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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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14.06.14

Leituras: ANSELM GRÜN - Que fiz eu para merecer isto?

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ANSELM GRÜN (2007). Que fiz eu para merecer isto? A incompreensível justiça de Deus. Prior Velho: Paulinas Editora. 160 páginas.

       O sofrimento, físico, psíquico, espiritual, o sofrimento auto-infligido, ou consequência dos outros ou da natureza, é um tema por demais delicado. É precisamente aqui que o monge beneditino, alemão, Anselm Grün, reconhecido pelos seus conselhos, em palestras, livros publicados, aconselhamento espiritual, como pároco, apresenta mais uma reflexão que pretende compreender o sofrimento e dar pistas para o enfrentar, para o superar, para o aceitar, sabendo-se que cada pessoa é única e que por vezes as palavras são insuficientes para ajudar ou outras vezes são inúteis para quem passa por situações de tormenta, culpabilizando-se ou culpando os outros.

       Para os crentes há sempre uma pergunta que vem ao de cima: por quê eu? Porque é que Deus me fez isto? Sendo eu uma pessoa de bem, que vivi sempre de forma saudável, respeitando os outros, cuidando da alimentação, fazendo desporto, por que é que Deus permitiu que se manifestasse em mim esta doença?

       Embora com riscos, o autor procura mostrar que não adianta muito procurar culpados, mas vale muito levar até Deus o protesto, como fez Job, como fez Jesus, rezar-lhe as próprias mágoas, protestando contra Ele. No final, o nosso coração ficará mais preparado para aceitar a nossa fragilidade e para aceitarmos que Deus ultrapassa sempre os nossos conceitos humanos. O sofrimento pode ser oportunidade para desfazermos a imagem que temos de Deus e por outro lado para erguermos a nossa casa, a nossa vida, sobre a rocha firme que é Deus. Quando edificamos a nossa vida sobre a saúde, os bem materiais, os amigos, poderemos desembocar na desilusão, no desencanto. Edificar a nossa vida a partir de Deus, mesmo que por vezes O não entendamos, é a garantia que a nossa casa sobrevirá a todas as intempéries.

       Como em outros livros do autor que aqui já recomendámos, como Pai-nosso, uma ajuda para a vida, e A sublime Arte de envelhecer, também este lança pistas, sugestões, coloca perguntas, procura na Bíblia, na Filosofia, na Psicologia, na experiência pessoal e sacerdotal, apresentando casos concretos com os quais se deparou ao longo da vida... Sem dogmatismos, com forte confiança em Deus e na dimensão espiritual da pessoa.

       Pelo índice: respostas teológicas ao sofrimento; explicação do sofrimento pelos místicos; relação com experiências concretas de sofrimento (sofrimento provocado pelas pessoas, morte de pessoas queridas, quando o corpo ou a alma adoecem, preocupações com os filhos - homossexualidade, doença e deficiência, doença psíquica, anorexia, toxicodependência), fracasso no trabalho e nas relações (desemprego, separação e divórcio); sofrimento auto-infligido, a catástrofes naturais.

06.06.14

Leituras: ANSELM GRÜN - A sublime arte de envelhecer

mpgpadre

ANSELM GRÜN (2009). A sublime arte de envelhecer e tornar-se uma bênção para os outros. Prior Velho: Paulinas Editora, 176 páginas.

       Voltámos a sugerir um livro de Anselm Grün, o monge beneditino que é considerado um verdadeiro guia espiritual, através dos seus escritos, das conferências e seminários em que participam, refletindo a vida com as complexidades da morte, do sofrimento, do mal, da fé, da doença.

       A reflexão proposta anteriormente: PAI-NOSSO, uma ajuda para a vidaAQUI.

       Neste volume a reflexão sobre a arte de envelhecer. Embora esteja no horizonte de todas as pessoas ir envelhecendo, é necessário adaptar-se, renunciar, lidar com a perda e o sofrimento, com as limitações físicas e mentais, aprender a conviver com a própria morte e transformá-la numa dádiva de comunhão, como fez Jesus Cristo. Na morte, já nada nos separará dos outros. Somos mais iguais.

       O prefácio está a cargo do Pe. Vítor Feytor Pinto, durante muito tempo ligado diretamente às questões da Vida, toxicodependência, Sida,, cuja experiência e sabedoria lhe permitem fazer uma leitura assertiva sobre a temática presente.

