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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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04.01.17

VL - E tudo se renova… ressuscitando!

mpgpadre

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       As Portas da Misericórdia encerram-se mas não a Misericórdia divina. Como referiu o nosso Bispo, na Solenidade de Cristo Rei, no passado dia 20 de novembro, o encerrar das Portas recorda-nos a urgência de ir e levar a misericórdia a toda a gente, a todo o mundo.

       No Arciprestado de Moimenta da Beira-Sernancelhe-Tabuaço, a Caminhada do Advento, proposta às paróquias que o constituem, sintonizando com o plano pastoral diocesano e com a liturgia dominical, inicia com uma porta fechada, para impedir os ladrões de entrar. No decorrer da Eucaristia, a porta abre-se para que Jesus entre, deixando que Ele nasça na nossa vida. Fechamo-nos ao mal, a todo o tipo de guerra, dispomo-nos à paz, a construir, a viver as obras de misericórdia, a despertarmos do sono para saborearmos o DIA que irradia com a vinda de Cristo.

       O Advento é tempo de graça e salvação. Sendo um tempo novo, o Advento não se desfaz do que está antes, mas dá-lhe o colorido da festa que se aproxima, comprometendo-nos mais, fazendo-nos recordar a razão da nossa esperança e do nosso compromisso com os outros. Preparamo-nos para celebrar o aniversário de Jesus. Não é algo que se repita. Nada se repete na nossa vida. Cada instante conta. Cada segundo. É a minha, a tua, a nossa vida. Todos os momentos são importantes. Todos os minutos valem!

       Um ciclo finda, outro se inicia, entrelaçando-se no anterior e projetando-nos para o futuro, em espiral. Nos textos da liturgia (cf. Mt 24, 37-44), Jesus a desafia-nos à vigilância para que a Sua vinda não passe despercebida como no tempo de Noé, em que as pessoas comiam e bebiam, casavam-se e davam em casamento e só se aperceberam do dilúvio quando este chegou. Era tarde demais!

       Jesus anuncia aos seus discípulos um tempo novo que está a chegar, aproxima-se a Sua morte. Logo advirá a Sua ressurreição, inaugurando, em plenitude, um Reino novo, de paz e de misericórdia, de justiça e de amor. Naquele tempo, o mistério da Sua morte e da Sua ressurreição passou indiferente para muitos. Também nos pode passar ao lado. Não podemos deixar o tempo correr. É preciso que saboreemos a vida e nos comprometamos uns com os outros.

       Ele continua a emergir na nossa vida e a ressuscitar connosco em todo o bem que praticamos. Por ora, preparamos a celebração da Sua primeira vinda, mas em dinâmica futura. Jesus volta. Não tardará. Como nos vai encontrar? Como O vamos receber?
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4389, de 29 de novembro de 2016

04.01.17

VL – E tudo de renova… ressuscitando! – 2

mpgpadre

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       «Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Ficai sabendo isto: Se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a casa. Por isso, estai também preparados, porque o Filho do Homem virá na hora em que não pensais» (Mt 24, 42-44).

       O que se avizinha não tem de ser atemorizador! A salvação está ao nosso alcance, foi-nos colocada na palma da mão. Jesus viveu e morreu por nós, por mim e por ti. E, por mim e por ti, por nós, ressuscitou. Introduziu-nos na eternidade de Deus. Deixemos que nasça em nós, na nossa vida, que nasça e nos ressuscite, nos desperte para a vida abundante de graça e de misericórdia.

       Nada há a temer quando estamos preparados. Sabendo que Ele vem. Há 2.000 mil anos veio ao mundo. A Sua vinda conjuga-se agora no presente. Vem. E vem para ficar, para criar raízes. E para que n'Ele enraizemos a nossa vida. Lembremo-nos que os ramos crescem à medida que as raízes se fincam na terra. Ou, noutra imagem, a videira e a seiva que alimentam os ramos e as folhas. Quando a vida de Jesus Cristo circula em nós então a nossa vida está garantida, como promessa e como tarefa. Os sustos que apanhamos têm a ver com o facto de estarmos desprevenidos. Jesus previne-nos para estarmos preparados, para O reconhecermos e O acolhermos.

