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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

13.10.18

Vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres e... depois, vem e segue-Me.

mpgpadre

1 – Um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se diante d'Ele e perguntou-Lhe: «Bom Mestre, que hei de fazer para alcançar a vida eterna?».

Há dias em que olhamos para a nossa vida e nem nos questionamos sobre nada. As coisas correm bem, sentimo-nos abençoados, distraídos, ocupados, sem preocupações de maior… O mundo é um lugar aprazível para viver e não há nuvens nem trevas nem tempestades que anulem a nossa confiança no mundo, nos outros e em Deus.

Quando as coisas correm mal, resignados, desabafamos: há dias de tudo, ninguém pode estar sempre feliz, poderia ser pior! Ou, desanimados, interrogamo-nos: porque é que tudo me acontece, será que Deus não me escuta? Porque é que a vida é madrasta?

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 2 – Aquele homem projeta a sua felicidade no futuro de Deus, mas percebe-se que o futuro e a felicidade passam pelas opções atuais. O que será amanhã começa hoje. Não há ruturas mas continuidade, desde a gestação no seio materno até à ressurreição em Deus, na vida eterna. Não podemos adiar a nossa vida para o futuro.

Em Cristo, Deus procura-nos e adapta-Se aos nossos anseios e inquietações, às nossas buscas e indecisões. Jesus sintoniza com aquele homem. Por um lado, bom só Deus. Cada um de nós está a caminho. Somos peregrinos da vida, em busca dos outros, de Deus, do que nos sabe bem e sobretudo daquilo que dê sentido à nossa existência, algo a que nos possamos agarrar!

Ninguém é feliz sozinho. Não é bom que o homem esteja só, vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele. Para rir ou para chorar, para dialogar ou mesmo para discutir, precisamos uns dos outros. Os Mandamentos comprometem-nos com Deuse com o nosso semelhante. «Não mates; não cometas adultério; não roubes; não levantes falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe».

O respeito pelos outros, a fidelidade aos compromissos e a honestidade ajudam-nos a viver numa sociedade mais justa e fraterna.

 

3 – Parafraseando Bento XVI, há tantos caminhos para se ser feliz quantas as pessoas. Este homem cumpria os mandamentos desde a juventude. Para muitos já chegaria, pois é um caminho equilibrado. Mas ser cumpridor não bastava. Precisava de se sentir mais útil, talvez de se sentir mais preenchido. Então Jesus lança-lhe outro repto: «Falta-te uma coisa: vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me».

Ouvindo tais palavras, o homem retirou-se pesaroso, de cabisbaixo, pois tinha muitos bens, era muito rico. Os bens que possuímos devem ajudar-nos a ser mais felizes, aproximando-nos dos outros.

 

4 – «Como será difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus! Meus filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus». Quando vemos famílias desgraçadas por causa de heranças, por causa de um pedaço de terra ou por uma hora de água, então talvez percebamos que a paz é bem mais importante, e a saúde que daí advém. Não há nada que pague a paz que nos liga aos familiares e aos vizinhos!

A resposta de Jesus vai mais longe. A salvação não é uma conquista, não se pode comprar, não é para quem tem mais dinheiro ou mais poder, para quem é mais inteligente ou tem mais cunhas, é para todos, está acessível a todos do mesmo jeito. «Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível». Com efeito, é dom de Deus oferecida a toda a humanidade. Jesus morrerá por todos, entregará a Sua vida para a todos nos redimir, salvando-nos. Depois caber-nos-á a nós, a mim e a ti, acolhermos a salvação que nos é dada, seguindo-O, acolhendo-O e testemunhando-O.

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Textos para a Eucaristia (ano B): Sab 7, 7-11; Sl 89 (90); Hebr 4, 12-13; Mc 10, 17-30.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

29.09.18

Quem não é contra nós é por nós!

mpgpadre

1 – O meu grupo. O meu partido. A minha religião. A minha Igreja. O meu altar. O meu clube. A minha terra. O meu mundo. Há espaços que são meus, que não podem nem devem ser invadidos por outras pessoas, a não ser em situações muito específicas.

Contudo, o que é meu, o que me pertence, o chão que me identifica, a quem pertenço, usando esta linguagem mais "corporal", não deve obstaculizar ao bem de todos. É como a pele do nosso corpo, delimita-nos, identifica-nos, traça uma fronteira, sou eu e não outro, mas permite-me ver o outro, abraçá-lo, dialogar com ele, estar frente a frente, entrar em comunhão, partilhar.

As pedras com que se constroem muros e divisões, servem para construir estradas, degraus, pontes que nos aproximam e irmanam. O outro ajuda-me a construir a minha identidade, a saber quem sou.

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2 – O meu mundo permite-me procurar, descobrir e encontrar outros mundos. Se o meu ego, o meu grupo ou a minha capela se fecham, me aprisionam e me limitam, isolando-me, erguendo muros e paredes, tornar-me-ei doente, esclerosado, raquítico.

Mas se eu não tenho poiso, casa, família, grupo, não tenho pátria, então não tenho como partir, como sair! E não tenho como e onde regressar. Os discípulos partiram porque faziam parte do grupo de Jesus. Partiram porque foram enviados. Jesus chama-os para os enviar. O envio supõe o regresso a casa, ao grupo, a Jesus, para descansar, retemperar forças, avaliar o trabalho feito, agradecer e rezar, projetar o trabalho a fazer. E sintonizar com Jesus e o Seu Evangelho, para não correr o risco de se anunciarem em vez de O anunciar.

