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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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15.09.18

E vós quem dizeis que Eu sou?

mpgpadre

1 – "O que tu és fala tão alto que mal consigo ouvir o que tu dizes" (Ralph Waldo Emerson). Imediatamente nos diz que somos mais do que aquilo que dizemos. Por vezes não precisamos de falar para que as nossas atitudes, postura, os nossos gestos digam, falem, gritem por nós! Positiva e negativamente.

Ña segunda leitura, São Tiago lembra-nos como dizer, como tornar visível a fé professada, como mostrar a nossa ligação ao Deus de Jesus Cristo. A fé é o ponto de partida. É pela fé que Deus vem até nós, é a fé que nos permite ver Deus em Jesus e ver Deus no nosso semelhante. Mas não é uma fé (somente) minha, exclusiva, intimista, de trazer por casa, feita à minha medida, mas a fé em Jesus, a fé de Jesus, vivida em comunidade.

A fé é acolhimento pessoal, encontro com Jesus, morto e ressuscitado, mas vive-se na relação concreta com o outro, na comunidade e na caridade. “Se um irmão ou uma irmã não tiverem que vestir e lhes faltar o alimento de cada dia, e um de vós lhes disser: «Ide em paz. Aquecei-vos bem e saciai-vos», sem lhes dar o necessário para o corpo, de que lhes servem as vossas palavras? Assim também a fé sem obras está completamente morta”.

Tiago clarifica: "Mas dirá alguém: «Tu tens a fé e eu tenho as obras». Mostra-me a tua fé sem obras, que eu, pelas obras, te mostrarei a minha fé".

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2 – São Tiago ajuda-nos a responder à pergunta de Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Agora é Pedro que responde, inspirado pelo Pai, em seu e nosso nome: «Tu és o Messias».

Jesus segue com os Seus discípulos para as povoações de Cesareia de Filipe. São Marcos dá-nos conta da missão evangelizadora de Jesus, mostrando-O em movimento, por aldeias e cidades, na Judeia e na Galileia, e em outras terras mais distante, algumas fora da "fronteira" religiosa do judaísmo.

No caminho Jesus pergunta-lhes: «Quem dizem os homens que Eu sou?». E a resposta é imediata: «Uns dizem João Baptista; outros, Elias; e outros, um dos profetas». Quer a pergunta quer a resposta não nos implicam, pois apontam para o que os outros dizem e pensam. É uma sondagem sobre a opinião pública. Mas logo Jesus lhes arremessa com outra pergunta: «E vós, quem dizeis que Eu sou?».

 

3 – Esta questão é mais pessoal. Cabe a cada um responder a Jesus. Não esqueçamos que a fé tem sempre duas dimensões, a pessoal e a comunitária. A fé não é abstrata; a fé resulta de um encontro, cada um de nós com Jesus, e que implica a conversão ao Seu evangelho. Se professamos a fé em Jesus Cristo, pessoalmente, seremos impelidos para a comunidade, para junto daqueles que professam a mesma fé, adoram o mesmo Pai, se alimentam do mesmo Espírito!

Pedro toma a dianteira e responde firme: Tu és o Messias. Partindo daqui, Jesus clarifica as coordenadas da Sua missão e as consequências decorrentes das Suas opções, dizendo-lhes que se aproximam tempos conturbados em que o Filho do Homem, o Messias, vai sofrer muito, vai ser rejeitado pelas autoridades (religiosas) e vai ser morto. E, três dias depois, ressuscitará.

Perante a clareza com que Jesus fala na Sua morte, Pedro volta a intervir, já não diante dos outros apóstolos, mas à parte, repreendendo-O por dizer tais coisas. É a vez de Jesus o confrontar com os seus interesses: «Vai-te, Satanás, porque não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens».

Para Pedro era inconcebível que o Messias, o Filho de Deus, pudesse sofrer às mãos dos homens.

 

4 – Seguimos Jesus porque nos deixamos encontrar por Ele e a Ele nos convertemos de todo o coração, sabendo que a nossa vida não fica mais facilitada por isso, quando muito a nossa vida fica absorvida na d’Ele, até à eternidade. Se O seguimos, sujeitamo-nos ao que Ele Se sujeitou, a ser injuriado, preso, maltratado e até morto.

Vale para os discípulos presentes e futuros. No diálogo anterior Jesus voltou-Se sobretudo para os discípulos, agora dirige-se a todos, à multidão com os seus discípulos dentro: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Na verdade, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a vida, por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á».

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Textos para a Eucaristia (ano B):Is 50, 5-9a; Sl 114 (115); Tg 2, 14-18; Mc 8, 27-35.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

08.09.18

Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos

mpgpadre

1 – O encontro com Jesus há de libertar-nos de todo o mal, abrir-nos os ouvidos, escutando-O, desprendendo-se-nos a língua, para O anunciarmos em toda a parte, com a nossa vida toda. Às vezes fazemos ouvidos de mercador. Outras vezes silenciamos a nossa voz para não nos chatearmos, outras fazemos coro para não acharem que nos achamos melhores! Precisamos de nos aproximar constantemente de Jesus Cristo para nos deixarmos tocar pelo Seu Espírito de amor.

