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03.12.17

Cardeal Luis Antonio Tagle - Aprendi com os últimos

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Cardeal LUÍS ANTÓNIO TAGLE (2017). Aprendi com os últimos. A minha vida, as minhas esperanças. Lisboa: Paulus Editoria. 160 páginas.

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 No último conclave em que foi eleito o atual Papa, Francisco, então Cardeal Jorge Mario Bergoglio, o Cardeal das Filipas, Tagle, era apontando como um dos possíveis à sucessão do papa Bento XVI. Se já era um Cardeal muito conhecido, pela sua juventude e pela presença nos meios de comunicação e por ser também o responsável da Cáritas Internacional, o que lhe permite viajar um pouco por todo o mundo. Abrindo-se a possibilidade de ser Papa,então a procura da sua biografia, da sua história.

Este livro em formato de entrevista, conduzida por Gerolamo Fazzini e Lorenzo Fazzini, procura apresentar-nos este jovem Bispo e um dos mais novos Cardeais da Santa Igreja, passando pelo berço e contexto em que nasceu e crescer, a sua vocação e a vida como seminaristas, os primeiros anos como padre e os estudos superiores nos EUA, a escolha para Bispo e posteriormente a ascensão a Cardeal. Pelo meio, a escolha para integrar a Comissão Teológica Internacional, presidida então pelo Cardeal Joseph Ratzinger. Quando este o apresentou ao Papa João Paulo II, em dois momentos lhe perguntou a idade e se já tinha feito a Primeira Comunhão.

A biografia revela as origens humildes do Cardeal Tagle, da sua ascendência filipina e chinesa, abarcando a cultura das Filipinas, mas a abertura ao mundo chinês e ao mundo ocidental. Os estudos nos EUA deram-lhe outra perspetiva mais universal da cultura, da religião, do cristianismo, mas simultaneamente, como filipino, pode dar um contributo para a vivência cristã, o testemunho de vida num mundo de muitas dificuldades, o diálogo e a combatividade com os as autoridades locais, a teologia da libertação vista a partir das Filipinas, numa libertação sobretudo ideológica. As dificuldades do povo filipino está presente na sua formação, na pastoral de sacerdote e de bispo, alargando-se pelo facto de ter assumido a Presidência da Cáritas Internacional. Está habituado ao contacto com a pobreza e com os pobres, a trabalhar não tanto para eles, mas a trabalhar com eles, já que o próprio partilhou o trabalho para viver com dignidade. Nos EUA teve que ser criativo para conseguir fazer o doutoramento, passando trabalhos a computador, ajudando os párocos, aproveitando as férias não para descansar mas para prover ao necessário para pagar as propinas.

Hoje é uma referência mundial, mas a humildade, o trato fácil, a afabilidade é visível na entrevista e garantida pelos testemunho dos próprios entrevistadores. É também um homem da comunicação, está presente em diversas redes sociais, interagindo com os diocesanos e com pessoas de todo o mundo.

Na despedida "oficial" dos Cardeais ao papa Bento XVI o diálogo entre os dois suscitou o riso, pelo que os outros cardeais quiseram saber que palavras trocaram. Segredo pontíficio! Revelando um grande humor. Foi oicasião para o Cardeal lembrar ao papa Bento XVI que afinal já tinha feito a Primeira Comunhão.

31.01.16

Leituras: MICHELLE KNIGHT - DEPOIS DO INFERNO

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MICHELLE KNIGHT, com Michelle Burford (2014). Depois do Inferno. Alfragide: Casa das Letras. 276 páginas.

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A realidade ultrapassa a ficção. A imaginação cria cenários de extraordinária beleza, recria e inventa histórias que ultrapassam qualquer situação do nosso dia a dia. Novelas, séries, filmes que nos envolvem, positiva e negativamente. Como nas notícias, assim também nos trabalhos ficcionados, cada vez é maior a violência, a degradação, os crimes, bem pensados e executados. A este propósito poderíamos concluir que a ficação evolui com a realidade. Preferível que a ficção fosse apenas ficção, para distrair e descomprimir. Porém, o que é ficcionado muitas vezes não chega ao sofrimento real e a situações que estaríamos longe de imaginar.

