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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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10.03.18

Todo aquele que acredita terá n’Ele a vida eterna

mpgpadre

1 – «Alegra-te, Jerusalém; rejubilai, todos os seus amigos. Exultai de alegria, todos vós que participastes no seu luto e podereis beber e saciar-vos na abundância das suas consolações».

O 4.º Domingo da Quaresma sublinha a alegria, o júbilo pelo caminho percorrido, pela proximidade à meta: a celebração festiva da Páscoa de Jesus! É o Domingo Laetare! A Igreja rejubila com os seus fiéis pela entrega confiante que Jesus faz da humanidade ao Pai.

A Quaresma põe-nos a caminhar. É um caminho que parte da Páscoa "terrena" de Jesus. Existimos como comunidade porque Ele ressuscitou e está vivo no meio de nós. Ele precede-nos na morte e procede-nos na ressurreição! O caminho, por mais árduo que seja, está iluminado por Jesus, pela vida nova da Sua ressurreição.

Porquanto caminhamos sob as coordenadas do tempo e do espaço, sujeitos às limitações e fragilidades humanas, cientes dos nossos pecados, mas certos da misericórdia infinita de Deus, que nos impele a prosseguir ao jeito de Jesus, o Bom Samaritano: aproximando-nos dos mais frágeis, ajudando-os, cuidando das suas feridas, levantando-os e conduzindo-os à estalagem, para que sintam o conforto da presença familiar de Cristo e da Igreja, possam restabelecer forças e prosseguir caminho!

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2 – A nossa alegria radica na Cruz de Jesus Cristo, nossa Páscoa! A Cruz não nos desafia ao sofrimento, não nos conforma com o mal, não nos resigna com as injustiças. A Cruz é instrumento de redenção, sacramento do Amor, proposta de vida nova.

No diálogo com Nicodemos, Jesus compara a Sua missão à da serpente elevada por Moisés no deserto. Quantos fossem mordidos por serpentes, olhando para a serpente de bronze viveriam! O Filho do Homem também será elevado da terra e todos os que acreditarem terão n'Ele a vida eterna!

Tu e eu talvez tenhamos sido mordidos por serpentes! Imersos na morte e ressurreição de Jesus, pelo Batismo, tornámo-nos novas criaturas. Mas, como nos lembra São Paulo, por vezes ainda no deixamos seduzir pelo nosso egoísmo!

«Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito… Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele». Jesus explica a Nicodemos o que quem não nascer da água e do Espírito não entrará no Reino de Deus. Só pode falar verdadeiramente das coisas do Alto quem vem do alto, o Filho do Homem. É o mistério da Encarnação que terá o seu desenlace no mistério pascal. A morte de Jesus será expiadora, redentora, será a exaltação da entrega.

 

3 – Há um feixe de luz que vem da eternidade e que desbrava o caminho. A bola está do nosso lado. Basta olhar para o Filho do Homem, basta acreditar no nome do Filho Unigénito de Deus. É a nossa oportunidade, a nossa salvação. A condenação é não acreditar, é amar mais as trevas que a luz!

Jesus salva-nos pela Sua entrega, abre-nos as portas da eternidade, indica-nos o caminho a seguir, faz-Se Ele mesmo o nosso Caminho! Sabemos o caminho, mas ninguém nos obriga a segui-lo.

Quando olhamos alguém olhos nos olhos e deixamos que o seu olhar nos exponha é porque confiamos e estamos prontos para lhe responder ou para o escutar. Quando desviamos o olhar é porque não queremos que nos veja a alma, temos medo ou desconfiamos da pessoa que está à nossa frente. Não queremos dar-lhe uma resposta. Não queremos ouvir o que tem para nos dizer. Se as nossas obras são boas, feitas em Deus, então a luz é nossa amiga e companheira. Se as nossas obras são más, feitas às escondidas de Deus, então a luz torna-se incómoda e preferimos as trevas. A fé em Jesus Cristo é luz que nos encaminha para o bem e agiliza a prática das boas obras.


Textos para a Eucaristia (ano B): 2 Cr 36, 14-16. 19-23; Sl 136 (137); Ef 2, 4-10; Jo 3, 14-21.

