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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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24.09.16

O pobre foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão...

mpgpadre

1 – O que nos distancia de Jesus Cristo e do Seu Evangelho não são os bens materiais, mas a ganância, a avareza, a prepotência, a sobranceria, a autossuficiência, a presunção, a soberba.

O contrário da pobreza de espírito não é a riqueza material mas a avareza. E aqui há cenários variados. Há pobres avarentos, que só não têm tudo porque não podem. Há pobres generosos, simples, despojados e o pouco que têm dá para ajudar os outros… Há ricos avaros, "chupam" tudo quanto lhes é possível, sem olhar a meios… Há ricos, cuja riqueza material é fruto do trabalho honesto, geram riqueza, criam emprego; beneficiam dos próprios bens e alargam os benefícios para os outros.

Jesus responsabiliza-nos pelos mais pobres. Refira-se uma vez mais que Jesus não está a falar para o vizinho. É para mim. É para ti. É para nós. Não nos é pedido o impossível. É-nos exigido o melhor de nós mesmos.

Jesus contesta o homem rico não pela riqueza que possui mas pela sua cegueira e egoísmo, pela incapacidade de sair do seu castelo e compartir a vida com os outros.

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2 – A descrição do homem rico e do pobre Lázaro, o contraste gritante que existe entre ambos e o muro levantado que protege um e deixa o outro na rua, é visível na atualidade. Também hoje convivem lado a lado a miséria e a opulência, a degradação humana e o luxo escandaloso. Os governos, por vezes, protegem apenas os poderosos e esquecem-se dos pobres.

Do homem rico não se conhece o nome. Pode ser qualquer um de nós. Por outro lado, mais que apontar nomes, importa denunciar situações de injustiça e prepotência. Vestia de púrpura e linho fino e banqueteava-se esplendidamente todos os dias, fechado dentro dos portões, alheio ao sofrimento dos outros.

Um pobre, chamado Lázaro. O nome já diz da sua pobreza. Os pobres não podem ser números. Não servem para usar como arma de arremesso. Não contam apenas por ocasião das eleições. Têm nome e têm rosto. E ainda hoje há tantos Lázaros, excluídos, sem casa, sem pão, sem família. Este jazia junto ao portão do homem rico, e estava coberto de chagas. Não pede muito, apenas as migalhas que caem da mesa do rico. Mas nem a migalhas lhe são permitidas.

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3 – O que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos é a Mim que o fazeis. O que fizermos agora tem consequências amanhã. As escolhas do tempo influenciam a inserção na vida eterna. Qual efeito borboleta: segundo a teoria do caos, o bater das asas de uma borboleta em Portugal poderá provocar um terramoto do outro lado da terra.

«O pobre morreu e foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado».

Finalmente este homem rico viu Lázaro. Antes não o tinha visto. A ganância e a superioridade presunçosa cegaram-no. Só se preocupava com o seu umbigo. Um pobre ali tão perto, do lado de fora, a padecer, e não foi capaz de o ver e de o ajudar. Agora tão longe, já o vê e até deseja que Lázaro, enviado por Abraão, possa vir, entrar, aliviar o seu sofrimento. Enquanto podia alterar as coisas, esqueceu-se dos outros. Agora que tudo está concluído quer alterar as regras do jogo, em seu benefício e dos seus, servindo-se de Lázaro a quem não serviu com os seus bens!

 

4 – Mais que nos preocuparmos com o desfecho final, que a Deus confiamos, importa, no tempo presente, aqui e agora – não amanhã ou depois, não em outro lugar ou circunstâncias – viver o melhor, gastando a vida em favor de todos os que Deus coloca à nossa beira, testemunhando a beleza e a alegria da Boa Nova que Jesus nos traz com a Sua vida e com a oferenda de Si mesmo.


Textos para a Eucaristia (C): Am 6, 1a. 4-7; Sl 145 (146); 1 Tim 6, 11-16; Lc 16, 19-31..

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE

23.08.12

Sobre a morte... e depois da morte!

mpgpadre

A mensagem é simples: a morte não é uma opção e se quiseres aprender a versão soft do acontecimento, passa a prestar mais atenção durante a missa

 

       No meio de um belo dia de praia, um dos meus filhos correu para mim, aflito e com os olhos em água, e suplicou:

       “Mãe, mãe, eu não quero morrer! Porque é que eu tenho de morrer?!”

