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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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05.10.19

Se tivésseis fé como um grão de mostarda

mpgpadre

1 – Os Apóstolos fazem um pedido – aumenta  a nossa fé – e Jesus revela que a fé é também um caminho: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia». Um horizonte, um ideal. Mas, antes de tudo, é dom e como tal fazem bem os apóstolos em pedir que a sua fé seja aumentada. E faremos bem em rezar a fé, em pedi-la a Deus. Se é dom depende, antes de mais, de Quem a dá.

Todo o dom precisa de ser acolhido! A dádiva é divina. O acolhimento, a aceitação terá de ser nossa, minha e tua, depende da nossa vontade e, depois, é necessário darmos os passos para que a fé se entranhe, amadureça e nos transforme a partir de dentro.

O dom efetiva-se na partilha, multiplicando-se pelos outros. O que guardamos para nós, morre, e não podemos guardar o que não é nosso. O dom (da fé) foi-nos dado para nos iluminar, e às nossas opções, mas precisa tanto de ser acolhido como oferecido. Jesus é dom dado pelo Pai à humanidade para a todos salvar.

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2 – Jesus deixa de falar em fé e fala em serviço. A reflexão é importante, clarifica as escolhas e ajusta as opções. As palavras são importantes, dizem-nos, ajudam-nos a comunicar com os outros, expressam o que sentimos… Mas se ficarmos pela reflexão... se ficarmos pelas palavras... perdemos o comboio da vida, a carícia e o abraço, e a ajuda aos outros. A fé, parafraseando o Papa Francisco, trabalha-se artesanalmente!

«Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele voltar do campo: ‘Vem depressa sentar-te à mesa’? Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, até que eu tenha comido e bebido. Depois comerás e beberás tu’? Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou? Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer’».

Servir e cuidar dos outros não é uma opção que façamos quando nos agrada ou quando gostamos da pessoa, é uma obrigação, uma missão. Acreditar em Jesus implica segui-l'O e querer o que Ele quer, fazer como Ele faz, gastar-se, como Ele, inteiramente pelos outros.

 

3 – São Paulo interpela Timóteo para que este molde a fé com a caridade. "Exorto-te a que reanimes o dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de caridade e moderação".

A fé não nos livra das adversidades. Na carta encíclica A Luz da Fé, escrita a quatro mãos, por Bento XVI e Francisco, há uma passagem que nos diz que “a fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho... o serviço da fé ao bem comum é sempre serviço de esperança que nos faz olhar em frente, sabendo que só a partir de Deus, do futuro que vem de Jesus ressuscitado, é que a nossa sociedade pode encontrar alicerces sólidos e duradouros”.

Visualiza-se nesta expressão papal a estreita ligação da fé com a vida. A fé dilata o nosso coração, faz-nos perceber que não estamos sós, não somos ilhas isoladas.

São Paulo alerta para as dificuldades do caminho. Sermos discípulos de Jesus não nos livra da provação. "Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor, nem te envergonhes de mim, seu prisioneiro. Mas sofre comigo pelo Evangelho, confiando no poder de Deus. Toma como norma as sãs palavras que me ouviste, segundo a fé e a caridade que temos em Jesus Cristo. Guarda a boa doutrina que nos foi confiada, com o auxílio do Espírito Santo.

Em tudo a confiança em Deus, a certeza que também na adversidade Deus Se faz presente, concedendo as forças para prosseguir e para testemunhar a Boa Nova. Em vez dos queixumes, a gratidão. Na perseguição e na prisão, Paulo não se resignou, continuou a evangelizar, a dar testemunho do Evangelho.

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Textos para a Eucaristia (ano C):  Hab 1, 2-3; 2, 2-4; Sl 94 (95); 2 Tim 1, 6-8. 13-14; Lc 17, 5-10

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço.

22.09.19

Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas

mpgpadre

1 – «Senhor, que fizestes consistir a plenitude da lei no vosso amor e no amor do próximo, dai-nos a graça de cumprirmos este duplo mandamento, para alcançarmos a vida eterna». A oração inicial da Eucaristia coleta-nos no mesmo propósito. A vida eterna tem as portas escancaradas pelo nosso amor a Deus, antes e acima de outros amores, e ao próximo como a nós mesmos, melhor, ao jeito de Jesus que ama dando-nos a Sua vida por inteiro.

Jesus dá-nos pistas que nos sincronizam com a vida eterna. Perceber-se-á que esta não se inicia no momento da morte, mas na vida presente. Não chegamos à meta se antes não dermos os passos que precisamos para lá chegar ou se nem sequer soubermos qual o caminho ou a direção que havemos tomar.

Aos discípulos daquele tempo, e a nós, discípulos deste tempo, Jesus conta a parábola do administrador infiel, vincando a sua esperteza. O patrão pede-lhe contas da administração, pois chegou-lhe aos ouvidos que andava a desperdiçar bens, pelo que o desenlace será o seu despedimento. Rapidamente o administrador lança contas à vida sobre o que sucederá, já que não tem forças para trabalhar e não quer sujeitar-se à mendicidade. Antes da demissão, e para que alguém o receba em sua casa, chama os devedores do seu senhor e reduz-lhes substancialmente a dívida. O seu senhor elogiou a sagacidade do administrador, apesar da sua desonestidade.