       O autor, Anselm Grün, com 64 anos quando escreveu o texto, fala a partir da experiência de outros, recorrendo à filosofia e à teologia, mas também a outras áreas do saber, como a psicologia. Faz-nos, como se diz no prefácio, conhecer o pensamento de Karl Rahner, Teilhard Chardin, Romano Gurdini, Breemen, Hermann Hesse, e tanto outros. É um excelente livro para os mais velhos, mas também para os mais novos.

       O papa Francisco tem insistido na cultura da inclusão, referindo que os dois extremos, jovens e idosos, são frequentemente esquecidos. No entanto, uma sociedade que esquece o saber, a experiência e a memória dos mais velhos, é uma sociedade condenada a desaparecer.

        É precisamente nesta linha que se desenvolve o pensamento de Grün, sobre o contributo dos mais velhos, mas também, dedicando-lhe muito espaço, com os mais velhos a lidarem com as suas limitações, com a doença, com a falta de forças, renunciando ao poder, renunciando a controlar a vida por inteiro, descobrindo novos afazeres, aprendendo a sublime arte de envelhecer, a paciência, o despojamento.

       Veja-se o índice: O significado da velhice; Aceitação da própria existência (reconciliação com o passado, aceitar os seus limites, aprender a viver com a solidão); Renunciar aos bens materiais, à saúde, renunciar às relações, à sexualidade, ao poder, ao ego; Fertilidade; Envelhecer juntos; Virtudes da velhice - serenidade, paciência, mansidão, liberdade, gratidão, amor; Lidar com os medos e com a depressão; o caminho do silêncio; transcender o ego; treino para a morte.

        É mais um daqueles títulos que até pode ser provocador, mas que se lê com facilidade, pois os exemplos concretos ajudam a entrar dentro dos diversos conteúdos.

19.06.13

Cardeal Bergoglio/Papa Francisco - Só o amor nos salvará

mpgpadre

Jorge Maria Bergoglio/Papa FRANCISCO, Só o amor nos salvará. Lucerna. Cascais 2013, 160 páginas.

 

       Têm-se multiplicado as publicações sobre o atual Papa, estudos, perspetivas, recolha de textos, intervenções, mensagens.

       Eis mais uma recolha de homilias, mensagens aos sacerdotes, religiosos, leigos, à cidade e diocese de Buenos Aires, à Argentina, aos dirigentes políticos, à Igreja e à cultura, aos poderosos e a todos aqueles que nas dependências exploram pessoas.

       Desde o início do seu Pontificado tem surgido uma curiosidade em crescendo com os gestos e palavras do Papa Francisco. Independentemente das motivações editoriais, os livros sobre o Papa Francisco, ou com textos do então Cardeal, mostram a vida, o pensamento, o conteúdo, que agora se universalizam como Papa Francisco.

       São textos expressivos, revelam a fé, a experiência de um homem de Deus, a proximidade com os seus conterrâneos e com a cidade de Buenos Aires, como sacerdote, como irmão, como pastor, em diálogo com as forças vivas, na exigência da subsidiaridade para com os pais pobres. Sobrevém a Doutrina Social da Igreja, como mensagem desafiadora de interesses instalados.

       Algumas expressões são contundentes, a cultura do "caixote do lixo", idosos abandonados, como lixo, dispensáveis, descartáveis, formas encapotadas de eutanásia, deixando-se nos hospitais para morrer, com falta de assistência e medicação. Outra ideia semelhantes, os idosos como um casaco que se deixa pendurado quando não é necessário. E assim também numerosas crianças, maltratadas, abandonadas, a recolher cartão, a passar fome, a ser usadas e abusadas. Grito contra a escravatura na cidade de Buenos Aires, exploração no trabalho, tráfico de drogas mas também de pessoas.

       Numa das mensagens, sobretudo aos sacerdotes e religiosos, o então Cardeal, estava a meditar nas leituras de Domingo e sentiu um impulso de lhes escrever uma carta sobre a oração. Um dos dados que tem deixado marcas e que aprece em muitas intervenções: "rezem por mim", pedi-lhes para pedirem por mim. Rezar, chatear Deus, importuná-l'O, insistir, interceder por outros.

       Outra expressão que lhe é própria e que a ouvimos logo na primeira intervenção como Papa e referida a Bento XVI, que Jesus vos abençoe e que Marie cuide de vós. Aliás, como outros papas anteriores, a referência a Maria é constante, mas que traz como bispo e cardeal.