João fica incomodado porque vê alguém a fazer coisas extraordinárias. «Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demónios em teu nome e procurámos impedir-lho, porque ele não anda connosco». O incómodo e o ciúme porque ele não faz parte do grupo! Já alguma vez depreciámos o trabalho, as iniciativas, o bem que que outros fazem só por não serem da nossa família, do nosso partido, do nosso grupo de amigos? Talvez! Talvez digamos a Jesus que esta ou aquela pessoa só vêm para estorvar e não para acrescentar e que já somos mais que suficientes e até nos atrapalhamos!

A resposta de Jesus é lapidar: «Não o proibais; porque ninguém pode fazer um milagre em meu nome e depois dizer mal de Mim. Quem não é contra nós é por nós». Para fazer o bem ninguém está a mais. Em Igreja, é preferível que muitos façam pouco, que poucos façam muito ou façam tudo. É preferível a imperfeição que promove a participação, o envolvimento e o empenho de todos que a espetacularidade e perfeição que isola, impede e afasta a participação de todos.

 

3 – O reino de Deus, instaurado, preconizado e plenizado por Jesus é um reino inclusivo. Não tem fronteiras culturais, sociais, religiosas ou sexistas. É abrangente. É universal: dirigido e acessível a todos. Esta inclusão começa pelos últimos, pelos mais frágeis e desfavorecidos. E porquê? A resposta é dada pelo próprio Jesus: são os doentes que precisam de médico, Eu vim chamar os pecadores!

O Espírito sopra onde quer e Deus tem muitas formas de chegar ao coração das pessoas. Isso não nos retira responsabilidade e compromisso missionário. Conscientes da nossa fé e da salvação que nos é dada em Jesus Cristo temos o dever de O anunciar, de O testemunhar, de contagiar com a nossa alegria todos aqueles que encontramos. Descobrimos um tesouro! De nada serve se ficar esquecido no baú! A alegria da descoberta leva-nos à partilha.

Ciúmes e inveja porque alguém pratica o bem e não faz parte da nossa Igreja?! Também através deles Deus manifesta o Seu amor e a Sua ternura. Rejubilemos. Procuremos também nós fazer o melhor, espalhar o bem, irradiar alegria e paz, semear a reconciliação e a justiça. Não tenhamos medo de quem transborda de bondade. Nunca nos fará sombra. Não se trata de competir a ver quem é melhor, quem brilha mais. A nossa competição é cada um, em cada dia, aperfeiçoar o seu amor e aprofundar o serviço aos outros. O brilho e a luz são de Cristo. Não importa que eu brilhe, por mais razoável que isso seja, mas que seja Cristo a iluminar, a brilhar, a fazer-Se notar.

Em Igreja, todos somos essenciais e imprescindíveis. Ninguém é substituível e ninguém substitui outro. Podemos substituir-nos nas tarefas, mas não na presença e na vivência da nossa fé. A competição será no serviço e na alegria de partilharmos o tempo e a vida.

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Textos para a Eucaristia (ano B): Num 11, 25-29; Sl 18 (19); Tg 5, 1-6; Mc 9, 38-43. 45. 47-48.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

22.09.18

Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos

mpgpadre

1 – «Senhor, que fizestes consistir a plenitude da lei no vosso amor e no amor do próximo, dai-nos a graça de cumprirmos este duplo mandamento, para alcançarmos a vida eterna». A oração inicial da Eucaristia prepara-nos para escutar a Palavra de Deus e para, à partida, percebermos o fio condutor da mensagem nela contida, iluminando as nossas escolhas. A Palavra de Deus é sempre desafio, é luz, que nos provoca e compromete, nos envolve e nos transforma.

A oração pressupõe humildade de quem se reconhece frágil, invocando o poder e o amor de Deus. Em algumas situações, a oração pode ser contraproducente, quando agradecemos a Deus por sermos melhores que os outros e por não precisarmos de ninguém. Ou, em alternativa, só precisamos de Deus, garantia que sairemos vencedores. Os que estão ao nosso lado, mais que companhia ou ajuda, são um estorvo, fazem-nos perder tempo, incomodam-nos. Eu cá tenho a minha fé. Eu e Deus é que sabemos, os outros não importam!

Como confessa São Tiago, a fé sem obras é oca. Do mesmo modo a oração. Se rezamos voltados para Deus, mas sem ligação e sem abertura ao nosso semelhante, então a oração é um palavreado inútil, vazio, pois corta um pé do tripé em que assenta: Deus, o próximo e cada um de nós. Amar a Deus implica amar os que Ele ama, logo, a humanidade inteira, concretizável em cada pessoa.

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2 – Ao amor de Deus para connosco respondemos com amor em relação aos outros, em forma de serviço, de cuidado e de ajuda. É a nossa identidade, a nossa missão, o nosso compromisso. Não temos como fugir se a nossa opção de vida é seguir Jesus. Seguir Jesus, com efeito, é a nossa primeira vocação. Fomos batizados na Sua morte e ressurreição, para sermos plasmados pelo Seu Espírito.