E, por sua vez, Jesus propõe-no como exemplo a seguir, não pela sua desonestidade, mas pela forma de lidar com o próximo.

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2 – "Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas". O Administrador desonesto assegura de forma criativa e inteligente o seu futuro, usando o seu cargo. Dizem os entendidos, que o perdão da dívida significou a perda do seu rendimento e não do seu senhor, abdicou da comissão sobre a venda, lucro imediato, para garantir o futuro.

É isso que devemos fazer, segundo Jesus, usar os recursos que temos para assegurar o futuro, para que aqueles que tratamos com bondade, possam acolher-nos na vida eterna. São estes os passos que temos que dar: tratar com fidalguia o nosso semelhante!

Então a vida eterna é conquistada pelo nosso empenho em fazermos o bem, tornar-nos próximos dos outros, ajudando-os, amando-os e servindo-os? A resposta encontramo-la nas palavras e na vida de Jesus: a ligação, a intimidade e a proximidade com Deus (Pai), faz-nos irmãos dos outros. Assim com Jesus, assim connosco. É essa a plenitude da Lei que nos faz cidadãos do Céu. A fé em Jesus salva-nos do egoísmo e da morte. O mistério da sua morte e ressurreição torna-nos novas criaturas. Cabe-nos seguir a engrenagem da fé…

 

3 – Através das parábolas, não sendo invasivo, Jesus respeita as nossas opções, faz-nos sentir intervenientes em cada uma das histórias que nos apresenta e deixa que façamos as nossas escolhas, permitindo-nos, porém, entrever o caminho para O seguirmos.

A prioridade, clarividente, é cuidar do próximo. Para que não haja mal-entendidos, logo Jesus nos diz que a desonestidade não é o caminho dos discípulos. Há que saber lidar com o dinheiro, com os bens, de forma justa e honesta, no pouco e no muito, "Quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas também é injusto nas grandes. Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem?"

Fica também vincada a relação entre a fé e a vida do dia-a-dia: não são separáveis. Não se é cristão apenas na oração, no espaço sagrado dos templos, mas na gestão do bolso, do dinheiro, dos bens que se adquirem, se herdam, se possuem. Como costuma dizer o Papa Francisco, o diabo entra pelo bolso. Pecadores, sim; corruptos, não. A fé não nos encerra na oração nem na Igreja, insere-nos no nosso mundo. E, do mesmo modo, não deixámos a vida quotidiana, o que somos e fazemos, à porta da Igreja. Não. A vida, os nossos sonhos e projetos, os nossos méritos e os nossos fracassos, seguem-nos na oração que nos coloca diante de Deus e em comunhão com os que estão no mesmo barco, com as suas realizações e com os seus pecados.

A precedência, a prioridade e a exclusividade há de ser para Deus. «Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedica a um e despreza o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro». Quem não tem preferências fica-se nas encruzilhadas, a meio caminho, incapaz de fazer opções. A opção por Deus implica-nos com a Sua vontade.

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Textos para a Eucaristia (ano C):  Am 8, 4-7; Sal 112 (113); 1 Tim 2, 1-8; Lc 16, 1-13.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço.

14.09.19

Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa...

mpgpadre

1 – O amor é a maior força que existe no ser humano. Melhor, é a força divina que nos habita! Por amor, Deus criou-nos e por amor nos desafia a viver na alegria e na abundância. Sem amor, a vida humana não existiria, pois é o amor que nos une, nos aproxima, nos humaniza. A falta de amor, ao invés, desumaniza-nos, desagrega-nos, desfamiliariza-nos.

 

2 – O amor de Deus não tem limites, não faz aceção de pessoas. Isso mesmo nos mostra Jesus que privilegia os excluídos, os pequenos, os pobres; alegra-se com os retornados à vida, pródigos de amor e de perdão, a precisarem de um olhar, um abraço, um colo!

Jesus não exclui ninguém, optando prevalentemente por se aproximar dos excluídos. Preferir não é excluir. Não são os sãos que precisam de médico! O filho do Homem veio para os pecadores, para os que estavam perdidos! São estes que precisam de cura.

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3 – Para responder às murmurações, Jesus conta-lhes uma parábola (que se desdobra em três). Vale a pena ler e reler cada uma das parábolas. A primeira salienta a alegria do Bom Pastor por reencontrar a ovelha perdida: «Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar?».

A segunda expressa a felicidade, que se converte em festa, da mulher que encontra a moeda perdida: «Qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e tendo perdido uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente a moeda até a encontrar?».

E Jesus conclui dizendo que «haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento».

 

4 – A terceira das parábolas é das mais expressivas: um Pai tem dois filhos, a quem dá tudo, tempo, carinho e bens!

