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Jun 16
publicado por mpgpadre, às 12:01link do post | comentar
MARCIN KORNAS (2016). Irmã Faustina. A Santa da Misericórdia. Lisboa: Paulus Editora. 168 páginas.

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Com o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco, e que decorre de 8 de dezembro de 2015 (Solenidade da Imaculada) a 20 de novembro de 2016 (Solenidade de Cristo Rei), o estudo e reflexão à volta das 14 Obras da Misericórdia, mas também o estudo de Santos que sublinharam nas suas vidas e escritos, a mensagem da misericórdia divina. Santa Faustina está na primeira linha, como discípula e apóstola da misericórdia de Deus.

Canonizada a 30 de abril de 2000, pelo Papa João Paulo II, que instituiu o Domingo da Divina Misericórdia, no segundo domingo de Páscoa, e que corresponde a uma dos desejos de Jesus, nas revelações da Santa Faustina. A Igreja demoraria 69 anos a concretizar o pedido de Jesus. Com efeito, o papa João Paulo II, também polaco, está ligado à misericórdia e à descoberta de Santa Faustina Kowalska. Uns anos antes, publicou a Carta Encíclica Dives in Misericordia (Rico em misericórdia), de 30 de novembro de 1980, preparando o caminho para a sua canonização.

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Nasceu em Glogowiec, na Polónia central, no dia 25 de Agosto de 1905, de uma família camponesa de sólida formação cristã. Desde a infância sentiu a aspiração à vida consagrada, mas teve de esperar diversos anos antes de poder seguir a sua vocação. Em todo o caso, desde aquela época começou a percorrer a via da santidade. Mais tarde, recordava: "Desde a minha mais tenra idade desejei tornar-me uma grande santa".
Com a idade de 16 anos deixou a casa paterna e começou a trabalhar como doméstica. Na oração tomou depois a decisão de ingressar num convento. Assim, em 1925, entrou na Congregação das Irmãs da Bem-aventurada Virgem Maria da Misericórdia, que se dedica à educação das jovens e à assistência das mulheres necessitadas de renovação espiritual. Ao concluir o noviciado, emitiu os votos religiosos que foram observados durante toda a sua vida, com prontidão e lealdade. Em diversas casas do Instituto, desempenhou de modo exemplar as funções de cozinheira, jardineira e porteira. Teve uma vida espiritual extraordinariamente rica de generosidade, de amor e de carismas que escondeu na humildade dos empenhos quotidianos.
O Senhor escolheu esta Religiosa para se tornar apóstola da Sua misericórdia, a fim de aproximar mais de Deus os homens, segundo o expresso mandato de Jesus: "Os homens têm necessidade da minha misericórdia".
Em 1934, Irmã Maria Faustina ofereceu-se a Deus pelos pecadores, sobretudo por aqueles que tinham perdido a esperança na misericórdia divina. Nutriu uma fervorosa devoção à Eucaristia e à Mãe do Redentor, e amou intensamente a Igreja participando, no escondimento, na sua missão de salvação. Enriqueceu a sua vida consagrada e o seu apostolado, com o sofrimento do espírito e do coração. Consumada pela tuberculose, morreu santamente em Cracóvia no dia 5 de Outubro de 1938, com a idade de 33 anos.
João Paulo II proclamou-a Beata no dia 18 de Abril de 1993; sucessivamente, a Congregação para as Causas dos Santos examinou com êxito positivo uma cura milagrosa atribuída à intercessão da Beata Maria Faustina, e no dia 20 de Dezembro de 1999 foi promulgado o Decreto sobre esse milagre.

Neste livro, que parte do Diário da Irmã Faustina, o autor guia-nos ao longo da sua vida, como se fosse uma espécie de blogue, com diferente entradas, cronológicas mas também temáticas, mostrando as decisões, as aparições, a dificuldades, as respostas de Jesus, a inserção à Igreja, e o forte apelo à conversão dos pecadores, mensagem semelhante à de Fátima e ao pedido feito por Nossa Senhora aos Pastorinhos. A misericórdia é o mais alto atributo de Deus. A justiça é um atributo mas que fica aquém da misericórdia divina. Mais que o pecado, importa confiar em Jesus, predispondo-se à confissão e à mudança de vida. Da imagem que Jesus solicitou se fizesse, dois raios, um branco, sangue e água. Ambos os raios saem das entranhas de misericórdia de Jesus, quando na Cruz, o Seu coração foi trespassado com um lança. O raio pálido refere-se à justificação das almas, o o raio de sangue é a vida das almas.