       Foi um momento delirante. Vindo directamente do nada, este grito alarmante, este pedido de socorro desalinhou todo o sentido e coerência que um belo dia de praia transmite ao nosso estado de alma. Despertei do mundo dos seres que hibernam ao sol e certifiquei-me, ainda estonteada, que não estava ninguém a persegui-lo com uma faca. Não estava. No entanto, o meu filho pedia para eu o salvar da morte. O pedido era claro e urgente: ele não queria (nem quer) morrer e achava (já não acha) que o posso salvar. A ideia da morte e de que eu podia fazer logo alguma coisa contra isso ocorreu-lhe ali, a meio de um belo dia de praia e a meio de um belíssimo banho de mar.

       “Mas porquê isso agora… Todos temos de morrer um dia”, respondi com alguma impaciência, contendo-me para não acabar a frase com um “daaah”. No entanto, o rapaz insistiu, com convicção e quase em desespero, na teoria de que a morte não pode ser uma inevitabilidade e que eu, como mãe dele, tenho de lhe dar alternativas, devo dar-lhe respostas animadoras e tentar, pelo menos tentar, livrá-lo desse destino fatídico. Percebi então que para ele o assunto era grave, não era uma mera crise conjuntural originada por um delírio solarengo: era um caso de vida ou morte. Disse-lhe então que não havia nada a fazer, que a vida é feita de contrariedades e desbobinei toda a doutrina cristã sobre a morte. Disse-lhe tudo o que sei sobre a vida eterna e tentei animá-lo com o cenário idílico de que, no fim, nos encontraremos todos no Céu. Sem problemas.

       E ofereci-lhe um gelado.

       Ele ignorou a oferta e fez-me a inevitável pergunta: como é que eu sabia? Sim, se eu nunca tinha morrido, como é que eu sabia que a morte não era bem morte? E se não era bem morte, porque existia vida eterna, porque é que se morria? Não valia a pena morrer se depois se ia viver mais… Não tinha lógica, morrer era, assim, uma perda de tempo.

       Ofereci-lhe então um gelado e uma bola de Berlim. Ele ignorou-me. Queria saber. Respondi-lhe com a doutrina da Fé e falei durante cinco minutos seguidos com a consciência de que ele só percebeu dois por cento daquilo que eu disse. No fim, rematei que ele não devia ter medo. Apenas isso: que devia confiar, porque iria perceber tudo cada vez melhor durante a vida se confiasse.

       Foi então que ele condescendeu e fez o derradeiro pedido: “OK, eu posso morrer. Mas então quero que todas as pessoas de quem eu gosto morram comigo!” Assim, tipo menino mimado irritante: eu vou, mas vocês vêm todos comigo. Não pensem que ficam aqui no bem-bom enquanto eu viajo na estratosfera rumo não sei onde. Nada disso: morro eu, morrem todos – não se ficam aqui todos a rir e a comer McDonald’s enquanto eu levito no meio das nuvens.

       Não liguei, claro – já aprendi a ignorar birras parvas – e obriguei-o a comer o gelado e a bola de Berlim na esperança de que ele ficasse com dores de barriga e, com isso, menos dramático. Resultou. 

       Contudo, desde esse dia que anda meio deprimido, apesar da praia, das bolas de Berlim, dos gelados e de transbordar saúde. O meu filho tem um problema: descobriu que vai acabar por morrer. E eu, a sua própria mãe, confirmei o pior dos seus receios. E pior, não revelei grande emoção com o assunto. Pelo contrário: até o tentei convencer que morrer era… bom. Dramático, este dia.

       No entanto, esta não é a primeira vez que ele me fala da morte. É para aí a milésima. Esta é, sim, a primeira vez que ele revela medo da morte. É a primeira vez que ele se depara com um problema bicudo, o maior problema que pode ter, e ninguém lhe oferece uma solução imediata e racional para ele. Antes pelo contrário: confirmam a fatalidade e com toda a naturalidade. A mensagem é simples: a morte não é uma opção e, se quiseres aprender a versão soft do acontecimento, passa a prestar mais atenção durante a missa.