Este é um livro, um relato real, que deixa transparecer a violência, a degradação e a depravação, a malvadez. Certamente que nunca conseguiremos entrar totalmente na mente ou no coração de Michelle Knight. Mas ficamos aterrados com a enormidade dos sofrimentos e dos maus tratos que lhe foram infligidos.

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Nunca teve uma vida feliz. Vivia numa carrinha, roubavam para comer. Depois morou numa casa em que de dia para dia apareciam mais familiares para com eles viverem. Durante anos foi violada por um familiar. Até que resolveu sair de casa, tornando-se sem.abrigo e traficante. Ficou grávida. Voltou a casa, depois do traficante de droga que mandava ter sido preso. Depois do nascimento do filho, os abusos continuaram. Um dia, o homem que a violava, agrediu com violência o seu filho Joey, pelo que a Segurança Social lhe retirou a guarda, apesar de não ser diretamente culpada. Tem de andar vários quilómetros para ir às audiências para tentar reaver o filho. Muda-se para casa de uma prima, Lisa. Começa a procurar empregro/trabalho, todos os dias.

No dia 23 de agosto de 2003, é o dia agendado para a audiência nos serviços sociais. Recusa do transporte assegurado pela segurança social porque um familiar se disponibiliza para a levar, mas chegado o dia não está disponível. Procura todas as formas pro se dirigir para a audiência, mas não sabe onde fica, caminha por muito tempo, pergunta mas ninguém sabe onde fica o local. Regressa ao seu bairro, continua a perguntar, na Loja da Family Dollar, mas sem sucesso. Aparece então Ariel Castro - o animal - que lhe diz que a pode levar, pois sabe onde fica. Como é pai de Emily, amiga de Michelle, esta, ainda que renitente, aceita a boleia e acabará por entrar na casa do "animal", para só sair sair 11 anos depois.

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Entretanto, Ariel Castro rapta mais duas jovens. São tratadas como animais, escravas sexuais, recorrendo à violência, e com pouco alimento. Além das condições inundas, dos maus tratos, da violência, ainda a fome. Ao longo dos anos, sempre com uma réstia de esperança sob as ameaças constantes, vão sofrendo o que há de mais atroz. Michelle engravida, durante o rapto, 4 vezes. Os fetos são abortados pela violência exercida sobre ela. É a mais odiada e por isso a mais violentada. Gina, a jovem raptada algum tempo depois tornar-se-á uma amiga importante para a animar nos momentos mais negros. A fé é outro ingrediente que a alimenta. As duas são as mais sacrificadas, ainda que Gina tenha sido mais preservada. Amanda, por sua vez, é "favorecida" porque o "animal" a considera esposa. Engravida e como a considera esposa deixa que a filha nasça. Depois do nascimento, leva a filha a passear de carro.

6 de maio de 2013, 11 anos depois, Ariel de Castro saiu de casa e Amanda aproveitou para pedir ajuda. Foram libertadas, Ariel castro viria a ser preso, tendo sido posteriormente condenado a prisão perpétua. Enforcou-se pouco tempo depois. Cada uma à sua maneira, as três vítimas de rapto tentam refazer a vida. Michelle mantém-se afastada da família e também do filho que foi adoptado aos 4 anos de idade, pelo que para preservar a vida do filho se tem mantida afastada.

É um testemunho arrepiante, mas de algum modo terapêutico para a autora. Ao mesmo tempo uma chamada de atenção para um número considerável de raptos. Os EUA nesta matéria são muito flagelados. É um desafio para que as mães cujos filhos foram raptados não percam a esperança e não deixem de procurá-los e também para que as pessoas quando virem algo suspeito, por menor que sejam, contactem as autoridades de imediato.

"Só através do perdão poderei recuperar a minha vida. Se não o perdoar, será como ficar presa duas vezes: primeiro, enquanto ele me sequestrou na sua casa e, agora, mesmo depois de ele ter morrido. Estou a deixar que o meu ódio por ele se vá esfumando para que eu possa verdadeiramente ter a minha vida de volta".