Há momentos em que vem ao de cima a nossa fragilidade, o nosso pecado, o nosso egoísmo, mas também o medo, a desconfiança e a vontade de fazermos tudo à nossa maneira, e talvez que os outros se sujeitem aos nossos interesses. Não é de hoje.

Depois da confissão de fé de Pedro, Jesus diz-lhes o que vai acontecer: «O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens, que vão matá-l’O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará».

Pedro reagiu da forma que vimos, repreendendo Jesus. Ao anúncio da paixão, Jesus acrescenta o anúncio da ressurreição. Mas já tinha feito estragos, os discípulos já não O escutaram direito. Em Cafarnaum, já em casa, Jesus interroga-os sobre o que vinham a discutir. Percebemos então que os discípulos discutiam sobre qual deles era o maior. Se o reino de Deus se vai manifestar, se Jesus vai ser morto, então há que avaliar qual é o mais apto para Lhe suceder.

Poderíamos pensar que a repreensão de Pedro a Jesus era muito dele, afinal os outros afinam pelo mesmo diapasão.

 

3 – Durante o caminho Jesus mantém-se em silêncio. Parece não ouvir. Talvez fosse a falar com os seus botões (se os houvesse naquele tempo!), ou a rezar! Em casa responde-lhes.

As respostas de Jesus não se pautam pelo excesso de palavras, por explicações complexas, por tentativas de convencer. Frequentemente recorre a imagens ou a situações concretas do dia-a-dia.

Sem rodeios, Jesus diz-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». Entre os líderes das nações, dir-lhes-á noutra ocasião, discutem-se os lugares e o poder de cada um; não seja assim entre vós, quem quiser ser o mais importante coloque-se ao serviço dos outros. Vale para eles, vale para nós. E mesmo os que detêm autoridade, devem exercê-la como serviço, desde o Papa ao mais simples trabalhador da vinha do Senhor.

Vem então o exemplo. Jesus toma uma criança, coloca-a no meio dos discípulos, abraça-a e diz-lhes: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou». Simplicidade, alguma ingenuidade, pobreza, despojamento, dependência, vulnerabilidade. Serviço, cuidado.

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Textos para a Eucaristia (ano B): Sab 2, 12. 17-20; Sl 53 (54); Tg 3, 16 – 4, 3; Mc 9, 30-37

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

15.09.18

E vós quem dizeis que Eu sou?

mpgpadre

1 – "O que tu és fala tão alto que mal consigo ouvir o que tu dizes" (Ralph Waldo Emerson). Imediatamente nos diz que somos mais do que aquilo que dizemos. Por vezes não precisamos de falar para que as nossas atitudes, postura, os nossos gestos digam, falem, gritem por nós! Positiva e negativamente.

Ña segunda leitura, São Tiago lembra-nos como dizer, como tornar visível a fé professada, como mostrar a nossa ligação ao Deus de Jesus Cristo. A fé é o ponto de partida. É pela fé que Deus vem até nós, é a fé que nos permite ver Deus em Jesus e ver Deus no nosso semelhante. Mas não é uma fé (somente) minha, exclusiva, intimista, de trazer por casa, feita à minha medida, mas a fé em Jesus, a fé de Jesus, vivida em comunidade.

A fé é acolhimento pessoal, encontro com Jesus, morto e ressuscitado, mas vive-se na relação concreta com o outro, na comunidade e na caridade. “Se um irmão ou uma irmã não tiverem que vestir e lhes faltar o alimento de cada dia, e um de vós lhes disser: «Ide em paz. Aquecei-vos bem e saciai-vos», sem lhes dar o necessário para o corpo, de que lhes servem as vossas palavras? Assim também a fé sem obras está completamente morta”.

Tiago clarifica: "Mas dirá alguém: «Tu tens a fé e eu tenho as obras». Mostra-me a tua fé sem obras, que eu, pelas obras, te mostrarei a minha fé".

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2 – São Tiago ajuda-nos a responder à pergunta de Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Agora é Pedro que responde, inspirado pelo Pai, em seu e nosso nome: «Tu és o Messias».

Jesus segue com os Seus discípulos para as povoações de Cesareia de Filipe. São Marcos dá-nos conta da missão evangelizadora de Jesus, mostrando-O em movimento, por aldeias e cidades, na Judeia e na Galileia, e em outras terras mais distante, algumas fora da "fronteira" religiosa do judaísmo.

No caminho Jesus pergunta-lhes: «Quem dizem os homens que Eu sou?». E a resposta é imediata: «Uns dizem João Baptista; outros, Elias; e outros, um dos profetas». Quer a pergunta quer a resposta não nos implicam, pois apontam para o que os outros dizem e pensam. É uma sondagem sobre a opinião pública. Mas logo Jesus lhes arremessa com outra pergunta: «E vós, quem dizeis que Eu sou?».

 

3 – Esta questão é mais pessoal. Cabe a cada um responder a Jesus. Não esqueçamos que a fé tem sempre duas dimensões, a pessoal e a comunitária. A fé não é abstrata; a fé resulta de um encontro, cada um de nós com Jesus, e que implica a conversão ao Seu evangelho. Se professamos a fé em Jesus Cristo, pessoalmente, seremos impelidos para a comunidade, para junto daqueles que professam a mesma fé, adoram o mesmo Pai, se alimentam do mesmo Espírito!

