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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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16.07.15

Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima em Tabuaço

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       No âmbito das celebrações do centenário (1917-2017) das Aparições de Nossa Senhora em Fátima, a primeira Imagem Peregrina, produzida a partir das indicações da Irmã Lúcia, imagem entronizada na Basílica de Nossa Senhora do Rosário e que há 50 anos percorreu o país, vai visitar (de novo) as Dioceses portuguesas.

       Na nossa Diocese de Lamego, a Imagem peregrina será acolhida no dia 26 de julho, pelas 16h00, em Vila Nova de Foz Côa, recebendo-a da Diocese de Bragança. Será entregue no dia 9 de agosto, na Sé Catedral, aos responsáveis de Fátima, regressando ao Santuário até ao mês de setembro, reiniciando na Diocese do Porto.

       Na Zona Pastoral de Tabuaço, será acolhida no 2 de agosto, pelas 18h00, na Paróquia de Arcos, que a recebe da Paróquia de Cabaços, Zona Pastoral de Moimenta da Beira. Será confiada à Zona Pastoral de Armamar, no do 3 de agosto, pelas 18h00, nos limites da Paróquia de Santa Leocádia com a Paróquia de Santo Adrião.

       Irá percorrer todas as paróquias da Zona Pastoral / concelho de Tabuaço na ordem e nos horários que surgem no Cartaz: DIA 2 de AGOSTO: Arcos - Longa - Nagosa - Granja do Tedo - Carrazedo - Vale de Figueira - Tabuaço. A recepção em Tabuaço será junto ao RECINTO de Nossa Senhora da Conceição, iniciando-se, com a participação de todas as paróquias a Procissão das Velas, que recolherá na Igreja Paroquial, havendo então um momento de Vigília de Oração. Durante a noite a Igreja poderá ficar aberta, tendo em conta que já houve grupos que manifestaram esse desejo. Pelas 8h00, celebração de SANTA MISSA, despedida da Imagem em direção à Paróquia de Távora.

DIA 3 de AGOSTO: Távora - Granjinha - Paradela - Sendim - Chavães - Desejosa - Valença do Douro - Santo Aleixo - Adorigo - Pinheiros - Barcos - Santa Leocádia.

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       Cruzará a Vila de Tabuaço por voltas das 13h30 do dia 3 de agosto, de Chavães em direção à Desejosa, e no regresso, pelas 15h15, de Valença em direção a Adorigo.

       As diferentes comunidades, e todas as pessoas que puderem e quiserem, podem deslocar-se para a colher a Imagem Peregrina, em Arcos, no dia 2 de agosto, e na passagem de testemunha em Santa Leocádia, no dia 3 de agosto. 18h00 - hora de acolhimento e de entrega.

17.03.15

D. António Couto: Introdução ao Evangelho segundo Marcos

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D. ANTÓNIO COUTO (2015). Introdução ao Evangelho segundo Marcos. Lisboa: Paulus Editora. 136 páginas.

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       Mais um excelente subsídio para preparar a Eucaristia de Domingo, para melhor compreender o Evangelho de São Marcos, colocando-se em atitude de seguimento, como discípulo em relação a Jesus Cristo, para melhor se entranhar na lógica de serviço, de doação, configurando a própria vida à vida de Jesus.

        O Evangelho seguido prevalentemente neste ciclo litúrgico do ANO B é São Marcos.

        Tal como havia feito para o Ano A, para o qual D. António Couto nos colocou nas mãos dois títulos: Quando Ele nos abre as Escrituras. Ano A, e Introdução ao Evangelho segundo Mateus, o Bispo da mui nobre Diocese de Lamego colocoa à nossa disposição mais dois títulos: Quando Ele nos abre as Escrituras: Ano B, com o comentário à liturgia de cada Domingo, e agora este sobre São Marcos.

        Como já nos habituou, D. António Couto coloca neste trabalho a sua fé, a experiência de vida, a dedicação ao Evangelho, valendo-se de conhecimentos diversos, ao nível da Sagrada Escritura, da história, da psicologia, da teologia, socorrendo-se dos Padres da Igreja e de outros estudiosos, mas sobretudo fazendo-nos mergulhar no texto de Marcos.

       São Marcos voltou à ribalta. Se antes era um texto considerado secundário, ficando quase no esquecimento, pois era entendido como uma espécie de resumo do Evangelho de São Mateus, ou de São Mateus e de São Lucas, a partir do século XIX começa a ser redescoberto, pois é reconhecido como o primeiro Evangelho a ser escrito e, por conseguinte, mais simples, direto, mais próximo cronologicamente de Jesus. Por outro lado, ainda que a linguagem seja diferente, com diferentes destinatários, segundo D. António Couto, os outros Evangelhos, Mateus, Lucas e mesmo São João, mantêm um esquema similar ao de Marcos.

       Sublinham-se no texto temas como chamamento, semente, pão e paixão de Jesus, discipulado. Com efeito o Evangelho de São Marcos faz-nos seguir como que no filme que passa diante de nós, em que a personagem principal é e deve ser o próprio Jesus, que Se aproxima, que chama, que diz, que faz, que nos envia. O discípulo é o que vai atrás.

       Este estudo divide-se em três capítulos:

  1. À porta do Evangelho de Marcos (quem é Marcos, onde e quando escreveu, para quem, estrutura do evangelho).
  2. Quem é Jesus? À procura da identidade de Jesus (Dizer Jesus, dizer do povo, de Pedro, do centurião; jornada de Carfarnaum: Parábola da semente / pão / paixão / ensinados e não compreendidos; na Barca sem Jesus, na Barca com Jesus.
  3. Quem é o discípulo de Jesus e como tornar-se discípulo de Jesus? À procura da identidade do discípulo de Jesus.

       D. António Couto, com mestria, faz-nos sentir discípulos de Jesus, ou melhor, coloca-nos na posição daqueles que se aproximam de Jesus ou de quem Jesus Se aproxima, mostrando que os Seus ditos são para nós, quando nos envolve, nos desafia, nos recrimina, quando nos lembra da nossa condição, quando nos faz passar para trás, como a Pedro e aos demais discípulos, quando nos relembra nossa nudez diante do mistério de Deus. Outro aspeto muito interessante, é a linguagem corrida e muitas vezes (quase) poética de D. António, bem como o estudo dedicado de alguns termos, a partir do grego, do hebraico ou do aramaico e até aqueles que não percebam estas línguas, ficam a perceber melhor o texto e o contexto do filme do Evangelho de Marcos.

