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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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10.03.18

Todo aquele que acredita terá n’Ele a vida eterna

mpgpadre

1 – «Alegra-te, Jerusalém; rejubilai, todos os seus amigos. Exultai de alegria, todos vós que participastes no seu luto e podereis beber e saciar-vos na abundância das suas consolações».

O 4.º Domingo da Quaresma sublinha a alegria, o júbilo pelo caminho percorrido, pela proximidade à meta: a celebração festiva da Páscoa de Jesus! É o Domingo Laetare! A Igreja rejubila com os seus fiéis pela entrega confiante que Jesus faz da humanidade ao Pai.

A Quaresma põe-nos a caminhar. É um caminho que parte da Páscoa "terrena" de Jesus. Existimos como comunidade porque Ele ressuscitou e está vivo no meio de nós. Ele precede-nos na morte e procede-nos na ressurreição! O caminho, por mais árduo que seja, está iluminado por Jesus, pela vida nova da Sua ressurreição.

Porquanto caminhamos sob as coordenadas do tempo e do espaço, sujeitos às limitações e fragilidades humanas, cientes dos nossos pecados, mas certos da misericórdia infinita de Deus, que nos impele a prosseguir ao jeito de Jesus, o Bom Samaritano: aproximando-nos dos mais frágeis, ajudando-os, cuidando das suas feridas, levantando-os e conduzindo-os à estalagem, para que sintam o conforto da presença familiar de Cristo e da Igreja, possam restabelecer forças e prosseguir caminho!

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2 – A nossa alegria radica na Cruz de Jesus Cristo, nossa Páscoa! A Cruz não nos desafia ao sofrimento, não nos conforma com o mal, não nos resigna com as injustiças. A Cruz é instrumento de redenção, sacramento do Amor, proposta de vida nova.

No diálogo com Nicodemos, Jesus compara a Sua missão à da serpente elevada por Moisés no deserto. Quantos fossem mordidos por serpentes, olhando para a serpente de bronze viveriam! O Filho do Homem também será elevado da terra e todos os que acreditarem terão n'Ele a vida eterna!

Tu e eu talvez tenhamos sido mordidos por serpentes! Imersos na morte e ressurreição de Jesus, pelo Batismo, tornámo-nos novas criaturas. Mas, como nos lembra São Paulo, por vezes ainda no deixamos seduzir pelo nosso egoísmo!

«Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito… Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele». Jesus explica a Nicodemos o que quem não nascer da água e do Espírito não entrará no Reino de Deus. Só pode falar verdadeiramente das coisas do Alto quem vem do alto, o Filho do Homem. É o mistério da Encarnação que terá o seu desenlace no mistério pascal. A morte de Jesus será expiadora, redentora, será a exaltação da entrega.

 

3 – Há um feixe de luz que vem da eternidade e que desbrava o caminho. A bola está do nosso lado. Basta olhar para o Filho do Homem, basta acreditar no nome do Filho Unigénito de Deus. É a nossa oportunidade, a nossa salvação. A condenação é não acreditar, é amar mais as trevas que a luz!

Jesus salva-nos pela Sua entrega, abre-nos as portas da eternidade, indica-nos o caminho a seguir, faz-Se Ele mesmo o nosso Caminho! Sabemos o caminho, mas ninguém nos obriga a segui-lo.

Quando olhamos alguém olhos nos olhos e deixamos que o seu olhar nos exponha é porque confiamos e estamos prontos para lhe responder ou para o escutar. Quando desviamos o olhar é porque não queremos que nos veja a alma, temos medo ou desconfiamos da pessoa que está à nossa frente. Não queremos dar-lhe uma resposta. Não queremos ouvir o que tem para nos dizer. Se as nossas obras são boas, feitas em Deus, então a luz é nossa amiga e companheira. Se as nossas obras são más, feitas às escondidas de Deus, então a luz torna-se incómoda e preferimos as trevas. A fé em Jesus Cristo é luz que nos encaminha para o bem e agiliza a prática das boas obras.


Textos para a Eucaristia (ano B): 2 Cr 36, 14-16. 19-23; Sl 136 (137); Ef 2, 4-10; Jo 3, 14-21.

10.08.14

Tende confiança. Sou Eu. Não temais.

mpgpadre

       1 – Jesus é tão humano e tão parecido connosco que talvez, como aconteceu naquele tempo, tenhamos muitas dificuldades em reconhecê-l'O no meio de nós. Ele está em cada pessoa, principalmente naquela cuja aparência nos faz desviar o olhar, suster a respiração, e, silenciosamente, passar ao longe e ao largo.

