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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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29.09.18

Quem não é contra nós é por nós!

mpgpadre

1 – O meu grupo. O meu partido. A minha religião. A minha Igreja. O meu altar. O meu clube. A minha terra. O meu mundo. Há espaços que são meus, que não podem nem devem ser invadidos por outras pessoas, a não ser em situações muito específicas.

Contudo, o que é meu, o que me pertence, o chão que me identifica, a quem pertenço, usando esta linguagem mais "corporal", não deve obstaculizar ao bem de todos. É como a pele do nosso corpo, delimita-nos, identifica-nos, traça uma fronteira, sou eu e não outro, mas permite-me ver o outro, abraçá-lo, dialogar com ele, estar frente a frente, entrar em comunhão, partilhar.

As pedras com que se constroem muros e divisões, servem para construir estradas, degraus, pontes que nos aproximam e irmanam. O outro ajuda-me a construir a minha identidade, a saber quem sou.

Mc 9, 38-43.45.47-48 b.jpg

2 – O meu mundo permite-me procurar, descobrir e encontrar outros mundos. Se o meu ego, o meu grupo ou a minha capela se fecham, me aprisionam e me limitam, isolando-me, erguendo muros e paredes, tornar-me-ei doente, esclerosado, raquítico.

Mas se eu não tenho poiso, casa, família, grupo, não tenho pátria, então não tenho como partir, como sair! E não tenho como e onde regressar. Os discípulos partiram porque faziam parte do grupo de Jesus. Partiram porque foram enviados. Jesus chama-os para os enviar. O envio supõe o regresso a casa, ao grupo, a Jesus, para descansar, retemperar forças, avaliar o trabalho feito, agradecer e rezar, projetar o trabalho a fazer. E sintonizar com Jesus e o Seu Evangelho, para não correr o risco de se anunciarem em vez de O anunciar.

João fica incomodado porque vê alguém a fazer coisas extraordinárias. «Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demónios em teu nome e procurámos impedir-lho, porque ele não anda connosco». O incómodo e o ciúme porque ele não faz parte do grupo! Já alguma vez depreciámos o trabalho, as iniciativas, o bem que que outros fazem só por não serem da nossa família, do nosso partido, do nosso grupo de amigos? Talvez! Talvez digamos a Jesus que esta ou aquela pessoa só vêm para estorvar e não para acrescentar e que já somos mais que suficientes e até nos atrapalhamos!

A resposta de Jesus é lapidar: «Não o proibais; porque ninguém pode fazer um milagre em meu nome e depois dizer mal de Mim. Quem não é contra nós é por nós». Para fazer o bem ninguém está a mais. Em Igreja, é preferível que muitos façam pouco, que poucos façam muito ou façam tudo. É preferível a imperfeição que promove a participação, o envolvimento e o empenho de todos que a espetacularidade e perfeição que isola, impede e afasta a participação de todos.

 

3 – O reino de Deus, instaurado, preconizado e plenizado por Jesus é um reino inclusivo. Não tem fronteiras culturais, sociais, religiosas ou sexistas. É abrangente. É universal: dirigido e acessível a todos. Esta inclusão começa pelos últimos, pelos mais frágeis e desfavorecidos. E porquê? A resposta é dada pelo próprio Jesus: são os doentes que precisam de médico, Eu vim chamar os pecadores!

O Espírito sopra onde quer e Deus tem muitas formas de chegar ao coração das pessoas. Isso não nos retira responsabilidade e compromisso missionário. Conscientes da nossa fé e da salvação que nos é dada em Jesus Cristo temos o dever de O anunciar, de O testemunhar, de contagiar com a nossa alegria todos aqueles que encontramos. Descobrimos um tesouro! De nada serve se ficar esquecido no baú! A alegria da descoberta leva-nos à partilha.

Ciúmes e inveja porque alguém pratica o bem e não faz parte da nossa Igreja?! Também através deles Deus manifesta o Seu amor e a Sua ternura. Rejubilemos. Procuremos também nós fazer o melhor, espalhar o bem, irradiar alegria e paz, semear a reconciliação e a justiça. Não tenhamos medo de quem transborda de bondade. Nunca nos fará sombra. Não se trata de competir a ver quem é melhor, quem brilha mais. A nossa competição é cada um, em cada dia, aperfeiçoar o seu amor e aprofundar o serviço aos outros. O brilho e a luz são de Cristo. Não importa que eu brilhe, por mais razoável que isso seja, mas que seja Cristo a iluminar, a brilhar, a fazer-Se notar.

Em Igreja, todos somos essenciais e imprescindíveis. Ninguém é substituível e ninguém substitui outro. Podemos substituir-nos nas tarefas, mas não na presença e na vivência da nossa fé. A competição será no serviço e na alegria de partilharmos o tempo e a vida.

