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11.01.15

Leituras: Gerhard-Ludwig Müller - POBRE PARA OS POBRES

mpgpadre

GERARD-LUDWIG MÜLLER (2014). Pobre para os pobres. A Missão da Igreja. Apelação: Paulus Editora. 184 páginas.

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        Um dos mais recentes livros publicados do Cardeal alemão Gerard Müller, um dos sucessores do Cardeal Joseph Ratzinger (Bento XVI) à frente a Congregação para a Doutrina da Fé, tendo escolhido precisamente por Bento XVI, em junho de 2012 e posteriormente confirmado pelo Papa Francisco. Eleito Papa, o Cardeal Ratzinger/Papa Bento XVI chamou o Cardeal norte-americano William Joseph Levada, que esteve como Prefeito desta Congregação de 2015 a junho de 2012, sucedendo-lhe então outro cardeal alemão, Gerard Müller.

       Não é o lugar que faz os homens. E certamente não têm a mesma sensibilidade. Foram escolhidos precisamente pela firmeza da doutrina, pela integridade da fé, pela capacidade de trabalho, pela humildade e abertura diante dos outros, pelo saber mas sobretudo pela fé. O mundo teve alguma dificuldade em conhecer o então Cardeal Ratzinger, com um Homem íntegro, homem de fé, homem de Deus, com uma enorme capacidade de tralhado humilde ao serviço da Igreja, ao serviço do Evangelho, respondendo com amizade ao agora Santo João Paulo II, estando sempre por perto, dialogando, insistindo, não desistindo às primeiras dificuldades, integrando opiniões e visões diferentes. E neste livro, evocativo da Teologia da Libertação, que voltou às primeiras páginas com a eleição do atual Papa, latinoamericano, vê-se como o Cardeal Ratzinger/ Papa Bento XVI soube acolher a sensibilidade da teologia preconicada por Gustavo Gutiérrez, tornando-se ouvinte e estudioso, como Prefeito e depois como Papa, com contributos extraordinários nas intervenções feitas, na Congregação, e mais recentemente na Assembleia da CELAM, em Aparecida, cuja leitura clarificadora o pai da Teologia da Libertação sublinha precisamente o contributo de Bento XVI e cujo texto se pode ler nesta obra de Gerard Müller.

       Além do texto principal do Cardeal Müller, dois textos de Gustavo Gutiérrez: A opção preferencial pelos pobres em Aparecida; A espiritualidade do Acontecimento conciliar - nestes textos Gutiérrez reflete no fundamento da Teologia da Libertação, a opção de Jesus, que encarna para redimir, para salvar, para libertar. É o que Jesus faz, é o que tem de fazer a Igreja. A opção preferencial é inclusiva, universal, não exclui ninguém, mas centra-se preferencialmente nos excluídos, desprezados, pobres, mendigos, explorados... exatamente como Jesus fazia. No segundo texto, a ambiência conciliar que compromete a Igreja com os pobres, com a transformação do mundo, num compromisso social efetivo. É um ambiente que se respira antes e no concílio ainda que depois encontre muitos obstáculos. Outro texto agrafado ao livro é da autoria de Josef Sayer que nos apresenta a história de encontro, de amizade e de reflexão conjunta do Cardeal Müller e de Gustavo Gutiérrez.

       O Prefácio ao livro é do Papa Francisco - simples, direto, desafiador. O Papa Francisco cresceu e comprometeu-se em concreto com o ambiente onde nasceu e floresceu a Teologia da Libertação, conhece os intervenientes, conhece as dificuldades dos pobres latino-americanos e as comunidades de base, movimentos, párocos e leigos que se comprometeram seriamente com o mundo da pobreza. Foi Relator da Assembleia de Aparecida.

       Este é mais um contributo generoso do cardeal alemão, atual Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, para a relfexão teológica. A amizade com Gustavo Gutiérrez levou à America latina, ao apostolado concreto no meio de populações pobres, dormindo entre eles, comendo como eles, vivendo nas mesmas condições. Desta forma, pôde aliar a curiosidade intelectual, a investigação e reflexão teológica, com o saber prático, real, concreto.

       Como é habitual, quando mais profundo, sábio, estudioso é um autor, mais acessível se torna para os seus leitores e/ou para os seus ouvintes. Como outros textos já citados deste autor, a sua leitura é acessível, envolvendo-nos na reflexão.

 

Outros textos por aqui recomendados:

G. GUTIÉRREZ e G. MÜLLER. 

Cardeal Gerhard Müller - A verdade leva-nos aos pobres.

