30. Opção permanente pela verdade.
Opção permanente pela verdade.
Verdade e verdades. A VERDADE e a minha, a tua, a dele, verdade, aproximação à verdade, ou uma parcela de verdade.
Leia-se a opção pela verdade como a procura pela coerência de vida.
Numa busca sincera, a limitação e a fragilidade podem impedir-nos momentaneamente de viver com decisão a verdade.
O Papa Bento XVI no Seu lema episcopal e papa tem a VERDADE como referencial: Cooperador da Verdade.
Cooperar para que a VERDADE de Deus, de Jesus Cristo possa inundar toda a terra com a sua força redentora.
Numa qualquer discussão, e quando vemos que os nossos argumentos falharam, lá vamos dizemos, eu fico com a minha verdade, tu ficas com a tua.
Há quem nos recorde que um ponto de vista é sempre a vista de um ponto. Ou num outro contexto: a história (registada), a tradição é sempre uma traição, pois toda a história leva a interpretação de quem conta (e quem conta um conto, por mais sério que seja, acrescenta um ponto), a tradução ou a reprodução de um texto pode levar a pequenas nuances que alteram "alguma coisa" mesmo mantendo o essencial.
Desde já podemos concluir que estas certezas (verdades) devem provocar tolerância nas discussões e em alturas que sabemos ter certeza, mas não conseguimos "convencer"/esclarecer o outro. Talvez o outro tenha um ponto de vista diferente. Se nos passássemos para o outro lado e o outro viesse para o nosso talvez nos aproximássemos na compreensão mútua. Mas não é fácil. É mais difícil quando tentamos competir com o outro pela verdade, ou quando a irritação já tomou conta do nosso discernimento.
Também aqui o convite ao distanciamento e ao exercício da tolerância.
Para nós crentes (mas creio que também para não crentes ou descrentes) há verdades que são essenciais, são referência, são o nosso norte e guia, a nossa orientação. Verdades que nos alimentam e abrem a nossa vida ao Infinito.
Deus como Verdade primeira e última. O Amor de Deus para connosco. O amor que nos liga uns aos outros. A vida e a morte. A ressurreição e a eternidade. A santidade que Jesus traz à humanidade que que se espalha nos homens e mulheres de todos os tempos.
Neste concreto diríamos, que há a VERDADE que é incontornável para nós, o próprio Deus. Não é discutível. Ainda que percebamos que num tempo em que tudo se discute poderá parecer arrogância. Mas, repetimos, até os mais libertinos têm referências intocáveis...
A nossa origem é a VERDADE. Jesus Cristo é a Palavra que Se faz carne = é a Verdade que Se faz Pessoa. A Verdade chegou até nós. Como seguidores Seus, havemos de ser para este tempo Sua transparência, procurando que sobressaiam em nós, nas palavras e nos gestos, os vários aspetos da VERDADE e que a próprio Verdade, Jesus Cristo, estando em nós, transparecer através de nós.
Nesta lógica, a nossa linguagem, para ser a de Jesus Cristo, há de chegar a ser "sim, sim", "não, não". Apostemos na clareza. Sejamos sinceros, connosco e com os outros, com a vida, como se estivéssemos diante de Deus, como a transparência do cristal. Obviamente, que no nosso dia-a-dia poderemos ter que dizer "talvez", "vou ver", vou "pensar melhor", mas com a preocupação de que o sim e/ou o não sejam autênticos, pensados, não precipitados, ou porque a nossa limitação humana nos faz hesitar/duvidar. Mas a preocupação fundamental - na relação com os outros, pessoal, familiar, profissional, socialmente - é optar pela verdade, mesmo que algumas situações se tornem dolorosas em consequência da verdade proferida e professada (com consciência e responsabilidade).
Optar pela verdade mesmo que saiamos prejudicados. A verdade liberta-nos, engrandece-nos, coloca-nos mais perto de Deus e aproxima-nos da humanidade.
Não adie um "não" só porque poderá perder um amigo. Se com a verdade perder um amigo, não lamente, pois não era amigo de verdade.
Atenção: nem tudo é branco ou preto.
Não adie um "sim", só porque lhe pode trazer mais trabalho, acrescentando um compromisso, pois só o amor nos redime.
