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...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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23.02.17

VL – A autoridade Jesus e dos seus discípulos: o serviço

mpgpadre

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A liturgia dos últimos e dos próximos domingos serve-nos o Sermão da Montanha (Mt 5,1-7,29), que começa com as Bem-aventuranças e termina desta forma: “Quando Jesus acabou de falar, a multidão ficou vivamente impressionada com os seus ensinamentos, porque Ele ensinava-os como quem possui autoridade e não como os doutores da Lei”.

Quando ouvimos falar em autoridade quase sempre nos lembramos de poder, de arrogância, de sobranceria. Jesus, desde o início, faz saber aos seus discípulos, daquele e de todos os tempos, que a Sua lógica é diferente, o Seu poder está no amor, no serviço, no gastar a vida não por quem merece mas por todos e especialmente pelos excluídos, os pecadores, os pobres, os doentes.

Um dia destes, um agente da GNR mandou-me encostar. Como em todas as profissões e/ou vocações há gente boa e gente maldisposta. Seja onde for tenho consciência que cumprem a sua missão. E assim foi. Documentos pessoais e da viatura. Colete. Triângulo. Deu a volta ao carro. Sempre com um ar descontraído, humano. E no final: tenha um bom domingo. Pode arrancar quando puder. Tudo de bom. Cumpriu com zelo, mas também com simpatia o seu dever. E com um gracejo final. Simples. É possível ser sério sem ser carrancudo, arrogante ou implicante. (Em nenhum momento revelei a minha identidade sacerdotal).

Na linguagem como na vida, Jesus apresenta-Se dócil, próximo, a favor dos mais desfavorecidos e da integração de todos no Reino de Deus, repudiando as injustiças, as invejas e os ódios, promovendo o serviço, o amor e o perdão, contando connosco, comigo e contigo. Cada pessoa conta. Cada um de nós é assumido como irmão, filho bem-amado do Pai. Jesus vem desfazer os muros da incompreensão, do egoísmo, da intolerância, da violência e construir pontes e laços de entreajuda, de comunhão e de fraternidade.

No Sermão da Montanha Jesus acentua a humildade, o despojamento, a pobreza, mas nunca a desistência ou o conformismo. São felizes os que lutam pela justiça e promovem a paz, os que usam de misericórdia e cuja compaixão constrói humanidade. Jesus não desiste. Vai até ao fim. Por amor. A Sua autoridade caracteriza-se pela bondade, por atrair os que foram colocados de parte pela política, pela sociedade e pela religião. Para Ele não há pessoas perdidas, todos podem recomeçar e ser parte importante no Seu reino de amor. Como nos lembrou há pouco o Papa Francisco, “não há santos sem história, nem pecadores sem futuro”.

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4398, de 14 de fevereiro de 2017

05.01.17

VL – Queria que a Mãe morresse… para ir para o Céu - 1

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       No Arciprestado de Moimenta da Beira – Sernancelhe - Tabuaço, procurando responder ao Plano Pastoral da Diocese de Lamego, sob o lema “Ide e anunciai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16, 15), proposto, fundamentado e refletido por D. António Couto na Carta Pastoral dirigida a toda a Diocese, acolhemos uma iniciativa pastoral – “Um santo missionário por mês”.
       No Jubileu da Misericórdia havia um conjunto de santos mais ligados, pelas palavras e pelos gestos, à misericórdia e que nos ajudavam a viver a fé e a vida sob o prisma da misericórdia, da compaixão e da ternura, testemunhando e transparecendo a misericórdia divina. Quando nos centramos numa dinâmica missionária, como tem sido ao longo dos últimos anos na nossa Diocese, com a referência e convite permanentes “Ide”, há santos cuja vida visualiza a pressa em levar o Evangelho a toda a parte, a todas as pessoas.
       Desta feita, em 2016-2017, a missão evangelizadora alarga-se e aprofunda-se: “todos, tudo, sempre, em toda a parte”. Em diversas paróquias do Arciprestado, a oportunidade de nos deixarmos envolver com o testemunho de santos missionários como Santa Teresa do Menino Jesus (outubro) e São Francisco Xavier (novembro), Padroeiros das Missões; Santa Faustina de Kowalska (dezembro), missionária da misericórdia ou Santa Teresa De Calcutá, missionária da caridade.
       Em épocas distantes, em ambientes diferentes, em dinâmicas variadas, os santos missionários permitem-nos ver como é possível viver a santidade em casa, num convento, indo ao encontro dos outros, na família, no meio dos jovens, na prática da caridade, na oração.
       Nesta dinâmica pastoral, a entrega de uma pagela com o santo missionário do mês, com uma tarefa para o mês que pode passar por um pai-nosso pelas missões, uma oração, a prática de uma das obras de misericórdia, levar um convite e/ou mensagem ao vizinho, visitar um doente individualmente ou em grupo. Desdobráveis, boletins paroquiais ou dominicais, escolas da fé, para aprofundar o conhecimento sobre o respetivo santo missionário, procurando, pelo sua intercessão e pelo seu testemunho, assumir a mesma paixão missionária de viver o Evangelho, levando-o a todos.
       Na Paróquia de Tabuaço, na primeira sessão da escola da fé, desta iniciativa pastoral, o responsável arciprestal, reverendo Pe. Giroto, acerca de Santa Teresa do Menino Jesus e como provocação inicial, apresentou-nos um pedaço de um filme, em que Teresa ainda menina diz à Mãe que quer que ela morra. Ao porquê, responde que, segundo lhe disse a própria Mãe, só morrendo a Mãe poderá ir para o Céu.
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4386, de 8 de novembro de 2016

