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24.03.21

Monica Hesse - A Rapariga do Casaco Azul

mpgpadre
MONICA HESSE (2019). A rapariga do Casaco Azul. Amadora: Top Seller. 320 páginas

A Rapariga do Casaco Azul.jpg

A memória enraíza-nos e humaniza-nos. Uma pessoa ou um povo sem memória, não tem muito para contar, não sabe o que significa gratidão, cedo esquecerá a direção para prosseguir uma vez que não sabe de onde partiu e de onde vem. É bom que continuem a escrever-se livros sobre a Segunda Guerra Mundial e sobre as maldades levadas a cabo pelos nazistas, inspirados por Hitler. Seis milhões de judeus foram mortos e há pessoas que tentam ignorar ou passar a ideia que tal não aconteceu, apesar de tantas evidências.
A Rapariga do Casaco Azul situa-se em Amsterdão e, como a autora diz no final, é um livro de ficção, mas com factos e lugares históricos, bem como o enredo baseado na resistência holandesa. Um grupo de jovens estudantes que cria uma rede para ajudar os judeus, descobrindo esconderijos, garantindo alimentos, salvando crianças judias. Pelo meio, fotógrafas que vão registando os acontecimentos, os abusos dos soldados ou os rostos judeus, para que haja memória, para reencontrar as crianças.
 
CONTRACAPA (sinopse):
Um livro multipremiado de extraordinária beleza, que faz lembrar clássicos como A Rapariga Que Roubava Livros e O Rapaz do Pijama às Riscas. Inesquecível!
 
Amesterdão, 1943. Enquanto a Europa é engolida pelo véu nazi, Hanneke percorre diariamente as ruas da cidade. Com apenas 18 anos, ela consegue arranjar os bens raros que as pessoas procuram no mercado negro: chocolate, café, tecidos… Pequenos pedaços de normalidade, preciosos em tempos de conflito. E Hanneke fá-lo apenas por dinheiro! Não há espaço para bondade num mundo devastado por uma guerra que lhe roubou a vida e os sonhos.
Até ao dia em que uma das clientes de Hanneke lhe faz um pedido tão perigoso quanto desafiante: que encontre a pequena Mirjam, uma rapariga judia que a senhora mantinha escondida em casa. A única pista que Hanneke tem é que, no dia em que desapareceu, Mirjam vestia um casaco azul.
Contrariando o seu instinto, Hanneke decide procurar a rapariga. O que ela não sabe é que, ao procurar a pequena Mirjam, vai reencontrar uma parte de si mesma, aquela que Hanneke pensava ter sido completamente destruída com o som das primeiras bombas.
Uma história poderosa e envolvente. Um olhar sobre a cidade de Anne Frank e sobre a força daqueles que, com pequenos gestos, lutaram contra o terror nazi.
 
A AUTORA:
Monica Hesse, além de escritora de romances para jovens adultos, é jornalista do Washington Post. Devido à sua versatilidade jornalística, esta autora norte-americana é convidada frequentemente para comentar temas da atualidade na televisão e na rádio.
Os seus artigos valeram-lhe já diversas nomeações para prémios jornalísticos como o Livingston Award e o James Beard Award. A Rapariga do Casaco Azul é o seu primeiro romance histórico para jovens adultos e é também a estreia da autora em Portugal. Um pouco por todo o mundo, tem sido amplamente aplaudido pela crítica, contando já com as mais diversas nomeações e distinções.

15.08.15

O DIÁRIO DE MARY BERG - sobrevivente do holocausto

mpgpadre

Mary Berg (2015). O DIÁRIO DE MARY BERG. Amadora: Vogais, 20|20 Editora. 352 páginas.