 

Outra história semelhante, o rapto e a luta pela dignidade:

Natascha Kampusch, 3096 dias, Edições Asa: 2011 

23.02.15

CRISTINA SICCARDI: Descobrir HILDEGARDA DE BINGEN

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CRISTINA SICCARDI (2013). Descobrir Hildegarda de Bingen. Mística, artista, mulher de ciência. Prior Velho: Paulinas Editora. 232 páginas.

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        Doutora da Igreja proclamada pelo Papa Bento XVI, foi o reconhecimento de uma santa cuja a fama granjeou ainda em vida, tendo-se tornado verdadeira profetisa, pregadora, catequista, instruindo reis e imperadores, Papas e Bispos, sacerdotes e religiosas, leigos, comunidades conventuais ou paroquiais.

       Em 10 de maio de 2012, por vontade do papa Bento XVI, Hildegarda foi canonizada; a 7 de outubro de 2012, domingo dedicado à Rainha do Santo Rosário, festividade instituída por São Pio V para comemorar a vitória de Lepanto, em 1571, contra a frota turca, Bento XVI propôs Santa Hildegarda como Doutora da Igreja Universal. Na mesma ocasião, declarou também São João de Ávila como Doutor da Igreja.

       A autora faz referência a algumas das intervenções do Papa Bento XVI e que poderá ler nos seguintes links:

Carta Apostólica de Proclamação de Santa Hildegarda Doutora da Igreja

Audiência Geral de 1 de setembro de 2010

Audiência Geral de 8 de setembro de 2010

       «Luz do seu povo e do seu tempo», assim a definia João Paulo II, em 1979, por ocasião do 800º aniversário da morte da Mística alemã.
       "2. Hildegarda nasceu em 1089 em Bermersheim, perto de Alzey, de pais de linhagem nobre e ricos proprietários de terras. Aos oito anos foi aceite como oblata na abadia beneditina de Disibodenberg, onde em 1115 emitiu a profissão religiosa. Com a morte de Jutta de Sponheim, por volta de 1136, Hildegarda foi chamada a suceder-lhe como magistra. De saúde física frágil, mas vigorosa no espírito, comprometeu-se profundamente por uma renovação adequada da vida religiosa. Fundamento da sua espiritualidade foi a regra beneditina, que indica o equilíbrio espiritual e a moderação ascética como caminhos para a santidade. Depois do aumento numérico das monjas, devido sobretudo à grande consideração pela sua pessoa, por volta de 1150 fundou um mosteiro na colina chamada Rupertsberg, nas proximidades de Bingen, para onde se transferiu juntamente com vinte irmãs de hábito. Em 1165 instituiu outro em Eibingen, na margem oposta do Reno. Foi abadessa de ambos" (Carta Apostólica de Bento XVI).
       A biografia apresenta-nos as diversas etapas da vida de Hildegarda, com as primeiras visões, os seus escritos, a fundação do mosteiro de Rupertsberg, os contactos com bispos, sacerdotes, com o Papa, com o imperador; as suas obras teológicas, mas também sobre as plantas medicinais, a genialidade desta santa, na música, na botânica, na oralidade.
       Viveu numa época de grande turbulência na Igreja, em que os Bispos e o Papado estava por demais vinculados a disputas de poderes e de lugares, tendo mesmo havido nesta ocasião dois Papas em simultâneo. São Bernardo de Claraval terá um papel importante na vida de Hildegarda, nomeadamente intercedendo por ela junto do Papa, para que colocasse por escrito as suas visões.
       Como profetisa, a Sibila do Reno é autorizada e convidada a pregar em público, diante de senhores e de servos. Frontal, denuncia aqueles que se servem da Igreja, os que são dúbios, os que procuram apenas os interesses pessoais. Remete sempre para a Santíssima Trindade. O desiderato é viver sob o auspício de Deus.