Pedro toma a dianteira e responde firme: Tu és o Messias. Partindo daqui, Jesus clarifica as coordenadas da Sua missão e as consequências decorrentes das Suas opções, dizendo-lhes que se aproximam tempos conturbados em que o Filho do Homem, o Messias, vai sofrer muito, vai ser rejeitado pelas autoridades (religiosas) e vai ser morto. E, três dias depois, ressuscitará.

Perante a clareza com que Jesus fala na Sua morte, Pedro volta a intervir, já não diante dos outros apóstolos, mas à parte, repreendendo-O por dizer tais coisas. É a vez de Jesus o confrontar com os seus interesses: «Vai-te, Satanás, porque não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens».

Para Pedro era inconcebível que o Messias, o Filho de Deus, pudesse sofrer às mãos dos homens.

 

4 – Seguimos Jesus porque nos deixamos encontrar por Ele e a Ele nos convertemos de todo o coração, sabendo que a nossa vida não fica mais facilitada por isso, quando muito a nossa vida fica absorvida na d’Ele, até à eternidade. Se O seguimos, sujeitamo-nos ao que Ele Se sujeitou, a ser injuriado, preso, maltratado e até morto.

Vale para os discípulos presentes e futuros. No diálogo anterior Jesus voltou-Se sobretudo para os discípulos, agora dirige-se a todos, à multidão com os seus discípulos dentro: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Na verdade, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a vida, por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á».

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Textos para a Eucaristia (ano B):Is 50, 5-9a; Sl 114 (115); Tg 2, 14-18; Mc 8, 27-35.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

08.09.18

Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos

mpgpadre

1 – O encontro com Jesus há de libertar-nos de todo o mal, abrir-nos os ouvidos, escutando-O, desprendendo-se-nos a língua, para O anunciarmos em toda a parte, com a nossa vida toda. Às vezes fazemos ouvidos de mercador. Outras vezes silenciamos a nossa voz para não nos chatearmos, outras fazemos coro para não acharem que nos achamos melhores! Precisamos de nos aproximar constantemente de Jesus Cristo para nos deixarmos tocar pelo Seu Espírito de amor.

Vivemos numa época de excesso de informação. Notícias, fofocas, ruído, maledicência, insinuações… Ouvimos muito. Muitas pessoas. Muitas vozes. Mas de tudo o que ouvimos, o que é que retemos, o que é influencia (positivamente) a nossa vida? Ouvimos muito, mas escutamos pouco! A escuta pressupõe atenção, silêncio, sobretudo interior, aceitação e compreensão!

Quando queremos que alguém nos compreenda, por alguma coisa que dissemos ou fizemos menos justa, dizemos-lhe que tente pôr-se no nosso lugar. Do mesmo modo, devemos fazê-lo em relação aos outros. A escuta aproxima-nos. Até fisicamente. Se alguém está a falar e queremos escutar, tentamos que nenhum outro ruído atrapalhe ou que a distância dificulte a audição. Se a pessoa está perto e a falar baixo: pedimos que repita uma e outra vez, aproximamos os ouvidos, ou aquele com que ouvimos melhor, para não perdemos nenhuma palavra. Assim também quando queremos que nos escutem, aproximamo-nos, aclaramos a voz, esperamos que não haja muito ruído para falar! É este o exercício que nos cabe em relação a Jesus.

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2 – Deus criou-nos por amor. O amor deseja o bem do outro. Se Deus nos criou por amor, Deus quer-nos bem. Como um Pai, como uma Mãe, Deus quer a nossa felicidade. Em todos os aspetos da vida. Em situações de doença grave e/ou crónica, é comum ouvirmos diz que é a vontade de Deus. Deus quer assim, que é que se há de fazer?! Em Jesus, vê-se bem que Deus não quer assim, Deus quer para nós todo o bem. Porém, a vida, a nossa vida é finita, frágil, mortal. Nem tudo é como desejaríamos! A vida depende de nós, mas depende de outros e dos fatores que nos envolvem, muitos dos quais não controlamos. Não somos deuses! Somos humanos.

Trazem a Jesus um surdo que mal podia falar e suplicam-Lhe que imponha as mãos sobre ele. Encontramos pessoas no nosso caminho que nos encaminham para quem nos pode ajudar. Também nós podemos e devemos exercer esta missão, ajudar ou encaminhar para quem o pode fazer. Como cristãos cabe-nos, pessoal e comunitariamente, conduzir os outros a Jesus, falando d'Ele, apresentando-O, criando as circunstâncias para que Ele Se torne visível e acessível.

O bem tem luz própria. Claro que vivemos num tempo em que o mal tem honras de primeira página, será bom que as boas notícias sejam visíveis, contrabalançado com a esperança no amanhã e com a confiança na bondade das pessoas, certeza que nem tudo está perdido.

Jesus afasta-Se da multidão. O Seu desejo não é fazer um espetáculo, mas atender aquele surdo-mudo. Mete-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva toca-lhe a língua, erguendo os olhos ao Céu. A cura não é automática, exige oração, tempo, perseverança. exige de nós, ligando-nos aos outros. Bem sabemos como a carícia, o beijo, o toque tem poderes curativos, pois faz-nos sentir vivos!

 

3 – Maria ensina-nos a escutar com o coração. Percebe a chegada do Anjo e as palavras que este lhe dirige. E responde da mesma forma, com o coração, com vida: Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra. E depois convoca-nos a todos: Fazei tudo o que Ele vos disser!

