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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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09.09.17

Se o teu irmão te ofender, repreende-o a sós...

mpgpadre

1 – Deus nunca desiste de nós. Esta é a história de Deus com os homens. A história da criação e da salvação. Deus não desiste de nós. Criou-nos por amor e por amor nos sustenta na vida. Quer-nos bem, tão bem como um Pai, como um Mãe a um/a filho/a.

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2 – Perdoar? Sempre. 70X7. Em todas as ocasiões. Só o pecado contra o Espírito Santo não tem perdão, ou por outras palavras, o orgulho, a autossuficiência, a sobranceria, o ensimesmamento, o fechar-se conscientemente a qualquer luz, a toda a verdade, a toda a ajuda.

Perdoar uma vez é razoável. Perdoar duas vezes é bondade. Perdoar três vezes é abuso. Jesus vai muito além. Sete vezes é perdoar sempre. Perdoar 70X7? É melhor não fazer as contas! Jesus também não as faz. Por alguma razão dizemos que errar é humano e perdoar é divino. Ainda que humano seja amar e errar seja, muitas vezes, desumano. Perdoar eleva-nos, projeta-nos para outro nível de compromisso, que nos obriga a superar gostos e preferências, a tolerar nos outros o que gostávamos que tolerassem em nós, a compreender as fragilidades alheias e amar além dos defeitos e insuficiências.

As comunidades cristãs dos primeiros tempos procuram ser fieis à mensagem de Jesus: perdoar sempre. Não julgueis. Não condeneis. A quem te bater numa face oferece também a outra. Reza por aqueles que te maldizem. Abençoa os que te perseguem. A quem te pedir a capa dá também a túnica. Não matarás. Não te irrites contra o teu irmão. Se o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta no altar e vai reconciliar-te com ele. A Eucaristia reconcilia-nos, senta-nos à mesa com Jesus, une-nos aos outros. A Eucaristia vale também enquanto nos converte, nos irmana e nos faz dar passos concretos para vivermos em harmonia, apesar das diferenças.

 

3 – O Evangelho exprime não apenas a Mensagem de Jesus, mas o acolhimento das Suas palavras por parte da comunidade cristã.

A comunidade procura ver, traduzir, atualizar e concretizar tudo o que vem da parte do Senhor Jesus: «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano».

Aqueles que se apresentam como discípulos de Jesus têm de considerar (sempre) a opção pelo perdão, pelo serviço, pela reconciliação. Uma e outra vez. E outra vez ainda! Descrição. Bom senso. Equilíbrio. Respeito pela pessoa que está à frente. Já me cansei de repetir que quem enche a boca com a própria frontalidade, entendida como dizer sempre tudo o que dá na real gana, independentemente de quem esteja à frente, não passa de uma criança mimada, uma criança a quem tiraram o brinquedo. Mas a criança é criança, é ingénua, está a aprender, a crescer. No adulto essa atitude revela infantilidade. Quem está à nossa frente não é um saco de boxe em quem descarregamos a nossa azia, o nosso azedume com a vida. Ser frontal não é isso. Ser frontal é ser verdadeiro, mas respeitar o outro como pessoa, como rosto e presença de Deus. A azia com que tratamos os outros, não é azia com que tratemos Jesus.

Correção fraterna. Se tens que corrigir, corrige a sós, discretamente. Se não houver avanços, pede ajuda a uma ou duas pessoas. Não desistas nem à primeira nem à segunda. Recorre à Igreja, será mais uma ajuda. A comunidade cristã daqueles dias percebe que terá que dar segundas e terceiras oportunidades e não desistir às primeiras dificuldades e contratempos.


Textos para a Eucaristia (ano A): Jer 20, 7-9; Sl 62 (63); Rom 12, 1-2; Mt 16, 21-27.