       Outra terminologia assumida desde o início, a Igreja não pode ser autorreferencial, há de anunciar Jesus. Cristo estava à porta a bater, para poder entrar, agora está dentro a querer sair, para o exterior, ao encontro de pessoas. A Igreja tem de ir às periferias existenciais, ao encontro das pessoas.

       Outros temas tratados por Jorge Bergoglio, o casamento de pessoas do mesmo sexo, a função do estado, a construção da Pátria, os valores, a dignidade humana...

 

Sobre esta obra e esta sugestão veja também: Fundamentos - AQUI.

04.01.12

Além das receitas - editorial da Agência Ecclesia

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Todos podemos aprender a ouvir mais atentamente a terceira idade, envolvendo-a nas paróquias

        A UE pretende desenvolver, até 2014, uma série de iniciativas/respostas ao crescente envelhecimento da sua população. A mais saliente de entre elas será a celebração do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo, que agora começa.

       Os números justificam-no claramente: “em 2060 haverá apenas uma pessoa em idade ativa (15-64) por cada pessoa com mais de 65 anos”. É, pois, evidente o desafio que daqui emerge; mas também a oportunidade de pensamento e mudança que tal comporta. Sobretudo, se tal fizer aprofundar políticas sociais e alterar preconceitos...

       Um deles é a ideia, muito assimilada, de que a vida (quase) termina no dia em que se passa à reforma. A pessoa em causa facilmente sente que perdeu status numa sociedade que considera que deixar de trabalhar é deixar de produzir e aumentar o número dos descartáveis.

       Contrariar esta mentalidade e aprender a tirar partido da vida em tais circunstâncias é uma tarefa de cada um; mas há, igualmente, que fazer ver à opinião pública o potencial dos mais idosos para o serviço à sociedade e à economia: não os afastando do mercado do trabalho e incrementando a sua participação na vida da comunidade. Concretamente, proporcionando contextos para a transmissão dos respetivos conhecimentos, que enriquecem outras gerações e salvaguardam a própria autoestima. Ao mesmo tempo, os mais idosos também se enriquecem, pois que nenhuma geração tem o monopólio do saber: cada um tem conhecimentos de que outros carecem!

       Este é um caminho a percorrer, contra o individualismo que ameaça dominar-nos e nos fecha dentro de fronteiras que os outros rotulam: de um lado, os “cotas”; do outro, os “inconscientes”. Uns e outros, porém, fechando aos demais as condições do seu (des)envolvimento pessoal e social.

       Entendo que neste ano e neste diálogo indispensável a Igreja tem muito a aportar. A começar pela prática - mostrando que, no seu seio, não há lugar para a discriminação. Pelo contrário, assumindo-se como lugar onde cada ser humano vale e é reconhecido pelo que é e não pelo que faz ou produz.

       Todos podemos aprender a ouvir mais atentamente a terceira idade, envolvendo-a nas paróquias, mediante o acolhimento dos seus dons. E o voluntariado não é o menor dos espaços de participação, sendo que a imaginação e a sensibilidade pastoral saberão encontrar outros ministérios.

       Comecemos por deixar intervir, contrariando a tentação de manter ou desejar idosos passivos ou como meros e mais frequentes fregueses da Missa e outros sacramentos...

       A este propósito encontrei citado, acho que apropriadamente, o Salmo 92 “Os que estão plantados na casa do Senhor florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e vigorosos para anunciar que o Senhor é reto”.

       Amá-los e respeitá-los é muitíssimo mais que ter saudades dos contos do avô ou das receitas da avozinha!

 

João Aguiar Campos, Editorial da Agência Ecclesia.

 

16.12.10

Contra quem lutámos? Contra nós...

mpgpadre

       O velhote já tinha todas as rugas do tempo, quando o encontrei pela primeira vez. Queixava-se de que tinha muito a fazer.

       - Contra quem lutamos? Perguntei-lhe.Como era possível, que em sua solidão, tivesse tanto trabalho...

       - Tenho que domar dois falcões, treinar duas águias, manter quietos dois coelhos, vigiar uma serpente, carregar um asno e dominar um leão! – disse ele.

       - Não vejo nenhum animal perto do local onde vives.

       - Onde eles estão?

       Ele então explicou: - Estes animais, todos os Homens têm!