03.10.14

Leitura: FEYTOR PINTO - A Vida é sempre um Valor

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FEYTOR PINTO (2014). A Vida é sempre um Valor. Não posso dizer «não» a ninguém. Entrevista de Octávio Carmo ao Padre Vítor Feytor Pinto. Prior Velho: Paulinas Editora. 144 páginas.

       Nos finais dos anos 90, o Pe. Feytor Pinto esteve no Seminário Maior de Lamego. Era conhecido da televisão e da rádio. Nessa ocasião ocupava um cargo importante, o de Alto Comissário do Projeto VIDA, programa governamental de combate à droga, mas que englobará outras dinâmicas de promoção da vida humana. 6 anos, três tendo como primeiro-ministro Cavaco Silva, três anos tendo como primeiro-ministro António Guterres. É certamente este cargo, esta missão, que lhe dá projeção nacional, e internacional.

       Quando o Pe. Vítor Feytor Pinto irrompe pela Capela do Seminário de Lamego o que vemos, seminaristas ainda em busca e em formação, um padre, de bom porte, sorridente mas cansado. Ajoelha-se e reza em silêncio. Quando chega a hora de falar, fá-lo em tom bastante baixo, sereno, como um pai diante dos seus filhos. Nessa viagem que efetuou, na qualidade de Alto Comissário, dormiu durante o trajeto de 4 horas, de Lisboa a Lamego. Segundo o motorista, era isso que acontecia em diversas ocasiões. Não havia tempo. Ou melhor, o tempo era para estar onde fosse solicitada a sua presença. Com os seminaristas, rezou o terço, se me não falta a memória, ou uma das horas litúrgicas, e fez-nos uma breve reflexão apontando para o sentido da Vida, e como Jesus era o centro de toda a vida. Penso que não estou a inventar. Ficou-me na lembrança sobretudo a acessibilidade do Pe. Feytor Pinto, irradiando alegria, apesar do cansaço e da viagem, agradecendo o facto de dispor de um motorista, pois assim tinha possibilidade de ir mais longe, aproveitando melhor o tempo.

       Nesta entrevista, conduzida pelo jornalista da Agência Ecclesia, Octávio Carmo, e que abarca a vida e a missão do Pe. Feytor Pinto, na Igreja e na Sociedade, na Cultura e na Pastoral da Saúde, envolvido na divulgação do Concílio Vaticano e no compromisso de testemunhar Jesus Cristo, nas responsabilidades no projeto Vida, mas também em outras tarefas, como pároco, como conselheiro, como homem de Deus.

       Este livro faz parte da coleção GRANDES DIÁLOGOS, das Paulinas, e que lendo já aconselhamos alguns deles. D. Manuel Clemente, entrevistado por Paulo Rocha: UMA CASA PARA TODOS; Frei Joaquim Carreira das Neves, entrevistado por António Marujo: O CORAÇÃO DA IGREJA TEM DE BATER; Pe. António Rego, entrevistado por Paulo Rocha: A ILHA E O VERBO, e agora a VIDA É SEMPRE UM VALOR.

       A primeira parte do livro é constituído pela entrevista. A segunda parte recolhe uma conjunto de textos e intervenções do entrevistado, neste caso, do Pe. Vítor Feytor Pinto: Discurso proferido na 48.ª Assembleia Geral das Nações Unidas enquanto Alto-Comissário para o Projeto Vida; Congresso Mundial da FIAMC (Federação Internacional de Médicos Católicos); Comunicação na reunião da OMS (Organização Mundial de Saúde) para a Europa, na qualidade de observador por parte da Santa Sé; Perante a toxicodependência: uma atitude ética; Linhas Pastorais para redescobrir e revalorizar o Viático (neste caso, proferida no Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, no Vaticano, em 2005). 

       Para quem trabalha na área da pastoral da saúde, ou melhor, para todos os que lidam com pessoas, pois todas as pessoas aspiram a uma vida saudável. Aliás, o sublinhado da Pastoral da Saúde em lógica de promoção de vida saudável. Atenção, cuidado, respeito, tolerância, diálogo, assunção de convicções próprias. Tratar a pessoa como pessoa. Amá-la. Cuidar dela. Ao jeito de Jesus. Sem olhar à doença, ao credo, ao sexo ou à religião.

