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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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16.02.19

Bem-aventurados vós, os pobres, porque é vosso o reino de Deus

mpgpadre

1 – O Batismo marca o início da caminhada de fé, mas teremos constantemente de conferir a nossa fidelidade a Jesus Cristo. A caminhar, podemos distrair-nos, olhar demasiado para os nossos pés e não tanto para os outros que seguem connosco e para a luz que nos guia.

Algumas causas: cansaço da caminhada, sofrimento pelas perdas que vamos enfrentando, preocupações prioritárias com o presente e com o futuro, conflitos inevitáveis na família, na escola e no trabalho, exigências profissionais cada vez mais acentuadas, desafios em acompanhar as modas, a tendências, a opinião da maioria.

Daí a urgência de voltarmos a percorrer o tempo, a Palavra e a vida de Jesus. Quando escutamos o Evangelho devemos colocar-nos na primeira fila, entre os grupos a quem Jesus se dirige. Não vale colocar-nos ao lado ou detrás de Jesus, qual guarda-costas, de frente para os outros! Os outros somos nós, fariseus, saduceus, escribas, multidão, discípulos, apóstolos, doentes, leprosos, publicanos, pecadores, somos nós, mulheres de vida duvidosa,  estrangeiros, Judas e Herodes, Pilatos e Caifás, somos nós os outros. Então é para nós que Jesus fala, é a nós que Jesus interpela, chama e envia.

É connosco que Jesus conta. Ainda que a nossa inconstância tolde o nosso olhar e o nosso coração, paralisando diante do sofrimento que nos pede ajuda, ainda assim, Jesus chama-nos, conta connosco para levar o Evangelho a todo o mundo. Estamos a caminho!

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2 – Quando se dirige à multidão, Jesus coloca-se de forma a ser visto e a ser ouvido por todos. Na margem do lago, sobe para a barca de Simão, afasta-se um pouco e dessa forma facilita a comunicação. Sem megafones ou aparelhagens sonoras, não era fácil fazer-se ouvir. Ao descer do monte, Jesus coloca-se numa posição que Lhe permite olhar olhos nos olhos os discípulos e a multidão.

O monte é um lugar (teológico) privilegiado de encontro com Deus. O monte e o deserto, o silêncio e a oração, o Templo e o coração, evitando o ruído, a azáfama, a confusão, as distrações variadas. Jesus desce com os Apóstolos em direção à multidão, como Moisés a descer do Horeb (Sinai) para falar ao Povo e lhe revelar os Mandamentos. Com as Bem-aventuranças, Jesus dá vida, músculo e carnem, cor e alma aos Mandamentos.

Jesus dirige-se, antes de mais, para os discípulos, que estão inseridos na multidão. A multidão é impessoal, os discípulos têm rosto, têm olhar, são confrontados, deixam-se confrontar por Jesus. Também nós somos multidão, também estamos entre as pessoas vindas da Judeia e de Jerusalém, de Tabuaço e de Lamego, de Freigil e de Viseu. E agora, chegamo-nos à frente? Deixamos que o olhar de Jesus nos inunde a alma? Abrimos os ouvidos do coração para que as Suas palavras ressoem em nós e nos mobilizem? Ou preferimos manter-nos à distância?

 

3 – «Bem-aventurados vós, os pobres, porque é vosso o reino de Deus. Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir. Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos rejeitarem e insultarem e proscreverem o vosso nome como infame, por causa do Filho do homem. Alegrai-vos e exultai nesse dia, porque é grande no Céu a vossa recompensa».

A fé não nos garante nem riqueza (material) nem sossego e acomodação, mas enriquece a nossa vida, dá alma ao nosso trabalho, dá significado às nossas relações humanas, impede o cinismo e a morte, torna-nos mais humanos, possibilita uma vida de esperança, na abertura ao Transcendente, na confiança de que tudo terá um sentido e não se perderá, pois Deus é também o nosso futuro e o nosso fim. Como tudo na vida, precisamos de persistência, de humildade, tornando-nos pobres, na pobreza do amor que acolhe Deus e que se gasta com os outros e a favor deles, ao jeito de Jesus.

Jesus não elogia o choro e abomina o riso, nada disso! Não privilegia o sofrimento, diabolizando a festa e a saúde, nada disso! O que Jesus sacraliza é a nossa abertura à graça de Deus e o nosso empenho pela verdade, pela justiça e pela paz, mesmo que isso exija suor e lágrimas, sacrifício e perseguição, injúria e maledicência. A nossa fidelidade há de ser com Jesus e com o Evangelho da Compaixão e não com os nossos caprichos e gostos imediatos.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Jer 17, 5-8; Sl 1; 1 Cor 15, 12. 16-20; Lc 6, 17. 20-26.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

 

09.02.19

Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca

mpgpadre

1 – Depois do Jordão e do Batismo, depois do deserto e de Nazaré, Jesus continua a pregar a Boa Nova da salvação. Um profeta na Sua pátria, fazendo com que o mundo seja a Sua morada. Faz de nós, de mim e de ti, a Sua habitação. Encarnou e habitou entre nós. Depois, será Ele a construir-nos uma casa, já não feita por mãos humanas, uma habitação eterna. Vou para o Pai, vou preparar-vos um lugar, em casa de Meu Pai há muitas moradas. Quero que onde Eu estou vós estejais também.