Outro aspeto que sobressai deste livro-blogue e da mensagem comunicada à Igreja e ao mundo, através de Santa Faustina é a confiança em Deus. Na Imagem que Jesus pediu, uma inscrição a acompanhar a mesma: Jesus, eu confio em Vós.

De salientar também o testemunho de Anna Golędzinowska, modelo, que andava pelas conhecidas passarelas de Milão. Após a Conversão, refugia-se em Medjugorje e toma contacto com o Diário da Irmã Faustina, através dela descobre o valor e o sentido do perdão e da misericórdia. "Depois de nove dias do meu jejum em Medjugorge, tinha na mão o Diário e no fundo do coração escutei uma voz que me falou com nitidez: «Deixa tudo e vem Comigo». Deixei então tudo e fui atrás dessa voz. Assim Jesus deu-me uma vida completamente nova".

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Anna Golędzinowska nasceu a 22 de outubro de 1982, em Varsóvia, Polónia. Em 1999 foi para Itália, vindo a descobrir que tinha sido vítima de um grupo de crime organizado internacional de tráfico de pessoas. Ajudou a identificá-los e a levá-los à justiça. Iniciou então a carreira de modelo. Participou com muitos programas de televisão. Uma visita a Medjugorge mudou-lhe a vida. Em 2011, em Medjugorge, ficou a morar numa comunidade mariana, dedicando-se ao silêncio e ao trabalho. Juntamente com um sacerdote, Renzo Gobbi, fundou um movimento, Coração Puro, que promove a castidade pré-matrimonial. Escreveu o livro "Salva do Inferno". Casou em 2014 e continua a participar em encontros com jovens, apontando ao ideal de viver em conformidade consigo próprio e com Deus.


Caríssimo, no texto que comento, anuncia a experiência de Anna Golędzinowska. Por isso, acreditamos que pessoalmente esteja de acordo com ela. Gostaria me elucidasse, a propósito do livro da ex-modelo, "Salvar do Inferno", se o senhor, pessoalmente, no mais fundo do seu Ser, se acredita no Inferno. E se sim, onde recolhe o fundamento para esse acreditar nas palavras de Jesus?. Grato. Mário
Mário Pereira a 6 de Agosto de 2016 às 17:24

Saudações fraternas. Claro que sim. Ao longo da Sua vida, e na Mensagem proclamada, Jesus é bem claro quanto à necessidade de conversão, de escuta da vontade do Pai, de tentar a "porta estreita" porque largas sãos as estradas da perdição, num apelo constante a que cada um de nós cuide, use de misericórdia.
O Juízo Final, de São Mateus (25) é claro, o que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos é a mim que o fazeis... Apartai-vos malditos para o fogo eterno... Em todo o caso, e aí sim, o medo do inferno é uma mensagem por de mais redutora, devemos é temer ser desagradáveis a Quem amamos e a quem nos ama.
A doutrina Católica sobre o Inferno é clara, apoiando-se no Evangelho. Mas mais importante é a Misericórdia de Deus. Acreditar no Inferno é levar a sério Deus e é reconhecer que Deus nos leva a sério na nossa liberdade e responsabilidade.
A fé salva-nos, une-nos a Deus, projeta-nos para a eternidade, mas passa pela comunhão, pelo cuidado, pelo serviço aos outros. A ligação é vertical e horizontal.
Refira-se, ainda, que a Igreja Católica diz também claramente, desde Trento, que ninguém pode afirmar que há alguém que esteja condenado ou no Inferno, pois não se pode, de todo, limitar a Misericórdia de Deus. Mas também se diz claramente que Deus respeita a liberdade humana. Se por hipótese, alguém quiser viver longe de Deus, apesar de Deus, contra Deus, Deus "não pode" obrigar a pessoa a estar perto, em comunhão. Essa é a noção de Inferno professada pela Igreja e em que eu acredito. Possibilidade real de alguém escolher uma vida sem Deus. Há alguém no Inferno? Quem o afirmar é considerado anátema. Como cristãos não devemos preocupar-nos com o Inferno, mas preocupar-nos em dizer e fazer o bem, em amar e cuidar de Jesus nas pessoas que Ele nos confia.
Um exemplo: os pais querem o melhor para os filhos, mas se um filho quiser seguir por um caminho bem diferente e contrário aos desejos do Pai e, eventualmente, àquilo que o tornaria um filho feliz, o pai terá que respeitar o filho, mesmo contrafeito e magoado, a vida é do filho, não do pai. Como na Parábola do Pai Misericordioso, o amor, a misericórdia do Pai é tão intensa e imensa que cancela toda a dívida, todo o pecado, desde que há uma fresta, uma brecha, para Deus nos redimir. E essa é que é a fé da Igreja.
Mas se queremos levar a sério a liberdade e a responsabilidade do ser humano, a possibilidade real do Inferno - vida sem Deus - terá que ser assumida. É uma questão de seriedade.
Como cristão católico, como padre católico, sim professo a fé em Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, no Corpo de Cristo que é a Igreja, na salvação, na misericórdia de Deus como atributo maior, creio na remissão dos pecados, na vida eterna, na ressurreição dos mortos, e na capacidade de, como pessoas, acolhermos ou recusarmos Deus. Deus concorre em tudo para a nossa salvação. Mas há sempre a possibilidade de dizermos não. Se fôssemos obrigados a dizer sim a Deus, não seríamos livres (estávamos de antemão salvos ou condenados - a predestinação é recusada pela Igreja católica, é aceite por algumas Igrejas evangélicas) e não seríamos responsáveis, uma vez que as escolhas não tinham sido nossas... em conclusão não seríamos humanos.
Paz e bem.

