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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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22.11.13

LEITURAS: Daniel Silva - o Anjo Caído

mpgpadre

DANIEL SILVA. O Anjo caído. Bertrand Editora. Lisboa 2013, 400 páginas.

       Gabriel Allon é um ativo dos serviços secretos israelita. Este é já o 12.º livro de Daniel Silva que tem como protagonista Gabriel Allon. É um extraordinário romance sobre os bastidores da segurança, da vigilância, na procura por salvar vidas inocentes. É o primeiro romance deste autor que me veio parar às mãos, oferta da família, e que em boa hora tive oportunidade de ler e descobrir. É daqueles livros em que se procura rapidamente avançar, página a página, com o trama a desenrolar-se diante dos nossos olhos como se estivesse dentro da história.

       A primeira reação, a partir do título, foi de suspeita preconceituosa. Depois de Dan Brown, com o Código Da Vinci, surgiram muitos títulos muito parecidos, procurando mostrar, ainda que romanceado, que o cristianismo seria uma farsa, com demasiados segredos e encobrimentos, com muitos crimes à mistura, violência, abusos de poder. Livros procurando desmontar que Jesus não existiu, ou teve uma amante... ou A virgem Maria, mãe carnal de muitos filhos... em Saramago, e José Rodrigues dos Santos, quase jurando que os dados revelados seriam mesmo documentos fidedignos. Embora no final se arranje uma forma ardilosa de justificar que afinal não existem tais documentos porque alguém os destruir. Tive oportunidade de ler vários romances de José Saramago, de ler Dan Brown, e excertos do polémico livro de José Rodrigues dos Santos, e entrevistas concedidas (além de ter lidos outros livros deste autor). A abundância de livros acentuando a teoria da conspiração a partir do Vaticano, cansou-me, até porque, tendo estudado História da Igreja e muitas disciplinas estritamente ligadas à teologia e ao cristianismo, nada do apresentado como descoberta é novidade, pois se estuda no tempo do Seminário, com as polémicas, a partir (sobretudo) do século XVIII, em que se colocam em causa muitas verdades de fé. Além, disso, desde os primeiros séculos houve milhentas discussões, síndodos, livros, missivas, concílios, a debater os conceitos mais importantes da fé: virgindade de Maria, Jesus como verdadeiro homem e verdadeiro Deus, papel e missão do Espírito Santo, Igreja de Jesus Cristo ou Igreja de São Paulo e muitas questões próximas.

       Quando vejo títulos que me apontem para o mesmo, sigo em frente. Também por esta razão, este é um livro fascinante, com intriga, com descrições que nos fazem situar ora nos EUA, na Holanda, em Israel, no interior do Vaticano, ou nas praças de Itália, em Viena de Áustria, em Paris. Cenários encantadores, onde a trama se desenrola e não falta o crime, o roubo de arte sacra, a congiminação para destruir o Estado de Israel e a sempre polémica negação, sobretudo por parte do mundo islâmico, do Holocausto e a edificação do primeiro e do segundo Templo de Salomão, em Jerusalém. A visita do papa Paulo VII (o Papa ficcionado), que evoca claramente as visitas de João Paulo II, mas também de Bento XVI, com reconhecimento, por parte da Igreja, dos pecados próprios contra os judeus, e a aproximação progressiva que se tem assistido desde Paulo VI, acentuada com João Paulo II, confirmada por Bento XVI e agora visualizada pelo Papa Francisco.

       O livro mostra-nos a beleza da arte e todos os interesses que se movem na obscuridade de roubos, de ganâncias, de poder. Obviamente que o autor não esquece algumas das polémicas que envolvem a Igreja, mas penso, que o faz com um sentido crítico equilibrado, acentuando a dimensão da fé, mas também a fragilidade daqueles que servem a Igreja.