A eternidade não está reservada para os bons nem tampouco se destina ao futuro. Este, diga-se, só a Deus pertence. A vida eterna, diz-nos o próprio Jesus, já está em ebulição, o Reino de Deus chegou até nós. Não se localiza aqui ou acolá, vai germinando dentro de nós, entre nós, sempre e quando nos predispomos a ser comunidade. Onde 2 ou 3 estiverem reunidos em Meu nome, Eu estarei no meio deles. Jesus é o Céu que desce à terra, vem para inaugurar um tempo de paz, de harmonia e de amor, um lugar em que todos possamos ser irmãos. Somos Sua família, pois primeiro quis Ele ser um de nós: minha Mãe, Meu irmão e Minha irmã é todo aquele que escuta a Palavra de Deus e a põe em prática.

A multidão aglomera-se à volta de Jesus, para ouvir a Palavra de Deus. O cenário é a margem do lago de Genesaré. Para que mais possam vê-l'O e escutá-l'O, sobe para o barco de Simão, afasta-Se um pouco da margem e, sentando-Se, começa a ensinar a multidão.

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2 – Jesus veio para que a Boa Nova chegue a todo o mundo. Ide e ensinai o Evangelho a toda a criatura, fazei discípulos de todas as nações. Humanamente falando, seria impossível Jesus chegar aos quatro cantos da terra, teria de deixar de ser verdadeiramente Homem. Assumindo-nos por inteiro, submete-Se às coordenadas espácio-temporais, sujeitando-Se ao nosso "sim" ou à nossa recusa.

O mandato de Jesus torna-se definitivo após a Sua ressurreição, mas já está em ação. Depois de falar às multidões, Jesus diz a Simão: «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca». Nem sempre será fácil pescar, por razões variadas, por aselhice de quem lança as redes, pelo movimento das marés, pela rebeldia dos peixes, pelas circunstâncias do tempo, do dia ou do local. Pedro coloca as suas dúvidas, mas aquiesce pelo facto de ser o Senhor a ordenar. Um pescador experiente sabe as horas e os locais favoráveis. A faina durou a noite, agora é altura de meter a viola ao saco e regressar…

Contudo, Jesus diz-lhes para se fazerem ao largo e lançarem as redes. E eis que a pesca se multiplica ao ponto de ser necessário chamar outros companheiros. Todos são necessários.

Os discípulos são surpreendidos por Jesus. Pedro interpreta o que todos sentem: «Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador». Mas isso não impede Jesus de nos chamar, o pecado não nos define, a condição de pecador, sim, define-nos conscientes de que estamos a caminho. A Pedro, aos Apóstolos e a cada um de nós: «Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens».

 

3 – Isaías, tal como acontece com Pedro, tal como acontecerá connosco se nos deixarmos surpreender pelo mistério de Deus, sente a sua pequenez diante de Deus: «Ai de mim, que estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros, moro no meio de povo de lábios impuros e os meus olhos viram o Rei, Senhor do Universo».

Deus olha para nós e aceita-nos como somos, ainda que nos desafie a darmo-nos cada vez mais. O pecado é só uma parte do que somos quando nos deixamos levar pela fraqueza e egoísmo. Mas somos sempre imagem e semelhança de Deus, temos inscrito em nós a nossa origem em Deus, pelo que a qualquer momento poderemos deixar que essa identidade sobrevenha além das nossas fragilidades e birrices. Veio um anjo, um dos serafins, com um carvão ardente e tocou os lábios do profeta: «Isto tocou os teus lábios: desapareceu o teu pecado, foi perdoada a tua culpa». E o logo a voz do Senhor se faz ouvir: «Quem enviarei? Quem irá por nós?».

Isaías coloca-se, então, confiante, nas mãos de Deus: «Eis-me aqui: podeis enviar-me». Como Pedro dirá a Jesus, já que és Tu quem o dizes, eu lançarei as redes!

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Textos para a Eucaristia (ano C): Is 6, 1-2a. 3-8; Sl 137 (138); 1 Cor 15, 1-11; Lc 5, 1-11.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

07.02.19

Passando pelo meio deles, seguiu o Seu caminho

mpgpadre

1 – «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir». Comentário de Jesus ao texto de Isaías que o próprio tinha proclamado na Sinagoga de Nazaré e que nos foi proposto há oito dias.