sr.padre, ao ler a sua resposta fiquei com duas dúvidas, agradecia se me puder esclarecer.
A primeira dúvida é onde está declarado pela Igreja que é anátema quem "afirmar que há alguém que esteja condenado ou no Inferno, pois não se pode, de todo, limitar a Misericórdia de Deus"? Nunca tinha ouvido falar desse aspecto.

A segunda dúvida é que lendo a sua resposta parece-me um caminho de salvação bastante largo, alguma coisa não devo estar a compreender bem. Se só vai para o inferno quem quiser viver longe de Deus qual foi a necessidade de Cristo vir ao mundo, morrer na Cruz, ressuscitar, dar-nos a Eucaristia em que está presente realmente onde nos alimentamos do Seu Corpo e Sangue, qual é a necessidade de termos a Igreja, o sacerdócio, os sacramentos? Parecem coisas demasiado grandes para uma solução tão simples.
Compreendo que não devemos considerar e muito menos julgar se alguém vai para o inferno, e não devemos fazer as coisas por medo do inferno, Deus dá-nos uma escolha e conseguirá salvar-nos mesmo por uma coisa minima, mas o caminho não me parece assim tão largo, só quem recusar Deus é que não vai para Deus? Para que vamos à missa todos os domingos, ou é celebrada a missa todos os dias? Onde está a consideração sobre o pecado mortal? Se não o considerarmos ficamos pela ideia que só a Fé salva, as obras não têm grande importância.
Francisco a 27 de Dezembro de 2017 às 10:28

Santo Natal. Bom Ano de 2018, abençoado por Deus e traduzido na bênção acolhida, vivida e partilhada.
O Concílio de Trento declarou que quem afirmasse que Judas estava no inferno fosse declarado anátema e assim quem afirmasse o mesmo para alguém em particular.
Quanto à segunda questão o amigo Francisco já respondeu na própria questão. Deus salva-nos, é Pai, cujo atributo maior é a Sua misericórdia infinita. Depois cabe-nos a nós visualizar a condição de redimidos, a fé que se traduz e aprofunda nas obras. Deus faz a Sua parte, derramando graças sobre graças; concorre a nossa liberdade, a nossa adesão, o compromisso com os outros e com o mundo, a certeza de que as obras são fundamentais, exprimem a fé que temos: dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, visitar os presos, acolher os peregrinos, dar pousada aos viandantes... o que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos é a Mim que o fazeis.
Santo Agostinho, se não me falha a memória, acentuava que o "caminho é estreito" não tanto porque Deus o dificulte mas porque são tantas as pessoas que se salvam (144 mil. Mil = multidão; 144 mil multidões e multidões de pessoas, de todos os povos e nações) que o caminho se torna estreito. Obviamente, na fidelidade ao evangelho somos corresponsáveis pela salvação. Novamente Santo Agostinho: Deus criou-nos sem nós mas não nos salva sem nós. Fariseu e publicano: quem já se sente perfeito está a cavar a sua condenação. Jesus Cristo é essencial à nossa salvação. Redime-nos, n'Ele tornámo-nos Filhos adotivos, mas não basta o início, é necessário "mostrar" e testemunhar essa filiação, essa pertença. Bom ano.
mpgpadre a 2 de Janeiro de 2018 às 10:55

Obrigado sr.padre, continuação de um Feliz Natal e um bom ano 2018.