 

LER a apresentação/sugestão do livro:

Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura: AQUI.

27.02.15

QUARENTA DIAS DE ORAÇÃO E 40 HORAS DE PERDÃO

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MENSAGEM DE D. ANTÓNIO COUTO PARA A QUARESMA 2015

  1. Na sua mensagem para esta Quaresma, o Papa Francisco lança um forte apelo contra a indiferença generalizada e globalizada, que se instala no nosso coração e o anestesia e endurece, tornando-nos insensíveis. A indiferença é, diz o Papa, uma reclusão mortal em nós mesmos, e desafia, por isso, as nossas paróquias e comunidades a serem ilhas de misericórdia no meio deste vasto mar de indiferença. E contra a dureza enrugada do nosso coração, o Papa propõe a beleza e leveza, sem rugas, da graça e do perdão, uma Igreja maternal, vigilante, compassiva e comovida, com «um coração que vê», como uma mãe sempre atenta, uma mão sempre estendida para manter entreaberta a porta do amor e do perdão, a porta de Deus (Salmo 106,23).
  1. Para tornar as coisas mais palpáveis e visíveis, o Papa propõe mesmo a realização de um «Dia do Perdão», 24 horas de reconciliação, a levar a efeito na Igreja inteira nos dias 13 e 14 de Março, de meia tarde a meia tarde, sob o lema: «Deus, rico de misericórdia» (Efésios 2,4). Peço, por isso, encarecidamente, a todos os sacerdotes que convoquem as comunidades paroquiais para este exercício de renovação das pautas do coração através da oração, da escuta atenta e qualificada da Palavra de Deus, da vivência da Eucaristia, do Sacramento da Reconciliação e da prática da caridade. Não deixemos de dar corpo e alma a este «Dia do Perdão», para o qual o Papa Francisco nos convoca.
  1. Façamos, amados irmãos e irmãs, do tempo da Quaresma um tempo de diferença, e não de indiferença. Dilatemos as cordas do nosso coração até às periferias do mundo, e que o nosso olhar seja de graça para os nossos irmãos de perto e de longe. Façamos um exercício de verdade. Despojemo-nos, não apenas do que nos sobra, mas também do que nos faz falta. Dar o que sobra não tem a marca de Deus. Jesus não nos deu coisas, algumas coisas para o efeito retiradas da algibeira, mas deu por nós a sua vida inteira. Dar-nos uns aos outros e dar com alegria deve ser, para os discípulos de Jesus, a forma, não excecional, mas normal, quotidiana, de viver (Atos 20,35; cf. Tobias 4,16). Como em anos anteriores, peço aos meus irmãos e irmãs das 223 paróquias da nossa Diocese de Lamego para abrirmos o nosso coração a todos os que sofrem aqui perto e lá longe.
  1. Neste sentido, vamos destinar uma parte da nossa esmola quaresmal para o Fundo Solidário Diocesano, para aliviar as dores dos nossos irmãos e irmãs de perto que precisam da nossa ajuda. Olhando para os nossos irmãos e irmãs de longe, vamos destinar outra parte do esforço da nossa caridade para apoiar os 25 Centros de Recuperação Nutricional (CRN) da Guiné Bissau. Esta mão de amor estendida até à Guiné Bissau traduz-se no apoio concreto a 60.000 crianças (dos 0 aos 6 anos), enquadradas em 10.000 famílias e 320 comunidades. Lembro que a mortalidade infantil (dos 0 aos 5 anos) atinge, na Guiné Bissau, a cifra altíssima de 27,4%, muito devido à subnutrição e parcos cuidados de higiene e de saúde. Estes 25 Centros de Recuperação Nutricional, geridos por Congregações Religiosas com a coordenação da Cáritas da Guiné Bissau, representam um pouco mais de esperança para as crianças guineenses. A Fundação Fé e Cooperação (FEC), que foi instituída em 1990 pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e pela Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP), e que este ano celebra 25 anos de existência, diálogo, fé e cooperação, encontra-se também a trabalhar no terreno guineense, dando apoio a estes 25 Centros de Recuperação Nutricional. Serão os membros desta instituição da Igreja Católica que levarão a nossa esmola para as crianças da Guiné Bissau, e velarão pela sua eficaz aplicação. Esta finalidade da nossa Renúncia ou Caridade Quaresmal será anunciada em todas as Igrejas da nossa Diocese no Domingo I da Quaresma, realizando-se a Coleta no Domingo de Ramos na Paixão do Senhor.
  1. Com a ternura de Jesus Cristo, saúdo, no início desta caminhada quaresmal de 2015, todas as crianças, jovens, adultos e idosos, catequistas, acólitos, leitores, salmistas, membros dos grupos corais, ministros da comunhão, membros dos conselhos económicos e pastorais, membros de todas as associações e movimentos, departamentos e serviços, todos os nossos seminaristas, todos os consagrados (em ano a eles consagrado), todos os diáconos e sacerdotes que habitam e servem a nossa Diocese de Lamego ou estão ao serviço de outras Igrejas. Saúdo com particular afeto todos os doentes, carenciados e desempregados, e as famílias que atravessam dificuldades. Uma saudação muito especial a todos aqueles que tiveram de sair da sua e da nossa terra, vivendo a dura condição de emigrantes.

Lamego, 18 de Fevereiro de 2015, Quarta-feira de Cinzas

Na certeza da minha oração e comunhão convosco, a todos vos abraça o vosso bispo e irmão,

+ António.

10.11.14

Semana dos Seminários | Mensagem de D. António Couto

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1. A Evangelii Gaudium do Papa Francisco constitui uma imensa provocação para a nossa Igreja. Os nossos hábitos adquiridos saem abalados, as pautas por que habitualmente nos regemos ficam caducas, a nossa maneira de viver assim-assim entra em derrocada. Sim, a força do Evangelho rebenta os nossos vestidos e odes velhos. A alegria não se serve mais em moldes velhos. É urgente um coração novo para acolher esta enxurrada de alegria. precisamos de Pastores novos à medida da Alegria e do Evangelho.