O evangelista dá-nos conta da admiração das pessoas pelas palavras de graça saíam da Sua boca. Alguns interrogam-se acerca d'Ele, porque O conhecem como filho de José! A reação de Jesus parece não corresponder ao testemunho dos nazarenos a Seu respeito. Ou Jesus ouve mais do que nós, o que acontece em muitas situações…: «Por certo Me citareis o ditado: ‘Médico, cura-te a ti mesmo’. Faz aqui na tua terra o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum. Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua terra. Em verdade vos digo que havia em Israel muitas viúvas no tempo do profeta Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas a uma viúva de Sarepta, na região da Sidónia. Havia em Israel muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu; contudo, nenhum deles foi curado, mas apenas o sírio Naamã»

É uma provocação e tanto! Jesus alarga as bênçãos do Céu para pessoas estranhas ou além do povo judeu!

jesus-evangelho-lucas-4-21-30-4.jpg2 – A irritação contra Jesus sobe de tom. Ao ouvirem as Suas palavras, os presentes ficam furiosos e expulsam-n'O da Sinagoga e da cidade, levam-n'O ao cima da colina para o precipitarem dali abaixo. Mas, passando entre eles, Jesus segue o Seu caminho.

"Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo" (Nemo Nox). Esta expressão atribuída erradamente a Fernando Pessoa e que circula na Internet, ajuda-nos a perceber como as pessoas podem aproveitar as adversidades para crescer, para ficarem mais fortes, para prosseguirem o caminho.

Foram muitas as pedras que Jesus encontrou no caminho, mas prosseguiu o Seu caminho. Com firmeza e confiança no Pai. A oração foi o ambiente natural em que Jesus viveu, alimentando-se da presença paterna e do Seu Espírito de amor.

As escolhas que fazemos têm consequências na nossa vida. Nem tudo é branco e preto, pois a clarividência não é absoluta, há ângulos mortos, informação que nos escapa. Mas não podemos adiar indefinidamente as decisões, isso seria adiar a vida. É preciso refletir, ponderar, aconselhar-se e, como Jesus, rezar. Quanto mais as decisões implicarem com a nossa vida, e/ou com a dos outros, mais devemos rezar, procurando perscrutar a vontade de Deus a nosso respeito e perguntando-nos como agiria Jesus se estivesse no nosso lugar.

 

3 – A vocação e a missão de Jesus: alimentar-se do Amor do Pai e anunciar a Boa nova aos pobres, a libertação aos cativos. Vem para fazer a vontade d'Aquele que O enviou, identificando-se connosco, sem deixar de estar identificado e sincronizado com o Pai.

O profeta Jeremias fala-nos da sua vocação. É chamado desde sempre. É um chamamento que resulta em envio: «Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi; antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei e te constituí profeta entre as nações. Cinge os teus rins e levanta-te, para ires dizer tudo o que Eu te ordenar».

A vocação e missão fundem-se, pois somos chamados para sermos enviados. É o lema da nossa diocese: Igreja de Lamego, chamada e enviada em missão! Jesus é Ungido para anunciar, para levar a Boa Nova, com a Palavra e com a vida. Jeremias é chamado e enviado. E se é Deus que chama, então há de vir ao de cima a confiança em Deus e a firmeza do caminho a percorrer. «Não temas diante deles, senão serei Eu que te farei temer a sua presença. Hoje mesmo faço de ti uma cidade fortificada, uma coluna de ferro e uma muralha de bronze, diante de todo este país, dos reis de Judá e dos seus chefes, diante dos sacerdotes e do povo da terra. Eles combaterão contra ti, mas não poderão vencer-te, porque Eu estou contigo para te salvar».

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Textos para a Eucaristia (C): Jer 1, 4-5. 17-19; Sl 70 (71); 1 Cor 12, 31 – 13, 13; Lc 4, 21-30.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

26.01.19

Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir

mpgpadre

1 – A palavra convoca-nos, humaniza-nos, irmana-nos, faz-nos comunidade. Pela palavra, Deus criou o mundo. Deus disse e assim se fez! Pela Palavra, feita Carne, Jesus, Deus salva-nos, reconciliando-nos uns com os outros, integrando-nos, novamente, na Sua comunhão. O Verbo encarnou e habitou entre nós!

Depois do Batismo, é tempo de Jesus a anunciar a Boa Nova da salvação. Para o evangelista São João, as Bodas de Caná marcam o início do ministério público de Jesus. Em São Lucas, depois do Batismo, Jesus é impelido ao deserto, vencendo connosco as tentações do poder, dos atalhos fáceis, das aparências, do egoísmo, e chega o tempo de pregar a Palavra que traz da eternidade.

A um sábado, como bom judeu, Jesus vai à Sinagoga, na terra em que cresceu, em que conhece as suas gentes. Todos O conhecem! Ainda que a pessoa esteja envolta em mistério, nunca totalmente decifrável, quanto mais Aquele que é o Filho de Deus! A Palavra de Deus reúne os judeus, fá-los recordar as maravilhas do Senhor, as dificuldades do caminho, e a esperança com que aguardam novos tempos. Jesus toma a Palavra, um trecho de Isaías: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor».