       No "Principezinho", a Raposa sublinha a alegria a crescer com o aproximar do encontro com o Principezinho quando sabe a hora do mesmo. "Teria sido preferível teres voltado à mesma hora. Se vieres, por exemplo, às quatro horas da tarde, eu, a partir das três, já começo a ser feliz. Quanto mais se aproximar a hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já estarei agitada e inquieta; descobrirei o preço da felicidade! Mas se vieres a qualquer hora, ficarei sem saber a que horas hei de vestir o meu coração..."

       Ora, Jesus diz-nos que está a chegar. Revistamo-nos de alegria e de esperança. Preparemo-nos para que não nos surpreenda distraídos. Abramos os ouvidos, os olhos, o coração, a vida por inteiro. Ele está a chegar. Não aqui ou ali. Mas em nós. Em cada pessoa que se aproxima de nós, em cada pessoa de quem nos aproximamos. Em todo o tempo! A qualquer hora!

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4391, de 13 de dezembro de 2016

05.11.16

Para Deus todos estão vivos...

mpgpadre

1 – É mais fácil acreditar em Deus que na vida eterna. A sensibilidade popular professa a fé num Deus bom, generoso, que protege e abençoa. Quando se fala na vida além da morte ou na ressurreição já se colocam mais interrogações. Ninguém veio do outro lado dizer-nos como é, só sabemos até ao momento da morte! Cá se fazem, cá se pagam! O bem e o mal serão retribuíveis durante a existência terrena... mesmo que saibamos de tantas injustiças das quais os prejudicados nunca foram ressarcidos nem os fautores foram penalizados! O cemitério como última morada! Todos temos um destino comum: a terra…

Augusto Cury, célebre psiquiatra brasileiro, ao investigar a inteligência humana, chega à conclusão que seria um absurdo que tudo acabasse com a morte, seria em vão todo o esforço feito por melhorar a vida das pessoas, a sabedoria acumulada, as descobertas, a própria inteligência que exige e luta pela eternidade. Ateu, através das suas investigações, chega à conclusão que a identidade da pessoa há de sobreviver à morte biológica, garantindo que a identidade de cada um não se perde para sempre. Assim se torna crente. A fé em Deus é decorrente da exigência da identidade sobreviver ao tempo e à história.

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2 – Escutemos o Evangelho. Logo de entrada o evangelista fala nos saduceus que se aproximam de Jesus, dizendo que eles não acreditam na ressurreição. São religiosos, frequentam o Templo, vivem as exigências da Lei judaica, mas não acreditam que haja vida além da vida temporal.

Recorrendo aos ensinamentos de Moisés, os saduceus transportam para a eternidade as mesmas vivências e tradições. Segundo a Lei, pelo casamento se garantia a linhagem familiar. Se o homem morresse sem descendência, os irmãos assumiam o encargo de lhe dar descendência desposando a mulher (ou seja, a cunhada) até que gerasse um filho. Neste exemplo, todos os irmãos a desposaram, mas nenhum lhe deu descendência. Havendo continuidade material-histórica na eternidade, com quem ficava a mulher?

A resposta de Jesus é clarificadora: «Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento. Mas aqueles que forem dignos de tomar parte na vida futura e na ressurreição dos mortos, nem se casam nem se dão em casamento. Na verdade, já não podem morrer, pois são como os Anjos, e, porque nasceram da ressurreição, são filhos de Deus. E que os mortos ressuscitam, até Moisés o deu a entender no episódio da sarça ardente, quando chama ao Senhor ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’. Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos».

A ressurreição dos mortos é agrafada à fé em Deus, pois para Ele todos estão vivos.