 

2. É neste contexto que vamos viver mais uma vez a Semana das Vocações e Ministérios, que este ano acontece de 9 a 16 de novembro, subordinada ao tema que o Papa Francisco trouxe pata a cena «Servidores da Alegria do Evangelho». Rezemos ao Senhor da colheita para que seja Ele, Bom e Belo Pastor, a velar sempre pelo rebanho, e para que nos ensine a ser Pastores e formar Pastores segundo o seu coração de Pastor e Pai premuroso.

 

3. E sejamos generosos no Ofertório de Domingo, dia 16, que será destinado, na sua inteireza, para as necessidades dos nossos Seminários de Lamego e Resende, e também para o Seminário interdiocesano de São José, sediado em Braga, onde se formam os seminaristas maiores das quatro Dioceses do nosso interior norte: Lamego, Guarda, Viseu e Bragança-Miranda.

 

4. Esta deslocação para junto de um dos polos da Faculdade de Teologia da UCP, neste caso, Braga, acarreta naturalmente despesas extra, mas tornou-se necessária devido ao decréscimo dos seminaristas nestas quatro Dioceses do nosso interior. O baixo número de seminaritas maiores destas quatro Diocese, atualmente reduzido a cerca de 20, não justifca e até desaconselhava que se mantivesse em atividade o Instituto de estudos Teológico que estas quatro Dioceses mantinham em Viseu.

 

Que Deus nos abençoe e guarde em cada dia, e faça frutificar o labor dos nossos Seminários.

 

Lamego, 26 de outubro de 2014, Dia do Senhor.

+ António

29.09.14

D. António Couto | Carta Pastoral | Ano Pastoral 2014-2015

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IDE E CONSTRUÍ COM MAIS AMOR A FAMÍLIA DE DEUS

«Os filhos são um dom de Deus»

(Salmo 127,3)

«Toda a paternidade, como todo o dom perfeito, vêm do Alto, descem do Pai das Luzes»

(Tiago 1,17; cf. Efésios 3,15).

«Sois membros da família de Deus»

(Efésios 2,19)

 

O amor fontal de Deus-Pai

1. «Deus é amor» (1 João 4,8 e 16) e «amou-nos primeiro» (1 João 4,19), e «nós amamos, porque Deus nos amou primeiro» (1 João 4,19). Então, o amor que está aqui, o amor que está aí, o amor que está em mim, o amor que está em ti, o amor que está em nós, «vem de Deus» (1 João 4,7), e «quem ama nasceu de Deus» (1 João 4,7). Deus amou-nos primeiro, ama-nos e continua a amar-nos sempre primeiro com amor-perfeito (êgapêménos: part. perf. pass. de agapáô), isto é, amor preveniente, fiel, consequente, permanente (1 Tessalonicenses 1,4; Colossenses 3,12). Ama-nos a nós, que estamos aqui, e foi assim que nós começámos a amar. Se não tivéssemos sido amados primeiro, e não tivéssemos recebido o testemunho do amor, não teríamos começado a amar, e nem sequer estaríamos aqui, porque «quem não ama, permanece na morte» (1 João 3,14), sendo então a morte, não o termo da vida, mas aquilo que impede de amar, e, portanto, de nascer!

 

2. Portanto, se «quem ama nasceu de Deus» (1 João 4,7), o amor que há em nós é remissivo, remete para outrem, remete para a origem. O que é a origem? A origem é o que está antes do começo, a quem a Bíblia e uma parte da humanidade chamam Deus, e nós, cristãos, por imagem, chamamos «Pai». Nova genealogia do amor: o Pai ama o Filho (João 3,35; 5,20), e ama também o mundo (João 3,16), a ponto de enviar o seu Filho ao mundo para lhe manifestar esse amor (João 3,16; 1 João 4,9-10). Só o semelhante conhece o semelhante, e lhe pode comunicar o seu amor. O Pai ama e conhece o Filho Unigénito, e comunica-lhe o seu amor. Como o Pai ama e conhece o Filho Unigénito, também o Filho Unigénito ama e conhece o Pai (Mateus 11,27), e o pode revelar os seus discípulos fiéis (João 15,9), tendo, para tanto, de descer ao nosso nível, fazendo-se homem verdadeiro, semelhante a nós (Filipenses 2,7; Hebreus 2,17). Na verdade, comunica-nos o amor do Pai, e dá-nos a conhecer tudo o que ouviu do Pai (João 15,15). E nós somos convidados a entrar nesse divino colóquio, a acolher esse amor desmesurado, e a passar a amar dessa maneira, como fomos e somos amados (João 13,34; 15,12).

 

3. Assim, o amor que está em nós, ou em que estamos nós, o amor entre marido e esposa, entre pais e filhos, entre amigos, entre nós, não provém nem de uns nem de outros. Nem sequer de si mesmo. O amor não é meu nem é teu. O amor não é nosso. O amor é dado. Claro. Se «quem ama nasceu de Deus», não é nossa a patente do amor, e temos mesmo de ser extremamente cuidadosos quando pretendemos ajuizar acerca do amor que há nos outros. A antiga equação nivelada: «Ama o próximo como a ti mesmo» (Levítico 19,18), é plenificada e subvertida pela equação paradoxal: «como Eu vos amei» (João 13,34; 15,12). Mesmo aqueles que desconhecem a fonte do amor, é dela que o recebem. Neste sentido, em que a fé se une à razão, não é o casal que faz o amor; é o amor que faz o casal. Do mesmo modo que não é o casal que faz os filhos; é o amor que os faz. São um dom de Deus (Salmo 127,3). Atravessa-nos um calafrio quando nos apercebemos que a humanidade transmite, de idade em idade, de pais para filhos, algo de eterno. Amor eterno, tão terrivelmente ameaçado de idade em idade!