Vivemos numa época de excesso de informação. Notícias, fofocas, ruído, maledicência, insinuações… Ouvimos muito. Muitas pessoas. Muitas vozes. Mas de tudo o que ouvimos, o que é que retemos, o que é influencia (positivamente) a nossa vida? Ouvimos muito, mas escutamos pouco! A escuta pressupõe atenção, silêncio, sobretudo interior, aceitação e compreensão!

Quando queremos que alguém nos compreenda, por alguma coisa que dissemos ou fizemos menos justa, dizemos-lhe que tente pôr-se no nosso lugar. Do mesmo modo, devemos fazê-lo em relação aos outros. A escuta aproxima-nos. Até fisicamente. Se alguém está a falar e queremos escutar, tentamos que nenhum outro ruído atrapalhe ou que a distância dificulte a audição. Se a pessoa está perto e a falar baixo: pedimos que repita uma e outra vez, aproximamos os ouvidos, ou aquele com que ouvimos melhor, para não perdemos nenhuma palavra. Assim também quando queremos que nos escutem, aproximamo-nos, aclaramos a voz, esperamos que não haja muito ruído para falar! É este o exercício que nos cabe em relação a Jesus.

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2 – Deus criou-nos por amor. O amor deseja o bem do outro. Se Deus nos criou por amor, Deus quer-nos bem. Como um Pai, como uma Mãe, Deus quer a nossa felicidade. Em todos os aspetos da vida. Em situações de doença grave e/ou crónica, é comum ouvirmos diz que é a vontade de Deus. Deus quer assim, que é que se há de fazer?! Em Jesus, vê-se bem que Deus não quer assim, Deus quer para nós todo o bem. Porém, a vida, a nossa vida é finita, frágil, mortal. Nem tudo é como desejaríamos! A vida depende de nós, mas depende de outros e dos fatores que nos envolvem, muitos dos quais não controlamos. Não somos deuses! Somos humanos.

Trazem a Jesus um surdo que mal podia falar e suplicam-Lhe que imponha as mãos sobre ele. Encontramos pessoas no nosso caminho que nos encaminham para quem nos pode ajudar. Também nós podemos e devemos exercer esta missão, ajudar ou encaminhar para quem o pode fazer. Como cristãos cabe-nos, pessoal e comunitariamente, conduzir os outros a Jesus, falando d'Ele, apresentando-O, criando as circunstâncias para que Ele Se torne visível e acessível.

O bem tem luz própria. Claro que vivemos num tempo em que o mal tem honras de primeira página, será bom que as boas notícias sejam visíveis, contrabalançado com a esperança no amanhã e com a confiança na bondade das pessoas, certeza que nem tudo está perdido.

Jesus afasta-Se da multidão. O Seu desejo não é fazer um espetáculo, mas atender aquele surdo-mudo. Mete-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva toca-lhe a língua, erguendo os olhos ao Céu. A cura não é automática, exige oração, tempo, perseverança. exige de nós, ligando-nos aos outros. Bem sabemos como a carícia, o beijo, o toque tem poderes curativos, pois faz-nos sentir vivos!

 

3 – Maria ensina-nos a escutar com o coração. Percebe a chegada do Anjo e as palavras que este lhe dirige. E responde da mesma forma, com o coração, com vida: Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra. E depois convoca-nos a todos: Fazei tudo o que Ele vos disser!

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Textos para a Eucaristia (ano B): Is 35, 4-7a; Sl 145; Tg 2, 1-5; Mc 7, 31-37.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

 

01.09.18

Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro

mpgpadre

1 – Deus nunca pode ser desculpa para fazer o mal ou deixar de fazer o bem, ainda que a história continue a mostrar como facilmente se conflitua em nome de Deus, se mata em nome da religião.
Da religião espera-se que promova a paz, a defesa dos mais frágeis, a justiça, o respeito pela dignidade, pela vida humana. Ao centro está Deus, único destinatário de adoração. É o primeiro dos mandamentos e dos mais importantes. Tratar Deus como Deus, para tratar as pessoas como imagem e semelhança de Deus, sem as instrumentalizar, diminuir, espezinhar e sem as endeusar. Deus não está contra o Homem. Aliás, quanto menos Deus, menos humanidade e maiores os riscos de ditaduras e totalitarismos, pois mais facilmente se descartam as pessoas mais vulneráveis.
Jesus depara-se com a hipocrisia de alguns fariseus, grupo muito religioso, tendia a levar ao extremo as normas do culto judaico. É sempre perigoso quando as regras e as tradições valem mais que as pessoas. Para alguns, todos os motivos são válidos para atacar Jesus, para O porem à prova, para Lhe armarem ciladas, para tentarem desacreditá-l'O das pessoas simples e humildes. Nestes dias temos visto como tudo tem servido para atacar o papa Francisco. Porque será que a luz, o bem e a ternura provocam tanta inveja e irritação?

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2 – Pureza ou impureza?! Lavar as mãos antes das refeições, para nós, é uma questão de higiene e de saúde e não de pureza ou impureza. Obviamente a nossa cultura é diferente. Se pensarmos que no século XIX havia pessoas que não tomavam banho ou tomavam apenas uma vez por ano, com medo de adoecerem, ou que as intervenções cirúrgicas e os partos eram efetuados sem lavar as mãos!

