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...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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12.04.11

RESSURREIÇÃO como promessa, garantia e certeza

mpgpadre

       A liturgia da Palavra proposta para este V Domingo da Quaresma pode ler-se a partir destes três itens, um para cada leitura: 1.º leitura: promessa; Evangelho:garantia; 2.º leitura: certeza.

PROMESSA: 

       «Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, o disse e o executarei» (Ez 37,12-14).

       O profeta Ezequiel apresenta-nos claramente a ressurreição como promessa de Deus. Diga-se, que esta ressurreição pode ser entendida em dois sentidos: Deus ressuscitar-nos-á para a eternidade, e, também, a ressurreição do povo de Israel, enquanto restauração do povo e do seu território.

GARANTIA:

       "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá" (Jo 11,1-45).

       Jesus garante-nos a vida futuro. Quem acredita no Filho do Homem não morrerá, irá à presença de Deus. É uma garantia que Se faz certeza na Sua ressurreição. Porquanto, ressuscitamos, pelo Baptismo, para a vida nova de filhos, para vivermos em espírito e verdade.

       Também a ressurreição de Lázaro é uma garantia, do poder de Deus, do Seu amor por nós, e do poder que é mais forte que a morte. Lázaro é "reanimado" para a vida temporal, mas também um dia morrerá e então há-de ressuscitar para a eternidade de Deus.

CERTEZA:

      "Vós não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós... E, se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós"(Rom 8,8-11).

       A ressurreição de Jesus é a certeza de que Aquele que O ressuscitou também nos ressuscitará. A nossa vida e a nossa fé são sustentadas e enformadas pela Ressurreição de Jesus. Primeiro Ele, depois nós. 

11.04.11

Deus criou-nos para a ressurreição e para a vida

mpgpadre

Na Sua Mensagem para esta QUARESMA 2011, Bento XVI diz o seguinte sobre este V Domingo de Quaresma:

 

       Quando, no quinto domingo, nos é proclamada a ressurreição de Lázaro, somos postos diante do último mistério da nossa existência: «Eu sou a ressurreição e a vida... Crês tu isto?» (Jo 11, 25-26). Para a comunidade cristã é o momento de depor com sinceridade, juntamente com Marta, toda a esperança em Jesus de Nazaré: «Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo» (v. 27). A comunhão com Cristo nesta vida prepara-nos para superar o limite da morte, para viver sem fim n’Ele. A fé na ressurreição dos mortos e a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência: Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem futuro, sem esperança.

10.04.11

Se estivesses aqui meu irmão não teria morrido!

mpgpadre

       1 – "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá". A afirmação de Jesus é inaudita e surpreendente, e incontornável. A pergunta/desafio a Marta vai muito para além de uma concepção de vida apenas terrena e material, transcendendo-nos nas nossas limitações humanas.

       A fé é essencial para que a vida ressurja constantemente. O desafio à confissão de fé de Marta, para que não se deixe afoguear pela dor e pelo luto, mas, ela e nós, se abra à confiança plena em Deus, na certeza de que, para os crentes, como nos recordará São Paulo, a vida não acaba apenas se transforma e desfeita a morada deste exílio terrestre, entraremos na morada eterna, já não feita por mãos humana, mas dádiva de Deus e que n’Ele perdurará para sempre.

       A ressurreição, para nós, crentes cristãos, é crucial, é o ponto de partida da nossa vida espiritual e a nossa meta. Está presente em todo o tempo. Radicámos toda a nossa vida de fé a partir da ressurreição de Jesus Cristo, como antecipação da nossa ressurreição para a eternidade de Deus. Aliás, em cada Eucaristia, em cada Domingo e, como solenidade, anualmente, a liturgia da Igreja centra-se na Páscoa de Jesus.

 

 

 

       2 – Quando Marta se aproxima de Jesus, quando Maria O interpela, uma e outra confiam no Seu poder e sabem que Deus está com Ele. Marta acredita em Jesus. Maria diz mesmo que a presença de Jesus evitaria a morte do seu irmão. Ambas sabem que a vida e a ressurreição acompanham Jesus, na Sua pregação, nos seus gestos e na promessa de nos preparar uma morada eterna. Compreendem que a vida não se esgota agora, no tempo presente, crêem na ressurreição, ainda que a separação de Lázaro lhes traga sofrimento e tristeza. Não é o fim. Esta certeza, contudo, não anula a dor, mas enquadra-a na garantia da eternidade.

       "Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse: «Pai, dou-Te graças por Me teres ouvido. Eu bem sei que sempre Me ouves, mas falei assim por causa da multidão que nos cerca, para acreditarem que Tu Me enviaste». Dito isto, bradou com voz forte: «Lázaro, sai para fora». O morto saiu, de mãos e pés enfaixados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário".

       A ressurreição de Lázaro é antecipação da ressurreição de Jesus. É sinal e expressão, tal como outros prodígios realizados por Jesus, que o poder de Deus está no meio de nós, pela fé e simultaneamente que o mal, o sofrimento, a doença e a morte devem ser combatidos até onde for humanamente possível, com a ajuda de Deus. Mas, contrariamente à ressurreição de Jesus, a de Lázaro é sobretudo uma reanimação, para a vida terrena. Biologicamente, na nossa finitude e fragilidade humanas, a morte chegará um dia. Também a de Lázaro. Mas não como fatalismo. Na ressurreição do Seu amigo, Jesus mostra-nos que o poder de Deus vence a morte, como mais claramente se verá na Sua própria ressurreição. A separação dos entes queridos é passageira, logo nos encontraremos na comunhão gloriosa dos santos.