 

4. É esse amor eterno, primeiro e derradeiro, verdadeiro, que nos faz nascer como irmãos. O lugar que, de forma mais imediata, nos mostra a fraternidade, é a família. E é verdade que, numa família, os filhos, não deixando de ser diferentes na ordem do nascimento, da saúde, da inteligência, temperamento, sucesso, são iguais. E são iguais, não obstante as suas acentuadas diferenças. São iguais, não em função do que são ou do que têm ou do que fazem, mas em função daquilo que lhes é dado e feito. Em função do amor que os precede, o amor dos seus pais, e, em primeira ou última instância, o amor fontal de «Deus-Pai» (Ad gentes, n.º 2), pois nós somos também, diz o Apóstolo, filhos de Deus (1 João 3,2), filhos no Filho (Romanos 8,17.29), membros da família de Deus (Efésios 2,19). É esse amor primeiro que nos torna livres e iguais, logo irmãos. A fraternidade é o lugar em que cada um vale, não por aquilo que é, por aquilo que tem ou por aquilo que faz, mas por aquilo que lhe é feito, antes e independentemente daquilo que deseja, pensa, projeta e realiza, e em que o seu ser é ser numa relação de amor incondicionada, que não é posta por ele, mas em que ele é posto. A verdadeira fraternidade ensina-nos que a nossa consciência não é a autoconsciência daquilo que fazemos, mas a hétero-consciência daquilo que nos é feito e que nós somos sempre chamados a reconhecer e a cantar com renovada alegria, como Maria: «O Todo-poderoso fez em mim grandes coisas» (Lucas 1,49).

O limiar do mistério em cada nascimento

5. Ó abismo da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! (Romanos 11,33). Ó abismo do amor de Deus! Caríssimos pais e mães, os filhos que gerais e que vedes nascer, são, antes de mais, vossos ou são de Deus? Dir-me-eis: este filho é nosso, fomos nós que o geramos, fui eu que o dei à luz, nasceu neste dia, tenho aqui a cédula de nascimento. E eu pergunto ainda: sim, mas porquê esse, e não outro? É aqui, amigos, que entra o para além da química e da biologia, entenda-se, o para além de nós. É aqui, amigos, que entramos no limiar do mistério, na beleza incandescente do santuário, onde o fogo arde por dentro e não por fora. É aqui que paramos ajoelhados e comovidos à beira do inefável e caímos nos braços da ternura de um amor maior, novo, paternal, maternal, que nenhuma pesquisa biológica ou química explicará jamais. Todo o nascimento traz consigo um imenso mistério. Sim, porquê este filho, e não outro? Porquê este, com esta maneira de ser, este boletim de saúde, este grau de inteligência, estas aptidões, esta sensibilidade própria? Sim, outra vez, porquê este filho, e não outro, com outra maneira de ser, outro boletim de saúde, outro grau de inteligência, outras aptidões? Fica patente e latente, evidente, que, para nascer um bebé, não basta gerá-lo e dá-lo à luz. Quando nasce um filho, é também Deus que bate à nossa porta, é também Deus que entra em nossa casa, é também Deus que se senta à nossa mesa, é também Deus que nos visita. Há outra paternidade, a de Deus, por detrás da nossa vulgar paternidade, participação da verdadeira paternidade de Deus. Na verdade, «toda a paternidade, como todo o dom perfeito, vêm do Alto, descem do Pai das Luzes» (Tiago 1,17; cf. Efésios 3,15).

Membros de uma nova família

6. Há, portanto, também uma nova familiaridade. A partir de Deus. Na verdade, no comportamento Misericordioso de Jesus transparece uma nova familiaridade, que assenta a sua fundação muito para além dos meros laços biológicos e anagráficos das nossas famílias. Prestemos atenção ao luminoso dizer de Jesus no caixilho literário de Marcos:

«E vem a mãe dele e os irmãos dele, e, ficando fora, enviaram quem o chamasse. E estava sentada à volta dele a multidão, quando lhe dizem: “Eis que a tua mãe e os teus irmãos e as tuas irmãs estão lá fora e procuram-te”. E respondendo-lhes, diz: “Quem é a minha mãe e os meus irmãos?”. E tendo olhado à volta, para os que estavam sentados em círculo ao seu redor, diz: “Eis a minha mãe e os meus irmãos. Na verdade, aquele que faz a vontade de Deus, este é meu irmão e irmã e mãe”» (Marcos 3,31-35).

Ensinamento espantoso de Jesus que põe em causa a validade de uma maternidade e fraternidade meramente biológicas, fundadas sobre os direitos do sangue [«a tua mãe e os teus irmãos e as tuas irmãs… procuram-te»], para afirmar uma nova familiaridade aberta pelo horizonte novo do éschaton, do último, do primeiro e último, do novíssimo: «aquele que faz a vontade de Deus, este é meu irmão e irmã e mãe». No novo horizonte da vontade do Pai, não se deixa de ser mãe, irmão ou irmã. Não são, porém, esses laços familiares que nos dão direito a amar e a ser amados, mas o termos sido encontrados pelo Amor, que agora somos chamados a testemunhar. «Vós sois testemunhas (mártyres) destas coisas», diz Jesus (Lucas 24,49). Sermos designados por Jesus testemunhas das coisas de Jesus é sermos chamados a envolver-nos de tal modo na história e na vida de Jesus, a ponto de a fazermos nossa, para a transmitir aos outros, não com discursos inflamados ou esgotados, mas com a vida! Sim, aquela história e aquela vida são a nossa história e a nossa vida. Sentir cada criança como filho, cada mulher como mãe e todo o semelhante como irmão ou irmã não é simples retórica, mas a transcrição verbal do novo real compreensível à luz do projeto Criador, Primeiro e Último, em que o mundo aparece como uma única casa e os seus habitantes como uma só família. Nascerá então o mais belo relato. Sim, o relato re-lata, isto é, põe em relação, une, reúne, enlaça, entrelaça. E re-lata, isto é, põe em relação, une, reúne, enlaça, entrelaça duplamente: primeiro, porque faz uma re-lação dos acontecimentos, unindo-os para formar um belo colar; segundo, porque põe em relação o narrador e o narratário. Sim, quando eu e tu e ele e ela, nós todos, relatarmos a mesma história, e não histórias diferentes, nesse dia luminoso e bendito começamos a nascer como irmãos, não pelo sangue, mas pela liberdade. Sim, só o relato nos pode aproximar tanto, fazendo-nos, não apenas estar juntos, mas nascer juntos, como irmãos. Portanto, irmãos e amigos, deixai que grite bem alto aos vossos ouvidos: mais amor, mais família, mais oração, mais missão, mais formação. Mais. Mais. Mais.