O mais novo conclui que é tempo de abalar e experimentar novas coisas, conhecer outros mundos, encontrar outras pessoas. Sai de casa e cedo esbanja os seus bens, perdendo-se numa vida dissoluta. Os novos amigos são-no enquanto tem dinheiro, deixam de o ser quando ele precisa de ajuda. Após tantos contratempos e adversidades percebe que a felicidade que procurava afinal esteve sempre em casa do Pai. E regressa, pedindo perdão, reconhecendo que nem merece ser tratado por filho, tal foi o desplante em desejar a morte ao pai (a herança recebe-se por morte dos progenitores).

A figura do Pai ocupa toda a parábola e "justifica" a postura de Jesus, transparecendo a misericórdia de Deus que age como Pai, com amor de Mãe. Se olharmos para cada pormenor da parábola talvez nos faça espécie a benevolência paterna e a safadeza do filho mais novo que, aparentemente, é recompensado pelo seu atrevimento. É precisamente isso que o filho mais velho faz sentir ao Pai: esse teu filho consumiu os teus bens com mulheres de má vida e tu faz-lhe uma festa, matando o vitelo gordo? Como vemos, o filho mais velho reconhece-se filho, mas não reconhece o irmão. Para ele, o irmão morreu, desapareceu, fugiu, não é justo readquirir o estatuto de filho!

Se o nosso olhar for o do Pai então valorizaremos a vida e a felicidade dos filhos, dos nossos irmãos, e, consequentemente, deixaremos de nos fixar nos erros, nos pecados, nas injustiças! Não é fácil! Em nós prevalece sobretudo a consciência da justiça, da verdade e do meritório.

O mérito deve ser compensado! Mas sem negar tudo isso, Jesus desafia-nos a revestirmos todas as nossas escolhas com a misericórdia de Deus. São os pecadores que precisam de amor! São os doentes que precisam de aconchego! São os pródigos que precisam de abraços! Mas o amor do Pai, o carinho da Mãe, não é divisível, chega para um, dois, três, cem filhos. Dá-se a cada um totalmente! A injustiça é superada pelo amor, pela alegria e pela festa. Tenho a impressão que esta parábola só será bem compreendida por aqueles que são pais, e melhor pelas mães. Se um filho estiver doente vai merecer toda a atenção, cuidado, toda a disponibilidade materna/paterna... e outros filhos vão sentir-se (um pouco) excluídos e até quererão ficar doentes para receberem o mesmo tratamento fidalgo!

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Textos para a Eucaristia (ano C): Ex 32, 7-11. 13-14; Sl 50 (51); 1 Tim 1, 12-17; Lc 15, 1-32.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço.

07.09.19

Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo

mpgpadre

1 – Preferir não é excluir. Quem não tem preferências, não tem gostos, não tem paixões, fica sempre nas encruzilhadas, não é capaz de fazer opções.

Quem não tem um amor único, raramente tem um único amor! Por outras palavras, quem não ama no concreto, não tendo um amor fundante, dificilmente saberá o que é amar. Posso amar o mundo inteiro, mas se não sei lidar, cuidar, acarinhar quem está perto, estarei apenas fixado no mundo das palavras e não da vida. Difícil não é ter muitos amores, difícil é optar por um amor, único e exclusivo. No tempo que vivemos, há uma enorme dificuldade em assumir compromissos para a vida, mais ou menos definitivos. Assusta-nos o que nos humaniza e engrandece: o amor primeiro e único – Deus.

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2 – A Igreja celebra hoje o nascimento da Virgem Santa Maria. Desde o seio materno Ela foi escolhida (e preparada) para ser a Mãe do Filho de Deus. Porém, Deus espera por Ela e pela resposta livre ao chamamento que lhe faz. Maria é exemplo como o amor único, Deus, redundará na preocupação constante pela humanidade, concretizável na visitação, nas bodas de Canaã, na Cruz, no seio da comunidade nascente, em espera orante pelo Ressuscitado.

Junto à Cruz de Jesus está Maria, Sua Mãe, e o discípulo amado. Jesus volta-Se e dá-nos Maria por Mãe: eis a tua mãe. E a Maria nos entrega como filhos: eis o teu filho. A maternidade de Maria é carnal, gera Cristo, mas o seu amor de Mãe amadurece e estende-se à humanidade, tornando-se Mãe espiritual de cada um de nós. A unicidade do amor de Maria multiplicar-se-á pela humanidade.

Só uma mãe (ou futura mãe) será capaz de perceber o que significará a preocupação constante pelo bem estar do(s) filho(s) e a possibilidade de o(s) perder.

Mas também a Encarnação de Deus implica que o universal se concretize e realize na história. Por amor, só por amor, Deus Se "desdobra" para salvar a humanidade, encarnando, assumindo-nos, fazendo-Se um de nós, para nos impelir a fazer parte da Sua vida.

 

3 – Há uma multidão que segue Jesus, mas que ainda não é comunidade, é um seguimento geográfico, provisório e/ou por curiosidade. «Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo».

