Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

23.08.16

VL - Paciência que gera vida. Paciência pró-ativa

mpgpadre

lights-788903_1920.jpg

       Temos pressa e queremos resultados imediatos. Bento XVI, no início do Seu pontificado, dizia de uma forma muito acessível, que a nossa pressa destrói, precipita-nos. A paciência de Deus, que brota do amor, da compaixão, da Sua misericórdia infinita, constrói. Deus é paciente, espera por nós. Sempre.
       Diante de situações complexas e difíceis, apela-se à paciência, à resignação, sugerindo-se que é uma atitude cristã. Resignação aqui entendida como demissão, indiferença, desistência. Porém, a paciência/resignação, em sentido cristão, exige força, persistência, luta. Sofrer com paciência as ofensas do próximo. Uma das obras de misericórdia. Criar distanciamento face a situações difíceis, não desistir à primeira contrariedade, não desistir das pessoas, tentar compreender quem é diferente e aceitar as próprias imperfeições para aprender a aceitar as falhas dos outros, sorrir quando não se tem uma resposta adequada, rir de si mesmo, não se levar demasiado a sério, como nos lembrava Bento XVI, pois isso pesa-nos e não nos deixa voar.
       A paciência é um dos qualificativos da caridade, segundo São Paulo. Somos pacientes não por desistência mas por amor, não por resignação passiva, mas por resiliência. Insistimos uma e outra vez. Lutamos contra o mal, a doença, o sofrimento, as injustiças, a corrupção, as situações de miséria provocadas pela prepotência; aprendemos a calar quando a nossa voz é ruído, para falarmos por quem não tem voz; calamo-nos, num sentido ainda mais cristão, para que fale Jesus Cristo.
       O mal, a doença e o sofrimento desafiam-nos e a resignação (passiva) nunca é uma opção. Só o será depois de termos feito tudo o que está ao nosso alcance para superar as adversidades. O mal deve ser combativo. Devemos procurar a cura, quando as doenças são curáveis. Devemos enfrentar o sofrimento, eliminando as suas causas ou minorando os seus efeitos. Uma resignação que nos demita da luta e do compromisso nem é humana e muito menos cristã.
       Posto isto, o reconhecimento de situações que nos escapam e para as quais não temos nem justificações nem soluções. Fazem parte da condição biológica e da fragilidade humana. Uma vida perfeita, imaculada, impassível, só seria possível se fôssemos Deus, que sofre por excesso de amor. Quem ama sofre. Sofre por se deparar com o sofrimento de quem se ama. A paciência de Deus faz-Se de dádiva, de presença, de compaixão. Olhando para o Seu povo, Deus não Se retira, não Se afasta, não fica indiferente. O pobre clamou e o Senhor ouviu a sua voz. Chegada a plenitude do tempo, dá-nos o Seu próprio Filho.
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4363, de 17 de maio de 2016

23.08.16

VL - Paciência que gera vida. Paciência pró-ativa - 2

mpgpadre

353110_cvetok_roza_voda_kapli_9272x6030_www-gdefon

       Na Exortação Apostólica «Amoris Laetitia», o Papa Francisco, fala da pressa e da ansiedade que destrói e da necessidade de educar a paciência, a espera. Tudo tem o seu tempo e seu lugar. Apressar não permite saborear a vida nem o caminho a percorrer. Ter tudo de mão beijada, sem esforço e sem sabor. Daí a vacuidade de tantas vidas, pois tudo acaba por não ter sentido. Rápido chega e rápido se perde. Já dizem os mais velhos, o que não custa a ganhar não custa a gastar! Assim também a vida, o que não exige esforço e dedicação logo se desvaloriza.
       «Na época atual, em que reina a ansiedade e a pressa tecnológica, uma tarefa importantíssima das famílias é educar para a capacidade de esperar. Não se trata de proibir as crianças de jogarem com os dispositivos eletrónicos, mas de encontrar a forma de gerar nelas a capacidade de diferenciarem as diversas lógicas e não aplicarem a velocidade digital a todas as áreas da vida».
       De forma ponderada, sem dogmatismos, mas firme e desafiador: «O adiamento não é negar o desejo, mas retardar a sua satisfação. Quando as crianças ou os adolescentes não são educados para aceitar que algumas coisas devem esperar, tornam-se prepotentes, submetem tudo à satisfação das suas necessidades imediatas e crescem com o vício do ‘tudo e súbito’. Este é um grande engano que não favorece a liberdade; antes, intoxica-a. Ao contrário, quando se educa para aprender a adiar algumas coisas e esperar o momento oportuno, ensina-se o que significa ser senhor de si mesmo, autónomo face aos seus próprios impulsos. Assim, quando a criança experimenta que pode cuidar de si mesma, enriquece a própria autoestima. Ao mesmo tempo, isto ensina-lhe a respeitar a liberdade dos outros. Naturalmente isto não significa pretender das crianças que atuem como adultos, mas também não se deve subestimar a sua capacidade de crescer na maturação duma liberdade responsável. Numa família sã, esta aprendizagem realiza-se de forma normal através das exigências da convivência».
       É conhecida a estória da laranja. Leva tempo até amadurecer. Pode ter o tamanho de uma laranja e ter uma cor aproximada do que será no final. Mas é insuficiente, se por dentro continuar verde. Será intragável. A laranja leva o seu tempo, a crescer, a amadurecer, precisa de sol e de chuva, como outros frutos, e de tempo. Mesmo que se expusesse a mais calor, não amadurecia nem produziria mais sumo. Há um tempo para tudo.
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4364, de 24 de maio de 2016