       O livro ganha ainda mais a minha admiração, quando no final se deixa claro o que é romance e o que é história, o que é ficcionado e o que é real, fontes e inspiração. É visível, também no romance, o problema sempre atual da disputa de Israel e da Palestina pelos territórios de Abraão e de Jesus Cristo.

       Nota final para referir que, tendo em conta que sou sacerdote católico, sempre li com agrado as obras de Saramago, José Rodrigues dos Santos, Dan Brown, ou outras bastante polémicas. São enredos envolventes. O pecado, a meu ver, é que por vezes pretendem fazer história das polémicas, assumindo por vezes uma teoria de um ou outro historiador ou teórico em prejuízo de escolas de estudiosos, achando que todos os outros estão errados e só um pode estar certo, caindo em dogmatismos mais preservos do que aqueles que procuram combater. Ler um livro sabendo que é romance não é o mesmo que ler um romance que tem pretensões a ser um manual de história.

       Dito isto, se tiver oportunidade de ler algum livro de Daniel Silva, a ver pela amostra, não vai ficar desiludido/a, claro, se gostar de ler.

19.08.13

LEITURAS: Mo Yan - Peito Grande, Ancas Largas

mpgpadre

MO YAN. Peito Grande, Ancas Largas. Edição Babel. Lisboa 2012, 604 páginas.

       Com um pouco de tempo, uma dose relativa de perseverança, este é uma excelente título para ler em férias, num ambiente sem horas marcadas, deixando-se envolver pelo desenrolar da história.

       Guan Moye, natural da China, de um meio rural, escolheu como pseudónimo Mo Yan que significa "Não fales mais", foi Prémio Nobel da Literatura, no ano de 2012 (11 de outubro), portanto, o mais recente. Disse então a Academia Sueca que o autor "funde os contos tradicionais, a história e a contemporaneidade com um realismo alucinatório".

       Esta sua obra retrata, mais direta ou indiretamente, a China com as suas matizes culturais, políticas, religiosas, sociais. O regime de Pequim tem vindo a censurar algumas dessas obras, publicando apenas as que ganham projeção internacional. A atribuição do Prémio Nobel leva em conta não apenas a qualidade e originalidade da escrita e das histórias ou reflexões, mas também o contributo para a evolução dos povos. Em alguns casos é a forma de promover autores que vivem mais ou menos em estado de perseguição, ou sob censura. Com o Prémio, ganha relevo mundial o autor e os seus escritos. Diga-se, a este propósito, que este livro que ora recomendamos, quando foi conhecido o Prémio Nobel custava € 10,00 e podia ser encomendado por metade do preço, ou a preço de chuva, a € 5,00. Nas encomendas pela Internet não foi possível adquirir porque logo ficou indisponível. Dias seguintes, o preço do livro ultrapassou os € 20,00 (€ 22,00 a € 25,00). Com uma saída muito maior.

       O livro em si, segundo os editores, é um resumo de outro resumo publicado pelo autor, primeiro em fascículos de revista. Conforme referiu o autor, em tamanho é um bloco/tijolo. O mesmo refere que se tivesse que aconselhar a leitura de um dos seus livros, seria este. "Se quiserem, podem ignorar todos os meus outros livros, mas é obrigatório que leiam Peito grande, Ancas Largas. É um romance sobre a história, a guerra, a política, a fome, a religião, o amor..."

       A história insere-se na grande China imperial e feudalista, tendencialmente machista, que se destrutura com a segunda Guerra Mundial, deixando-se depois absorver pelo comunismo, que nem por isso traz melhorarias significativas para as pessoas, as famílias ou a própria nação.