05.01.17

VL: Queria que a Mãe morresse… para ir para o Céu – 2

mpgpadre

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       A afirmação inocente de Santa Teresinha será o seu modo de agir. É o seu desejo para consumar o encontro definitivo com Jesus Cristo. Aos 15 anos entra para o convento, por sua insistência, para viver uma vida inteiramente dedicada a Jesus, à oração, à contemplação.

       Quer ser santa. E tudo o que faz, o trabalho mais humilde, a paciência com os outros, o sofrimento em silêncio, a aceitação da zombaria por parte de outras irmãs, a oração e o tempo de recreio, em tudo procura ser agradável a Jesus Cristo, o Seu único Esposo, bem-amado, com Quem se quer em definitivo na eternidade.
       Não é caso único. Santa Teresinha tem a vida resolvida. Quer viva quer morra será para glória de Deus. Quer ir para o Céu, mas se for melhor permanecer viva, então aceita, pois dessa forma ajudar outros a encontrar-se com Jesus.
       O Apóstolo São Paulo, o maior missionário de todos os tempos, vive a mesma dualidade. A identificação a Jesus – «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim» (Gál 2, 20) – deixam-no pronto para ascender à glória de Deus Pai. Todavia, o mais importante será cumprir a vontade de Deus: “Cristo será engrandecido no meu corpo, quer pela vida quer pela morte. É que, para mim, viver é Cristo e morrer, um lucro. Se, entretanto, eu viver corporalmente, isso permitirá que dê fruto a obra que realizo. Que escolher então? Não sei. Estou pressionado dos dois lados: tenho o desejo de partir e estar com Cristo, já que isso seria muitíssimo melhor; mas continuar a viver é mais necessário por causa de vós. E é confiado nisto que eu sei que ficarei e continuarei junto de todos vós, para o progresso e a alegria da vossa fé, a fim de que a glória, que tendes em Cristo Jesus por meio de mim, aumente com a minha presença de novo junto de vós” (Fil 1, 19-26).
       Noutra missiva, o Apóstolo reafirma o mesmo dilema: “Permanecendo neste corpo, vivemos exilados, longe do Senhor, pois caminhamos pela fé e não pela visão... Cheios dessa confiança, preferimos exilar-nos do corpo, para irmos morar junto do Senhor. Por isso também, quer permaneçamos na nossa morada, quer a deixemos, esforçamo-nos por lhe agradar” (2 Cor 6-9). 
       Mas outros santos tinham o mesmo desejo e o mesmo compromisso. Santa Fustina de Kowalska, Santo Inácio de Antioquia, Santa Eufémia de Calcedónia… Viver u morrer para glória e louvor de Deus Pai!
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4387, de 15 de novembro de 2016

29.10.16

Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa

mpgpadre

1 – Um publicano a rezar no Templo, colocando-se diante de Deus, despido de qualquer presunção ou pretensão, certo da misericórdia de Deus. Apresenta-se transparente e disponível para deixar que Deus o transforme. É a atitude do discípulo de Cristo. O discípulo é aquele que se predispõe a amadurecer, a crescer como pessoa, aperfeiçoando as arestas que ainda magoam os outros, pela indiferença ou pelos gestos de maldade, injustiça, violência.