O sentido da vida recebida e dada

7. Na origem dos nossos termos «matrimónio» e «património» está o «dom» como «munus», como bem sublinha e explica o famoso linguista francês Émile Benveniste, seguido por Eugenia Scabini e Ondina Greco, no domínio da psicologia social. Munus faz parte de uma rede de conceitos relacionais, que obriga a uma «restituição». Quem não entra neste jogo do munus diz-se immunus, «imune». E voltam as perguntas contundentes: quem recebe a vida, como e a quem a restitui? Salta à vista que não podemos «restituir» a vida a quem no-la deu. Há, neste domínio, uma assimetria originária nas relações familiares. Verificada esta impossibilidade de «restituir» a vida a quem no-la deu, poderíamos pensar em «restituir» em termos análogos: então, o filho poderia, por exemplo, responder ao dom da vida recebida, tomando a seu cargo e cuidado os pais enfraquecidos e velhinhos. Mas este não é o único modo de «restituição» nem o mais significativo. O equivalente simbólico mais próximo é «restituir» em termos generativos (generativo e generoso têm a mesma etimologia), dando, por sua vez, a vida e assumindo a responsabilidade de pôr no mundo uma nova geração. Dar a vida e tomar a seu cuidado uma nova geração é mesmo o modo mais apropriado de «restituir» à geração precedente. Situação paradoxal: respondemos ao débito que nos liga à geração anterior com um crédito em relação à geração seguinte. E os avós têm muito a ganhar com os netos, e estes com aqueles. Todos sabemos. Da família humana à grande família de Deus, passando pela família religiosa. Também por isso, a Bíblia é um livro de nascimentos e de transmissão: da vida e da fé e da graça. Vamo-nos hoje apercebendo de que o mundo em que estamos tem muitas dificuldades em transmitir a vida e a fé e a graça, a cháris, o carisma, que envolve a nossa vida pessoal e da nossa família humana, mas também a vida da Igreja, família de Deus, e das diferentes famílias religiosas. Talvez por isso, nos voltemos tanto para trás, e se fale tanto em voltar às origens, refundar. Mas o caminho a empreender não passará mais por gerar novos filhos na vida e na fé e no carisma? Parece-me que é esta a tarefa que todos temos pela frente, em casa, na Igreja, família de Deus, e nas famílias religiosas.

Missão: «restituição» para a frente

8. Impõe-se, portanto, não a preservação, a conservação, a autoconservação, mas a missão, que é a verdadeira «restituição» a Deus e aos irmãos. Já atrás nos ocupámos a verificar, em termos familiares, a impossibilidade de «restituir» a vida a quem no-la deu. O Salmista também se pergunta no que a Deus diz respeito: «Como «restituirei» ao Senhor por todos os seus benefícios que Ele me deu?» (Salmo 116,12). Sim, como «restituirei» ao Senhor o amor que há em mim? Como «restituiremos» ao Senhor o amor que há em nós? O Salmista responde: «O cálice da salvação erguerei, e o Nome do Senhor invocarei. Os meus votos ao Senhor cumprirei, diante de todo o seu povo» (Salmo 116,13-14). Sim, o Salmista sabe bem que não pode «restituir» diretamente a Deus, mas sabe também que pode sempre agradecer a Deus (restituição análoga), e, passando de mão em mão, em fraterna comunhão, o cálice da salvação, anunciar a todos que Deus atua em favor do seu povo, faz em nós grandes coisas, sendo este anúncio ação de evangelização ou generosa «restituição» generativa. É assim que, de forma empenhada, generosa e apaixonada, como testemunha S. Paulo, se vão gerando (1 Coríntios 4,15; Filémon 10) e dando à luz novos filhos (Gálatas 4,19).

 

9. Amados irmãos e irmãs, não nos é permitido, nesta encruzilhada da história, ficar quietos, desanimados, tristes e calados. Ou simplesmente entretidos, ensonados e descomprometidos, como crianças sentadas nas praças, que não ouvem, não ligam, não respondem (Mateus 11,16-17; Lucas 7,31-32). Para esta tarefa imensa da transmissão da fé e do amor e da vida verdadeira, vida em grande, todos estamos convocados. Ninguém se pode excluir, ou ficar simplesmente a assistir. São sempre necessários e bem-vindos mais corações, mais mentes, mais entranhas, mais braços, mais mãos, mais pés, mais irmãos. Uma Igreja renovada multiplica as pessoas que realizam serviços e acrescenta os ministérios. A nossa vida humana e cristã tem de permanecer ligada à alta tensão da corrente do Amor que vem de Deus. E temos de ser testemunhas fortes e credíveis de tanto e tão grande Por isso e para isso, podemos aprender a rezar a vida com o orante do Salmo 78:

«As coisas que nós ouvimos e conhecemos,

o que nos contaram os nossos pais,

não o esconderemos aos seus filhos,

contá-lo-emos à geração seguinte:

os louvores do Senhor e o seu poder,

e as suas maravilhas que Ele fez.

Ele firmou o seu testemunho em Jacob,

e a sua instrução pôs em Israel.

E ordenou aos nossos pais,

que os dessem a conhecer aos seus filhos,

para que o saibam as gerações seguintes,

os filhos que iriam nascer. 

Que se levantem e os contem aos seus filhos,

para que ponham em Deus a sua confiança,

não se esqueçam das obras do Senhor,

e guardem os seus mandamentos» (Salmo 78,3-7).

Amados irmãos e irmãs, há coisas que não podemos mais dizer sentados, que é como quem diz, assim-assim, de qualquer maneira ou de uma maneira qualquer. O Amor de Deus, que enche a nossa vida, tem de ser dito com a vida levantada, com um dizer grande, transbordante, contagiante e transformante, com razão, emoção, afeto e paixão. Retomo o dizer do orante e transmissor da fé: «Que se levantem e os contem aos seus filhos» (Salmo 78,6). Ou, de outra maneira: «Uma geração enaltece à outra as tuas obras» (Salmo 145,4). Ou como Maria: «A minha alma engrandece o Senhor» (Lucas 1,47).