       O evangelho deste domingo mostra a humanidade e de delicadeza de Jesus. Virá ao de cima a leveza de Jesus que Lhe permite andar sobre a água. Mas não apenas isso. Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus envia os discípulos para a outra margem. E o que é que Ele fica a fazer? A despedir-se da multidão. Curioso apontamento de Mateus. Jesus atrasa o seu passo para despedir a multidão. Utiliza tempo para falar com as pessoas de forma mais informal.

       Outro momento essencial é a oração. Depois da multidão ter ido embora, Jesus enleva-se em oração ao Pai.

       2 – Já noite dentro, Jesus caminha sobre o mar e vai ter com os seus discípulos, assustados com a agitação do mar e com a presença daquela figura que julgam ser um fantasma. A palavra de Jesus desperta-os e acalma-os: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais».

       Como seria bom que as nossas palavras dessem confiança aos outros e na nossa voz eles encontrassem repouso.

       Pedro, o discípulo sempre pronto para tudo, testa Jesus: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». «Vem!» – disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!». Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?». Logo que subiram para o barco, o vento amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».

       A fé faz-nos partir ao encontro dos outros. Mas nem tudo é como sonhámos, advêm as dificuldades no caminho. Assalta-nos a dúvida e a hesitação. Será o Senhor, será que é isto que Ele me pede? Estará comigo nesta missão?

       O desafio de Jesus não é para vivermos sem adversidades. O chão pode ser aquoso, sujeito a tempestades e ventanias. Jesus é a nossa segurança. Ele não nos falha. A Sua mão permanece estendida.

       Pedro distraiu-se, fixou-se nas suas forças, e nas seguranças temporais. Com as primeiras dificuldades, vacilou na confiança que colocara no mandato, na palavra de Jesus. Quando caminhamos por nós, apoiados nos nossos pés, nas nossas convicções, nos nossos propósitos, por melhores que sejam, diante das adversidades, vacilamos e caímos, e se nos descuidamos afundamos. Jesus segura-nos para lá de todas as circunstâncias, mesmo que não nos livre do esforço, do trabalho, do sacrifício e do sofrimento. A Sua mão conduz-nos por meio das tempestades que vão surgindo na nossa vida.

 

       3 – A luz da fé traz-nos uma paz maior que nos sustenta para lá das intempéries, além das dúvidas e dos obstáculos.

       Deus cabe na palma da nossa mão. Deus cabe dentro do nosso coração. É tão grande o Seu amor, é tão alto o Seu perdão, é tão extensa a Sua Omnipotência que cabe todo em nós, ainda que nenhum de nós O abarque ou O encerre em si mesmo. Cabe no meu e no teu coração. Na minha e na tua vida. Deus cabe na história e no tempo. Deus cabe em Nazaré, entre palhas, envolto nos panos de amor e de ternura com que a Mãe O aquece. Ele cabe numa cruz. Cabe onde cabe cada um de nós. Na vida e na morte. Na alegria e no sofrimento. Cabe no chão que pisamos, numa fenda que se abre na rocha. Ele cabe em nós. Sem forçar, sem Se impor. Cabe na nossa vontade de O querermos e de O acolhermos. Talvez não Se perceba na violência e na força, ainda que para aí O arrastemos. Cabe na brisa da tarde. É tão grande o Seu amor por nós, que Ele usa o Seu poder para Se deixar ver, para Se deixar tocar, para Se deixar amar.

       Elias descobre que Deus se encontra na brisa, no silêncio, na calmaria do deserto: "O Senhor passou. Diante d’Ele, uma forte rajada de vento fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento, sentiu-se um terramoto; mas o Senhor não estava no terramoto. Depois do terramoto, acendeu-se um fogo; mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa. Quando a ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou à entrada da gruta".

       Deus não impõe a Sua presença. Mendiga o nosso amor.


Textos para a Eucaristia (ano A): 1 Reis 19, 9a.11-13a; Sl 84 (85) Rom 9, 1-5; Mt 14, 22-33.

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.

02.08.14

Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer

mpgpadre

       1 – O AMOR de DEUS é a primeira e a maior bênção que podemos receber. Com efeito, quando percebemos o quanto Deus nos ama, a partir de então, a nossa vida muda para sempre.

