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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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07.10.13

Papa Francisco - o trabalho e o desemprego

mpgpadre

       - Certamente, a longo da sua vida sacerdotal, muita gente desempregada o deve ter procurado. Qual a sua experiência?

       É gente que não se sente pessoa. É que, por mais que as suas famílias e os seus amigos os ajudem, querem trabalhar, querem ganhar o pão com o suor do seu rosto. É que, em última instância, o trabalho unge a dignidade a pessoa. A unção de dignidade não é dada pelos antepassados, nem pela formação familiar, nem pela educação. A dignidade, enquanto tal, só vem pelo trabalho. Comemos o que ganhamos, mantemos a nossa família com o que ganhamos. Não interessa se é muito ou pouco. Se é mais, melhor. Podemos ter uma fortuna, mas se não trabalharmos, a dignidade vai-se abaixo.

 

- A pior parte fica com os que querem trabalhar e não podem.

 

       O que acontece é que o desempregado, nas suas horas de solidão, sente-se infeliz, porque «não ganha a vida». Por isso, é muito importante que os governos dos diferentes países, através dos ministérios competentes, fomentem uma cultura do trabalho, e não da dádiva. É verdade que em momentos de crise há que recorrer à dádiva para sair da emergência (...). Mas depois é preciso ir fomentando fontes de trabalho porque, e não me canso de o repetir, o trabalho outorga dignidade.

 

- Na outra ponta está o problema do excesso de trabalho... Será necessário recuperar o sentido do ócio?

 

       O seu sentido mais recto. O ócio tem duas aceções: como desocupação e como gratificação. Dizendo de outra maneira: uma pessoa que trabalha deve ter tempo para descansar, para estar em família, para ter prazer, ler, ouvir música, praticar um desporto. Mas isto está a ser destruído, em boa medida, com a supressão do descanso dominical. Há cada vez mais pessoas a trabalhar aos domingos, consequência da competitividade introduzida pela sociedade de consumo. Nesses casos vamos para outro extremo: o trabalho acaba por desumanizar. Quando o trabalho não dá lugar ao ócio saudável, ao repouso reparador, então escraviza, porque uma pessoa já não trabalha pela dignidade, mas sim pela competitividade. Está viciada a intenção pela qual estou a trabalhar...

       A Igreja sempre disse que a chave da questão social é o trabalho. O homem trabalhador é o centro. Hoje, em muitos casos, isto não é assim. Facilmente se é despedido, se não render como previsto. Passa a ser uma coisa, não é tido em conta como pessoa... Não nos esqueçamos que uma das principais causas do suicídio é o fracasso laboral no âmbito de uma competitividade feroz. Por isso, não se pode olhar para o trabalho apenas pelo lado funcional. O centro não é o lucro, nem o capital. O homem não é para o trabalho, mas sim o trabalho para o homem.

 

In SERGIO RUBIN e FRANCESCA AMBROGETTI, Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio, Paulinas Editora. Prior Velho 2013

23.07.13

D. Manuel Clemente - Uma Casa aberta a todos

mpgpadre

D. MANUEL CLEMENTE, Uma Casa Aberta a Todos. Paulinas Editora. 2.º edição. Prior Velho 2013, 248 páginas.

       No passado dia 7 de julho, D. Manuel Clemente, no Mosteiro dos Jerónimos, assumia a Diocese de Lisboa, como Patriarca, substituindo D. José da Cruz Policarpo. Se já era uma voz relevante na Igreja, na cultura, na sociedade, em Portugal, com a assunção do Patriarcado alarga a curiosidade sobre a sua vida e o seu pensamento.

       As Paulinas permitem-nos as duas coisas. Numa primeira parte, sob a condução de Paulo Rocha, diretor da Agência Ecclesia, responsável por programas como Ecclesia e 70X7 que passam na RTP 2, com uma forte ligação à Igreja, D. Manuel Clemente responde a diversas questões. É, aliás, o formato usado no programa Ecclesia, onde os dois têm abordado diversos temas relacionados com a vida da Igreja e com a sua história. A colaboração com essa assiduidade findam, mas para já a reprodução de algumas entrevistas de Paulo Rocha com D. Manuel Clemente, sobre a sua vida, vocação, como Bispo no Porto e como Patriarca em Lisboa, desafios pastorais, diálogo com a cultura, a sociedade e a política, temas fraturantes, promoção da vida e do bem comum.

        Em análise, nesta(s) entrevista(s), a figura do Papa Francisco, desde a eleição, os gestos e as palavras, e o recuo à sua infância, vocação, e intervenções enquanto Arcebispo de Buenos Aires.