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Textos para a Eucaristia (ano B): Is 35, 4-7a; Sl 145; Tg 2, 1-5; Mc 7, 31-37.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

 

01.09.18

Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro

mpgpadre

1 – Deus nunca pode ser desculpa para fazer o mal ou deixar de fazer o bem, ainda que a história continue a mostrar como facilmente se conflitua em nome de Deus, se mata em nome da religião.
Da religião espera-se que promova a paz, a defesa dos mais frágeis, a justiça, o respeito pela dignidade, pela vida humana. Ao centro está Deus, único destinatário de adoração. É o primeiro dos mandamentos e dos mais importantes. Tratar Deus como Deus, para tratar as pessoas como imagem e semelhança de Deus, sem as instrumentalizar, diminuir, espezinhar e sem as endeusar. Deus não está contra o Homem. Aliás, quanto menos Deus, menos humanidade e maiores os riscos de ditaduras e totalitarismos, pois mais facilmente se descartam as pessoas mais vulneráveis.
Jesus depara-se com a hipocrisia de alguns fariseus, grupo muito religioso, tendia a levar ao extremo as normas do culto judaico. É sempre perigoso quando as regras e as tradições valem mais que as pessoas. Para alguns, todos os motivos são válidos para atacar Jesus, para O porem à prova, para Lhe armarem ciladas, para tentarem desacreditá-l'O das pessoas simples e humildes. Nestes dias temos visto como tudo tem servido para atacar o papa Francisco. Porque será que a luz, o bem e a ternura provocam tanta inveja e irritação?

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2 – Pureza ou impureza?! Lavar as mãos antes das refeições, para nós, é uma questão de higiene e de saúde e não de pureza ou impureza. Obviamente a nossa cultura é diferente. Se pensarmos que no século XIX havia pessoas que não tomavam banho ou tomavam apenas uma vez por ano, com medo de adoecerem, ou que as intervenções cirúrgicas e os partos eram efetuados sem lavar as mãos!

Seja como for, a religião há de ser vivida sob a luz e não sob o obscurantismo. Perguntar, informar-se, estudar as razões desta ou daquela tradição, verificar até que ponto uma tradição ajuda as pessoas e as comunidades a viverem melhor. Há o mistério, que se acolhe, se partilha, se vive! Mas nunca às escuras! Não apenas as emoções, mas sentimentos, reflexão, oração, estudo!
Fariseus e escribas vêm de Jerusalém, juntam-se à multidão e perguntam a Jesus pela conduta dos Seus discípulos: «Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar as mãos?» Aparentemente a crítica é feita aos discípulos e não a Jesus diretamente! Mas como sabemos isso é apenas questão de linguagem e pormenor. Ao criticarmos uma criança, adolescente, jovem, na maioria das vezes não criticamos o seu carácter ou o seu proceder, mas os pais ou os professores, ou os catequistas, ou o pároco, porque não souberam ensinar-lhe a comportar-se como deve ser!

 

3 – Jesus supera os limites do puro e do impuro, das tradições e das estruturas para Se fixar na pessoa humana, na intencionalidade das suas ações, na sua responsabilidade pessoal. As estruturas não pecam! As tradições, à partida, não são más, quando muita desajustadas a uma nova realidade. Isso não significa, como defendia São João Paulo II, que não existam estruturas de pecado, conjugação de esforços, de leis, políticas de empresa que promovem, enquanto estrutura, o mal, a corrupção, a destruição da pessoa e da sua dignidade. Porém, a responsabilidade tem de ter um rosto. Hitler tratou os judeus como um todo, um povo a eliminar! Alguém poderia, em sentido inverso, culpar a Alemanha e todos os alemães pelo crime hediondo perpetrado contra os judeus e contra a humanidade.
As palavras de Jesus são clarividentes: «Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro; porque do interior do homem é que saem as más intenções: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez». Se alguém chama a atenção um adolescente ou a um jovem vai responder que não foi ele, ou que os outros também disseram ou fizeram o mesmo, ou não foi ninguém, foi o grupo todo. É compreensível para as crianças, talvez para os adolescentes, menos para os jovens e muito menos quanto as desculpas vêm dos adultos.

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Textos para a Eucaristia (ano B):

Deut 4, 1-2. 6-8; Sl 14 (15); Tg 1, 17-18. 21b-22. 27; Mc 7, 1-8. 14-15. 21-23.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

25.08.18

Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna.

mpgpadre

1 – «Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus».

Mais uma vez Pedro, aquele Apóstolo que é sempre dúvida, mas que nos granjeia simpatia, pois é um dos nossos, em muitos aspetos. Quem não se revê na sua espontaneidade, nas suas dúvidas e incertezas? E na sua adesão demasiado rápida? E na sua frontalidade demasiado ingénua e infantil? Quem diria que Pedro, mais à frente, será um dos rostos mais visíveis da traição a Jesus, abandonando-O, negando conhecê-l'O, mantendo-se distante para estar seguro?

Pedro chega-se à frente, tem o coração ao pé da boca, muitas vezes diz o que convém e o que não convém. É genuíno! Por isso Jesus o escolheu e não desistiu dele! Como não desiste de nós, como não desistiu de Judas! Por cada um deles, por cada um de nós, não tanto pelos nossos méritos, mas sobretudo pelo Seu amor por nós.

