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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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27.04.12

Casa: onde é possível encontrar Deus nos gestos

mpgpadre

       Casa de Nazaré, casa bendita, casa onde se fala ao coração: o amor sob cada silêncio, a esperança sob cada medo, a poesia dos gestos quotidianos, os olhos simples sobre as coisas, o instante que empalidece no eterno e o eterno que germina em cada instante. Casa: onde é possível encontrar Deus nos gestos.

       Casa de trabalho e de repouso: «Em paz me deito e adormeço tranquilo nos braços de Deus» (cf. Sl 3,6; 4,9). Quase um terço da vida nos braços de Deus.

       Casa onde se fala ao coração. Jesus é o mais forte (Mc 1,7), diz João Batista: porque é o único que fala ao coração do homem, que toca o centro do humano. O profeta antigo invocava: «Falai ao coração de Jerusalém» (Is 40,2). Quantas vozes falam à nossa volta: muitos falam aos instintos do homem e fazem ressoar somente as suas cordas mais graves; poucos falam à sua inteligência e ajudam-no a compreender. A voz de Deus é a única que fala ao coração e atinge o centro do homem. Esta é a sua força...

 

       Naquela casa aprendeu a palavra. Cada menino que nasce, ainda antes de começar a compreender, é alimentado com palavras, cumulado de palavras. De repente, os seus pais falam-lhe e não para lhe fornecer noções. Introduzem-no na vida, levam-no com braços de palavras, introduzem-no no seu amor à força de palavras. Torna-se humano este mar de palavras.

       Isto fará a Palavra de Deus connosco: faz-nos humanos, conduz-nos à vida, introduz-nos naquele amor que é a vida de Deus.

 

ERMES RONCHI, As casas de Maria

24.02.12

55. Carpe Diem. Vive o presente

mpgpadre

Carpe Diem. Vive o presente.
Cada dia tem as suas próprias preocupações.
O tempo não volta, gastemo-lo bem. Foi-nos dado gratuitamente.

Vive hoje, sem a ansiedade e o medo paralisante do futuro.
O futuro só a Deus pertence. Deus providenciará.
Façamos a nossa parte, o que está ao nosso alcance.
Não esperemos pelo amanhã para viver, para nos comprometermos, para modificarmos na nossa vida o que sabemos nos levará a bom termo. Nem esperemos pelo ontem que já foi.

CARPE DIEM:
A expressão popularizada é da autoria de Horácio, poeta romano (65-8 a.C.). Segundo a Wikipédia, quer dizer: "Colhe o dia presente e sê o menos confiante possível no futuro".
A expressão no contexto: "Enquanto estamos falando, terá fugido o tempo invejoso; colhe o dia, quanto menos confiada no de amanhã".

Jesus, no Evangelho, desafia os seus discípulos a viver no tempo atual, presente, sem medo do amanhã, confiando em Deus, mas não deixando a vida ao acaso, empenhando-se na edificação do Reino de Deus e da Sua justiça. O mais providenciará Deus.
"O vosso Pai celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isso. Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo. Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia o seu problema" (Mt 6, 33-34).
Depois de ensinar a oração do Pai-nosso, referindo que não é o número das palavras que conta, mas a disponibilidade para acolher o Deus que vem e de realizar na sua vida quotidiana a vontade de Deus, Jesus insiste para que os seus seguidores, embora de olhar fito nas alturas, estejam comprometidos com os irmãos no tempo que passa.

A expressão anterior - carpe diem - é utilizada em vários sentidos: "gasta a vida enquanto podes", "aproveita enquanto és novo", "goza agora que não sabes o dia de amanhã". Neste sentido pode ser mesmo um convite a desperdiçar o tempo presente, como se o de amanhã nos fosse roubado. É uma expressão para justificar também os excessos...
Mas é o mesmo Deus que nos garante o dia de hoje e o dia de amanhã.
Num sentido cristão, este é um convite a "desfrutar" com alegria o dia de hoje, a potenciar a nossa vida, a comprometer-nos agora, a dar-nos aos irmãos, a realizarmos o que está ao nosso alcance sem esperarmos que outros o realizem, ou que com o tempo alguém se lembre de fazer ou de resolver.

O tempo que não volta...
Ainda que haja situações idênticas, o tempo e a história não e repetem. Por mais que quiséssemos e por mais esforços que façamos o passado não volta. Não nos pertence.
Somos e (re)conhecemo-nos pelas referências aos tempos idos. Somos pessoas, com memória, com raízes, como já vimos por aqui... Não é possível a pessoa de hoje, sem a de ontem, e até mesmo sem se projetar no amanhã. Aliás, se menosprezássemos o passado, a história, seria uma enorme ingratidão para com as pessoas que nos precederam. A história não se compadece com os ingratos, a anulação da memória destrói a vida da pessoa, da família e da comunidade.