MaryBerg_Diário.jpg

      A segunda Guerra Mundial gerou milhares de vítimas, com plano nazi e conquistar o mundo e eliminar os judeus. Para o efeito bastava ter alguma ascendência judaica: se eram aptos para trabalhar, para se tornarem escravos, sobreviviam, pelo menos até morrerem de fome, de doença, ou em consequência do trabalho; se não eram aptos, então eram encaminhados para campos de concentração, para serem mortos. Muitas vezes eram mortos por brincadeira, por capricho ou simplesmente para provocar pânico aos outros judeus.

       O Diário da Mary Berg narra os dias passados no Gueto de Varsóvia, um conjunto de ruas, de casas, de bairros onde foram confinados os judeus, com regras restritas, em que se vivia com as ameaças, com a possibilidade de serem contratados para trabalhar, passaportes para sobreviverem mais tempo, buscando alguma normalidade, ajudando e sendo ajudado, metendo "cunhas" para ocupar melhores trabalhos, contrabandeando pão, comida e outros bens, dedicando-se à arte e à cultura.

       O projeto final era eliminar todo o gueto, todos os judeus. Os que tinha alguma ligação estrangeira, como a autora/protagonista, cuja cidadania americana da Mãe a tornam também uma privilegiada, apesar de tudo, com uma maior probabilidade de sobreviver.

       Será solta por troca dos prisioneiros de guerra alemães. Pouco tempo depois, os 12 caderninhos de apontamentos são publicados em livro para revelarem a atrocidade contra o povo judeu, mas também contra polacos (judeus ou cristãos) e alertar a comunidade internacional para se apressar e fazer alguma coisa.

       Para trás ficam amigos e um vislumbre de miséria, pobreza, violência gratuita e a tentativa de viver a normalidade da vida, estudando, cultivando-se, criando laços. É um diário "arrepiante" e sobretudo por visualizar a vida tal como foi vivida pelos intervenientes numa página negra da história e que se deseja que não volte a acontecer, ainda que os sinais apontem a um risco maior de intolerância, xenofobia, racismo, fanatismo religioso... 

       Passados poucos anos da publicação e do diário, e do fim da segunda guerra mundial, Mary Berg (1924-2013) desapareceu dos focos da ribalta, talvez para viver uma vida normal...

       O Diário de Anne Frank é dos mais conhecidos e divulgados, mas outras histórias que entretanto foram postas por escrito e divulgadas para que a nossa memória não esmoreça e se torne vigilante perante indícios de tamanha vilipêndia...

       Setenta anos depois já vários tentarem negar, esconder, suavizar a tragédia nazi. Por conseguinte, esta é mais uma leitura obrigatória para avivar o compromisso com a verdade e com a justiça, com a dignidade humana e com o respeito por todas as vidas, desde a concepção até à morte natural.

 

Vale a pena ler:

EVA SCHOLOSS - A Rapariga de AUSCHWITZ

03.09.14

Leituras: EVA SCHOLOSS - A Rapariga de AUSCHWITZ

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EVA SCHOLOSS, com Karen Bartlett (2014). A Rapariga de Auschwitz. Barcarena: Marcador Editora. 282 páginas.

 (Anne Frank; Eva Geiringer; Eva ao colo da mãe e com o irmão)

 

       Meia-irmã póstuma de Anne Frank, a autora desta história de vida, Eva Schloss, conta, a partir da sua experiência pessoal e da sua família, a experiência terrível dos campos de concentração, os antecedentes e como a vida, com as marcas do sofrimento e da perda de familiares e amigos, se foi refazendo aos poucos. Os acontecimentos marcantes da infância e da juventude e a militância por uma causa, para que no presente e no futuro, a descriminação por motivos de pele, de nacionalidade, de religião, de opção de vida, não se torne no tormento que foi a guerra liderada por Hitler e pelo regime nazi, cuja Solução Final era eliminar os judeus da face da terra. Pouco a pouco os campos de concentração levaram à morte milhares de pessoas inocentes, mulheres, homens e crianças, escolhidos (quase) aleatoriamente para morrerem primeiro, ou por que eram muito novos ou muito doentes para trabalhar, ou por que levantaram a cabeça ou ousaram perguntar alguma coisa. O motivo principal e único: ser judeu.