É um facto que as crianças crescem aos solavancos, mas este, o dia em que eles deixam de ser infantilmente crentes, é dos mais tramados. E até pode ser um belíssimo dia de sol.

 

Inês Teotónio Pereira , i-online 18 Ago 2012, in POVO

04.02.12

35. Viver no tempo, com o olhar voltado para a eternidade.

mpgpadre

Viver no tempo, com o olhar voltado para a eternidade. Cidadãos do mundo, cidadãos do Céu.
Inseridos na história, comprometidos com pessoas concretas, de carne e osso, e na transformação doo mundo, que começa pela própria casa, fazendo com que os pequenos gestos sejam marcas do Infinito. Só na Transcendência, e no transcender-nos, é possível que o sonho comande a vida, que o horizonte nos abra para o futuro, e na confiança nos devolva a beleza e o entusiasmo para viver com alegria.
Inspiremo-nos sábias palavras propostas para este Domingo (mais à frente, Job mostrará que tudo é vão, a não ser que seja feito em Deus): "Job tomou a palavra dizendo: Os meus dias passam mais velozes que uma lançadeira de tear e desvanecem-se sem esperança. – Recordai-Vos que a minha vida não passa de um sopro e que os meus olhos nunca mais verão a felicidade".
Se tudo se reduzir a 50/70/90 anos de existência, pouco mais ou menos, então a nossa vida é uma trágico-comédia, divida em alegrias e tristezas, passageiras, efémeras, como o orvalho da manhã que logo desaparece, sem deixar vestígios.

Crente é aquele que se abre ao mistério. A vida não se resume à materialidade, à dimensão biológica. O homem ultrapassa infinitamente o homem (Blaise Pascal), está inscrito nos seus genes, aspirar sempre mais, até ao Infinito. Deus criou-nos por amor, atrai-nos constantemente. Quando nos esquecemos da nossa identidade, da nossa origem, envia profetas, pessoas inspiradoras, envia o Seu próprio Filho.
Aspiremos às coisas do alto. É da eternidade que Deus nos busca. Vem. Desce. Habita-nos. Encarna. Faz-Se história. Faz-Se tempo. Vive no meio de nós. É Deus connosco. Percorre, em Jesus Cristo, os dramas e os sonhos da (nossa) humanidade. Carrega a cruz do nosso sofrimento, não por ter muitas forças, mas por transbordar de Amor. Amar é a força maior. Quem ama vai mais longe. Quem ama carrega todas as cruzes, todo o sofrimento, até ultrapassar. Quem ama dá a vida, predispõe-se a oferecer a vida pelo outro, pelo filho, pelo irmão, pela mãe e pelo pai, pela humanidade.

O nosso desejo, sermos mais, vivermos mais, vivermos melhor, é o caminho da santidade. Aperfeiçoar-nos, não para sermos melhores que os outros, mas nos tornamos aquilo que somos, imagem e semelhança de Deus. Para sermos felizes. Quando nos dispersamos, confundimo-nos, desorientamo-nos. Não sabemos para onde ir. Não nos reconhecemos. Não sabemos por que estamos aqui. Não sabemos por que estamos e outros não. Na dispersão, diabolizamos, tornamo-nos estorvo, pedra de tropeço uns para os outros.

A vida é efémera. Avança. Rápida. Veloz. À velocidade da luz. Estamos, e logo já não estamos. Amanhece e logo nos tornamos demasiados velhos, pesados, já não voamos, já não sonhamos, já não nos resta nem vida nem esperança.
A vida é como um sopro. Se ela acaba na morte, é demasiado curta, inócua, vazia, perde-se toda a esperança, tudo o que fomos, o que somos não tem saída, não tem horizonte, abertura. A nossa vida e identidade dispersam pelo cosmos como poeira insignificante. Não ficará qualquer registo da nossa passagem pelo mundo, a não ser poeira entre poeira. Não se trata aqui de nos reconhecermos na nossa fragilidade humana que se abre aos outros e a Deus. Sabermo-nos pó e, nesta humildade, abrir-nos a Deus e ao próximo é redentor, pois estamos ligados a todo o Universo criado. Aqui, pelo contrário, trata-se de encerrar a nossa existência apenas no material, no que se desfaz como pó, como terra, que se corrompe pelo tempo e de que não restará senão a memória de outros que queiram preservar-nos.