       O livro contém praticamente todo o século XX, assistindo a diversos regimes, todos eles com acentuações destrutivas e escravizantes. O sistema imperial é também feudal. Há senhores que são donos de grandes mansões, grandes quintas, com muita riqueza, com muitas pessoas a prestarem vassalagem pelas necessidades básicas e essenciais à sobrevivência. A 2ª Guerra Mundial, com a invasão dos japoneses traz novos senhores, novas guerras, novas disputas, de um e outro lado da barricada, famílias vão-se colocando num ou noutro lado da balança. Conforme o pêndulo, assim as pessoas, assim os que mandam, assim os que são espezinhados, julgados, mortos. Depois da guerra e da retirada dos japoneses, outros grupos se impõem, a salvação nacional, os direitistas, esmagados pelo regime comunista. Em todas as famílias há elementos de uma fação ou de outra. Os mais pobres acabam por ser os mesmos. E tanto se está na mó de alto como na mó debaixo. Como diz uma das personagens, com grande realismo, ou quem sabe com muito pessimismo, desencanto, desilusão, do já visto, é necessário estar atento e acompanhar o vento, para se colocar do lado certo.

       Passam esses momentos de conflito, mas as quezílias entre famílias repetem-se, as perseguições continuam, o silenciamento faz-se discricionariamente, a justiça popular, a instrumentalização do poder a favor de uns poucos beneficiados.

        A história de uma família, com um crescendo de conflitos, disputas, separações, entrelaça-se com a história da nação. O machismo por demais evidente, em que se deseja e impõe o filho varão. O Peito Grande e as Ancas Largas é de família. Todas as mulheres seguem com esta característica, que tem o seu quê de simbólico, alguém, diríamos nós, que alimenta muitos filhos, com as costas largas para aceitar o bem e o mal, os sacrifícios, o sofrimento, por vezes quase em silêncio, para levar com uns e outros, porrada, violência de palavras e de gestos. O rapaz (personagem central, o narrador) é o 8.º filho. A Mãe, com peito grande e ancas largas, teve que se deitar com vários homens, já que o seu não lhe dava descendência, com o risco de ser entregue à proveniência, pois a culpada é sempre a mulher, lá arranja forma de procriar. Uma e outra filha, uma desgraça nunca vem só. Depois de muitos insultos e desgaste lá vem um filho e com ele uma irmã gémea, cega de nascença. A sogra é um traste, e a mãe tornar-se-á outro traste. A vida, a fome, a guerra, as divisões dentro da família, a miséria, o frio, moldaram um coração de pedra.

       As filhas vão casando, com líderes de diversas fações e por momentos a família vão gozando ora dos favores de um dos lados, ora do outro, conforme a mudança de vento. O filhos é que dão o nome e continuam a linhagem. Porém, o romance é uma crítica muito clara a esta sociedade tendencialmente machista. As mulheres é que mandam. O Peito grande e as ancas largas é que governam a casa, a cidade, a sociedade...

       É um belíssimo texto que traz até nós a ambiência chinesa, com diversos momentos que não eliminam a fome, a pobreza extrema, o machismo, a violência, a justiça popular, com elementos supersticiosos, próprios daquela civilização, mas também a influência ocidental, europeia e cristã.

       Dentro da trama, muitas pequenas estórias...

06.09.10

Mataram o SIDÓNIO

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       "Mataram o Sidónio" (Casa das Letras 2010), é o último romance de Francisco Moita Flores.

       É um romance que vem da História, como se refere na contracapa. Com efeito, o Presidente da República, Sidónio Pais, nas palavras de Fernando Pessoa, "A vida fê-lo herói, e a Morte o sagrou Rei", foi assassinado no dia 14 de Dezembro de 1918, pouco mais de um ano depois de tomar o poder, em 5 de Dezembro de 1917.

       O país vivia em confusão, com o epsódio de La Lys, onde morreram os soldados portugueses destacados para a Primeira Grande Guerra, com a Pneumónica, que dizimou muitas pessoas e destruiu muitas famílias, e com a República ainda muito nova, mas com muitas dificuldades para se impor. Sidónio Pais é uma esperança para o país. Entretanto é assassinado. De imediato se arranja um culpado, José Júlio da Costa, que nunca chegará a ser julgado.