A Sinagoga é lugar de oração, de escuta e de meditação da Palavra de Deus. Jesus faz um comentário simples, mas lapidar: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir». Desde a primeira hora, Jesus diz ao que vem. N'Ele Se cumprem as promessas de Deus. É a força do Espírito que O guia.

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2 – Hoje, em Igreja, continuamos a rede que se estende dos tempos antigos. Também nós nos deixámos convocar pela Palavra. A preocupação de Lucas, ao investigar as palavras e a vida de Jesus, é para que outros possam ler, escutar e mastigar confiantes a Palavra de Deus. "Já que muitos empreenderam narrar os factos que se realizaram entre nós, como no-los transmitiram os que, desde o início, foram testemunhas oculares e ministros da palavra, também eu resolvi, depois de ter investigado cuidadosamente tudo desde as origens, escrevê-las para ti, ilustre Teófilo, para que tenhas conhecimento seguro do que te foi ensinado".

Em Nazaré, Jesus lê, comenta a Escritura Sagrada, procura mostrar como a Palavra de Deus encaixa na Sua vida. É o que nos cabe fazer como cristãos e como comunidade, escutar a Palavra de Deus e procurar que ilumine as nossas opções, a nossa vida.

 

3 – Na primeira leitura, Neemias, pouco depois do povo voltar do exílio, procura reconstruir a cidade, mas também o povo. A Palavra de Deus é a oportunidade para recordar a Aliança celebrada entre Deus e Israel. O futuro começa a construir-se das raízes.

O Povo comove-se com a proclamação da Palavra. Neemias, Esdras e os Levitas dizem a todo o povo: «Hoje é um dia consagrado ao Senhor vosso Deus. Não vos entristeçais nem choreis». O sábado para eles... Domingo para nós, o Dia do Senhor, dia da alegria, oportunidade para louvarmos o Senhor pela vida, pelas maravilhas da criação, tempo para agradecermos as bênçãos e as graças recebidas e por aqueles que caminham connosco, partilhando as alegrias e as tristezas, as esperanças e as angústias uns dos outros.

Neemias acrescenta: «Ide para vossas casas, comei uma boa refeição, tomai bebidas doces e reparti com aqueles que não têm nada preparado. Hoje é um dia consagrado ao Senhor; portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa fortaleza».

A alegria do Senhor é a vossa fortaleza! Um dia de consagração para o Senhor, mas também para o Povo. A escuta da palavra e a reunião familiar, a festa, mas sem esquecer aqueles que não têm nada preparado! A proximidade com a Palavra de Deus faz-nos próximos e comprometidos uns com os outros.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Ne 8, 2-4a. 5-6. 8-10; Sl 18 B (19); 1 Cor 12, 12-30; Lc 1, 1-4: 4, 14-21.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

29.12.18

Filho, teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura...

mpgpadre

1 – "Tudo seria bem melhor se o Natal não fosse um dia, se as mães fossem Maria e se os pais fossem José; e se a gente parecesse com Jesus de Nazaré". Na canção do Pe. Zezinho está o desafio a fazermos com que o espírito do Natal esteja presente nas relações pessoais, familiares e profissionais, os valores do respeito, do amor e do cuidado, da vida, da alegria e da ternura, da simplicidade, da pobreza e da comunhão. Por outro lado, a referência à família de Nazaré como modelo, ainda hoje, para as famílias.

São Lucas apresenta-nos a perda e o encontro de Jesus no Templo, entre os Doutores da Lei (5.º mistério gozoso). Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém para celebrarem a Páscoa (judaica). Sem ostentação nem sobranceria, José e Maria assumem-se crentes entre os crentes, família como tantas outras, que procuram cumprir com os requisitos da religião. A família de Jesus está inserida na vida da comunidade, temente a Deus, cumpridora!

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2 – A família de Nazaré está imersa na tradição judaica, ainda que habitualmente houvesse a geração de mais filhos, sinal de bênção divina. Na pequena cidade de Nazaré, as famílias entreajudam-se, vivendo do que a terra produz. Nas hortas e nos campos, têm árvores de fruto, vinha, animais de pequeno porte, cabras e ovelhas, que garantem o leite, o fabrico do queijo e a lã; ajudam-se, trocando produtos e trabalho, e potenciam a arte de alguns (são José era carpinteiro). Ao sábado reúnem-se em família e em comunidade, para rezar, ler e meditar a Sagrada Escritura. Partilham as alegrias, o nascimento de uma criança, e as tristezas, a morte de um familiar.