Textos para a Eucaristia (C): 2 Mac 7, 1-2. 9-14; Sal 16 (17); 2 Tes 2, 16 – 3, 5; Lc 20, 27-38.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE

21.08.16

VL - A nossa grande Alegria é Jesus Ressuscitado

mpgpadre

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       A Alegria do Evangelho centra-se na Pessoa de Jesus.
       Somos cristãos a partir do encontro pessoal e libertador com Jesus Cristo.
       Fomos batizados, na água e no Espírito Santo, a maioria de nós, quando ainda não sabíamos o que era a vida ou a fé, ou quem era Jesus. Fomos-Lhe apresentados e oferecidos, para ficarmos ao cuidado do Seu amor e da Sua bênção. Pelo batismo, os nossos pais e padrinhos e a comunidade crente assumiram a missão de nos educar na fé cristã, para amarmos a Deus e ao próximo como Ele nos ensinou. Tornámo-nos Corpo de Cristo, Ele a Cabeça, nós os membros. Pedras vivas do templo do Senhor que é a Igreja, novo Povo de Deus, convocado pela Palavra e pelos Sacramentos que nos sintonizam e agrafam com o mistério da morte e ressurreição de Jesus.
       A nossa infância foi validando, no ambiente familiar e na ligação à comunidade paroquial, a descoberta de Jesus, com fórmulas, orações, e as muitas histórias de Jesus e sobre Jesus.
        Quando termina o ano de catequese, em muitas das nossas comunidades paroquiais, voltam as inquietações e o tempo de avaliar o trabalho realizado. Será que conseguimos semear nas crianças e nos adolescentes o desejo de se encontrarem com Jesus? E nós, já nos encontrámos pessoalmente com Ele? Como vivemos e testemunhamos a nossa fé? Doutrinamos ou provocamos a procura de um Deus Misericordioso que Se envolve com a nossa história, com as nossas alegrias e tristezas, comprometendo-nos com os outros, na luta pela justiça, agindo solidariamente? Jesus vive entre nós? Sentimo-l’O no dia-a-dia das nossas escolhas? Ou ficou no passado da nossa história?
       Em Lisboa, no Terreiro do Paço, a 11 de maio, o Papa Bento XVI sublinhava que "o Ressuscitado oferece-Se vivo e operante, por nós, no hoje da Igreja e do mundo. Esta é a nossa grande alegria. No rio vivo da Tradição eclesial, Cristo não está a dois mil anos de distância, mas está realmente presente entre nós e dá-nos a Verdade, dá-nos a luz que nos faz viver e encontrar a estrada para o futuro... Para isso é preciso voltar a anunciar com vigor e alegria o acontecimento da morte e ressurreição de Cristo, coração do cristianismo, fulcro e sustentáculo da nossa fé, alavanca poderosa das nossas certezas, vento impetuoso que varre qualquer medo e indecisão, qualquer dúvida e cálculo humano. A ressurreição de Cristo assegura-nos que nenhuma força adversa poderá jamais destruir a Igreja".
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4368, de 21 de junho de 2016

09.04.16

Simão, Filho de João, Tu amas-me?

mpgpadre

1 –  “A preocupação de todo o cristão... há de ser a fidelidade, a lealdade à própria vocação, como discípulo que quer seguir o Senhor. A fidelidade no tempo é o nome do amor; de um amor coerente, verdadeiro e profundo a Cristo Sacerdote” (Bento XVI, em Fátima).

O amor é a fidelidade no tempo. Não é um sentimento passageiro, mas uma opção de vida. Jesus não passa pelas pessoas. Jesus permanece. "Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos" (Mt 28,20). Não estará num momento ou nas situações favoráveis, mas em todo o tempo, e em todas as situações da vida. Deus é amor. Quem ama permanece em Deus e Deus permanece nele.

Jesus volta a aparecer, junto à margem. Convida-nos para a Sua mesa. O entusiasmo inicial desvanece-se, logo passa e tudo regressa à rotina e ao cansaço. E eis que vemos Jesus, a chamar-nos, a alimentar-nos e a enviar-nos. Ainda não percebemos que a ressurreição nos leva para outros caminhos? A vida está aquém do sepulcro e além da morte. O Ressuscitado reenvia-nos para o HOJE. Por quê voltar atrás?

