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...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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30.03.19

Este teu irmão estava morto e voltou à vida

mpgpadre

1 – Jesus mostra-nos a misericórdia do Pai, através da “Parábola do Filho Pródigo”, centrada no Pai Misericordioso.

Antes, a acusação dos fariseus e dos escribas: Jesus acolhe publicanos e pecadores e come com eles. O ato de comer, no mundo judaico, implica estar ou entrar em comunhão de vida com o outro. Senta-se à minha mesa quem se dá comigo, familiares e amigos. Ele come com a escumalha da sociedade, com os pobres, os excluídos, os pecadores, os publicanos. É neste contexto que Jesus lhes/nos faz ver que o Amor de Deus é infinito, nós é que lhe colocamos limitações pelo nosso pecado, pelo nosso egoísmo, pela nossa fragilidade.

Um homem (Deus) tinha dois filhos (nós). O mais novo pediu a parte da herança e abandonou a casa paterna. Aventurou-se numa vida longínqua. Foi gastando tudo numa vida libertina. Quando lhe acabaram os bens, procurou um trabalho, aceitando o mais indigno, como guardador de porcos (para os judeus os porcos eram demoníacos). Pouco a pouco toma consciência da miséria em que vive e decide voltar para o Pai. Sabe que tem de se justificar e arranjar argumentos para convencer o Pai do seu arrependimento. Nem se importa ser tratado como um dos trabalhadores do seu Pai.

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2 – O Pai não precisa de ser convencido. Ele ama com todas as veias do seu corpo. Daria a vida para que os filhos tivessem vida abundante. Com olhos encovados e a vista desgastada, o Pai avista o filho ao longe e corre para o abraçar e o cobrir de beijos.

Bem vistas as coisas, o Pai vê, aproxima-se, abraça, beija, porque ama. Levanta o filho. Ainda este se justifica – "Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho" – e já o pai está em festa: "Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado".

A misericórdia do Pai cancela a miséria do filho, renovando-o, devolvendo-o à vida. Estava morto. Agora está vivo. Ressuscitou.

 

3 – O irmão mais velho deu o mais novo como perdido e não o quer de volta, lhe parece que o amor do Pai se vai dividir, novamente, quando pensava que agora tinha toda a atenção. O irmão levou a herança, desgostou o pai, fê-lo sofrer, pois ao pedir a herança em vida do pai está a desejar-se-lhe a morte. O filho mais velho viu o sofrimento do Pai. Entretanto, tornara-se filho único. Quando o irmão regressa, não o quer ver, fica ressentido com a festa, não quer ver o pai e não reconhece o irmão - "esse teu filho". O pai recorda-lhe os motivos da festa e a pertença, a ligação, a família: "este teu irmão estava morto e voltou à vida". O Pai não diz o "meu filho", mas “o teu irmão”. Diz-lhe a ele, o mais velho e diz-nos a nós: o teu irmão. A Caim, Deus pergunta: onde está o teu irmão? Que lhe fizeste?

Reconhecer Deus como Pai faz-nos reconhecer-nos como irmãos. Não podemos chamar a Deus Pai, se depois não reconhecemos os outros como parte da nossa família nem os tratamos como tal.

O Pai (a Mãe) ama com o coração inteiro, um e outro filho ou uma dúzia. Cada um é único. Ama cada um com todo o amor, não às prestações, mas total, integralmente como se não houvesse amanhã. "Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado".

Teremos de ser nós a tirar conclusões. Somos o filho mais novo ou o mais velho? Estamos dentro, mas com vontade de estar fora? Ou estamos fora, prontos para regressar? O Pai já fez a Sua escolha: amor único e total por cada um de nós.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Jos 5, 9a. 10-12; Sl 33 (34); 2 Cor 5, 17-21; Lc 15, 1-3. 11-32.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

23.03.19

E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo!

mpgpadre

1 – Prevalência da misericórdia sobre a ira, primazia da paciência sobre a precipitação, precedência do amor sobre o egoísmo. É assim que Jesus vive. É desta forma que Jesus, pelas suas palavras e pela Sua vida, nos revela a vontade de Deus. Há de ser essa a nossa opção, para chegarmos a ser verdadeiramente filhos de Deus, para nos tornarmos, efetivamente, discípulos de Jesus.

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2 – Quando olhamos para as catástrofes naturais, como o ciclone em Moçambique, pode advir a tentação de culpar alguém ou, pelo menos, de interrogar Deus.

Há fenómenos que de facto não conseguimos abarcar, explicar ou justificar, como há situações na nossa vida que escapam à nossa compreensão. Um dia chegaremos a ver Deus face a face, já não na antecipação eucarística, mas realmente como Ele nos vê e como Ele nos deixará ver-nos: o que somos! Porquanto vamo-nos apercebendo que há questões para as quais não há respostas. Cabe-nos amar, servir, gastar a vida, colocar o melhor de nós em tudo o que fazemos. É o caminho da conversão que nos leva a Jesus, que nos faz ser como Jesus, gastando-nos até ao fim, sem pausas nem reservas. Discípulos missionários até morrermos! Tudo, todos, sempre em missão.