30.04.17

VL – Largar a pele da serpente, revestir-se de Jesus Cristo

mpgpadre

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Quem tem familiaridade com o campo é possível que, por mais de uma vez, tenha encontrado a pele de uma cobra. Por vezes a pele encontra-se quase inteira, como se de repente a cobra despisse uma camisa e vestisse outra. A pele das cobras é constituída por escamas. Mudam de pele periodicamente. Uma das finalidades desta muda será remoção dos parasitas. Outra explicação plausível é que as cobras crescem constantemente e precisam de largar a pele que as aprisiona e limita por uma nova pele, maior, que as liberta para continuarem a crescerem.

A Quaresma encaminha-nos e prepara-nos para a Páscoa, vida nova, luz e salvação, a vastidão do Céu chega para toda a humanidade. Neste caminho somos desafiados à renúncia, à penitência. É um tempo de conversão e de esperança. É caminho (pessoal e comunitário) mas já iluminado pela ressurreição de Jesus. A mudança de vida é uma constante na vida do discípulo de Jesus Cristo. Fomos batizados na água e no Espírito Santo, tornamo-nos novas criaturas. A vida toda é esta configuração à nossa origem batismal. 

Um dos ritos do batismo é o da veste branca. “Agora és nova criatura e estás revestido de Cristo. Esta veste branca seja para ti símbolo da dignidade cristã”. Se voltarmos ao exemplo da renovação da pele na cobra, também esta veste nos reveste por inteiro. A cobra cresce e precisa de mudar de pele, libertando-se. Nós crescemos desde o batismo, precisamos de viver numa tensão permanente para fazer com que a nossa vida nos faça crescer na santidade, afeiçoando-nos a Cristo, isto é, adotando as feições de Cristo, ficando parecidos com Ele. Qual é a nossa pele antiga que nos aprisiona? Tudo o que nos impede de transparecer e testemunhar Jesus. Tudo o que nos afasta dos outros, o nosso egoísmo, o orgulho, a sobranceria, a avareza, a prepotência a inveja, o endeusamento do nosso ego.

Mas alguém poderá perguntar: se é só a pele que muda então nada muda interiormente? Se nos fixarmos no exemplo da cobra talvez tenhamos alguma razão. Contudo, o desprendimento da pele velha expressa o seu crescimento e, portanto, todo o corpo da cobra cresce, além de se libertar dos parasitas. Como cristãos revestimo-nos de Cristo para que toda a nossa vida se transforme, libertando-nos dos parasitas que nos impedem de ser imagem e semelhança de Deus, rosto e presença de Jesus Cristo para as pessoas do nosso tempo.

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4404, de 21 de março de 2017

19.05.16

A Páscoa de Jesus e o nosso compromisso batismal

mpgpadre

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Liturgicamente, tendo celebrado a Ascensão do Senhor, vamos centrar-nos no Pentecostes, a dádiva do Espírito Santo. Com a plenitude da Páscoa, nasce a Igreja e os cristãos que a constituem. Doravante, Jesus tem outros olhos, outra voz, outras mãos, outros pés. Ele está vivo em nós e através de nós.

As Suas últimas palavras são de despedida, de promessa, de esperança e de envio. Sintetizam o mistério pascal, comprometendo os discípulos. Doravante não poderão calar o que viram e ouviram: «Vós sois testemunhas destas coisas» (Lc 24, 48).

Ao longo de três anos – a vida pública de Jesus –, os apóstolos foram testemunhas de um sonho, um projeto de vida, um desafio envolvente. O reino de Deus a emergir na pessoa de Jesus Cristo, nas Suas palavras e nos Seus gestos de compaixão e de proximidade, de delicadeza e de acolhimento. Uma mesa posta para todos. Um banquete para incluir, a começar pelos excluídos. Um reino de portas abertas, integrador, em que ninguém está a mais. Acompanham-n'O camponeses, pedintes, doentes, maltrapilhos. Não admira que Ele tenha o cheiro das ovelhas. Mais que um estilo (exterior) é um jeito de ser, um compromisso. A santidade de Jesus mistura-se com o (nosso) pecado, a divindade abaixa-Se para caminhar connosco e nos elevar.