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2 – Jesus apareceu aos discípulos, na tarde daquele primeiro dia, encontrou-os fechados em casa com medo dos judeus. Oito dias depois voltou a aparecer-lhes, estando também Tomé, antes ausente. A alegria tomou conta deles, mas foi sol de pouca dura. Que fazer? Esperar que o Ressuscitado restaure em definitivo o Reino de Deus?

Pedro, para se distrair ou ocupar o tempo, decide ir pescar. Os outros seguem-lhe o exemplo. Tomé, Natanael, João, Tiago e mais dois discípulos. Já se tinham esquecido que Jesus os retirou da pesca real para os tornar pescadores de homens (cf. Mt 4, 19). E, com efeito, a noite não rendeu, não pescaram nada. Ao romper da manhã, Jesus apresenta-Se na margem. Jesus chega cedo à nossa vida. Eles não sabiam que era Ele. Muitas vezes também nós não nos apercebemos que Jesus nos visita ou que está diante de nós!

A pergunta de Jesus deixa-os boquiabertos: «Rapazes, tendes alguma coisa de comer?». Escutam o pedido e, de bom grado, O atenderiam, mas não pescaram nada. Então Jesus diz-lhes: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis». Sucedem-se momentos extraordinários. Com Jesus, a pesca é abundante. Sem Ele, é inútil qualquer trabalho. Nesta pescaria são precisas muitas mãos. Pedro vai ao encontro de Jesus, outros discípulos puxam as redes. Pedro volta, sobe ao barco, ainda Hoje como Francisco, e puxa a rede para terra firme, com 153 grandes peixes. Não importa o número mas a comunhão de amor. Na margem, Jesus espera-os para os alimentar. Primeiro pediu-lhes que comer, agora tem o lume aceso e peixes a assar. Mas conta com eles, e connosco: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora».

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3 – O amor é a fidelidade no tempo. Não é um instante, ainda que se alimente de instantes e se renove constantemente. Traduz-se em obras, gestos e atitudes. Jesus questiona Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?». Pedro responde o óbvio: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Jesus insiste. Na terceira e última resposta, Pedro reconhece-se humildemente, quase a sussurrar: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo».

Olhando-o nos olhos, Jesus desafia-o: «Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». Mais uma vez não lhe promete facilidades. Jesus estará sempre com ele e connosco, desde que O amemos de todo o coração. Como a Pedro, ontem, também a nós, hoje, Jesus interpela: «Segue-Me».

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Textos para a Eucaristia (ano C): Atos 5, 27b-32. 40b-41; Sl 29 (30); Ap 5, 11-14; Jo 21, 1-19.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE

02.04.16

Meu Senhor e Meu Deus

mpgpadre

1 –  A plenitude da misericórdia divina é visualizável no mistério da Encarnação, Deus cabe na palma da mão, cabe no meu e no teu coração. A omnipotência reduz-Se à pequenez. Deus, em Jesus Cristo, faz-Se Caminho para nós e entra nos caminhos do tempo, vem ao nosso mundo. O mistério da Páscoa condensa e evidencia em definitivo a misericórdia de Deus que Se ajusta à nossa fragilidade. O coração de Deus compadece-se da nossa miséria e envolve-nos no Seu amor.

Com a Páscoa, uma enxurrada de vida nova. A morte não tem mais a última palavra. Esta é de Deus, é da vida, é do Amor. Jesus regressa trazendo-nos, na expressão de Bento XVI, a vastidão do Céu. Um vislumbre de luz que incendiou o mundo. Assim é a Luz da Fé, à minha luz, a luz do outro, e mais luz, como a chama de um isqueiro num estádio de futebol, quase invisível, mas logo que se acendem dezenas, centenas, milhares, o estádio fica todo iluminado. O encontro com Jesus ressuscitado, a experiência da misericórdia de Deus na nossa vida, impele-nos a sermos luz uns para os outros.

São João Paulo II quis que este 2.º domingo de Páscoa fosse tido sob o prisma da misericórdia, acentuando a Páscoa como expoente máximo da compaixão de Deus pela humanidade. Abaixa-Se para nos elevar, como a Mãe que se agacha para pegar o seu filho ao colo!