As palavras de Jesus são duras! Ele não Se esconde atrás das palavras! Ele é a Palavra encarnada, concreta, real, Pessoa! Curioso:  por vezes gostávamos que nos dissessem de outra maneira ou nos deixassem mais algum tempo na ignorância! Em situações gravosas, umas a seguir às outras, talvez precisemos de mais tempo para superar o trauma da tempestade anterior! Em todo o caso, nunca saberemos se seria melhor adiar o que é inevitável.

Ao longo da Sua vida, Jesus, sendo dócil e atencioso, compassivo e benevolente, não deixa de ser transparente, inequívoco, numa frontalidade que Lhe é reconhecida como autoridade, coerência de vida. Perante as autoridades, perante as multidões, perante os Seus discípulos: ide dizer a essa raposa... sois sepulcros caiados, belos por fora, podres por dentro, o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça, sereis levados a tribunais, perseguidos, presos, mortos... quem quiser ser o primeiro seja o servo de todos!

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2 – «Estas palavras são duras. Quem pode escutá-las?».

Vamos percebendo que a verdade, a honestidade, a frontalidade nos fazem bem à saúde. Não confundir frontalidade com arrogância, prepotência, sobranceria. Alguns de nós, depois de destilarmos ódio sobre os outros, colocando-nos acima e à parte do comum dos mortais, ficamos aliviados: eu cá sou assim, digo o que tenho a dizer, seja a quem for! Isso não é frontalidade, isso é infantilismo e complexo de superioridade! Só isso! Custa-me sempre ouvir alguém defender-se por atacar os outros com a desculpa esfarrapada que é frontal. As ditaduras e os ditadores, segundo os próprios, foram os que mais promoveram a liberdade! Alguém acredita na estória da carochinha?

A frontalidade de Jesus não destila fel nem superioridade! A frontalidade de Jesus parte da verdade e da justiça, do perdão e do amor, desafia à conversão, à partilha, à comunhão e ao serviço. Daí a sua delicadeza compassiva, mas que não foge às questões!

«Isto escandaliza-vos? E se virdes o Filho do homem subir para onde estava anteriormente? O espírito é que dá vida, a carne não serve de nada. As palavras que Eu vos disse são espírito e vida».

O discurso sobre o Pão, a Carne, o Corpo, o Sangue derramado chega ao fim, provocando feridas, ou melhor, ruturas. O evangelista informa-nos que "a partir de então, muitos dos discípulos afastaram-se e já não andavam com Ele". É nesse momento que Jesus testa as convicções dos seus discípulos, nomeadamente os Doze: «Também vós quereis ir embora?». Deus queira que tenhamos a alegria e a sabedoria de respondermos como Pedro: «Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna».

 

3 – Seguir Jesus nem sempre será fácil. É Ele próprio que no-lo diz: quem quiser seguir-Me renuncie a si mesmo, tome a sua cruz…

O que Ele nos manda é que nos amemos uns aos outros como Ele nos ama, gastando a vida. Nem sempre é fácil. O amor não está isento de sofrimento, pois somos diferentes e as circunstâncias do tempo são, muitas vezes, desfavoráveis. O ditado popular é explícito: quem se sujeita a amar, sujeita-se a padecer. Contudo, só o amor nos humaniza, só o amor nos salva, só o amor nos eleva para Deus.

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Textos para a Eucaristia (ano B): Jos 24,1-2a.15-17.18b; Sl 33 (34); Ef 5, 21-32; Jo 6, 60-69.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

18.08.18

A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida

mpgpadre

1 – “O que tens de partir para reunir uma família? Pão, evidentemente” (Jodi Picoult).

O pão é símbolo de todo o alimento biológico, antes de mais, mas também espiritual, afetivo, cultural. Mas em si mesmo o pão é alimento, rico em hidratos de carbono, pobre em açúcares e gorduras, fonte de fibras que ajudam ao equilibro intestinal, fonte de vitaminas (tipo B) e minerais (cálcio, magnésio e fósforo…). O pão tem menos sal que os seus substitutos como bolachas, biscoitos, bolos, cereais prontos a comer… e provoca mais rapidamente a sensação de saciedade, tornando-se parte essencial de qualquer dieta.

Ainda que haja muitas variedades de pão, a sua confeção é muito simples. Farinha, água, sal e fermento, na justa medida! Pode facilmente transportar-se e não precisa de grande esforço para se conservar. Algum do simbolismo do pão advém do próprio pão: o trigo ou centeio que é lançado à terra, cresce como planta, produz as espigas que a seu tempo darão os grãos maduros. Debulhados, os grãos serão moídos para se transformarem em farinha, tornando-se o ingrediente principal do pão, amassada (juntando o sal, o fermento, a água) e levedada, levada ao forno e, passado algum tempo, estará suficientemente cozido para ser comido, saboreado e saciar a fome de muito. Um pão é feito de muitos grãos. Um pão pode congregar muitos à volta da mesa e ser partilhado por muitos! Trabalho de muitas mãos. Unidade. Partilha e comunhão. Semente, planta, trigo, farinha, massa, pão, pessoas que comem do mesmo pão, condividindo-o!

O pão é um alimento prático, simples e bastante acessível. É nesta simplicidade que Jesus Se nos dá por inteiro.