26.06.17

VL – A manhã de Páscoa é (também) hoje - 2

mpgpadre

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O mistério da morte e da ressurreição de Jesus faz-nos entrar na comunhão de Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, inserindo-nos no Seu Corpo que é a Igreja. Ele a cabeça, nós os membros. Pelo batismo somos imersos na vida de Deus. Somos novas criaturas. Mergulhamos na Sua morte para ressuscitarmos com Ele. Hoje, como ontem, precisamos de viver ressuscitados e ressuscitar a cada instante na nossa identidade original: filhos de Deus, irmãos em Jesus Cristo.

A sociedade do nosso tempo é altamente individualista. A cultura do "eu" está na mó de cima. Verificável também no meu grupo, partido, no clubismo, na ideologia. Imersos num mundo global, mas cujas referências e gostos nos comprometem, não com o diferente, mas com quem tem os mesmos gostos que nós. Nas redes sociais aderimos aos grupos afins e excluímos rapidamente quem pensa diferente. Eu e o meu grupo.

O grupo dos apóstolos faz esta experiência até ao fim. De diferentes origens e com temperamentos diversos. João e André, filhos do trovão; Pedro, impulsivo; Judas Iscariotes tendencialmente revolucionário; Mateus, cobrador de impostos. Filipe letrado. Tão diferentes mas todos lutam por se colocar acima e disputar o lugar cimeiro na futura hierarquia do Reino de Deus. Como grupo fecha-se e impede que outras pessoas entrem. Afastam as crianças (cf. Mt 19, 13-15). Quando encontram um homem a pregar em nome de Jesus e a curar, proíbem-no: "ele não andam connosco" (cf. Mc 9, 38-41). A resposta de Jesus é clarificadora: deixai vir a mim as crianças, é delas o reino de Deus; não o proibais, quem não é contra nós é por nós.

Olhamos a vida a partir da nossa janela. O outro vê-nos partir da sua janela. São olhares que não se anulam, não veem o mesmo, não são fundíveis. Duas linhas retas, paralelas, nunca se tocam. Também a nossa vida. O problema não está em sermos diferentes, o problema está em não nos aceitarmos diferentes, valorizando as diferenças que nos enriquecem, pois nos fazem ver, ouvir, saborear, saber outras realidades.

Não é fácil deixarmos alguém entrar no nosso grupo. Não é fácil sentir-nos em casa num grupo que não é o nosso grupo de origem. Somos invasores, o grupo já existia quando chegamos. Quando chega alguém ao nosso grupo parece dividir a atenção que tínhamos uns com os outros, vem desestabilizar os equilíbrios que construímos ao longo do tempo.

Jesus faz essa experiência com os apóstolos, não desistindo de nenhum, treinando-os para viver em lógica de serviço e de amor.

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4416, de 13 de junho de 2017

25.06.17

VL – A manhã de Páscoa é (também) hoje

mpgpadre

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O acontecimento fundante do cristianismo é a Páscoa, a ressurreição de Jesus. Não é isolável de toda a Sua vida e do mistério da encarnação. A postura de Jesus ao longo do tempo que vive entre nós também ressuscita: a bondade, a delicadeza, a atenção aos mais frágeis, a convivência com os excluídos ou relegados para as periferias existenciais tais como crianças e mulheres, pecadores e publicanos, doentes e estrangeiros, pobres e escravos. Ressuscita com Jesus uma clara opção pelo amor preenchido de verdade e de doçura.

Hoje também é dia de Páscoa, pois Jesus vive e está no meio de nós. Liturgicamente, o tempo da Páscoa encerrou com a solenidade de Pentecostes. Na Diocese de Lamego algumas paróquias seguiram a proposta do Plano Pastoral Diocesano, com a Caminhada Quaresma-Páscoa, acentuando em cada domingo um aspeto da liturgia da Palavra, sobretudo a partir do Evangelho, um gesto, um símbolo, um desafio, sempre sob lema “Ide e anunciai o Evangelho a toda a criatura”.

A CRUZ foi o elemento constante, como expressão de entrega, de amor levado às últimas consequências. A cruz tem Jesus. Jesus leva-nos com a Sua cruz até ao calvário, mas não nos deixa aí, eleva-nos com Ele para a direita do Pai. No final da caminhada, a Cruz preenchida de vida, de colorido, de desafios – vida, ide, paz, amor, pão – e, no centro, Jesus.