Gerhard-Ludwig Müller - A ESPERANÇA DA FAMÍLIA.

25.12.14

Ide, vivei e testemunhai a Luz do Natal

mpgpadre

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       Para os cristãos, o Natal é – ou deveria ser – o encontro solene e festivo com Jesus, Deus que Se faz próximo da humanidade e da história, encarnando, fazendo-Se um de nós e um connosco, o Emanuel.

 

       Na Sua benevolência, Deus dignou-Se procurar-nos, não do exterior ou do alto, mas a partir de dentro, do interior, enxertando-Se na nossa humana fragilidade e finitude. Veio e vem para iluminar as nossas escolhas, para que estas reflitam a verdade, o bem e o amor, e nos conduzam a um felicidade duradoura, aberta à eternidade de Deus. Assume-nos na inteireza de seres humanos, de filhos Seus, de irmãos em Jesus.

       A celebração do Natal enche-nos da Luz de Cristo. Na dinâmica pastoral da nossa Diocese, o desafio a sermos, na expressão consagrada em Aparecida (Brasil), discípulos missionários, saindo do nosso conforto para anunciarmos o Evangelho, construindo, afetiva e efetivamente, a família de Deus, o que só se fará concretizando o amor de Deus que nos habita. “Os discípulos missionários sabem que a luz de Cristo garante a esperança, o amor e o futuro” (Gutiérrez).

       Advento ainda, João Batista ilustra a missão. “Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz” (Jo 1, 7-8). Faz eco de Isaías que nos apresenta o Natal como a Luz: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Is 9, 1; cf. Mt 4, 16). João aponta para o Messias: eis o Cordeio de Deus que tira o pecado do mundo.

       Expressão muito querida ao Papa Francisco: Igreja em saída, uma Igreja lunar, que transpareça a Luz de Cristo, recusando a autorreferência, para que Jesus seja a único centro, e o CENTRO ilumine as periferias geográficas e existenciais.

       Do mesmo jeito, a Senhora do Advento, Maria, que gera Jesus e logo no-l'O dá. Faça-se em mim segundo a Sua palavra... Fazei o que Ele vos disser. Os pastores e os magos têm acesso imediato a Jesus, sem interferências de Maria ou de José. Tudo n’Ela aponta para Jesus.

       O tempo que decorre evidencia um Natal comercial e consumista. Em todo o caso, a celebração do Natal continua a ser ocasião, motivação e oportunidade para anunciar Deus que nos visita em Jesus Cristo e nos irmãos. O brilho das montras e as campanhas solidárias visualizam carências e fragilidades que – desligadas as luzes do Natal – comprometem os cristãos e as comunidades.

Santo e Feliz Natal e que a Luz de Cristo nos reenvie a construir com Amor a família de Deus.

 

Reflexão proposta e publicada na Voz de Lamego, 16 de dezembro de 2014

27.03.14

LEITURAS: Gutiérrez e Müller - Ao lado dos pobres

mpgpadre

GUSTAVO GUTIÉRREZ e GERHARD LUDWIG MÜLLER. Ao lado dos Pobres. A Teologia da Libertação é uma Teologia da Igreja. Paulinas Editora. Prior Velho 2014. 208 páginas.

       Com a eleição do então Cardeal Jorge Mario Bergoglio, em 13 de março de 2013, escolhendo o nome de Francisco, em homenagem a Francisco de Assis, colocando o acento tónico na Igreja pobre e dos pobres, a Teologia da Libertação ganhou nova visibilidade. Longe vão os tempos em que a Teologia da Libertação esteve sob suspeita, sendo acusada, por ignorância e preconceito, de uma teologia marxista, partindo da análise socioeconómica, na persecução do mesmo objetivo da luta de classes.

       Desde logo, no centro da Teologia da Libertação, cuja paternidade tem um rosto de fidelidade à Igreja e ao Magistério, e fidelidade e compromisso com os pobres do Peru, sua terra natal, englobando toda a América Latina e Caribe, a opção preferencial pelos pobres, expressão acarinhada pelos Bispos locais em diversas Assembleias, é uma opção que decorre do amor gratuito e misericordioso de Deus pelos pobres, não pela bondade dos mesmos. Em Jesus, Deus que encarna e Se "localiza", os pobres têm lugar à mesa, hão de ser os primeiros a ser servidos. A Teologia da Libertação é verdadeira teologia, parte de Deus, do Evangelho, acolhe o magistério eclesial, colocando o enfoque precisamente na opção pelos pobres, não como adenda, mas como compromisso irrenunciável. Por outro lado, mesmo servindo-se das ciências humanas e sociais, da análise socioeconómica, não visa, como no marxismo, a troca de uma classe social por outra, mas a dignidade da pessoa humana, de todas as pessoas. A economia de mercado, a globalização da economia, na maioria das vezes não levou a melhorias da vida da maioria, mas sobretudo a abertura dos mercados emergentes para obrigar o escoamento dos produtos das nações mais ricas.