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2 – Páscoa de Jesus Cristo. Sepulcro sem corpo e sem vida. A vida está aquém do sepulcro e além da morte. Jesus ressuscitou. A vida germina de novo em abundância. Deixou-Se matar! Deus Pai ressuscitou-O, agora deixa-Se ver e encontrar, deixa-Se perceber ao nosso olhar e ao nosso coração. Não é fantasma, é Ele mesmo. Traz as marcas da crucifixão e a mesma mensagem: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».

Na tarde daquele Primeiro Dia da Nova Criação, Jesus volta a colocar-Se no MEIO, congregando, unindo, é o ELO sem o Qual não existe comunidade. Não é um corpo que foi reanimado, mas uma forma totalmente nova de Se manifestar. É tanta a LUZ que encandeia num primeiro momento. A aparição assusta, os gestos e as palavras e as marcas de cumplicidade esclarecem e comprometem. A morte tinha sido violenta e abrupta a separação. Já havia rumores. Algumas mulheres afirmavam que Ele tinha ressuscitado! Para os discípulos não passam de rumores. Eis que vem Jesus, como sempre o havia feito, e centra-os à Sua volta, mas logo enviando-os, com uma missão específica: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». A misericórdia divina tem novos intérpretes. Os discípulos são os braços, as pernas, as mãos, o coração de Jesus para o mundo das pessoas.

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3 – Mas como sermos testemunhas se não estávamos quando Jesus apareceu? É possível ser enviado sem a comunidade?

Tomé, chamado Dídimo, isto é, Gémeo, nosso irmão gémeo, lembra-nos que a fé não é um dado adquirido, mas é procura constante para encontrar Jesus, nas variadas situações da vida. Naquela tarde, Tomé não estava. Ouve o testemunho dos outros que viram Jesus. É um dizer indireto, em segunda mão. Tomé precisa de ver e de tocar. A fé não é mera abstração intelectual. Envolve-nos mental, afetiva e racionalmente. Oito dias depois, Jesus volta a colocar-se no MEIO deles, com Tomé presente. As marcas da paixão podem ver-se no Corpo de Jesus, e novamente a mensagem de sempre: a paz esteja convosco. É hora de Tomé ser surpreendido por Jesus: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé encontra-se com Jesus e ao vê-l'O confessa: «Meu Senhor e meu Deus!».

Não se pense que a incredulidade de Tomé foi assim tão diferente da dos outros discípulos. Eles tinham escutado rumores, mas só quando Jesus lhes apareceu é que acreditaram.

Contudo, o anúncio é crucial para a transmissão da fé. A fé chega-nos através da comunidade, pelo testemunho daqueles que fizeram a experiência de encontro com Jesus. Diz-nos Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto».

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Textos para a Eucaristia (ano C): Atos 5, 12-16; Sl 117 (118); Ap 1, 9-11a. 12-13. 17-19; Jo 20, 19-31.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE

31.03.16

O encontro com o Ressuscitado gera a fé na Ressurreição

mpgpadre

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Na manhã de Páscoa, as mulheres correm ao sepulcro e encontram-no vazio, sem o corpo de Jesus. Como tem acentuado o nosso Bispo, o sepulcro está cheio de sinais que importa ler, a disposição das roupas de Jesus, o anjo ou os dois homens vestidos de branco, a luz, e o desafio a procurar Jesus fora do túmulo.

 

Em todo o caso poder-se-á fazer uma outra acentuação que é clarividente na leitura dos Evangelhos. O que provoca a fé na ressurreição é o encontro com o Ressuscitado e não o sepulcro vazio. As mulheres aproximam-se do sepulcro, não encontram o corpo de Jesus e ficam atemorizadas. Maria Madalena pergunta ao próprio Jesus, pensando que é o jardineiro, onde puseram o corpo de Jesus, deduzindo-se a possibilidade de roubo ou de colocação em outro túmulo. A corrida de Pedro e do discípulo amado ao sepulcro é consequência do anúncio que as mulheres fizeram; no túmulo confirmam as informações e começa o processo de fé na ressurreição, mas esta só se clarifica no encontro de Jesus com os discípulos.