A melhor gratidão que prestamos à história e aos nossos antepassados, é a abertura ao futuro, à novidade. Eles rasgaram horizontes que nos permitem viver com muita comodidade, uns mais que outros. Puseram os seus talentos a render. Preparam o futuro (que é o nosso presente) com o seu engenho e esforço. Hoje cabe-nos a nós.
Não sejamos reféns do passado, parasitas do tempo. O tempo não pára. Não volta. O tempo atual é nossa, é graça de Deus. Não esqueçamos os que vieram antes e o que nos legaram. Agora é a nossa vez de construir e preparar o nosso futuro e o futuro dos vindouros.

Vivamos o hoje com alegria e confiança. Aguardemos que o amanhã nos dê a oportunidade de cimentarmos o que hoje semeamos.
Obviamente que a esperança no amanhã, e o compromisso com o hoje, não esconde a dificuldade que muitos têm de enfrentar. Pessoas com situações pessoais, familiares, profissionais preocupantes, sem horizonte, sem um vislumbre de segurança.
Porém, há situações que uma atitude de desânimo não ajuda, pelo contrário só complica o que já de si é complexo e delicado.

NB - Vive hoje com intensidade, sendo generoso consigo e com as pessoas que lhe estão mais próximas. A página que não preencher hoje, não a terá amanhã. Amanhã terá uma página inteirinha para escrever.

10.02.12

41. OUVIR, FALAR, AMAR.

mpgpadre

OUVIR, FALAR, AMAR.

A Compreensão é a única força de mudança.

Hoje partimos do título de um livro da conhecida jornalista e escritora Laurinda Alves, à conversa com o Pe. Alberto Brito, sacerdote jesuíta (sj), edição da Oficina do Livro. É um dos livros que recomendámos nas nossas notas do facebook.

A Laurinda Alves não precisa de apresentação, mas para quem desconhece pode sempre consultar o seu blogue pessoal: Laurinda Alves - A Substância da Vida.

O Pe. Alberto Brito orientou - esta é uma nota mais pessoal -, o nosso retiro de diaconal e sacerdotal. Melhor dizendo, em Agosto de 1998, eu, e os colegas padres, António José Ferreira, Leontino Alves, e José Manuel Correia, realizamos o retiro de preparação para "recebermos" os sacramentos da Ordem, eu de Diácono e eles de Presbítero, ainda que os 4 sejamos do mesmo curso de Seminário, mas por opção adiei um pouco mais...
Lembro-me perfeitamente de uma das conversas finais, na casa dos Jesuítas em Braga, com o Pe. Alberto. Disse-lhe claramente, e no que dizia respeito a avançar para o sacerdócio, que não tinha tirados dúvidas, pelo contrário, levava/trazia mais dúvidas, mais questões. Ao que ele respondeu - corresponde a respostas dadas também no livro/entrevista com Laurinda Alves -, que não tinha mal, por que as dúvidas me acompanhariam ao longo de toda a vida e que era benéfico quando as pessoas se interrogam, mesmo que não tenham respostas para tudo. Mas mesmo que as dúvidas persistam, a maturidade levar-nos-á a tomar uma opção. Sem medo.

Deixemos esta perspetiva mais pessoal (mas se calhar foi uma das razões que mais rapidamente me levaram a decidir comprar o livro, embora seja leitor da Laurinda Alves), para nos fixarmos nestas três palavras, ou três realidades importantes na nossa vida.

Ouvir/escutar, "porque ouvir os outros é a maior escola da vida". Escutar com o coração, prestar atenção não apenas ao que a pessoa diz e à sua história de vida, mas à pessoa em si mesma. Diz o Pe. Alberto que se nos fixarmos apenas nas histórias das pessoas e não nas pessoas, ficamo-nos pela fofoquice. Ficar-nos-íamos pelo ouvir, como se estivéssemos a ouvir um rádio e não uma pessoa concreta.

Falar. É assim que a comunicação acontece, é "a comunicar e a dialogar que nos entendemos e que se constroem relações". Temos uma boca e duas orelhas/ouvidos. Escutámos com interesse, a história da pessoa, mas sobretudo escutar com atenção o que a pessoa é, o que a pessoa sente, o que a pessoa vive, ouvindo o seu grito, o seu desabafo, acolhendo a sua partilha. Pode não ser fácil... queremos falar mais que escutar... queremos que alguém nos escute, nos compreenda, que por vezes esgotámos o tempo com as nossas palavras e não escutámos a pessoa que está diante de nós, como apelo e desafio. Quem não ouve, ou não quer ouvir, corre o sério risco de ficar a falar sozinho.