Seja como for, a religião há de ser vivida sob a luz e não sob o obscurantismo. Perguntar, informar-se, estudar as razões desta ou daquela tradição, verificar até que ponto uma tradição ajuda as pessoas e as comunidades a viverem melhor. Há o mistério, que se acolhe, se partilha, se vive! Mas nunca às escuras! Não apenas as emoções, mas sentimentos, reflexão, oração, estudo!
Fariseus e escribas vêm de Jerusalém, juntam-se à multidão e perguntam a Jesus pela conduta dos Seus discípulos: «Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar as mãos?» Aparentemente a crítica é feita aos discípulos e não a Jesus diretamente! Mas como sabemos isso é apenas questão de linguagem e pormenor. Ao criticarmos uma criança, adolescente, jovem, na maioria das vezes não criticamos o seu carácter ou o seu proceder, mas os pais ou os professores, ou os catequistas, ou o pároco, porque não souberam ensinar-lhe a comportar-se como deve ser!

 

3 – Jesus supera os limites do puro e do impuro, das tradições e das estruturas para Se fixar na pessoa humana, na intencionalidade das suas ações, na sua responsabilidade pessoal. As estruturas não pecam! As tradições, à partida, não são más, quando muita desajustadas a uma nova realidade. Isso não significa, como defendia São João Paulo II, que não existam estruturas de pecado, conjugação de esforços, de leis, políticas de empresa que promovem, enquanto estrutura, o mal, a corrupção, a destruição da pessoa e da sua dignidade. Porém, a responsabilidade tem de ter um rosto. Hitler tratou os judeus como um todo, um povo a eliminar! Alguém poderia, em sentido inverso, culpar a Alemanha e todos os alemães pelo crime hediondo perpetrado contra os judeus e contra a humanidade.
As palavras de Jesus são clarividentes: «Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro; porque do interior do homem é que saem as más intenções: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez». Se alguém chama a atenção um adolescente ou a um jovem vai responder que não foi ele, ou que os outros também disseram ou fizeram o mesmo, ou não foi ninguém, foi o grupo todo. É compreensível para as crianças, talvez para os adolescentes, menos para os jovens e muito menos quanto as desculpas vêm dos adultos.

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Textos para a Eucaristia (ano B):

Deut 4, 1-2. 6-8; Sl 14 (15); Tg 1, 17-18. 21b-22. 27; Mc 7, 1-8. 14-15. 21-23.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

25.08.18

Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna.

mpgpadre

1 – «Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus».

Mais uma vez Pedro, aquele Apóstolo que é sempre dúvida, mas que nos granjeia simpatia, pois é um dos nossos, em muitos aspetos. Quem não se revê na sua espontaneidade, nas suas dúvidas e incertezas? E na sua adesão demasiado rápida? E na sua frontalidade demasiado ingénua e infantil? Quem diria que Pedro, mais à frente, será um dos rostos mais visíveis da traição a Jesus, abandonando-O, negando conhecê-l'O, mantendo-se distante para estar seguro?

Pedro chega-se à frente, tem o coração ao pé da boca, muitas vezes diz o que convém e o que não convém. É genuíno! Por isso Jesus o escolheu e não desistiu dele! Como não desiste de nós, como não desistiu de Judas! Por cada um deles, por cada um de nós, não tanto pelos nossos méritos, mas sobretudo pelo Seu amor por nós.

As palavras de Jesus são duras! Ele não Se esconde atrás das palavras! Ele é a Palavra encarnada, concreta, real, Pessoa! Curioso:  por vezes gostávamos que nos dissessem de outra maneira ou nos deixassem mais algum tempo na ignorância! Em situações gravosas, umas a seguir às outras, talvez precisemos de mais tempo para superar o trauma da tempestade anterior! Em todo o caso, nunca saberemos se seria melhor adiar o que é inevitável.

Ao longo da Sua vida, Jesus, sendo dócil e atencioso, compassivo e benevolente, não deixa de ser transparente, inequívoco, numa frontalidade que Lhe é reconhecida como autoridade, coerência de vida. Perante as autoridades, perante as multidões, perante os Seus discípulos: ide dizer a essa raposa... sois sepulcros caiados, belos por fora, podres por dentro, o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça, sereis levados a tribunais, perseguidos, presos, mortos... quem quiser ser o primeiro seja o servo de todos!

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2 – «Estas palavras são duras. Quem pode escutá-las?».

Vamos percebendo que a verdade, a honestidade, a frontalidade nos fazem bem à saúde. Não confundir frontalidade com arrogância, prepotência, sobranceria. Alguns de nós, depois de destilarmos ódio sobre os outros, colocando-nos acima e à parte do comum dos mortais, ficamos aliviados: eu cá sou assim, digo o que tenho a dizer, seja a quem for! Isso não é frontalidade, isso é infantilismo e complexo de superioridade! Só isso! Custa-me sempre ouvir alguém defender-se por atacar os outros com a desculpa esfarrapada que é frontal. As ditaduras e os ditadores, segundo os próprios, foram os que mais promoveram a liberdade! Alguém acredita na estória da carochinha?

A frontalidade de Jesus não destila fel nem superioridade! A frontalidade de Jesus parte da verdade e da justiça, do perdão e do amor, desafia à conversão, à partilha, à comunhão e ao serviço. Daí a sua delicadeza compassiva, mas que não foge às questões!