A Ascensão de Jesus e o dom do Espírito Santo leva-nos a sério. Não somos mais crianças de levar pela mão. O tempo de aprendizagem perdura a vida toda mas há um momento em que as aprendizagens e os instrumentos nos responsabilizam e nos é passada a bola. Cabe-nos prosseguir o caminho aberto por Jesus.

Depois da Sua paixão, diz-nos São Lucas, Jesus apareceu vivo aos Seus discípulos, durante 40 dias (tempo necessário para iniciar e cimentar uma nova forma de se relacionarem com o Mestre), falando-lhes ainda e sempre do reino de Deus. Agora é tempo de descobrirem Jesus no mundo das pessoas e não ficar simplesmente à espera que do Céu venha a resolução de todas as dificuldades (cf. Atos 1, 1-11).

Não apenas eles. Também nós. Quantas vezes ficamos à espera? De sinais! De respostas! De soluções! Por vezes deixamos o tempo passar a ver se tudo se resolve! Ou deixamos para ver se outros resolvem! Então do Céu a mesma voz: Por que esperais? Ele está convosco e através de vós continua a agir no mundo.

Ele não nos faltará com a Sua presença e o Seu amor. Até ao fim!

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4362 , de 10 de maio de 2016

19.08.14

Leituras: TIMOTHY RADCLIFFE - Imersos na Vida de Deus

mpgpadre

TIMOTHY RADCLIFFE (2013). Imersos na Vida de Deus. Viver o Batismo e a Confirmação. Prior Velho: Paulinas Editora. 334 páginas.

       Segundo D. José Cordeiro, Bispo de Bragança-Miranda, "Timothy Radcliffe, um teólogo brilhante, partilha aqui o dizer indizível da vida de Deus em nós. Na sequência de tantos livros atraentes sobre a questão vital do Cristinianismo, oferece-nos agora um rasgado horizonte da narrativa dos sacramentos do Batismo e da Confirmação. Emerge aqui a fascinante aventura da vida de Deus" (contracapa).

       Dominicano, Radcliffe conduz-nos através dos diversos momentos do Batismo, como celebração, alargando à história, à cultura circundante, à literatura, citando autores bem conhecidos, mas também cheio de histórias do dia a dia, na família e no convento, com pessoas de diferentes origens. A redescoberta do Batismo como sacramento que nos faz imergir na vida de Jesus Cristo e nos compromete com as pessoas que nos rodeia, com a família, com os colegas de trabalho. Ser cristãos não é uma capa que se veste, cedendo a tradições ou ritualismos, mas algo que nos identifica com Jesus, nos faz viver com alegria. Ser cristão, fazer o que Ele faz, assumir uma postura de proximidade e de vida nova, abençoados pela presença de Deus em nós.

       Ser batizado é deixar-se transformar pelo Espírito de Deus. É um acontecimento único, de vida nova, que nos compromete com os outros e com a transformação do mundo, modificando em nós os que nos afasta dos outros. O cristianismo é antes de mais um encontro pessoal com Jesus Cristo, que nos assume como irmãos. É uma história de amor, de Deus por nós, que nos quer bem, que nos quer livres e felizes. Ser cristão não é algo triste ou melancólico. Faz-nos sentir livres, úteis, filhos amados de Deus. E como Jesus, o compromisso do serviço e da proximidade, do diálogo. Não deveremos ter o ensejo do pensamento único, mas com humildade vivermos criativamente em cultura de diálogo, de encontro. Há sempre dons e talentos que podemos descobrir noutros que também são filhos de Deus.

       O Batismo liberta-nos do mal, e filia-nos em Deus. O autor parte de diversas situações quotidianos. Em todas as idades precisamos de nos convertermos, de abrirmos o nosso coração e a nossa mente, deixando que Deus possa ser visto através de nós. Ser filhos de Deus também nos faz encarar o sofrimento e a morte na sua relatividade, como oportunidades para nos aproximarmos mais dos outros ou os deixarmos aproximar.