 

Segundo o Papa Bento XVI / Joseph Ratzinger, o túmulo vazio é um pressuposto da fé da Ressurreição, bem com o Corpo incorruptível de Jesus. O túmulo está vazio até hoje, pois Jesus ressuscitou.

Não sendo um dado histórico e empírico, continua o Papa Emérito, “ultrapassa a história, mas deixou o seu rasto na história”. 

 

O decisivo para a fé na ressurreição será sempre o encontro com Jesus Ressuscitado. A este respeito diz José Antonio Pagola, que “o relato do sepulcro vazio, tal como foi recolhido no final dos escritos evangélicos, encerra uma mensagem de grande importância: era um erro procurar o crucificado no sepulcro. Não estava lá. Não pertencia ao mundo dos mortos. Era um equívoco render-lhe homenagem de admiração e de reconhecimento pelo seu passado. Ressuscitou. Estava mais cheio de vida do que nunca. Ele continuava a animar e a guiar os seus seguidores. Era preciso ‘voltar à Galileia’ a fim de seguir os Seus passos: continuar a curar os que sofriam, a acolher os excluídos, a perdoar os pecadores, a defender as mulheres, a abençoar as crianças. Era preciso continuar a organizar refeições abertas a todos e a entrar nas casas com o anúncio da paz… Era preciso continuar a anunciar que o Reino de Deus estava próximo. Com Jesus, era possível um mundo diferente, mais amável, mais digno e mais justo. A esperança para todos”.

 

 

publicado na Voz de Lamego, n.º 4355, de 22 de março de 2016

28.10.15

Paróquia de Tabuaço: Todos os Santos e Fiéis Defuntos

mpgpadre

Dias 1 e 2 de novembro marcam o início do mês das almas, com a solenidade de Todos os Santos e Comemoração dos Fiéis Defuntos, que faz deslocar milhares de pessoas, que regressam onde repousam os restos mortais dos seus familiares e amigos falecidos. A memória, a gratidão, mas também a fé, a celebração da vida e da esperança em Deus, congregam crentes ou menos crentes.

Para dúvidas que possam surgir, para aqueles que estejam em Tabuaço ou queiram deslocar-se à nossa paróquia e participar nas diferentes celebrações, aqui ficam os horários. Juntam-se já a indicação de outras atividades pastorais / celebrações, que envolvem a comunidade paroquial de Nossa Senhora da Conceição.

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27.06.15

«Menina, Eu te ordeno: Levanta-te»

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1 – O mistério do sofrimento humano esbate com a bondade e a omnipotência de Deus.

A religião garante-nos que Deus é sumamente bom e Todo-poderoso. A Bíblia procura conjugar o sofrimento com a omnipotência divina e com a compaixão de Deus. Mas não há respostas fáceis. Aqueles a quem a vida corre bem, na abundância dos filhos, dos bens e dos anos, são abençoados por Deus, porque são justos e praticam o bem. Os maus são castigados por Deus e sofrem na pele a consequência do seu mau proceder. Um exemplo sugestivo é a figura de Job, que coloca o seu sofrimento diante de Deus e da Sua justiça. Sempre foi justo e foi castigado por Deus. Onde está a justiça de Deus? No final, Deus mostra que está acima e além da nossa compreensão.

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2 – O evangelho é revelador da condição humana. O sofrimento está aí com evidência. A doença crónica que faz desesperar aquela mulher e a morte de uma filha. Jesus depara-Se com muitas situações de pobreza, exclusão e sofrimento. Humanamente não é possível eliminar todo o mal. Divinamente não é possível anular todas as limitações sem hipotecar a liberdade humana.

Jesus não gasta tempo a explicar o sofrimento, ou a culpar alguém. Compadece-Se e faz por minorar e vencer as adversidades.