«Isto escandaliza-vos? E se virdes o Filho do homem subir para onde estava anteriormente? O espírito é que dá vida, a carne não serve de nada. As palavras que Eu vos disse são espírito e vida».

O discurso sobre o Pão, a Carne, o Corpo, o Sangue derramado chega ao fim, provocando feridas, ou melhor, ruturas. O evangelista informa-nos que "a partir de então, muitos dos discípulos afastaram-se e já não andavam com Ele". É nesse momento que Jesus testa as convicções dos seus discípulos, nomeadamente os Doze: «Também vós quereis ir embora?». Deus queira que tenhamos a alegria e a sabedoria de respondermos como Pedro: «Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna».

 

3 – Seguir Jesus nem sempre será fácil. É Ele próprio que no-lo diz: quem quiser seguir-Me renuncie a si mesmo, tome a sua cruz…

O que Ele nos manda é que nos amemos uns aos outros como Ele nos ama, gastando a vida. Nem sempre é fácil. O amor não está isento de sofrimento, pois somos diferentes e as circunstâncias do tempo são, muitas vezes, desfavoráveis. O ditado popular é explícito: quem se sujeita a amar, sujeita-se a padecer. Contudo, só o amor nos humaniza, só o amor nos salva, só o amor nos eleva para Deus.

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Textos para a Eucaristia (ano B): Jos 24,1-2a.15-17.18b; Sl 33 (34); Ef 5, 21-32; Jo 6, 60-69.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

18.08.18

A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida

mpgpadre

1 – “O que tens de partir para reunir uma família? Pão, evidentemente” (Jodi Picoult).

O pão é símbolo de todo o alimento biológico, antes de mais, mas também espiritual, afetivo, cultural. Mas em si mesmo o pão é alimento, rico em hidratos de carbono, pobre em açúcares e gorduras, fonte de fibras que ajudam ao equilibro intestinal, fonte de vitaminas (tipo B) e minerais (cálcio, magnésio e fósforo…). O pão tem menos sal que os seus substitutos como bolachas, biscoitos, bolos, cereais prontos a comer… e provoca mais rapidamente a sensação de saciedade, tornando-se parte essencial de qualquer dieta.

Ainda que haja muitas variedades de pão, a sua confeção é muito simples. Farinha, água, sal e fermento, na justa medida! Pode facilmente transportar-se e não precisa de grande esforço para se conservar. Algum do simbolismo do pão advém do próprio pão: o trigo ou centeio que é lançado à terra, cresce como planta, produz as espigas que a seu tempo darão os grãos maduros. Debulhados, os grãos serão moídos para se transformarem em farinha, tornando-se o ingrediente principal do pão, amassada (juntando o sal, o fermento, a água) e levedada, levada ao forno e, passado algum tempo, estará suficientemente cozido para ser comido, saboreado e saciar a fome de muito. Um pão é feito de muitos grãos. Um pão pode congregar muitos à volta da mesa e ser partilhado por muitos! Trabalho de muitas mãos. Unidade. Partilha e comunhão. Semente, planta, trigo, farinha, massa, pão, pessoas que comem do mesmo pão, condividindo-o!

O pão é um alimento prático, simples e bastante acessível. É nesta simplicidade que Jesus Se nos dá por inteiro.

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2 – «Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é minha carne, que Eu darei pela vida do mundo».

A discussão adensa-se. Jesus afirma que é o Pão vivo descido do Céu, e logo acrescenta que o Pão que nos dá é a Sua própria carne. Ser o Pão da vida poderia tratar-se de uma comparação, uma imagem. Agora dizer que é a Sua carne? Como é possível que nos dê a Sua carne? Como é possível comer a Sua carne e beber o Seu sangue? Acaso podemos tornar-nos canibalistas?

«A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele. Assim como o Pai, que vive, Me enviou e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim…».

As palavras de Jesus são tão vivas e específicas que alguns discípulos seguem outro caminho.

 

3 – O Verbo encarnou e habitou entre nós. Em Jesus, Deus faz-Se carne, assume a nossa condição humana, sujeitando-se às coordenadas do tempo e do espaço. Carne, corpo, vida humana. No judaísmo quando se fala de carne ou de corpo fala-se precisamente da pessoa como um todo, corpo, alma e espírito. Quando Jesus Se consome a favor da humanidade entrega a Sua vida por inteiro.

Mas a expressividade vai ainda mais longe. O Corpo sublinha a vida. O sangue (derramado) aponta para a morte. Jesus oferece-nos a Sua vida e a Sua morte para nos salvar, para nos introduzir no mistério da Sua ressurreição.

O evangelista São João não descreve a instituição da Eucaristia no decorrer da Ceia, mas apresenta a multiplicação dos pães nos mesmos contornos. Logo Jesus Se revela como o Pão vivo: Carne, Corpo, Sangue, Vida entregue por nós. A Eucaristia torna presente o mistério pascal de Jesus. Faz com que Jesus seja nosso contemporâneo. Oferece-Se de uma vez para sempre, mas por ação do Espírito Santo, em Igreja, podemos participar hoje (sacramentalmente) no Seu mistério pascal. Também a nós Jesus nos diz: a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Eu Sou o Pão da vida. É precisamente no Pão e no Vinho, no mistério da Eucaristia, que Jesus nos dá o Seu Corpo e o Seu sangue, como alimento para esta vida e até à vida eterna.