23.08.16

VL - Paciência que gera vida. Paciência pró-ativa - 3

mpgpadre

3.jpg

       “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; habitavam numa terra de som­bras, mas uma luz brilhou sobre eles” (Is 9, 1). Este texto do profeta Isaías é lido e relido no Natal, sublinhando que Jesus é essa LUZ: “O Verbo era a Luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina... E a Vida era a Luz dos homens. A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam” (Jo 1, 4-5.9). Jesus é Luz que ilumina todo o homem! Logo acrescenta São João: nem todos se abrem à Luz verdadeira.
       Jesus vem libertar-nos de toda a espécie de escravidão, das superstições, do medo em relação às forças da natureza e a um Deus-Juiz iníquo, pondo a descoberto também aqueles que em nome da política ou da religião usurpam o lugar de Deus e espezinham aqueles que deveriam ajudar e servir.
       Jesus traz esperança. Devolve a dignidade às pessoas. Dá coragem aos mais frágeis para não desistirem dos seus sonhos e lutarem pelos seus direitos. O obstáculo nunca poderá ser Deus, que é Pai. Deus não pode ser nem desculpa nem justificação para amordaçar, para controlar, para subjugar, para agredir, para matar. Jesus leva até ao fim este propósito. Morre por amor, para nos libertar, para nos devolver por inteiro à nossa filiação divina, com a força de nos irmanar.
       O mundo ocidental levou tempo a assimilar esta mensagem libertadora e luminosa. A cristandade viveu momentos de trevas, de preconceito, sob ameaças do inferno. Contudo, a revolução francesa como a globalização cultural, as democracias modernas como a luta pela igualdade entre os géneros foram possíveis num mundo amplamente cristianizado.
       Hoje convivem no mundo judaico-cristão pessoas de todas as cores, raças, culturas, religiões. Verificou-se, porém, que o chão que se tinha como cristão permitiu duas guerras mundiais, a crise económico-financeira, que tem sacrificado milhões de pessoas, a crise dos refugiados, os atos terroristas. Não a LUZ mas as trevas. A luz não leva ao mal, mas o mal pode querer de regresso as trevas, a desconfiança, o medo, o preconceito. É um medo que se espalha pela violência gratuita perpetrada por interesses encapotados, como sublinhou o Papa Francisco, a caminho das Jornadas Mundiais da Juventude, na Polónia: encontramo-nos em guerra, mas não de religiões, mas de interesses estranhos e egoístas.
       O mal não vem da LUZ. Esta pode erradicar as trevas. Todavia, pode encandear aqueles que vivem nas trevas. As obras das trevas desejam trevas.
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4374, de 2 de agosto de 2016

15.05.16

A fidelidade no tempo é o nome do amor

mpgpadre

134425_Papel-de-Parede-Felicidade-Do-Casal_1366x76

Feliz expressão de Bento XVI, no dia 12 de maio de 2010, na Basílica da Santíssima Trindade, em Fátima: "Permiti abrir-vos o coração para vos dizer que a principal preocupação de todo o cristão... há de ser a fidelidade, a lealdade à própria vocação, como discípulo que quer seguir o Senhor. A fidelidade no tempo é o nome do amor; de um amor coerente, verdadeiro e profundo a Cristo Sacerdote".

O amor é a fidelidade no tempo. Não é um sentimento passageiro, mas uma opção de vida, que nos faz aprofundar os laços que nos unem, com gestos de afeto, de ternura, de cuidado. Jesus não passa pelas pessoas. Jesus permanece. Para. Olha. Fala. Envolve. Cura. Desafia. Chama. Envia. "Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos" (Mt 28,20). Não estará num momento, mas em todo o tempo. Deus é amor. Quem ama permanece em Deus e Deus permanece nele (cf. 1 Jo 4, 7-19).

       constantemente. Traduz-se em obras, gestos e atitudes. "Nem todo aquele que diz 'Senhor, Senhor' entrará no reino dos Céus, mas somente aquele que fizer a vontade de Meu Pai" (Mt 7, 21). O que os lábios professam, a vida transparece. Pedro havia professado Jesus, garantindo que estaria com Ele em todas as horas. É audível a repreensão de Pedro a Jesus (cf. Mt 16, 22). Mas, como Jesus previra, Pedro, na hora de maior desgaste, nega-se e nega Jesus (cf. Jo 18, 12-27).