Todos-para-todos

10. Para esta tarefa imensa da transmissão da fé e do amor e da vida verdadeira, vida em grande, convoco todos os diocesanos da nossa Diocese de Lamego: sacerdotes, diáconos, consagrados, consagradas, fiéis leigos, pais, mães, avôs, avós, famílias, jovens, crianças, catequistas, acólitos, leitores, agentes envolvidos na pastoral, membros dos movimentos de apostolado. A todos peço a graça de promoverem mais encontros de oração, reflexão, formação, partilha e amizade. Mais. Mais. Mais. A todos peço a dádiva de uma mão de mais amor às famílias desconstruídas e a todos os irmãos e irmãs que experimentam dificuldades e tristezas. Mais. Mais. Mais. A todos peço que experimentemos a alegria de sairmos mais de nós ao encontro de todos, para juntos celebrarmos o grande amor que Deus tem por nós e sentirmos a beleza da sua família toda reunida. Que cada um de nós sinta como sua primeira riqueza e dignidade a de ser filho de Deus. E para todos imploro de Deus a sua bênção, e de Maria a sua proteção carinhosa e maternal.

Santa Maria de um amor maior,

do tamanho do Menino que levas ao colo,

diante de ti me ajoelho e esmolo

a graça de um lar unido ao teu redor. 

Protege, Senhora, as nossas famílias,

todos os casais, os filhos e os pais,

e enche de alegria, mais e mais e mais,

todos os seus dias, manhãs, tardes, noites e vigílias. 

Vela, Senhora, por cada criança,

por cada mãe, por cada pai, por cada irmão,

a todos os velhinhos, Senhora, dá a mão,

e deixa em cada rosto um afago de esperança.

 

Lamego, 27 de setembro de 2014, Dia da Igreja Diocesana

+ António, vosso bispo e irmão

 

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28.09.14

D. ANTÓNIO COUTO | Os desafios da Nova Evangelização

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D. ANTÓNIO COUTO (2014). Os desafios da Nova Evangelização. Lisboa: Paulus Editora. 128 páginas.

       A Voz de Lamego, na edição de 16 de setembro apresentou como sugestão de leitura este novo livro de D. António Couto, Bispo de Lamego. Seguimos a sugestão de imediato e na primeira oportunidade adquirimos mais este título, na certeza de ser uma leitura agradável, acessível, profunda, poética, com muitas informações e sobretudo numa dinâmica formativa.

       D. António Couto é, reconhecida e meritoriamente, um dos Bispos portugueses que mais contribui para a reflexão teológica e bíblica. O seu blogue MESA DE PALAVRAS, através do qual disponibiliza todas as semanas pistas que ajudam a refletir a palavra de Deus de cada Domingo e/ou dia santo é visitada por várias centenas de pessoas, para lerem, meditarem, e para melhor preparar e viver a liturgia da Palavra.

"Este novo livro reúne textos de antes do Sínodo e de depois do Sínodo, sendo que os que foram apresentados no Sínodo foram naturalmente produzidos antes do Sínodo. Dedicamos ainda um capítulo à Exortação Apostólica Evangelii Gaudium e, num último apartado, juntamos texros diversos e ocasionais, todos relacionados com a missão de evangelizar".

       Lembramos que D. António Couto, juntamente com D. Manuel Clemente, participou na XIII Assembleia-Geral do Sínodo dos Bispos, reunido com a preocupação de refletir "A nova evangelização para a transmissão da fé cristã", e que teve lugar em Roma, entre os dias 7 e 28 de outubro de 2012, sob pontificado do papa Bento XVI. Nessa ocasião iniciou-se também o ANO DA FÉ. A intervenção proferida por D. António Couto na aula sinodal é um dos textos disponibilizados, bem como texto resumido para a Comunicação Social, e um texto, mais desenvolvido, como preparação para o Sínodo.

       Vejamos o índice:

Introdução
ANTES E DURANTE O SÍNODO
Fidelidade renovada I
Fidelidade renovada II
Fidelidade renovada III
DEPOIS DO SÍNODO
Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã
EVANGELII GAUDIUM
O amor verdadeiro está lá sempre primeiro
TEXTOS DIVERSOS
Amor primeiro
O amor é a alma da missão
Todas as Igrejas para o mundo inteiro
Portugal, vive a missão, rasga horizontes!
Missão: testemunho e serviço
Igreja de Portugal, é tempo de renascer!
Como o Pai me enviou também Eu vos mando ir (Jo 20,21)
Voltar o ímpeto missionário das primeiras comunidades cristãs
Uma Igreja missionária, terna, pobre e para os pobres
Leigo e missionário
Jovem e missionário
Indo, fazei discípulos, dai a vida
Anunciar o Evangelho é uma necessidade que se me impõe

       É uma apanhado de textos riquíssimo sobre o compromisso cristão de transparecer Jesus Cristo. Através destes textos percebem-se alguns dos temas mais caros a D. António Couto, bem como um estilo próprio de dizer e de escrever, de contar e provocar, numa linguagem poética, mas de fácil compreensão. Quando nos deparamos com "peritos" a primeira reação poder-nos-á colocar de pé atrás, pensando que o "perito" escreve para peritos. Mas começando a escutar, ou a ler, logo chegamos à conclusão que quanto mais perito mais simples e envolvente.

       A necessidade de Nova Evangelização é, antes de mais, necessidade de conversão a Jesus. As estruturas e os métodos são importantes, mas imprescindível é mesmo a conversão, a oração, a escuta da Palavra de Deus.

A melhor forma de evangelizar é ser transparência do amor de Deus, visualizado em Jesus Cristo. Portanto: testemunhar a própria fé. Evangelizar de forma personalizada, isto é, pessoa a pessoa, coração a coração. Um cristão, convertido, convicto, que vive na família e na sociedade, de maneira cristã, alegre, evangeliza outro cristão. Os dois "convertem" outros dois; os quatro outros quatro e exponencialmente se evangeliza. Ser missionário não é uma opção do cristão, ou uma segunda vocação, mas é a sua identidade, todo o cristão é missionário, ou discípulo missionário. Os destinatários? Todas as nações, o mundo inteiro. É uma tarefa sem limite de tempo ou de espaço.

 

       A intervenção de D. António no Sínodo dos Bispos: Fidelidade Renovada : AQUI. e que integra este livro agora sugerido.

12.06.14

Tabuaço: XI Festival da Canção: Desperta para amar

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       Participação do GJT (grupo de jovens da Paróquia de Tabuaço) no XI Festival Diocesano da Canção Jovem, organizado e promovido pelo SDPJ de Lamego, no Teatro Ribeiro Conceição, no dia 7 de junho de 2014, ficando em 3.º lugar. É mais uma daquelas participações de excelência. Esta música e respetiva interpretação ficava bem em qualquer Festival de inspiração cristã. Garra, melodia, afinação, empatia com a plateia.