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Textos para a Eucaristia (ano B): Prov 9, 1-6; Sl 33 (34); Ef 5, 15-20; Jo 6, 51-58.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

14.08.18

Solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu - 2018

mpgpadre

1 – «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre».

O mistério da Assunção de Nossa Senhora ao Céu, em corpo e alma, dogma católico, proclamado pelo Papa Pio XII, com a Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, a 1 de novembro de 1950, consagra uma verdade de fé reconhecida, aceite e professada, desde o início, pelas comunidades cristãs.

As primeiras palavras nos Evangelhos referidas a Maria dizem-nos que Ela é a cheia de Graça e que o Senhor está com Ela. É a saudação do Anjo. No encontro com Isabel a saudação é semelhante, mas desta feita incluindo já Jesus: bendita és tu, bendito é o fruto do teu ventre! Neste encontro sobrevém a alegria do encontro com Jesus e o primeiro anúncio da proximidade do Filho de Deus. A fé é a chave que nos possibilita a busca, a descoberta e o encontro com Deus. «Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

N'Ela, como em nós, o fim está incoativamente presente no início e ao longo da vida, em conformidade com as escolhas feitas. Se escolhemos fazer a vontade de Deus, deixar que Deus nos ilumine e nos conduza, por certo seguiremos no Seu encalço até à eternidade. Jesus relembra isso mesmo aos seus discípulos: quem der testemunho de Mim diante dos homens, também Eu darei testemunho dele diante de Meu Pai que está nos Céus (cf. Mt 10, 32).

«Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática». É a resposta dada por Jesus a uma mulher que do meio da multidão Lhe diz: «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito». A bem-aventurança está em escutar a palavra de Deus, procurando concretizá-la, traduzi-la na vida do dia-a-dia. Dessa forma nos predispomos a seguir o mandato de Maria – Fazei tudo o que Ele vos disser – que implicará configurar a nossa vida com a de Jesus no Seu jeito de amar, de servir e de Se entregar.

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2 – «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva».

Maria corporiza a humildade disponível para manifestar a grandeza de Deus e das Suas maravilhas no meio dos homens. O Magnificat assume a história da salvação contada e cantada através das gerações, em que Deus Se manifesta na proximidade aos pobres, aos simples, a todos quantos se abrem à Sua graça e se predispõem a seguir/viver os seus preceitos. Estes visam a inclusão de todos, fazendo sobressair o que une e faz deles, de nós, uma só família de Deus. Em contraponto, estão todos aqueles que na prepotência e no egoísmo se fecham à graça de Deus, sobrepondo a própria vontade, apetites e ganância a todos os outros, relacionando-se com eles em atitude de violência, de inimizade e de separação, deixando na terra marcas de sangue, de destruição e de morte.

Em Maria, Deus faz-Se um de nós. Com Jesus Cristo, Deus humaniza-Se, encarna, assume a nossa condição finita. Daí que o SIM de Maria seja decisivo, caucionando a vontade de Deus em Se tornar tão próximo da humanidade, que Se faz um de nós…

 

«A minha alma glorifica o Senhor

e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,

porque pôs os olhos na humildade da sua serva:

de hoje em diante me chamarão bem-aventurada

todas as gerações.

O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:

Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração

sobre aqueles que O temem.

Manifestou o poder do seu braço

e dispersou os soberbos.

Derrubou os poderosos de seus tronos

e exaltou os humildes.

Aos famintos encheu de bens

e aos ricos despediu de mãos vazias.

Acolheu a Israel, seu servo,

lembrado da sua misericórdia,

como tinha prometido a nossos pais,

a Abraão e à sua descendência para sempre».

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Textos para a Eucaristia:

Vigília: 1 Cr 15, 3-4.15-16; 16, 1-2; 1 Cor 15, 54b-57; Lc 11, 27-28;

Missa do dia: Ap 11, 19a; 12, 1-6a. 10ab; Sal 44 (45); 1 Cor 15, 20-27; Lc 1, 39-56.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

11.08.18

E o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo!

mpgpadre

1 – Nem todos os alimentos são iguais, nem todos os alimentos nos satisfazem da mesma forma. De contrário, poderíamos comer apenas um alimento, na quantidade certa, ou preparar um comprimido com os diversos ingredientes, proteínas, vitaminas, fibras... para que o nosso organismo estivesse equilibrado e saudavelmente robusto. Mas há muitos fatores em que os sentidos intervêm, o aspeto – os olhos também comem – a textura, cheiro – abre-nos o apetite ou afasta-nos da mesa – conta também o apetite que se tem, a companhia, o tempo disponível e a própria disposição momentânea. Há quem esteja mal e não consiga comer e quem coma sem parar como que a tentar preencher algum vazio de emoções, ansiedade, preocupação!

Já nos aconteceu estar diante de um belo banquete e não nos apetecer nada ou comermos enfastiados! Qual pedido ao Ambrósio: apetecia-me algo, não sei bem o quê!