Uma certeza: quem não carrega a sua cruz não pode seguir Jesus. “A cruz de Jesus não é submissão ou resignação, mas um sinal do que supõe fazer frente ao mal… As contrariedades são normais… O sofrimento em si mesmo não é bom nem positivo, é uma parte da existência humana. Só é possível quando é vivido a partir do Amor. É o preço do Amor, do dar-se a si mesmo e isso leva consigo o sofrimento” (Pe. Ricardo, OP).

Se em cada ano celebramos solenemente a Páscoa de Jesus, em cada domingo, a Páscoa semanal. Em cada Eucaristia, a ação do Espírito Santo torna presente a morte e a ressurreição de Jesus e a Sua presença atual e atuante no meio de nós, até ao fim dos tempos. A Eucaristia faz-nos celebrar a vida de Jesus e confiar-Lhe também a nossa, com os seus escolhos e com as suas esperanças. O desafio e o compromisso é que da Eucaristia nós transpareçamos Cristo Jesus vivo. Por conseguinte, é preciso viver hoje a Páscoa de Jesus, anunciando-O com os nossos gestos de bondade e com a mesma paixão de Jesus, gastando a vida a favor dos outros.

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4415, de 6 de junho de 2017

26.05.13

Tudo o que o Pai tem é meu...

mpgpadre

       1 – “Uma pessoa sozinha nem para comer serve". Esta expressão popular pode ajudar a refletir no mistério da Santíssima Trindade. Como referem alguns Padres da Igreja, Deus é Uno mas não Um. Se fosse um seria solidão; dois seria conflito; Três é comunhão.

       A solidão é muito mais que estar sozinho e pode acontecer até no meio de uma multidão… quando uma pessoa não se sente amada, nem reconhecida pelo seu talento, pelo seu trabalho, quando sente que o mundo é inimigo e quando  tudo corre mal…

       Seja como for, precisamos dos outros, de ver e viver com pessoas. O estar sozinho consigo mesmo é um estado de alma que não dispensa a companhia. Precisamos uns dos outros, para nos reconhecermos como pessoas, para sabermos quem somos. Precisamos de um olhar, uma palavra, um toque, para sabermos que estamos vivos.

        2 – Assumir que o nosso Deus é Trindade faz-nos conjugar a harmonia com a diversidade, com os dons dos outros. A Igreja nasce da Trindade, sustenta-se na Trindade e encaminha-Se para a Trindade santíssima. Não é uma vestimenta, é a própria alma da Igreja e dos cristãos, condição sine qua non, sem a Trindade não existe Igreja, não há cristãos. A Trindade enforma-nos, preenche-nos. É sempre à Trindade que rezamos, e a Quem entregamos a nossa vida…

       Reconhecer Deus como Trindade anula o princípio ditatorial do “eu quero, posso e mando”, que não tem cabimento no CREDO cristão. Acolher Deus como Pai, Filho e Espírito Santo implica que recebamos em nós o DIFERENTE, os outros, reconhecendo-os como irmãos, com qualidades; implica reconhecer e aceitar outras ideias, outras vivências. Ao mesmo tempo, como na Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito, Três Pessoas, uma só natureza, assim nós com os outros, diferentes mas da mesma natureza humana.

 

       3 – O jeito de Jesus viver configura, nas palavras, na oração, na postura, esta realidade de comunhão trinitária. Ele vai à margem, traz os desvalidos, os excluídos, para o centro, para a luz, para a vida, reconhecendo-os como irmãos, filhos amados de Deus, independentemente da condição social, política, familiar, doentes, pecadores, pessoas impuras, todos acorrem a Ele e a todos acolhe com carinho e delicadeza, crianças, mulheres… Por outro lado, Jesus deixa claro que a Sua prioridade é fazer a vontade do Pai, não age por Si mesmo, realiza a obra do Pai.

        No evangelho que hoje escutamos, Jesus faz eco da comunhão íntima com Pai, pelo Espírito Santo: «… Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos guiará para a verdade plena; porque não falará de Si mesmo… Ele Me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. Tudo o que o Pai tem é meu».