O tempo de Páscoa sublinha a insistência de Jesus em solidificar a fé. Ele está de regresso, vivo, ressuscitado, mas contando ainda mais connosco, discípulos missionários para este tempo.

Apareceu aos discípulos, na tarde daquele primeiro dia, e encontrou-os encolhidos com medo dos judeus. Oito dias depois voltou a aparecer-lhes, com Tomé também presente. O entusiasmo toma conta deles, mas parece ser sol de pouca dura. Que fazer? Esperar que Jesus Ressuscitado restaure em definitivo o Reino de Deus?

Nas margens do mar de Tiberíades (cf. Jo 21, 1-19), terceira aparição aos discípulos, Jesus questiona Pedro sobre a sua fidelidade: «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?». Pedro, titubeando responde afirmativamente. Jesus insiste com Pedro. Na terceira e última resposta, quase a sussurrar, Pedro reconhece-se humildemente: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo».

Esta é a única condição para O seguirmos: amá-l’O!

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4358, de 12 de abril de 2016

29.11.15

Leitura: José Luís Martins: OS INFINITOS DO AMOR - reflexões

mpgpadre

JOSÉ LUÍS NUNES MARTINS (2015) Os Infinitos do Amor. 53 reflexões. Lisboa: Paulus Editora. 224 páginas.

Os_Infinitos_do_Amor.jpg

       Semana a semana chegam-nos as reflexões de José Luís Martins, contribuindo para que o ambiente digital fique mais rico com a sua partilha, e muitas pessoas se deliciem numa leitura poética, simples de perceber, envolvente, tocando a vida nas suas variadíssimas expressões, alegria, tristeza, solidão, morte, a força das palavras, a abertura para fé, o compromisso com o bem e com a verdade, a morte, a luta, a vida como caminho, a amizade, o trabalho e a família, a felicidade, o bem e o mal, a eternidade.

       O livro com que nos presenteia permite-nos (re)ler, sublinhar uma ou outra frase. O formato de papel de algum modo permite-nos assimilar melhor cada texto, sugestão, desafio e facilmente voltar a folhear e a escolher uma reflexão para uma ou outra ocasião. Pelo menos para quem aprendeu a mexer, tocar, manusear as folhas. Mas seja neste formato de livro impresso, seja através das plataformas digitais, as reflexões de José Luís Martins são provocantes (no bom sentido), comprometem-nos com o melhor de nós, lutando, não desistindo, não desvalorizando as qualidades pessoais para agir, pôr em prática. As obras, o agir, as escolhas e opções testam os dons. A partilha, a humildade de se colocar ao serviço dos outros, potenciando o melhor daqueles com quem nos cruzamos; apostando no ser e não tanto no ter; mais na autenticidade e não tanto nas aparências; não baixar os braços mesmo quando as dificuldades são muitas; aprender a gostar de si mesmo, sentindo-se bem consigo para se poder dar aos outros; a certeza que o amanhã virá a seguir às nossas noites por mais escuras e frias que sejam.

       Como refere o Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada, José Luís Martins é, mais que um filósofo, um pensador, um pensa-dor. A vida é um mundo denso e intenso. Vida e morte. Alegria e luto. Júbilo e tristeza. Paz e ansiedade. Perda e sofrimento. Há sempre esperança. A vida depende muito do que sou, das opções que toma, das atitudes que assumo. Há que gastar bem o tempo, que é breve, mudar o que depende de nós mudar e não gastar tempo com o que não depende de nós.

       A fé e a mensagem cristã deixa-se facilmente intuir nas ideias e convicções expressas pelo autor.

       Sublinhado, inolvidável, para Carlos Ribeiro que ilustra de forma simples e intuitiva cada mensagem.

       Valerá a pena transcrever algumas expressões que se espalham pelo livro:

