vai converter ao Islamismo.

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(Reencontro, em França, com o irmão, entretanto também batizado)

Os dias vão passando e verifica que afinal não está surpreendido com o odor deste cristão, pois segundo a família, um cristão conhece-se pelo mau cheiro. Vai ficando curioso. Trocam palavras, por exemplo, sobre agricultura. Deixa-se "seduzir" pelo seu charme, pela sua fluência a falar e começa a estudá-lo para saber como o converter ao islão. Entretanto, Massoud ausenta-se durante um dia para tratar de uma missão. Curioso, vê um livrinho, "Os milagres de Jesus", tendo na capa um homem a sorrir, cercado por um halo luminoso. Nunca tinha ouvido falar deste Jesus, mais tarde verificará que o Alcorão lhe dá outro nome. Deixa-se fascinar pelos milagres de Jesus e sente alegria que lhe faz bem. Depois confessa a Massoud, a leitura e pergunta-lhe quem é Jesus: Isa ibn Maryam, o Filho de Maria. A partir daqui fica também a saber que os cristãos também têm um livro Sagrado, a Bíblia, com o Antigo e Novo Testamento. Querendo conhecer a Bíblia, Massoud pergunta-lhe sobre o Alcorão e convida-o a ler (reler) com atenção o Alcorão e não automaticamente. Ao ler o Alcorão vai-se dececionando, como por exemplo a superioridade dos homens e a subjugação das mulheres, que terão só metade do cérebro... o casamento de Maomé com uma menina de 7 anos; ou com uma nora... uma mulher perde o seu marido e deve esperar três meses e dez dias para voltar a casar-se e Maomé casa com uma mulher no dia em que perde o marido, morto a mando do Profeta... Tudo isto deixa Joseph muito abalado na sua fé.
A primeira vez que se recorda de um sonho ao acordar - tinha ciúmes dos irmãos que sonhavam e relatavam os seus sonhos - é sobre um rio, está na margem, na outra margem um homem com cerca de 40 anos, com uma túnica bege, sem gola. Quando começa a atravessar o regato, fica suspenso no ar... o homem da outra margem estende-lhe a mão e ajuda-o a atravessar a água e a aterrar ao seu lado. Fica impressionado com a beleza deste homem, olhos azuis acinzentados, uma barba rala e cabelos longos... Diz-lhe este homem: "para atravessares o ribeiro, precisas de comer o pão da vida".
Quando abre os olhos, Massoud está de regresso e traz-lhe o Evangelho. Fala-lhe das quatro versões do Evangelho e convida-o a começar pelo de São Mateus. Para não seguir todas as indicações, começa pelo quarto Evangelho, o de São João. Quando chega ao capítulo seis, encontra as palavras "o pão da vida". "Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome..."
Começa a sentir-se chamado... "Se Alá fala comigo como um pai que ama os seus filhos, se Ele perdoa aos pecadores, então a minha relação com Ele nunca mais poderá ser a mesma. Já não estou no domínio do medo, mas no do amor, como numa família".
A partir de então, começa uma verdadeira façanha, procurando Igrejas para ser batizado, querendo testemunhar Jesus Cristo também junto da família, achando que a família o compreenderá. Vai sendo avisado para ter precaução, pois a conversão ao cristianismo é sentença de morte para o próprio e para quem está envolvido nessa conversão. É preso e torturado, na esperança que esqueça o cristianismo. É lançado sobre ele fatwa pelo aiatola Mohammed Sadr (a grande autoridade xiita no país na época), detenção e tortura, condenação à morte, executada pelo tio Karim e pelos irmãos. Quando vão para atirar sente um impulso, intuição, voz interior, para fugir. Os tiros vão falhando. Cai como morto, desmaiado, na lama. Acorda no hospital, sem saber como foi lá parar. Tinha sido baleado na barriga da perna. Um das balas furou a roupa debaixo do braço. A religiosa responsável pelo Hospital exige que deixe o hospital quanto antes, para não colocar em risco as religiosas e quantos trabalham no hospital. O recursos a cirurgiões amigos da irmã/religiosa que o ajuda, chegam à conclusão que tem que ser extraída a bala quanto antes (não há buraco de saída), mas não encontram clínicas que se disponham a abrir as portas. Enquanto discutem numa sala contígua o que fazer, Joseph chama-os porque está a deitar sangue do outro lado da barriga da perna. A bala desapareceu. Procuram no quarto, mas não encontram. O médico fica incrédulo e propõe que se faça uma ecografia. Conclusão, não há sinais de bala, nem de ferimento no interior da perna, pelo que fica aberta a possibilidade para algo extraordinário.
De aldeia em aldeia, já batizado, ele e a esposa, e os filhos, vão-se escondendo até que rumam a França, onde vivem.
Este é um testemunho, na primeira pessoa, de fé e coragem, no meio de muitas "provações", contratempos, riscos, mas o foco é o batismo e a comunhão e testemunhar a fé em Cristo. E pelo meio muitos sinais e "coincidências"...