        Jesus orienta a Sua vida pelo Pai, deixando-se moldar pelo Espírito Santo. Tem de ser também a nossa divisa: orientarmos a nossa vida a partir de Deus, para o Pai, no Filho pelo Espírito Santo.

        4 – Um problema de todos os tempos, mas também do nosso, é a (in)coerência de vida, passar das palavras à prática. Estamos a caminho. Deus caminha connosco e encontra-nos a caminhar. A Trindade também é isto, um Deus que não Se encerra em Si, num Céu estrelado e distante, mas que sai ao nosso encontro, encarna, faz-Se Homem, assumindo a temporalidade por nós.

        Jesus, a sabedoria do Pai (primeira leitura), vai para o Pai e  envia o Espírito Santo que O torna presente até ao fim dos tempos.

       Como nos recorda São Paulo, em nós já está em gestação o Reino de Deus: “Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. Mais ainda, gloriamo-nos nas nossas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz a constância, a constância a virtude sólida, a virtude sólida a esperança. Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”.

       Não há que enganar. Não estamos sós. O amor de Deus preenche-nos o coração e a vida. E o amor gera vida, partilha, comunhão.


Textos para a Eucaristia (ano C): Prov 8, 22-31; Rom 5, 1-5; Jo 16, 12-15.

 

07.10.12

Não é bom que o homem esteja só: vou dar-lhe uma auxiliar

mpgpadre
       1 –  O livro do Génesis permite-nos refletir na dimensão social do ser humano, na necessidade que temos uns dos outros e na vontade de Deus para o ser humano: a felicidade.
Disse o Senhor Deus: «Não é bom que o homem esteja só: vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele»... Da costela do homem o Senhor Deus formou a mulher… Ao vê-la, o homem exclamou: «Esta é realmente osso dos meus ossos e carne da minha carne».

       Deus criou-nos por amor, capacitados para amar e ser amados, partilhar o melhor de nós, viver em comunhão, desfrutando da presença uns dos outros. Ninguém é feliz sozinho.

       Lembra Ermes Ronchi, “Adão, senhor de todas as coisas, busca no Éden uma ajuda semelhante a ele. Busca a coisa mais importante da sua vida… Adão está triste: o paraíso não vale a ausência de Eva... Só quando te sentes amado, podes desabrochar em todos os teus aspetos; só quando te sentes escutado, dás o melhor de ti próprio... O amor, em todas as suas formas, desvenda o sonho de Deus de que está repassada toda a criação...”.

       A primeira expressão do mal é a solidão. É o próprio Deus a concluir: não é bom que o homem esteja só. E essa solidão original só pode ser colmada por outro semelhante. Precisamos de outro coração para amar, precisamos de outro coração a quem amar.

 

       2 – Deus criou-nos por amor e criou-nos livres. Não somos marionetas. Criou-nos com qualidades que podem interagir e complementar-se, o homem com a mulher, e as pessoas entre si.

       Somos livres, e por vezes, na nossa fragilidade muito humano, colidimos com a liberdade dos outros

       Diante de situações reais, de casas destruídas, de corações traídos, perguntam a Jesus: «Pode um homem repudiar a sua mulher? Moisés permitiu que se passasse um certificado de divórcio». Jesus responde com a nossa limitação e fragilidade: «Foi por causa da dureza do vosso coração que ele vos deixou essa lei. Mas, no princípio da criação, Deus fê-los homem e mulher…»

       Dois corações que se prendem e se libertam mutuamente (do egoísmo, da solidão, da tristeza). Nesta interação de casas – a minha casa entra na casa alheia e aquela torna-se a minha casa e eu a sua casa – dá-se a salvação, descubro o melhor de mim no encontro com outro semelhante a mim, da mesma carne, há uma parte de mim que habita nela e que me atrai como um íman e me completa.

 

       3 – Como nas semanas anteriores, o exemplo para uma convivência sadia e fraterna, em casa, na família, e nas comunidades, vem das crianças, da sua delicadeza e simplicidade, da espontaneidade com que se dão em sorriso transparente aos outros, até aos estranhos.