       Eva Schloss (que viria a casar com Zvi Schloss, de quem adoptou o apelido), encontrou-se com Anne Frank em Amesterdão, na Holanda, depois de ter saído da Áustria, sua terra natal, com a família, já sob a perseguição e ameaça nazi. Viviam perto da família de Anne Frank. Não eram amigas especiais, mas encontraram-se com idades muito próximas, 15 anos, sendo a Anne um mês mais velha, embora esta, reconhece a autora, parecesse mais senhora do seu nariz. Tinham amigos comuns. As famílias viviam com a mesma esperança de viverem num jardim que os protegeria das investidas nazis. Mas a Holanda não aguentou a invasão. Escondendo-se em casa de amigos, mas uma e outra família foram traídas e entregues às autoridades.

       Anne Frank viria a morrer em Auscwitz-Birkenau, juntamente com a irmã, poucos dias antes da libertação. A mãe de Anne Frank morreu um pouco antes. Sobreviveu-lhes o pai, Otto Frank. Da parte da família de Eva, o pai e o irmão morreram, também pouco antes da libertação.

       Entretanto chega a hora a libertação, Eva cruza-se com Otto Frank, muito reservado e abatido pela morte das suas filhas. No regresso a Amesterdão voltam a encontrar-se e pouco a pouco Otto passa a ser uma visita habitual da casa. O pai de Anne Frank e a mãe de Eva compreendem-se, reconfortam-se na dor e na perda dos seus familiares. Mutti - a mãe de Eva - vai estar muito envolvida na publicação e divulgação do Diário de Anne Frank, colaborando com Otto, com quem se casa pouco depois da filha Eva se casar.

       Como apontamento da capa deste livro, a Rapariga de Austchwitz começa onde o Diário de Anne Frank termina, pois aqui a história e as vidas continuam. A autora herda a máquina fotográfica Leica com a qual Otto tirava fotos às filhas. Por um momento da sua vida dedicar-se-á à fotografia, depois às antiguidades, e finalmente, o que mudou a sua vida, dedica-se à causa de Anne Frank, contando a sua própria experiência, não tanto para desenterrar o passado mas para deste ajudar no presente e no futuro a eliminar a intolerância, as injustiças, a descriminação.

       É uma leitura envolvente desde logo por nos colocar dentro dos acontecimentos que feriram os judeus, diretamente, mas toda a civilização ocidental.

«Filhos, prometo-vos isto», disse o meu pai: «Tudo o que fazem deixa algo para trás; nada se perde. Todo o bem que praticarem continuará nas vidas das pessoas que tocaram. Fará a diferença para alguém, em algum lugar, algum dia, e os vossos atos serão continuados. Tudo está ligado como uma corrente que não pode ser quebrada» (p 13)
"Há sempre esperança... as circunstâncias da vida mudarão sempre - às vezes para melhor, outras para pior. Nada se mantém na mesma..." (p 163)
"Viver a vida num mundo ao qual todos podem «pertencer» não é um ideal altruísta aos meus olhos - tem sido sempre uma das maiores e mais perturbadoras questões da minha vida...
Comecei a minha vida na Áustria, tornei-me uma refugiada apátria, e depois vi-me reduzida a um número, dolorosamente tatuado no antebraço. Depois da guerra, os Aliados decidiram que os judeus não deveriam ser tratados como um grupo separado e que deveriam ser de novo designados como «austríacos» (curiosamente, fomos agrupados com os mesmos nazis que nos tinham perseguido e considerados «inimigos estrangeiros»). Nunca obtive a cidadania holandesa e, alguns anos mais tarde, acabei por morar em Inglaterra, onde jamais imaginei que me casaria e teria uma família...
Este livro contou-vos algumas das minhas memórias dessa época, mas as recordações deveriam ocupar um lugar menor no mundo, pois o importante é mudar as coisas para melhor" (p. 276)

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