"O jogo dos afetos pede respeito profundo pelo outro, se realmente queremos encontrar saída para os problemas. Depois, há um ponto fulcral, absolutamente fulcral: é preciso ter em consideração que a pessoa humana é mais importante do que a economia. A economia que não serve a pessoa está em pecado, é pecaminosa" (pp 21-22)
"Amor e dor: não se recebe o amor sem se sofrer por ele. Aliás, é o mistério de Jesus Cristo. Ele amou a humanidade de uma maneira radical, a ponto de dar a vida pela própria humanidade. Ele próprio diz: «Não há maior prova de amor do que dar a vida por aqueles a quem se ama»... (p 53)
"Hoje, a fé, em tempo de nova evangelização, tem de exprimir-se de outra maneira, através da autenticidade e coerência de vida, através de gestos concretos de solidariedade e serviço, através da autenticidade e coerência para além da dor, do cansaço e do fracasso" (p. 86).

11.05.14

ELISABETTA PIQUÉ - Francisco, Vida e Revolução

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ELISABETTA PIQUÉ (2014). Francisco, Vida e Revolução. Lisboa: Esfera dos Livros. 304 páginas.

        Este é um livro, sobre o atual Papa que vale mesmo a pena ler.

       Já muito se escreveu sobre Jorge Mario Bergoglio, eleito Papa no dia 13 de 2013, após a renúncia de Bento XVI, que se recolheu a simples peregrino a 28 de fevereiro de 2013. Curiosamente, no dia 28 de fevereiro de 1998 morreu o então Cardeal de Buenos Aires, Quarracino, que o tinha chamado para bispo auxiliar e, algum tempo depois, para Bispo Coadjutor, isto é, com direito de sucessão. É o que acontece com a morte de Quarracino. Bergoglio torna-se Arcebispo de Buenos Aires. Em 21 de fevereiro de 2001 passa a ser Cardeal da Santa Igreja, pelas mãos de João Paulo II.

       Quando surge na varanda, vestido de branco, é um ilustre desconhecido para a maioria das pessoas e mesmo os jornalistas são surpreendidos, ainda que existam várias pessoas que apontem para Bergoglio, os que o conhecem mais de perto, um ou outro jornalista, alguns sacerdotes de Buenos Aires. Por outro lado, e vem a saber-se maia claramente, no eleição de Bento XVI teria sido o segundo mais votado, tendo atingido uns 40 votos, mas dizendo claramente os votos deveriam ir para Bento XVI.

       Em 2013, muito rapidamente o nome de Bergoglio ganhou vantagem. Na 5.ª votação ultrapassou os 77 votos necessários à eleição. Escolheu o nome de Francisco, referido a São Francisco de Assis, pobreza, serviço aos pobres, paz, ligação à natureza. E mais uma vez é surpreendente, até na escolha do nome. Deus pediu a Francisco de Assis: Vai e reconstrói a minha Igreja que está em ruínas. De algum modo é o mesmo pedido e desafio ao Papa Francisco.

       Mas porque que é que esta é uma leitura que recomendamos vivamente?

       A jornalista, Elisabetta Piqué também é argentina. Vive em Itália. Terá sido a única jornalista a prever a eleição de Bergoglio e a divulgá-lo no twitter, depois de troca de impressões com o marido, também jornalista. Ganhou o prémio Mariano Moreno da Universidade Argentina da Empresa pela soberba cobertura da renúncia de Bento XVI. É amiga do Pe. Jorge Bergoglio, então Arcebispo e Cardeal, que sempre tem oportunidade de conviver em família, quando ele se deslocava o Vaticano.