Continuo a achar que damos a ideia de um caminho mais largo do que o que o Evangelho nos pede.
Considerando individualmente é natural termos a esperança na salvação pela misericordia divina mesmo sabendo que somos pecadores, por isso existem as obras de misericordia de rezar pelos vivos e pelos mortos e a obra enterrar os mortos também está relacionado com essa esperança. Mas ao mesmo tempo sabemos que os mandamentos não são apenas ideais, não os cumprir já é sair do caminho, para além da necessidade de termos Caridade para e com Deus e o próximo, o que está bastante relativizado.
Por isso acho que considerar a esperança na salvação pela misericordia divina de uma forma geral acaba por dar ideia de uma salvação universal, que não existe. Vendo à nossa volta tanta falta de Fé, indiferença em relação a Deus, aos sacramentos e à Igreja, a mensagem de que existe a possibilidade de salvação pela misericordia divina pode dar uma falsa sensação de que está tudo bem, essa é uma possibilidade mas por ser uma possibilidade contém o risco de não ocorrer.

Ao mesmo tempo não poderemos estar perto de tentar a Deus ao indicarmos que não podemos colocar limites à misericórdia divina?
Não queremos nem temos de colocar limites mas no Evangelho e a Igreja sempre indicou o que é para cumprir, ignorando isso e indicando que não podemos colocar limites à misericordia divina enquanto as pessoas vivem como se Deus não existisse não se estará perto de ser tentar a Deus pois se Ele não usar da misericórdia estará a assumir um limite?
Como na tentação do diabo quando Cristo foi para o deserto em Mateus 4,5-7:
"Então, o diabo conduziu-o à cidade santa e, colocando-o sobre o pináculo do templo, disse-lhe: «Se Tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo, pois está escrito:
Dará a teu respeito ordens aos seus anjos; eles suster-te-ão nas suas mãos para que os teus pés não se firam nalguma pedra.»
Disse-lhe Jesus: «Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus!»".

Para com os baptizados que embora não negando explicitamente Deus vivem indiferentes a Deus, aos sacramentos, à Igreja, aos mandamentos e a qualquer noção de pecado não deviamos ter mais Caridade e chamar para o caminho, alertando para os perigos e deveres, pois colocam em risco a salvação? Corrigir quem erra e ensinar os ignorantes são obras de misericórdia.
Muitas vezes a mensagem não chega até eles e quando chega apenas lhes pede solidariedade e fraternidade entre os Homens, podemos cair numa situação de termos obras sem Fé. Outras vezes chega uma mensagem sobre Deus como Pai misericordioso e bem mas como nosso Pai também temos deveres para com Ele e essa parte não nos chega, por exemplo os 3 primeiros mandamentos e até o 4 dado que é nosso Pai.
Temos ainda a questão da Eucaristia em que grande parte perdeu a Fé na presença real e esqueceu o Santo Sacrifício, por Caridade para com Deus não O deixando esquecido e para com o próximo não o deixando com fome do alimento de vida eterna e com sede da fonte de água viva não poderiamos chamar as pessoas para a Verdade, para não se deixarem levar por uma ideia de que está tudo bem, que basta criar um mundo melhor e sermos boas pessoas?
Diz o concilio vaticano II na sacrosanctum concilium 48 "os fieis aprendam a oferecer-se a si mesmos, ao oferecer juntamente com o sacerdote, que não só pelas mãos dele, a hóstia imaculada" e da instrução Eucharisticum Mysterium de 1967 "Os fiéis participam mais plenamente neste sacramento de acção de graças, propiciação, petição e louvor, não só quando oferecem de forma sincera a Vítima Sagrada, e nela, ao Pai com o sacerdote, mas também quando recebem a mesma Vítima sacramentalmente", mesmo entre quem vai regularmente à missa quantos fazem/conhecem isto? Não podiamos ensinar estas coisas, ajudar as pessoas a aprenderem a oferecerem-se no Santo Sacrifício e a receber e reconhecer o Senhor presente realmente? Dar a Deus para recebermos de Deus, não O deixar esquecido como se tudo se resumisse a nós.