A vida é história que nos compromete. Se na nossa fragilidade encontrarmos o Deus da vida, a esperança recoloca-nos na eternidade, o nosso fim é o Céu, e então a duração da nossa existência medir-se-á pela intensidade com que vivemos, pelo amor, pela paixão, pelo sonho, pela beleza. Enlevados para o alto, para o encontro de Deus na história. Podemos alcançar Deus, melhor, podemos deixar-nos alcançar por Deus na história deste tempo, na nossa vida quotidiana.
Viva/vive a tua vida, sabendo que é passageira, mas que se abre infinitamente em Deus. Dá qualidade ao tempo presente, na relação com os outros, os da tua casa e os da tua vizinhança, antecipando e vivendo a eternidade de Deus.

(reflexão feita a partir da nossa Reflexão Dominical.

08.02.11

Uma desintegração atómica...

mpgpadre

       «Deus é um risco total. Abrir-se a Deus é dar um salto mortal.

       O amor descentra e liberta. Mas é preciso começar por mergulhar. Por saltar da cama tépida e confortável. Quem perde a sua vida, salva-a. Mas importa, primeiramente, aceitar «perder». É indispensável passar por este despojamento doloroso.

       Passar do egoísmo para o amor é quase tão violento como uma desintegração atómica. Coisa parecida.

       O que constitui a integridade do átomo é ele ser um sistema fechado onde os electrões giram, continuamente, em redor do seu núcleo.

       Tudo salta, tudo estremece, tudo se anima, quando um electrão, por virtude dum inaudito dinamismo, se desprende desta ronda infernal, se interessa por um centro que não é o seu e ingressa no circuito de um outro.

       Quando nos pomos a amar, quer dizer a preferir à nossa vontade a vontade de alguém que não somos nós, opera-se uma reviravolta psicológica da mesma ordem.

       Mas é este o preço da vida eterna. Porque a vida eterna é amor

 

Louis Evely, em "Sofrimento", in Conhecer e Seguir Jesus.

23.11.10

Cristo e eu...

mpgpadre

Eu, peregrino. Ele o caminho.

 Eu, a pergunta. Ele a resposta.

 Eu, a sede. Ele a fonte.

 Eu, tão fraco. Ele a força.

 Eu, as trevas. Ele a luz.

 Eu, o pecado. Ele o perdão.

 Eu, a luta. Ele a vitória.

 Eu, o inverno. Ele o sol.

 Eu, doente. Ele o milagre.

 Eu, o grão de trigo. Ele o pão.

 Eu, a procura. Ele, o endereço.

 Meu passado e meu presente: em suas mãos. 

Meu futuro: todo d'Ele.

 Eu, no tempo... 

E CRISTO a Eternidade!!!

 

autor desconhecido, postado a partir do nosso CARITAS IN VERITATE.

08.11.10

Deus é um Deus de vivos. Para Ele todos estão vivos!

mpgpadre

       1 – O mês de Novembro é sobejamente conhecido pelos crentes católicos como o Mês das Almas. Logo no primeiro dia, a celebração de Todos-os-Santos - homens e mulheres que se encontram na glória de Deus Pai. Os Santos preencheram as suas vidas com o amor de Deus, convertendo-o em amor ao próximo, pela oração e pela caridade.

       No segundo dia - Comemoração dos Fiéis Defuntos - reflectimos na condição daqueles que se encontram em Purgatório, a caminho da pátria celeste. Entenda-se, aqui, Purgatório, não como um tempo cronológico, ou como um espaço físico, antes da entrada no Céu, mas um estado de purificação/preparação para o encontro com Deus Pai. Jesus leva-nos do tempo à eternidade. Primeiro, com a Sua morte e ressurreição/ascensão, coloca a nossa natureza humana à direita de Deus Pai. De junto de Deus atrai-nos constantemente. Quando passamos da vida temporal à vida eterna, poderemos ter necessidade de habituar o nosso olhar e o nosso coração à grandeza e à luminosidade de Deus. Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, faz-nos passar duma condição à outra.