       A opção comprometida com os mais pobres é uma exigência própria dos batizados. Seguir Jesus Cristo leva-nos ao encontro dos mais desvalidos para ajudarmos, para promovermos a dignidade da pessoa humana, mesmo que a aparência nos repugne. Jesus, diante da mulher apanhada em flagrante adultério, homem para ela como mulher e não tanto para o seu pecado, ainda que o convite a ela, como a nós, seja um caminho novo de libertação, de vida nova. Ele reabilita-nos para saborearmos a vida em abundância.

       Se não nos tornarmos como crianças não entraremos no Reino do Deus. Ao sermos batizados somos assumidos como crianças diante de Deus, que é Pai. Mas, e olhando para o Sacramento da Confirmação, o coração de crianças mas em cristãos corajosos, cuja maturidade da fé um desafio permanente.

 

»» Vale a pena ler a recensão feita pela Livraria FUNDAMENTOSAQUI.

18.01.14

Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo

mpgpadre

       1 – Há 8 dias o Céu abriu-se e escutamos a voz do Pai: «Este é o Meu Filho muito amado no qual coloquei todo a minha confiança». Hoje é o Batista que dá testemunho acerca de Jesus: «É d’Ele que eu dizia: ‘Depois de mim vem um homem, que passou à minha frente, porque era antes de mim’. Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e permanecer sobre Ele. Eu não O conhecia, mas quem me enviou na batizar na água é que me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e permanecer é que batiza no Espírito Santo’. Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus»

      João volta a dar de caras com o Messias e não tem dúvidas: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo». O encontro com Jesus provoca reações. Também em João. Transborda a alegria de O encontrar, de O reconhecer e de dar TESTEMUNHO acerca d'Ele.

       2 – «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo». Este anúncio coloca-nos na história do povo de Israel, história de eleição e de aliança. Liga-nos ao seguimento de Jesus. Insere-nos na celebração da Páscoa, em cada Eucaristia.

       Cada ano o Sumo-Sacerdote entra no Santo dos Santos, o lugar mais sagrado do Templo e oferece um sacrifício de expiação pelos pecados do povo. Oferece um cordeiro novo, sem mancha nem defeito, cuja morte sacrificial expia os pecados de todo o povo (cf Is 52,13ss). É o dia do grande Perdão. Na celebração da Páscoa, a família reúne-se e come o cordeiro pascal (cf. Ex 12,1-28), recordando o dia da libertação do povo, escravo no Egipto.

       João Batista faz-nos compreender que estamos diante do Cordeiro que definitivamente há de tirar o pecado do mundo. É o Sacerdote por excelência que Se oferece a Si mesmo, como Cordeiro, de uma vez para sempre a favor de todos (cf. Heb 10, 11-18).

A cruz começa a desenhar-se nas palavras simples e diretas do Batista. Os braços que se estenderão na cruz espelham o AMOR de Deus, que Se faz frágil para que O encontremos bem perto de nós.

       Cada domingo nos reunimos como seguidores de Jesus, para nos recordarmos da Sua entrega a nosso favor, mas sobretudo para vivermos hoje no DOM que nos é oferecido, a vida nova no Espírito. A Eucaristia guia-nos até nos fazer levantar os olhos, e o coração, e a vida, para o CORDEIRO que tira o pecado do mundo. É o mistério maior da nossa fé, o pão e o vinho transformam-Se, pela ação do Espírito Santo, em Corpo e Sangue de Cristo. Quando nos sentamos à mesa, alimentamos o corpo e fortalecemos os laços que nos unem com a família e com os amigos. Quando o alimento é o próprio Jesus Cristo, tornamo-nos com Ele um só Corpo, uma só família.

 

       3 – São Maximiliano Kolbe é um belíssimo exemplo de alguém que assume ser outro Cristo, dando a sua vida a favor de um irmão.