Amar, "porque é a partir da aceitação de nós próprios e dos outros que tudo é possível". Escutámos a pessoa, comunicamo-nos como irmãos, para acolhermos e aceitarmos os outros, aceitando-nos também a nós como pessoas, cidadãos, filhos de Deus. Como diz o Pe. Alberto, o que nos separa e divide não são as ideias ou as crenças, mas os sentimentos. O maior desejo do ser humano, de todo o ser humano, é amar e ser amado. E o maior medo é ser rejeitado pelo(s) outro(s). A escuta e a comunicação visam aproximar-nos dos outros, com amor, com paixão, celebrando a vida.

Enquadra-se aqui outra realidade: a compreensão. "As pessoas quando se sentem compreendidas, mudam". É o que pode resultar da escuta que ama, das palavras que se tornam comunicação amistosa, dos sentimentos que se partilham e se acolhem.

Seja/sê ouvinte (escutador não tanto de estórias, mas das pessoas que estão perto de ti); fala do que te vai na alma; confia, estimulando os outros à confiança, a libertarem-se do medo; ama, com toda a tua alma, faz do(s) outro(s) a tua casa, o teu refúgio, tendo sempre como horizonte originário e final o Senhor Deus.

08.02.12

39. Curiosidade «» dúvida «» humildade «» confiança «» sabedoria.

mpgpadre

Curiosidade «» dúvida «» humildade «» confiança «» sabedoria.

A humildade coloca-nos na rota de Deus e dos outros, abre a nossa mente, o nosso coração, a nossa vida, às qualidades, dons e sabedoria que nos chega através dos outros, do mundo, das experiências, inspirações, dos conselhos, da sabedoria popular, da leitura, do encontro com pessoas, da vivência partilhada da existência.
Mas com a humildade relacionam-se outras propriedades que são importantíssimas para cresceremos como pessoas, cidadãos, crentes, procurando que a sabedoria ilumine as nossas escolhas, projetos, os nossos sonhos, e nos faça acolher o inevitável e transformar o que está ao nosso alcance.
Sábio não é o que sabe tudo, o que sabe mais coisas. Sábio é aquele que está sempre disponível para aprender, para acolher, para amar, para ser amado, para ser instrumento de ligação aos outros, ao mundo e a Deus. Sábio não é o que tem um curso superior, ou tem muitos contactos, que tem um canudo, ou viajou pelo mundo inteiro. Sábio é o que quer escutar os outros, quer compreender o mundo à sua volta, que dispõe a sua vida para acolher o mistério que vem do alto, que vem de Deus. Sábio é o que reconhece os seus erros e ainda assim caminha. É o que não desiste, mesmo que por vezes tenha que recuar, recomeçar, voltar a tentar. Sábio é aquele que reconhece que está a caminhar, que ainda não chegou à meta, que ainda está longe. Sábio é aquele que se dispõe a servir a Verdade. Sábio não é o que não peca. Sábio é o que está disponível para acolher o perdão.
Sábio é o que se deixa encantar com as pequenas coisas da vida, momentos sublimes do nascer ou do por do sol, o sorriso de uma criança ou os malabarismos de um gato. Sábio não é aquela pessoa séria, sisuda, que dita sentenças. Sábio é aquele que sabe rir de si mesmo, e sorrir diante dos seus disparates, e que procura estar atento a tudo o que o rodeia.
Sábio não é o que atingiu um grau de conhecimento superior, ou está moralmente acima de qualquer suspeita. Sábio é aquele que cultiva a arte da dúvida, da curiosidade, da interrogação, que está sempre em busca, procurando aprender com tudo e com todas as situações.
O sábio não e aquele que não muda porque atingiu a perfeição. Embora um provérbio chinês diga que só não mudam os sábios e os estúpidos. Coloquemo-nos entre uns e outros, a caminho... Sábio é, antes, aquele que procura aperfeiçoar todos os aspetos da sua vida e mantém aberta a mente para acolher situações novas e poder contribuir para a transformação do mundo.

A curiosidade na criança é o ponto de partida para aprender, para descobrir, para compreender o mundo que a rodeia. Sem curiosidade não haveria conhecimento, muito menos haveria sabedoria.
Sublinhe-se de novo que o sábio não é o que não tem dúvidas, mas aquele que vive nas dúvidas, procurando ser feliz e contribuir para a felicidade dos outros, fazendo a ponto. A dúvida é específica do ser humano. Somos ser inacabados, Mas que beleza, como somos inacabados temos a oportunidade de crescer sempre mais, até ao Infinito, até à eternidade de Deus.
Sábio não é aquele que tem respostas para tudo, mas aquele que questiona (quase) tudo, que se interroga constantemente e ao mundo que o rodeia.
Sábio não é aquele que tem todas as certezas, mas aquele que não se deixa abater pelas dúvidas e incertezas e procura acertar o seu caminho, para o sábio cristão, procura acertar o seu caminho pelo de Jesus Cristo.

