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07.04.18

Meu Senhor e Meu Deus!

mpgpadre

1 – O regresso de Jesus faz-nos regressar a casa, já não como refúgio, mas como encontro e festa!

A prisão, o julgamento, a condenação e a morte de Jesus como malfeitor deitaram por terra as melhores expectativas. A HORA da morte é para Jesus a hora do encontro com o Pai; é para os discípulos, e para nós, discípulos deste tempo, hora de treva e de escuridão, de desilusão. Tudo está consumado! Diz Jesus! Ou está completo! Para nós, todavia, com a morte de Jesus, tudo está acabado.

Apetece-nos dizer: ainda bem que tudo acabou! Até Maria, Sua Mãe, há de ter ficado aliviada por ver que tanto sofrimento chegou ao fim. É a história de Jesus. É também a história dos nossos dramas, quando o sofrimento, que nos bate à porta, pela doença, pela solidão, pela morte de um familiar, é tão grande que parece que o coração nos salta do peito!

Mas é só uma parte da história! Jesus está de volta! Aquele que deu tudo, amando-nos até ao último fôlego, é assumido pelo Pai que no-l'O devolve inteiro, ressuscitado, já não circunscrito às coordenadas do espaço e do tempo, mas na vastidão do Céu. Pode agora fazer-Se presente em todo o lugar, em todo o tempo, a todas as gerações! «A paz esteja convosco. A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós. Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

Recebei o Espírito, sede instrumento de perdão e de vida nova.

Jesus_e_Tomé.jpg

2 – Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre! O Crucificado é o Ressuscitado! Duas partes da mesma história, a de Jesus e a nossa: o mal e o bem, a doença e a saúde, a morte e a vida, o sofrimento e a festa, as trevas iluminadas pela luz. Ao colocar-Se no meio de nós, Jesus mostra as marcas da Paixão, as marcas do Seu amor. A luminosidade da Ressurreição não anula as chagas da entrega. Ele vem com o todo o Seu amor! É o amor de antes, é o amor fixado na eternidade que ninguém poderá destruir, pois nem a morte foi suficiente para lhe colocar um ponto final.

Jesus mostra as mãos e o lado! Sou Eu. Não é um fantasma! Um espírito a vaguear pelo mundo! Sou Eu, o mesmo que vos amei até ao limite das minhas forças humanas e até ao infinito do Pai. Amor que nos faz participantes da vida divina e nos envia aos outros.

O compromisso é para todos, ainda que cada um de nós tenha o seu ritmo. Somos feitos da mesma carne, do mesmo barro, mas livres, diferentes, com capacidades e insuficiências específicas! Alguns estão num processo de conversão mais amadurecido. Outros precisam de caminhar mais, como Pedro quando nesta manhã de Páscoa foi ao sepulcro com o discípulo amado. A Pedro exigiu-se mais esforço, pois o distanciamento foi maior. Também Tomé! Ele não estava presente naquela hora. Quem está fora da comunidade não vê Jesus com clareza. A clareza do testemunho é importante, mas é indispensável o encontro com Jesus em comunidade. É preciso estar, é preciso ver, ver com os olhos da fé. Oito dias depois Jesus volta novamente a colocar-Se, de forma visível, no MEIO da comunidade, no meio dos discípulos, estando presente também Tomé que tem, então, oportunidade de ver as chagas e o lado de Cristo e comprovar por si mesmo o que os outros discípulos já tinham visto e testemunhado.

 

3 – A fé não é castradora, mas capacita-nos para acolhermos o mistério da Sua presença. Com Tomé, a fé em Cristo, morto e ressuscitado: «Meu Senhor e meu Deus!».

O desafio de Jesus remete-nos mais além: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». É necessário ver as chagas e o lado aberto de Jesus nas chagas e no sofrimento dos irmãos. Como Eu vos fiz, fazei vós uns aos outros. Eu lavei-vos os pés, dei-vos o exemplo, para fazerdes do mesmo modo.

Reconhecer que Jesus é o nosso Deus e Senhor nem sempre é fácil, sobretudo se o dissermos, não da boca para fora, mas de coração, pois imediatamente nos "obriga" a reconhecê-l'O nos mais pobres e naqueles que nos aborrecem!


Textos para a Eucaristia (B): Atos 10,34a.37-43; Sl 117 (118); Col 3,1-4 ou 1 Cor 5, 6b-8; Jo 20,1-9.

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