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21.10.17

«Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus»

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1 – «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus». Segundo o sacerdote e teólogo espanhol, José Antonio Pagola, os pobres são de Deus, não são de César. Não podem ser instrumentalizados pelos poderes, pelo debate político-partidário. Os pobres são filhos queridos, amados de Deus, que ninguém pode utilizar para se promover, para disputar lugares. É um compromisso de todos. A começar pelos seguidores de Jesus, os seus discípulos, que nesta HORA somos nós, eu e tu. Não podemos olhar para o lado à espera que alguém resolva. Como disse alguém acerca dos incêndios que assolaram o país e ceifaram a vida a mais de uma centena de pessoas, destruindo sonhos, projetos, famílias, destroçando comunidades, todos temos um quinhão de responsabilidade. Também para com os pobres.

A dimensão moral vem depois. Não ajudamos esta pessoa ou aquela família porque merece. Emocionalmente prontificamo-nos a ajudar quem faz pela vida. Temos dificuldade em ajudar quem espreguiça a vida e está sempre à espera de ser ajudada, dispensando-se a qualquer esforço.

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2 – A armadilha lançada a Jesus é ardilosa. Os judeus estão colonizados pelo grande império romano. É sabido que a elevada carga de impostos gera pobreza, servidão, exige elevados sacrifícios e privações. Muitas vezes os são uma arma de arremesso. Os ricos safam-se com alguma facilidade, pelo que têm e pelas influências que vão granjeando. Os pobres nem têm bens nem têm como se defender das exigências. Os fariseus e os herodianos parecem colocar-se ao lado dos pobres. Devemos ou não pagar os impostos ao imperador? Não pagando, a carga que pesava sobre os mais desfavorecidos seria aliviada. Porém, alguns impostos destinam-se às castas dirigentes, beneficiam os amigos de Herodes e todos aqueles que circulam perto do poder. Se quisessem ajudar os mais pobres renunciavam ou diminuíam os impostos para o Templo, abdicando de alguns privilégios.

Se Jesus respondesse que não se deveria pagar tributo ao imperador seria acusado de instigar à revolta. Se dissesse que se deveria pagar, então sancionava uma situação insustentável de pobreza.

 

3 – Para responder, Jesus devolve a pergunta: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Ora, nas moedas está o rosto de César e assim Jesus lhes responde lapidarmente: «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».

Jesus confronta-os com a hipocrisia com que se apresentam a armar-lhe mais uma tramoia. Surgem sorrateiramente. Como sói dizer-se, perguntar não ofende, depois logo se vê a resposta. Sabem que estão a tramar Jesus, a colocá-l'O entre a espada e a parede. Ele terá que responder sim ou sopas! Para Alguém que Se rodeia de pelintras e convive com pobres, doentes, coxos, cegos, leprosos só pode estar contra o poder e contra medidas que dificultem a vida a quem tem muito pouco.

O Mestre dos Mestres já tinha repreendido os seus discípulos pela disputa de lugares e de poder: quem entre vós quiser ser o primeiro seja o servo de todos. Os chefes das nações exercem o seu poder como senhores sobre os demais; o poder dos discípulos é o serviço. Jesus não entra em debates filosóficos ou políticos. Aponta o jeito de ser discípulo: servir amando, amar servindo, gastando a vida. Os poderes políticos têm os seus ritmos e os seus tempos e na ordenação das sociedades são necessários. Diz Jesus a Pilatos: nenhum poder terias se não te tivesse sido dado! Também César devia agir em lógica de serviço e de cuidado, mas essa é a missão primordial dos discípulos de Jesus que hão de levar essa dinâmica a todos os recantos do mundo, a todas as dimensões da vida.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 45, 1. 4-6; Sl 95 (96); 1 Tes 1, 1-5b; Mt 22, 15-21.

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