       Nestas duas celebrações, a mesma esperança e a mesma fé: a ressurreição, como garantia que a nossa memória, a nossa histórica e a nossa identidade, não desaparecerá com a morte, mas é assegurada por Deus. Aliás, a fé em Deus já engloba a fé na ressurreição como nos lembra Jesus no Evangelho: "… E que os mortos ressuscitam, até Moisés o deu a entender no episódio da sarça-ardente, quando chama ao Senhor ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’. Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos".

       2 – A liturgia da Palavra é muito significativa a propósito da vida eterna, não apenas por ser o mês das almas como também pelo facto de estarmos a caminhar para o final do ano litúrgico, em que se põem em maior evidência as realidades últimas.

       Na primeira leitura apresenta-se uma passagem, num tempo em que o Povo da Aliança está sob domínio estrangeiro, em que uma mãe e os seus sete filhos são mortos por se recusarem a negar as tradições da religião judaica. Perante a ameaça, esta família deixa-nos um belíssimo testemunho sobre a fé na ressurreição: "Estamos prontos para morrer, antes que violar a lei de nossos pais... Vale a pena morrermos às mãos dos homens, quando temos a esperança em Deus de que Ele nos ressuscitará".

       No Evangelho, por sua vez, Jesus é confrontado com outra tradição dos judeus, mas no caso presente com a pretensão de Jesus ser apanhado em contradição. A questão: uma mulher desposou sete irmãos, de quem não teve descendência; na eternidade quem será o seu marido? Na tradição judaica, se um homem não deixasse descendência à esposa, o irmão teria que assumi-la como esposa para lhe dar descendência e assegurar também a sua sobrevivência. Logo que houvesse filhos, o casamento estava abençoado...

       Mesmo com o fito de ridículo, Jesus responde com abertura, dizendo claramente que a vida eterna não é uma continuação da vida terrena, mas é de uma outra dimensão. Respondendo aos que duvidam da ressurreição, acentuando o valor "legalista" e estático da Lei, Jesus contrapõe com a própria Escritura que fala abertamente na ressurreição, uma vez que Deus é um Deus de vivos e não de mortos, é Deus de Abraão, de Isaac, de Jacob e de cada um de nós.

       3 – Na Segunda Leitura, São Paulo, em jeito de prece, sublinha a eternidade de Deus como desafio à vivência da fé e da caridade: "Jesus Cristo, nosso Senhor, e Deus, nosso Pai, que nos amou e nos deu, pela sua graça, eterna consolação e feliz esperança, confortem os vossos corações e os tornem firmes em toda a espécie de boas obras e palavras".

       Obviamente, que a fé na ressurreição nos conforta, nos estimula e nos compromete com o mundo em que vivemos. Somos já hoje chamados a espalhar o bem, a verdade e a caridade que nos atrai desde a eternidade de Deus. Vivemos antecipando, em nossas palavras e gestos, o gozo da contemplação de Deus face a face.

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Textos para a Eucaristia (ano C): 2 Mac 7,1-2.9-14; 2 Tes 2,16-3,5; Lc 20,27-38

 

05.11.10

Jesus: o olhar que nos guia ao Céu

mpgpadre

       Para nós cristãos, Jesus Cristo é o Reino de Deus, encarnado na história e no tempo, é o nosso Céu, é n'Ele, com Ele e por Ele que vamos ao Pai, que entramos na eternidade.

       Do mesmo modo que é a Ressurreição e a Vida, o nosso Céu, podemos também dizer que Jesus é o nosso Purgatório, entendido aqui positivamente como purificação e preparação para o encontro com Deus e não como castigo.

        Ao celebrarmos a solenidade de Todos-os-Santos - aqueles que se encontram na glória de Deus Pai -, e logo depois a Comemoração dos Fiéis Defuntos - aqueles que se encontram em (no) Purgatório -, somos interpelados pelos bens últimos, pela ESPERANÇA de salvação.