 

3 – Maria, José e Jesus vão a Jerusalém com outras famílias. No regresso, apercebem-se da ausência de Jesus. Sabem-n’O ajuizado e julgam que vem com outros jovens da sua idade, em brincadeiras ou a falar da passagem à idade madura. Ao fim do dia, a família mais estrita junta-se para a última refeição e para dormirem no mesmo espaço, juntos. É aí que se dão conta que Ele não está. Procuram-n'O e verificam que não está na caravana. Têm de voltar atrás. Voltam a Jerusalém, onde O viram da última vez. Tinham feito um dia de viagem, fazem outro dia no regresso à cidade santa e encontram-n'O ao terceiro dia.

 

4 – Deste encontro podemos encontrar lições importantes:

– Podemos rezar em qualquer lado, em casa e no trabalho, e fazer da vida uma oração, mas a ida ao Templo permite-nos sair do nosso espaço e conforto para nos encontrarmos com Deus e com os outros. A oração há de ser, diz-nos Jesus, em espírito e verdade, em casa ou no Templo; terá que transparecer a nossa alma, comprometendo-se com a verdade, com a justiça e com a misericórdia.

– Ao Templo levamos a nossa vida, o louvor a Deus, a gratidão pelas graças recebidas; levamos também as nossas súplicas, pedidos e preocupações. Reencontramo-nos ao encontrá-l'O, fazendo silêncio e deixando que Ele nos fale ao coração. Os outros e a oração conjunta permitem-nos avalizar da nossa sintonia com Deus, afastando o risco da (auto)idolatria!

– O Templo, a Igreja, retempera a nossa vida, e faz-nos regressar a casa, iluminados pela Graça de Deus, revestidos do Seu amor.

– O regresso não nos dispensa de vigilância. Podemos perder-nos e dispersarmos do essencial. Como Maria e José, se perdemos Jesus, se Ele não está, é bom que regressemos para O reencontrar!

– Onde podemos encontrá-l'O? Podemos encontrar Jesus nas pessoas crentes e praticantes. Mas teremos, sempre, que ir mais atrás, até ao Templo, até ao coração, pelo silêncio, pela oração, pela Palavra, para que Ele nos fale ao coração.

– Três dias depois… o texto remete-nos para a vida nova que reencontramos em Jesus Cristo. Ele ressuscitará ao terceiro dia!

– E novamente, voltar a casa, à terra, à vida quotidiana e ser-Lhe submissos, isto é, dispostos a acolher a Sua vontade, traduzindo-a em obras de caridade.

 

5 – "Senhor, Pai santo, que na Sagrada Família nos destes um modelo de vida, concedei que, imitando as suas virtudes familiares e o seu espírito de caridade, possamos um dia reunir-nos na vossa casa para gozarmos as alegrias eternas".

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Textos para a Eucaristia (ano C): Sir 3, 3-7. 14-17; Sl 127; Col 3, 12-21; Lc 2, 41-52.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

22.12.18

... o menino exultou de alegria no meu seio!

mpgpadre

1 – A Boa Nova – Encarnação de Deus, nascimento de Jesus, Deus feito Homem, Páscoa – é o maior motivo da nossa alegria, reforçam-na, moldam-na e fazem-na explodir no anúncio a todos. Chamamento e envio: somos discípulos missionários, chamados deixar-nos contagiar pela proximidade a Jesus e enviados a difundi-l’O em toda a parte.

Há oito dias éramos inundados pelas palavras que nos interpelavam à alegria. A razão era a proximidade da celebração do nascimento de Jesus. Agora estamos mais perto, à porta do Natal. Então a ansiedade (como espera feliz na certeza do encontro e da festa) torna-se maior e deve ser mais intensa, mais vívida, mais profunda.

Alegra-te, Maria, porque achaste graça diante de Deus. A saudação do Anjo envolve Maria na Boa Nova que n'Ela Se fará carne. A resposta de Maria, partindo do silêncio, do recolhimento e da oração, faz-Se Palavra, faz-Se Jesus.

E que fazemos quando algo de muito bom nos acontece? A maioria conta-o à primeira pessoa que encontra, a uma pessoa de confiança, indo visitá-la ou telefonando-lhe e poucos são os que guardam para si. Maria recebe a maior das boas notícias. Então corre apressadamente para a montanha, como o mensageiro corre pelos montes a anunciar a paz!

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2 – São Lucas informa-nos que logo depois da anunciação, e sabendo que Isabel também foi favorecida pelo Senhor, "Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá".

Porque foi Maria tão longe para estar com Isabel? Para ajudar, certamente, mas porque ambas tinham um segredo imerso no mistério de Deus. Maria sabe que não pode fazer alarde da sua condição de Mãe de Deus, pelo escárnio a que se sujeita, pela inveja que pode suscitar e pela perigosidade em que se colocaria. Vai ter com Isabel e não precisará de revelar o Seu segredo. Se Maria sabe de Isabel, também Isabel saberá o que se passa com Maria!

Ao entrar em casa de Zacarias, Maria começa por saudar Isabel e, mais uma vez nos informa o evangelista que «Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor’».