Maria interroga o Anjo quando este lhe anuncia que vai ser Mãe do Filho de Deus: "Como será isto se não conheço homem?"
A interrogação faz parte da procura, da escuta, do nosso peregrinar.

A humildade trabalha lado a lado com a sabedoria. A arrogância e a sobranceria, o orgulho individualista, o egoísmo levam à morte, à destruição, à solidão. A sabedoria não afasta, não isola. O sábio não é aquele que se fecha no seu casulo, como se estivesse num patamar superior, imperturbável. Sábio é aquele e aquela vive com os outros, procura os outros, procura superar as suas dúvidas, procura amar, deixa-se amar, procura a beleza, a alegria, e sabe que a sua fragilidade é um ponto de contacto com a humanidade e não um estorvo.

"Só sei que nada sei... e quanto mais sei, mais sei que nada sei". É o ponto de partida do sábio grego Sócrates. É o ponto de partida de Descartes. Há de ser esta a nossa sabedoria, quanto mais caminhamos mais a certeza que estamos distantes da perfeição, da santidade, da sabedoria. Isso não nos desanima. Pelo contrário, é sinal de jovialidade, ainda há caminho a fazer na nossa vida.

Mais tarde ou mais cedo, a curiosidade leva-nos à interrogação, a dúvida leva à humildade, esta à abertura ao outros, à aceitação dos dons do outro, leva a uma atitude de confiança, de despojamento, de entrega, de acolhimento.

Não tenhamos medo da dúvida. Não receemos que a humildade nos possa despojar da nossa identidade. Não cessemos de buscar - peregrinos da verdade... Podemos ser sábios, não por sermos melhores que os outros, ou termos mais conhecimentos práticos ou científicos, podemos ser sábios quando a nossa alma se despoja de preconceitos e se abre aos outros, pronta para a amar e acolher o amor dos outros e do Outro (Totalmente Outro »» Totalmente Próximo)

12.01.12

12. PAI-NOSSO que estais na terra.

mpgpadre

PAI-NOSSO que estais na terra.
Pai-nosso aberto a crentes e a não crentes.
José Tolentino Mendonça, sacerdote poeta.
Pai-nosso que estais na terra é mais um título e mais um livro do Pe. Tolentino.
Deus é Pai, isso nos diz claramente Jesus Cristo.
Em definitivo um Pai que nos acompanha na terra.
Ainda continuamos a olhar para Deus como Juiz, poderoso e distante, alheio ao mundo e ao homem, como que sentado em Seu trono de onde comanda a vida do universo inteiro, mas alheio e despreocupado.
A oração do Pai-nosso é um exemplo simples, envolvente, com que Jesus nos ensina a rezar, mas também a tratar Deus por Pai, pedindo-Lhe que atenda às nossas necessidades.
O Pe. Tolentino Mendonça, para quem conhece, para quem o lê, habitou-nos a uma linguagem simples, envolvente. Também na reflexão que faz da ORAÇÃO que Jesus reza connosco.
A prioridade é DEUS. Iniciamos a oração dirigindo-nos ao Pai, do Céu e da terra, que está em toda a parte. É Pai de todos. Em causa, nesta oração, está sobretudo Deus e a imagem que temos de Deus.
Reconhecer Deus como Pai nosso, é reconhecer a Sua proximidade e a nossa pertença comum.
Rezar o Pai-nosso, assumi-lo, implica-nos na prática do bem e da caridade, reconhecendo que somos irmãos. Não pedimos para Deus nos resolver os problemas, mas para que seja nosso alimento, dando-nos força e discernimento para vivermos no caminho do bem.
Eis que venho, Senhor, para fazer a Vossa vontade.
É a oração e a opção de vida de Jesus.
Ele vai à frente como Bom Pastor.
Nós seguimos na Sua peugada.

Quando nos faltam as palavras... Ele continua a escutar o nosso coração.
Quando já nem no silêncio percebemos a Sua presença, Ele continua a visitar-nos.
É o nosso alimento. A vida de Cristo é a plenitude da entrega, do amor de Deus por nós. Também ali, no alto da Cruz, com Jesus nos sentimos desamparados - porque Me abandonaste? Também nós temos vontade de dizer - se é possível afasta de mim este cálice!
Mas também com Jesus aprendemos a colocar-nos nas mãos de um Pai que nos quer bem: faça-se a Tua vontade.
Ele mesmo Se torna o nosso pão de cada dia.

O PAI está no início da oração do Pai-nosso, o MAL está no fim.

