...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
06
Jan 17
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       Desde a mais tenra idade que cada um de nós procura realizar-se como pessoa, chamando a atenção dos outros, primeiro dos adultos, enquanto crianças, adolescentes e jovens e, depois, sendo mais idosos, de toda a gente e especialmente dos mais novos. Precisamos de atenção, de cuidado e carinho, ao longo de toda a vida. Precisamos de ser vistos e reconhecidos e que nos tratem pelo nome próprio – a melhor música para os nossos ouvidos – e não apenas por um apelido ou por um título profissional. Queremos a atenção dos outros. Queremos sentir-nos amados, especiais, únicos.

       É um desejo inscrito no coração, no nosso ADN.

       Uma pessoa indisposta o tempo todo também quer sentir-se bem, também quer ser feliz. Mas por qualquer motivo, um desgosto, o feitio, ou porque só dessa forma se sente capaz de chamar a atenção dos outros, assume uma atitude de azedume ou de prepotência. No final, como dizemos dos adolescentes mais indisciplinados ou mais ativos, o que quer mesmo é chamar a atenção de alguém, ainda que o faça da pior maneira, já que destrói a amizade e os laços de proximidade.

       Como nos lembrava um professor do Seminário, não importa que falem bem ou mal de ti, importa é que falem de ti. Se falam mal já estão a dar-te importância, já contas para eles. Obviamente que quem não se sente não é filho de boa gente e ninguém quer ouvir dizer mal de si próprio. Mas entre dizerem mal e não dizerem nada…. Mais vale que digam alguma coisa!

       A felicidade que procuramos leva-nos a melhorar a nossa relação com os outros, procurando ser amados e reconhecidos. Por outras palavras, procuramos ser bem-sucedidos. Numa linguagem mais religiosa, o aperfeiçoamento da nossa vida, para nos tornarmos perfeitos como Deus Pai é perfeito. Não uma perfeição que distancia, um perfeccionismo viciante, mas uma perfeição que ama, que promove os outros, servindo-os e cuidando deles. É a vocação universal à santidade.

       A primeira vocação do cristão é seguir Jesus. Segui-l’O imitando-O, assimilando a Sua postura de vida, dando-Se por inteiro a favor dos outros. A santidade é transmutável com a felicidade. Daí se dizer que os santos já se encontram na bem-aventurança (= felicidade) eterna.

       A santidade não é póstuma. Póstuma apenas a declaração e o reconhecimento da santidade em vida. Com todos os que Deus colocou à nossa beira, começamos, aqui e agora, o trajeto da santidade, começamos a ser felizes, como caminho de realização que nos salva…

 
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4385, de 1 de novembro de 2016


13
Ago 15
publicado por mpgpadre, às 12:00link do post | comentar

Simone Triosi e Cristiana Paccini (2014). NASCEMOS E JAMAIS MORREREMOS. Vida de Chiara Corbella Petrillo. Braga: Editorial A.O., 168 páginas.

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        Chiara viveu. Casou. Foi mãe de uma filha que morreu 30 minutos depois de ter nascido, foi mãe de um menino que morreu 37 minutos depois de ter nascido. Viu-os nascer para o Céu. Foi mãe do Francesco (Francisco), atrasando a intervenção médica, num carcinoma que se manifestou numa afta, na língua, mas optou por criar todas as condições para que o filho pudesse viver sem correr grandes riscos.

       Viveu com alegria cada momento. O namoro com Enrico Petrillo foi como qualquer namoro, com avanços e recuos, e discussões e separações. Como confessam mais tarde, Deus preparava-os para algo maior.

       Depois de experiências intensas de fé, de oração, de encontro, de reflexão, entregam-se nas mãos de Deus e contraem matrimónio. Em 2008. Em 2009, pouco mais de um ano depois, nasce a primeira filha. Os diagnósticos cedo revelam que Maria Grazia Letizia não tem cérebro. Alguns médicos aconselham o aborto dizendo que logo morrerá ao nascer. Chiara e o marido decidem que ela há de viver, mesmo que sejam alguns minutos. Nasce, é batizada, e, como sublinham, vai para junto de Deus. A anencefalia é um caso muito raro.

       Passado o tempo necessário, para o corpo de Chiara recuperar da gravidez, decidem que não divudam de Deus e que estão disponíveis para gerar uma nova filha. Depois do primeiro caso de anencefalia os riscos são maiores. Fazem todos os exames que lhes sugerem. Nova gravidez, de Davide Giovanni. As primeiras ecografias correm bem. Na terceira, o diagnóstico revela que lhe falta uma perna e na outra tem apenas um pequeno toco. "Para onde nos estás a levar?" Enrico queria ter filhos biológicos mas também ser responsável por uma casa de acolhimento de crianças com deficiência. Desta vez os médicos já nem colocam a pergunta sobre a possibilidade de aborto. O casal preparar-se para acolher o Davide.

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       Quarta ecografia, ao Davide faltam também os rins e, por isso, também os pulmões não se poderão desenvolver o suficiente para respirar. Malformações múltiplas na pélvis (bexiga e rins), mostram por antecipação que também este menino viverá apenas alguns minutos. Chiara e Enrico celebram a vida do segundo filho, batizando-o logo depois de nascer para logo nascer para o céu.

       Uma situação não tem a ver com a outra. A situação do segundo filho nem tem nome tal é a raridade com que sucede.

       Recebem alguns conselhos "desinteressados" para não arriscarem nova gravidez. Mas de novo confiam em Deus. E passado pouco tempo, Chiara encontra-se grávida do terceiro filho. Pouco tempo antes da gravidez descobre uma afta na língua a que não liga, mas como vai piorando começa a consultar o dentista, o dermatologista, o otorrinolaringologista. O Francesco continua a crescer dentro da sua mãe.

       As biopsias revelam que é um carcinoma. A primeira intervenção com anestesia local, para não criar dificuldades ao menino, corre bem. Mas quanto antes deverá fazer nova intervenção, quimioterapia ou radioterapia. Os sintomas revelam que tem de ser intervencionada o quanto antes, o que implica um parto prematuro com inerentes perigos para o Davide. mas também aqui a opção é dar todas as garantias, humanamente possíveis, para que o filho possa nascer sem correr mais que os riscos normais.

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        Para Chiara no entanto já era muito tarde. O "dragão" espalha-se muito rapidamente. Percebem que os tratamentos já adiantam, pelo que importa viver o tempo que resta com alegria, com intensidade, com fé. Chiara e Enrico dão uma testemunho de tal forma confiante que juntam cada vez mais pessoas para rezarem com eles e partilharem a sua vida de fé esclarecida e de confiança em Deus.  

        Chiara morre a 13 de junho de 2012, com 28 anos de idade, com um testemunho de luz e de fé, de vida e de intensidade, de entrega a Deus, de testemunho. Deu tudo o que tinha por amor, a Deus, ao marido, aos filhos.

       Este livro é uma leitura impressionante, comovente, também um tributo do casal amigo que o escreveu. As vidas são todas diferentes, mas o amor de Deus é imenso para cada um de nós. Chega um tempo que a única esperança é CONFIAR em Deus e em tudo aquilo que Ele tem para nos dar. Até ao fim não deixa de rezar (sobretudo pelos outros), de agradecer, de cantar, de tocar violino...


28
Nov 13
publicado por mpgpadre, às 12:18link do post | comentar

GABRIEL MAGALHÃES. Espelho meu. A leitura diária do Evangelho pode mudar a vida. Paulinas Editora. Prior Velho 2013. 128 páginas.

       Mais um título da coleção "Poéticas do viver crente", coordenada pelo Pe. Tolentino Mendonça.

É um testemunho contado na primeira pessoa. O autor partilha a sua experiência de fé, mostrando como a leitura diária do Evangelho, ainda que um pequeno trecho, pode revolucionar a vida cristã e o compromisso com os outros. Também aqui há conversão e vida nova. O Evangelho, como a participação na Missa, pode passar quase indiferente. Faz parte da tradição. Escuta-se mas sem entrar, sem fazer mossa.

       O autor, como refere, pertence à geração daqueles que  achavam que a Igreja e o cristianismo pertenciam à menoridade, como que paralisando o desenvolvimento lúcido do pensamento e da vida. Aos 24 anos, mais ou menos, revolveu ter o Novo Testamento e lê-lo a partir da sua "perspectiva arrogante", sobretudo como forma de aumentar a cultura geral, já que não passaria disso. Mas a leitura revolucionou a sua vida e a forma de ver o Evangelho, como enriquecimento, como descoberta, como encontro. "Aquele livro era a vida, e a vida era aquele livro... Os Evangelho criam com a realidade uma relação de total fraternidade: de comunhão e de identidade... Os Evangelho são capazes desta transparência por causa da presença de Jesus. Ele é o cristal de amor, através do qual a verdade passa. O que há de mais absoluto nestes textos sagrados são as palavras de Jesus".

       Leitura partilhada do Evangelho. Momentos da vida de Jesus nos quais podemos rever-nos e encontrar-nos.

       Esta é uma reflexão muito interessante. Transparece a vivência quotidiana. Não são palavras de um erudito ou do professor universitário, mas as palavras de um crente cristão que se deixou transformar pelas palavras de Jesus e nos contagia com o seu testemunho. Claramente, a fé não obscurece a vida, pelo contrário e apesar das dificuldades que a todos afetam a fé ilumina, aponta mais para além, justifica e dá sentido à existência.


15
Mar 13
publicado por mpgpadre, às 13:58link do post | comentar | ver comentários (2)

ANA CASACA. Todas as palavras de Amor. Guerra e Paz Editores. Lisboa 2013.

       Entre mãos tenho um livro IMENSO e intenso, cheio de palavras, emoções, sentimentos, vida, e vidas entrelaçadas, sofrimento, paixão, estórias de pessoas e de famílias, de perdão, de conformismo, de vidas novas, com desafios à novidade, e ao compromisso, mesmo e depois de vidas falhadas. O primeiro pressuposto poderá ser mais ou menos polémico, dependendo dos olhos que o filtram. Correspondência entre uma mulher, que se separou do marido, e viajando pelo mundo encontra, em Londres aquele que pensava ser o homem da sua vida. Escreve-lhe cartas para um sítio da Covilhã, com um nome e uma morada, que não corresponde a esse amor de ilusão, mas a um padre, que lhe responde, surpreendido pela inquietação provocada.