       Em plena segunda Guerra Mundial, num campo de concentração, em Julho de 1941, um prisioneiro, do bunker onde se encontra Maximiliano Kolbe, foge. Para dissuadir qualquer fuga e para vingar aqueles que o conseguiam, os nazis enviavam 10 outros prisioneiros para uma cela isolada até morrerem de fome e sede. No caso presente, o prisioneiro fugitivo viria a ser encontrado morto, afogado numa latrina. Mas antes, foram selecionados 10 prisioneiros para morrer. Ouve-se o choro de um prisioneiro que deixa mulher e filhos. O padre Kolbe pede então para tomar o seu lugar e o seu pedido é aceite. Passadas duas semanas, apenas quatro dos dez homens sobrevivem, entre os quais Kolbe. Os guardas nazis executam-nos com uma injeção de ácido carbónico. Morre em véspera da Assunção de Nossa Senhora, a 14 de Agosto de 1941, dia em que celebrámos a sua memória.

       É um testemunho que torna luminosa a entrega de Jesus Cristo em favor da humanidade inteira e, por conseguinte, Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, resgatando-nos às trevas, introduz-nos na vida de Deus.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 49, 3.5-6; Sl 39 (40); Cor l, 1-3; Jo 1, 29-34.

 

11.01.14

Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência

mpgpadre

       1 – «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência».

       Se há verdade que Jesus faz questão em vincar é precisamente que Deus é Pai. Haveria (e ainda há) a imagem de um Deus distante, juiz, pronto a castigar-nos e exigir tudo de nós, parecendo que a felicidade de Deus dependeria do nosso sofrimento. Quanto maior fosse o nosso sofrimento maior seria o Seu contentamento. Jesus desfaz este distanciamento. Deus é tão próximo que Se faz um de nós, assume a nossa fragilidade. "Para Jesus a verdadeira metáfora de Deus não é o «cedro», que faz pensar em algo grandioso, mas a «mostarda», que sugere o pequeno e insignificante" (J. Pagola).

       O Deus que Jesus nos revela é Pai. Ele espera por nós. Acredita em nós. Aposta em nós. Quanto maior a nossa felicidade, a nossa alegria, tanto maior o Seu sorriso. Se um de nós é feliz mas à volta há alguém a precisar de ajuda, de uma palavra, de um ombro amigo, ou de bens para viver com dignidade, o meu, o teu, o nosso compromisso com Deus obriga-nos a fazer o que está ao nosso alcance para solucionar ou minorar a dor alheia, o sofrimento dos nossos irmãos.

       2 – «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência». No Batismo e na Transfiguração (Mt 17,1-19), Deus declara a Sua predileção pelo Filho, por Jesus. É extensível a nós.

       Jesus encontra-se com João, o Batista. Ouviram falar um do outro. João vem antes, no tempo. Prepara a chegada do Messias. Batiza na água. É um batismo simbólico que antecipa o verdadeiro batismo, operado pela morte e ressurreição de Jesus Cristo.

       Jesus revela-Se nos gestos simples e banais, é Um entre nós. Não começa por dizer que é Deus ou filho de Deus, começa por viver como nós, submetendo-se às nossas leis, preceitos, tradições.

       Durante mais de trinta anos Jesus vive como qualquer simples mortal. Em casa dos pais. Vai às festas da família e da aldeia, está presente no luto de familiares, amigos e vizinhos. Come. Bebe. Trabalha. Torna-se carpinteiro. Está entranhado na comunidade de Nazaré.

       Entretanto submete-se ao batismo de João, no Rio Jordão. João sabe que Jesus não precisava de ser batizado: «Eu é que preciso de ser batizado por Ti e Tu vens ter comigo?». Logo Jesus contesta dizendo: «Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça».

       Jesus integra a multidão, não está acima ou de fora. Com efeito, ao longo da Sua vida pública é vê-l’O ir à margem, à beira do caminho, às periferias, buscar os que andam perdidos.

       3 – «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência». Esta é a voz que vem do Céu. Com efeito, logo que foi batizado "abriram-se os céus e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre Ele" e fez-se ouvir a voz do Pai, como testemunho, como desafio, envolvendo-nos.