Uma das condições para saborear um alimento, à partida, é a vontade de comer. Só procuramos comida quando sentimos necessidade. O aroma ou o aspeto da comida pode despertar-nos o apetite. Noutras situações, é necessário provocar esse apetite. Tudo isto pode ajudar-nos a refletir na Palavra de Deus que hoje nos é servida como alimento que nos compromete e nos desafia, nos preenche e pode tornar luminosa a nossa existência.

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2 – Jesus apresenta-Se como alimento para esta vida e até à vida eterna. «Eu sou o pão que desceu do Céu». Não é uma afirmação fácil. Não é uma afirmação neutra. É a Sua identidade! É a Sua garantia em tornar-se PÃO que alimenta e sacia a nossa fome no que tem de mais profundo, de busca, de caminho, de felicidade!

É curioso verificar que há pouca ou nenhuma neutralidade na postura de Jesus. Habituamo-nos a ver a Sua delicadeza, docilidade, a sua diplomacia. Porém, Jesus suscita opções, seguimento ou recusa. Quem quiser seguir-Me renuncie a si mesmo! A vossa linguagem sejam "sim, sim" e "não, não", tudo o que vai além disso é diabólico!

Com efeito, as Suas palavras geram controvérsia e murmuração entre judeus. Mas porquê? "Eu Sou o Pão da Vida"! Será uma provocação? Será assim tão ofensivo? No seguimento, começamos a perceber a alcance das palavras de Jesus. Ele não diz que é como o pão, Ele afirma-Se «o Pão vivo» e isso implica que nos posicionemos, reconhecendo-O ou seguindo outro caminho.

Os judeus estranham as palavras de Jesus: «Não é Ele Jesus, o filho de José? Não conhecemos o seu pai e a sua mãe? Como é que Ele diz agora: ‘Eu desci do Céu’?». Fica claro também para nós que Jesus é maior do que o nosso conhecimento a Seu respeito.

 

3 – O que sabemos acerca de uma pessoa é sempre relativo, pois a pessoa não é um objeto de conhecimento neutro, mas sujeito que se apresenta como mistério, para os outros, mas também para si.

Por maioria de razão, Jesus é mistério que Se revela, Se comunica e, sobretudo, que Se dá a favor da humanidade. É mistério que nos traz a eternidade de Deus, nos revela o amor do Pai, tornando visível o acesso à vida eterna. Ele é a Porta, é a Ponte que nos liga a Deus Pai, num movimento ascendente e descendente. Faz-Se um de nós, tornando-Se Deus connosco e, não deixando de ser Deus, permanecendo verdadeiramente Homem. N'Ele a comunhão perfeita, plena, o encontro definitivo de Deus e do Homem. Ele é verdadeiramente o único Mediador entre Deus e a Humanidade.

«Ninguém pode vir a Mim, se o Pai, que Me enviou, não o trouxer; e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia... Eu sou o pão da vida. No deserto, os vossos pais comeram o maná e morreram. Mas este pão é o que desce do Céu... Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo»

Nas palavras de Jesus, a certeza que n'Ele é visível o amor de Deus, a Sua bondade, a Sua misericórdia infinita. Jesus é o alimento para esta vida, abrindo-nos as portas da eternidade, inserindo-nos no coração de Deus. A acentuação do mistério revela, por outro lado, que o decisivo é a fé em Jesus, como Filho amado de Deus, que nos dá Deus e nos permite comungar com Ele para sempre.

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Textos para a Eucaristia (ano B): 1 Reis 19, 4-8; Sl 33 (34); Ef 4, 30 – 5, 2; Jo 6, 41-51.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

04.08.18

Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome.

mpgpadre

1 – Depois da multiplicação dos pães e dos peixes, a multidão quer aclamar Jesus como Rei, que se retira sozinho para o monte. A multidão procura-O e encontra-O na outra margem do lago. Diz-lhes Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: vós procurais-Me, não porque vistes milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes saciados. Trabalhai, não tanto pela comida que se perde, mas pelo alimento que dura até à vida eterna e que o Filho do homem vos dará».

Atendamos às palavras do Papa Francisco: «Jesus não elimina a preocupação nem a busca do alimento diário, não, não elimina a preocupação de tudo o que pode tornar a vida mais progredida. Mas Jesus recorda-nos que o verdadeiro significado da nossa existência terrena consiste no fim, na eternidade, consiste no encontro com Ele, que é dom e doador, e recorda-nos também que a história humana com os seus sofrimentos e as suas alegrias deve ser considerada num horizonte de eternidade, ou seja, no horizonte do encontro definitivo com Ele. E este encontro ilumina todos os dias da nossa vida».

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2 – Somos muito mais do que aquilo que comemos, que vestimos, muito mais do que as coisas que temos, por mais valiosas que sejam. Na verdade, todos nós conhecemos pessoas que tendo tudo são verdadeiramente miseráveis. Interrogamo-nos: como é possível que esta pessoa tenha tudo e ande sempre com uma cara de sexta-feira santa? E quando vemos, em situações extremas, uma pessoa do mundo da música ou do cinema, da moda ou das revistas cor-de-rosa porem termo à própria vida ou envolvidas em rixas, em droga, em prostituição?! Claro que não é o muito que têm que as faz assim, mas a perda de sentido e, talvez, nalguns casos, também o facto de não sentirem a alegria do esforço, da dedicação, do trabalho e como compensa ver os respetivos resultados. Por outro lado, a dificuldade em perceber se as amizades são autênticas ou interesseiras.