       É um texto envolvente. Do princípio ao fim. De fácil leitura. Numa escrita agradável. Faz lembrar livros do Virgílio Ferreira como "Para sempre" ou "Cartas a Sandra". Também aqui o formato mais usado são cartas, de encontros e desencontros, de esperanças e ilusões. Uma linha muito visível, a meu ver, é a defesa da família, baseada em laços de amor, desgastada pelo tempo, mas cuja aposta há de ser permanente. Um amor que se perde em busca de outro e que volta ao amor primeiro, um casal adormecido mas que decide descobrir-se de novo. Vidas marcadas pelo sofrimento, em relação aos pais, ou às circunstâncias do tempo, mas que encontram novos desafios.

       Outra linha que perpassa neste belo romance, é a solidariedade. A vida vale também quando e se somos úteis a alguém.

       Outra linha ainda, ou a primeira linha que se entrelaça em todo o texto, é a busca da felicidade, nem sempre nos caminhos certos, mas num desafio permanente a não desistir.

       Aqui algumas palavras que podem servir de chave de leitura:

"Sabes que cada pessoa tem um outra pessoa algures por aí, a sua pessoa. Tu encontraste a tua e perdeste-a, buscando em vão pelo resto dos teus dias o passado que te fez feliz. Eu consegui encontrar a minha e guardá-la. Mas muitos há que a têm ao seu lado e não a enxergam e outros pensam tê-la e não a possuem. Depois tens os que esperam a vida inteira pela pessoa certa e só encontram pessoas erradas, ou os que depois de vários erros acertam e dão um tremendo valor quando o amor lhes acontece. Eu não sei de nada, não possuo soluções universais, sei apenas que tudo o resto se supera quando temos a nossa pessoa por perto.

Adoro-te, avó, e hás de tecer para sempre as linhas invisíveis que me guiam..."


22
Set 12
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar

Lições sobre a felicidade, sugeridas por Heitor, em "Heitor e a procura da felicidade":

Lição n.º 1: Uma boa maneira de estragar a felicidade é fazer comparações.

Lição n.º 2: A felicidade surge muitas vezes de surpresa.

Lição n.º 3: Muita gente só perpetiva a sua felicidade no futuro.

Lição n.º 4: Muita gente pensa que a felicidade é ser mais rico ou mais importante.

Lição n.º 5: Às vezes a felicidade é não compreender.

Lição n.º 6: A felicidade é uma boa caminhada no meio de belas montanhas desconhecidas.

Lição n.º 7: O erro é acreditar que o objetivo final é a felicidade (explicar melhor).

Lição n.º 8: A felicidade é estar com as pessoas que amamos.

Lição n.º 8 bis: A infelicidade é estar separado daqueles que amamos.

Lição n.º 9: A felicidade é não faltar nada à família.

Lição n.º 10: A felicidade é ter uma ocupação de que se gosta.

Lição n.º 11:A felicidade é ter uma casa e um jardim.

Lição n.º 12: A felicidade é mais difícil feliz num país governado por pessoas más.

Lição n.º 13: A felicidade é sentir-se útil aos outros.

Lição n.º 14: A felicidade é ser-se amado por aquilo que se é.

          Nota: as pessoas são mais simpáticas com uma criança que sorri (muito importante).

Lição n.º 15: A felicidade é sentir-se completamente vivo.

Lição n.º 16: A felicidade é festejar.

          Pergunta: Será a felicidade apenas uma reação química do cérebro?

Lição n.º 17: A felicidade é pensar na felicidade daqueles que amamos.

          Lição n.º 18: A felicidade seria poder amar várias mulheres ao mesmo tempo. (Riscado, as mulheres não estariam pelos ajustes. Para substituir a

Lição n.º 18: A felicidade é não dar demasiada importância à opinião dos outros.

Lição n.º 19: O sol e o mar são a felicidade para todas as pessoas.

Lição n.º 20: A felicidade é uma maneira de ver as coisas.

Lição n.º 21:A rivalidade é um poderoso veneno da felicidade.

Lição n.º 22: As mulheres são mais atentas que os homens à felicidade dos outros.

Lição n.º 23: A felicidade é ocuparmo-nos da felicidade dos outros?

As três lições que o monge lhe sugere:

Lição n.º 20: A felicidade é uma maneira de ver as coisas.

Lição n.º 13: A felicidade é sentir-se útil aos outros.

Lição n.º10: A felicidade é ter uma ocupação de que se gosta.

 in François LELORD, As viagens de Heitor. Heitor e a procura da felicidade. Lua de Papel (Leya), Alfragide 2011.


21
Set 12
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar

François LELORD, As viagens de Heitor. Heitor e a procura da felicidade. Lua de Papel (Leya), Alfragide 2011.

       François Lelord ganhou crédito como professor e psiquiatra, abrindo o seu próprio consultório em Paris. Entre França e Estados Unidos, o autor desta pérola fez carreira também como consultor de grandes empresas. Sempre insatisfeito, procurou respostas para responder ao facto de muitas pessoas que tendo tudo não eram felizes. Imaginou então Heitor, numa viagem em procura de um significado para a vida.

       A história de Heitor entrelaça-se na história do próprio autor e remete-nos de imediato, como se sublinha na contracapa, para dois autores bem conhecidos: Antoine de Saint-Exupéry,  em "O Principezinho", em que este busca a felicidade através do espaço, mas volta a casa e ao seu planeta onde está a razão da sua vida, e Paulo Coelho, em o Alquimista, em que o personagem principal vai em busca do tesouro, até que descobre que se encontra no lugar de partida, em sua casa.

       Heitor, insatisfeito com a vida de psiquiatra, cansado de ouvir e dar conselho, faz umas férias e parte em buscas de respostas. Vai perguntando às pessoas se elas são felizes e o que as torna felizes. Diversos encontros e experiências, ele voltará a dar consultas, mais decidido, mais assertivo.

       É uma viagem que vale a pena fazer. É uma história cativante. Lê-se com muito agrado. Acessível a qualquer leitor. Linguagem clara e perceptível. Para quem gosta de ler é um encanto. Para quem não gosta muito de ler, esta é uma leitura que envolve e não cansa, de modo nenhum.

       "Heitor e a procura da felicidade" está a ser adaptado para o cinema. Com grande sucesso a Viagem de Heitor continua em "Heitor e os segredos do Amor" e "Heitor e a Passagem do Tempo".

 

Na internet encontram-se muito comentários sobre este livrinho, por exemplo, AQUI:

Em A Viagem de Heitor, o escritor francês François Lelord cria uma delicada alegoria sobre nossa própria sede de felicidade e a procura que empreendemos durante toda a nossa vida para encontrá-la. Heitor, um jovem psiquiatra, decide embarcar numa longa viagem ao redor do mundo. Seu objetivo é conhecer pessoas de diferentes culturas e situações sociais para realizar uma pesquisa de campo sobre a felicidade. A partir das respostas que recebe para perguntas aparentemente simples, como “Você é feliz?” ou ainda “O que é a felicidade para você?”, ele elabora hipóteses que são cuidadosamente anotadas e transformadas em lições compartilhadas com os leitores.

“Lá fora, o dia continuava magnífico, mas Heitor estava um pouco tristonho. Parou para arrumar a louça chinesa em sua sacola. Não queria correr o risco de quebrá-la. Entre os dois pratos, encontrou uma pequena tira de papel. Estava escrito: 20-13-10. Heitor puxou rápido seu bloco e leu:
Lição número 20: A felicidade depende do modo de ver as coisas.
Lição número 13: A felicidade é sentir-se útil aos outros.
Lição número 10: A felicidade é trabalhar no que a gente gosta.
Heitor pensou que essas eram ótimas lições. Pelo menos para ele.”

e AQUI.


25
Ago 12
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar

Neste mundo cada vez mais distante e deserto é urgente preservar o amigo, viver o amor, para que não se seja apenas mais um



       A maior parte daqueles que nos estão próximos farão as malas assim que o céu se cobrir de nuvens. Bem a tempo de não lhes cair nenhuma lágrima nossa em cima.

        Mas, infelizmente, também nós somos dos que se afastam quando os que connosco contam de nós precisam...

        Talvez o leitor se julgue bem-aventurado por contar com muitos amigos. Mas a sabedoria antiga adverte que vive feliz aquele que nunca tenha de pôr à prova os seus amigos... Mais, julgamo-nos a nós próprios, quase sempre, como bons amigos de outrem... mas será que somos capazes de o ser de verdade? Qual o limite de adversidade a partir do qual abandonaríamos esse papel? Afinal, a dureza da prova de amizade em nada se compara à troca de sorrisos depois de uma piada. A vida real é a sério, passa por muitos caminhos duros até... encontrar caminhos ainda mais duros. Sermos capazes de pensar em alguém que não em nós mesmos é, neste cenário, algo arrojado. Raríssimo. Quase ilógico. Sem reciprocidade garantida. Solitário.

        É comum (e errado) o preconceito de que todas as pessoas amam. Como se amar fosse uma espécie de prémio distribuído de forma universal e personalizada a todos e cada um dos seres humanos. Não. Muito longe disso. Poucas pessoas são capazes de amar, porque isso não é nenhuma recompensa, mas uma firmeza capaz de seguir adiante pelos trilhos mais impiedosos. Quase um castigo voluntário em nome de algo maior que nós.

        Há ainda que ter em conta que as coisas que não têm fim assustam qualquer espírito menos sólido, porque comprometem a essência de uma forma não egoísta, não lhe permitindo vaguear/errar ao sabor dos prazeres imediatos. É bem mais simples do que parece: um amor que acaba prova que nunca chegou sequer a existir.