Quanto mais nos afastamos de Deus, do Pai, mais nos aproximamos do mal. Lembremo-nos da parábola do Filho pródigo. De repente, o apelo de um mundo longe do Pai,... até ao dia em que se apercebe que a distância faz perigar a sua vida. Afinal a felicidade estava mesmo ali, em casa, junto do Pai.
Também a nossa vida está segura junto ao Pai, de todos nós. Ele que não fica no Céu distante, mas está em toda a terra que sustenta os nossos pés, o nosso andar.
Deixemos que Ele seja verdadeiramente o nosso Pai. Vivamos nessa certeza. Alimentemo-nos desta pertença e quando nos faltarem as forças, quando não tivermos palavras, que o nosso coração possa ainda balbuciar: PAI, que estais na minha vida, vinde, socorrei-me e salvai-me, para que não me perca nas distâncias da vida que me dás e renovas constantemente a Tua vida em mim.

11.01.12

11. Só Deus é DEUS

mpgpadre

Só Deus é Deus.
Deus e a idolatria.
Religião e Maçonaria.
(Im)perfeição humana: ilusão e desilusão.
Só Deus é Deus. Só a Deus devemos considerar Deus. Só a Ele a nossa adoração.
O ser humano, por mais perfeito que seja, é sempre humano, limitado e finito.
A Sagrada Escritura diz-nos que Deus criou o ser humano pouco abaixo dos anjos, criou-os para se tornarem deuses. Mas a mesma Bíblia faz uma clara separação de águas. Deus é Transcendente, Criador. O ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, é chamado à comunhão com Deus, a aperfeiçoar-se, a assemelhar-se a Deus, com a mesma capacidade de amar e ser amado.
Por um lado, a nossa identidade liga-nos a Deus, trazemos em nós os gérmenes do divino. Por outro lado, vem ao mundo para nos ensinar a viver humanamente.
Se reconhecermos que esta ou aquela pessoa, esta ou aquela ideologia, podem ser absolutizadas, embarcamos no que se chama idolatria. Esta pode referir-se a adoração de uma pessoa, de uma ideologia, de um aspeto da vida.
Quando se exclui Deus, facilmente, assim pensamos, se substitui por outro Deus, por outro absoluto. Se olharmos para a história, os que foram endeusados ou que se endeusaram, tornam-se ditadores, assassinos, corruptos, violentos. E assim também, o foram em nome de ideologias.
Reconhecer que só Deus é Deus e que o ser humano é ser humano ajuda também a viver as nossas relações humanas com mais facilidade. Havemos de olhar para o outro como rosto de Deus, para o respeitarmos, para o amarmos. Mas sem absolutos. Continua a ser pessoa. Em qualquer altura pode errar. Errar é humano.
Religião e maçonaria.
Deixando de lado as polémicas que se têm acentuado, com maçonaria que considera a religião como ponto de partida e de chegada e a maçonaria a-religiosa, laica, dois pontos de contacto importantes:
a) Ordem existente. Reconhecimento de "ALGO", Alguém. Pode recusar-se Deus, e as estruturas e dogmas e ritos que orientam as religiões tradicionais, mas vai-se a ver e afinal a maçonaria tem regras bem rígidas (ou dogmáticas), estruturas formais, ritos rigorosos, degraus, hierarquia, estruturas de obediência e de poder.
b) Na Igreja, na maçonaria, nos grupos, em movimentos, associações, fundamentadas em regras voluntariosas, mas que se concretizam muitas vezes na imposição. Quando a tentação do poder ultrapassa o serviço ao semelhante, à sociedade, aos mais frágeis, os fins para os quais surgiram desaparecem. Importa, também aqui, a vigilância, a atenção, para não se "cair" rapidamente naquilo que se procurava combater. É necessário um discernimento constante.

Do que se disse até aqui, um outra acentuação.
Reconhecer Deus como Deus - só Ele é perfeito - reconhecer o ser humano na sua imperfeição e finitude, para viver saudavelmente com os outros.
Se apostarmos na perfeição de alguém, mais cedo ou mais tarde, podemos magoar-nos profundamente. A pessoa não é Deus. Não é omnipotente, todo o poderoso, omnisciente, omnipresente.
Quando pensamos que nos encontramos diante de uma pessoa perfeita devemos saber que poderemos estar diante de uma pessoa boa, generosa, humilde, honesta, mas não diante de alguém infalível.
Podemos iludir-nos, porque procurávamos alguém assim, alguém perfeito, alguém que superasse a nossa imperfeição, ou nos completasse, alguém que não nos desiludisse, alguém em quem não se encontrassem os defeitos e as limitações que tínhamos encontrado no passado. Mas a ilusão pode dar lugar à desilusão, à mágoa.
Augusto Cury lembra-nos para não depositarmos demasiada confiança nas pessoas.
Não significa que não se aposte nas pessoas, ou que não se confie nelas, mas não ao ponto de as considerar como a Deus, pois na volta a mágoa poderá ser destrutiva.
Há que confiar, vivendo humanamente, na procura pela superação, pedindo a Deus o discernimento para escolhermos o que nos liga aos outros, o que nos realiza como pessoas, e como filhos de Deus.