Hoje o Evangelho mostra-nos outro modelo de discípulo. Zaqueu, o homem de vistas curtas, de estatura baixa, que não vê além do seu nariz, do seu umbigo. Mas chega um dia em que se sente impelido a ver e conhecer Jesus. Dois fatores o impedem de chegar perto de Jesus. O primeiro tem a ver sua pequena estatura. Já deu o primeiro passo: a decisão de ver Jesus. O outro obstáculo é a multidão. A multidão, na qual também nos encontramos, pode ajudar a encontrar Jesus, apontando para Ele, mas pode também impedir que alguém se aproxime de Jesus, mantendo-se compacta e barrando a passagem.

Em que situações a multidão impede de ver Jesus?

Em que situações a multidão ajuda a encontrar Jesus?

São duas questões que devemos colocar-nos. Sabemos que a vivência da fé, a coerência de vida, o testemunho, o cuidado com os mais frágeis, pode levar outros a querer estar perto de Jesus e a desfrutar da mesma fé e do mesmo compromisso. O inverso manifesta-se quando a vida concreta contradiz abertamente a fé professada. O nosso intento será sempre, reconhecendo o nosso pecado, procurar o mais possível a identificação a Jesus Cristo.

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2 – Quando queremos alguma coisa, de verdade, vamos atrás. Insistimos, uma e outra vez. Não desistimos à primeira. Procuramos os meios, as pessoas, os instrumentos para obtermos o que desejamos. Zaqueu decidiu ver Jesus. Não apenas avistá-l'O à distância, mas vê-l'O de perto, deixar-se ver por Ele. Também aqui a multidão teve uma influência positiva. Zaqueu ouviu falar de Jesus. Terá ouvido muitas coisas acerca do Mestre da Docilidade. Foi ouvindo o que se dizia acerca de Jesus: um Profeta que anuncia um reino novo. As palavras e os prodígios, a mensagem e a Sua postura. A alternativa: um subversivo, um revolucionário, um lunático. Das informações recolhidas, um desejo forte de encontrar-se pessoalmente com Jesus, confirmando com os próprios olhos o que ouvira dizer. Não basta o que ouvimos dizer, é necessário o encontro com Jesus.

"Então correu mais à frente e subiu a um sicómoro, para ver Jesus, que havia de passar por ali". Colocado num lugar estratégico, para ver sem ser visto. Mas antes de ver, já Jesus, chegado ao local, o vê e o chama: «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa». Atónito e surpreendido, logo desce e com alegria recebe Jesus em sua casa. Não há tempo para perguntas e para porquês. Agora é o tempo da conversão. A conversão iniciara-se com o desejo de ver Jesus e completa-se com o acolhimento alegre a Jesus.

O discípulo torna-se missionário. «Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais». A alegria do encontro com Jesus provoca compromisso e mudança de vida. Zaqueu só precisou de um lampejo de luz para se abrir à misericórdia de Deus, que se manifesta e age em Jesus. Doravante a postura de Zaqueu não mais será a mesma.

 

3 – Aquela multidão que vê Jesus a entrar em casa de Zaqueu – o chefe de publicanos, odiado pela profissão que exerce, concluindo-se que pertencia àqueles que usam e abusam do cargo –, não fica convencida: «Foi hospedar-Se em casa dum pecador». Jesus não percebe. É ingénuo. Como vai logo hospedar-se em casa de uma pessoa assim?! A resposta de Jesus vem mais à frente: «Hoje entrou a salvação nesta casa, porque Zaqueu também é filho de Abraão. Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido».

A vinda de Jesus ao mundo tem um propósito firme: que n'Ele todos descubram Deus e se deixem salvar pelo Seu amor. Por conseguinte, cabe-nos hoje mostrar Deus aos nossos contemporâneos, transparecendo-O nas palavras e nos gestos, com a voz e com a vida.


Textos para a Eucaristia (C): Sab 11, 22 – 12, 2; Sl 144 (145); 2 Tes 1, 11 – 2, 2; Lc 19, 1-10.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE

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