"A felicidade depende sempre mais de nós do que das circunstâncias".
"A pobreza não retira a dignidade a ninguém, mas a riqueza pode fazê-lo com facilidade" 
"Devemos concentrarmo-nos no que temos, agradecer quando temos acesso ao essencial e procurar e procurar que aquilo que excede as nossas necessidades possa chegar a quem dele precisa" 
"É possível viver num palácio sem se deixar corromper por isso. Há quem se sirva dos seus bens para ser uma bênção na vida dos outros: esse é rico, muito rico no que importa. Fez-se feliz, por se ter feito pobre para que outros sejam ricos... fez-se rico, por ter sido capaz de dar tudo!" 
"Não é o peso da cruz que importa, mas sim a força dos ombros que a carregam".
O passado não se altera, mas o futuro pode sempre ser diferente". 
"Os que nos amaram deram-se-nos. Não se perderam porque existem em nós. Sou também aquele que amou. Que me ama... A saudade é muito mais doce mas, qual espada, muito mais dura, afiada e longa. Parece destruir o que celebra. Trata-se de uma das tristezas mais fundas... a de se haver perdido o que se teve, a de se continuar a amar o que já não está aqui connosco. A de se continuar a ser dois depois de deixarmos de sentir o outro". 
"As adversidades como a morte, a doença grave ou uma tragédia, mais séria não se conseguem anular, faça o que se fizer. Aplicar aí a nossa coragem, vontade e persistência no sentido de destruir isso só terá um resultado efetivo: aniquila-nos, porque estaremos a tentar empurrar, não uma pedra pesada, nem sequer uma montanha mas o próprio peso do mundo... sem termos os pés assentes em nada". 
"Não há heróis de um gesto só. Ninguém chega a ser bom de um momento para o outro. As grandes obras são consequência de percursos em que a vontade se sobrepõe à natureza passiva repetidas vezes... Ninguém chega a ser mau de súbito. Os grandes disparates aparecem na sequência de outros disparates, menores, que vão corrompendo com paciência e determinação os alicerces da nossa liberdade, a fim de que, convencidos de que somos mesmo assim, aceitemos fazer o que nos prejudica e arruína a nossa verdadeira felicidade". 
"Agradecer e perdoar fazem diferença. Muita. Em mim e no outro. Sempre.... Um olhar, uma palavra, um silêncio ou um pequeno gesto, são suficientes para levar trevas ou luz à vida de outros. Assim. Num instante. Dependemos uns dos outros. Nós não somos sós. Nunca. Por maior que seja a solidão em que nos sentimos. Por maior que seja a escuridão e o frio, há sempre alguém que chegará. Sempre. Sempre. Por mais que demore". 
"A vida precisa de tempo, ma não há pior do que adiar... muitos julgam que o momento de amar pode ser outro. Que sempre haverá tempo depois do tempo. Errado. O tempo não é nosso e que, portanto, não está ao nosso dispor". 
"O amor leva-me ao outro. Supero os meus limites, do espaço e do tempo. Porque me dou, passo a existir também no que me ultrapassa. Sou mais. Só o amor permite a conquista da eternidade. Só o amor resiste ao nascimento e à morte. Qualquer vida que nasce brota de um amor, de uma entrega gratuita e incondicional de algo ao espaço e ao tempo sem fim... A nossa vida não nos pertence. Somos uma parte do todo. Não o centro. Não estamos vivos, somos vida. Uma vida cheia de mistérios, mas de beleza sublime. Podem as lágrimas e sofrimentos parecer a eternidade... mas só o bem não tem fim... O amor faz-nos renascer a cada vez que parece matar-nos.
Somos mais do que tempo. Muito mais". 
"O orgulho, a vaidade e a soberba andam quase sempre juntos. São os superiores aliados da ignorância! O orgulhoso coloca-se a si mesmo acima da realidade. Mas, não só se julga superior aos outros como ainda deseja que eles partilhem dessa mesma opinião, ou seja, que todos pensem que ele é o melhor! Mais ainda, por se julgar o assim o suprassumo, considera poder tratar os outros como seus inferiores!" 
"No amor, apenas as intimidades devem estar em comunhão. Sem confusão, sem exclusão, sem que se anule parte alguma de cada um. Há quem se faça demasiado próximo e por isso anule o outro. Não. É preciso que haja espaço e tempo para que cada um possa ser quem é e o quer ser. Não se trata de nos defendermos, mas tão-só de respeitarmos o outro". 
"Há quem prefira partir do que chegar. Quem busque descobrir todos os cantos e mistérios do mundo... mas há também quem apenas queira ser feliz em qualquer lugar, buscando-se a si mesmo... nos outros. Só quem se busca se pode encontrar. Muitos são os que andam perdidos... mas o amor implica uma saída de si, uma aceitação do outro como outro, não como alguém em quem posso (e julgo dever) replicar o que sou. Só quando me esqueço de mim posso descobrir a verdade do outro. Apenas o olhar dos que nos amam importa, porque só esse nos vê, só esse nos revela quem somos". 
"À solidão não se opõe a multidão, mas o amor. Aquilo de que alguém abandonado está à procura é de alguém próximo, não do aplauso de um monte de gente." 
"Aquele que quer ser feliz deve dar-se. Ser é amar e amar é dar-se. Ninguém pode ser nada se não na sua relação com os outros e com o mundo. O ser mais perfeito seria imperfeito se se fechasse em si mesmo e assim se reduzisse à sua própria individualidade. A vida é o dom de ser dom. Serve para se chegar à vida do outro. Para ser o que lhe falta... amando-o." 
"A sinceridade jamais pode ser a razão para magoar alguém. Ser sincero é também saber escolher o que dizer e o que calar. Não devemos dizer tudo quanto pensamos, mais ainda se não o tivermos pensado com honestidade e inteligência. O silêncio é parte essencial da verdade e da sinceridade". 
"Há boas paixões. São as que trabalham como um fermento. De forma pacata, pacífica e paciente. Animam, mas não dominam. Orientam, mas não decidem. Iluminam, mas não cegam... Por paixões comuns, há quem perca a cabeça, o coração e a alma. Uma paixão forte que se consente pode fazer com que a mais digna das pessoas se destrua... se consuma, não ficando senão as cinzas em que ardeu. 
"A verdadeira chama, aquela que nos ilumina, aquece e orienta, não é a das paixões, é a chama da vida. A vida ela própria, assim, simples e pobre na aparência. Aquela vida que tem consciência de que é, em si mesma, um dom. Uma luz. Um presente do divino. Uma presença divina. Não se trata de uma alegria de cumprir fantasias, antes sim da virtude suprema de saber apreciar os momentos da vida sem necessidade de ser sob a séria ameaça de a perder. Este é o único fogo que não consome".