       As crianças, as mulheres, os escravos, os pecadores públicos, as pessoas com alguma deficiência, não contavam, não faziam número. Jesus conta com uns e com outros.

“Apresentaram a Jesus umas crianças para que Ele lhes tocasse, mas os discípulos afastavam-nas. Jesus, ao ver isto, indignou-Se e disse-lhes: «Deixai vir a Mim as criancinhas, não as estorveis: dos que são como elas é o reino de Deus».

       4 – No confronto com uma realidade quotidiana inundada de mil cores, de situações felizes e de outras destrutivas, não estamos sós, Jesus é o nosso garante, o nosso fim, a nossa salvação.

“Jesus, que, por um pouco, foi inferior aos Anjos, vemo-l’O agora coroado de glória e de honra por causa da morte que sofreu, pois era necessário que, pela graça de Deus, experimentasse a morte em proveito de todos”.

       N'Ele tornamo-nos irmãos. Não é bom estarmos sós. Só com semelhantes poderemos progredir e caminhar. Só tornando-nos como crianças, na disponibilidade de servir, de amar, de perdoar, de dar o que temos e o que nos dão, seremos verdadeiramente humanos.


 

Textos para a Eucaristia (ano B): Gen 2, 18-24; Hebr 2, 9-11; Mc 10, 2-16.

 

Reflexão Dominical COMPLETA na pagina da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE

26.05.12

Editorial Voz Jovem - maio 2012

mpgpadre

       A comunidade de Jerusalém é modelar, ainda hoje, ou sobretudo hoje, para as comunidades cristãs. “Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fração do pão e às orações… Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum… Como se tivessem uma só alma, frequentavam diariamente o templo, partiam o pão em suas casas e tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração” (Atos 2, 42-47).

       A descrição dá-nos uma ideia da vivacidade dos crentes e das relações solidárias e fraternas entre todos. Funcionam a um só coração, voltados para Jesus Cristo e para a Sua postura de amor, de entrega, de inclusão.

       A partir desta descrição, nestes meses de maio e de junho, mas solidificando o que deve ser sempre a comunidade dos cristãos, sublinhamos três realidades essenciais na vivência da nossa fé e no compromisso com os outros.

       A oração é o ponto de partida e de chegada da nossa fé. Há de ser o nosso alimento. O paradigma é Jesus Cristo. Sempre que se aproximam ocasiões decisivas, Ele afasta-Se para rezar, para escutar a Deus, Seu e nosso Pai. Este afastamento é físico mas não espiritual, pois pela oração tornamo-nos mais próximos uns dos outros. Se todos estamos unidos a Deus nem a realidade espácio-temporal inibe a nossa cumplicidade, a nossa comunhão.

       Por outro lado, há de ser na oração que descobrimos a alegria de sermos cristãos, filhos amados de Deus, abrindo a nossa mente e o nosso coração para acolhermos o Espírito Santo na força da Sua luz e da Sua graça santificante.

       Como fácil se conclui, a oração não nos isola, não nos desliga do mundo das pessoas. Ao invés, a oração une-nos mais radicalmente aos outros e ao mundo. A oração reenvia-nos na missão de testemunharmos a todos e em toda a parte o amor de Deus que experimentamos em nossas vidas, ainda que em momentos de sofrimento, de solidão e de doença, tenhamos mais dificuldade em expressar a alegria e a confiança no Deus da Vida e do Amor, do Encontro e da Festa. 

       Em Jesus, Deus faz-nos para sempre partícipes da Sua vida. Somos filhos no Filho. Somos herdeiros da vida eterna. Somos raça de Deus, portamos em nós as marcas do amor divino. No código de barras, que é cada um de nós, pode ler-se a pertença a Deus, a nossa origem, o nosso chão seguro, a casa do nosso conforto, da nossa confiança. É o amor maior. Somos habitação de Deus. Jesus, o rosto do Pai, e nós, o rosto de Cristo, que nos mostra os sinais da Sua paixão, as marcas do amor que nos devota. O amor que O leva a estender os braços na Cruz, é o mesmo Amor que se desprende da Cruz e nos abraça, terna e longamente. Da Sua à nossa Ressurreição. Até à eternidade.