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2 – «Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é minha carne, que Eu darei pela vida do mundo».

A discussão adensa-se. Jesus afirma que é o Pão vivo descido do Céu, e logo acrescenta que o Pão que nos dá é a Sua própria carne. Ser o Pão da vida poderia tratar-se de uma comparação, uma imagem. Agora dizer que é a Sua carne? Como é possível que nos dê a Sua carne? Como é possível comer a Sua carne e beber o Seu sangue? Acaso podemos tornar-nos canibalistas?

«A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele. Assim como o Pai, que vive, Me enviou e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim…».

As palavras de Jesus são tão vivas e específicas que alguns discípulos seguem outro caminho.

 

3 – O Verbo encarnou e habitou entre nós. Em Jesus, Deus faz-Se carne, assume a nossa condição humana, sujeitando-se às coordenadas do tempo e do espaço. Carne, corpo, vida humana. No judaísmo quando se fala de carne ou de corpo fala-se precisamente da pessoa como um todo, corpo, alma e espírito. Quando Jesus Se consome a favor da humanidade entrega a Sua vida por inteiro.

Mas a expressividade vai ainda mais longe. O Corpo sublinha a vida. O sangue (derramado) aponta para a morte. Jesus oferece-nos a Sua vida e a Sua morte para nos salvar, para nos introduzir no mistério da Sua ressurreição.

O evangelista São João não descreve a instituição da Eucaristia no decorrer da Ceia, mas apresenta a multiplicação dos pães nos mesmos contornos. Logo Jesus Se revela como o Pão vivo: Carne, Corpo, Sangue, Vida entregue por nós. A Eucaristia torna presente o mistério pascal de Jesus. Faz com que Jesus seja nosso contemporâneo. Oferece-Se de uma vez para sempre, mas por ação do Espírito Santo, em Igreja, podemos participar hoje (sacramentalmente) no Seu mistério pascal. Também a nós Jesus nos diz: a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Eu Sou o Pão da vida. É precisamente no Pão e no Vinho, no mistério da Eucaristia, que Jesus nos dá o Seu Corpo e o Seu sangue, como alimento para esta vida e até à vida eterna.

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Textos para a Eucaristia (ano B): Prov 9, 1-6; Sl 33 (34); Ef 5, 15-20; Jo 6, 51-58.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

14.08.18

Solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu - 2018

mpgpadre

1 – «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre».

O mistério da Assunção de Nossa Senhora ao Céu, em corpo e alma, dogma católico, proclamado pelo Papa Pio XII, com a Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, a 1 de novembro de 1950, consagra uma verdade de fé reconhecida, aceite e professada, desde o início, pelas comunidades cristãs.

As primeiras palavras nos Evangelhos referidas a Maria dizem-nos que Ela é a cheia de Graça e que o Senhor está com Ela. É a saudação do Anjo. No encontro com Isabel a saudação é semelhante, mas desta feita incluindo já Jesus: bendita és tu, bendito é o fruto do teu ventre! Neste encontro sobrevém a alegria do encontro com Jesus e o primeiro anúncio da proximidade do Filho de Deus. A fé é a chave que nos possibilita a busca, a descoberta e o encontro com Deus. «Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

N'Ela, como em nós, o fim está incoativamente presente no início e ao longo da vida, em conformidade com as escolhas feitas. Se escolhemos fazer a vontade de Deus, deixar que Deus nos ilumine e nos conduza, por certo seguiremos no Seu encalço até à eternidade. Jesus relembra isso mesmo aos seus discípulos: quem der testemunho de Mim diante dos homens, também Eu darei testemunho dele diante de Meu Pai que está nos Céus (cf. Mt 10, 32).

«Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática». É a resposta dada por Jesus a uma mulher que do meio da multidão Lhe diz: «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito». A bem-aventurança está em escutar a palavra de Deus, procurando concretizá-la, traduzi-la na vida do dia-a-dia. Dessa forma nos predispomos a seguir o mandato de Maria – Fazei tudo o que Ele vos disser – que implicará configurar a nossa vida com a de Jesus no Seu jeito de amar, de servir e de Se entregar.

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2 – «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva».

Maria corporiza a humildade disponível para manifestar a grandeza de Deus e das Suas maravilhas no meio dos homens. O Magnificat assume a história da salvação contada e cantada através das gerações, em que Deus Se manifesta na proximidade aos pobres, aos simples, a todos quantos se abrem à Sua graça e se predispõem a seguir/viver os seus preceitos. Estes visam a inclusão de todos, fazendo sobressair o que une e faz deles, de nós, uma só família de Deus. Em contraponto, estão todos aqueles que na prepotência e no egoísmo se fecham à graça de Deus, sobrepondo a própria vontade, apetites e ganância a todos os outros, relacionando-se com eles em atitude de violência, de inimizade e de separação, deixando na terra marcas de sangue, de destruição e de morte.

Em Maria, Deus faz-Se um de nós. Com Jesus Cristo, Deus humaniza-Se, encarna, assume a nossa condição finita. Daí que o SIM de Maria seja decisivo, caucionando a vontade de Deus em Se tornar tão próximo da humanidade, que Se faz um de nós…

 

«A minha alma glorifica o Senhor

e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,

porque pôs os olhos na humildade da sua serva:

de hoje em diante me chamarão bem-aventurada

todas as gerações.