09.05.15

O que vos mando é que vos ameis uns aos outros

mpgpadre

1 – «Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor».

Crescemos e amadurecemos imitando os outros no nosso comportamento, nos nossos gestos. O convívio prolongado acentua as parecenças até no timbre de voz. Ao telefone, confundimos a voz de dois irmãos, ou da mãe e da filha… Há filhos que caminham como os pais, têm os mesmos trejeitos e imitam-nos no vestir.

E como cristãos, quem é que imitamos? A quem seguimos?

Os valores que defendemos nem sempre estão em concordância com a nossa fé. Na última viagem apostólica de João Paulo II aos EUA, havia milhares de jovens que o aplaudiam. Quando lhes perguntaram sobre valores, da vida, da dignidade da pessoa humana desde a conceção à morte natural, as respostas eram curiosas: gostavam do Papa – figura mundial – mas não das ideias que defendia.

Temos um modelo a seguir: Jesus Cristo. Como o Pai me ama, também Eu vos amo. Amai-vos uns aos outros como EU vos amo.

04_Jesus_washes_feet_1024.jpg

2 – As palavras movem, os testemunhos arrastam. Como sublinhava o Papa Paulo VI, o nosso tempo mais que mestres quer testemunhas, ou mestres que sejam testemunhas. Jesus dá-nos o exemplo. É a referência da nossa vida, dos nossos gestos. Devemos ser referência uns para os outros, mas na medida em que transparecemos Jesus Cristo e o Seu evangelho de verdade e de caridade. Como nos dirá São Paulo: sede meus imitadores como eu sou imitador de Cristo.

O plano original de Deus aponta para uma imitação libertadora, como família, revendo-nos uns nos outros. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Saímos das Suas mãos e do Seu coração. Auxiliares uns dos outros. O pecado surge não por sermos diferentes, mas por queremos excluir os outros da nossa vida e colocar-nos diante deles como senhores absolutos do mundo.

A Encarnação Cristo e o Seu mistério pascal recoloca-nos na senda de Deus, orientando-nos uns para os outros, assumindo-nos como irmãos, como família. Ele entrega a Sua vida por nós. «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos».

A amizade leva-nos à proximidade e à identificação. Identificamo-nos com os nossos amigos, aceitamos conselhos, recomendações, pedimos a opinião. «Fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros». Como ramos unidos à videira, também nós daremos muitos frutos se unidos a Cristo.

 

3 – Com efeito, diz-nos o apóstolo são João, na segunda leitura, «Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Assim se manifestou o amor de Deus para connosco: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que vivamos por Ele».

O amor ao próximo não é uma opção. Se seguimos Cristo é para O imitarmos, acolhendo a Sua palavra. Somos discípulos missionários. Embrenhamo-nos no Evangelho e transparecemo-lo através da nossa vida, até que possamos dizer o mesmo que o apóstolo Paulo: «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim» (Gl 2, 20), «Para mim, viver é Cristo» (Fil 1, 21).

Jesus dá a Sua vida por nós. Nesta entrega é visível que Deus nos ama primeiro para que também nós possamos amar-nos uns aos outros. É no amor que conheceremos a Deus e n'Ele permaneceremos.

________________________

Textos para a Eucaristia (B): Atos 10, 25-26. 34-35. 44-48; Sl 97 (98); 1 Jo 4, 7-10; Jo 15, 9-17.

 

Reflexão dominical COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.