Maria é feliz porque acreditou, porque confiou em Deus e porque acolheu os Seus desígnios: faça-se em Mim o que é do Teu agrado, Senhor, meu Deus e meu Tudo.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Miq 5, 1-4a; Sl 79 (80); Hebr 10, 5-10; Lc 1, 39-45.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

16.12.18

Alegrai-vos sempre no Senhor... Seja de todos conhecida a vossa bondade»

mpgpadre

1 – «Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos. Seja de todos conhecida a vossa bondade». O 3.º Domingo do Advento é conhecido como Domingo da Alegria (Gaudete) e a liturgia da palavra dá-nos o fundamento e as razões para tal alegria.

A alegria dá trabalho, exige dedicação e até esforço. Esta maneira de dizer pode soar estranha, contudo, para lá da alegria espontânea, há a alegria que se conquista, que se procura, há a opção pelo copo meio cheio, a escolha da positividade. Uma pilha tem dois polos, um positivo e outro negativo. Também a vida, ainda que mais multifacetada, com matizes variadas, dependendo de muitas circunstâncias, crónicas e/ou pontuais, interiores ou exteriores, próprias ou alheias. E até o clima pode modificar a disposição e os comportamentos. Mas como somos seres racionais, com vontade própria, podemos insistir numa dinâmica positiva. Não precisamos de ser ingénuos, mas podemos escolher seguir adiante, apostar em tudo o que nos faz bem e nos aproxima dos outros.

O apóstolo Paulo convida à alegria, mas logo a agrafa à bondade. É que o bem que dizemos e que fazemos, e a habituação ao mesmo, ajuda-nos a solidificar a alegria com que acolhemos as maravilhas que o Senhor realiza em nós e através de nós.

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2 – Depois de João Batista pregar o arrependimento, a conversão, alguns perguntam-lhe o que fazer. Que fazer para a vida nos assemelhe a Deus? Como chegar a uma alegria que nos leve a acreditar na força do amor, do perdão e da confiança em Deus? E João responde-nos, concretizando: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo» (todos); «Não exijais nada além do que vos foi prescrito» (publicanos e nós); «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo» (soldados, eu e tu).

 

3 – João Batista prepara e anuncia a Boa Nova que está a chegar. É necessário preparar o coração e a vida para Aquele que está a chegar. «Eu batizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro».

Numa das passagens do Principezinho (de Antoine Saint-Exupéry), a raposa diz ao pequeno Príncipe: "Se vieres, por exemplo, às quatro horas da tarde, eu, a partir das três, já começo a ser feliz. Quanto mais se aproximar a hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já estarei agitada e inquieta; descobrirei o preço da felicidade!" É esta alegria que hoje evocamos, a alegria de sabermos que o Senhor está a chegar e que nos traz a salvação de Deus. Alegria que nos faz agir, aplanar os caminhos da nossa vida para que o Senhor possa passear-Se e viver em nós.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Sof 3, 14-18a; Sl Is 12, 2-3. 4bcd. 5-6; Filip 4, 4-7; Lc 3, 10-18.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

03.11.18

Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração... .e ao teu próximo como a ti mesmo.

mpgpadre

1 – Quem de entre vós quiser ser o primeiro seja o último e o servo de todos. Nos últimos domingos fomos vendo como Jesus prepara os Seus discípulos para viverem segundo o sonho de Deus, no Reino que Ele, Filho bem-Amado do Pai, veio inaugurar com a Sua vida, morte e ressurreição. Ele, que era de condição divina, fez-Se um de nós, da mesma carne que nós, frágil e finito no tempo, comungando os nossos sofrimentos, carregando sobre Si os nossos pecados, aliviando a nossa carga. Veio como Quem serve, dando a vida, gastando-Se por inteiro, a favor da humanidade inteira, a nosso favor.

Com efeito, relembra-nos a Epístola aos Hebreus, Ele é o Sumo Sacerdote que nos convinha: «santo, inocente, sem mancha, separado dos pecadores e elevado acima dos céus, que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiro pelos seus próprios pecados, depois pelos pecados do povo, porque o fez de uma vez para sempre quando Se ofereceu a Si mesmo». Partilhando da nossa fragilidade humana, "revestido de fraqueza" pôde e pode compadecer-Se de nós, e oferecer-Se para nos redimir, elevando-nos para Deus e, ao mesmo tempo, deixando-nos o exemplo, para que assim como Ele fez, façamos nós também. É a nossa condição de discípulos missionários. Estabelecido, pela ressurreição, Sacerdote perfeito, à direita do Pai, continua a atrair-nos para a glória de Deus.

A lógica é a do amor e do serviço, vislumbrada nos mandamentos, que valem como orientação, como desafio, no compromisso com os outros, sob o olhar e a bênção de Deus, dando-Lhe prioridade.

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2 – As perguntas a Jesus permitem clarificar dúvidas ou incentivar a viver na dinâmica dos mandamentos. Um escriba aproxima-se e pergunta-Lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?».