Há uma multidão que O procura. A multidão pode ajudar-nos a encontrá-l’O, mas pode também impedir-nos de chegar perto d'Ele. Um dos chefes da Sinagoga, Jairo, suplica a Jesus: «A minha filha está a morrer. Vem impor-lhe as mãos, para que se salve e viva». Jesus larga o que está a fazer e segue Jairo até sua casa.

No meio da multidão, uma mulher, cuja doença a afasta da convivência social, aproxima-se sorrateiramente de Jesus, toca-lhe na fímbria do manto e fica curada. Revejamos os passos. Não se trata de magia. É a força de Jesus que a liberta e a cura. Apertado por todos os lados, Jesus percebe que alguém, com nome e com rosto, O tocou. Para e diz a esta mulher que não precisa de ter medo ou vergonha: «Minha filha, a tua fé te salvou».

Contraponto à sensibilidade e atenção de Jesus, a insensibilidade e a distância dos discípulos: «Vês a multidão que Te aperta e perguntas: ‘Quem Me tocou?’».

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3 – Entretanto, da casa de Jairo vêm dizer-lhe que já não adianta importunar Jesus, pois a menina morreu. Não há nada a fazer. Pelo menos para nós. "Basta que tenhas fé", diz-lhe Jesus. Tinha dito àquela mulher que ousou aproximar-se e tocar-lhe no manto: "A tua fé te salvou". Para que haja cura, ressurreição e vida é necessário o nosso assentimento. Deus não age sem nós. Conta connosco e respeita-nos.

Ao chegar a casa de Jairo, Jesus encontra grande alvoroço, com pessoas a chorar e a gritar. Garante aos presentes que a menina está apenas a dormir. A fé é um dom mas também um caminho, não se impõe. Jesus tinha uma oportunidade de ouro para dar espetáculo, mas usa de descrição. O mais importante é o bem da menina. Jesus “entrou no local onde jazia a menina, pegou-lhe na mão e disse: «Talita Kum», que significa: «Menina, Eu te ordeno: Levanta-te». Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar, pois já tinha doze anos. Ficaram todos muito maravilhados. Jesus recomendou-lhes que ninguém soubesse do caso e mandou dar de comer à menina”.

Novamente Jesus pede para que não se faça publicidade, há que fixar-nos no essencial, a escuta da Palavra de Deus, a conversão, a prática do bem, o serviço aos irmãos.

 

4 – A primeira leitura prepara-nos para acolher o Evangelho. Deus é um Deus de vida que quer o nosso bem: «Não foi Deus quem fez a morte, nem Ele Se alegra com a perdição dos vivos. Pela criação deu o ser a todas as coisas, e o que nasce no mundo destina-se ao bem. Em nada existe o veneno que mata, nem o poder da morte reina sobre a terra, porque a justiça é imortal. Deus criou o homem para ser incorruptível e fê-lo à imagem da sua própria natureza».

Ele criou-nos para a vida e para a felicidade.

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Textos para a Eucaristia (B): Sab 1, 13-15: 2, 23-24; Sl 29 (30); 2 Cor 8, 7. 9. 13-15; Mc 5, 21-43.

 

Reflexão COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.

18.04.15

Vós sois as testemunhas de todas estas coisas

mpgpadre

1 – Estamos aqui, como cristãos e como comunidade crente, porque Jesus Cristo vive no MEIO de nós e nos congrega como Seu CORPO, do qual somos membros. Se a morte de Jesus pusesse fim à Sua vida, como um todo, também o Seu projeto de salvação ficaria para sempre encerrado naquele túmulo.

Mas eis que, passados três dias, o túmulo se abre. Jesus vem e coloca-Se no MEIO de nós e associa-nos à Sua vida nova. Encontra-nos perto do sepulcro, encontra-nos no caminho, encontra-nos em casa. E provoca-nos, enviando-nos a todo o mundo.

«Vós sois as testemunhas de todas estas coisas».