 

3 – Contam a Jesus como Pilatos tinha mandado matar alguns galileus. Logo há alguém diretamente culpado! Mas, e os que morreram? Jesus dá uma resposta clara: não menos e não mais pecadores que os outros galileus. E acrescenta outro acontecimento: 18 homens mortos pela queda da torre de Siloé! Nem mais nem menos culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém. Resposta desafiadora de Jesus. Foram estes, poderiam ter sido outros, sem que haja uma ligação direta entre culpa e castigo. É, na verdade, uma questão difícil de dissolver, pois há pessoas justas que se sentem esmagadas e há pessoas corruptas que se sentem abençoadas.

Jesus apõe um desafio: "E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo". Pode acontecer que morramos em qualquer altura, por causas provocadas pelos outros, por situações em que tenhamos contribuído para acelerar essa hora, ou por qualquer um outro incidente, ou simplesmente pelo "desgaste" do tempo!

Mas podemos fazer com que a nossa vida prevaleça além da morte natural/biológica. Se nos arrependermos, se fizermos com que a nossa vida valha a pena para nós e para os outros - o amor faz-nos perdurar no tempo, faz com que a relações entre as pessoas se eternizem - então não morreremos de modo nenhum, pois seremos alcançados para a eternidade de Deus.

 

4 – Na parábola, ressalta a paciência para cuidar da figueira para que volte a dar fruto. Temos de fazer melhor. "Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano". É o trabalho de Jesus. Ele chama-nos e envia-nos (Igreja de Lamego, chamada e enviada em missão). Jesus não é um escudo que nos protege das garras do Pai, é o Rosto e a Presença do Amor de Deus que nos envolve e nos compromete, fazendo-nos ver que o amor e o serviço, o perdão e a ternura, a partilha e o cuidado aos outros, nos afeiçoa a Deus, tornando-nos semelhantes a Ele.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Ex 3, 1-8a. 13-15; Sl 102 (103); 1 Cor 10, 1-6. 10-12; Lc 13, 1-9.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

16.03.19

Este é o Meu Filho, o Meu Eleito: escutai-O

mpgpadre

1 – Do deserto para a montanha. Com Jesus aprendemos a responder à tentação com a Palavra de Deus, inspirando-nos, uma vez mais, no Espírito de Sabedoria, sabendo que outros momentos de hesitação, de tentação e desencontro podem acontecer, no deserto ou na cidade, quando sós ou em família, na Igreja ou no mundo.

Liturgicamente, o deserto conduz-nos à montanha. Porém, a transfiguração surge a meio da vida pública de Jesus, logo depois de anunciar aos discípulos a Sua morte e ressurreição. Mas, tal como o deserto, também a montanha nos aproxima de Deus, torna-nos (simbolicamente) mais perto do Céu. No deserto, a aridez, o inóspito; na montanha, a beleza e a pureza do ambiente que nos circunda. No deserto, tempo para falar com Deus. Na montanha, tempo para Deus nos falar, pela criação. Numa e noutra situação, somos impelidos à confiança, a colocar-nos nas mãos de Deus, a perceber a Sua presença nos momentos nublosos e nos momentos luminosos, a procurarmos nas Suas Palavras respostas para as nossas inquietações.

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2 – Quando as coisas não nos correm tão bem, em jeito de desabafo, dizemos que todos têm dias bons e dias maus, nem sempre as coisas correm como desejaríamos, dias melhores virão.

Por vezes basta um vislumbre, uma centelha de luz, um pouco de esperança, para seguirmos adiante. Com efeito, morremos não quando o coração para, mas quando deixamos de ter esperança! Uma bolacha para enganar o estômago enquanto esperamos pelo almoço…

O caminho com Jesus tem altos e baixos. Nem sempre as coisas correm como expectável, pelo menos do ponto de vista dos discípulos. A simpatia com Jesus, absorve-os também a eles. Contudo, à medida que o tempo passa, começam as armadilhas, as questões colocadas a Jesus, as insinuações por parte de fariseus, doutores da Lei e outros mais interessados em manter o estatuto social que em defender a justiça e a verdade.

O próprio Jesus não os deixa deslumbrar com os sucessos. O filho do Homem vai ser entregue às autoridades dos judeus e vai ser morto. Também não os deixa cair em desânimo. Três dias depois ressuscitará. Na transfiguração, Jesus mostra-lhes o final, ou melhor, um vislumbre da eternidade de Deus.

 

3 – O milagre (de Deus) surpreende-nos e ultrapassa a nossa compreensão humana. Insere-se e insere-nos na dimensão sobrenatural. No decorrer da oração dá-se a "transformação", a transfiguração de Jesus. O Seu rosto alterou-Se e as Suas vestes ficaram de uma brancura refulgente. É na oração que podemos acolher Deus e o Seu mistério de amor e de proximidade. A conversar com Jesus, Moisés e Elias. A humanidade do passado, e que vive em Deus, torna-se nossa família na oração.