        Hoje, com as novas tecnologias, a ilusão da proximidade é de tal forma convincente que cada vez há mais distâncias... pobrezas que se escondem por detrás de horizontes em forma de montras de intimidade... gritos desesperados de quem se vê num deserto de emoções... onde todos parecem felizes mas, na verdade, cada um vive no fundo de um poço. E porque hoje se busca mais ser resgatado do que resgatar, há cada vez mais vítimas e menos heróis...

        Nascemos sós e morreremos sós.

        À tristeza da solidão não faltam nem beleza nem grandeza. Mas o abandono dos que julgávamos chegados revela tanto sobre eles (os que partiram antes mesmo de chover) como a respeito de nós mesmos que, crédulos, julgámos ser uma excepção. Cumpre-nos não lhes seguir o exemplo.

        Se ser amigo é raro, abrigar um amor no coração é-o superlativamente. Nem todos os caminhos são para todos os caminhantes e, perante os mais penosos, apenas aqueles que percebem que há valores mais altos que a própria vida seguem adiante. Caminham mesmo descalços por onde for necessário para não deixar o amigo só.

        Há quem considere que a amizade é uma forma de amor. Concordo. O que ama é um amigo absoluto. Sem porquês nem para quês. Apenas para se ser quem se é. Dão-se as mãos e enfrentam-se as tempestades. Vive-se, e morre-se, sem nunca fazer contas ao que passou. Olhos postos no sonho. O verdadeiro amigo será feliz ainda que numa vida carregada de sofrimento, porque a sua existência tem sentido, ao contrário da esmagadora maioria dos demais.

        Neste mundo cada vez mais distante e deserto é urgente preservar o amigo, viver o amor, para que não se seja apenas mais um.

        É a mais impiedosa das tempestades que naufraga perante a firmeza de um amor autêntico. Afinal, nenhuma tormenta dura para sempre.

 

José Luís Nunes Martins, i-online 18 Ago 2012, in POVO.


26
Jan 12
publicado por mpgpadre, às 19:30link do post | comentar

Enquadre com sabedoria os problemas que tem de enfrentar.
Nem todas as questões têm a mesma importância.
Na nossa ralação com os outros, pais e filhos, professores e alunos, casais, colegas de profissão, na família ou na comunidade, surgem conflitos. É quase inevitável, porque somos diferentes, pensamos de maneira diferente. Não há mal nisso. É imperioso que as pessoas tenham as suas convicções e as defendam.
Em todo o caso, a dimensão/tamanho dos problemas que se geram pode ser equacionada. Às vezes o problema que temos pela frente tem mais a ver connosco ou com a pessoa que o gerou, do que com o problema em si mesmo.

Quando a mente está turbada pela irritação, não é nada fácil balizar os problemas e pesá-los para ver se valem a chatice ou não. Há que fazer um esforço, para que a nossa saúde mental melhore, e assim melhoremos a saúde dos outros.
Nem todos os problemas merecem que lhe dediquemos o mesmo tempo.
Os pais, os professores, cada pessoa, diante de um problema pode primeiro perguntar-se: vale a pena chatear-me por isto, é motivo suficiente, é razão que me anula e ofende, atenta ao meu carácter, ou desrespeita uma regra fundamental?

Quando estiver para iniciar uma discussão, pense se a razão que o/a leva a isso é mesmo importante... a não ser que seja para tornar claro desde o início as regras com que se quer jogar/viver.

Não gaste tempo inútil, com coisas inúteis. Discuta quando são coisas importantes, de forma clara, serena, tentando argumentar e não ofender.
Se não está certo das suas convicções, ou se não tem a certeza das motivações do outro, procure dialogar, escolhendo a tolerância, a compreensão, a caridade, e nunca a humilhação ou a imposição de valores.

Dos mais velhos para os mais novos: regras claras. Não alterar regras a meio do percurso, a não ser que não sejam justas. A haver castigos, que se mantenham. Dizer claramente o que se quer e quais as razões, quando a criança/adolescente têm idade para compreender....

Não discuta por tudo e por nada.
Tente ver toda a floresta, para lá da árvore, para lá do problema... vai logo deitar fogo à árvore que o/a incomoda, correndo o risco de destruir toda a floresta... ou vai deitar a água suja fora sem reparar que ainda lá se encontra o bebé... valerá a pena?!

Ou como alguém perguntou: ter razão ou escolher ser feliz?
Não é fácil darmos a dimensão aos nossos problemas, por vezes demasiado pequenos para lhes darmos tamanha importância, destruindo-nos e àqueles que estão à nossa volta...

Continuo a refletir nesta questão... no concreto nunca é fácil... mas seria mais saudável a nossa vida!


14
Jan 12
publicado por mpgpadre, às 13:26link do post | comentar

Sê profeta na tua vida, na família, no trabalho, na comunidade.

Ninguém é profeta na sua terra.

Proximidade e distância.

Namoro e compromisso.

A horta da vizinha é melhor que a minha.

Psiquiatras. Psicólogos. Sacramento da Confissão.

Torna-se ator da tua vida e não apenas espectador da tua história.

Jesus Cristo. Augusto Cury. Cada um de nós. Principezinho.

Santos para os outros, mas em casa autênticos demónios.

 

Alguém um dia, referindo-se à Princesa Diana, disse que era fácil amá-la. Todo o mundo a amava. Salvo seja. Prefiro, pessoalmente, princesas reais, de carne e osso e não de plástico, feitas por medida, pelas televisões e revistas coloridas. Também nada me move contra quem faz a sua vida nas passarelas da visibilidade, sabendo-se sempre que as suas vidas em privado são como a do comum dos mortais, com choros e risos, com boa disposição e com inseguranças várias, com medo e confiança, com dúvidas e com sonhos, com fracassos e recomeços. Não muito diferente da vida de qualquer um, sabendo-se que cada um, mesmo em circunstâncias semelhantes, vive de maneira diferente, à sua maneira.

 

Há almas que sangram, ainda que aparentemente o rosto sorria.

Talvez tenha sido assim com aquela princesa, talvez seja assim com muitas princesas que encontramos no nosso dia-a-dia.

Lembra-me uma pequena história.

Um dia um homem foi ao psiquiatra, muito deprimido, desencantado com a vida, com as pessoas. O psiquiatra, depois de o ouvir, em algumas sessões, deu-lhe um conselho que julgou ser importante: por que é que não vai assistir à exibição de um palhaço, na praça central, todos os dias, ao fim da tarde? Vai ver que se sente melhor. Ele encanta. Faz-nos rir desbragadamente. Vai ver que não se arrepende. Da próxima vez que cá voltar, virá um homem diferente.

- Esse palhaço, respondeu o paciente, sou eu!

Como diz o povo, cada um sabe o que vai em sua casa.

 

Ninguém é profeta na sua terra.

A expressão é de Jesus Cristo, quando vai à sua terra e não é bem recebido.

Isto diz muito das nossas vidas. Em casa, somos nós. Em casa, muitas vezes, deixamos vir ao de cima o melhor e o pior. Fora deixamos ver apenas o melhor. Em casa, conhecem as nossas fragilidades. Fora, conhecem o que mostramos. É assim, positiva e negativamente. Os que nos são mais próximos conhecem-nos melhor, conhecem o lado solar e o lado lunar. Em casa distendemo-nos. Fora, contraímo-nos. Com efeito, recolhemos sempre a casa, é onde nos sentimos melhor. Por vezes, poderá ser um problema: porque estamos em casa não temos o mesmo cuidado e atenção que deveríamos ter com os que nos são mais próximos. Ou porque já sabem dos nossos sentimentos. Ou porque "têm" obrigação de conhecer as razões para estarmos com os azeites.

 

Funciona também quando precisamos ou prestamos ajuda.

Os santos da casa não fazem milagres.

Ouvimos o mesmo a uma pessoa que nos é próxima e a uma pessoa que (ainda) não nos é nada, e nos conselhos que nos dão, uma e outra, nas palavras e nos gestos, podem ser exatamente iguais, só ouvimos o que não nos é familiar.

Daí a importância dos psicólogos, dos psiquiatras, do sacramento da Confissão (tem inevitavelmente uma dimensão terapêutica).

Se é uma pessoa que não nos deve nada, então o que nos diz é para levar a sério.

Se é uma pessoa próxima, cumpre a sua obrigação e diz por dizer, são palavras (de simpatia, ou não). Nada mais. Pode até sugerir um caminho. É sempre suspeito. Por vezes precisamos de consultar o médico para ele nos dizer que o que temos é o que já sabíamos que tínhamos e que os nossos familiares nos tinham dito que tínhamos. Mas o médico é médico. E ai se ele diz que não temos nada... é porque não presta!

 

Por outro lado, se preciso de ajuda (e quero ser ajudado) recorro a alguém que possa distanciar-se dos meus problemas para ver melhor, para que as suas respostas e ajudas não sejam suspeitas. Mesmo que por vezes saibamos que também somos médicos de nós mesmos, precisamos de outros olhos, de outra visão, da opinião de alguém que não seja suspeito por estar demasiado envolvido.

Como referimos antes, é preciso ver toda a floresta. Entrar na floresta. Ver que a árvore que nos tapa a visão é só uma árvore. Há outras árvores. É preciso entrar para conhecermos. É preciso distanciar para compreender...

 

O namoro inseria-se nesta perspetiva: levava a que as pessoas tivessem um tempo para se conhecerem, para que o olhar primeiro da paixão, que deixa ver apenas qualidades, não ofuscasse uma visão mais completa e verdadeira da pessoa de quem nos aproximamos. A intimidade surgia apenas depois de um tempo (mais ou menos longo) de conhecimento, de descoberta, de proximidade... O compromisso aparecia quando já se conheciam também algumas imperfeições. Atente-se para o facto de alguns procurarem esconder os defeitos, as inseguranças, enquanto não assegurassem um compromisso. Com o tempo, com a proximidade, deixamos de ter cuidado, pouco a pouco deixamos ver também as insuficiências. E, por outro lado, passamos a descobrir também no outro as suas fragilidades.