  • Os dois falcões lançam-se sobre tudo o que aparece, seja bom ou mau. Tenho que domá-los para que se fixem sobre uma boa presa. São meus olhos!
  • As duas águias, ferem e destroçam com suas garras. Tenho que treiná-las para que sejam úteis e ajudem sem ferir. São as minhas mãos!
  • Os dois coelhos, querem ir aonde lhes agrada. Fugindo dos demais e esquivando-se das dificuldades... Tenho que ensinar-lhes a ficarem quietos, mesmo que seja penoso, problemático ou desagradável. São meus pés!
  • O mais difícil é vigiar a serpente. Apesar de estar presa numa jaula de 32 barras, mal se abre a jaula, está sempre pronta para morder e envenenar os que a rodeiam. Se não a vigio de perto, causa danos. É a minha língua!
  • O burro é muito obstinado, não quer cumprir com suas obrigações. Alega estar cansado e se recusa a transportar a carga de cada dia. É meu corpo!
  • Finalmente, preciso dominar o leão... Ele quer ser sempre o rei, o mais importante. É vaidoso e orgulhoso. É o meu coração!

 

Autor Desconhecido, postado a partir de CARITAS in VERITATE

09.02.10

Tornei-me invisível

mpgpadre

       Já não sei em que data estamos. Lá em casa não há calendários e na minha memória as datas estão todas misturadas.

       Me recordo daquelas folhinhas grandes, uns primores, ilustradas com imagens dos santos que colocávamos no lado da penteadeira. Já não há nada disso.

       Todas as coisas antigas foram desaparecendo. E sem que ninguém desse conta, eu me fui apagando também...

       Primeiro me trocaram de quarto, pois a família cresceu. Depois me passaram para outro menor ainda com a companhia de minhas bisnetas.

       Agora ocupo um recanto, que está no pátio de trás. Prometeram trocar o vidro quebrado da janela, porém se esqueceram, e todas as noites por ali circula um ar gelado que aumenta minhas dores reumáticas.

       Mas tudo bem... Desde há muito tempo tinha intenção de escrever, porém passava semanas procurando um lápis. E quando o encontrava, eu mesma voltava a esquecer onde o tinha posto. Na minha idade as coisas se perdem facilmente: claro, não é uma enfermidade delas, das coisas, porque estou segura de tê-las, porém sempre desaparecem.

       Noutra tarde dei-me conta que minha voz também tinha desaparecido. Quando eu falo com meus netos ou com meus filhos não me respondem.

       Todos falam sem me olhar, como se eu não estivesse com eles, escutando atenta o que dizem. As vezes intervenho na conversação, segura de que o que vou lhes dizer não ocorrera a nenhum deles, e de que lhes vai ser de grande utilidade.

       Porém não me ouvem, não me olham, não me respondem. Então cheia de tristeza me retiro para meu quarto e vou beber minha xícara de café. E faço assim, de propósito, para que compreendam que estou aborrecida, para que se dêem conta que me entristecem e venham buscar-me e me peçam perdão …

       Porém ninguém vem... Quando meu genro ficou doente, pensei ter a oportunidade de ser-lhe útil, lhe levei um chá especial que eu mesma preparei. Coloquei-o na mesinha e me sentei a esperar que o tomasse, só que ele estava vendo televisão e nem um só movimento me indicou que se dera conta da minha presença. O chá pouco a pouco foi esfriando… e junto com ele, meu coração... Então noutro dia lhes disse que quando eu morresse todos iriam se arrepender. Meu neto menor disse: “Ainda estás viva vovó? “.

       Eles acharam tanta graça, que não pararam de rir. Três dias estive chorando no meu quarto, até que numa manhã entrou um dos rapazes para retirar umas rodas velhas e nem o bom dia me deu.

       Foi então quando me convenci de que sou invisível... Parei no meio da sala para ver, se me tornando um estorvo me olhavam.

       Porém minha filha seguiu varrendo sem me tocar, os meninos correram em minha volta, de um lado para o outro, sem tropeçar em mim.

       Um dia se agitaram os meninos, e me vieram dizer que no dia seguinte nós iríamos todos passar um dia no campo. Fiquei muito contente.

       Fazia tanto tempo que não saía e mais ainda ia ao campo! No sábado fui a primeira a levantar-me.

       Quis arrumar as coisas com calma. Nós os velhos tardamos muito em fazer qualquer coisa, assim que adiantei meu tempo para não atrasá-los. Rápido entravam e saíam da casa correndo e levavam as bolsas e brinquedos para o carro.