 

       3 – Enquanto caminhamos neste "vale de lágrimas", onde nos deparamos com o sofrimento, com a doença e com o mal, com a solidão e com a morte, somos enlevados pela esperança que Se funda nas promessas de Deus a Israel: "Assim fala o Senhor Deus: «Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, o disse e o executarei». Aqui de novo se pode entender a fé na ressurreição em dois sentidos: os que morrem ressuscitarão para a vida eterna; o povo enquanto tal não morrerá mas será reconduzido para a terra prometida, renovando-se.

       Um e outro sentido, são garantia que Deus continuará a agir na história e no tempo a favor da humanidade.

       Mas não apenas isso. A nossa esperança agora tem um rosto, real e concreto, Jesus Cristo, que vem de junto de Deus para nos mostrar o Seu amor, e regressa, pela Sua morte e ressurreição, para nos introduzir no Reino eterno de Seu e nosso Pai.

       "Vós não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós... E, se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós".

       A fé em Jesus Cristo, Filho de Deus, morto e ressuscitado, dá-nos a certeza de que a nossa identidade humana não se perderá com a morte natural, mas prosseguirá na eternidade, na comunhão dos santos, com a ressurreição da carne.

___________________________

Textos para a Eucaristia (ano A): Ez 37,12-14; Rom 8,8-11; Jo 11,1-45.

 

19.07.10

... a melhor parte não nos será tirada!

mpgpadre
       1 – O cristianismo não é abstracto, mas vivência concreta do Evangelho no meio do mundo, na relação concreta e quotidiana com pessoas de carne e osso, procurando a verdade, a partilha solidária, o compromisso pela justiça, o empenho pela paz, a construção de um ambiente saudável e fraterno, em casa, com a família, com os vizinhos, no local de trabalho, no lazer, proporcionando aos outros bem-estar e alegria.
       A Primeira Leitura intui a delicadeza de um homem de fé. Abraão, pela hora do calor, resguarda-se à entrada da tenda, na sombra e no descanso. Passam três homens (de Deus) e imediatamente o grande patriarca os retém para que parem, descansem, retemperem forças. Para ele, em todo o caso, são presença Deus. Com efeito, em todas as pessoas poderemos acolher o rosto de Deus. São muitas as oportunidades que se nos apresentam para fazermos o bem. ainda que seja um copo de água.
       Também no Evangelho deste domingo vemos a vivência do carinho para com Jesus, vivido em gestos concretos de acolhimento, ternura e conforto. Cansado da jornada, Jesus tem na casa de Lázaro, de Maria e de Marta um porto de abrigo. Ao passar sabe que pode descansar e retemperar as forças. Marta atarefa-se para cuidar do bem-estar de Jesus. Maria acolhe-O na escuta atenta. Duas formas de acolhimento que Jesus aprecia.
       2 – Em tempos de agitação, de crise, de dificuldades, o nosso porto seguro é Jesus Cristo. Ouvimos as Suas palavras, "vinde a Mim todos os que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei". Para nós, Ele é a tenda de Abraão, a casa de Lázaro, de Maria e de Marta. É Ele que nos trata das feridas, o Bom Samaritano, que nos acolhe, nos escuta, nos dá novas forças para o caminhar. É d'Ele que nos alimentamos, na Sua palavra e nos Seus sacramentos, em especial da Eucaristia, o alimento espiritual até à vida eterna.
       Paulo, na Segunda Leitura, mostra a sua alegria por contribuir para disseminar a palavra de Jesus Cristo, por deixar transparecer o Seu amor por nós, manifesto sobretudo na Sua paixão redentora. Cada um de nós, seguindo a interpelação de São Paulo, deve testemunhar a paixão de Jesus Cristo com alegria, pela voz e com a vida.
       3 – A dinâmica da fé permite que todos nós possamos contribuir com os nossos talentos, com a nossa forma de ser, com as nossas qualidades, procurando dar o melhor de nós mesmos, com a tal alegria de que nos fala São Paulo. Por vezes perdemos tempo a discutir os dons que não temos, ou os dons que os outros têm.
       Ora, Deus é o mesmo. É o mesmo Pai. Os dons são tão variados quanto as pessoas, e cada um tem algo importante e essencial a dar aos outros e ao mundo.
       Quando Jesus chama a atenção de Marta: "Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada", diz-lhe precisamente isso. Marta acolhe Jesus com trabalho, arranjando a casa, preparando o repouso e a refeição, mas deverá fazê-lo com alegria, com generosidade e não em esforço. O reparo de Marta a Jesus, merece d’Ele um outro reparo. O que Maria faz é tão ou mais importante. Não basta alimentar o corpo, mas também o espírito. Ela escuta-O, conforta-O do cansaço da missão.
       A Igreja é Marta e Maria. Mas se for demasiado Marta pode esquecer-se da sua origem e do seu fim último. Tudo começa em Deus, na oração, na meditação e na contemplação que leve à Sua adoração. O compromisso com os outros e com o mundo, para o crente, há-de partir daqui, para que não haja instrumentalização de pessoas nem falte a alegria no serviço solidário.

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