       Se cada um é filho de Deus, somos todos irmãos. Comunidade. Família. Não são já os laços de sangue que nos identificam com os outros, mas os laços do amor de Deus em nós. A oração provoca-nos para a missão, com o fito de estreitarmos a comunhão entre todos, coração a coração, como repetidamente nos diz o nosso Bispo.

       Não bastam espaços físicos de encontro, é imperioso que nos encontremos nos sentimentos, nas emoções, nas alegrias e nas tristezas, fazendo da Igreja casa de todos e fazendo com que em cada casa brilhe a luz do Evangelho e da fé em Cristo Jesus. Como no princípio, na comunidade de Jerusalém, bata em nós o coração de Jesus.

09.03.12

Laurinda Alves com o Pe. Alberto Brito: OUVIR, FALAR, AMAR

mpgpadre

Ouvir, Falar, Amar. A compreensão é a única força de mudança, Oficina do Livro. Alfragide: 2011.

 

 

       Laurinda Alves à conversa com o Pe. Alberto Brito. Já o conhecia de um encontro/retiro no distante ano de 1998, em Braga, na Casa dos Jesuítas. Um pensamento clarificador. Não para eliminar as dúvidas, mas para colocar mais questões.

       A Laurinda Alves não precisa de apresentação, mas para quem desconhece pode sempre consultar o seu blogue pessoal: Laurinda Alves - A Substância da Vida. 

       Ouvir/escutar, "porque ouvir os outros é a maior escola da vida". Escutar com o coração, prestar atenção não apenas ao que a pessoa diz e à sua história de vida, mas à pessoa em si mesma. Diz o Pe. Alberto que se nos fixarmos apenas nas histórias das pessoas e não nas pessoas, ficamo-nos pela fofoquice. Ficar-nos-íamos pelo ouvir, como se estivéssemos a ouvir um rádio e não uma pessoa concreta.
        Falar. É assim que a comunicação acontece,
é "a comunicar e a dialogar que nos entendemos e que se constroem relações". Temos uma boca e duas orelhas/ouvidos. Escutámos com interesse, a história da pessoa, mas sobretudo escutar com atenção o que a pessoa é, o que a pessoa sente, o que a pessoa vive, ouvindo o seu grito, o seu desabafo, acolhendo a sua partilha. Pode não ser fácil... queremos falar mais que escutar... queremos que alguém nos escute, nos compreenda, que por vezes esgotámos o tempo com as nossas palavras e não escutámos a pessoa que está diante de nós, como apelo e desafio. Quem não ouve, ou não quer ouvir, corre o sério risco de ficar a falar sozinho.
        Amar, "porque é a partir da aceitação de nós próprios e dos outros que tudo é possível". Escutámos a pessoa, comunicamo-nos como irmãos, para acolhermos e aceitarmos os outros, aceitando-nos também a nós como pessoas, cidadãos, filhos de Deus. Como diz o Pe. Alberto, o que nos separa e divide não são as ideias ou as crenças, mas os sentimentos. O maior desejo do ser humano, de todo o ser humano, é amar e ser amado. E o maior medo é ser rejeitado pelo(s) outro(s). A escuta e a comunicação visam aproximar-nos dos outros, com amor, com paixão, celebrando a vida.
        Enquadra-se aqui outra realidade: a compreensão. "As pessoas quando se sentem compreendidas, mudam". É o que pode resultar da escuta que ama, das palavras que se tornam comunicação amistosa, dos sentimentos que se partilham e se acolhem.
        Seja/sê ouvinte (escutador não tanto de estórias, mas das pessoas que estão perto de ti); fala do que te vai na alma; confia, estimulando os outros à confiança, a libertarem-se do medo; ama, com toda a tua alma, faz do(s) outro(s) a tua casa, o teu refúgio, tendo sempre como horizonte originário e final o Senhor Deus.