18.03.15

Dentro do Coração de Jesus cabe cada um de nós

mpgpadre

4.º DOMINGO DA QUARESMA

Texto da Caminhada Quaresmal, nas paróquias de Pinheiros e de Tabuaço, assinalada por um gesto/símbolo, sublinhando um aspeto do Evangelho do respetivo domingo. Neste domingo, a certeza clara que Jesus veio para que o mundo seja salvo por Ele. Deus amou tanto o mundo que lhe entrega o Seu Filho Unigétio (cf. Jo 3, 14-21). Gesto: um Coração, o Coração de Jesus.

DSCF4354.JPG

(Paróquia de Tabuaço)

DSCF4352.JPG

 (Paróquia de Pinheiros)

 

 
       Deus é Amor.
       Só quem ama conhece a Deus.
       Amar é a maior tarefa do ser humano. Quem não for capaz de amar e de ser amado, nunca descobrirá a beleza da vida e a possibilidade de se encontrar com Deus.
       Só o amor nos liberta das garras da morte, do medo e da solidão, do egoísmo e da injustiça.
       O pior que nos pode acontecer não é morrer. O pior é não amar. Não ser amado. Morremos antes de morrer. A solidão é uma das doenças mais endémicas do nosso tempo. Viver só. Sentir-se só. Sentir-se abandonado, incompreendido, sem um olhar que nos acolha como irmãos, sem uma voz que nos faça sentir vivos, sem a escuta que nos reconheça como iguais!
       Viver sem amor é viver sem futuro, sem esperança, sem sonhos para cultivar, sem projetos para construir. 
       Deus é Amor. Só o amor cria. Só o amor clama por esperança, por vida, por futuro.
       Desde o início que por Amor Deus nos chama à vida, nos ampara e envia sinais e mensageiros para nos anunciarem caminhos de salvação.
       Jesus – Deus connosco – vem transparecer este amor. Só o amor nos salva. Jesus é o Amor em carne e osso. Faz-Se um de nós, identifica-Se com a nossa fragilidade e com os nossos sonhos, abre-nos o Seu Coração para que n’Ele o nosso coração seja maior.
       O CORAÇÃO de Jesus é um Coração de carne, cheio de Deus, cheio de amor, que transvasa para nós. Ele não veio para condenar o mundo mas para que o mundo seja salvo por Ele. Deus amou tanto o mundo que nos deu o Seu próprio para filho, assumindo-nos também a nós como filhos bem-amados.
       No coração de Jesus cabemos todos. E todos podemos viver como irmãos se estivermos dentro do Seu coração.
Preparemo-nos para escutar a Palavra de Deus.
Na primeira leitura, a certeza que Deus não Se esquecerá de Jerusalém, não Se esquecerá de nós e, como num sábado permanente, esperará por nós.
Na segunda leitura, o apóstolo São Paulo faz-nos ver a riqueza da misericórdia de Deus. A salvação é dom de Deus, colocado ao alcance da nossa mão.
No Evangelho, a certeza que a vinda de Jesus Cristo tem como propósito a salvação do mundo. Ele é a luz que nos guia para a verdade.
Serenamente escutemos a Palavra de Deus.

25.10.14

Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?

mpgpadre

1 –  Primazia do amor a Deus concretizável e traduzido no amor ao próximo, ficariam desfeitas com a resposta de Jesus aos fariseus: «‘Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito’. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo, porém, é semelhante a este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas».

Respondendo à pergunta dos fariseus, logo Jesus acrescenta um segundo mandamento, semelhante ao primeiro, juntando-os. Nos dois mandamentos está contida toda a Sagrada Escritura, a Lei e os Profetas. O amor a Deus conduz e exige o amor ao próximo. Quem é o meu próximo? Próximo é quem se aproxima para ajudar (cf. Lc 10, 29-37).

Mateus_22,34-40.jpg

2 – Em Jesus, a evidência: tudo o que nos liga a Deus, aproxima-nos dos outros. Até mesmo a oração. A vida de Jesus é disso exemplo. A cumplicidade com Deus não Lhe rouba tempo para estar onde é necessário estar.

A hipocrisia que Jesus vislumbra em alguns grupos dirigentes não é uma novidade. Os profetas – Isaías, Jeremias, Ezequiel, Joel – deixam transparecer a dicotomia entre a religião e a vida concreta. São palavras duras, sobretudo em relação àqueles que tinham a missão e a obrigação de cumprir a palavra de Deus, visualizando-a na justiça, no cuidado dos mais desfavorecidos, órfãos e viúvas, no acolhimento dos estrangeiros, na solidariedade com os vizinhos, no perdão aos ofensores e aos devedores, na concórdia dentro da família.