       A Igreja Católica, e assim o professamos no CREDO, crê na misericórdia infinita  de Deus que nos orienta para o Céu, mas também na possibilidade de escolhermos a nossa vida à margem ou contra Deus - Inferno -, e num estado intermédio, o Purgatório: a caminho do Céu, do encontro definitivo com Deus Pai, mas ainda necessitados de purificação, para que nos apresentemos limpos de toda a mácula.

       O PURGATÓRIO, no entanto, não é um lugar físico, uma antecâmara do Céu, ou o Hall de entrada para o Céu. É um estado do nosso ser pessoa. Nem um tempo cronológico, mas um tempo teológico, ou seja, já faz parte da eternidade de Deus.

       A nossa natureza ascendeu para junto de Deus Pai. Jesus Cristo na ressurreição/ascensão ao Céu, colocou a natureza humana à direita do Seu e nosso Pai. Como nos diz a Sagrada Escritura, quem vir o rosto de Deus morrerá, tal é a luminosidade de Deus, ferirá de morte todos os que d'Ele se aproximarem em tão grande proximidade.

       Quando estamos preparados, entrámos na glória da Ressurreição. Se o nosso olhar ainda não está suficientemente preparado/purificado, precisamos, nesse caso, de nos prepararmos. Como? Pela oração, pelo sacrifício supremo da nossa fé - a EUCARISTIA. É Jesus Cristo que nos conduz, que nos guia, que nos leva a Deus - "ninguém vai ao Pai senão por Mim -.

       É o nosso Purgatório, é Ele - verdadeiro Deus e verdadeiro Homem - que faz a ponte, em comunhão com a nossa natureza humana, purifica-a e introdu-la na natureza divina.

       Vejamos um exemplo: quando saímos de um compartimento escuro para a claridade do dia, ficámos "como" que cegos. E se tentarmos olhar directamente para o Sol ficamos cegos momentaneamente, e podemos ficar com ferimentos na vista. Deus é o nosso SOL, e, assim, só quando estamos verdadeiramente luminosos ascendemos à Sua presença. Para olharmos para o sol, abrimos pouco a pouco os olhos, colocamos uma mão à frente, paramos um pouco para nos habituarmos a tamanha claridade, ou pomos óculos do sol.

      Jesus Cristo desempenha a função de óculos de Sol, na nossa aproximação à luminosidade de Deus Pai - através d'Ele purificamos o nosso olhar, a nossa alma, para chegarmos ao Céu, para vermos Deus face a face. Ele é, nesta perspectiva, o nosso Purgatório, enquanto nos prepara/purifica para a Glória eterna de Deus.

       Como é imenso e incomensurável o MISTÉRIO de DEUS!

       Peçamos-Lhe o Espírito de Sabedoria para entendermos mas sobretudo para vivermos, aproximando-nos de Jesus Cristo, preparando-nos com Ele, para ascendermos com Ele até ao Pai do Céu.

23.08.10

Saudade é o amor que fica!

mpgpadre

       No início da minha vida profissional, senti-me atraído em tratar crianças e me entusiasmei com a oncologia infantil.

       Nós médicos somos treinados para nos sentirmos "deuses". Só que não o somos! Não acho o sentimento de omnipotência de todo ruim, se bem dosado. É este sentimento que nos ajuda a vencer desafios, a se rebelar contra a morte e a tentar ir sempre mais além. Se mal dosado, porém, este sentimento será de arrogância e prepotência.

Quando perdemos um paciente, voltamos à planície, experimentamos o fracasso e os limites que a ciência nos impõe e entendemos que não somos deuses.

       Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional. Nesse hospital, comecei a frequentar a enfermaria infantil, e a me apaixonar pela oncopediatria. Mas também comecei a vivenciar os dramas dos meus pequenos pacientes, que via como vítimas inocentes desta terrível doença que é o câncer.

       Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento destas crianças. Até o dia em que um anjo passou por mim.

       Meu anjo era uma criança já com 11 anos, calejada por 2 anos de tratamentos, hospitais, exames e todos os desconfortos trazidos pela quimioterapia e radioterapia. Mas nunca vi meu anjo fraquejar. Já a vi chorar sim, muitas vezes, mas não via fraqueza em seu choro. Via medo em seus olhinhos algumas vezes, e isto é humano! Mas via confiança e determinação.

       Um dia, cheguei ao hospital de manhã cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela mãe e ouvi uma resposta que ainda hoje não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.