       O que é verdadeiramente mobilizador na nossa vida? O amor. Desde o seio materno que a nova vida é alimentada com o sangue e com as proteínas da mãe, mas também pelo carinho, pela ternura, pelo amor da mãe, cujo corpo (e toda a vida da mulher-mãe) age para proteger a vida. A vida da mãe conjuga-se para abonar a vida do filho.

       Só o amor promete e concede eternidade. É no amor que nos descobrimos filhos de Deus, e nos consideramos irmãos. Todos precisamos de um olhar que encontre o nosso olhar, de um sorriso que torne mais largo o nosso sorriso, de uma palavra que desperte os nossos ouvidos, de um silêncio que preencha o nosso coração. O amor é vida. O Amor que promete e concede eternidade é Deus.

       Como refere são Paulo, nada nos pode separar do amor de Deus. «Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? Nem a morte nem a vida, nem os Anjos nem os Principados, nem o presente nem o futuro, nem as Potestades nem a altura nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus».

       2 – Só o Amor tem a capacidade de Se tornar pequeno; só o Amor consegue fazer-Se ver pela humildade. Deus, o Senhor da força, em Jesus Cristo, abaixa-Se até Se deixar ver, tocar, até Se deixar matar. O Senhor passeia entre os homens, entre iguais, carne da nossa carne. Não acima, não à parte, não longe ou no exterior, não pela violência ou pelo poder. Mas pela delicadeza, pela pobreza, pela vida despida de preconceitos e ideias feitas, pelo AMOR.

       Em Jesus, Deus dá-nos a vida, resgata-nos do pecado e das trevas, do egoísmo que nos afasta dos outros, da inveja que nos destrói como família, da ganância que mata o sonho e o futuro. Ensina-nos que o AMOR se dá e se vive concretamente. Ao cair da tarde, os discípulos, com algum cuidado e talvez alguma sensibilidade, lembram a Jesus a multidão que se acercou para O ver, para O escutar: «Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento». Perante um problema concreto, uma multidão faminta, a solução parece óbvia, e hoje ainda mais, quando se acentuam as desigualdades sociais: cada um trate de se desenrascar. Salve-se quem puder.

       Jesus responde perentoriamente: «Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer».

Belíssima pregação a de Jesus, poucas palavras, incisivas, concretas. Dai-lhes vós de comer. Não laveis as vossas mãos, não assobieis para o lado como se não fosse nada convosco. Não. Não os mandeis embora. Alguns desfalecerão pelo caminho, outros não têm como comprar alimento. Ponde mãos às obras e procurai soluções para lhes dardes de comer. Também de pão vive o homem.

       3 – Perante os milhentos problemas das sociedades seremos tentados pelo desânimo. Não há soluções mágicas. Eles que vão embora e resolvam. Estamos disponíveis para ouvir, para lhes falar, mas que podemos fazer? São tantos e com tantos problemas e nós tão poucos e com parcos recursos!

       Dai-lhes vós de comer. Só então os discípulos procuram uma solução ou mais uma justificação: «Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes». Há alguma coisa, mas vão ficar todos com fome!

       Jesus ensina-nos que por mais pequena que seja a semente, pode gerar a grandiosidade, quanto feito com amor, quando o ponto de partida é a bênção. Em vez de olhar à escassez, Jesus olha para o que tem entre mãos e reza. Só na oração o nosso coração se dilata de forma a reconhecermos os outros como irmãos. Jesus "tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos e os discípulos deram-nos à multidão. Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos".

       A bênção faz-nos repartir o que temos. Quando partilhamos, chega para todos e para os que hão de vir. O milagre da multiplicação é também (e sobretudo) o milagre da partilha, da bênção e do amor.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 55, 1-3: Sl 144 (145); Rom 8, 35.37-39; Mt 14, 13-21.

 

13.01.13

Tu és o meu Filho muito amado

mpgpadre

       1 –  A liturgia batismal, na bênção da água, apresenta referências bíblicas nas quais a água está em clara evidência. No relato da criação, melhor, nos dois relatos da criação: Deus faz separar as águas da terra para que haja vida; Deus faz chover para que a vida germine da terra. O episódio sobejamente conhecido do Dilúvio, com Noé e a construção da Barca, sendo a água um elemento destruidor – a humanidade do pecado é submersa – e a mesma água suporta e salva a Arca com Noé e a sua família. A travessia do mar vermelho marca a condenação dos soldados egípcios que a água aniquila, que simbolicamente representam o mal agora levado pela água. A mesma travessia protege o povo eleito, que passa pela água para terra firme, com Moisés. Os filhos de Israel são salvos pela água. Um dos significados possíveis do nome MOISÉS é precisamente “salvo das águas”.