Jesus sublinha claramente a preferência, a precedência e a prioridade do seguimento. Quem não se dispuser a gastar a vida, a segui-l'O, com a cruz de todos os dias, a vida por inteiro, com os seus sonhos e com as suas dores, não pode ser Seu discípulo. Segui-l'O provisoriamente, quando dá jeito, quando as coisas correm bem, quando há tempo (cronológico) disponível, não se coaduna com o discipulado. O discípulo segue o Mestre com o intuito de O imitar, decalcando os Seus passos, o Seu jeito de amar e de servir. Ora, já o sabemos de cor(ação): Jesus dá-Se totalmente, um único amor, pela humanidade, gastando-Se por inteiro, sem reservas nem condições! Entenda-se: a Sua prioridade, a precedência, é o amor do Pai, o amor ao Pai. É o amor maior, o amor único. Eu vim para fazer a vontade d'Aquele que Me enviou, o Meu alimento é fazer a vontade de Meu Pai.

Amar Jesus implicará amar os que Ele ama e agir como Ele (isso é o que significa ser discípulos). Fixarmos o nosso coração em Deus, como preferência e prioridade, é a melhor garantia do cuidado e do serviço (desinteressado, quanto possível) aos outros, também à família, com a "agravante" de não podermos guardar nada para nós. A prioridade por Deus leva à radicalidade pelos outros, pois essa é a prioridade de Deus.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Sab 9, 13-19; Sl 89 (90); Flm 9b-10. 12-17; Lc 14, 25-33.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço.

08.06.19

Recebei o Espírito Santo...

mpgpadre

1 – Jesus cumpre a Sua promessa. E o último momento desse comprometimento ainda acontece nos nossos dias: Ele estará connosco. Sempre que nos reunimos em Seu nome. De cada vez que fazemos o bem ao mais pequeno dos irmãos. Quando e sempre que assumimos a nossa pertença à Igreja, Seu Corpo, do qual somos membros, e deixamos que a Sua graça nos acaricie o coração, para que uma vez redimidos, possamos transparecer aos outros o Seu amor.

Eu vou partir, mas não vos deixarei órfãos. Vou preparar-vos um lugar, em casa de Meu Pai, há muitas moradas, para que onde Eu estiver vós estejais também. Por ora ficareis tristes, mas então a vossa tristeza converter-se-á em alegria, duradoura, que ninguém vos poderá tirar. É bom que Eu vá, para vos enviar o Espírito Santo, o Paráclito, o Consolador. Ele vos revelará toda a verdade. Não precisais de preparar a vossa defesa, o Espírito Santo inspirar-vos-á o que haveis de dizer! Não tenhais medo. Eu estarei convosco até ao fim dos tempos.

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2 – Ele dá-nos o Espírito Santo em abundância, mas como sói dizer-se, com o poder vem a responsabilidade. No Evangelho de São João, a dádiva do Espírito Santo acontece ao domingo, naquele domingo, o primeiro dia da semana. Jesus regressa, como prometido, e regressa colocando-Se no MEIO deles. Independentemente das portas e janelas fechadas, dos muros e das paredes, Jesus vem para nos ligar a partir do centro. Ele está ao meio.

A mensagem já a conhecemos: a paz! A paz que Ele nos deixa, uma paz que é cozinhada pelo amor, revestida de perdão, de serviço e do cuidado ao semelhante; a paz que nos faz querer ser como Ele, apostando na ternura e na compaixão, e na proximidade aos mais frágeis. Paz que se constrói a partir de dentro, a partir do coração, a partir de cada um de nós. A paz entre nós será possível quando e sempre que estivermos reconciliados connosco, com a nossa identidade e a nossa pertença. Não esqueçamos, pertencemos uns aos outros. A nossa identidade irmana-nos a Jesus, porque assim Ele o quis, e irmana-nos aos outros, onde Ele Se esconde e onde O poderemos encontrar.

«Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Jesus não Se apresenta só, mas com o Pai (e com o Espírito Santo). É em Nome do Pai que anuncia e realiza prodígios. Eu e o Pai somos Um. A nossa vocação, discipulado e missão decorrem desta comunhão trinitária. Somos enxertados em Jesus Cristo, no batismo, pela ação do Espírito Santo. E, por conseguinte, somos discípulos missionários, não por autorrecreação, mas na dependência estreita com Jesus. Quando esquecermos esta ligação, seremos como ramos decepados (cortados da cepa) que logo secam e só servirão para queimar.

 

3 – E se o chamamento vem de Deus, então a missão levar-nos-á a anunciar a vontade, a vida e a Palavra de Deus. Não nos anunciamos. Anunciamos Aquele que nos chama e nos envia. E como sabermos qual a vontade de Deus? Com as nossas limitações e fragilidade?

Olhemos para Jesus, para a Sua vida, e para a Sua entrega a favor de todos, especialmente dos pobres, dos despojados, dos pequeninos! E como Ele faz, façamos nós também. Eu que Sou Mestre e Senhor, lavei-vos os pés, para que, assim como Eu vos fiz, o façais uns aos outros. «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

A ternura, a compaixão e o perdão, a bondade, a delicadeza, o amor e a proximidade são a marca de Jesus que passa pelo mundo fazendo o bem. A marca de Jesus será a marca obrigatória dos Seus discípulos, dos cristãos, a marca da minha e da tua vida.