       Eu já estava pronta e muito alegre, permaneci na entrada a esperá-los. Quando me dei conta eles já tinham partido e o carro desapareceu envolto em algazarra, compreendi que eu não estava convidada, talvez porque não coubesse no carro. Ou porque meus passos tão lentos impediriam que todos os demais caminhassem a seu gosto pelo bosque. Senti claro como meu coração se encolheu e a minha face ficou tremendo como quando a gente tem que engolir a vontade de chorar. Eu os entendo, eles vivem o mundo deles.

       Riem, gritam, sonham, choram, se abraçam, se beijam. E eu, já nem sinto mais o gosto de um beijo. Antes beijava os pequeninos, era um prazer enorme tê-los em meus braços, como se fossem meus. Sentia sua pele tenrinha e sua respiração doce bem perto de mim. A vida nova me produzia um alento e até me dava vontade de cantar canções que nunca acreditara me lembrar. Porém um dia minha neta Laura, que acabava de ter um bebé disse que não era bom que os anciãos beijassem aos bebés, por questões de saúde...

       Desde então já não me aproximo deles, não lhes quero passar algo mau por minhas imprudências. Tenho tanto medo de contagiá-los! Eu os bendigo a todos e lhes perdoo, porque...

QUE CULPA TÊM ELES DE EU ME TER TORNADO INVISÍVEL?

 

Hamilton Slide, postado a partir do nosso Caritas in Veritate.

 

27.11.09

Quero um AMOR assim!

mpgpadre

       Um homem de idade já bem avançada veio à clínica onde trabalho, para fazer curativo a uma mão ferida.

       Estava apressado, dizendo-se atrasado para um compromisso, e enquanto o tratava perguntei-lhe qual o motivo da pressa.

 

      

       Ele disse-me que precisava ir a um lar de idosos para, como sempre, tomar o café da manhã com a sua mulher que estava lá internada...

       Disse-me que ela já lá estava há algum tempo, porque tinha Alzheimer bastante avançado.

       Enquanto acabava de fazer o curativo, perguntei-lhe se ela não se alarmaria, por ele chegar mais tarde.

       - Não, disse. Ela já não sabe quem eu sou. Faz quase cinco anos que não me reconhece.

       Estranhando, perguntei-lhe:

       - Mas se ela já não sabe quem o senhor é, porque essa necessidade de estar com ela todas as manhãs?

       Ele sorriu e dando-me uma palmadinha na mão, disse:

       - É. Ela não sabe quem eu sou, mas eu contudo sei quem ela é

       Meus olhos lacrimejaram enquanto ele saía e eu pensei:

       "Essa é a classe de amor que eu quero para a minha vida."

       O verdadeiro amor não se reduz ao físico, nem ao romântico. O verdadeiro amor é a aceitação de tudo o que o outro é, do que foi, do que será e... do que já não é..."

 

(Traduzido de um texto espanhol, de autor desconhecido).

Postado no blogue: Caritas in Veritate.

24.11.09

Uma pesada mala...

mpgpadre

       A meio caminho da cantina e do hospital cruza-se comigo um casal de idosos, que deviam rondar a oitava década de vida, que vinha do IPO. Um pouco ofegantes, a mulher pergunta-me qual era o caminho mais próximo para a paragem dos autocarros. Bem, conheço aquela zona relativamente bem e disse-lhe que havia duas. O melhor caminho dependeria do destinos que eles quisessem tomar. Depois de oxigenar melhor os pulmões diz o senhor:

 

      

       - Ó jovem nós queremos a carreira que vai para Bragança... - e com um olhar já cabisbaixo acrescenta -  ... "e tá quase na hora!".

       Para de uma longa avenida, para gente daquela idade, ainda tinham de subir umas escadas... com a pesada e enorme mala. Dois seres da natureza transmontana perdidos no outono na capital do norte correndo, ou melhor, andando para apanhar o autocarro.

Não consegui ficar indiferente. Para além de lhes ter indicado o caminho mais rápido, vi que a mala era um atrelado e atraso para eles. Pedi-lhes licença e peguei na mala. Subi as escadas. Enquanto subia a escadas diz o senhor "quando eu for jovem depois carrego eu a sua mala... quando você for velho!" - com um sorriso que invadio a minha pessoa. E, eu "combinado, caro amigo" - e sorri. Lá continuaram a sua correria...
       Parte do trajecto complicado estava jeito. Não obstante, gostaria ter levado aquela mala ao simpático casal ate ao autocarro. Por questões de ordem profissional não o pude fazer.

       Espero que tenham apanhado o autocarro!

 

A partir do blogue: Paróquia de Tarouca.

Blogue original: Momentos de Partilha.

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