Pedro representa-nos: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Quando estamos bem, num lugar em que nos sentimos em casa, junto de pessoas que nos querem e a quem queremos bem, não se dá conta do tempo passar. O tempo já não existe, existe o momento, a presença, a alegria, a luz, a paz. É um vislumbre da eternidade. Quereríamos que o tempo cristalizasse, tornando-se eterno. Quereríamos permanecer e que nada se alterasse. Mas ainda não é o fim, é um vislumbre. Há que colocar os pés no chão e voltar à cidade, ao convívio dos homens e das mulheres do nosso tempo. Somos peregrinos, estamos sujeitos à fragilidade e desgaste do tempo.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Gen 15, 5-12. 17-18; Sl 26 (27); Filip 3, 17 – 4, 1; Lc 9, 28b-36.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

09.03.19

Nem só de pão vive o homem...

mpgpadre

1 – "Normalmente, nas horas mais dolorosas da nossa vida, zangamo-nos com Deus, porque imaginamos que Ele está longe ou, pelo menos, é indiferente à nossa dor. É difícil crer em Deus quando se está pregado numa cruz, atormentado pela dor e a carne a desgarrar-se" (Ariel Álvarez Valdés). O teólogo argentino contextualiza-nos no momento da crucifixão, mas estas palavras podem ser ilustrativas das tentações que nos afetam e da opção fundamental de Jesus por Deus, ajudando-nos a confiar, a colocar-nos nas mãos de Deus.

Desde o início da Sua vida há um denominador comum: Jesus é conduzido pelo Espírito Santo. No Batismo, o Espírito de Deus desce sobre Ele, em forma de pomba; durante os quarenta dias que permanece no deserto, Jesus é conduzido pelo Espírito. Acima das tentações, o que sobressai é a presença do Espírito Santo que O conduz. Em todo o tempo. Também nas tentações.

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2 – No 1.º Domingo da Quaresma são-nos apresentadas as tentações de Jesus, colocadas no início da Sua vida pública. No Batismo Jesus é manifestado como o Filho Amado de Deus. Chegou a hora de passar do anonimato para a vida pública, da vida em família para uma vida exposta, anunciando a Boa Nova da salvação.

Como em outras ocasiões decisivas, Jesus faz deserto, Jesus faz quaresma, prepara-Se para a Páscoa. Esta primeira quaresma dura 40 dias. O deserto é um lugar inóspito, de dúvida e de morte, não há seguranças a que se agarrar! O deserto é também provação, avalia a nossa resiliência. Sem distrações, possibilita o encontro connosco, com os nossos medos e inseguranças. É um lugar de encontro de Deus, no mais fundo de nós. Nada nos ocupa mais, nada nos distrai, nada nos rouba tempo. Não nos falta a disponibilidade cronológica e com tanto tempo disponível haverá a oportunidade para orar, escutando Deus, para rezar, falando connosco, gritando, chorando sem ninguém para nos ouvir... ou melhor, como Jesus nos ensina, Deus Pai sempre nos escuta, também nos desertos da nossa vida.

Analogamente, poderíamos dizer que a vida toda, neste caso, de Jesus, é uma quaresma, na medida em que Se encaminha para o Pai, encaminhando-Se para a Páscoa. No deserto, carrega as baterias para os momentos adversos. Enraíza-se no Pai. É conduzido pelo Espírito Santo. Embora toda a vida possa ser oração, há momentos para "suspender" tudo para ser tudo, o tempo e a vida, o coração e os pensamentos, tudo para Deus, para que Deus seja tudo em nós.

 

3 – Não tendo comido durante esses dias, Jesus sentiu fome e surgiu a tentação: «Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão...  Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos, porque me foram confiados e os dou a quem eu quiser. Se Te prostrares diante de mim, tudo será teu... Se és Filho de Deus, atira-Te daqui abaixo, porque está escrito: ‘Ele dará ordens aos seus Anjos a teu respeito, para que Te guardem’; e ainda: ‘Na palma das mãos te levarão, para que não tropeces em alguma pedra’».

Perante as dificuldades e contratempos? Baixar os braços, desistir, ou usar todos os meios, mesmo que imorais e injustos, para reverter as situações em benefício próprio? Impor-se pela corrupção, pela violência, pela chantagem, pelo engodo? Ou resistir, insistir, lutar, procurar meios e formas justas e honestas de responder às adversidades? Passar por cima dos outros ou procurar respostas e soluções em conjunto? Criar ilusões ou enfrentar a realidade?

As respostas de Jesus são elucidativas: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem’... ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’... Não tentarás o Senhor teu Deus’».

Jesus recusa instrumentalizar Deus, usando o poder em benefício próprio. Recusa a espetacularidade e os caminhos fáceis, a imposição pelo milagre ou submeter-Se a poderes obscuros. Um dia far-Se-á Pão para todos! Gastará a Sua vida a nosso favor, respeitando a nossa liberdade e as nossas escolhas. Mostra-nos o caminho.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Deut 26, 4-10; Sl 90 (91); Rom 10, 8-13; Lc 4, 1-13

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

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