Não podeis servir a Deus e ao dinheiro
1 – «Não podeis servir a Deus e ao dinheiro... Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro». Só um pode ser o meu, o teu, o nosso Senhor, o nosso Amor único e maior.
Diz-me qual é o teu senhor e dir-te-ei quem és!
Os bens materiais são necessários. Menosprezar o dinheiro não ajuda a resolver os problemas das pessoas, das famílias e dos povos. Faz-se, por isso, a distinção entre pobreza, como uma atitude face aos bens materiais, e miséria, com pessoas e famílias a viver em condições verdadeiramente indignas.
Qual a minha postura diante do dinheiro, escraviza-me? O que mais prezo, o que tenho, a minha carteira recheada, ou quem tenho à minha volta, a família e os amigos?
2 – Jesus conta mais uma parábola. Um homem rico tem um administrador que desperdiça os seus bens. Pede-lhe contas. Sabendo que será despedido, o administrador usa de novo a sua esperteza saloia para se sair bem. Anula parte da dívida aos devedores do seu senhor. Detetada a jogada, aquele senhor, e com ele Jesus, elogia tamanha astúcia: “de facto, os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes”. A riqueza pode, como se vê, facilitar a amizade.
“O homem ultrapassa infinitamente o homem” (Blaise Pascal). Superar-se a si mesmo. Melhorar as condições de vida significa cooperar com a obra criadora de Deus. Sede perfeitos como o Vosso Pai celeste é perfeito. A primeira ambição do crente há de ser a ambição da santidade, procurando transparecer a benevolência de Deus.
Uma pessoa sem ambição seria uma pessoa resignada, indiferente, sem esperança, incapaz de se converter e de corrigir os aspetos negativos da sua vida, insensível aos outros e fechada ao futuro.
3 – A ambição desmedida, ligada ao ter e não ao ser, torna-se pecado que destrói o próprio e todos aqueles que estão à volta. Multiplicar, quadruplicar. A ganância descontrolada conduz à corrupção, ao tráfico de influências, abuso de poder, prepotência, chantagem, cria assassinos, guerras, violências, abre o coração ao diabólico, insidia as relações mais autênticas, facilita divórcios, desagrega famílias, sobretudo em partilhas, fomenta invejas e discórdias.
Quando se coloca o dinheiro em primeiro lugar, e o que gera riqueza, rapidamente o coração se esvazia. Excessiva preocupação pelo trabalho, pelo que tem que se fazer para fazer dinheiro, e logo falta tempo e espaço para a família, para o descanso, para cuidar da saúde, para a festa, para o lazer, para estar com os amigos, para brincar com os filhos, falta disposição para apaparicar a esposa / o marido. Destrói-se o equilíbrio afetivo. O dinheiro é sempre insuficiente…
Só Deus é digno de ser adorado/amado. Só Deus. Só Ele o tesouro da nossa vida. Deus em primeiro lugar para que o nosso semelhante seja prioridade. “Onde Deus é tudo, há lugar para tudo e espaço para todos” (D. Manuel Clemente). Amar a Deus implica-nos no amor para com o próximo.
Nem tudo é transacionável. Veja-se a parábola proposta no domingo passado. Aquele Pai tinha uma fortuna, mas só o bem dos filhos interessava. Dá-lhes todos os seus bens. E no final ainda gasta uma fortuna para fazer festa pelo regresso do filho.
4 – A fidelidade a Jesus passa pela honestidade em relação ao dinheiro. A desonestidade é anticristã.
Veja-se a clareza de Jesus: «Quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; quem é injusto nas pequenas coisas, também é injusto nas grandes. Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso?»
O mesmo reparo já o tinha feito o profeta Amós: “Escutai bem, vós que espezinhais o pobre e quereis eliminar os humildes da terra. Vós dizeis: «Faremos a medida mais pequena, aumentaremos o preço, arranjaremos balanças falsas. Compraremos os necessitados por dinheiro e os indigentes por um par de sandálias. Venderemos até as cascas do nosso trigo».
O Senhor nunca esquecerá as nossas obras. Comprar o pobre, alterar os pesos, aumentar injustamente o preço, impedir o acesso aos bens essenciais, é pecado que brada aos céus.
Textos para a Eucaristia (ano C): Am 8,4-7; 1 Tim 2,1-8; Lc 16,1-13.
Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço.