08.01.12

8.º DIA da nova criação.

mpgpadre

8.º DIA da nova criação.
A criação fica completa ao 7.º dia.
Como víamos ontem. o sete tem o significado, no mundo judaico, de perfeição, plenitude. Para nós cristãos, existe o 8.º dia da nova criação, que coincide com o primeiro dia da semana. Jesus ressuscita no primeiro dia da semana, é um tempo novo, com Ele, com a Sua ressurreição, despontam os novos céus e a nova terra, como lugar de encontro com o melhor de nós mesmos, Jesus coloca a nossa humanidade à direita de Deus Pai, de onde nos atrai.
Nas grandes solenidades celebramos a Oitava - Natal, Páscoa - oito dias como se um só dia se tratasse, sublinhando a grandeza do nosso dia na presença de Deus.
Este 8.º dia do ano, coincide com o Domingo (oitavo e primeiro dia da semana: nova criação, no seu primeiro dia).
Em Portugal, a Igreja celebra a Epifania do Senhor, a adoração dos Magos diante do Menino Deus, do Deus que Se faz Menino.
Oito dias, oito desafios que os Magos nos colocam (vd a nossa proposta de reflexão para este dia).

 

1. Abertura aos outros.

Os Magos, sábios daqueles e estes tempos, são pessoas atentas, despertas, disponíveis para ouvir, para aprender, para descobrir "coisas" novas. Não olha apenas para si mesmos. Se assim fosse não veria a luz de uma nova estrela no Céu. Olham para as alturas, para o infinito.

Quando nos fechamos, debruçando-nos sobre nós próprio, individualmente ou mesmo como família (de sangue), desligados de todas as comunidades, quando chega a "tragédia" - pode ser a doença, a solidão, a perda de alguém - não há casa onde refugiarmos o nosso espírito, um ombro amigo, um lugar de paz e de encontro, de refúgio.

2. Caminhar. O caminho faz-se caminhando.
Com os Magos aprendemos a sair do nosso espaço de conforto para irmos ao encontro dos outros, imiscuindo-nos no mundo de que fazemos parte. Não perdem muito tempo a discutir a origem da estrela, ou se os seus olhos, cansados da idade, estão a ver bem. Põem-se a caminho. Saem dos palácios e dos lugares de conforto a que tinham acesso por serem sábios, requisitados para ajudarem em escolhas, e agraciados pelos conselhos. Vão, partem, há desafios maiores.

 

3. Não desistir diante das dificuldades.

O caminho não está isento de dificuldades. Há caminhos mais fáceis que outros, pelo caminho ou pela pessoa que o percorre. Mas nunca isentos de dificuldades, de problemas, ainda não estamos no paraíso. Também os magos enfrentarão a chuva, a dúvida, os atalhos, o desânimo. Na cidade de Jerusalém perdem o norte, a orientação, deixam de ver a Estrela. Mas não desistem, até que de novo reencontram a luz, a estrela que os levará a Belém. Há momentos na nossa vida que parece que nada nos corre bem, não confiamos em ninguém, às vezes duvidamos até de nós mesmos, não vemos senão a treva. Os magos convidam-nos, apesar de tudo, a seguir,logo veremos um rasto de luz que nos conduzirá à luz verdadeira.


4. Participar de um Reino de Deus sem fronteiras, o Reino de Deus.

Existem os nossos reinos, a nossa vida pessoal e familiar, e depois existem reinos maiores, que nos desafiam a ultrapassar os limites da nossa casa, da nossa família, desta ou daquela comunidade, deste ou daquele partido ou grupo, há algo maior que não se esgota no nosso mundo. Os magos partem por um REINO maior que está a despontar. Deixemos-nos surpreender por Deus, por tudo o que nos envolve na transformação do mundo.


5. Colocar o coração no ESSENCIAL, em Deus. Adorar a Deus e a Deus só.
Na continuação do desafio anterior. Colocar a nossa vida naquilo que não perece. Onde estiver o nosso tesouro, aí estará o nosso coração. Os magos colocam o seu coração aos pés de Jesus. Estão ao serviço de reis e de governadores, mas com o olhar aberto, com o coração pronto para servir o Rei dos Reis, Aquele que é origem e fim de todas as coisas, o Salvador do mundo. Se colocarmos a nossa confiança última nas coisas, em alguma pessoa, partido, líder social ou cultural, mais tarde ou mais cedo podemos ser surpreendidos pela desilusão. Lembremos daquele homem que servia a mais bela das rainhas. Quando ela morreu, pôde ver que estava reduzida a um esqueleto. Onde estaria a beleza que o levou até ela? Então decidiu servir a BELEZA que não se esgota, que não se apaga. Obviamente, a adoração de Deus levar-nos-á a servir os nossos semelhantes.