       Há vários livros sobre Francisco, mais biográficos, ou lançando os desafios que enfrentará como Papa, com muitos dados que desconhecíamos. Mas também é livros menos conseguidos. A presa em publicar e rapidamente vender, pois não falta quem queira saber mais sobre o Papa vindo do fim do mundo. Este é a vantagem de uma investigação cuidada, no terreno, na Argentina, no Vaticano, através de fontes bem colocadas, pessoalmente. Tem vários episódios que são desconhecidos de outras publicações. Lê-se com muito agrado, constatando que Francisco "não caiu" do Céu. Como pessoa, como sacerdote, como Bispo e como Cardeal, a mesma postura de pobreza, despojamento, vivendo austeramente, muito próximo das pessoas, do povo, dos seus sacerdotes, ajudando sempre.

       O que mais me surpreendeu?

       Neste livro não se fala mal do Papa alemão. Muitas publicações, para acentuarem a diferença de estilos e de postura, contrapõem um ao outro. Para afirmarem a simpatia por Francisco, desvalorizam o papel, a proximidade, a humildade ou os gestos grandiosos de Bento XVI. Ao longo de todo o livro uma grande alegria pelo Papa da Argentina, mas um grande respeito e consideração pelo Papa da Alemanha. O texto repetidamente vai sublinhando como o então Cardeal Ratzinger se distinguia no trato, na simpatia, na educação, no meio de uma cúria romana fria, distante, sobranceira. Num registo pessoal, a jornalista mostra como os próprio filhos choraram a renúncia de Bento de XVI.

       Se outras razões não houvesse, para mim, esta já seria motivadora para uma leitura interessada, pois tenho , desde a primeira hora, o Papa Bento XVI como um homem de Deus, sábio, humilde, simpático, com gestos de grande simpatia. Levou tempo, para muitos, a aceitá-lo, pois sucede a um pontificado longo, o de João Paulo II, com um preconceito imediato: alemão e o responsável pela Congregação para a Doutrina da Fé.

       Para os que gostam muito de Francisco, como eu, esta é uma leitura muito clarificadora, que nos aproxima ainda mais daquele homem latino, carinhoso, próximo, humilde e de uma grande estatura intelectual.

       Para os que gostam muito de Bento XVI, como eu, esta leitura em nada belisca o carácter, a afabilidade, a humildade e a grandeza, a bondade do Papa alemão.

12.07.13

FRANCISCO - o Papa de todos nós

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       A eleição de Jorge Mario Bergoglio, no passado dia 13 de março, tem suscitado imensa curiosidade. Já aqui demos nota de livros sobre o Papa, como O Jesuíta, biografia do Cardeal de Buenos Aires, outras breves biografias, e agora sugerimos o que se segue:

 

A. TORNIELLI, Francisco, o Papa de todos nós. Esfera dos Livros. Lisboa 2013, 184 páginas.

       Andrea Tornielli é vaticanista, jornalista do diário La Stampa e do site Vatican Insider, e já escreveu sobre outros Papas, , Pio XII, João Paulo I, Bento XVI, ou sobre o Cardeal Carlo Maria Martini. Dá agora à estampa esta biografia do Papa, apresentando alguns dados já conhecidos, curiosidades como o livro "O Jesuíta" que revê enquanto se espera pela eleição do Papa, ou a entrevista a Bergoglio por ocasião do Consistório de fevereiro de 2012, em que são feitos novos cardeais, ou ainda as respostas que acentuam a preocupação do Ano da Fé convocado por Bento XVI.

        Têm aparecido muitos livros e muitos comentários. Para uma leitura séria é necessário ler sobre, quando é possível, e ler aquilo que o próprio disse ou escreveu. Este é um trabalho sobre a vida do atual Papa, mas recolhe textos e intervenções do então Bispo e Cardeal Jorge Bergoglio. Aparecem passagens de livros já aqui recomendados: O Jesuíta - Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio, ou JORGE BERGOGLIO e ABRAHAM SKORKA, Sobre o Céu e a Terra.

       No texto pode ver-se o contexto da renúncia de Bento XVI, os primeiros passos de Francisco, como Papa, palavras e gestos, a razão da escolha do nome, a misericórdia de Deus, a humildade, a fé, bem como desafios que se colocam à Igreja e ao seu primeiro servidor.

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