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Textos para a Eucaristia (ano B): Num 11, 25-29; Sl 18 (19); Tg 5, 1-6; Mc 9, 38-43. 45. 47-48.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

22.09.18

Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos

mpgpadre

1 – «Senhor, que fizestes consistir a plenitude da lei no vosso amor e no amor do próximo, dai-nos a graça de cumprirmos este duplo mandamento, para alcançarmos a vida eterna». A oração inicial da Eucaristia prepara-nos para escutar a Palavra de Deus e para, à partida, percebermos o fio condutor da mensagem nela contida, iluminando as nossas escolhas. A Palavra de Deus é sempre desafio, é luz, que nos provoca e compromete, nos envolve e nos transforma.

A oração pressupõe humildade de quem se reconhece frágil, invocando o poder e o amor de Deus. Em algumas situações, a oração pode ser contraproducente, quando agradecemos a Deus por sermos melhores que os outros e por não precisarmos de ninguém. Ou, em alternativa, só precisamos de Deus, garantia que sairemos vencedores. Os que estão ao nosso lado, mais que companhia ou ajuda, são um estorvo, fazem-nos perder tempo, incomodam-nos. Eu cá tenho a minha fé. Eu e Deus é que sabemos, os outros não importam!

Como confessa São Tiago, a fé sem obras é oca. Do mesmo modo a oração. Se rezamos voltados para Deus, mas sem ligação e sem abertura ao nosso semelhante, então a oração é um palavreado inútil, vazio, pois corta um pé do tripé em que assenta: Deus, o próximo e cada um de nós. Amar a Deus implica amar os que Ele ama, logo, a humanidade inteira, concretizável em cada pessoa.

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2 – Ao amor de Deus para connosco respondemos com amor em relação aos outros, em forma de serviço, de cuidado e de ajuda. É a nossa identidade, a nossa missão, o nosso compromisso. Não temos como fugir se a nossa opção de vida é seguir Jesus. Seguir Jesus, com efeito, é a nossa primeira vocação. Fomos batizados na Sua morte e ressurreição, para sermos plasmados pelo Seu Espírito.

Há momentos em que vem ao de cima a nossa fragilidade, o nosso pecado, o nosso egoísmo, mas também o medo, a desconfiança e a vontade de fazermos tudo à nossa maneira, e talvez que os outros se sujeitem aos nossos interesses. Não é de hoje.

Depois da confissão de fé de Pedro, Jesus diz-lhes o que vai acontecer: «O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens, que vão matá-l’O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará».

Pedro reagiu da forma que vimos, repreendendo Jesus. Ao anúncio da paixão, Jesus acrescenta o anúncio da ressurreição. Mas já tinha feito estragos, os discípulos já não O escutaram direito. Em Cafarnaum, já em casa, Jesus interroga-os sobre o que vinham a discutir. Percebemos então que os discípulos discutiam sobre qual deles era o maior. Se o reino de Deus se vai manifestar, se Jesus vai ser morto, então há que avaliar qual é o mais apto para Lhe suceder.

Poderíamos pensar que a repreensão de Pedro a Jesus era muito dele, afinal os outros afinam pelo mesmo diapasão.

 

3 – Durante o caminho Jesus mantém-se em silêncio. Parece não ouvir. Talvez fosse a falar com os seus botões (se os houvesse naquele tempo!), ou a rezar! Em casa responde-lhes.

As respostas de Jesus não se pautam pelo excesso de palavras, por explicações complexas, por tentativas de convencer. Frequentemente recorre a imagens ou a situações concretas do dia-a-dia.

Sem rodeios, Jesus diz-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». Entre os líderes das nações, dir-lhes-á noutra ocasião, discutem-se os lugares e o poder de cada um; não seja assim entre vós, quem quiser ser o mais importante coloque-se ao serviço dos outros. Vale para eles, vale para nós. E mesmo os que detêm autoridade, devem exercê-la como serviço, desde o Papa ao mais simples trabalhador da vinha do Senhor.

Vem então o exemplo. Jesus toma uma criança, coloca-a no meio dos discípulos, abraça-a e diz-lhes: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou». Simplicidade, alguma ingenuidade, pobreza, despojamento, dependência, vulnerabilidade. Serviço, cuidado.

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Textos para a Eucaristia (ano B): Sab 2, 12. 17-20; Sl 53 (54); Tg 3, 16 – 4, 3; Mc 9, 30-37

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

15.09.18

E vós quem dizeis que Eu sou?

mpgpadre

1 – "O que tu és fala tão alto que mal consigo ouvir o que tu dizes" (Ralph Waldo Emerson). Imediatamente nos diz que somos mais do que aquilo que dizemos. Por vezes não precisamos de falar para que as nossas atitudes, postura, os nossos gestos digam, falem, gritem por nós! Positiva e negativamente.