Agora avança-se de imediato para o compromisso, e quando as pessoas se conhecem, vem o descompromisso. Por vezes mais rápido que o expectável.

 

Uma dimensão muito curiosa do ser humano.

Enquanto em atitude de conquista, é atencioso, diplomata, coloca o melhor de si mesmo.

Depois da conquista, relaxa. Em excesso, por vezes. Por um lado, as pessoas não podem e não devem estar em constante "conquista", precisam de se sentir seguras, em casa, relaxadas. Por outro outro lado, a atenção e delicadeza devem nortear todo e qualquer comportamento.

 

Neste sentido, hoje propúnhamos: seja profeta na sua vida, na sua casa, na sua comunidade. Faça-se presente. Sinta-se filho (e não enteado). Sinta o pulsar da vida como desafio, Procure ser simpático, envolvente, atencioso. Coloque o melhor de si mesmo no encontro com os que lhe são mais próximos. Que a sua proximidade o distancie da frieza, da indiferença, da indisposição. Seja ator. Não espectador. Tome a iniciativa. Tem medo. Não hesite. O não está certo. Por que não habilitar-se ao sim. Acolha. Viva. Celebre.

É fácil que todo o mundo aclame a Princesa Diana, menos o seu marido e os de sua casa. À distância é fácil amar, louvar, admirar. Perto, vemos os defeitos, torna-se mais difícil. O essencial, a amizade, ou o amor autêntico, é aquele que reconhece as perfeições e imperfeições do outro e ainda assim lhe quer bem.

 

Tomemos por exemplo Jesus Cristo. Chama os seus discípulos. Conhece-os. Sabe que são impulsivos, que não têm formação, que não são benquistos pela população, hesitantes, e até de honestidade duvidosa. Ainda assim, Jesus chama-os, quere-os junto de Si, quer fazer deles "pescadores de homens", quer explorar o melhor que eles têm. Aposta neles, mesmo que vislumbre a dúvida, a negação, a traição. Acredita que o amor, a confiança, o perdão, são mais fortes.

 

Sejamos profetas em nossa casa. Não depende dos outros. É uma atitude nossa. Pode ser correspondida ou não. Sejamos atores. Não esperemos que os outros sejam atenciosos, meigos, simpáticos, para o sermos também. Alguém tem de tomar a iniciativa. Mesmo que com o tempo se torne doloroso ser rejeitado ou incompreendido.

Insista. Como Jesus. Ele nunca desiste das pessoas. Nem de Judas, o discípulo que mais amou e mais protegeu. Conhecia a sua fragilidade, o seu íntimo, dedicou-lhe tempo, atenção, atribuiu-lhe responsabilidades, manteve-o por perto. Até ao fim. Judas não compreendeu o amor de Jesus, não correspondeu. Jesus não desistiu.

Não desista, pelo menos no início, pelo menos sem tentar.

 

É tão fácil ser deus para os que nos são estranhos.

É tão fácil estar de passagem na vida de alguém, ou até mesmo na vida de uma comunidade. Tudo é fácil, tudo é agradável, promissor. Difícil é permanecer, permanecer em todos os momentos, não apenas quando tudo corre bem. Há pessoas extraordinárias, para toda a gente, boas, generosas, agradáveis. Porém, para os de casa são um sobressalto, uns demónios, sempre carregados de indisposição. Que valor há nisso? Todos conseguem. Seja diferente. Comece no seu coração, em sua casa, na sua família. Dê o melhor de si mesmo. Seja coerente de dentro para fora (e se necessário, do exterior para o interior), primeiro seja profeta em casa. Depois leve a profecia até às alturas.

 

A felicidade encontra-se em casa.

No seu coração. A busca interior é a mais importante. Pode ser a mais compensadora. Será sempre mais duradoura. O Principezinho vai por muitos mundos, mas regressa a casa, ao seu mundo, à sua flor. É o tempo que gastamos com a nossa flor que a tornamos bela para nós. Gaste tempo com a sua flor, com a sua casa, com a sua família. Estará ainda mais disponível para os que estão fora da sua casa. Pode até tornar-se casa também para os outros. Não inverta. Comece em si, em sua casa.


07
Jan 12
publicado por mpgpadre, às 17:30link do post | comentar

"Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste" (Mt 5, 48).
"Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso" (Lc 6, 36).
Estamos no dia 7 de janeiro. Vamos no sétimo dia do ano. Para os judeus (para a Bíblia), os números têm um simbolismo muito próprio.
O 7 é o número da perfeição, da plenitude.
Deus criou o mundo em 7 dias.
Ao sétimo dia descansou. O descanso faz parte da criação, a contemplação da obra criada. Para nós, oportunidade para o louvor, para o encontro, para a partilha, para a comunhão.
Perdoar 7 vezes, ou até 70x7, significa perdoar sempre.
Deixando-nos interpelar pelo número 7, procuremos responder segundo a nossa vocação primordial: a santidade.
O desafio de Jesus no Evangelho aponta para as alturas, para o próprio Deus Pai.
Os cristãos não se devem resignar ao mínimo, garantido, mas à plenitude de Deus, almejando ir sempre mais além.
Por outro lado, como nos recorda o Concílio Vaticano II, a santidade não é uma característica das pessoas consagradas, dos religiosos e religiosas, mas é a vocação própria de todos os baptizados. A perfeição vem-nos de Jesus Cristo, pelo Espírito Santo, pelo Batismo tornamo-nos novas criaturas, somos santificados por Ele, o Cordeiro que tira o pecado do mundo.
Desde então o nosso olhar e o nosso coração estão voltados para a origem da santidade, o próprio Deus, para a nossa identidade primeira: filhos de Deus. A santidade é um caminho que havemos percorrer se queremos que a nossa vida não se feche, não se apague, não se perca, mas desemboque na eternidade de Deus.
Está ao alcance de todos. Como dizíamos ontem, nem todos podemos ser frondosas árvores na montanha, mas podemos tornar-nos pessoas extraordinárias se ousarmos guiar a nossa vida por um IDEAL, que para nós cristãos tem um rosto: Jesus Cristo, o rosto de Deus, e que se torna visível em cada pessoa que encontramos.
Quando Jesus diz aos seus discípulos para serem perfeitos, ou misericordiosos, como o Pai celeste, di-lo no desafio de amarem os outros como a si mesmos, amando até os inimigos.
Amar os inimigos é reconhecer que eles não são maiores, nem o nosso azedume, do que o amor que há na nossa vida e que há de habitar o meu, o teu, o seu coração.
O caminho da santidade é o regresso ao melhor de nós, à nossa identidade: tornarmo-nos aquilo que somos (pelo batismo): filhos amados de Deus.


11
Jul 11
publicado por mpgpadre, às 10:41link do post | comentar

  1. Nunca deixes passar a oportunidade de sair para um passeio.
  2. Experimenta a sensação do ar fresco e do vento na tua face por puro prazer.
  3. Quando alguém que amas se aproxima, corre para o saudar.
  4. Quando houver necessidade, pratica a obediência.
  5. Deixa os outros saberem quando invadirem o teu território.
  6. Sempre que puderes tira uma soneca e espreguiça-te antes de te levantares.
  7. Corre, pula e brinca diariamente.
  8. Come com gosto e entusiasmo mas pára quando estiveres satisfeito.
  9. Sê sempre leal.
  10. Nunca pretendas ser algo que não és.
  11. Se o que desejas está enterrado, cava até encontrares.
  12. Quando alguém estiver a passar por um mau dia, fica em silêncio, senta-te próximo e, gentilmente, tenta agradá-lo.
  13. Evita morder quando apenas um rosnado resolver.
  14. Nos dias mornos, deita-te de costas sobre a relva.
  15. Nos dias quentes, bebe muita água e descansa debaixo de uma árvore frondosa.
  16. Quando estiveres feliz, dança e balança todo o teu corpo.
  17. Não importa quantas vezes fores censurado, não assumas a culpa que não tiveres e não fiques amuado... corre imediatamente de volta para teus amigos. 


23
Jun 11
publicado por mpgpadre, às 19:28link do post | comentar

       Este é um conjunto de frases com muito sentido, embora estejam em castelhano, optámos por manter o original. Vale a pena ler e meditar e sobretudo "encaixar" as que podem modificar positivamente a nossa vida.


26
Mar 11
publicado por mpgpadre, às 11:05link do post | comentar
       Num dos blogues que acompanhamos, Reino Imperfeito, encontrámos este vídeo sobre invisibilidade. É uma reflexão que vale a pena fazer... Quantas coisas realizamos que não são reconhecidas! Quantas vezes passamos despercebidos, sem que ninguém veja o nosso trabalho e até o nosso sacrifício?! Seremos invisíveis? Haverá alguém que nos vê?


17
Mar 11
publicado por mpgpadre, às 10:10link do post | comentar

       Todas as pessoas já viveram situações que desejariam não ter vivido.

       Por vezes ouvimos alguns a dizerem que se voltassem atrás fariam tudo de novo, as mesmas coisas, repetiriam a vida. Como se isso fosse possível! As circunstâncias teriam que ser as mesmas. A vida não volta para trás. E, claro, todos alterariam alguma coisa. Só não mudam os burros e os sábios, como diz um provérbio chinês. Olhando para trás, se não houvesse nada a mudar, era sinal que nada se tinha aprendido com as diversas experiências., nada se teria aprendido com a própria história. Repetindo tudo, também os erros seriam repetidos.

       Obviamente, todos mudaríamos alguma coisa.

       Mesmo que saibamos que as circunstâncias em que agimos não nos tivessem antes permitido agir doutra forma. Como nos lembra Ortega y Gasset, nós, somos nós e as nossas circunstâncias. Quando fazemos algum gesto, quando assumimos um comportamento determinado, estamos sempre condicionados por muitos factores interiores, medo/confiança, experiência/inexperiência, coragem/hesitação, pessimismo/experiência, e por muitas factores exteriores, os outros, o tempo, as condições sociais, políticas, económicas, familiares.