       O episódio que hoje celebrámos – o batismo de Jesus no rio Jordão – é também evocado na bênção da água. João batiza o autor do batismo. É um batismo de penitência, de preparação, pois logo virá Aquele que batizará no fogo e no Espírito Santo.

       A própria palavra – baptizar –, de origem latina, significa mergulhar. O neófito entrava por três vezes na água, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, para que água levasse o homem velho, e dela surgisse o homem novo, nova criatura para Deus.

       2 – Quando lhe perguntam por que batiza se não é o Messias, João sublinha que o seu batismo é sobretudo chamada de atenção, apelo à conversão, à penitência, à mudança de vida. Só um coração atento, humilde, desperto para os outros, poderá reconhecer e acolher Aquele que vem de Deus, o mistério, o divino. Prepara a terra para que a semente lançada encontre o ambiente propício…

       Pressente-se um tempo novo que ora chega com Jesus:

«Eu batizo-vos com água, mas vai chegar quem é mais forte do que eu, do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo». Quando todo o povo recebeu o batismo, Jesus também foi batizado; e, enquanto orava, o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba. E do céu fez-se ouvir uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência».

       Com o batismo de Jesus cumpre-se, simbolicamente, toda a justiça. Sendo filho de Deus, não precisava de ser batizado. No batismo, Jesus garante que em tudo cumpre com a ENCARNAÇÃO, seguindo também os usos e tradições do povo que O vê nascer. Está entranhado na história e no tempo, e não por cima ou à margem.

 

       3 – A vida pública de Jesus arranca a partir do batismo. Como cristãos a nossa vida inicia-se com o batismo, Sacramento de pertença a Jesus Cristo, identificação com a Sua morte e ressurreição, inserção no Corpo de Cristo que é a Igreja. Morremos para o pecado, ressurgimos para a vida nova. Somos, pelo Espírito Santo, novas criaturas.

       O batismo celebra-se todos os dias da nossa vida. O batismo não é um dia de festa, é toda a vida. Dizer SIM com os lábios, de uma vez para sempre, e depois agir como NÃO ao longo da vida quase sempre dá mau resultado.

       Exemplos: quando os noivos dizem SIM de uma vez para sempre e se sentam à sombra da bananeira, como se tudo estivesse garantido a partir desse primeiro momento, vão sair magoados, infelizes e lesados… O SIM não é passivo nem passado, é proactivo, presente, significa cuidar, ouvir, amar, sofrer com o outro, usar de palavras atenciosas, e ter gestos de gratidão e de alegria pela presença do outro, renovando o desejo e o sentimento.

       Os pais para com os filhos. Não basta fazê-los, é preciso cuidar, educar, acompanhar, repreender, elogiar, apontar limites e possibilidades, marcar fronteiras, para que o filho saiba que os pais estão atentos ao que faz, ou deixa de fazer, por que o amam e lhe querem bem, mesmo que tenham os seus defeitos e pecados e por vezes sejam injustos... mas estão presentes, renovando o SIM primeiro todos os dias.

       O SIM que Deus nos dá há de levar-nos a um SIM permanente. Todos os dias somos batizados, renovados, todos os dias ressuscitamos com Jesus Cristo.


Textos para a Eucaristia (ano C): Is 42, 1-4.6-7; Atos 10, 34-38; Lc 3, 15-16.21-22.

 

 

27.03.11

Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é o Salvador do mundo!

mpgpadre

       1 – A nossa vida é uma busca incessante.

       Nas sábias palavras de Blaise Pascal, o homem ultrapassa infinitamente o homem. Ou seja, o nosso corpo, a nossa identidade corpórea-espiritual não nos confina à nossa dimensão biológica, mas portamos connosco um desejo permanente de ir mais longe, para lá de todas as nossas limitações. Diríamos, como crentes cristãos, que a nossa identidade divina nos faz ansiar pelo Infinito, por Deus, a nossa origem, e, como refere Santo Agostinho, o nosso coração anda inquieto enquanto não repousar no Senhor da vida. Numa outra perspectiva: a nossa vida funda-se na ESPERANÇA que mais à frente nos encontraremos numa situação mais favorável, mais compensadora e que nos fará verdadeiramente felizes.