10.05.21

ABEL BOTELHO - MULHERES DA BEIRA

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ABEL BOTELHO (2004). Mulheres da Beira. Porto: Lello Editores. 228 páginas.

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A Câmara Municipal de Tabuaço instituiu, em cooperação com a Escola EB 2,3/S Abel Botelho, o Prémio Abel Botelho, atribuído aos melhores alunos do segundo e terceiro ciclos e de cada ano do Ensino Secundário e Cursos Profissionais, e que se realiza no dia do nascimento deste patrono, a 23 de setembro. Houve por bem reeditar os livros deste reconhecido escritor. Em 2004, foi republicado "Mulheres da Beira", um conjunto de contos sediados na região.
O conto "Cerro" situa-se bem em Tabuaço, na Vila, nos arredores, e em aldeias próximas, sobretudo Távora, Castanheiro, Chavães, Barcos e Santo Aleixo, e com indicações de Santuários ou lugares de culto, Santa Luzia, Santa Eufémia, Freixinho; Igreja Matriz de Tabuaço e Capela de São Plácido. É mais uma história de amores e desamores, cujo romantismo é evidente nas descrições, mas sobretudo no amor impossível, com o fito de salvaguardar a honra, o nome, o estatuto da família. Sacrifica-se o amor à manutenção do status social e sublima-se no fanatismo religioso. E o romantismo também tem destas coisas: amores não realizados definham no pessimismo doentio e que desemboca na pobreza e na morte.
Este conto inicia precisamente com a vindima, preparativos, a chegada dos "serranos" de Chavães, a azáfama, as cantorias, a refeição bem matinal/madrugadora, a adega onde homens vão aliviar a garganta depois do transporte de pesados cestos, cheios de uvas, sobre as enxergas. E o pisar das uvas, a lagarada!
Há depois outros contos que nos fazem visualizar belíssimas paisagens, descrições pormenorizadas de casas senhoriais, da lavoura, dos caminhos e morros, dos montes, das pessoas que circulam nesses contos. Lamego e a Senhora dos Remédios, a Música de Magueija, passagem por Penude, Feirão, Gralheira, Arouca, Alhões, Oliveira e Tendais, Cinfães, Resende, Cambres, Longroiva e Mêda e tantas outras terras nossas conhecidas.
Mas não apenas as terras que nos fazem ler "Mulheres da Beira", mas as descrições, as histórias apaixonadas das personagens de cada conto, tradições, usos, religiosidade, superstições, lutas pela amada, traições e abusos, procura da felicidade, renúncia ao amor para salvaguardar a honra, definhamento e morte.
São contos agradáveis de ler, apesar do romantismo, apesar do fatalismo, situados no final do século XIX e que nos fazem conhecer ambientes e as ideias em voga nessa altura.

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