       Com Sidónio Pais nasce a Polícia de Investigação Criminal. É publicado o relatório de autópsia ao Presidente da República, assinado por Asdrubal d'Aguiar, personagem que nos conduz neste romance, onde se mostra a importância da Investigação Criminal, contra as testemunhas forçadas, mas também a vida que pulula Lisboa e a História.

       Mais uma leitura que recomendamos vivamente. Bem escrito, lê-se com facilidade. Moita Flores consegue colocar-nos dentro da história, da investigação.

       Pelo caminho, para colocarmos a imagem que aparece em cima, deparámo-nos com a apresentação de José Júlio da Costa, realizada pela RTP. Aqui fica, embora o relatório da autópsia de Sidónio Pais mostre que não foi ele quem matou o presidente.

30.01.10

A melhor forma de nos vingarmos: o Perdão!!!

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       O tema do perdão tem feito e continuará a fazer correr muita tinta. Se, para uns, é valentia, superio­ridade moral, acto heróico por vezes, não falta quem julgue tratar-se de uma abdicação da personalidade, de inferioridade, de cobardia moral.

       Quando reflectíamos sobre este tema, caiu-nos debaixo dos olhos esta reflexão de um psicólogo moderno: - "Pessoas que não perdoam tendem a tornar-se iguais (ou piores) que aqueles que as magoaram até pelos sentimentos de vingança, que muitas vezes passam a actos"... E ainda, com uma pitada de ironia: - "Independentemente do nosso perdão, os outros seguem com a vida deles e nós é que ficamos mal, com a nossa amargura"...

       Assim sendo, afigura-se-nos que até humana­mente é errado e mesmo prejudicial negar o perdão a alguém.

       Lá da antiguidade pré-cristã, vem-nos a chamada "pena de talião": - "dente por dente, olho por olho". E não faltará quem se interrogue sobre quem teria sido esse férreo "talião': Pois não se trata de uma hipotética pessoa. É simplesmente a formulação da regra que proibia, em qualquer punição, exceder o equivalente à gravidade do crime que se intentava punir. Diríamos que é uma "lei de paridade", de igualdade, proibindo a aplicação de castigos incontrolados.

       O problema do perdão já um dia foi apresentado ao próprio Cristo. E Ele, além de ter ensinado a rezar "perdoai-nos as nossas ofensas como nós perdoa­mos"..., respondeu a pergunta de Pedro: - "Não te digo que(perdoes) até sete vezes, mas até setenta vezes sete", o que quer dizer ilimitadamente. E Ele próprio, condenado a morte injusta e infamante, perdoou aos seus algozes... E não pode haver crime maior do que tirar a vida a um ser humano. Para mais, no caso presente, ao inocente Filho de Deus. Contudo, Ele implora, do alto da cruz: " Pai, perdoa-lhes”…

       Mas nós vivemos numa época de confusões múltiplas. Por um lado, pseudo-intelectuais lutam de­sesperadamente intentando apagar da nossa cultura a indelével marca da Divindade. Em substituição de Deus, projectam e fabricam "super-homens" mas que não passam de criaturas "de pés de barro': Endeusa- se o homem, elevando-o à condição de ser superior, infalível, impiedoso, insensível, ao qual nada nem ninguém possa colocar barreiras nem jamais pedir contas. É um ser desumanizado. Por isso, perdoar é indigno dele.

       Resultado? Está bem a vista, estampado diaria­mente nas páginas da Comunicação Social: - o homem sem Deus cedo se transforma em "lobo do outro homem". Voltando ao pensamento inicial e concluindo: - no nosso modesto entender, quantos sinceramente se dispõem a conceder perdão ao seu semelhante afinal são uns valentes, porque conseguem sobrepor, ao natural instinto e desejo de vingança, a magnânima e cristã decisão de perdoar ofensas ou injúrias.

       E quantos transtornos psíquicos, dramas, crimes, guerras se evitariam, se reinasse, entre os homens, a tão nobre e reconfortante cultura do perdão! A começar pelo seio das famílias.