Mas não enveredamos pela cultura da miséria! Como se aqueles que vivem na pobreza material tivessem todas as condições para serem felizes! De modo nenhum, a não ser que seja por opção. Nem só de pão vive o homem, mas também vive de pão. A multiplicação dos pães é um desafio a sermos dádiva para os outros, com o que temos e com o que somos. Jesus não faz um discurso bonito e depois despede a multidão para que esta se governe, conforme desejo dos discípulos. Não. Alimenta aquela gente, juntando o que há disponível, 5 pães e 2 peixes, contando com o contributo do rapazinho e dos apóstolos, invocando a poder de Deus, e mandando distribuir para que todos fiquem saciados.

Pessoas e famílias com parcos recursos económicos também passam por momentos de dúvida, de luta, por vezes, de discussão, caindo na depressão pelas dificuldades extremas e pelo medo do futuro ou por quererem dar um futuro melhor aos filhos e não estarem a conseguir. Em muitos casos, todavia, a luta fortalece a vontade de viver! A vida de mão-beijada não costuma dar bons resultados. Conseguimos ouvir os pais a dizerem aos filhos: quando ganhares para ti, vais saber o que custa a vida e vais dar valor ao que tens!

 

3 – Os discípulos como a multidão veem o pão que se multiplica na partilha e que não se esgota, mas não veem Aquele que é o verdadeiro Pão da Vida, veem os dons da vida mas não o Dom que é Jesus Cristo.

Simples, além do pão que partilhamos, devemos tornar-nos pão e vida uns com os outros. Jesus multiplicou o pão e a partilha, mas a grande novidade e a verdadeira revolução é que Ele próprio Se torna pão, levedado pelo amor, pelo serviço, pela docilidade, pela compaixão, dando-Se por inteiro.

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Textos para a Eucaristia (ano B): Ex 16, 2-4. 12-15; Sl 77 (78); Ef 4, 17. 20-24; Jo 6, 24-35.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

28.07.18

Está aqui um rapazito com 5 pães de cevada e 2 peixes. Mas que é isso para tanta gente?

mpgpadre

1 – O bem faz milagres e centuplica-se. O que se partilha, mesmo que pouco, dá para muitos! A docilidade e delicadeza de Jesus hão de mover-nos para a bondade para com todos, para que as palavras e os gestos produzam a abundância da ajuda e da partilha.

Na semana passada víamos como Jesus atende à necessidade de descanso dos Seus discípulos e logo dá atenção à multidão. Hoje o mesmo enfoque do cuidado, da atenção, da proximidade de Jesus e da Sua resposta pronta às necessidades da multidão que se aproxima ora para O escutar, ora por ver os milagres que Ele fazia, por curiosidade ou arrastados pelos amigos e vizinhos. As multidões que vão a Fátima ou que vão ao encontro do Papa são movidas por diferentes razões, algumas vão quase por desporto ou para manter a linha, mas pode acontecer que Deus lhes dê a volta!

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2 – «Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?». Os discípulos vão-se apercebendo que não podem lavar as mãos diante dos contratempos. Perante as dúvidas – «Duzentos denários de pão não chegam para dar um bocadinho a cada um» – a ordem de Jesus é clara: «Dai-lhes vós mesmos de comer» (Mt 14, 16).

Os discípulos fazem as contas. As possibilidades são diminutas! Nem dinheiro nem pão suficiente, como se vê pela intervenção de André: «Está aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?». Os discípulos fazem sobretudo um diagnóstico, fixam-se nos problemas. Também nos acontece por vezes! Jesus procura respostas, aponta caminhos possíveis: «Mandai-os sentar». É tarefa que também nos cabe!

Jesus faz o que está ao Seu alcance. Toma os pães e os peixes, dá graças e distribui-os pelos 5 mil homens (além das mulheres e das crianças). Comeram quanto quiseram. Todos ficaram saciados. Por fim, Jesus manda que se recolha o que sobrou para que nada se perca. As sobras, com os bocados dos pães de cevada, deram para encher 12 cestos. Abundância da multiplicação ou da partilha? Sobressai a certeza que com Cristo o alimento se multiplicará, sobejando em abundância. Dará para todos os presentes e para os que venham depois!

 

3 – O milagre da multiplicação continua a produzir-se na atualidade! Falta o milagre da partilha.

Jesus faz o que está ao Seu alcance. E nós?

Como discípulos deste tempo temos em mão a tarefa de distribuir o pão que Deus nos dá em abundância.

Num primeiro momento vemos que os discípulos procuram situar Jesus diante dos obstáculos. A seguir, Jesus coloca-os, e a nós também, diante do compromisso com os outros, procurando respostas. André olha em volta e vê que há um rapazito que tem alguns pães (5) e alguns peixes (2), ainda que não perceba que já é uma ajuda enorme. Tendo em conta a simbologia hebraica, o 7 é o número da perfeição, da plenitude. Têm o que é necessário para agir.

Mas não termina ali o trabalho dos discípulos. Eles são responsáveis por levar a Jesus o jovem rapaz com os pães e os peixes. Subentende-se que serão eles a distribuir os pães e os peixes pela multidão. Nota evidenciada nos evangelhos sinóticos. E depois de todos estarem saciados, sãos os discípulos que recolhem o que sobrou, para que nada se perca!