       Deparamos também com aqueles que torcem as orelhas: quem me dera voltar atrás, como tudo seria diferente! Ah, como eu mudaria muita coisa! Ah, como tudo seria bem diferente! Se pudesse voltar atrás...

       Mas também não podemos voltar atrás. A nossa vida decide-se e resolve-se no presente e avança impreterivelmente para o futuro, para o amanhã, e este só Deus no-lo pode garantir. Cabe-nos viver o presente, o aqui e agora (hic et nunc) da nossa vida, do nosso quotidiano, o passado já lá está, o futuro a Deus pertence. Carpe diem - colha o dia, viva o momento! Num sentido cristão, positivo, significa que não desculpamos a vida com o passado ou com o futuro mas comprometemo-nos com o nosso semelhante no dia de hoje, nas circunstâncias que nos é dado viver.

       Quem me dera voltar atrás!

       Em tempo de Quaresma, este poderá ser um bom propósito, não para olhar (simplesmente) para trás, mas para nos "situarmos" (nos imaginarmos) no futuro, quando chegar o dia, se deixarmos, em que, ao voltar-nos para trás, para o passado, tenhamos que fazer tal afirmação, como lamento, como desilusão, como impossibilidade, com a resignação de quem sabe que poderia ter aproveitado a vida, poderia ter vivido bem, com verdade, com alegria, com honestidade, com garra, com história, e agora já não pode fazer nada com o tempo que desperdiçou, com as oportunidades que não agarrou... Não vale a pena chorar sobre o leite derramado!

       Para que um dia não tenhamos que também nós dizer "quem me dera voltar atrás", não percamos tempo nem oportunidades, façamos tudo, em todas as ocasiões, como se não houvesse amanhã, como se não tivéssemos mais tempo pela frente, como se fosse o último dia, o último encontro, a última palavra, o último café, o último sorriso.

       Demos o melhor de nós mesmos, agora! E então, mais à frente, poderemos dizer: não fiz tudo bem, cometi erros, poderia ter feito melhor, mas tentei dar o melhor de mim mesmo, não adiei escolhas, não desbaratei as minhas energias em futilidades, não desperdicei a oportunidade para ser feliz, não fugi a responsabilidades, não enganei, não maltratei, não injuriei, não menosprezei ninguém... posso morrer em paz!

       Podemos não fazer tudo bem, mas não deixemos de tentar, voltar a tentar, recomeçar, recomeçar uma e outra vez, não desistir da luta, não virar a cara às dificuldades, não esperar que outros façam o que eu posso fazer, não deixemos que outros escolham por nós o nosso destino!

       Quaresma é tempo de conversão, de propósitos de mudança de vida, para darmos o melhor de nós mesmos, nos tornarmos mais solidários, mais próximos, para testemunharmos o Deus da vida...

       Na nossa fragilidade, na nossa birrice, ou na nossa preguiça, peçamos a Deus que nos dê o discernimento para fazermos escolhas de bem e coragem para cumprir com a vida e com todos os projectos que nos transformam em irmãos uns dos outros.

       Não podemos voltar atrás, mas podemos construir detrás para a frente, de hoje em diante,...


28
Fev 11
publicado por mpgpadre, às 10:44link do post | comentar

       As mensagens de Nosso Senhor Jesus Cristo são tão ricas que dão margem a várias reflexões, com as quais podemos mudar e melhorar a nossa vida. Muitas vezes, nós nos lastimamos pelos nossos sofrimentos, quando deveríamos enfrentá-los, com coragem e paciência, na esperança de dias melhores. O pobre da parábola contada no Evangelho de São Lucas (16, 91-31) sofria, mas se contentava com as migalhas que caíam da mesa do rico. No entanto, ao morrer, “foi levado pelos anjos ao seio de Abraão”.

       O seu mérito não foi ser pobre, mas enfrentar sua vida de sofrimentos com galhardia e paciência, sem revolta.

       Ninguém gosta de sofrimento, mas ele acontece para todos. Jesus Cristo suou sangue ao pensar no sofrimento que O esperava, mas o enfrentou com coragem, paciência e amor. A Ressurreição do Senhor é uma prova de que o sofrimento, aqui na terra, é efêmero e o que importa é a abertura de nosso coração para Deus e Seus desígnios e para o nosso irmão, a fim de que possamos dar-lhe a mão e, juntos, vencer as dores, os sofrimentos e os obstáculos que surgem em nossa vida e na vida do outro.

       A dor lava a nossa alma do pecado, assim como a pedra preciosa cintila cada vez mais bela quando é burilada e fica livre das impurezas. Conhecemos vários exemplos, na vida dos santos de Deus e até no nosso quotidiano, de que o sofrimento nos enobrece, nos torna mais fortes, firmes e seguros “como o cedro do Líbano”.

       O Cristo afirma que fazer de nossas dificuldades um muro de lamentações não melhora a situação nem nos mostra caminhos melhores. Devemos enfrentar nossas dores como se elas fossem um trampolim para um amor maior; abraçar a nossa cruz com carinho e energia pode nos levar a dias de felicidade e à esperança de nossa ressurreição com Cristo Jesus.

 

Pe. Wagner Augusto Portugal in Canção Nova, via Mar com Sabor a Canela.


07
Jan 11
publicado por mpgpadre, às 10:24link do post | comentar

Em cada indelicadeza, assassino um pouco aqueles que me amam.

Em cada desatenção, não sou nem educado, nem cristão.

Em cada olhar de desprezo, alguém termina magoado.

Em cada gesto de impaciência, dou uma bofetada invisível nos que convivem comigo.

Em cada perdão que eu negue, vai um pedaço do meu egoísmo.

Em cada ressentimento, revelo meu amor-próprio ferido.

Em cada palavra áspera que digo, perdi alguns pontos no céu.

Em cada omissão que pratico, rasgo uma folha do evangelho.

Em cada esmola que eu nego, um pobre se afasta mais triste.

Em cada oração que não faço, eu peco.

Em cada juízo maldoso, meu lado mesquinho se aflora.

Em cada fofoca que faço, eu peco contra o silêncio.

Em cada pranto que enxugo, eu torno alguém mais feliz.

Em cada ato de fé, eu canto um hino à vida.

Em cada sorriso que espalho, eu planto alguma esperança.

Em cada espinho, que finco, machuco algum coração.

Em cada espinho que arranco, alguém beijará minha mão.

Em cada rosa que oferto, os anjos dizem: Amém!

 

Roque Schneider, postado a partir de Caritas in Veritate


22
Out 10
publicado por mpgpadre, às 10:17link do post | comentar
Há quem pergunte: por que é que alguns dos meus companheiros andam tão felizes e eu não? Não tenho também porventura o direito à felicidade?
Não há receitas para se ser feliz. Nem certamente alguém poderá dizer de verdade que é realmente feliz. Contudo, podemos ter atitudes que podem tornar os nossos dias mais alegres.
Damos 5 sugestões:
1. O LADO POSITIVO
       Em vez de vermos o lado negativo das coisas, é bom vê-las com outros olhos. É o caso do copo meio cheio. O optimista fica satisfeito porque está com líquido até meio. O pessimista vê a parte vazia e lamenta-se.
2 . TER UM PROJECTO DE VIDA
       Cada qual deve ter um projecto a realizar a curto, a médio e a longo prazo. Que seja um projecto belo, que ajude a ser mais humano e mais solidário. E empenhar-se activamente na sua realização. O trabalho dá alegria.
3. INTELIGÊNCIA E CORAÇÃO
       Cada qual deve exercitar a sua inteligência, sentindo alegria de fazer sempre novas descobertas. Mas deve também exercitar o coração, escutando as pessoas, conhecendo-as melhor e amando-as como a nós mesmos.
4. NÃO ESPERAR PELOS OUTROS
       Isto significa que será cada qual a assumir o seu destino, sem estar à espera que nos venham servir a felicidade numa bandeja. Ajudados por uns e estorvados por outros, somos nós os responsáveis da nossa vida.
5. FAZER NOVAS AMIZADES
       É bom ter o nosso grupo de amigos, em quem confiamos e com quem nos sentimos felizes. Mas é saudável encontrar outras pessoas, conquistar novas amizades, dedicando-lhes o nosso tempo, torná-las felizes.
in Revista Juvenil, Outubro 2010, n.º 539


18
Ago 10
publicado por mpgpadre, às 10:23link do post | comentar

       Conta a lenda que certa mulher pobre com uma criança no colo, passou diante de uma caverna e escutou uma voz misteriosa que lá dentro dizia:
       - Entre e apanhe tudo o que você desejar, mas não se esqueça do principal. Lembre-se, porém, de uma coisa: Depois que você sair, a porta se fechará para sempre. Portanto, aproveite a oportunidade, mas não se esqueça do principal...
       A mulher entrou na caverna e encontrou muitas riquezas. Fascinada pelo ouro e pelas jóias, pôs a criança no chão e começou a juntar, ansiosamente, tudo o que podia no seu avental. A voz misteriosa falou novamente:
       - Você agora, só tem oito minutos.
       Esgotados os oito minutos, a mulher carregada de ouro e pedras preciosas, correu para fora da caverna e a porta se fechou. Lembrou-se, então, que a criança lá ficara e a porta estava fechada para sempre!
       A riqueza durou pouco e o desespero, sempre. O mesmo acontece, por vezes, connosco. Temos uns oitenta anos para viver, neste mundo, e uma voz sempre nos adverte:

       - Não se esqueça do principal!
       E o principal são os valores espirituais, a oração, a vigilância, a vida.
       Mas a ganância, a riqueza, os prazeres materiais nos fascinam tanto que o principal vai ficando sempre de lado. Assim esgotamos o nosso tempo, aqui, e deixamos de lado o essencial: "OS TESOUROS DA ALMA!"
       Que jamais nos esqueçamos que a vida, neste mundo, passa rápido e que a morte chega de inesperado, e quando a porta desta vida se fechar para nós, de nada valerão as lamentações.