Coloco estas interrogações de uma forma geral, a Bispos, sacerdotes e fiéis, ao sr. padre primeiro agradeço possibilitar conversar e colocar no blogue as dúvidas.
Francisco a 3 de Janeiro de 2018 às 13:04

sr.padre, posso colocar uma reflecção sobre o subjectivismo religioso? Gostava de saber a opinião do sr.padre e o que podemos fazer para melhorar a evangelização.
Tenho de dividir em 3 comentários para ser aceite no blogue, desculpe colocar um comentário tão longo.

Onde existe subjectivismo religioso na nossa evangelização que ajuda a uma generalização desse subjectivismo:

- Não anúnciamos claramente que existe uma só Verdade: "a Igreja anuncia a mensagem de salvação aos que ainda não têm fé, para que todos os homens venham a conhecer o único Deus verdadeiro e o Seu enviado, Jesus Cristo, e se convertam dos seus caminhos pela penitência" (Sacrosanctum concilium 9), existe a ideia que existem diferentes verdades e caminhos, que Jesus será a melhor manifestação de Deus mas que existem outras.

- Deus é Amor mas o amor não é Deus. Deus é um Ser real e concreto, é a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo em perfeita comunhão, não é um sentimento. São João na sua primeira carta explica qual é esse Amor em que devemos permanecer: "E o amor de Deus manifestou-se desta forma no meio de nós: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que, por Ele, tenhamos a vida" (1 João 4,9). Assim o Amor verdadeiro é amarmos como o Seu Filho para que recebamos a Vida de Deus (aqui na Terra na medida em que é possível e no Céu plenamente). O subjectivismo que vivemos indica que basta amar mas não nos indica que amor é esse, alguém que ama sobretudo as riquezas e satisfazer todos os seus desejos e só depois disso ama o próximo permanece no amor mas é esse o amor de Deus? Amar o próximo é fundamental e aí permanece-se no amor mas esquecendo Deus, tendo obras sem Fé, estamos no amor de Deus?
São João no seu Evangelho explica como é amarmos como Cristo: "É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei. Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos." (João 15, 12-13) e "Assim como o Pai me tem amor, assim Eu vos amo a vós. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu, que tenho guardado os mandamentos do meu Pai, também permaneço no seu amor." (João 15, 9-10), assim vêmos que não é apenas amor, é amar a Deus e ao próximo, fazendo não a nossa vontade mas a de Deus, partilhar o Seu amor, ter os sentimentos de Cristo (humildade, serviço, paciência, etc.), praticar o bem a todos e ver as coisas e situações com o olhar de Deus, com misericórdia, justiça e santidade.

- No subjectivismo existe a ideia de que todos vamos para o Céu ou que isso não é assunto importante. No entanto a Igreja sempre ensinou e continua a ensinar que fora da Igreja não existe salvação, havendo apenas a excepção dos casos em que a pessoa não pode receber o Evangelho e conhecer a Igreja. Assim, relativizar a Fé e os sacramentos é colocar em risco a salvação. Esquecemos que os sacramentos e a redenção são obra da misericórdia de Deus, do Seu Amor, relativizar a salvação é ignorar a misericórdia que nos é oferecida querendo ir ainda mais longe.