       Na segunda parte desta obra, a Editora apresenta textos de D. Manuel Clemente, em diferentes intervenções, em ocasiões distintas, textos ao tempo de sacerdote, ou Bispo Auxiliar de Lisboa, Bispo do Porto, ou como professor, na Universidade, homilias, textos de reflexão, intervenções públicas, seguindo o Decionário. Em cada um das letras, variadíssimos temas: amor, vida, vocação, bem, bispo, corpo, confiança, crisma, alegria, Deus, Espírito Santo, Eucaristia, Educação, Europa e Cristianismo, Fé e Ciência, Família, Francisco de Assis, Idosos, Laicado, Oração, Páscoa, Porto, Peregrinação, Poesia, Professor, Vieira (Pe. António), Sociedade civil, e tantos outros.

       Na divisão das duas partes, álbum fotográfico, com fotos da família, da infância, da ordenação, como escuteiro, de sacerdote, bispo...

       Num género ou outro, a entrevista ou as reflexões, permitem conhecer melhor o novo Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente. Mais uma leitura agradável, permitindo encarar os desafios do ser cristão na sociedade deste tempo.

 

Para ler partes do livro - AQUI: Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

e AQUI a partir da Livraria Fundamentos.

17.07.13

BRUNO FORTE - porquê confessar-se?

mpgpadre

BRUNO FORTE. Porquê confessar-se? A reconciliação e a beleza de Deus. Paulus Editora. 2.ª edição. Lisboa 2012, 64 páginas.


       Bruno Forte é um reconhecido teólogo italinao. Aos 30 anos já era doutorado em Teologia e em Filosofia. Natural de Nápoles, desde cedo dedicou a sua vida ao estudo, à investigação teológica, ao diálogo filosófico. Paris e Tubinga, França e Alemanha (e passagens por outros países,  encontros com outras tendências teológicas), permitiram-lhe novas experiências e aberturas.

       No seu percurso académico, e sacerdotal, o diálogo com crentes de outras confissões cristãs, com a ortodoxia, com outras religiões, o judaísmo, o islamismo, em ambientes muitos diferentes, mas com o fito de tornar acessível a procura de Deus que nos visita na história. Diga-se, aliás, que este é um princípio basilar na sua reflexão teológica: Deus entranha-Se na história dos homens, da humanidade. Não é um Ser distante, alheado.

       Nomeado Bispo, por João Paulo II, ordenado pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, Bruno Forte dedica-se sobretudo à missão de Pastor. Ainda, como o próprio refere, a teologia seja de uma ajuda prestimosa para o serviço pastoral, procurando tornar mais simples a Palavra de Deus e mais acessível a reflexão teológica, sem, no entanto, deixar de lado os fundamentos teológicos do compromisso eclesial com os mais pobres e simples.

       Para melhor conhecer a obra e o pensamento de Bruno Forte e o seu percurso, o nascimento, a família, o ambiente em que é educado, a vocação, o sacerdócio e a teologia, a filosofia, as viagens, os livros, o trabalho pastoral em Nápoles, a eleição para Bispo, o trabalho episcopal como Arcebispo Metropolitano de Chieti-Vasto recomedamos outras leitura, em forma de entrevista (o entrevistador é sobrinho do Papa João XXIII):

BRUNO FORTE. Uma Teologia para a vida. Fiel ao Céu e à terra. Paulus Editora. Lisboa 2013, 248 páginas.


       Nesta entrevista biográfica também se veem encontro com grandes pensadores e teólogos, como Henri de Lubac, Yves Congar,, Chenu, Moltmann, ou com filósofos de renome. Em 2004, o Papa João Paulo II convidou-o para Pregador do retiro ao Papa e aos seus colaboradores, no início da Quaresma. O então Cardeal Ratzinger prontificou-se a "emprestar-lhe" a secretária a fim de esta traduzir as reflexões para alemão, para a edição alemã. Já antes, Ratzinger, Presidente da Comissão Teológica Internacional, pedira a Bruno Forte para encabeçar a comissão responsável pelo documento "Memória e Reconciliação", base para o pedido de perdão do Papa João Paulo II, pelo ano jubilar 2000. Ratzinger, deu a sua aprovação.

       Com 55 anos foi eleito Bispo e ordenado, a 8 de setembro de 2004, pelo Cardeal Ratzinger, em Nápoles. Por curiosidade, a homilia de Ratzinger veio a ser publicada no primeiro conjunto de escritos, discursos, homilias, de Bruno Forte, sob o título "A Luz da Fé", que é exatamente o título da primeira Encíclica do Papa Francisco, Lumen Fidei - a Luz da Fé... Curioso.

