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08.02.22

Célia Correia Loureiro – DEMÊNCIA

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CÉLIA CORREIA LOUREIRO (2019). Demência. Porto: Coolbooks. 464 páginas.

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Surpreendente. Esta é uma obra que se lê de fio a pavio, para quem gosta de ler e para quem aprecia romances intensos. A escrita é criativa, com descrições vívidas, intensas, capazes de fazer suster a respiração, de querer avançar para a próxima página, para o capítulo seguinte para descobrir o que se segue.

A história passa-se no interior norte, entre duas aldeias, Ferreirós e Tonda, perto de Tondela. Pelo meio ainda uma referência, que é mais familiar, a vinda dos personagens a Lamego, o um concerto dos Xutos & Pontapés.

A história desemboca no ano de 2008, com os finais da mesma no ano seguinte, porém faz-nos recuar algumas décadas, sobretudo aos anos 70, 80 e 90 do século vinte, mas também ao tempo de Salazar e do Estado Novo.

A demência da D. Olímpia, que começa a esquecer partes da sua história pessoal, sobretudo os anos mais recentes, é a menor das demências; os preconceitos, o machismo, os juízos apressados, as conivências, a violência doméstica, são demências muito maiores e mais destrutivas. Esta é uma história de tirar a o fôlego, daquelas em que nos sentimos trama, capaz de resultar num excelente filme.

Um crime hediondo, uma mulher mata o marido. Sem conhecer as razões, o contexto, uma aldeia condena a esposa, antes de ouvir a sua história e depois de o tribunal a declarar inocente. Mas algo de mais grave está para acontecer, depois de Letícia ter voltado para Ferreirós, para casa da D. Olímpia, sua sogra.

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Célia Correia Loureiro nasceu em Almada, em 1989. É Guia-Intérprete Nacional e Técnica de Turismo. Fala Italiano, Inglês e Francês. Gosta de gatos e de crepes com Nutella. De todas as cidades que visitou, é por Siena que morre de amores. De todos os autores que leu, destaca John Steinbeck por As Vinhas da Ira, e está sempre disposta a dispensar mais quatro horas da sua vida ao visionamento de E Tudo o Vento Levou. Demência foi o seu primeiro romance publicado, em 2011. É um livro que continua a ser-lhe muito próximo, por ser um grito de revolta contra as circunstâncias da mulher portuguesa no século XX, e da mulher ainda vulnerável, isolada e silenciada pelos bons-costumes, no mesmo contexto de ruralidade, em pleno século XXI.

 

Contracapa:

"Numa pequena aldeia beirã, duas mulheres de gerações diferentes leem o seu destino nas mãos de um mesmo homem: Letícia foi vítima de um marido ciumento e manipulador, e Olímpia é a mãe extremosa desse agressor.

Mas quando Letícia regressa para assistir Olímpia, aos primeiros sinais de demência, os traumas que traz na bagagem ameaçam estilhaçar o silêncio conivente dos aldeões. Ainda que ostracizada, Letícia esforça-se por esquecer os tumultos do seu casamento, enquanto Olímpia pede ajuda ao amigo de infância, Sebastião, para reconstruir as próprias memórias e entender o que se passou com o seu único filho.

Demência traz-nos, através das vivências destas duas mulheres, a dura realidade de um Portugal rural e ainda tendencioso, e faz-nos repensar o significado de família e de comunidade, de inocência e de culpa".

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