       Mais uma leitura que recomendámos, e mais um texto que se lê de fio a pavio. Nesta entrevista perpassa uma grande alegria de quem pergunta e de quem responde, numa conversa fluente, também aqui ao correr da pena, ou melhor no fluir da conversa que existe entre pessoas amigas, entre familiares, entre pessoas que se respeitam e admiram.

       Vale a pena entrar neste diálogo entre e Laurinda Alves e o sacerdote jesuíta, Pe. Alberto Brito.

08.03.12

ERMES RONCHI - As casas de M A R I A

mpgpadre

ERMES RONCHI, As casas de Maria. Polifonia da existência e dos afectos. Paulinas: Prior Velho 2010.

 

 

       Há meia dúzia de dias trazíamos aqui uma sugestão de leitura deste mesmo autor: Os Beijos não dados. Tu és a Beleza. A amizade é a mais importante viagem. Anteriormente publicado em Portugal esta poesia sobre Maria.

       As casas de Maria é uma obra prima.

      É uma poema. Um poema perfumado em palavras, frases, parágrafos, páginas, que sabem a mel, e a doce de amora, sabem a pão, quente, fresco, acabado de sair do forno, é água refrescante, que nos sacia nos dias tórridos de verão e nos nossos desertos interiores.

        Há muitos livros bons e excelentes autores, cultores da vida, pintando-a de mil cores, aproximando o mistério, tornando acessível a beleza que nos rodeia, o mundo, as pessoas, a natureza, o próprio Deus. Este é um dos livros bons, de fácil leitura. A expressão que me ocorre, uma vez mais, é um livro escorreito, escrito ao correr da pena, deslizante, que nos faz deslizar pelas casas de Maria, da festa e da dúvida, casa do pão que se amassa com a força da persistência, misturado com as lágrimas da paixão e do amor, casa de acolhimento, de silêncio e de palavras que afagam, acariciam, e protegem, promovem a vida. Casa dos sonhos de José, do encantamento, da descoberta, do coração aberto para as surpresas que Deus envia.

       Há muita literatura sobre Maria.

       Há belíssimas páginas que engrandecem a Mãe de Jesus e no-l'A apresentam adornada de Graça e de Beleza, de Luz e Sol. Há belíssimas páginas que nos ajudam a venerar Maria, Senhor nossa, Mãe de Jesus e Mãe da Igreja.

       "As casas de Maria", não é um tratado teológico, um discurso, uma pregação, por mais úteis que estes sejam, é uma parábola sobre a vida quotidiana, sobre os sonhos, sobre a humanidade, nas suas aspirações, na sua limitação e na sua abertura ao Infinito. É uma carta escrita com o coração, com a tinta da fé, com as cores de muitas vivências.

       Se costuma sublinhar as leituras que faz, este será um sublinhado constante, a caneta poucas vezes se há de levantar de cada página.

       Leve, suave, simples, fácil de assimilar e mastigar, envolvente.

       Nas casas de Maria há lugar para nós, para cada uma, para a família e para a comunidade, para os filhos perdidos e achados, e os filhos mais pequenos, e para todos.

07.03.12

Cáritas Diocesana de Lamego: mensagem do Responsável

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O calendário litúrgico aproxima-nos a passos largos de mais um Dia Cáritas (III Domingo da Quaresma - 11 de março).

 

"Edificar o Bem Comum, tarefa de todos e de casa um", é o tema deste ano. Cada cristão, em verdadeiros espírito de partilha, é chamado a cooperar na construção dum mundo mais justo e fraterno, começando, antes de mais, pela atenção aos irmãos que fazem parte da comunidade paroquial.

 

"Se a caridade não está presente no anúncio do Evangelho, qual o Evangelho que se anuncia? Se a caridade não transparece do que se celebrar, que vida cristã é a que se celebra? Que Ressurreição?". Estas questões basilares expressam na perfeição a necessidade de viver a comunhão, promovendo a articulação/cooperação entre todas as Instituições, Movimentos, Grupos que, nas paróquias, atuam na dimensão do Serviço, sem desprezar a participação dos outros setores da Pastoral, em torno da opção preferencial de Cristo pelos mais pobres. É neste sentido que o Sr. Bispo exorta à prioritária e urgente organização do setor da caridade ao nível comunitário/paroquial.