A oração convoca-nos para este caminho de santificação, acolhendo, desenvolvendo e partilhando os dons que Deus nos dá: «Deus do universo, que no mistério do Pentecostes santificais a Igreja dispersa entre todos os povos e nações, derramai sobre a terra os dons do Espírito Santo, de modo que também hoje se renovem nos corações dos fiéis os prodígios realizados nos primórdios da pregação do Evangelho».

A oração compromete-nos na realização daquilo que pedimos a Deus.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Atos 2, 1-11; Sl 103 (104); 1 Cor 12, 3b-7. 12-13; Jo 20, 19-23.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

01.06.19

Elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos.

mpgpadre

1 – A Ascensão do Senhor sublinha que a missão de Jesus conta connosco.

Jesus parte para o Pai sem nos deixar! Como é que isso é possível? Através do Espírito Santo. Encarnando, Jesus sujeita-Se à finitude, a fragilidade e às limitações humanas. Se está em Tabuaço, não pode estar em Penude. Se nasceu no ano 2000 não vai estar no mundo daqui a mil anos! Se não comesse e não bebesse, Jesus acabaria por morrer por inanição, como qualquer mortal.

A partida de alguém que estimamos gera desconforto, tristeza, incerteza. Há hoje muitas formas de atenuar a distância física, e obrigamo-nos a acreditar e a fazer acreditar os outros que nada muda, tudo permanece como antes, basta telefonar, fazer uma videochamada! Mas não é a mesma coisa. Nós sabemos isso. Olhar para um ecrã não é a mesma coisa que olhar olhos nos olhos a meio metro de distância. E ficará a faltar o beijo, o abraço, a carícia, o odor que nos liga, o tato da pele na pele do outro.

Quando a partida é provisória, começam a fazer-se contas aos dias que ficam a faltar para o regresso. Alimenta-nos mais a certeza do regresso, do encontro e da festa, do que a distância, e esta justifica-se pela necessidade. Problema maior é quando a partida é definitiva, para sempre, ou porque as condições e as opções de vida o exigem, ou por morte (e aqui o definitivo tem um carácter avassalador).

A partida de Jesus é definitiva! Previamente o anuncia, mas também a promessa do Seu regresso. Não um regresso ao "antes", físico, mas a partir de Deus, pela ação do Espírito Santo. Ele dá-nos, envia-nos de junto do Pai, o Espírito Santo.

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2 – "Vós sois testemunhas destas coisas". Ontem eles, hoje nós, discípulos missionários deste tempo, 2019, onde nos encontramos, na família, nos estudos, no trabalho, na festa como no luto, de manhã ou ao entardecer do dia e da vida. Somos testemunhas da Boa Notícia que nos é revelada em plenitude por Jesus Cristo e no Seu mistério de entrega e oblação. Ele entregou-Se inteiramente por nós.

O discípulo segue as peugadas do Mestre. «Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém».

Vendo a vida de Jesus, podemos antecipar como será a nossa vida uma vez a Ele convertidos. Se Ele, qual manso Cordeiro, foi injustiçado, perseguido, maltratado, morto, como não o seremos nós também se ousarmos persistir na verdade, no amor e no serviço?!

Mas não há que temer. «Eu vos enviarei Aquele que foi prometido por meu Pai… Recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas até aos confins da terra».

 

3 – Não nos ocupemos em saber os tempos, comprometamo-nos a evangelizar todas as situações. «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade».

Na Galileia, Jesus encontra-Se com os discípulos, sempre O podemos encontrar, e "elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos". Os discípulos ficam estupefactos. Não querem ainda acreditar que Jesus já não está fisicamente entre eles! Foi tão pouco tempo! Um instante! Três anos preenchidos de bondade, compaixão, de serviço aos mais pobres, de anúncio permanente do Evangelho. Um instante e logo Jesus é preso, acusado de malfeitor e é crucificado. Um instante! Jesus volta, ressuscitado, com as marcas da paixão, o amor levado até ao fim e mostra-lhes que estará no meio deles, mas de uma forma totalmente nova, pelo Espírito Santo, já não limitado pelo tempo ou pelo espaço. Estará ao alcance de todos.