O escriba sabia qual o primeiro mandamento, proclamado, desde tenra idade, em forma de oração e como profissão de fé. Perguntando-o em voz alta permite que outros ouçam a pergunta e sejam envolvidos na resposta. É como numa sala de aula, alguém faz uma pergunta, por exemplo, no decorrer de um teste, e todos têm a possibilidade de perceber melhor a pergunta e intuir a resposta!

«Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças». É primeiro mandamento e que prevalece sobre os demais, iluminando-os, não permitindo a sua instrumentalização, pois a Deus se prestará contas por todo o mal que se fizer, pelo bem que deixar de se fazer e em Deus serão abençoados todos os que sirvam o seu semelhante.

Logo Jesus acrescenta um segundo mandamento agrafado ao primeiro: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo». E conclui, dizendo que "não há nenhum mandamento maior que estes".

Jesus faz com que não nos possamos desculpar ou justificar por só darmos importância a um dos mandamentos, o amor a Deus ou o amor ao próximo. Na verdade, quem ama a Deus terá que amar o que Deus ama, ora se Deus nos criou por amor e nos ama ao ponto de nos dar o Seu Filho primogénito, nós, tu e eu, não podemos de deixar de amar a criação de Deus, sobretudo a Sua obra-prima, o ser humano. Seria um absurdo. Uma contradição. Um contrassenso. Vale também para todas as relações humanas. Não podemos dar-nos bem com uma pessoa (adulta) e depois dizermos mal ou darmo-nos mal com os seus filhos. E obviamente, quem ama os filhos também granjeia a estima dos pais. "Quem meus filhos beija minha boca adoça".

 

3 – Depois das palavras de Jesus, o escriba conclui: «Muito bem, Mestre! Tens razão quando dizes: Deus é único e não há outro além d’Ele. Amá-l’O com todo o coração, com toda a inteligência e com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios». É relevante o escriba confrontar o amor com os holocaustos e sacrifícios, na linha dos profetas e na linha de Jesus. Por sua vez, Jesus, vendo a resposta inteligente, aponta o caminho: «Não estás longe do reino de Deus».

____________________________________________________________________________________________

Textos para a Eucaristia (ano C): Deut 6, 2-6; Sl 17 (18); Hebr 7, 23-28; Mc 12, 28b-34.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

28.10.18

Vai: a tua fé te salvou

mpgpadre

1 – Há um homem à beira do caminho que não vê! Somos homens e mulheres que muitas vezes cerramos os olhos para não ver. Há um homem na estrada de Jericó que quer muito ver! Nas estradas do nosso tempo há um mar de gente à beira do caminho, à espera de uma mão, de um olhar, de alguém que passe e vá devagar! Naquela estrada e naquele tempo, há um homem a clamar, a chamar por Jesus que vai a passar. E ainda hoje, há tanta gente cansada de gritar, de procurar, de esperar; tanta gente sem vez nem voz, sem ver além do imediato, a tentar sobreviver.

Aquele homem tem nome, Bartimeu, filho de Timeu, e pede esmola a quem passa. Existem hoje muitas pessoas a pedir esmola, anónimos, que contam apenas para a estatística. Já não têm nome, são um número. Mas aquele homem tem nome, os homens e as mulheres que estão à beira do caminho, fora da estrada, excluídos da cidade, nas periferias da vida, também têm rosto, também têm nome. Têm de contar como pessoas, e não apenas para a percentagem.

É por Jesus que Bartimeu clama, gritando cada vez mais: «Filho de David, tem piedade de mim».

Há discípulos e há uma grande multidão. E há Jesus. E tu e eu! E Bartimeu! Ele chama por Jesus. Alguns incomodam-se com aquela voz, com aquela gritaria e repreendem-no, querem que se cale. Também hoje há quem silencie o pobre, o pedinte, o justo e se afaste para não ouvir, desviando o olhar para não ver. Eu, tu e Bartimeu, e Jesus!

Jesus pára, ouve e compromete-nos: chamai-o. A vista, a voz e o andar para que servem se não forem para ver os outros, para ouvir os seus clamores, para nos encaminharem ao seu encontro? Então ponhamo-nos em movimento e encaminhemos outros para Jesus: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te». E já sabemos como fazer: pela voz e pela vida, com palavras e com obras.

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2 – Aquele homem, Bartimeu, posso ser eu, podes ser tu! Umas vezes cegos, outras vezes com vontade de ver. Mais cegos são os que não querem ver e ativamente se recusam a olhar para os outros, a ouvir os seus apelos e a confrontar-se com as suas dificuldades. Senhor, "quando foi que te vimos com fome, ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não te socorremos?" A resposta clarifica a nossa falta de visão: «sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer».