 

A Cáritas, na qualidade de Serviço do Bispo para a dimensão sócio caritativa, congrega, em si mesma, as referidas "entidades" da Igreja que atuam no espaço diocesano, promovendo a sua animação e sensibilizando para um trabalho que é tão mais urgente, quanto a exigência dos tempos que estamos a atravessar.

 

Que cada paróquia possa partilhar um pouco do que tem.

Que o amor de Deus, derramado sobre nós, a todos se manifeste na partilha solidária.

 

Lamego, 27 de fevereiro de 2012

O Presidente da Direção,

 

Pe. Adriano Monteiro Cardoso.

 

Não deixe de ler também a Nota Pastoral para o Dia Cáritas 2012

04.09.10

O nosso centro: Jesus Cristo!

mpgpadre

       1 – O nosso CENTRO é Jesus Cristo.

(editorial redigido em vésperas da bênção do Centro Paroquial).

       Um centro é naturalmente um espaço vital, aglutinador. A comunidade paroquial deve rever constantemente o seu ponto de apoio, para recentrar o seu olhar em Jesus Cristo. Toda a oração, toda a pregação e toda a actividade pastoral deve partir de Jesus Cristo e para Ele se orientar.

       Recentemente, o Papa Bento XVI vincava que a Igreja, antes de se pregar a si, deverá pregar Jesus Cristo.

       “Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6, 21). Questionemo-nos, pessoal e comunitariamente, sobre o nosso tesouro.

       Neste sentido, importa salientar que a paróquia, a vida comunitária, não se situa à volta de uma pessoa determinada e/ou um grupo, mas à volta de Jesus. As pessoas, como os grupos, estão. Jesus é. As pessoas e os grupos passam. Jesus permanece. É Ele, Deus connosco, que sustenta a nossa fé, forma e enforma a comunidade.

 

       2 – Vamos lá. Mas qual o meu papel, ou o nosso papel? Deixamos as marcas dos nossos talentos, ou deixamos os sinais das nossas insuficiências?

       Somos a voz, os braços, os pés, o olhar de Jesus Cristo para o nosso semelhante e para o nosso tempo. Jesus é o centro, d’Ele partimos para irradiar o seu amor, o seu perdão, a sua sabedoria. O mundo precisa de cada um de nós. Deus quer precisar de nós. O que fazemos com os dons que Ele nos dá?

 

       3 – A comunidade paroquial, a Igreja local, é, deve ser sempre, sacramento de Deus, lugar de vivências e de procuras, de descobertas e de encontros, para acolher Jesus Cristo e para O dar a conhecer ao mundo.

       Cada baptizado, cada um de nós, insere-se na comunidade. O Baptismo identifica-nos em Cristo. Integramo-nos numa comunidade crente, que procura traduzir para o quotidiano a mensagem do Evangelho. Deus chama-nos em povo, para em povo caminharmos.

       A comunidade, por sua vez, é esta rede de pessoas e de grupos que se co-responsabilizam para anunciar Jesus, para O dar a conhecer.

 

       4 – É por esta razão de força maior, que a Igreja, e em particular a paróquia, não é uma pessoa. Ou melhor é uma pessoa: JESUS CRISTO.

       Abandonámos há muito a concepção piramidal, o padre e depois o povo, para voltarmos à concepção inicial do Povo de Deus, em que pessoas várias desempenham diferentes ministérios, cada qual com a sua especificidade, mas todos importantes e necessários, partilhando os dons e as responsabilidades.

       Em grupo, fazemos a experiência de comunhão que nos vem da comunhão Maior que é Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. Não em grupos fechados, mas abertos ao Espírito de Cristo, como que em espiral englobando outros grupos e acolhendo outras pessoas… até Jesus Cristo!

 

Editorial Voz Jovem, n.º 97, Abril 2008

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