Num misto de alegria e de tristeza, veem-n´O partir. Não há lugar ao engano ou ao faz-de-conta, Jesus afasta-Se em direção ao Pai. Sabemos onde Ele Se encontra! À direita do Pai. E, por conseguinte, o nosso olhar terá de ser peregrino do Céu, a nossa pátria verdadeira, mas com os pés bem assentes neste mundo: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu». Cidadãos do Céu, mas comprometidos no anúncio do Evangelho, na transformação do mundo que Deus nos dá como morada provisória, mas ainda assim para a tornarmos bela, cuidada, fazendo-a nossa casa, a minha e a tua casa, lugar em que nos encontramos, nos descobrimos e nos tratamos como irmãos.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Atos 1, 1-11; Sl 46 (47); Ef 1, 17-23; Lc 24, 46-53.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

 

24.05.19

Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz... Não se perturbe nem se intimide o vosso coração.

mpgpadre

1 – «Concedei-nos, Deus omnipotente, a graça de viver dignamente estes dias de alegria em honra de Cristo ressuscitado, de modo que a nossa vida corresponda sempre aos mistérios que celebramos». A primeira oração da Santa Missa faz-nos desejar que a nossa vida expresse a alegria da nossa fé em Cristo Ressuscitado e, ao mesmo tempo, nos comprometa na fidelidade Àquele que celebramos.

Jesus diz-nos como sermos seus discípulos e mostrar que O amamos verdadeiramente: «Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou».

Em Jesus, a Palavra é Vida, é Pessoa, é Ele mesmo, encarnado, historicamente visível pelo que diz e pelo que faz. As palavras e as obras expressem-n'O, mostram-n'O, tornam-n'O próximo.

Temos clara consciência que a palavra que não tem consequências, não gera compromissos, não conduz à vida, não envolve a nossa história concreta, é uma palavra que se converte em ruído! Temos consciência que as promessas e as juras valem quando se tornam visíveis. A palavra de honra que nos humanizava (e deveria humanizar) apresenta-se hoje sob suspeita. Sim acredito, mas qual Tomé, quando vir com estes olhos que a terra há de comer!

E também nós sabemos: amamos verdadeiramente alguém quando o escutámos, o perscrutamos, e procurámos que as suas palavras nos alimentem e nos façam agir em conformidade.

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2 – A garantia de Jesus é válida para hoje e para sempre. A promessa e a certeza baseiam-se na ligação ao Pai e ao Espírito Santo. «Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis».

A palavra é poder. O conhecimento é poder que muitos usam para singrarem por cima e além dos outros. A transparência cria laços que nos aproximam, que nos tornam vulneráveis (no bom sentido, predispostos a acolher o que vem do outro e festejar a vida do nosso semelhante), que nos humanizam. A opacidade afasta-nos dos outros e cria barreiras, ruturas, contradições, desumaniza-nos, tornando-nos prepotentes, assumindo uma assustadora sobranceria que nos endeusa. Alguns guardam zelosamente conhecimentos, porque dessa forma podem manipular, chantagear e espezinhar os outros.

A postura de Jesus é um desafio e um estímulo à transparência, à delicadeza e à partilha da vida, também do que temos, conhecimentos e cultura. Só assim nos enriquecemos! O que partilhamos multiplica-se, o que guardamos perde-se, acabará por "enferrujar".

 

3 – «Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu».

A confiança gera alegria e pacificação; a desconfiança gera medo e irritação. Para a confiança, a transparência é fundamental. Ninguém confia numa pessoa opaca, cujo olhar e expressão denotam reserva, fechamento e antipatia. Jesus apresenta-Se como É, frágil e vulnerável, próximo, humano, procurando explicar tudo aos seus amigos, desafiando-os a darem sempre mais de si mesmos, envolvendo-os no caminho, dando-lhes as ferramentas necessárias para quando fisicamente estiver ausente. Alerta-os para os perigos, para o que hão de encontrar, mas afiançando-lhes que não os abandonará. Não doura a pílula! Podem, e podemos contar sempre com Ele, mas nem por isso as dificuldades e contratempos deixarão de surgir.

«Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração». A paz que nos comunica vem de antes, vem do Céu, vem do Pai, para o Qual regressa sem nos deixar. Deus, na Sua infinita Sabedoria tornou-Se tão presente que Se misturou connosco, sendo um de nós, em Jesus Cristo. Como um de nós, também Ele se submete à fragilidade e à finitude do tempo. Porém, antes que tal aconteça, prepara esse tempo que há de chegar, com a promessa e a garantia que virá, que estará connosco até ao fim do mundo, que virá pela ação do Espírito Santo que o Pai nos dará. É essa paz que reconforta e que nos apazigua, nos alegra. É uma paz não imposta, não disfarçada, não maquilhada, é uma paz que assenta no amor, na Palavra anunciada, vivida e partilhada. É uma paz que resiste, perdura para lá do tempo e se mantém jovem, porque vem de dentro, vem do alto, vem de Deus.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Atos 15, 1-2. 22-29; Sl 66 (67); Ap 21, 10-14. 22-23; Jo 14, 23-29.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

13.04.19

Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito

mpgpadre

1 – A semana começa bem para Jesus. E melhor ainda para aquela multidão de discípulos que O acompanham na entrada de Jerusalém. Esta primeira multidão é constituída por pessoas da Galileia, pobres e humildes, gente devota que vem para celebrar a Páscoa e vislumbra em Jesus a resposta de Deus aos seus anseios e à sua fé.

Logo serão outros a pedir a cabeça de Jesus.