       Vê-se como o autor - não renunciando ao enfoque próprio da Teologia da Libertação, mostrando com clareza que toda a teologia tem em conta a particularidade, a começar pelo próprio Jesus, judeu de nascimento - mantém uma pose de grande humildade e abertura, explicando uma ou outra vez, sublinhando que o mais importância nem é a relevância da Teologia da Libertação, mas o serviço aos mais pobres.

       O Papa Francisco tem precisamente sublinhado como a Igreja deverá ir às periferias geográficas e sobretudo existenciais, tendo vindo também ele de uma periferia.

       A reflexão resultante do Concílio Vaticano II, sobretudo com a Constituição Gaudium et Spes, com a abertura da Igreja ao mundo e a necessidade de uma leitura atenta e atual aos sinais dos tempos, é precisamente berço para o nascimento da Teologia da Libertação, que procura ler e responder aos sinais de uma América Latina pobre, empobrecida, periférica. Gustavo Gutiérrez não se deixou enredar em polémicas e respondeu sempre com abertura às estruturas da Igreja, nomeadamente perante a Congregação para a Doutrina da Fé, com o então Cardeal Ratzinger, como o próprio [Ratzinger] a empenhar-se pessoalmente no diálogo frutuoso com o pai da Teologia da Libertação, acolhendo a riqueza deste património, cuidando para minorar os riscos de desvio e apropriação da Teologia da Libertação por algum regime ditatorial.

       Curiosamente, o parceiro desta publicação é o atual Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Gerhard Ludwig Müller (feito Cardeal no dia 21 de fevereiro de 2014, pelo Papa Francisco). Outra curiosidade, é que foi nomeado para Prefeito por Bento XVI, a 2 de julho de 2012, para substituir o cardeal norte-americano William Joseph Levada, por limite de idade.

        O próprio Gutiérrez sublinha o risco de alguns desvios teóricos e práticos da Teologia da Libertação, sem que seja essa a sua génese. No livro, Gerhard Müller, deixa claro que "o movimento eclesial e teológico latino-americano conhecido como "Teologia da Libertação", que se espalhou por outras partes do mundo depois do Concílio Vaticano II, deve, em minha opinião, ser incluído entre as correntes mais importantes da teologia católica do século XX".

       Continua a haver muitos críticos da Teologia da Libertação, que o fazem uma e outra vez por ignorância e preconceito. Mas também a polémica se gera do lado dos que arremessam com esta Teologia contra a Igreja e o Magistério. No entanto, a coletânea dos textos recolhidos neste livro, publicada em 2004, na Alemanha, mais os textos do de Gerhard Müller, afastam-se claramente de qualquer polémica, num equilíbrio ímpar. Sublinhe-se também, que durante a reflexão/análise na Congregação para a Doutrina da Fé, sob a batuta do então Cardeal Joseph Ratzinger, nunca o movimento foi criticado. Por outro lado, o Papa João Paulo II recorrerá por diversas vezes à linguagem nova que vem das Conferências Episcopais da América Latina e Caribe, reunidas em Medellín (1968), Puebla (1979), Santo Domingo (1992). A "opção preferencial pelos pobres" entra definitivamente no vocabulário da Igreja e a necessidade da Nova Evangelização enraíza-se precisamente nas Assembleias do episcopado latino-americano, sancionando a Teologia da Libertação. Posteriormente, a Assembleia da CELAM (Episcopado Latino-Americano) em Aparecida, no Brasil, em 2007, e tal como o fez João Paulo II, também Bento XVI lhe dirigiu palavras de estímulo num discurso muito cristológico.

       Para melhor compreender o que significa Teologia da Libertação, mas sobretudo a opção preferencial pelos pobres, que ao tempo de Cristo tinham nome - Lázaro -, e que agora são uma maioria sem nome e sem chão, este é um excelente texto, de fácil compreensão. O propósito da Teologia da Libertação, com um enfoque específico, visa o mesmo que toda a Teologia, que Cristo seja tudo em todos.

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