(1/3)
Francisco a 11 de Janeiro de 2018 às 12:06

- Existe a ideia que o exemplo da santidade dos Santos é coisa do passado, que a santidade é viver um compromisso de humanismo cristão, de forma ampla, irrestrita, ecuménica, englobando toda a humanidade, todas as religiões, todos os homens e todas as mulheres de boa vontade. No entanto a Lumen gentium continua a dar-nos os Santos do passado como exemplo: "Assim crescerá em frutos abundantes a santidade do Povo de Deus, como patentemente se manifesta na história da Igreja, com a vida de tantos santos" e que isso é realizado tendo Jesus como mestre e modelo "Jesus, mestre e modelo divino de toda a perfeição, pregou a santidade de vida, de que Ele é autor e consumador, a todos e a cada um dos seus discípulos, de qualquer condição: «sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito» (Mt. 5,48)", "A todos enviou o Espírito Santo, que os move interiormente a amarem a Deus com todo o coração, com toda a alma, com todo o espírito e com todas as forças (cfr. Mc. 12,30) e a amarem-se uns aos outros como Cristo os amou (cfr. Jo. 13,34; 15,12).". A santidade é termos os sentimentos de Cristo e praticarmos o amor a Deus e ao próximo. E como podemos ter santidade sem Deus, sem nos formarmos na Sua Vontade com indica São João: "Sabemos que o conhecemos por isto: se guardamos os seus mandamentos. Quem diz: «Eu conheço-o», mas não guarda os seus mandamentos é um mentiroso e a verdade não está nele; ao passo que quem guarda a sua palavra, nesse é que o amor de Deus é verdadeiramente perfeito; por isto reconhecemos que estamos nele. Quem diz que permanece em Deus também deve caminhar como Ele caminhou." (1 João 2,3-6).

- Actualmente existe a ideia que ser cristão é criar um mundo melhor praticando um humanismo cristão ao mesmo tempo que se esquece o pecado original, que o espirito do mundo não é o espirito de Deus e que existe um antagonismo entre o mundo e o reino de Deus. Cristo explica que existe esse antagonismo: "Entreguei-lhes a tua palavra, e o mundo odiou-os, porque eles não são do mundo, como também Eu não sou do mundo. Não te peço que os retires do mundo, mas que os livres do Maligno. De facto, eles não são do mundo, como também Eu não sou do mundo." (João 17, 14-16) e São Paulo indica que a lógica do mundo nos afasta de ver brilhar a Luz: "Se, entretanto, o nosso Evangelho continuar velado, está velado para os que se perdem, para os incrédulos, cuja inteligência o deus deste mundo cegou, a fim de não verem brilhar a luz do Evangelho da glória de Cristo, que é imagem de Deus." (2 Cor 4,3-4). Assim temos que Cristo veio não para que sejamos felizes como cada um é, para apenas criarmos um mundo de paz e solidariedade. Ele veio para nos dar uma vida nova diferente da do mundo, no baptismo renascemos para a vida de Deus, já não vivemos como dantes, "Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. E a vida que agora tenho na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus que me amou e a si mesmo se entregou por mim." (Gl 2, 20). Criar um mundo melhor, em paz e solidariedade é apenas uma parte do reinado de Cristo em nós, faz parte mas não é o fim em si.

(2/3)
Francisco a 11 de Janeiro de 2018 às 12:07

Este subjectivismo reflecte-se na prática na relativização de:

- A Santa Missa passa a ser vista apenas como uma celebração da comunidade em vez de ser "viver outra vez a paixão e a morte redentora do Senhor. É uma teofania: o Senhor torna-se presente no altar para ser oferecido ao Pai pela salvação do mundo" (Papa Francisco, audiência geral 8/11/2017), um oferecimento de acção de graças, propiciação, petição e louvor, uma oferta a Deus e na qual nós somos os beneficiários dessa oferta, realizada por Cristo, com Cristo e em Cristo.

- Comungar a Hóstia Sagrada é considerado como fazendo parte da celebração da comunidade em vez da participação plena neste sacramento ser "não só quando oferecem de todo o coração a Vítima Sagrada, e nela eles mesmos, ao Pai com o sacerdote, mas também quando recebem a mesma vítima sacramentalmente." (instrução Eucharisticum Mysterium 25/05/1967), ser uma comunhão com Cristo presente realmente em Corpo, Alma e Divindade, é Deus que vem fazer em nós morada e a partir dessa união e de nos formarmos em Cristo formarmos a união com o próximo no mesmo Corpo.

Obrigado, desculpe novamente colocar um comentário tão longo.
Que podemos fazer para que ajudemos as pessoas a serem um só com Deus, "para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti; para que assim eles estejam em Nós e o mundo creia que Tu me enviaste." (João 17, 21)?
Francisco a 11 de Janeiro de 2018 às 12:11

se vir que existe alguma coisa errada nos comentários pode-me indicar, não sei tudo e posso estar errado.
É só para se poder reflectir no que fazer perante tanta indiferença para que "eles estejam em Nós e o mundo creia que Tu me enviaste".
Francisco a 17 de Janeiro de 2018 às 11:50

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