05.03.14

Quaresma 2014: Mensagem de D. António Couto,

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IDE ATÉ AO CORAÇÃO DE DEUS E DOS IRMÃOS

       1. Na sua mensagem para esta Quaresma, o Papa Francisco convida-nos a acolher Jesus que, por amor, se fez nosso irmão, descendo ao nosso nível, para nos entregar o amor, a paz, a alegria, a fraternidade e a verdade. Por isso, veio ter connosco. De longe e do alto, só nos podia atirar dinheiro, mas não nos enriquecia. Não tocava nem sarava as nossas feridas, não lavava os nossos pés, não afagava o nosso coração, não tornava mais divina a nossa humanidade. Ele, que é o «rosto humano de Deus e o rosto divino do homem» (Ecclesia in America [1999], n.º 67), desceu ao nosso mundo, fez-se pobre, caminhou e caminha connosco, no meio de nós, para nos enriquecer com a sua pobreza (2 Coríntios 8,9).

 

       2. Mas como Jesus não veio apenas ao meu encontro para só a mim se entregar por amor e só em mim fazer nascer o amor, mas veio ao encontro de todos e a todos se entregou por amor, então a minha fé é verificada pelo meu amor a Deus e a todos os meus irmãos amados por Deus. Diz bem o Apóstolo: «Quem não ama o seu irmão, que bem vê, não pode amar a Deus, que não vê» (1 João 4,20).

 

       3. E o Apóstolo insiste em pôr diante dos nossos olhos esta chave de verificação: «Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama, permanece na morte» (1 João 3,14). A verdadeira morte não é então o termo da vida, mas aquilo que, desde o princípio, impede de nascer: o não acolhimento do Deus que vem por amor e por amor se faz pobre, para, por amor, fazer nascer em nós o amor e novas e impensáveis pautas de fraternidade.

 

       4. Sim, então o amor ou a caridade não cabem, longe disso, naquilo que habitualmente designamos por solidariedade ou ajuda humanitária. O amor ou a caridade desborda sempre dessas realidades, e impele-nos ao anúncio do Evangelho, que é «a primeira caridade» (Evangelii Gaudium [2013], n.º 199; Novo millennio ineunte [2001], n.º 50) e «o primeiro serviço que a Igreja pode prestar ao homem e à humanidade inteira» (Redemptoris missio [1990], n.º 2), e que consiste em mostrar este Deus que vem por amor ao nosso encontro, para nos servir o amor e fazer nascer em nós, como resposta, o serviço humilde, próximo e dedicado do amor.

 

       5. Por isso, o tempo da Quaresma é um tempo diferente e um tempo em que devemos viver de frente, sem fugas, desculpas, meias-tintas, inverdades, meias-verdades ou mentiras. É tempo de ir até ao coração de Deus e dos irmãos. É tempo de entregarmos a Deus o nosso pó, a nossa cinza, que só Ele sabe transformar em amor (Génesis 2,7) e fazer-nos renascer como seus filhos verdadeiros, e, portanto, irmãos perfeitos no amor.

Toma em tuas mãos, Senhor,

A nossa terra ardida.

Beija-a.

Sopra nela outra vez o teu alento,

A tua aragem,

E veremos nela outra vez impressa a tua imagem.

 

Tu sabes bem, Senhor, que somos frágeis,

Mas que contigo por perto

Seremos fortes e ágeis,

Capazes de abrir estradas no deserto,

A céu aberto.

       6. Por isso e para isso, amados irmãos, insistentemente vos peço que deixeis que Deus renove a vossa vida. Frequentai os Sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação, que nos comunicam a vida divina, e são a nossa verdadeira terapia. Tornemos mais fundo e mais fecundo o caminho da nossa iniciação cristã, não o deixando cair nunca na vala da finalização cristã!

 

       7. Aos sacerdotes peço encarecidamente que se entreguem à oração e convoquem as comunidades para a oração, para a escuta atenta e qualificada da Palavra de Deus, para a Eucaristia, para a Reconciliação, para a prática da caridade. A todos peço uma maior dedicação ao exercício do sacramento da Reconciliação ou Penitência segundo as normas da Igreja, expressas em tempos recentes, por exemplo, na Misericordia Dei (2002). Que seja proporcionada a todos os fiéis a prática concreta da «confissão pessoal», evitando-se o recurso abusivo à «absolvição geral» ou «coletiva», que arrasta consigo «graves danos para a vida espiritual dos fiéis e para a santidade da Igreja».

       8. A Quaresma convida-nos a dilatar o nosso coração até às periferias do mundo, olhando com um olhar de graça por e para os nossos irmãos de perto e de longe. Façamos um exercício de verdade. Despojemo-nos, não apenas do que nos sobra, mas também do que nos faz falta. Dar o que sobra não tem a marca de Deus. Jesus não nos deu coisas, mas deu a sua vida por nós. O Papa Francisco lembra-nos que a nossa esmola, que é igual à caridade, se for verdadeira, tem de doer! E eu acrescento que tem de doer e de nos encher de alegria (Tobias 4,16). Como em anos anteriores, peço aos meus irmãos de todas as paróquias da nossa Diocese de Lamego para abrirmos o nosso coração a todos os que sofrem aqui perto e lá longe. Neste sentido, vamos destinar uma parte da nossa esmola quaresmal para o fundo solidário diocesano, para aliviar as dores dos nossos irmãos de perto que precisam da nossa ajuda. Olhando para os nossos irmãos de longe, vamos destinar outra parte do esforço da nossa caridade para as missões dos Missionários Combonianos no Sudão do Sul, onde a guerra civil já provocou mais de 10.000 mortos e 700.000 deslocados, e as dificuldades dos nossos irmãos atingem o indescritível. Esta finalidade da nossa Renúncia ou Caridade Quaresmal será anunciada em todas as Igrejas da nossa Diocese no Domingo I da Quaresma, realizando-se a Coleta no Domingo de Ramos na Paixão do Senhor.

 

       9. Com a ternura de Jesus Cristo, saúdo todas as crianças, jovens, adultos e idosos, catequistas, acólitos, leitores, salmistas, membros dos grupos corais, ministros da comunhão, membros dos conselhos económicos e pastorais, membros de todas as associações e movimentos, departamentos e serviços, todos os nossos seminaristas, todos os consagrados, todos os diáconos e sacerdotes que habitam e servem a nossa Diocese de Lamego ou estão ao serviço de outras Igrejas. Saúdo com particular afeto todos os doentes, carenciados e desempregados, e as famílias que atravessam dificuldades. Uma saudação muito especial a todos aqueles que tiveram de sair da sua e da nossa terra, vivendo a condição de emigrantes.