Ao longo do tempo, muitos se debruçaram sobre estes milagres da multiplicação dos pães, uns fixando-se mais no milagre da multiplicação, outros sobretudo no milagre da partilha. Mas seja qual for a acentuação, o milagre existe, sendo que é mais difícil a partilha que a multiplicação.

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Textos para a Eucaristia (ano B): 2 Reis 4, 42-44; Sl 144 (145); Ef 4, 1-6; Jo 6, 1-15.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

 

21.07.18

Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e começou a ensinar-lhes muitas coisas

mpgpadre

1 – A delicadeza e a compaixão de Jesus hão de converter-se na docilidade e na ternura em todos nós. O discípulo não é superior ao Mestre e feliz o discípulo que for como o seu Mestre.

Por vezes, pode parecer que o cristianismo se move a partir de um catálogo de leis e de proibições, e, até mesmo, de condenações. Será, com efeito, uma perceção errada de quem não percebeu nada da mensagem e da vida de Jesus Cristo oferecida para que tenhamos vida abundante (cf. Jo 10,10). Claro que em qualquer grupo de pessoas, por mais pequeno que seja, há um mínimo de regras, de orientações. Mas as regras só são necessárias para ajudarem à harmonia, para evitar descarrilamentos, no reconhecimento da nossa fragilidade humana e da possibilidade de, em certos momentos, vermos a vida apenas a partir de nós, dos nossos interesses ou das nossas comoções!

Diz-nos Santo Agostinho sobre o amor: ama e faz o que quiseres! Bom, mas há quem mate por amor! Ou talvez não! Quando muito isso acontece por deficiência, por desconfiança, por negação, por ciúme, por inveja. Uns para se vingarem de um amor não correspondido, outros para defenderem de ameaças (reais ou imaginárias) aqueles que amam. Daí a necessidade de recorrer a Jesus e ao modo como nos ama: ama-nos no serviço, na entrega, na compaixão, gastando-Se inteiramente, até ao fim, a favor de todos.

Jesus Preaches in a Ship (Jésus prèche dans une

 2 – A vida resolve-se nos pormenores, nas pequenas coisas. Podemos invocar Deus como o Deus das pequenas coisas (livro de Arundhati Roy). Isso não secundariza o mistério maior da nossa fé, a Ressurreição de Cristo. Porém, é preciso valorizar o que nos une e aproxima, o que nos faz sorrir, ou nos faz sentir úteis, acarinhados. Quem descura as pequenas coisas, acabará por nunca descobrir a beleza da vida. Quem espera constantemente por um milagre, um arrebatamento, um momento transcendente de luz, quem aguarda por algo surpreendente, como ganhar a lotaria ou o Euro-milhões, ou espera que a outra pessoa mude em 180 graus, poderá passar ao lado da felicidade, entendida como caminho e não somente como meta.

Vejamos um exemplo: esperar um príncipe/princesa encantado/a, em cima de um cavalo branco, em fuga para o país das maravilhas! Será muito mais honesto descobrir as qualidades naqueles/as que Deus coloca à nossa beira. Nas relações humanas, a ansiedade e o desencanto verificam-se quando se procura alguém perfeito. Claro que devemos melhorar os aspetos que dificultam o entendimento com os outros. Mas em vez de ficarmos à espera, tomemos a iniciativa! Um sorriso, uma carícia, uma palavra simpática, um gesto de generosidade, baixará as nossas defesas, baixará as defesas do outro!

 

3 – Os Apóstolos foram enviadas a anunciar a Boa Nova, a expulsar os demónios, a curar os doentes. Regressam para junto de Jesus. Contam-Lhe tudo o que aconteceu. É tempo de fazer avaliação.

É surpreendente a resposta de Jesus: «Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco». O evangelista recorda-nos que havia sempre muita gente a chegar e a partir que mal tinham tempo para comer e para descansar. Jesus alegra-se com os Seus discípulos, mas atende ao pormenor: alimentação e descanso. Em momentos tão sublimes, em que os Apóstolos falam em milagres, em curas, em expulsão de demónios, Jesus poderia promover uma catequese, uma reflexão, um debate, mas do que Ele se lembra, de uma coisa simples: os discípulos precisam de se alimentar, precisam de descansar e retemperar forças. E vão de barco para um lado isolado.

As pessoas percebem para onde Jesus vai e chegam lá primeiro que Ele. Ao desembarcar, Jesus vê aquela grande multidão. E o que é que faz? O que esperávamos que Ele fizesse? Talvez que pedisse um pouco de paciência e aguardassem. No entanto, Jesus compadeceu-Se de toda aquela gente, que eram como ovelhas sem pastor e prossegue ensinando-lhes muitas coisas. Também aqui a sensibilidade e a compaixão de Jesus são desafio à nossa disponibilidade. Tudo é importante. Em cada momento teremos que avaliar o que é essencial e agir em conformidade. O descanso era importante, mas há ali uma multidão faminta de descansar dos anseios, dúvidas e medos!

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Textos para a Eucaristia (ano B): Jer 23, 1-6; Sl 22 (23); Ef 2, 13-18; Mc 6, 30-34.

 

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