       Como Bispo, Bruno Forte, tem apostado em clarificar e tornar acessível a teologia para a comunidade.

        No ano de 2005, no início da Quaresma escreveu à Diocese esta carta pastoral, sobre o Sacramento da Reconciliação. Outros escritos pastorais: "Crismar-se, porquê?", "As quatro noites da salvação"; "Porquê ir à Missa ao Domingo?"

         Neste pequeno livro, além da Carta Pastoral de D. Bruno, também a lectio divina, leitura meditada da parábola do Filho Pródigo/Pai da Misericórdia (cf. Lc 15, 11-32). Nas últimas páginas, subsídio para o Exame de Consciência, baseado nos 10 Mandamentos, e ainda oração para o Ato de Contrição.

09.03.12

Laurinda Alves com o Pe. Alberto Brito: OUVIR, FALAR, AMAR

mpgpadre

Ouvir, Falar, Amar. A compreensão é a única força de mudança, Oficina do Livro. Alfragide: 2011.

 

 

       Laurinda Alves à conversa com o Pe. Alberto Brito. Já o conhecia de um encontro/retiro no distante ano de 1998, em Braga, na Casa dos Jesuítas. Um pensamento clarificador. Não para eliminar as dúvidas, mas para colocar mais questões.

       A Laurinda Alves não precisa de apresentação, mas para quem desconhece pode sempre consultar o seu blogue pessoal: Laurinda Alves - A Substância da Vida. 

       Ouvir/escutar, "porque ouvir os outros é a maior escola da vida". Escutar com o coração, prestar atenção não apenas ao que a pessoa diz e à sua história de vida, mas à pessoa em si mesma. Diz o Pe. Alberto que se nos fixarmos apenas nas histórias das pessoas e não nas pessoas, ficamo-nos pela fofoquice. Ficar-nos-íamos pelo ouvir, como se estivéssemos a ouvir um rádio e não uma pessoa concreta.
        Falar. É assim que a comunicação acontece,
é "a comunicar e a dialogar que nos entendemos e que se constroem relações". Temos uma boca e duas orelhas/ouvidos. Escutámos com interesse, a história da pessoa, mas sobretudo escutar com atenção o que a pessoa é, o que a pessoa sente, o que a pessoa vive, ouvindo o seu grito, o seu desabafo, acolhendo a sua partilha. Pode não ser fácil... queremos falar mais que escutar... queremos que alguém nos escute, nos compreenda, que por vezes esgotámos o tempo com as nossas palavras e não escutámos a pessoa que está diante de nós, como apelo e desafio. Quem não ouve, ou não quer ouvir, corre o sério risco de ficar a falar sozinho.
        Amar, "porque é a partir da aceitação de nós próprios e dos outros que tudo é possível". Escutámos a pessoa, comunicamo-nos como irmãos, para acolhermos e aceitarmos os outros, aceitando-nos também a nós como pessoas, cidadãos, filhos de Deus. Como diz o Pe. Alberto, o que nos separa e divide não são as ideias ou as crenças, mas os sentimentos. O maior desejo do ser humano, de todo o ser humano, é amar e ser amado. E o maior medo é ser rejeitado pelo(s) outro(s). A escuta e a comunicação visam aproximar-nos dos outros, com amor, com paixão, celebrando a vida.
        Enquadra-se aqui outra realidade: a compreensão. "As pessoas quando se sentem compreendidas, mudam". É o que pode resultar da escuta que ama, das palavras que se tornam comunicação amistosa, dos sentimentos que se partilham e se acolhem.
        Seja/sê ouvinte (escutador não tanto de estórias, mas das pessoas que estão perto de ti); fala do que te vai na alma; confia, estimulando os outros à confiança, a libertarem-se do medo; ama, com toda a tua alma, faz do(s) outro(s) a tua casa, o teu refúgio, tendo sempre como horizonte originário e final o Senhor Deus.

       Mais uma leitura que recomendámos, e mais um texto que se lê de fio a pavio. Nesta entrevista perpassa uma grande alegria de quem pergunta e de quem responde, numa conversa fluente, também aqui ao correr da pena, ou melhor no fluir da conversa que existe entre pessoas amigas, entre familiares, entre pessoas que se respeitam e admiram.

       Vale a pena entrar neste diálogo entre e Laurinda Alves e o sacerdote jesuíta, Pe. Alberto Brito.

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