O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:

Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração

sobre aqueles que O temem.

Manifestou o poder do seu braço

e dispersou os soberbos.

Derrubou os poderosos de seus tronos

e exaltou os humildes.

Aos famintos encheu de bens

e aos ricos despediu de mãos vazias.

Acolheu a Israel, seu servo,

lembrado da sua misericórdia,

como tinha prometido a nossos pais,

a Abraão e à sua descendência para sempre».

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Textos para a Eucaristia:

Vigília: 1 Cr 15, 3-4.15-16; 16, 1-2; 1 Cor 15, 54b-57; Lc 11, 27-28;

Missa do dia: Ap 11, 19a; 12, 1-6a. 10ab; Sal 44 (45); 1 Cor 15, 20-27; Lc 1, 39-56.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

11.08.18

E o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo!

mpgpadre

1 – Nem todos os alimentos são iguais, nem todos os alimentos nos satisfazem da mesma forma. De contrário, poderíamos comer apenas um alimento, na quantidade certa, ou preparar um comprimido com os diversos ingredientes, proteínas, vitaminas, fibras... para que o nosso organismo estivesse equilibrado e saudavelmente robusto. Mas há muitos fatores em que os sentidos intervêm, o aspeto – os olhos também comem – a textura, cheiro – abre-nos o apetite ou afasta-nos da mesa – conta também o apetite que se tem, a companhia, o tempo disponível e a própria disposição momentânea. Há quem esteja mal e não consiga comer e quem coma sem parar como que a tentar preencher algum vazio de emoções, ansiedade, preocupação!

Já nos aconteceu estar diante de um belo banquete e não nos apetecer nada ou comermos enfastiados! Qual pedido ao Ambrósio: apetecia-me algo, não sei bem o quê!

Uma das condições para saborear um alimento, à partida, é a vontade de comer. Só procuramos comida quando sentimos necessidade. O aroma ou o aspeto da comida pode despertar-nos o apetite. Noutras situações, é necessário provocar esse apetite. Tudo isto pode ajudar-nos a refletir na Palavra de Deus que hoje nos é servida como alimento que nos compromete e nos desafia, nos preenche e pode tornar luminosa a nossa existência.

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2 – Jesus apresenta-Se como alimento para esta vida e até à vida eterna. «Eu sou o pão que desceu do Céu». Não é uma afirmação fácil. Não é uma afirmação neutra. É a Sua identidade! É a Sua garantia em tornar-se PÃO que alimenta e sacia a nossa fome no que tem de mais profundo, de busca, de caminho, de felicidade!

É curioso verificar que há pouca ou nenhuma neutralidade na postura de Jesus. Habituamo-nos a ver a Sua delicadeza, docilidade, a sua diplomacia. Porém, Jesus suscita opções, seguimento ou recusa. Quem quiser seguir-Me renuncie a si mesmo! A vossa linguagem sejam "sim, sim" e "não, não", tudo o que vai além disso é diabólico!

Com efeito, as Suas palavras geram controvérsia e murmuração entre judeus. Mas porquê? "Eu Sou o Pão da Vida"! Será uma provocação? Será assim tão ofensivo? No seguimento, começamos a perceber a alcance das palavras de Jesus. Ele não diz que é como o pão, Ele afirma-Se «o Pão vivo» e isso implica que nos posicionemos, reconhecendo-O ou seguindo outro caminho.

Os judeus estranham as palavras de Jesus: «Não é Ele Jesus, o filho de José? Não conhecemos o seu pai e a sua mãe? Como é que Ele diz agora: ‘Eu desci do Céu’?». Fica claro também para nós que Jesus é maior do que o nosso conhecimento a Seu respeito.

 

3 – O que sabemos acerca de uma pessoa é sempre relativo, pois a pessoa não é um objeto de conhecimento neutro, mas sujeito que se apresenta como mistério, para os outros, mas também para si.

Por maioria de razão, Jesus é mistério que Se revela, Se comunica e, sobretudo, que Se dá a favor da humanidade. É mistério que nos traz a eternidade de Deus, nos revela o amor do Pai, tornando visível o acesso à vida eterna. Ele é a Porta, é a Ponte que nos liga a Deus Pai, num movimento ascendente e descendente. Faz-Se um de nós, tornando-Se Deus connosco e, não deixando de ser Deus, permanecendo verdadeiramente Homem. N'Ele a comunhão perfeita, plena, o encontro definitivo de Deus e do Homem. Ele é verdadeiramente o único Mediador entre Deus e a Humanidade.

«Ninguém pode vir a Mim, se o Pai, que Me enviou, não o trouxer; e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia... Eu sou o pão da vida. No deserto, os vossos pais comeram o maná e morreram. Mas este pão é o que desce do Céu... Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo»

Nas palavras de Jesus, a certeza que n'Ele é visível o amor de Deus, a Sua bondade, a Sua misericórdia infinita. Jesus é o alimento para esta vida, abrindo-nos as portas da eternidade, inserindo-nos no coração de Deus. A acentuação do mistério revela, por outro lado, que o decisivo é a fé em Jesus, como Filho amado de Deus, que nos dá Deus e nos permite comungar com Ele para sempre.

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Textos para a Eucaristia (ano B): 1 Reis 19, 4-8; Sl 33 (34); Ef 4, 30 – 5, 2; Jo 6, 41-51.

 

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