       J. d’Oliveira, in JB, postado a partir de ASAS DA MONTANHA.

___________________

 

       A este propósito vale a pena recordar o que diz o ilustre psiquiatra brasileiro, Augusto Cury, na obra O Mestre dos Mestres, em que aborda a sabedoria de Jesus Cristo, e ao falar do perdão nos lembra algo evidente: quando ficamos ressentidos, magoados, aborrecidos com alguém, e não perdoamos (perdoar não é desculpar, isto é, o mal não passa a ser bem, mas aceitar que o outro, como eu, pode errar, mas que isso não interfere na minha vida), o que acontece é que passamos a viver constantemente com a pessoa que nos ofendeu: dormimos com ela, acordamos e levantamo-nos com ela, acompanha-nos dia e noite, senta-se à mesa connosco. Não fazemos nada sem que a pessoa a quem não perdoamos não esteja declaradamente presente, Perdoar é encontrar a paz e o equilíbrio no nosso coração, não deixando que o ofensor domine a nossa vida...

21.10.09

Caim e Saramago: de novo a dívida à sabedoria?!

mpgpadre

       Li alguns livros do Saramago. Dos piores que li foi mesmo o "evangelho segundo Jesus Cristo". E porquê? Porque nele não há qualquer tipo de imaginação ou criatividade, pelo menos para quem estudou teologia e autores do século XVIII e XIX, que põem em causa muitas verdades de fé. O trabalho de Saramago foi pegar nesses textos, acrescentar um escrita sem pontuação e sucesso garantido. Quando se quer ter sucesso basta pôr uma pitada de religioso polémico.

       Agora Caim. O livro não li e também não faço tensões de o  ler. Antes poder-se-ia entender que era irreverência do autor. Agora fica mais claro que se trata tão somente de ignorância manifesta sobre temas bíblicos e/ou religiosos e a vontade em fazer dinheiro rápido para sustentar a ilha onde vive, em Espanha.  O capitalismo que tanto repudia em nome do comunismo que professa, é que lhe sustenta as mordomias que contradizem em absoluto a doutrina comunista, marxista-leninista. Mas também nisto Saramago é esperto, cospe no prato em que come... Sabe-se que os últimos livros de Saramago não obtiveram relevância.  E uma ilha daquelas e um palácio daqueles gastam uma fortuna só em manutenção.

       Obviamente, todos têm direito a usufruir dos resultados do trabalho e do esforço dispendido, agora ofender, criticar, agredir, com o intuito apenas de ganhar à custa dos outros é que não é defensável. Não queria ser português, mas vem a Portugal promover os livros para que os portugueses que ele renega e odeia (tirando os camaradas comunistas) lhos comprem e sustetem o seu negócio. É comunista, mas são as pessoas que vivem no capitalismo que lhe dão o dinheiro a ganhar... É ateu, mas é à custa da religião e da polémica barata que adiquire o ganha pão...

       Tentando esta polémica, vende de certeza. Mas a ignorância fica clara: lê a Bíblia ao jeito de um analfabeto. Ouvimo-lo a falar sobre o início da criação. Sabemos que é uma imagem, uma profissão de fé em Deus Criador e Senhor da História. Para Saramago o que lá está é para ser lido assim...

       E porque escreve sobre Caim, uma figura bíblica, e não sobre Afonso Henriques? Resposta: vende melhor.

       Ficam dois textos, em outros tantos post's, que achamos insuspeitos, a diferença entre polémica e ignorância.