       No fundo, a nossa busca sem fim tem como fim (finalidade) a felicidade que se realizará em plenitude na eternidade mas que experimentamos, e ainda bem, já agora, na nossa vida terrena. Nunca se esgota o nosso desejo de sermos felizes. Por vezes devora-nos na ânsia do prazer imediato, do bem-estar, do comodismo. A felicidade é sempre caminho, compromisso, procura, nunca se esgota nas satisfações biológicas. Há algo maior, a nossa identidade que aponta e nos atrai para Deus.

       2 – O encontro de Jesus com a mulher samaritana é, a este propósito, paradigmático. Para lá do contexto em que acontece – um judeu que fala com uma mulher e ainda para mais estrangeira, inimiga –, o ensinamento categórico de Jesus: a salvação é oferecida a todos os povos independentemente da cultura, da história ou da religião. Uma vez mais, o que importa verdadeiramente não é o ponto de partida, a situação actual em que nos encontramos, mas o caminho que podemos fazer. É uma primeira lição.

       Depois, o diálogo sobre a verdadeira sede e a verdadeira água.

       Jesus diz claramente à mulher samaritana que há uma sede que é bem maior que a sede biológica. Esta precisa de ser saciada e é-o no imediato com água, elemento da natureza. Mas há, em todos nós, uma sede maior, um desejo mais profundo, um sentido para a vida. Como nós, também ela é levada a compreender que muitos acontecimentos na sua vida pessoal, encontros e desencontros, não passaram de tentativas para responder a esta ânsia de felicidade, mas esgotaram-se na brevidade, como quem consome biologicamente os alimentos e precisa de repetidamente se alimentar.

       "Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: ‘Dá Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva"... A água viva que Jesus nos dá sacia a nossa procura, é resposta aos nossos anseios mais profundos, é um sentido para a vida presente. Por aqui sabemos que as satisfações corporais são passageiras como passageiras são as adversidades actuais, o que permanece é o que fazemos por amor, o que nos liga ao outro, o que nos torna irmãos.

       E, por conseguinte, é mais óbvia a resposta que Jesus dá aos seus discípulos quando estes regressam com alimentos: o meu alimento é fazer a vontade de Meu Pai. Vale mais que tudo. Vale sempre. Nem só de pão vive o homem, ainda que aquele seja necessário, mas da Palavra de Deus, que nos impele para a verdade e para a vida.

 

       3 – O povo de Israel experimenta a tentação e o desânimo. Deixa-se vencer pela murmuração contra Deus e contra Moisés. No primeiro Domingo de Quaresma, víamos como Jesus superou as tentações em que o povo fracassou. A referência é e há-de ser sempre: fazer a vontade de Deus.

       Hoje, na primeira leitura, ouvimos a ressonância dos murmúrios do povo. Rapidamente se esqueceu das maravilhas de Deus, la libertação do Egipto. Para que todos se lembrem do dia e do local em que se voltaram contra Deus e contra Moisés,... "chamou àquele lugar Massa e Meriba, por causa da altercação dos filhos de Israel e por terem tentado o Senhor, ao dizerem: «O Senhor está ou não no meio de nós?»" Não apenas para recordar, mas sobretudo para que não vença a tentação, mas a fé em Deus.

       O salmista faz-nos rezar com as palavras de Deus, com o novo desafio: "Quem dera ouvísseis hoje a sua voz: «Não endureçais os vossos corações, como em Meriba, como no dia de Massa no deserto, onde vossos pais Me tentaram e provocaram, apesar de terem visto as minhas obras»".

 

       4 – A nossa busca, o nosso caminho, não se faz de olhos fechados, mas sob a luz de Jesus Cristo. O encontro com Ele reorienta a nossa procura, dá sentido novo à nossa vida. A alegria da Samaritana é contagiante. Em Cristo, ela descobre o sentido da sua existência, e partilha-o com os habitantes da sua cidade. Eles mesmos fazem a experiência de encontro com Jesus, como Messias de Deus: "Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo".

       Não basta ouvir dizer. É fundamental que façamos a experiência de encontro com Jesus Cristo, deixando-O entrar na nossa vida e nas nossas escolhas de bem. Ele não engana.

       "Ora, a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores... Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores".