"NÃO ESQUEÇAMOS DO PRINCIPAL!"
       Dê importância à sua família, seus amigos, seu companheiro, esses sim, são tesouros preciosos e valiosos demais para deixarmos partir sem apreciar os momentos com eles.

 

Autor desconhecido, postado a partir do nosso Caritas in Veritate.


15
Jul 10
publicado por mpgpadre, às 10:31link do post | comentar
       O padre Elói Pinho, já falecido, que falava habitualmente na RR, escreveu um livro com este título, que nos serve hoje para falarmos de interioridade. O mundo é definido em grande medida no nosso coração, na nossa alma, isto é, nas decisões que cada um vai tomando.
       Por vezes, o mundo que nos é exterior é-nos também um mundo estranho, desconhecido, amedronta-nos, oprime-nos, provoca-nos o desânimo. E no entanto, o futuro, a felicidade e o próprio mundo, está nas nossas mãos, na atitude que assumimos perante as adversidades, diante dos outros, na vivência do quotidiano.
       No cristianismo, o apelo à conversão interior é permanente, somos convocados para modificarmos os nossos comportamentos, transformando o mundo que nos rodeia. É, antes de mais, uma opção pessoal. O mundo somos nós, o mundo está em nós, a harmonia do mundo também depende de nós.
       Podemos ter tudo e isso ser nada. Podemos ter todas as riquezas, toda a juventude, uma multidão de pessoas à nossa volta e ainda assim sentirmos que a felicidade/vida nos escapa por entre as mãos. “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida?” (Mt 16, 26 ).
       É nesta perspectiva que o cristianismo enquadra o princípio: carpe diem, vive o dia presente. Com responsabilidade, certamente, mas valorizando desde já cada momento, cada encontro, cada sol e cada chuva, não esperando indefinidamente por amanhã para ser feliz, à espera do príncipe ou princesa encantados, que o companheiro/a seja mais atento/a, que as finanças sejam mais favoráveis, que alguém reconheça o nosso valor.
       A felicidade depende em grande parte de mim. Hoje quero ser feliz. Hoje vou ser feliz. Para amar, para perdoar, para fazer o bem, para edificar a paz, não posso estar à espera que os outros se resolvam. Cabe-me a mim empenhar-me. E os outros? São essenciais. Posso cativá-los. E se ninguém mudar?! E que importa, se me sinto bem, se fiz as melhores escolhas, se optei pelo bem, se tenho a consciência tranquila?
       Mas, e os outros?
       Não se trata dos outros. Trata-se de mim, de ti, de cada um assumir uma atitude de conversão e de amor. Hoje, não amanhã! Agora, amanhã posso já não estar!
       No meio dos desertos, interiores e exteriores, o lugar para o encontro connosco, com os outros e com Deus. Opte pelo positivo, faça uma coisa diferente:
       – uma oração, um momento de silêncio; caminhe um pouco, deixe o carro estacionado por um dia; desligue o televisor a uma refeição e fale com a família; não fume durante um dia; hoje não tome café; leia um livro, uma passagem da Bíblia; cante, olhe as estrelas, contemple a noite, colha uma flor, a beleza, coma fruta; por um dia não use palavras negativas, não fale de ninguém, fale a todos com serenidade, transmita paz; visite um doente, vá até ao Lar e/ou Centro de Dia; fale um pouco mais com o seu vizinho; sorria; tem um problema complicado, faça uma pausa, amanhã Deus dar-lhe-á um sinal. Sorria descontraidamente!
 
editorial Voz Jovem, n.º 74, Março 2006


08
Jul 10
publicado por mpgpadre, às 10:33link do post | comentar

       Não te desejo um presente qualquer,

       Desejo-te somente aquilo que a maioria não tem.

       Tempo, para te divertires e para sorrir;

       Tempo para que os obstáculos sejam sempre superados

       E muitos sucessos comemorados.

       Desejo-te tempo, para planear e realizar,

       Não só para ti mesmo, mas também para doá-lo aos outros.

       Desejo-te tempo, não para ter pressa e correr,

       Mas tempo para encontrares a ti mesmo,

       Desejo-te tempo, não só para passar ou para vê-lo no relógio,

       Desejo-te tempo, para que fiques;

       Tempo para te encantares e tempo para confiar em alguém.

       Desejo-te tempo para tocar as estrelas,

       E tempo para crescer, para amadurecer.

       Desejo-te tempo para aprender e acertar,

       Tempo para recomeçar, se fracassar.

       Desejo-te tempo também para poder voltar atrás e perdoar.

       Para ter novas esperanças e para amar.

       Não faz mais sentido protelar.

       Desejo-te tempo para ser feliz.

       Para viver cada dia, cada hora como um presente.

       Desejo-te tempo, tempo para a vida.


05
Jul 10
publicado por mpgpadre, às 16:14link do post | comentar

       Existia numa aldeia, um homem muito pobre, que tinha um cavalo muito bonito.

       O cavalo era tão bonito que os fidalgos do castelo queriam comprar-lho, mas ele nunca quis.

       "Para mim, este cavalo não é um animal, é um amigo. Como é que eu podia vender um amigo? Perguntou-se.

       Uma manhã, ele vai ao estábulo e o cavalo não estava.

       Todos os aldeões lhe disseram: "Nós avisámos-te! Devias tê-lo vendido. Agora roubaram-to... que má sorte!"

       O velho homem respondeu "Sorte ou má sorte, quem o pode dizer?"

       Todas as pessoas faziam pouco dele. Mas 15 dias depois, o cavalo apareceu, com uma horda de cavalos selvagens. Ele tinha fugido para conquistar uma bela égua e depois veio com o resto da horda.

       "Que sorte!" disseram os aldeões.

       O velho homem e seu filho começaram a domar os cavalos selvagens. Mas uma semana mais tarde, o filho parte a perna num treino.

       "Que má sorte!" dizem os amigos. "Como vais fazer, tu que já és tão pobre, se o teu filho, a tua única ajuda não pode te ajudar!"

       O velhote responde "Sorte, má sorte, quem o pode dizer?"

       Alguns tempos mais tarde, os soldados dos fidalgos do país chegaram à aldeia e levaram à força todos os jovens disponíveis.

       Todos... excepto o filho do velhote, que tinha a perna partida.

       "Que sorte tu tens, todos os nossos filhos foram para a guerra, e tu és o único a guardar o teu filho contigo. Os nossos se calhar vão morrer..."

       O velhote responde "Sorte, má sorte, quem o pode dizer?"

 

       O futuro é-nos dado por fragmentos. Não sabemos nunca o que vai acontecer. Mas um pensamento positivo permanente abre-nos as portas da sorte, da criatividade e faz-nos mais feliz.

 
Autor desconhecido


29
Jun 10
publicado por mpgpadre, às 13:40link do post | comentar

DEPOIS...
Convencemo-nos que a vida será melhor depois...
depois de acabar os estudos,
depois de arranjar trabalho,
depois de casarmos,
depois de termos um filho,
depois de termos outro filho.
Depois...

 

Então, sentimo-nos frustrados porque os nossos filhos ainda não são suficientemente crescidos e julgamos que seremos mais felizes quando crescerem e deixarem de ser crianças.
Depois, desesperamos porque são adolescentes, insuportáveis.
Pensamos: "Seremos mais felizes quando esta fase acabar!"
Então, decidimos que a nossa vida estará completa quando o nosso companheiro
ou companheira estiver realizado...
 

Quando tivermos um carro melhor...
Quando pudermos ir de férias...
Quando conseguirmos uma promoção...
Quando nos reformarmos...

 

A verdade é que
NÃO HÁ MELHOR MOMENTO PARA SER FELIZ DO QUE AGORA !
 

Se não for agora, então quando será?

A vida está cheia de depois...
É melhor admiti-lo e decidir ser feliz agora, de todas as formas.
Não há um depois,
Não há um caminho para a felicidade,
Porque a felicidade é o caminho
e é AGORA!

 

Deixa de esperar até que acabes os estudos...
até que te apaixones...
até que encontres trabalho...
até que te cases...
até que tenhas filhos...
até que eles saiam de casa...
até que te divorcies...
até que percas esses 10 kg...
até sexta-feira à noite ou Domingo de manhã...
até à Primavera, o Verão, o Outono ou o Inverno,
ou até que morras...
para decidires então que
...não há melhor momento que justamente ESTE para seres feliz!

 

A felicidade é um trajecto, não um destino
Trabalha como se não precisasses de dinheiro...
ama como se nunca te tivessem magoado
e dança como se ninguém estivesse a ver!
Saibamos ser felizes AGORA!

 

Autor desconhecido


21
Abr 10
publicado por mpgpadre, às 11:27link do post | comentar

       Mais um diaporama interessantíssimo, que nos interpela sobre a postura a asumir diante das dificuldades da vida. Esta podem ser um obstáculo fatalista, ou uma oportunidade de ir mais alto e mais longe na busca da felicidade, escolhendo o perdão, a compreensão, a bondade dos outros, a alegria que nos rodeia, a esperança com que devemos inundar a nossa vida.

       Ouça, veja, relaxe, reflicta:


20
Abr 10
publicado por mpgpadre, às 10:37link do post | comentar

       Hoje estamos mesmo numa de estórias. Cada uma carrega uma mensagem importante. A que se segue fala da necessidade de aceitarmos as nossas limitações, bem assim como promover os talentos dos outros... 


17
Abr 10
publicado por mpgpadre, às 10:40link do post | comentar

Tu és um ser humano, és o Meu milagre.

E és forte, capaz, inteligente, e cheio de dons e talentos.

Conta teus dons e talentos. Entusiasma-te com eles.

Reconhece-te. Aceita-te. Anima-te.

E pensa que desde este momento podes mudar tua vida para o bem,

se assim te propões e se te enches de entusiasmo.

Tu és minha criação maior. És meu milagre.

Não temas começar uma nova vida. Não te lamentes nunca. Não te queixes.