21.10.09

Daixai falar o pobre Saramago

mpgpadre
       Um pouco de Bíblia, retalhada, cosida e interpretada ao gosto popular, uma pitada de teoria da conspiração, mais a Inquisição, inveja a Roma, anti-papismo primário, insinuações pornográficas, umas manchas de incesto e parricídio, mais histórias de seminário e crimes do Padre Amaro e eis que temos sucesso editorial garantido, de Dan Brown a Saramago. A receita vence desde o século XVIII. As pessoas gostam do sórdido, escaldam de entusiasmo com grandes mentiras, inebriam-se com o apedrejamento de tudo quanto inspire ordem, hierarquia e autoridade.
       Espanta-me que muitos ainda se alvorocem com um sub-género que nunca reuniu predicados elementares de integridade, que se repete e daí não sai. Espanta-me também que Saramago, em vez de Caim, não escolhesse a figura de Onan, mais conforme a expectativa de quem o lê.

 

       Tanta indignação contra Saramago e tanta invectiva e desabafo acabam, como pedem as regras do mercado, por atrair clientes. Ora, tenho a certeza absoluta que nove em dez daqueles que compraram o Evangelho segundo Jesus Cristo o não leram e aqueles restantes que o fizeram não compreenderam coisa alguma. A obra é ilegível e deixa de ter piada a partir da segunda página, pois da abolição das regras de pontuação nascem o caos intelectivo, enunciativo e dialógico, que juntos, permitem a fruição de um texto, literário ou não. Mutatis mutandis, escrevam uma receita culinária sem virgulas, pontos finais e parágrafos e provocarão grandes indisposições que terminarão numa consulta de gastroenterologia. Assim é a obra de Saramago, sem tirar.

 

       Depois, Saramago sofre de monomania religiosa, de doença da santidade invertida. Se literariamente é hoje um zero, também não possuiu qualquer autoridade em "Ciências da Bíblia". É um amador e como todos os amadores possui atevimento proporcional à ignorância. Tenho a absoluta certeza que o homem não sabe uma palavra em latim, nunca leu um tratado de apologética e desconhece coisa tão elementar como a Enciclopédia Católica. Depois, por tudo o que vai dizendo - deixai falar um ignorante, pois nunca devemos impedir um tolo de se enredar nas suas próprias palavras - parece confundir Teologia, Bíblia e História Eclesiástica. Se, em vez de o atacarem, o confrontassem com o seu [des]conhecimento, melhor serviço fariam. Infelizmente, parece haver uma lei de ouro nestas lutas sem interesse e sem consequência.

 

       Saramago vai voltar a escrever sobre o tema. Está a queimar inutilmente os últimos dias da sua passagem por esta vida escrevendo coisas votadas ao esquecimento. É uma pena, pois se o Memorial tinha o seu quê de curioso e o Levantados do Chão ecoava o que de humano havia no Neorealejo, estas coisas são, como o foram os panfletos de Oitocentos, mero lixo doméstico.

 

In Combustões (com a devida vénia ao Autor do texto)

Texto retirado de Ubi Caritas.

21.10.09

Um hino à ignorância

mpgpadre

O livro de Saramago é como o vídeo de Maitê Proença: um hino vivo aos píncaros da ignorância.
 
      Especialista em pequenos golpes publicitários, o sr. Saramago lançou, esta semana, um livrinho sobre Caim que o próprio, com a sua reconhecida modéstia, considera ser um exercício "divertidíssimo" contra "toda e qualquer religião". Tendo em conta este nobre objectivo, o escritor usou a apresentação de Caim para debitar umas opiniões firmes sobre Deus, a Igreja e a Bíblia, em particular sobre o Antigo Testamento, que ele notoriamente não conhece.

       Como a ignorância é livre e, em Portugal, tem mesmo direitos de cidadania, Saramago não se coíbe no que toca aos mais improváveis disparates. Com a profundidade de uma poça, garante solenemente que a Bíblia é "um manual de maus costumes", impróprio para crianças, que tudo o que lá está é "absurdo e disparatado"; que Deus, embora não exista, deve ser devidamente responsabilizado por todos os males da humanidade; que a "insolência reaccionária" da Igreja tem que ser combatida com a "insolência da inteligência viva"; e que o Papa é "cínico" por "ter a coragem de invocar Deus (…), um Deus que ele jamais viu e com quem nunca se sentou para tomar café". Ou para comer um croquete, já agora, com um cigarro pelo meio e meia dúzia de piadas a rematar.