       É nesta esperança que radicamos a nossa vida crente, a nossa procura, o desejo de sermos felizes, experimentando a felicidade em cada gesto de perdão, de amor e de bem.

_________________________

Textos para a Eucaristia (ano A): Ex 17,3-7; Sl 94 (95); Rom 5,1-2.5-8; Jo 4,5-42.

 

15.10.10

Mestre para o aluno: vive como as flores!

mpgpadre

Num antigo mosteiro budista, um jovem monge perguntou ao mestre:
- Mestre, como faço para não me aborrecer com as pessoas? Algumas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes, sinto ódio vindo das que são mentirosas e sofro com as que me insultam.
- Vive como as flores. – aconselhou o mestre.

Não foi nenhum pessimista que descobriu o segredo das estrelas, ou  que navegou para terras desconhecidas, ou que abriu um novo caminho  para o espirito humano. (Helen Keller)

- Como é viver como as flores? – perguntou o discípulo.

- Repara nas flores. – continuou o mestre, apontando as flores que cresciam no jardim.

O cinico sabe o preço de tudo e o valor de nada. (Oscar Wilde)

- Elas nascem na terra suja, no entanto, são puras e perfumadas.

Nas profundezas do Inverno aprendi que havia em mim um Verão  invencivel. (Albert Camus)

- Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, sem permitir que o azedume da terra manche a frescura das suas pétalas.

A maior descoberta da minha geração é o Homem poder alterar a sua  vida alterando simplesmente a sua atitude mental. (James Truslow Adams)

- É justo angustiares-te com as tuas próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros te importunem. Os defeitos deles são deles e não teus.

Não há trabalhos menores, apenas atitudes menores. (William John  Bennett)

- Rejeita todo o mal que vem de fora e aceita todo o bem que venha até ti.

Uma atitude positiva poderá não resolver todos os nossos problemas  mas aborrecerá um número suficientes de pessoas para valer a pena o  esforço. (Herm Albright)

- Quando o conseguires, estarás a viver como as flores.

 

Retirado do blogue "A Árvore de Pérola", a partir do nosso Caritas in Veritate.

02.12.09

O cesto, a água e... a Palavra de Deus

mpgpadre

       Um discípulo chegou para seu mestre e perguntou:

       - Mestre, por que devemos ler e decorar a Palavra de Deus se nós não conseguimos memorizar tudo e com o tempo acabamos esquecendo? Somos obrigados a constantemente decorar de novo o que já esquecemos.

       O mestre não respondeu imediatamente ao seu discípulo. Ele ficou olhando para o horizonte por alguns minutos e depois ordenou ao discípulo:

       - Pegue aquele cesto de junco, desça até o riacho, encha o cesto de água e traga até aqui.


        O discípulo olhou para o cesto sujo e achou muito estranha a ordem do mestre, mas, mesmo assim, obedeceu. Pegou o cesto, desceu os cem degraus da escadaria do mosteiro até o riacho, encheu o cesto de água e começou a subir. Como o cesto era todo cheio de furos, a água foi escorrendo e quando chegou até o mestre já não restava nada.

       O mestre perguntou-lhe:

       - Então, meu filho, o que você aprendeu?

       O discípulo olhou para o cesto vazio e disse, jocosamente:

       - Aprendi que cesto de junco não segura água.

       O mestre ordenou-lhe que repetisse o processo. Quando o discípulo voltou com o cesto vazio novamente, o mestre perguntou-lhe:

       - Então, meu filho, e agora, o que você aprendeu?

       O discípulo novamente respondeu com sarcasmo:

       - Que cesto furado não segura água.

       O mestre, então, continuou ordenando que o discípulo repetisse a tarefa. Depois da décima vez, o discípulo estava desesperadamente exausto de tanto descer e subir as escadarias. Porém, quando o mestre lhe perguntou de novo:

       - Então, meu filho, o que você aprendeu?

       O discípulo, olhando para dentro do cesto, percebeu admirado:

       - O cesto está limpo! Apesar de não segurar a água, a repetição constante de encher o cesto acabou por lavá-lo e deixá-lo limpo.

       O mestre, por fim, concluiu:

       - Não importa que não consiga decorar todas as passagens da Bíblia que você lê, o que importa, na verdade, é que, no processo, a sua mente e a sua vida ficam limpas diante de Deus.

Blogado a partir de "Entre Amigos".

Blogado também no nosso: Caritas in Veritate.

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