       Ele é o Messias de Deus, o Príncipe da Paz. Vem como aragem suave que convida, e não como vendaval que destrói. Sobre Ele repousa o Espírito de Deus para trazer a paz, a justiça, a concórdia a todas as nações. Ele é a LUZ verdadeira que ilumina toda a treva.

 

       4 – Somos batizados na água e no Espírito, na morte e ressurreição de Jesus Cristo. É um batismo novo, redentor, sacramental, traz-nos a oferenda de Jesus a nosso favor, introduz-nos na vida de Deus.

       O encontro com Deus gera “seguidores”. Jesus é assumido pelo Pai, publicamente, na assembleia reunida no Jordão, e a partir do Batismo torna-se o Profeta, por excelência. Após os batismo, os discípulos tornam-se apóstolos, anunciadores do Evangelho. E com a Palavra, imitando o Mestre, levam o conforto, a esperança, a cura.

        Como é que vivemos o nosso Batismo? Somos pessoas diferentes? Que significa para nós sermos batizados?


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 42, 1-4.6-7; Atos 10, 34-38; Mt 3, 13-17.

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço

ou no nossoblogue CARITAS IN VERITATE.

18.11.13

LEITURAS: Medina Estevez - Porquê batizar o meu filho?

mpgpadre

Cardeal Jorge MEDINA ESTEVEZ. Porquê batizar o meu filho? Paulus Editora. Lisboa 2013, 62 páginas.

       É o Sacramento do Batismo que nos abre as portas da Igreja. Na água e no Espírito Santo tornamo-nos novas criaturas, de Cristo, com Cristo e para Cristo, formando o Seu Corpo que é a Igreja. Os Sacramentos constituem um todo de graça e salvação. Deus veio até nós, em Pessoa, em Jesus Cristo. Com a Sua vida, mensagem, morte e ressurreição, oferenda total a Deus em favor de todos os homens. Com a Sua ressurreição e ascensão aos Céus, Jesus permanece entre nós, de forma especial pela graça sacramental que nos insere na comunidade cristã, seguidores de Jesus.

       Neste livrinho de bolso, o Cardeal Medina Estevez, de uma forma simples e acessível, introduz a importância do Sacramento do Batismo, porta da Igreja, fundamentando com os textos sagrados, a evolução histórica, a passagem do batismo de adultos para o batismo de crianças, o símbolos, os intervenientes, pais, padrinhos, comunidade.

       Na apresentação deste precioso contributo, o Cardeal António Cañizares Llovera, Prefeito da Congregação para o Culto, sublinha a satisfação de apresentação deste livro, que "toca uma realidade fundamental e muito alegre, cheia de esperança e de luz para a nossa vida, algo que nos atinge decisivamente". Este "texto não é para 'especialistas' mas para pessoas simples de coração, para todos... tem um carácter e um estilo fácil, belo e profundo, eminentemente correto, pedagógico e educativo...".

       Depois de dedicar um capítulo à missão dos padrinhos, o autor procura responder a algumas questões mais prementes: quando se deve batizar, onde, quem preside à celebração do batismo, se uma criança morrer sem ser batizada para onde vai, batismo em criança ou na idade adulta?

       Voltamos ao prefácio: "Este pequeno e ao mesmo tempo grande livro constitui um chamamento a viver o Batismo, a viver a nossa vida de batizados em Cristo como filhos de Deus: viver como santos e purificados, como corresponde ao nosso ser batismal; viver com autenticidade, verdade e coerência a realidade do batismo".

13.01.13

Tu és o meu Filho muito amado

mpgpadre

       1 –  A liturgia batismal, na bênção da água, apresenta referências bíblicas nas quais a água está em clara evidência. No relato da criação, melhor, nos dois relatos da criação: Deus faz separar as águas da terra para que haja vida; Deus faz chover para que a vida germine da terra. O episódio sobejamente conhecido do Dilúvio, com Noé e a construção da Barca, sendo a água um elemento destruidor – a humanidade do pecado é submersa – e a mesma água suporta e salva a Arca com Noé e a sua família. A travessia do mar vermelho marca a condenação dos soldados egípcios que a água aniquila, que simbolicamente representam o mal agora levado pela água. A mesma travessia protege o povo eleito, que passa pela água para terra firme, com Moisés. Os filhos de Israel são salvos pela água. Um dos significados possíveis do nome MOISÉS é precisamente “salvo das águas”.