 

Na certeza da minha oração e comunhão convosco, a todos vos abraça o vosso bispo e irmão, António.

 

FONTE: página oficial da DIOCESE de LAMEGO - AQUI.

03.02.14

Plano Pastoral 2013.2014 - IDE E FAZEI DISCÍPULOS

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«Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos»

(Mt 28, 19-20).

        Após a Ressurreição, Jesus aparece aos seus discípulos e envia-os. Envia-nos.

Ide e fazei discípulos.

       Nunca deixamos de ser discípulos, alunos, aprendizes de Jesus Cristo. Simultaneamente, a missão de comunicar a alegria que recebemos. Ilustrativo o encontro de Maria com Isabel: “Logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio” (Lc 1, 44). Quem recebe a Boa Notícia, não pode fazer outra coisa senão passá-la ao próximo.

Ide e fazei discípulos.

       É uma tarefa de sempre. Como os discípulos da primeira hora, temos de viver Jesus, deixando que Ele nos fale e atue em nós, pelo Espírito Santo. Logo nos tornamos mensageiros do Seu amor, da Boa Notícia da salvação.

       Refere São Paulo: “se eu anuncio o Evangelho, não é para mim motivo de glória, é antes uma obrigação que me foi imposta: ai de mim, se eu não evangelizar!” (1Cor 9,16).

       O Papa Francisco, em vésperas da Sua eleição, já convocava a Igreja para sair a levar esta boa notícia a todos os recantos: “Evangelizar supõe na Igreja a "parresia" [coragem, entusiasmo] de sair de si mesma. A Igreja está chamada a sair de si mesma e ir para às periferias, não só as geográficas, mas também as periferias existenciais: as do mistério do pecado, as da dor, as da injustiça, as da ignorância e da indiferença religiosa, as do pensamento, as de toda a miséria… Quando a Igreja não sai de si mesma para evangelizar torna-se autorreferencial e então adoece… A Igreja, quando é autorreferencial, sem se aperceber, julga que tem luz própria, deixa de ser o mysterium lunae [mistério da lua]… [que o próximo Papa] …ajude a Igreja a sair de si para as periferias existenciais, que a ajude a ser a mãe fecunda que vive da “doce e reconfortante alegria de evangelizar”.

       O nosso Bispo, D. António Couto, na Carta Pastoral que enforma o ano pastoral e o lema que enquadra a vivência da fé neste chão da Diocese de Lamego, sublinha algumas prioridades, algumas delas constantes: primado da graça; vida de oração; proximidade; amor; Igreja como casa aberta a todos, dando também continuidade ao lema pastoral do ano anterior, "Vamos juntos construir a Casa da Fé e do Evangelho"; missão evangelizadora/missionária da Igreja; acolhimento do Evangelho com alegria, para o comunicar por palavras e com a vida; formação de cristãos conscientes e empenhados.

“Santa Maria, Mãe da Igreja e nossa Mãe, Senhora dos Remédios e de Fátima, [Virgem da Conceição], ícone do primado da graça e da oração, do serviço humilde que gera laços de comunhão e de missão, sê nossa companheira nos caminhos que agora nos propomos percorrer para sabermos melhor levar Cristo aos nossos irmãos e os nossos irmãos a Cristo.

Que Deus nos abençoe e nos guarde,

Que nos acompanhe, nos acorde e nos incomode,

Que os nossos pés calcorreiem as montanhas,

Cheios de amor e de alegria,

Que a tua Palavra nos arda nas entranhas,

E nos ponha no caminho de Maria”.

          (D. António Couto, Carta Pastoral, 24.11.2014)

 

       O IDE pressupõe o estar com Jesus, alimentar-se d’Ele, escutando a Sua Palavra, acolhendo a Sua mensagem, procurando imitá-l’O nas Suas obras. Deixemo-nos atrair por Jesus, identificando-nos com a Sua vontade e o Seu projeto de conciliação e amor, para depois nos deixarmos fazer ENVIADOS, na expressão do Papa Francisco, sermos verdadeira e simultaneamente discípulos missionários. IDE E FAZEI DISCÍPULOS…

 

       Pode fazer o download da calendarização pastoral da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição:

02.02.14

Diocese de Lamego 2014: Carta Pastoral de D. António Couto

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       No Encerramento do Ano da Fé, Dia da Igreja Diocesana de Lamego, Solenidade de Cristo Rei Senhor do Universo, no passado dia 24 de novembro de 2013, o nosso Bispo, D. António Couto, deu a conhecer a toda a Diocese a Sua CARTA PASTORAL para enquadrar o novo Ano Pastoral e o tema que o engloba: IDE E FAZEI DISCÍPULOS.

 

        Inicia a mesma com uma citação da Constituição Dogmática, Lumen Gentium (9): «Aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo». Segue o enquadramento bíblico. Eis a página do Evangelho:

«Então os Onze Discípulos partiram para a Galileia, para o monte que lhes tinha ordenado Jesus. E vendo-o, adoraram-no; alguns deles, porém, duvidaram.

E aproximando-se, Jesus falou-lhes, dizendo: “Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Indo, pois, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar todas as coisas que vos ordenei. E eis que Eu convosco Sou todos os dias até ao fim do mundo”» (Mateus 28,16-20).

       A Carta sublinha prioridades, algumas delas constantes: primado da graça; vida de oração; proximidade; amor; Igreja como casa aberta a todos, dando também continuidade ao lema pastoral do ano anterior, "Vamos juntos construir a Casa da Fé e do Evangelho"; missão evangelizadora/missionária da Igreja; acolhimento do Evangelho com alegria, para o comunicar por palavras e com a vida; formação de cristãos conscientes e empenhados.

       O melhor mesmo é dedicar um tempo a ler, a reler, a meditar, a refletir e mastigar as palavras de D. António, para que depois se assume a beleza, a alegria e o compromisso de fidelidade a Jesus Cristo e ao Seu evangelho de perdão e de amor.

 

Para LER a CARTA PASTORAL:

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