Não te atormentes. Não te deprimas. Como podes temer se és meu milagre ?

Estás dotado de poderes desconhecidos para outras criaturas do Universo.

És ÚNICO.

Ninguém é igual a ti. Só em ti está aceitar o caminho da felicidade e enfrentá-lo seguindo sempre adiante. Até o fim.

Simplesmente porque és livre.

Em ti está o poder de não amarrar-te às coisas. As coisas não fazem a felicidade.

Te fiz perfeito para que aproveitasses tua capacidade, e não para que te destruísses com teus enganos mundanos.

Te dei o poder de PENSAR.

Te dei o poder de AMAR.

Te dei o poder de IMAGINAR.

Te dei o poder de CRIAR.

Te dei o poder de PLANEAR.

Te dei o poder de REZAR.

E te situei o poder dos anjos quando te dei o poder da escolha.

Te dei o domínio de escolher o teu próprio destino usando tua vontade.

O que tens feito destas tremendas forças que te dei? Não importa!

De hoje em diante esqueça o teu passado, usando sabiamente este poder de escolha.

Opta por SORRIR em lugar de chorar.

Opta por CRIAR em lugar de destruir.

Opta por DOAR em lugar de roubar.

Opta por ATUAR em lugar de adiar.

Opta por CRESCER em lugar de consumir-te.

Opta por BENDIZER em lugar de blasfemar.

Opta por VIVER em lugar de morrer.

E aprende a sentir a Minha presença em cada ato de sua vida.

Cresça a cada dia um pouco mais no otimismo e na esperança!

Deixa para trás os medos e os sentimentos de derrota. Eu estou ao teu lado. Sempre.

Chama-me. Busca-me. Lembra-te de mim.

Vivo em ti desde sempre e sempre te estou esperando para amar-te.

Se hás de vir até Mim algum dia.. que seja hoje, neste momento!

Cada instante que vivas sem Mim, é um instante infinito que perdes de Paz.

Procura tornar-te criança... simples, generoso doador, com capacidade de

extasiar-te e capacidade para comover-te ante à maravilha de sentir-te humano.

Porque podes conhecer Meu amor, podes sentir uma lágrima, podesc ompreender uma dor.

Não te esqueças de que és Meu milagre.

Que te quero feliz, com misericórdia, com piedade, para que este mundo em que transitas possa acostumar-se a sorrir, sempre que tu aprendas a sorrir.

E se és Meu milagre, então usa os teus dons e muda o teu meio ambiente,

contagiando esperança e otimismo sem temor porque...

EU ESTOU AO TEU LADO !

 

DEUS.

 

Postado a partir do nosso blogue: Caritas in Veritate.


07
Abr 10
publicado por mpgpadre, às 11:04link do post | comentar

       Há reflexões que nos podem ajudar a viver melhor ou, pelo menos, são um desafio a encarar a vida de um modo sempre novo, dinâmico, optimista. As dificuldades apresentam-se, por vezes,como pesada cruz, mas a esperança é já parte do caminho percorrido para a felicidade...


25
Mar 10
publicado por mpgpadre, às 10:20link do post | comentar

       Rica ou pobre, a mãe autêntica, noite e dia, vela pelo seu filho (a). Tudo faz por ele ou por ela, silenciosamente, e, por vezes, na ingratidão filial, continua a tecer amor e carinho para que a vida saída do seu ventre conquiste a felicidade.


publicado por mpgpadre, às 09:53link do post | comentar

QUERO FALAR CONTIGO SOBRE OS MEUS SENTIMENTOS [1]

       Quero falar contigo sobre os meus sentimentos. Foi assim que a comunicação começou.

       Comunicar é como jogar a bola. Eu atiro a bola e tu apanha-la. E outra vez: eu atiro a bola…

       “Eu quero falar contigo sobre os meus sentimentos”. Foi assim que a comunicação começou. Tal como precisamos de lançar a bola de uma lado para o outro para que haja jogo, nós, para comunicar, precisamos de falar de uns para com os outros sobre os nossos sentimentos.

       Se vós estiverdes demasiadamente perto, ou se estiverdes demasiadamente longe um do outro, não é fácil jogar à bola. Se vós estiverdes demasiadamente perto, ou demasiadamente longe, da pessoa a quem amam, ou do vosso amigo, ou do vosso filho, ou dos vossos pais, não é fácil comunicar.

       A comunicação não começa com as duas pessoas a falar ao mesmo tempo. De um lado ou do outro tem de partir o primeiro movimento. Alguém tem de lançar primeiro a bola.

       Mas tu podes não querer ser o primeiro a atirar a bola – talvez queiras esperar que alguém te atire a bola. (Porque quando a atiras e ninguém a apanha, ficas infeliz). Há ocasiões em que, sem o esperares, és rejeitado. Há ocasiões em que, quando atiras a bola, porque queres jogar com outra pessoa, essa pessoa atira-a para outra.

       Desde muito cedo que nos habituámos a ter algumas pessoas que não ouvem o que dizemos. "Agora estou muito ocupado", dizem. "Falamos mais tarde, está bem?" Por isso, acabamos por pensar: "Não tem importância o que eu possa dizer". É por isso que é preciso ter coragem para ser o primeiro a atirar a bola.

       Às vezes ganhaste finalmente coragem para lançar a bola a outra pessoa só para a ver lançá-­la para longe. Alguma vez isto aconteceu contigo? Ou então tu lanças a bola a partir do teu coração, só para que a pessoa a quem a lançaste lhe dê um pontapé... Alguma vez isto aconteceu contigo?

       Ou então tu lanças uma bola com meio metro de diâmetro, mas, quando ela volta para ti, só tem alguns centímetros... Alguma vez isto aconteceu contigo?

       Alguma vez disseste para ti mesmo "Em vez de ser eu a lançar a bola e ser infeliz, é melhor não lançar a bola; espero que alguém me lance a bola"? Mas, e se ninguém te atira a bola…?

       Tu não és o único que foste surpreendentemente rejeitado, que já recebeu uma bola devolvida, que é infeliz. Talvez tu já tenhas dado também alguns pontapés na bola, e feito alguém infeliz, e nem saibas que o estás a fazer. Todos nós queremos que apanhem as nossas bolas. Todos nós queremos que as pessoas ouçam o que temos para dizer. Todos nós queremos que as pessoas percebam que nós existimos.

       Quem é que no mundo vai aceitar todas as pessoas que querem ser aceites?

       Se a pessoa a quem atiraste a bola do coração a apanha, e se tu apanhas a bola que essa pessoa te atirou do coração, então uma fase da comunicação foi preenchida.

       Mas algumas vezes nós sentimos que "Ele não a apanhou da maneira que eu queria!", ou que "Não tenho possibilidade de apanhar a bola que ele me atirou!", Nós temos muitas formas como estas de falta de comunicação.

       Quando se acumulam momentos de falta de comunicação, as nossas emoções ficam instáveis. Nós ficamos aborrecidos, preocupados, zangados, com preconceitos, hostis. De vez em quando, explodimos... Depois, aos poucos e poucos, começamos a não sentir nada... E, mais cedo ou mais tarde, estamos sozinhos.

       Se a pessoa a quem atiraste a bola não a apanhou da maneira que tu querias, não culpes essa pessoa. Talvez ela não seja muito boa a jogar a bola. Talvez ela estivesse nervosa, e a sua mão tenha deslizado. Talvez a tua bola fosse demasiado pesada.

       Se o teu chefe, ou os teus pais, ou o teu companheiro nunca te deixam dizer o que queres, como te sentes? Se houver três ou quatro bolas que são atiradas para ti ao mesmo tempo, como te sentes?

       Medes a tua capacidade de comunicar através da reacção da pessoa com quem estás a tentar comunicar. Mesmo que não o queiras admitir.

       Há uma maneira boa e uma maneira má de comunicar. Trocar comunicação é uma maneira boa de comunicar. Não trocar comunicação é uma maneira má de comunicar. Igualmente má, é trocar alguma coisa que é parecida com comunicação – mas que não é realmente comunicação.

       O que significa ser parecido com comunicação? Só falar do tempo, ou de desporto, ou do sexo oposto, é parecido com comunicação. Só falar do que fazes na vida (como alguém mais velho, como professor, como jovem, como marido, como mulher) é parecido com comunicação. Quando trocas alguma coisa parecida com comunicação, não tens de te preocupar por te sentires só, ou sentires dor. Não tens de te preocupar com sentimentos ou argumentos inesperados. Mas também não tens a experiência de uma alegria inesperada – ou a sensação de estar realmente vivo.

       Se o comportamento da pessoa com quem estás a comunicar não muda, isso significa que realmente aí não houve comunicação. Houve apenas conversa social. A verdadeira comuni­cação leva sempre a novos comportamentos.

       Há uma diferença entre comunicar com as pessoas e simplesmente confirmar a relação com essas pessoas. As relações tornam-se rígidas. A comunicação muda isso.

       Que tipo de relações queres ter?

       Uma das razões para a existência de problemas na comunicação é que, quando dizes ser amigo de alguém, com que estás mesmo preocupado é em mostrar a essa pessoa que és melhor do que ela.

       Que tipo de relação queres ter com outra pessoa? Uma relação unilateral? Queres que se igno­rem uma à outra? Ou queres jogar "contra a parede"? Ou queres conservar os teus sentimentos fechados dentro de ti?

       "Se ao menos eu fosse melhor do que aquela pessoa", dizes tu. Sem se perceber, muitas vezes usamos a comunicação como uma forma de competição. Mas, mete isto na tua cabeça: o preenchimento da fase seguinte da comunicação vem daquilo a que se pode chamar aceitação. As pessoas mudam o seu comportamento quando se sentem aceites.

       Gostar de outra pessoa não é necessariamente aceitá-la. Se houver uma pessoa de que tu não gostes, primeiro aceita o "tu" que não gosta dessa pessoa. O grau em que tu aceitas outra pessoa coincide exactamente com o grau com que te aceitas a ti.

       Aceitar é ouvir o que a outra pessoa tem para dizer.

