56. Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás de voltar (cf. 3, 19).
Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás de voltar (cf. 3, 19).
Nós somos do chão, da terra. Não deverá haver nada entre nós e o chão, o chão liga-nos a Deus e ao irmão. Diante de Deus não precisamos de estar apenas nós, nem ouro, nem prata, nem alforge, só nós e Deus, nós, Deus e o irmão. E assim diante do irmão. Quando estamos com o irmão ainda estamos diante de Deus, porque no outro está Deus.
Hoje, D. António Couto, na Jornada Diocesana do Catequista, subordinado ao tema: “Chamado por Deus, participante da missão de Jesus”, partiu da figura de Moisés para ilustrar o chamamento e o envio e o Deus que chama, Deus santo.
Prestemos atenção ao texto: “Moisés estava a apascentar o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madian. Conduziu o rebanho para além do deserto, e chegou à montanha de Deus, ao Horeb. O anjo do SENHOR apareceu-lhe numa chama de fogo, no meio da sarça. Ele olhou e viu, e eis que a sarça ardia no fogo mas não era devorada. Moisés disse: «Vou adentrar-me para ver esta grande visão: por que razão não se consome a sarça?» O SENHOR viu que ele se adentrava para ver; e Deus chamou-o do meio da sarça: «Moisés! Moisés!» Ele disse: «Eis-me aqui!» Ele disse: «Não te aproximes daqui; tira as tuas sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é uma terra santa.» (Ex 3, 1-5).
D. António sublinhou que Moisés tem de sair do seu caminho habitual, como a criança que nunca segue desatenta no caminho, observa o que a rodeia, tudo cativa o seu olhar, assim Moisés se deixa “desviar” pelo que vê a partir do seu caminho.
Deus chama, pelo nome, e diz a Moisés: “tira as tuas sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é uma terra santa”. O ser humano é da terra, do chão. Assim é a partir do chão, da terra que nos unimos a Deus, que Lhe respondemos. É pela terra que nos unimos aos irmãos. Somos do mesmo barro. Pó da mesma terra. Irmãos. Nada deve existir entre nós e a terra, para que os pés nús estejam ligados a Deus, ao Universo, ao nosso irmão.
Cientificamente, tudo aponta para que tenhamos uma origem comum (de baixo das pele, circula o mesmo sangue, a mesma existência biológica, debaixo da pele somos mais iguais), uma poeira inicial, energia concentrada, explosão de energia que faz espalhar a poeira e formar-se em várias estrelas, planetas, galáxias. A terra, a água, o céu, os animais terrestes, os animais marinhos, as aves do céu, o ser humano, tudo tem origem nessa poeira original. A descendência é a mesma. Somos pó que ao pó há de regressar. A mesma origem, o mesmo fim.
Para nós crentes, antes da origem e depois do fim está Deus.
A quarta-feira de Cinzas lembra-nos a nossa origem e a nossa fragilidade, mas sobretudo a nossa interdependência a Deus e aos irmãos.
Na reflexão do nosso Bispo, e como desafio para hoje, que nada nos separe do chão, quando nos queremos diante de Deus e diante do irmão. Somos do chão. É chão sagrado o que pisamos. Somos da terra, e é na terra que o Senhor nos encontra, por Jesus Cristo, Deus feito Homem, feito terra.