 

3 – Diz o Senhor: «Não prejudicarás o estrangeiro… Não maltratarás a viúva nem o órfão… Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, não o sobrecarregarás com juros. Se receberes como penhor a capa do teu próximo, terás de lha devolver até ao pôr-do-sol, pois é tudo o que ele tem para se cobrir…»

É vontade de Deus que a justiça, a proximidade, o acolhimento, a generosidade, façam parte do nosso estilo de vida. Deus olha e vê o seu povo e a miséria dos seus eleitos. O mal que fizermos aos outros ou o bem que deixarmos de fazer, pesará nas nossas contas com Deus.

 

4 – Se nos calarmos, se silenciarmos o grito dos injustiçados, dos esquecidos, dos sem voz nem vez, Deus há de pedir-nos contas. Mas Ele não Se esquecerá. Ele não deixará de ouvir o seu clamor, sobretudo o clamor do pobre:

"Eu Vos amo, Senhor, minha força, / minha fortaleza, meu refúgio e meu libertador. / Na minha aflição invoquei o Senhor / e clamei pelo meu Deus. / Do seu templo Ele ouviu a minha voz / e o meu clamor chegou aos seus ouvidos".

Deus vem em meu auxílio, em todos os momentos da minha vida, conduz-me pela mão, e leva-me ao colo ou sustenta-me aos ombros. O pobre clamou, o Senhor ouviu a sua voz. 


Textos para a Eucaristia (A): Ex 22, 20-26; Sl 17 (18); 1 Tes 1, 5c-10; Mt 22, 34-40.

 

15.02.14

Quem praticar os Mandamentos será grande no reino dos Céus

mpgpadre

       1 – Quando gostamos genuinamente de alguém, procuramos que as nossas palavras e os nossos gestos digam o que sentimos e expressem alegria, gratidão, felicidade. «O que tu és fala tão alto que mal consigo ouvir o que tu dizes» (desconhecido). A pessoa não é o que veste, o que come, o que fala, o que faz. É tudo isso. É um ser mais complexo. Daí que nos seja sempre difícil e falível julgar as pessoas apenas por uma aspeto, uma impressão imediata.

       O cristianismo é, antes de mais e sobretudo, a história de um encontro, de uma descoberta, o nosso encontro com Jesus, Crucificado e Ressuscitado. Um encontro pessoal que desemboca na comunidade. Se vários nos encontramos com Jesus, mais cedo ou mais tarde vamos querer falar d'Ele, partilhar com outros a nossa experiência, vamos querer enriquecer-nos com a experiência de outros. Por outro lado, Jesus desafia-nos à comunhão, a congregarmo-nos como irmãos.

       Regras e sinais de trânsito. Alguém vai pensar que estes são para nos proibir e limitar os nossos movimentos? O código da estrada tem o ensejo de proteger as pessoas. Protegem-nos e protegem os outros. Resultam do bom senso, da experiência, da reflexão, do estudo, da preocupação de criar as condições mais favoráveis e seguras…

       2 – Jesus não só não destrói a Lei como quer completar, levar à plenitude. Esta tem como conteúdo o amor: o amor que se predispõe a dar a vida. «Aquele que praticar e ensinar [os Mandamentos] será grande no reino dos Céus!». A mensagem de Jesus é inclusiva: assume o passado e as lições que podem ajudar no presente e no futuro.

       Mas não apenas isso. Jesus vai mais longe: «Se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus». O Mestre dos Mestres dá vida, carne, músculo, sentido, humanidade a toda a Lei. Esta há de estar ao serviço da dignidade do ser humano e do bem comum.

       Daí a contraposição: «ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não matarás; quem matar será submetido a julgamento’. Eu, porém, digo-vos:Todo aquele que se irar contra o seu irmão será submetido a julgamento… Reconcilia-te com o teu adversário, enquanto vais com ele a caminho... Digo-vos que não jureis em caso algum: nem pelo Céu, que é o trono de Deus; nem pela terra, que é o escabelo dos seus pés; nem por Jerusalém, que é a cidade do grande Rei. Também não jures pela tua cabeça, porque não podes fazer branco ou preto um só cabelo».

       O ensinamento de Jesus conduz à coerência de vida: devemos pôr em prática na nossa vida o que professamos e o que exigimos aos outros. É também nesta lógica que Jesus exige aos seus discípulos uma linguagem simples e respeitadora do outro: «A vossa linguagem deve ser: ‘Sim, sim; não, não’. O que passa disto vem do Maligno».


Textos para a Eucaristia (ano A): Sir 15, 16-21; Sl 118 (119); 1 Cor 2, 6-10; Mt 5, 17-37.

 

Reflexão Dominical COMPLETA na Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE

12.10.13

Não foram 10 os que ficaram curados? Onde estão os outros 9?

mpgpadre

       1 – O amor exige amor. O bem realizado provoca a gratidão. A gratidão só é possível partindo da humildade e do reconhecimento do bem que o outro nos faz. Quem agradece abre-se ao dom alheio, disponibiliza-se a valorizar o que recebeu. Em muitas situações da vida, o melhor agradecimento está em usar bem o que se recebeu.