       O episódio que hoje celebrámos – o batismo de Jesus no rio Jordão – é também evocado na bênção da água. João batiza o autor do batismo. É um batismo de penitência, de preparação, pois logo virá Aquele que batizará no fogo e no Espírito Santo.

       A própria palavra – baptizar –, de origem latina, significa mergulhar. O neófito entrava por três vezes na água, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, para que água levasse o homem velho, e dela surgisse o homem novo, nova criatura para Deus.

       2 – Quando lhe perguntam por que batiza se não é o Messias, João sublinha que o seu batismo é sobretudo chamada de atenção, apelo à conversão, à penitência, à mudança de vida. Só um coração atento, humilde, desperto para os outros, poderá reconhecer e acolher Aquele que vem de Deus, o mistério, o divino. Prepara a terra para que a semente lançada encontre o ambiente propício…

       Pressente-se um tempo novo que ora chega com Jesus:

«Eu batizo-vos com água, mas vai chegar quem é mais forte do que eu, do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo». Quando todo o povo recebeu o batismo, Jesus também foi batizado; e, enquanto orava, o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba. E do céu fez-se ouvir uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência».

       Com o batismo de Jesus cumpre-se, simbolicamente, toda a justiça. Sendo filho de Deus, não precisava de ser batizado. No batismo, Jesus garante que em tudo cumpre com a ENCARNAÇÃO, seguindo também os usos e tradições do povo que O vê nascer. Está entranhado na história e no tempo, e não por cima ou à margem.

 

       3 – A vida pública de Jesus arranca a partir do batismo. Como cristãos a nossa vida inicia-se com o batismo, Sacramento de pertença a Jesus Cristo, identificação com a Sua morte e ressurreição, inserção no Corpo de Cristo que é a Igreja. Morremos para o pecado, ressurgimos para a vida nova. Somos, pelo Espírito Santo, novas criaturas.

       O batismo celebra-se todos os dias da nossa vida. O batismo não é um dia de festa, é toda a vida. Dizer SIM com os lábios, de uma vez para sempre, e depois agir como NÃO ao longo da vida quase sempre dá mau resultado.

       Exemplos: quando os noivos dizem SIM de uma vez para sempre e se sentam à sombra da bananeira, como se tudo estivesse garantido a partir desse primeiro momento, vão sair magoados, infelizes e lesados… O SIM não é passivo nem passado, é proactivo, presente, significa cuidar, ouvir, amar, sofrer com o outro, usar de palavras atenciosas, e ter gestos de gratidão e de alegria pela presença do outro, renovando o desejo e o sentimento.

       Os pais para com os filhos. Não basta fazê-los, é preciso cuidar, educar, acompanhar, repreender, elogiar, apontar limites e possibilidades, marcar fronteiras, para que o filho saiba que os pais estão atentos ao que faz, ou deixa de fazer, por que o amam e lhe querem bem, mesmo que tenham os seus defeitos e pecados e por vezes sejam injustos... mas estão presentes, renovando o SIM primeiro todos os dias.

       O SIM que Deus nos dá há de levar-nos a um SIM permanente. Todos os dias somos batizados, renovados, todos os dias ressuscitamos com Jesus Cristo.


Textos para a Eucaristia (ano C): Is 42, 1-4.6-7; Atos 10, 34-38; Lc 3, 15-16.21-22.

 

 

09.12.12

Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas

mpgpadre

       1 – “… como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus’».

       João segue de perto as intuições proféticas de Isaías, outra figura incontornável do Advento. A mesma força brota das suas palavras. Vai ao deserto. Grita. Clama. Sai de Israel, vai às margens para que o povo regresse à terra da Promessa de Deus. O Senhor está a chegar. Há que arrepiar caminho. Voltemos com João Batista, preparemo-nos. A terra prometida está à vista: é Jesus Cristo que vem.