       Meu anjo respondeu:

       - Tio, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores. Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade de mim. Mas eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!

       Pensando que crianças assistem seus heróis morrerem e ressuscitarem nos seriados e filmes, indaguei: - E o que morte representa para você, querida?

       - Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e no outro dia acordamos no nosso quarto, em nossa própria cama não é?

       (Lembrei que minhas filhas costumavam dormir no meu quarto e após dormirem eu procedia exactamente assim.)

       - É isso mesmo, e então?

       - Quando nós dormimos, nosso pai vem e nos leva nos braços para o nosso quarto, para nossa cama, não é?

       - Você é muito esperta!

       - Olha tio, eu não nasci para esta vida! Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!

       Boquiaberto, não sabia o que dizer. Chocado com o pensamento deste anjinho, com a maturidade que o sofrimento acelerou, com a visão e grande espiritualidade desta criança, fiquei parado, sem acção.

       - E minha mãe vai ficar com muitas saudades minha, emendou ela.

       Emocionado, travado na garganta, perguntei: - E o que saudade significa para você, meu anjo?

       - Não sabe não tio? Saudade é o amor que fica!

       Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor, mais directa e mais simples para a palavra saudade: é o amor que fica!

       Um anjo passou por mim...

       Foi enviado para me dizer que existe muito mais entre o céu e a terra, do que nos permitimos enxergar. Que geralmente, absolutilizamos tudo que é relativo (carros novos, casas, roupas de grife, jóias) enquanto relativizamos a única coisa absoluta que temos, nossa transcendência.

       Meu anjinho já se foi, há longos anos. Mas deixou uma lição que ajudou a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores.

       Que bom que existe saudade! O amor que ficou é eterno.

 

Rogério Brandão, Médico oncologista, postado a partir do nosso Caritas in Veritate.

16.08.10

Agora chegou a salvação e a realeza

mpgpadre

       1 – «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?" A saudação de Isabel a Nossa Senhora insinua o privilégio de Maria, antecipando-se Nela os frutos da CRUZ redentora de Jesus. Maria é salva, como todos nós mas por antecipação, pelos méritos da morte e ressurreição de Seu Filho.

       Concebida e preservada sem mácula, concebe pelo Espírito Santo, conserva a integridade, física e moral, deixando transparecer a intervenção divina, para que estando no mundo, acolhendo o Filho do Altíssimo, possa abarcar a divindade no tempo e na história.

       Depois da Sua morte, os cristãos sempre acreditaram que Ela também tinha sido preservada incorruptível e elevada ao Céu em corpo e alma. Preservada em vida e preservada para a eternidade com Deus.

       A segunda Leitura, da Epístola de São Paulo aos Coríntios, recorda-nos que a morte e ressurreição de Jesus antecipa também o nosso fim. "Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos; porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida".

       Nossa Senhora, criatura humana como nós, testemunha a salvação em Cristo. Morre e ressuscita, antecipando-Se para Ela o encontro definitivo com Deus nosso Pai.

 

       2 – No SIM de Maria, Deus vem ao nosso encontro, faz-Se um de nós. Jesus Cristo, por sua vez, abre a nossa história, a nossa humanidade e a nossa finitude à eternidade; dando-lhe um sentido de plenitude, coloca-nos para sempre à direita de Deus Pai, onde Ele já Se encontra.

       "Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono e a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido» (Primeira Leitura).

       Por Maria é-nos dado um Salvador. Pelo Salvador é-nos concedida a eternidade, a começar por Maria, Mãe de Jesus e Mãe nossa, que Ele nos dá no alto da CRUZ.

 

       3 – O fim tem um começo. Maria diz "SIM", para acolher Jesus Cristo, um sim que se faz vida, no serviço, na intercessão, na atenção aos outros, como nos mostra o Evangelho deste domingo. Maria vai apressadamente para a montanha, em auxílio de Isabel. Não vai como privilegiada, vai como serva.

       A sua oração é reveladora: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome".

       É Deus que opera maravilhas Nela, mas a favor da humanidade. É um privilégio inclusivo, para beneficiar a todos. Em Maria vislumbramos a nossa salvação.

