Usa e deita fora
A cultura ocidental poder-se-á dizer que assume como ideal de vida o "usa e deita fora". É mais barato, não exige compromisso. A imagem pode ser a do preservativo.
Mais uma vez se diga que, em absoluto, a Igreja não é contra o uso do preservativo quando este é um instrumento para defender a vida. Mas a insistência da mensagem do cristianismo é sempre, e não pode ser de outra maneira, a defesa da vida e pela cultura da dignificação do outro, da consideração que o outro é pessoa, fim, e não objecto ou meio da minha satisfação.
O preservativo usa-se uma vez e deita-se fora. Não serve mais.
A pessoa, muitas vezes e de muitas formas, usa-se e dispensa-se. Hoje serve os meus interesses e a minha satisfação. Amanhã já não serve, aparece outra pessoa e exclui-se rapidamente a anterior...
Quando perguntaram ao Papa se o uso do preservativo era o meio para combater a SIDA, Bento XVI respondeu que em muitas circunstâncias poderia ser mais um convite à irresponsabilização e intrumentalização das pessoas. Alguém está contra isso?! No seu perfeito juízo?!
Claro que na defesa da vida, o preservátivo é também um instrumento. Mas dê um preservativo a uma pessoa que não tem pão, não tem acesso à água potável, não tem que vestir, não tem abrigo, não tem liberdade... ou a uma pessoa que não o sabe usar... ensina-se primeiro. Bom, então a educação se calhar vem em primeiro lugar...