Pedro, depois das aparições de Jesus, temperado pelo fogo de Deus, posto à prova, reconciliando-se com a sua fragilidade e com os seus medos, torna-se, com os demais apóstolos, testemunha convicta: «O Deus de nossos pais, glorificou o seu Servo Jesus, que vós entregastes e negastes na presença de Pilatos, estando ele resolvido a soltá-l’O. Negastes o Santo e o Justo e pedistes a libertação dum assassino; matastes o autor da vida, mas Deus ressuscitou-O dos mortos, e nós somos testemunhas disso… Portanto, arrependei-vos e convertei-vos, para que os vossos pecados sejam perdoados».

A palavra de Deus, nas palavras de Pedro, convida-nos a assumir a nossa história. É tempo de balançar a vida para a frente, deixando que o Espírito de Deus nos comunique a vida nova, para n'Ele vivermos e anunciarmos o Evangelho do perdão e do amor. Sejamos também nós testemunhas do Ressuscitado Jesus!

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2 – A Páscoa transforma-nos, pois nos introduz numa vida nova e numa nova maneira de compromisso com o mundo que nos rodeia e ao qual Deus nos envia com a missão de o cultivarmos, para que seja um lugar para nos encontrarmos como irmãos a fim de formarmos uma só família para Deus.

Com a Ressurreição de Jesus, o Céu chega a nós com toda a sua força transformadora, a força do amor, do perdão, do serviço, que nos aproxima e irmana e nos leva a cuidar dos mais frágeis, sabendo que neles, de forma preferencial, poderemos encontrar o Deus de Jesus Cristo, que Se deixa ver e tocar pelas chagas, pelas feridas humanas.

Aquela manhã é uma surpresa contínua. Ainda hoje nos reunimos, como cristãos e como comunidade, no primeiro DIA DA SEMANA que se tornou o DIA DO SENHOR (Dies Domini = Domingo), para celebrarmos a Páscoa de Jesus Cristo. N'Ele, Deus recria todas as coisas, fazendo-nos participantes da salvação, corresponsáveis uns pelos outros, pois membros da mesma família.

O Encontro com o Ressuscitado convoca-nos para a missão e de discípulos tornamo-nos missionários. Os discípulos de Emaús, que Jesus encontrou no caminho e que O reconheceram ao partir do pão, saem rapidamente e vão ao encontro dos outros para lhes contarem tudo o que aconteceu. São testemunhas destas coisas! Eles e nós.

 

3 – Jesus surpreende. Quando deixar de nos surpreender há que suspeitar da nossa fé. Apresenta-se no MEIO e traz-nos a paz: «A paz esteja convosco». Ainda atolados na noite da dúvida e da incerteza nem queremos acreditar que Aquele que morreu numa cruz está de volta ao nosso convívio.

Jesus tranquiliza-nos: «Porque estais perturbados e porque se levantam esses pensamentos nos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo; tocai-Me e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho». E logo acrescenta: «Tendes aí alguma coisa para comer?». Segue o mesmo padrão que antes, visualiza o que afirma com uma realidade do dia-a-dia.

Em definitivo, Jesus não é um espírito a vaguear pelo mundo ou um fantasma. Por um lado, a realidade temporal foi ultrapassada pela ressurreição, por outro, a identidade corpórea é evidente. O Crucificado é o Ressuscitado. Jesus relembra a mensagem anterior à Paixão. Manifesta-Se num corpo glorioso mas a Sua aparição é mais do que um susto, um fantasma, uma ilusão, É Ele próprio com a Sua identidade humana e divina. Como Filho de Deus, Ele pode comer e ser tocado, apesar da Sua presença gloriosa.

Por vezes queremos explicar e encerrar Deus nas nossas conceções racionais. Mas Deus, enquanto Deus, não pode ser limitado nem prisioneiro dos nossos conceitos. A palavra de Deus convida-nos a abrir-nos à esperança e ao futuro, a deixarmo-nos surpreender por Deus, como aconteceu com os discípulos daquele tempo, para nos tornarmos verdadeiras testemunhas.

__________________________

Textos para a Eucaristia (B): Atos 3, 13-19; Sl 4; 1 Jo 2, 1-5a; Lc 24, 35-48.

 

Reflexão dominical COMPLETA no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.

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