Jesus não deixa de preparar os discípulos. Na Última Ceia, durante a qual acontece a primeira Eucaristia, Jesus antecipa a morte, mas também a Sua presença para sempre, de uma maneira nova. Isto é o Meu Corpo, entregue por vós. Isto é o Meu sangue, o Sangue da Nova Aliança. Disse-vos estas coisas, para que quando acontecerem, possais levantar a cabeça e o ânimo, pois a salvação chegou a vós. Vou preparar-vos um lugar para que onde Eu estou vós estejais também. Não temais, Eu venci o mundo. Fazei isto em memória de Mim. Estarei convosco até aos fim dos tempos!

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2 – Vários os momentos e várias as lições. Nos momentos mais dramáticos da vida, a oração pode ser mais difícil. A de Jesus e a nossa oração. Pai, se é possível afasta de Mim este cálice. Mas faça-Se a Tua vontade e não a Minha. A oração faz-nos suplicar, para que o sofrimento não nos vença. A resignação é ativa, acolhendo e promovendo a vontade de Deus. A oração prepara-nos para o que está a chegar. Ainda que, em muitas situações, concluamos que afinal não estávamos tão bem preparados como julgávamos estar.

Os discípulos confrontam-se com o medo, com uma ansiedade extrema. Vacilam. Ficam bloqueados. Mas Jesus, ainda assim não deixa de os desafiar e a nós também. O caminho vai ser duro.

 

3 – Fazemos parte da Via-Sacra, estamos a caminhar com Jesus, de um a outro tribunal, assumindo uma e outra atitude: discípulos e curiosos; acusadores e juízes; mulheres e salteadores; bons e maus ladrões; Pilatos e Simão Cireneu e José de Arimateia; Judas e Pedro e discípulos amados. Maria e Verónica; fariseus e doutores da Lei; anónimos e amigos; fariseus e doutores da Lei, Anás e Herodes!

Jesus vai-nos encontrando e vai-nos atraindo para Si. Cabe-nos responder. Aprendamos com Ele. Na bonança e na adversidade, Jesus mantém-se estreitamente ligado ao Pai. Faça-Se a Tua vontade. Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito, a minha vida.

A semana Santa interliga-se com esta opção. Jesus é o bendito que vem em nome do Senhor, a quem Se entrega e confia, no Jardim das Oliveira, no alto da Cruz. O Seu alimento é concretizar a vontade do Pai, prevalecendo o amor, o perdão e o serviço.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Is 50, 4-7; Sl 21 (22); Filip 2, 6-11; Lc 22, 14 – 23, 56.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

06.04.19

Ninguém te condenou?... Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar.

mpgpadre

1 – Jesus foi, uma vez mais, para o monte das Oliveiras. Manhã cedo regressa ao templo, sendo rodeado pelo povo. Senta-Se e começa a ensinar. Escribas e fariseus aproveitam este "ajuntamento" para Lhe armarem uma cilada: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?».

A  Lei previa o apedrejamento, reconhecendo que a infidelidade é demasiado séria para alijar responsabilidades, desculpas ou justificações. Um dos Mandamentos diz claramente que não se deve cobiçar nem a mulher, nem a casa, nem os animais e nem os bens do próximo. É uma questão muito sensível e que, em muitas situações, provoca desgraças, como se vê pelos meios de comunicação social. Violência, perseguição e morte. A Lei previa uma pesada pena para dissuadir as tentações. Mais que a lei ou as penalizações, o fundamental são as convicções e o compromisso consciente e sério com o outro, seja na relação pessoal e familiar, seja ao nível profissional. A infidelidade acarreta infelicidade, acarreta um grande sofrimento, levando à auto-culpabilização e a situações depressivas.

Ainda há países (de influência muçulmana) que preveem a pena de morte (por apedramento) para mulheres adúlteras. O judaísmo previa que a lei fosse igual para mulher e homem, isto é, se apanhados em flagrante adultério os dois seriam levados à justiça. Vê-se, todavia, que só a mulher foi levada a Jesus. Nos países em que vigora esta lei só se aplica à mulher.

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2 – Jesus não responde de imediato. Com ânimos exaltados, em causas sensíveis, perante uma multidão influenciável por quem grita mais alto ou pareça mais convincente, Jesus opta pelo silêncio, mas não fica indiferente, começa a escrever no chão. Não sabemos ao certo o que é que terá escrito, talvez os pecados dos denunciantes.

Então Jesus ergue-Se e diz-lhes/nos: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Inclina-Se novamente e continua a escrever no chão. A começar pelos mais velhos, todos se retiram, ficando apenas Ele com a mulher, que estava no meio. Terão tomado consciência que afinal tinham pecados tão graves como os desta mulher.

Mas há outros pecados gravíssimos como a corrupção, a desonestidade, a maledicência, o destruir a vida dos outros por insinuações e boatos, o roubar-lhes a honra ou o ganha-pão, a retenção dos bens alheios, a falência de uma empresa, por exemplo, por egoísmo e falta de zelo e de preocupação pelos trabalhadores, a avareza e a prepotência, a violência doméstica.