Ña segunda leitura, São Tiago lembra-nos como dizer, como tornar visível a fé professada, como mostrar a nossa ligação ao Deus de Jesus Cristo. A fé é o ponto de partida. É pela fé que Deus vem até nós, é a fé que nos permite ver Deus em Jesus e ver Deus no nosso semelhante. Mas não é uma fé (somente) minha, exclusiva, intimista, de trazer por casa, feita à minha medida, mas a fé em Jesus, a fé de Jesus, vivida em comunidade.

A fé é acolhimento pessoal, encontro com Jesus, morto e ressuscitado, mas vive-se na relação concreta com o outro, na comunidade e na caridade. “Se um irmão ou uma irmã não tiverem que vestir e lhes faltar o alimento de cada dia, e um de vós lhes disser: «Ide em paz. Aquecei-vos bem e saciai-vos», sem lhes dar o necessário para o corpo, de que lhes servem as vossas palavras? Assim também a fé sem obras está completamente morta”.

Tiago clarifica: "Mas dirá alguém: «Tu tens a fé e eu tenho as obras». Mostra-me a tua fé sem obras, que eu, pelas obras, te mostrarei a minha fé".

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2 – São Tiago ajuda-nos a responder à pergunta de Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Agora é Pedro que responde, inspirado pelo Pai, em seu e nosso nome: «Tu és o Messias».

Jesus segue com os Seus discípulos para as povoações de Cesareia de Filipe. São Marcos dá-nos conta da missão evangelizadora de Jesus, mostrando-O em movimento, por aldeias e cidades, na Judeia e na Galileia, e em outras terras mais distante, algumas fora da "fronteira" religiosa do judaísmo.

No caminho Jesus pergunta-lhes: «Quem dizem os homens que Eu sou?». E a resposta é imediata: «Uns dizem João Baptista; outros, Elias; e outros, um dos profetas». Quer a pergunta quer a resposta não nos implicam, pois apontam para o que os outros dizem e pensam. É uma sondagem sobre a opinião pública. Mas logo Jesus lhes arremessa com outra pergunta: «E vós, quem dizeis que Eu sou?».

 

3 – Esta questão é mais pessoal. Cabe a cada um responder a Jesus. Não esqueçamos que a fé tem sempre duas dimensões, a pessoal e a comunitária. A fé não é abstrata; a fé resulta de um encontro, cada um de nós com Jesus, e que implica a conversão ao Seu evangelho. Se professamos a fé em Jesus Cristo, pessoalmente, seremos impelidos para a comunidade, para junto daqueles que professam a mesma fé, adoram o mesmo Pai, se alimentam do mesmo Espírito!

Pedro toma a dianteira e responde firme: Tu és o Messias. Partindo daqui, Jesus clarifica as coordenadas da Sua missão e as consequências decorrentes das Suas opções, dizendo-lhes que se aproximam tempos conturbados em que o Filho do Homem, o Messias, vai sofrer muito, vai ser rejeitado pelas autoridades (religiosas) e vai ser morto. E, três dias depois, ressuscitará.

Perante a clareza com que Jesus fala na Sua morte, Pedro volta a intervir, já não diante dos outros apóstolos, mas à parte, repreendendo-O por dizer tais coisas. É a vez de Jesus o confrontar com os seus interesses: «Vai-te, Satanás, porque não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens».

Para Pedro era inconcebível que o Messias, o Filho de Deus, pudesse sofrer às mãos dos homens.

 

4 – Seguimos Jesus porque nos deixamos encontrar por Ele e a Ele nos convertemos de todo o coração, sabendo que a nossa vida não fica mais facilitada por isso, quando muito a nossa vida fica absorvida na d’Ele, até à eternidade. Se O seguimos, sujeitamo-nos ao que Ele Se sujeitou, a ser injuriado, preso, maltratado e até morto.

Vale para os discípulos presentes e futuros. No diálogo anterior Jesus voltou-Se sobretudo para os discípulos, agora dirige-se a todos, à multidão com os seus discípulos dentro: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Na verdade, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a vida, por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á».

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Textos para a Eucaristia (ano B):Is 50, 5-9a; Sl 114 (115); Tg 2, 14-18; Mc 8, 27-35.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

08.09.18

Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos

mpgpadre

1 – O encontro com Jesus há de libertar-nos de todo o mal, abrir-nos os ouvidos, escutando-O, desprendendo-se-nos a língua, para O anunciarmos em toda a parte, com a nossa vida toda. Às vezes fazemos ouvidos de mercador. Outras vezes silenciamos a nossa voz para não nos chatearmos, outras fazemos coro para não acharem que nos achamos melhores! Precisamos de nos aproximar constantemente de Jesus Cristo para nos deixarmos tocar pelo Seu Espírito de amor.