6. Experimentar a alegria, deixando-se surpreender pelo que a vida nos vai dando.

Com os magos devemos experimentar a alegria do encontro. Deixarmo-nos contagiar pelas pequenas coisas que a vida nos dá. Se estivermos sempre à espera de ganhar a lotaria para sermos felizes, porque é lotaria, pode nunca nos calhar em sorte. Então não deixemos a alegria e a felicidade em mãos alheias, experimentemos a alegria com o que somos, com as pessoas que fazem parte da nossa vida, e com o compromisso com o bem e a verdade, na construção de um mundo habitável para todos.


7. Dar o melhor de nós mesmos.

Os magos levam os presentes mais valiosos que têm. E nós? Demos o melhor que temos, a Jesus, ou, se a fé ainda não nos envolve, demos o melhor de nós mesmos em cada momento. Não perdemos nada. Quanto mais nos damos, por causas, por projetos voluntariosos, mais ganhamos. Os dons valem na medida em que os recebemos e que os transformamos em dons para os outros. Mesmo que haja momentos em que nos sintamos descompensados, não cessemos de dar o melhor de nós mesmos, a melhor compensação é a certeza de que cumprimos com o que estamos ao nosso alcance, procurando ultrapassar o limite que nos afastaria dos outros, do mundo, de Deus.


8. Regressar à nossa vida por outro caminho.

Quando regressam, os Magos tomam outro caminho. Não são mais os mesmos. O encontro com a LUZ, com a fonte de toda a luz, transforma-os para sempre. É uma experiência vital, decisiva. O encontro com Jesus Cristo - como todo e qualquer encontro - há de transformar-nos, de preferência, positivamente. Experimentemos encontrar-nos com Jesus, descobrir a alegria desse encontro, deixando-nos converter por Ele.

05.01.12

5. CONFIANÇA.

mpgpadre

CONFIANÇA.
Por mais voltas que se deem, a confiança é essencial para a sobrevivência da humanidade, para a harmonia dos povos, para o entendimento das famílias, para o equilíbrio afectivo/emocional, é fundamental para a amizade, para o amor, para um lazer saudável e para o trabalho/profissão compensador.
Sem confiança, quase nos atreveríamos a dizer, que não há vida. Se há, não há qualidade de vida, pois o mundo dos afectos, das relações humanas, familiares, sociais, profissionais, precisam da confiança como o caminhante do deserto precisa da água para sobreviver...
PASSADO | PRESENTE | FUTURO.
Por mais voltas que possamos dar ao texto, para que a evolução cronológica existam e se interliguem precisamos de assentar e partir da confiança, nas pessoas e nas instituições. Quando se mina a confiança, destrói-se a rede que nos liga ao passado, ao presente e ao futuro.
Em relação ao PASSADO, por mais que este possa ser doloroso, é inevitável, pessoal e socialmente, que nos guiemos pela confiança. Confiamos nos nossos pais. De contrário teríamos que fazer (ainda agora) testes de paternidade/maternidade. Confiança no que nos dizem e na forma como nos protegem. Se não confiássemos (em geral) no que os nossos pais, e outras pessoas próximas, nos comunicaram e no que fizeram por nós, teríamos que recomeçar a vida desde (pelo menos) o dia que nascemos. Também assim socialmente. Há progresso, porque os que vêm depois confiam nos que vieram antes e nas descobertas que fizeram. A história (é sempre interpretação daqueles que a escrevem) exige um acto de confiança. de contrário não teríamos forma de estruturar a história do nosso país, da europa ou do mundo. Teríamos que refazer tudo o que estivesse para trás. A pessoa tem e precisa de memória. Esta dá-nos as ferramentas para vivermos hoje, conhecimentos, bens materiais e culturais, estruturas, instituições, habitação, alimento, deslocação. Tem a ver também com a interdependência que nos liga à vida. Quando acordamos, quantas pessoas trabalharam para nós?
Em relação ao PRESENTE, o único tempo que nos pertence verdadeiramente, e que podemos influenciar com as nossas palavras e com o nosso compromisso, só confiando, também aqui, em pessoas e em instituições, é possível viver.
No mundo dos afectos, pessoais e familiares, ou partimos da confiança, ou apostamos na confiança, ou viveremos em constante sobressalto, em conflito, em choque. Se desconfiamos permanentemente, a ansiedade e a angústia, a dúvida e o medo, tomarão conta de nós. Não haverá espaço forrarmos a nossa casa interior.
Não havendo confiança, nos outros, na sociedade, como é que podemos sair à rua? Como é que podemos acreditar em quer que seja. A "não-confiança" (desconfiança) levar-nos-á ao egoísmo: só nós é que sabemos, não precisamos de ninguém, não conseguimos olhar ninguém de frente. Seria uma tragédia. Mesmo as pessoas mais desconfiadas têm de ter um elevado grau de confiança nos outros e nas instituições. Não é possível de outro modo. Voltamos à interdependência ou se quisermos ao chamado "efeito borboleta", o que fazemos e o que os outros fazem altera o mundo em que vivemos. Contamos com os outros. Eles cotam connosco. Só assim a humanidade pode sobreviver.
Em relação ao FUTURO - só a Deus pertence.
Tenho dificuldade em perceber como é que um descrente ou um não crente pode acordar de manhã com disposição, com alegria, para mais um dia. A descrença leva ao cinismo. Saliente-se, com efeito, que há muitas pessoas magníficas que não são crentes, mas que fazem da sua vida um hino de louvor. Muitas vezes a sua descrença não é em relação a Deus, mas em relação às representações (falsas) do mesmo.
Acreditar em Deus, depositar confiança n'Ele, permite-nos viver para a frente. Se Deus existe, e existe na minha, na tua vida, então tudo é possível. O amanhã não será uma incerteza angustiante. O que nos espera, sendo de Deus, será sempre bom. Claro que o futuro (como o presente) não está isento de sofrimento. mas quem disse que o sofrimento é negação do amor, da vida, da felicidade. Muitas vezes é um caminho, um desafio, uma chamada de atenção...
Estamos no início de 2012... não te deixes, não se deixe, afoguear pela desconfiança. Aposte, confie, acredite. E sempre em DEUS.