 

3 – No final, diria Santo Agostinho, fica a misericórdia e a miséria, Jesus e a mulher. Claro que Jesus não sanciona o mal feito, como alguns fazem crer. Porém, Ele olha para ela como mulher, como pessoa, antes de olhar para o seu pecado e para as suas falhas. E sabe que falta ali o homem com quem foi apanhada! O que conta agora é o caminho a fazer. «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?... Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar».

Poderia ter sido o fim. Jesus propõe a ressurreição, a vida nova, a reconversão da vida, a escolha de uma alternativa, nada está perdido. Não desistir das pessoas; a condenação do pecado há de ser oportunidade para refazer a vida; valorizar a pessoa e não as suas falhas; apostar no perdão, no acolhimento e na misericórdia, em vez de julgar, condenar e excluir, mesmo em questões sensíveis e gravíssimas. O reconhecimento do próprio pecado e a consciência da nossa condição de pecadores, permite maior compreensão em relação às fragilidades dos outros, mas também permite rever o caminho que temos seguido, e sincronizar a nossa postura com a de Jesus.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Is 43, 16-21; Sl 125 (126); Filip 3, 8-14; Jo 8, 1-11.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

 

30.03.19

Este teu irmão estava morto e voltou à vida

mpgpadre

1 – Jesus mostra-nos a misericórdia do Pai, através da “Parábola do Filho Pródigo”, centrada no Pai Misericordioso.

Antes, a acusação dos fariseus e dos escribas: Jesus acolhe publicanos e pecadores e come com eles. O ato de comer, no mundo judaico, implica estar ou entrar em comunhão de vida com o outro. Senta-se à minha mesa quem se dá comigo, familiares e amigos. Ele come com a escumalha da sociedade, com os pobres, os excluídos, os pecadores, os publicanos. É neste contexto que Jesus lhes/nos faz ver que o Amor de Deus é infinito, nós é que lhe colocamos limitações pelo nosso pecado, pelo nosso egoísmo, pela nossa fragilidade.

Um homem (Deus) tinha dois filhos (nós). O mais novo pediu a parte da herança e abandonou a casa paterna. Aventurou-se numa vida longínqua. Foi gastando tudo numa vida libertina. Quando lhe acabaram os bens, procurou um trabalho, aceitando o mais indigno, como guardador de porcos (para os judeus os porcos eram demoníacos). Pouco a pouco toma consciência da miséria em que vive e decide voltar para o Pai. Sabe que tem de se justificar e arranjar argumentos para convencer o Pai do seu arrependimento. Nem se importa ser tratado como um dos trabalhadores do seu Pai.

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2 – O Pai não precisa de ser convencido. Ele ama com todas as veias do seu corpo. Daria a vida para que os filhos tivessem vida abundante. Com olhos encovados e a vista desgastada, o Pai avista o filho ao longe e corre para o abraçar e o cobrir de beijos.

Bem vistas as coisas, o Pai vê, aproxima-se, abraça, beija, porque ama. Levanta o filho. Ainda este se justifica – "Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho" – e já o pai está em festa: "Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado".

A misericórdia do Pai cancela a miséria do filho, renovando-o, devolvendo-o à vida. Estava morto. Agora está vivo. Ressuscitou.

 

3 – O irmão mais velho deu o mais novo como perdido e não o quer de volta, lhe parece que o amor do Pai se vai dividir, novamente, quando pensava que agora tinha toda a atenção. O irmão levou a herança, desgostou o pai, fê-lo sofrer, pois ao pedir a herança em vida do pai está a desejar-se-lhe a morte. O filho mais velho viu o sofrimento do Pai. Entretanto, tornara-se filho único. Quando o irmão regressa, não o quer ver, fica ressentido com a festa, não quer ver o pai e não reconhece o irmão - "esse teu filho". O pai recorda-lhe os motivos da festa e a pertença, a ligação, a família: "este teu irmão estava morto e voltou à vida". O Pai não diz o "meu filho", mas “o teu irmão”. Diz-lhe a ele, o mais velho e diz-nos a nós: o teu irmão. A Caim, Deus pergunta: onde está o teu irmão? Que lhe fizeste?

Reconhecer Deus como Pai faz-nos reconhecer-nos como irmãos. Não podemos chamar a Deus Pai, se depois não reconhecemos os outros como parte da nossa família nem os tratamos como tal.

O Pai (a Mãe) ama com o coração inteiro, um e outro filho ou uma dúzia. Cada um é único. Ama cada um com todo o amor, não às prestações, mas total, integralmente como se não houvesse amanhã. "Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado".

Teremos de ser nós a tirar conclusões. Somos o filho mais novo ou o mais velho? Estamos dentro, mas com vontade de estar fora? Ou estamos fora, prontos para regressar? O Pai já fez a Sua escolha: amor único e total por cada um de nós.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Jos 5, 9a. 10-12; Sl 33 (34); 2 Cor 5, 17-21; Lc 15, 1-3. 11-32.

 

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