       Amar implica relação, coração que se debruça sobre alguém. Tem implícita uma resposta positiva. O Papa Bento XVI, servindo-se de conceitos gregos, apresenta o amor nos seus diversos graus. Ágape, é o amor oblativo, o nível superior, que procura o bem do outro, sem esperar nada em troca. Neste sentido, o amor de Deus é sobretudo ágape (caritas = caridade). Deus dá-Se totalmente ao ser humano. Noutro polo está o eros, “o amor de quem deseja possuir aquilo que lhe falta, ansiando pela união do amado”. Haverá alguma coisa que o homem é e tem e que Deus não possua já?

       Porém, sublinha Bento XVI, “o amor de Deus também é eros... o Omnipotente espera o «sim» das suas criaturas, tal como um jovem esposo espera o sim da sua esposa… Na Cruz o próprio Deus mendiga o amor da sua criatura: Ele tem sede do amor de cada um de nós… A resposta que o Senhor deseja ardentemente de nós é, antes de mais, que acolhamos o seu amor e nos deixemos atrair por Ele. Aceitar o seu amor não basta. Devemos corresponder a esse amor e, depois, empenharmo-nos em comunicá-lo aos outros”.

       2 – Jesus passa entre a Samaria e a Galileia, a caminho de Jerusalém e encontra 10 leprosos. Está em movimento, a caminhar. Vem ao nosso encontro, ao nosso caminho. Cabe-nos acolher a Sua presença: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». A cura coloca-nos a caminhar, e no caminhar, no sair de si, está a cura para muitos dos nossos males físicos e espirituais.

       A narração continua e mostra a atitude de um dos leprosos que, vendo-se curado, glorifica a Deus em alta voz e se prostra aos pés de Jesus para Lhe agradecer. Era um estrangeiro, um samaritano, inimigo dos judeus, impuro como leproso e impuro por ser samaritano. Ainda assim, só ele glorifica a Deus e agradece a Jesus.

       Rapidamente o desabafo de Jesus: «Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?» Jesus, quando os curou não lhes perguntou pela origem, pela classe social, pela religião, pelas suas histórias passadas. Simplesmente, curou-os. Atendeu aos seus pedidos. Também aqui Jesus dá a Sua vida, dá a Sua graça. Cura. Sem esperar receber nada em troca. É o amor-ágape. Brota da Sua benevolência, da Sua compaixão, de um coração que transborda de Amor. Seguindo a reflexão de Bento XVI, seria expectável o agradecimento. Uma resposta. Um obrigado. Uma palavra. Um gesto. O amor gera amor.

       Não basta, responder ao amor com amor, é necessário comunicá-lo, testemunhá-lo aos outros e daí o envio: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou». Levantar-se. Pôr-se a caminho. De novo. Sempre. A fé como ponto de partida, como condição para nos fazermos caminho.

 

       3 – Cientes da palavra de Deus que hoje toca o nosso coração, que propósitos para renovar aspetos da nossa vida? Agradeço o que sou, o que tenho, a minha família? Agradeço o sol ou a chuva de cada manhã? Louvo a Deus por tudo o que de bom me rodeia? Reconheço os dons que Deus dá aos outros? E de que forma eu agradeço pelos dons que Ele me dá? Ponho-os a render? Guardo-os para mim?

       Não tenhamos medo de usar muitas vezes o “obrigado”. Agradeçamos a quem nos faz a refeição. Elogiemos este ou aquele prato confecionado. Obrigado a alguém que nos deu a passagem, nos emprestou um lápis, agradeçamos a Deus por cada sorriso que nos predispõe para o bem. Agradeça. Louve. Hoje. Faça um elogio a cada pessoa da sua família. Há sempre oportunidades. Pelo penteado, pela roupa, pela refeição, pela expressividade do rosto, pelo olhar, pelo sorriso. Um elogio. Um obrigado. Muda o seu olhar. Muda a atitude de quem escuta. Faça o domingo acontecer. Hoje.


Textos para a Eucaristia (ano C): 2 Reis 5, 14-17; 2 Tim 2, 8-13; Lc 17, 11-19.

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Relógio

Pinheiros - Semana Santa

- 29 março / 1 de abril de 2013 -

Tabuaço - Semana Santa

- 24 a 31 de abril de 2013 -

Estrada de Jericó

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2007
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D

Velho - Mafalda Veiga

Festa de Santa Eufémia

Pinheiros, 16/17 de setembro de 2012

Primeira Comunhão 2013

Tabuaço, 2 de junho

Profissão de Fé 2013

Tabuaço, 19 de maio

Em destaque no SAPO Blogs
pub