Bartimeu ouviu dizer que Jesus passava por ali e decide-se. Senhor, tem piedade de Mim. Está disposto a ver Jesus, quer ver Jesus, quer ver como Jesus. Esta vontade firme é meio caminho andado para Jesus. Com efeito, o cego, diz-nos o evangelista, atirou fora a capa e tudo o que lhe pesava do passado, deu um salto, libertando-se de qualquer amarra, antes que pudesse voltar atrás, e foi ter com Jesus. A resposta de Jesus é muito curiosa: «Vai: a tua fé te salvou». Poderíamos esperar que Jesus lhe dissesse: Vê. Mas Jesus diz-lhe "Vai". O caminho faz-se caminhando. Parados não vemos nada. Ensimesmados, o nosso olhar adoece e morre.

O encontro com Jesus devolve-nos a vista, dá-nos um olhar novo. Depois cabe-nos segui-l'O. Bartimeu recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho. Além da cura física, importa a cura que nos devolve a humanidade e nos conduz a Jesus, nos envolve na fraternidade, tornando-nos ágeis para servir e amar, sem pausas nem reservas.

 

3 – Como cristãos, discípulos missionários de Jesus, temos a missão transportar a alegria da Boa Nova: Deus ama-nos como Pai e mais como Mãe, e, de tanto nos amar, nos deu o Seu Filho único, que faz da Sua vida uma constante de entrega, gastando-Se para nos redimir, para nos inserir na vida divina, para nos garantir, de uma vez para sempre, uma morada junto do Pai.

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Textos para a Eucaristia (ano B): Jer 31, 7-9; Sl 125 (126); Hebr 5, 1-6; Mc 10, 46-52.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

20.10.18

Quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo, e quem quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos

mpgpadre

1 – «O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de todos».

O discipulado há de ter a mesma marca de Jesus. O cristão é de Cristo e terão de agir, imitando-O. Os discípulos estão a aprender, estão a caminho. Temos sempre que aprender, caminhamos como peregrinos, para nos tornarmos verdadeiramente discípulos missionários. Neste Dia Mundial das Missões, avivemos o compromisso de sermos, em todos os momentos e em toda a parte, missionários, apóstolos. Mas só o seremos coerentemente se estivermos perto de Jesus, contagiados pelo Seu amor, para O transbordarmos na alegria.

Tiago e João chegam-se à frente: «Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda». A disputa de lugares e de poder vem ao de cima. Jesus, ainda assim, relembra-lhes que o caminho não é de "glória" (mundana), mas de provação, de perseguição e sofrimento, clarificando que o reino de Deus não consiste em lugares, mas em serviço.

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2 – A resposta a Tiago e João são clarividentes. Jesus assenta-lhes o estômago. Porém, os outros dez, ouvindo esta troca de palavras, indignam-se com Tiago e com o João, não tanto pelo atrevimento que tiveram, mas porque se anteciparam ao desejo de todos.

Uma e outra vez, e outra vez ainda, Jesus deixa claro qual é o caminho do discípulo: «Sabeis que os que são considerados como chefes das nações exercem domínio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder. Não deve ser assim entre vós: quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo, e quem quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos».

Quem quiser ser o maior seja o servo de todos, pois também Ele veio para servir e dar a vida por todos. Não Se apresentou com requisitos de poder ou privilégio, não Se valeu da Sua igualdade com Deus, mas assumiu-Se como servo, tornando-Se obediente até à morte e à morte na Cruz. A Sua glória confunde-se com a Sua morte, gastando-Se até ao último fôlego, até à última gota de sangue.

 

3 – «Deus eterno e omnipotente, dai-nos a graça de consagrarmos sempre ao vosso serviço a dedicação da nossa vontade e a sinceridade do nosso coração». A oração com que iniciamos a Eucaristia deste domingo envolve-nos no serviço dedicado aos outros, na predisposição de procurarmos ser fiéis ao Evangelho da caridade, escutando a Palavra de Deus para a pormos em prática.

É compreensível e defensável que todos, eu e tu incluídos, queiram ser reconhecidos. É humano. O problema do nosso tempo é a invisibilidade. Há tanta gente que não conta, a não ser para a estatística, que vive à margem, esquecida, excluída e quando conta é como estorvo, como pedra no sapato! Promove-se a cultura do descarte, nas palavras do Papa Francisco, a globalização da indiferença.

Excluídas, as pessoas têm direito a lutar, a reclamar, a trabalhar para serem reconhecidas como pessoas, a tornarem-se visíveis e, quem sabe, serem promovidas das periferias para o centro. Os apóstolos situam-se, para já, neste patamar e nesta luta. A ideia é derrubar os que ocupam os lugares de poder e substituindo-os, assumindo os seus lugares. Troca por troca. Nada melhora!

Jesus faz outra opção, a do serviço. Os discípulos, para o serem de verdade terão que seguir na Sua peugada, na certeza que quanto mais se derem mais receberão e mais sentido terão as suas vidas.

____________________________________________________________________________________________

Textos para a Eucaristia (ano B): Is 53, 10-11; Sl 32 (33); Hebr 4, 14-16; Mc 10, 35-45.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

 

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