 

       2 – A Sagrada Escritura está pejada de vida. São páginas e páginas e mais páginas de vida, de história e de estórias. Um fio condutor: a PRESENÇA de Deus.

       Num mundo, como o de hoje, e o de ontem, pintado de mil cores, onde se mistura o bem e o mal, eis que se levanta uma luz, uma esperança, um POVO, um Homem que virá como Cordeiro para o meio de lobos, que virá como Pastor apascentar todo o redil.

       O Advento prepara-nos e antecipa-nos a LUZ e a alegria do NATAL: Deus no meio de nós. Daí que a Palavra de Deus acentue esta dimensão da esperança e do júbilo, como vemos ilustrado na profecia de Habacuc, na primeira leitura:

“Levanta-te, Jerusalém, sobe ao alto e olha para o Oriente: vê os teus filhos reunidos desde o Poente ao Nascente, por ordem do Deus Santo... Deus decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares e encher os vales, para se aplanar a terra, a fim de que Israel possa caminhar em segurança, na glória de Deus... Deus conduzirá Israel na alegria…”

       Palavras semelhantes em Isaías e na vida/missão de João Batista. A mesma esperança, a mesma alegria pela chegada breve da Salvação.

 

       3 – O salmo faz sinfonia com as leituras, refletindo a eminência da salvação, o regresso à terra prometida, o cumprimento da promessa de Deus. Ele salva o Seu povo e fá-lo regressar do exílio, da sombra e da morte. Dá como certa a libertação. O choro logo dará lugar à festa:

“Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião, parecia-nos viver um sonho. Da nossa boca brotavam expressões de alegria e de nossos lábios cânticos de júbilo... Os que semeiam em lágrimas recolhem com alegria. À ida, vão a chorar, levando as sementes; à volta, vêm a cantar, trazendo os molhos de espigas”.

       O salmo ajuda-nos a responder a Deus na beleza da vida que se faz cântico e oração, na história colocada em lábios suplicantes, agradecidos, recetivos à bênção divina. A alegria da salvação há de ser acompanhada pela militância na transformação do mundo, a começar em nós. Semeamos, por vezes com sangue, suor e lágrimas para colhermos, para entregarmos a Deus os frutos que faremos germinar das Suas palavras e dos nossos gestos.

 

       4 – O início encontra-se na fé, sem dúvida, como DOM de Deus em nós, que nos transforma: ilumina a nossa vida, o nosso coração, sensibiliza-nos para a vida que se desenvolve à nossa beira, ainda e sempre PRESENÇA de Deus no mundo.

       Belíssima a carta de São Paulo à comunidade de Filipos:

“Tenho plena confiança de que Aquele que começou em vós tão boa obra há de levá-la a bom termo… Por isso Lhe peço que a vossa caridade cresça cada vez mais em ciência e discernimento, para que possais distinguir o que é melhor e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo…”

       É Deus que opera tudo em todos, por Jesus Cristo, Seu amado filho e nosso irmão, no Espírito Santo. Mas conta connosco. Desde que nos criou livres, Deus sujeita-Se à nossa decisão. Ele espera por nós, pela nossa resposta. Ele sabe o que é melhor para nós, como os nossos pais, mas a escolha é nossa.


Textos para a Eucaristia (ano B): Bar 5, 1-9; Sl 125 (126); Filip 1, 4-6.8-11; Lc 3, 1-6.

 

Reflexão Dominical COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE

19.06.12

Encerramento da Catequese Paroquial (2)

mpgpadre

       Sábado, 16 de junho de 2012: encerramento da catequese da paróquia de Nossa Senhora da Conceição, de Tabuaço, com um momento de convívio, no Centro Paroquial, e com a celebração da Eucaristia, que incluiu o batismo da Mariana e um ofertório solene englobando cada ano de catequese, com alusão a festa de catequese proposta nos diversos anos. A música de fundo é uma proposta para o 8.º ano de catequese: Deus precisa de ti, interpretada por João Pedro Neves.

 

»» Para as fotos do ENCERRAMENTO DA CATEQUESE 2012,

visite o perfil da paróquia de Tabuaço no facebooK.

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