08.07.11

Maria José Nogueira Pinto: NADA ME FALTARÁ (2)

mpgpadre
       Encontrei a Zezínha Nogueira Pinto pouco depois de ela saber que estava gravemente doente. Ao dizer-lhe que podia contar com as minhas orações, ela agradeceu e sorriu com um ar tão jovial, que até parecia que estávamos a falar de uma coisa boa… 
        Impressionou-me, sobretudo, a certeza serena que ela tinha. E foi, talvez perante o meu silêncio, que então me explicou que não rezava a Deus pela sua cura, mas para que a ajudasse a dizer sempre que sim. “Porque” – disse ela – “ou tudo isto em que acreditamos é verdade, ou então não faz sentido o que andamos a dizer”.
        Quando nos despedimos, ainda acrescentou: “Sabe o que também me ajuda a abraçar esta cruz? O modo como o nosso João Paulo II viveu o sofrimento”!
       Assim foi. Tal como o grande Papa polaco, a Zezinha não se escondeu por estar doente, nem disfarçou a sua fragilidade, ensinando-nos deste modo, a abraçar todas as circunstâncias que Deus nos dá, “confiando no melhor”.  
        Mas que tipo de confiança é esta?... A resposta partilhou-a ela com todos, no último artigo que a própria escreveu, publicado ontem postumamente:  “Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará”.

Aura Miguel, in Rádio Renascença.

07.07.11

Maria José Nogueira Pinto: NADA ME FALTARÁ

mpgpadre

       A última crónica de Maria José Nogueira Pinto, no Diário de Notícias, com o título: NADA ME FALTARÁ. A fé no momento da despedida, quando já não havia esperança para este mundo, a esperança na eternidade de Deus.

       "Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.

       Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.

       Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.

       Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo.Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.

       Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou  - mesmo quando faltava tudo.

       Regressada a Portugal, concluí o meu curso e iniciei uma actividade profissional em que procurei sempre servir o Estado e a comunidade com lealdade e com coerência.

       Gostei de trabalhar no serviço público, quer em funções de aconselhamento ou assessoria quer como responsável de grandes organizações.  Procurei fazer o melhor pelas instituições e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Nunca critérios do sectarismo político moveram ou influenciaram os meus juízos na escolha de colaboradores ou na sua avaliação.

       Combatendo ideias e políticas que considerei erradas ou nocivas para o bem comum, sempre respeitei, como pessoas, os seus defensores por convicção, os meus adversários.

       A política activa, partidária, também foi importante para mim. Vivi-a com racionalidade, mas também com emoção e até com paixão. Tentei subordiná-la a valores e crenças superiores. E seguir regras éticas também nos meios. Fui deputada, líder parlamentar e vereadora por Lisboa pelo CDS-PP, e depois eleita por duas vezes deputada independente nas listas do PSD.

       Também aqui servi o melhor que soube e pude. Bati- -me por causas cívicas, umas vitoriosas, outras derrotadas, desde a defesa da unidade do país contra regionalismos centrífugos, até à defesa da vida e dos mais fracos entre os fracos. Foi em nome deles e das causas em que acredito que, além do combate político directo na representação popular, intervim com regularidade na televisão, rádio, jornais, como aqui no DN.

        Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.

       Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.

       Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.

 

MARIA JOSÉ NOGUEIRA PINTO

in Diário de Notícias.

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