       "Eu quero falar sobre os meus sentimentos", podes dizer, "mas ninguém me ouve". Tu não és a única pessoa que pensa assim muitas vezes. De facto, isto é o que acontece sempre que as pessoas tentam usar a comunicação para competir, em vez de ser para aceitar.

       Enquanto pensares que a tua capacidade de comunicar é a tua capacidade de falar, nunca poderás experimentar a sensação de estar com outra pessoa. A tua capacidade de comunicar depende da tua capacidade de fazer com que a outra pessoa fale – e a tua capacidade de ouvir o que essa pessoa está a dizer. Ouvir só é ouvir quando se escuta tudo o que o outro está a dizer, sem julgar ou negar, ou comparar essa pessoa contigo.

       Se estiveres realmente a ouvir, e se estiveres preparado para aceitar, será fácil para a outra pessoa falar. Mesmo se a bola for difícil de apanhar, ou tiver sido atirada com pouca força, se fizeres o melhor que puderes para a apanhar... tu consegues.

       Não consegues apanhar uma bola se só ficares à espera. Se estás realmente preparado para aceitar, dá um passo em frente. Usa o teu corpo todo. Estica a tua mão e aceita o que está mesmo à tua frente.

Se achas que aceitar outra pessoa quer dizer concordar com tudo o que ela diz ou faz, a aceitação não será fácil.

       Aceitar significa ouvir tudo o que a outra pessoa tem para dizer e dar-lhe valor.

       Se houver aceitação, pode-se pensar de maneira diferente, ter interesses diferentes, sentimentos diferentes – e mesmo assim estar junto.

       Quando a aceitação acontece, foi preenchido um novo estádio da comunicação. Quando um estádio da comunicação foi preenchido, sentimo-nos aliviados.

       Quando duas pessoas se conhecem, estão as duas ansiosas. O problema não é a ansiedade. O problema surge quando se tenta esconder isso. Estás tão preocupado com a forma como vais atirar a bola que ignoras a preocupação e tentas agir como se não estivesses ansioso. Estás tão preocupado com a forma como apanhas a bola que ignoras a preocupação e ages como se não estivesses ansioso. No momento em que paras de agir como se nada estivesse errado, tu aceitas-te a ti próprio. Só depois de te teres aceitado a ti próprio é que a verdadeira comunicação acontece.

       "Quero falar contigo sobre os meus sentimentos". No momento em que te começas a sentir assim, começas a atirar bolas que são fáceis de apanhar. (É impossível para uma pessoa que não tenha jogado muito a bola apanhar bolas rápidas e curvas, mesmo que ela queira. Se a pessoa com quem estás a jogar não estiver pronta para aceitar, atira a bola de uma maneira suficientemente fácil para que ela a possa apanhar.)

       Nós vivemos através da comunicação. Quando a tua comunicação muda com outra pessoa, a tua relação muda com todas as outras pessoas também. A tua relação com o teu trabalho e as relações na tua vida mudarão também. E a tua relação contigo mudará também.

       "Quero ouvir-te falar sobre os teus sentimentos".

       É assim que a comunicação começa.

------------------------------------------

[1] ITOH, MAMORU (1992), I want to tell you about my feelings, translated by Leslie M. Nielsen, William Morrow and Company, Inc., NY. Traduzido do inglês por Helena Gil da Costa (2002). Este texto já foi publicado aqui, em 11 de Outubro de 2007.


18
Mar 10
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar

Já percebeste que para seres feliz e andares alegre só tens um caminho: amar?

Já entendeste até ao mais íntimo de ti próprio que a felicidade está mais em dar do que em receber?

Já assumiste com Cristo que o «mandamento novo» é que liberta e faz feliz?


Ama e viverás.

Ama e serás feliz.

Ama e serás santo.


Entra nesse mistério de dar sem esperar recompensa,

de amar sem ser amado,

de saíres de ti na entrega total e generosa.

Faz, age, concretiza o amor.


Esquece-te de ti,

não te centres no teu eu,

no teu problema, na tua doença, na tua «tragédia em copo de água».


Abre-te aos outros.

Abre-te ao amor.

Sê homem ou mulher de coração aberto.

 

Sentirás cansaço, porventura repugnância,

sentirás medo,

sentirás às vezes quase revolta quando os outros

não sentem o teu dom,

não agradecem, não retribuem.

É aí que tu és cristão ou cristã a sério.

Não desanimes.

Só o amor é caminho de santidade, de felicidade.

E não desistas nunca de amar,

mesmo quando não sentes o fruto concreto desse amor.


Que a tua única resposta,

a tua «vingança» seja amar mais, amar melhor,

lançar-te ainda mais a um amor mais forte.
 

Dário Pedroso, s.j., em "Sinfonias do amor", in Conhecer e Seguir Jesus.


17
Mar 10
publicado por mpgpadre, às 10:49link do post | comentar

       No manual de EMRC, do 6.º ano de escolaridade, "Nós e o Mundo", na temática sobre a família, é proposto o texto que se segue: "As janelas Douradas". Um menino que todos os dias olha para o horizonte e numa casa distante vê uma casa com janelas douradas e com diamantes. E um dia vai ao encontro dessa casa...

       O menino trabalhava arduamente durante todo o dia, no campo, no estábulo e no armazém, pois os pais eram pobres e não podiam pagar a um ajudante. Mas, quando o sol se punha, o pai deixava-lhe aquela hora só para ele. O menino subia ao alto de um morro e ficava a olhar para um outro morro, distante alguns quilómetros. Nesse morro, via uma casa com janelas de ouro e de diamantes. As janelas brilhavam e reluziam tanto que ele era obrigado a piscar os olhos. Mas, pouco depois, ao que parecia, as pessoas da casa fechavam as janelas por fora, e então a casa ficava igual a qualquer outra casa. O menino achava que faziam isso por ser hora de jantar; então voltava para casa, jantava e ia deitar-se. Um dia, o pai do menino chamou-o e disse-lhe:

       - Tens sido um bom menino e ganhaste um dia livre. Tira esse dia para ti; mas lembra-te: tenta usá-lo para aprenderes alguma coisa boa.

       O menino agradeceu ao pai e beijou a mãe. Em seguida partiu, tomando a direcção da casa das janelas douradas.

       Foi uma caminhada agradável. Os pés descalços deixavam marcas na poeira branca e, quando olhava para trás, parecia que as pegadas o seguiam, fazendo-lhe companhia. A sombra também caminhava ao seu lado, dançando e correndo, tal como ele. Era muito divertido.

       Passado um longo tempo, chegou ao morro verde e alto. Quando subiu ao topo, lá estava a casa. Mas parecia que haviam fechado as janelas, pois ele não viu nada de dourado. Aproximou-se e sentiu vontade de chorar, porque as janelas eram de vidro comum, iguais a qualquer outra, sem nada que fizesse lembrar o ouro.

       Uma mulher chegou à porta e olhou carinhosamente para o menino, perguntando o que ele queria.

       - Vi as janelas de ouro lá do nosso morro - disse ele - e vim de propósito para as ver de perto, mas elas são de vidro!

       A mulher meneou a cabeça e riu-se.

       - Nós somos fazendeiros pobres - disse - e não poderíamos ter janelas de ouro. E o vidro é muito melhor para se ver através dele!

       Convidou o menino a sentar-se no largo degrau de pedra e trouxe-lhe um copo de leite e uma fatia de bolo, dizendo-lhe que descansasse. Chamou então a filha, que era da idade do menino; dirigiu aos dois um aceno afectuoso de cabeça e voltou aos seus afazeres.

       A menina estava descalça como ele e usava um vestido de algodão castanho, mas os cabelos eram dourados como as janelas que ele tinha visto e os olhos eram azuis como o céu ao meio-dia. Passeou com ele pela fazenda e mostrou-lhe o seu bezerro preto com uma estrela branca na testa; ele falou do bezerro que tinha em casa, e que era castanho-avermelhado com as quatro patas brancas. Depois de terem comido juntos uma maçã, e se terem tornado amigos, ele fez-lhe perguntas sobre as janelas douradas. A menina confirmou, dizendo que sabia tudo sobre elas, mas que ele se tinha enganado na casa.

       - Vieste numa direcção completamente errada! - exclamou ela. - Vem comigo, vou-te mostrar a casa de janelas douradas, para ficares a saber onde fica.

       Foram para um outeiro que se erguia atrás da casa, e, no caminho, a menina contou que as janelas de ouro só podiam ser vistas a uma certa hora, perto do pôr-do-sol.

       - Eu sei, é isso mesmo! - confirmou o menino.

       No cimo do outeiro, a menina virou-se e apontou: lá longe, num morro distante, havia uma casa com janelas de ouro e de diamantes, exactamente como ele tinha visto. E quando olhou, o menino viu que era a sua própria casa!

       Apressou-se então a dizer à menina que precisava de se ir embora. Deu-lhe a sua melhor pedrinha, a branca com uma lista vermelha, que trazia há um ano no bolso. Ela deu-lhe três castanhas- da-índia: uma vermelha acetinada, outra pintada e outra branca como leite. Ele deu-lhe um beijo e prometeu voltar, mas não contou o que descobrira. Desceu o morro, enquanto a menina ficava a vê-lo afastar-se, na luz do sol poente.

       O caminho de volta era longo e já estava escuro quando chegou a casa dos pais. Mas o lampião e a lareira luziam através das janelas, tornando-as quase tão brilhantes como as vira do outeiro. Quando abriu a porta, a mãe veio beijá-lo e a irmãzinha correu a pendurar-se-lhe ao pescoço; sentado perto da lareira, o pai levantou os olhos e sorriu.

       - Tiveste um bom dia? - perguntou a mãe.

       - Sim! - o menino passara um dia óptimo.

       - E aprendeste alguma coisa? - perguntou o pai.

       - Sim! - disse o menino. - Aprendi que a nossa casa tem janelas de ouro e de diamantes. 

William J. Bennett, O Livro das Virtudes II. O Compasso Moral. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1996.


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