       Em Maria, a nossa fé há-de levar-nos, como Ela, a viver na procura de realizar a vontade de Deus, acolhendo Cristo e mostrando-O ao mundo pela voz e pela vida.

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Textos para a Eucaristia: Ap 11,19;12,1-6.10; 1 Cor 15,20-27; Lc 1,39-56

 

09.08.10

Onde estiver o teu tesouro, aí estará o teu coração

mpgpadre

       1 - "Fazei bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável nos Céus, onde o ladrão não chega nem a traça rói. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. Tende os rins cingidos e as lâmpadas acesas" (Evangelho).

       Depois de Jesus convidar a fazer-nos ricos aos olhos de Deus, contrastando com a ganância e dizendo-nos claramente que "a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens", no domingo passado, hoje clarifica, avança e aprofunda esse desafio, de maneira que não acumulemos tesouros que o tempo corrói e que em muitas situações são obstáculos a uma vida feliz, descontraída, generosa.

       Os bens são necessários para a sobrevivência e para uma vida com dignidade, mas não são um fim em si mesmo, são um meio para viver, para ser feliz. O que deve prevalecer na nossa vida é a nossa relação positiva com os outros, com o mundo que nos rodeia, com Deus, com generosidade. Os bens que prevalecem até à eternidade são aqueles que nos aproximam uns dos outros e que se baseiam no amor, na justiça, na partilha solidária, no perdão.

 

       2 - Ao longo da vida vamo-nos dando conta que não somos apenas matéria e que a nossa existência não se encerra no tempo histórico, medido cronologicamente, mas abre-se para outras dimensões ainda que possam ser abafadas e até esquecidas pelas preocupações do tempo presente. O nosso espírito anseia pela eternidade. O querer mais pode ser uma forma de querer prolongar a vida, prolongar a memória, de deixar marcas que nos lembrem depois da nossa morte.

       Todos já ouvimos pessoas a dizer que a última morada é o cemitério, ali todos vamos parar, mas até os mais ateus e/ou agnósticos nesses encontros com a morte desejarão, no seu íntimo, que haja algo mais que a memória da ausência dos entes queridos.

       A fé, na verdade, ajuda-nos a entender o mistério da vida (e da morte), facilita-nos o momento de encarar a perda de alguém, com tristeza e luto, mas sem fatalismos, ainda que possamos ficar atordoados por tão grande mistério.

       A morte e a ressurreição de Jesus são a certeza de que também a nossa morte terá um desenlace para além da história e do tempo, colocando-nos na eternidade de Deus. Esta esperança há-de levar-nos de novo e sempre a colocar o nosso coração onde se deve encontrar o nosso tesouro, em Jesus Cristo, sentado á direita do Pai, de onde nos atrai para o bem.

 

       3 - As palavras de Jesus, no Evangelho deste domingo e do anterior, recordam-nos a nossa origem e o nosso fim (finalidade) divinos. De permeio, cabe-nos acolher a dádiva da vida, assumindo-a como tarefa e como compromisso, procurando tornar-nos ricos aos olhos de Deus, pela fé que nos orienta para a verdade e para a caridade.

       Foi esta mesma fé que mobilizou os nossos pais: "A noite em que foram mortos os primogénitos do Egipto foi dada previamente a conhecer aos nossos antepassados, para que, sabendo com certeza a que juramentos tinham dado crédito, ficassem cheios de coragem. Ela foi esperada pelo vosso povo, como salvação dos justos e perdição dos ímpios" (1.ª Leitura).

       Com efeito, diz-nos a Epístola aos Hebreus, "a fé é a garantia dos bens que se esperam e a certeza das realidades que não se vêem. Ela valeu aos antigos um bom testemunho" (2.ª Leitura).

       Por outras palavras, a fé antecipa-nos o que será a nossa vida em Deus, na eternidade, mistério revelado em Jesus Cristo, com a Sua mensagem, com a Sua vida e sobretudo com a Sua morte e ressurreição. O mistério revelado há-de comprometer-nos na ESPERANÇA, enlevar-nos para o alto, solidários com os que estão ao nosso lado.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Sab 18,6-9; Heb 11,1-2.8-19; Lc 12,32-48

 

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