       Do que aqui fica dito, percebe-se que para Saramago a Bíblia é uma espécie de romance de cordel para adultos, recheado de imoralidades várias que não se compadecem com a doce inocência da infância. A ideia de que um livro sagrado, não sendo fácil de interpretar, tem uma chave de leitura que exige um conhecimento profundo da história, da geografia, da língua e do fenómeno religioso é-lhe manifestamente estranha. Saramago, como é óbvio, dispensa esse tipo de qualificações. Para falar sobre a Bíblia basta-lhe uma leiturinha pela rama, meia dúzia de frases ocas e a necessidade de criar uma conveniente polémica que o ajude a vender o livro que escrevinhou em tempo recorde. Desta vez, as suas esperanças depositam-se nos judeus – já que os católicos, segundo o próprio, não perdem tempo a ler o Antigo Testamento e não podem, portanto, fazer-lhe o jeito e contribuir para o sucesso editorial da obra.

       Confesso, no entanto, que não vejo razões para grandes polémicas ou para fundadas indignações. As diatribes de Saramago são como o vídeo de Maitê Proença: um hino vivo à ignorância.

Constança Cunha e Sá, Jornalista

 

14.10.09

Saramago e a sua dívida à sabedoria

mpgpadre

       Tem uma imaginação muito fértil na escrita. Tenho lido os vários livros. Mas quando fala é uma desgraça. Se Cavaco Silva fosse eleito saía de Portugal, quando já estava a viver em Espanha. Vem a Portugal e num dia faz campanha por um partido, no dia seguinte por outro, e ao terceiro dia por outr ainda, a seguir insulta os do PS, e logo depois os do PCP, do CDS, do PSD, e de todos os que lhe aparecem pela frente... Sai de Potugal dizendo que vivemos em ditadura, caso não seja da sua cor os que governam o país... Quando vêm de Espanha dar-nos lições!!! A outra vinha do Brasil, este ilustre vem de Espanha, vender em Portugal, e depois tem dificuldade em respeitar quem pensa diferente, e dizem-se estes senhores paladinos da liberdade.

       Contra o capitalismo, mas vive numa ilha com o dinheiro que o capitalismo lhe tem dado... O próprio Nobel que recebeu é fruto do sistema capitalista... Contra a pobreza, mas os países comunistas era onde estava mais dissiminada...

        Os insultos ao Papa Bento XVI só podem ser de um homem intelectualmente diminuído, mesmo e apesar de Nobel da Literatura, ou é puro provincianismo. Também é certo, o Papa Bento XVI fala mais fluentemente, em várias línguas, escreve com uma facilidade enorme. A diferença, entre outras, linguagem do Papa é acessível a todos. Saramago, para a maioria, é intragável.

       Outra diferença, nunca verão o papa Bento XVI, ou outro papa, a falar mal do Saramago. E, claro, Saramago tem muito contra os papas, pois a Igreja também contribuiu para o fim do comunismo marxista-leninista... Em vez de Espanha, deveria estar em Cuba ou na China... e depois nos países que tanto ama já não dizia tudo o que lhe apetecia, mesmo desrespeitando pessoas e instiuições. Os opositores acérrimos de dogmas, são ainda e sempre muito mais dogmáticos.

      Quem continua a elogiar o comunismo de Lenine ou de Estaline, e a pensar que eram deuses!!! E ainda vem de Espanha dar lições de democracia e liberdade a Portugal, a vender-nos a democracia marxista-leninista, aquela em que uns poucos destruiram a vida de muitos...

       Todos temos afinal de reconciliarmo-nos com muita história...

 

Pode ver artigo no Corrreio da Manhã.

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