Vivemos numa época de excesso de informação. Notícias, fofocas, ruído, maledicência, insinuações… Ouvimos muito. Muitas pessoas. Muitas vozes. Mas de tudo o que ouvimos, o que é que retemos, o que é influencia (positivamente) a nossa vida? Ouvimos muito, mas escutamos pouco! A escuta pressupõe atenção, silêncio, sobretudo interior, aceitação e compreensão!

Quando queremos que alguém nos compreenda, por alguma coisa que dissemos ou fizemos menos justa, dizemos-lhe que tente pôr-se no nosso lugar. Do mesmo modo, devemos fazê-lo em relação aos outros. A escuta aproxima-nos. Até fisicamente. Se alguém está a falar e queremos escutar, tentamos que nenhum outro ruído atrapalhe ou que a distância dificulte a audição. Se a pessoa está perto e a falar baixo: pedimos que repita uma e outra vez, aproximamos os ouvidos, ou aquele com que ouvimos melhor, para não perdemos nenhuma palavra. Assim também quando queremos que nos escutem, aproximamo-nos, aclaramos a voz, esperamos que não haja muito ruído para falar! É este o exercício que nos cabe em relação a Jesus.

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2 – Deus criou-nos por amor. O amor deseja o bem do outro. Se Deus nos criou por amor, Deus quer-nos bem. Como um Pai, como uma Mãe, Deus quer a nossa felicidade. Em todos os aspetos da vida. Em situações de doença grave e/ou crónica, é comum ouvirmos diz que é a vontade de Deus. Deus quer assim, que é que se há de fazer?! Em Jesus, vê-se bem que Deus não quer assim, Deus quer para nós todo o bem. Porém, a vida, a nossa vida é finita, frágil, mortal. Nem tudo é como desejaríamos! A vida depende de nós, mas depende de outros e dos fatores que nos envolvem, muitos dos quais não controlamos. Não somos deuses! Somos humanos.

Trazem a Jesus um surdo que mal podia falar e suplicam-Lhe que imponha as mãos sobre ele. Encontramos pessoas no nosso caminho que nos encaminham para quem nos pode ajudar. Também nós podemos e devemos exercer esta missão, ajudar ou encaminhar para quem o pode fazer. Como cristãos cabe-nos, pessoal e comunitariamente, conduzir os outros a Jesus, falando d'Ele, apresentando-O, criando as circunstâncias para que Ele Se torne visível e acessível.

O bem tem luz própria. Claro que vivemos num tempo em que o mal tem honras de primeira página, será bom que as boas notícias sejam visíveis, contrabalançado com a esperança no amanhã e com a confiança na bondade das pessoas, certeza que nem tudo está perdido.

Jesus afasta-Se da multidão. O Seu desejo não é fazer um espetáculo, mas atender aquele surdo-mudo. Mete-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva toca-lhe a língua, erguendo os olhos ao Céu. A cura não é automática, exige oração, tempo, perseverança. exige de nós, ligando-nos aos outros. Bem sabemos como a carícia, o beijo, o toque tem poderes curativos, pois faz-nos sentir vivos!

 

3 – Maria ensina-nos a escutar com o coração. Percebe a chegada do Anjo e as palavras que este lhe dirige. E responde da mesma forma, com o coração, com vida: Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra. E depois convoca-nos a todos: Fazei tudo o que Ele vos disser!

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Textos para a Eucaristia (ano B): Is 35, 4-7a; Sl 145; Tg 2, 1-5; Mc 7, 31-37.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

 

01.09.18

Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro

mpgpadre

1 – Deus nunca pode ser desculpa para fazer o mal ou deixar de fazer o bem, ainda que a história continue a mostrar como facilmente se conflitua em nome de Deus, se mata em nome da religião.
Da religião espera-se que promova a paz, a defesa dos mais frágeis, a justiça, o respeito pela dignidade, pela vida humana. Ao centro está Deus, único destinatário de adoração. É o primeiro dos mandamentos e dos mais importantes. Tratar Deus como Deus, para tratar as pessoas como imagem e semelhança de Deus, sem as instrumentalizar, diminuir, espezinhar e sem as endeusar. Deus não está contra o Homem. Aliás, quanto menos Deus, menos humanidade e maiores os riscos de ditaduras e totalitarismos, pois mais facilmente se descartam as pessoas mais vulneráveis.
Jesus depara-se com a hipocrisia de alguns fariseus, grupo muito religioso, tendia a levar ao extremo as normas do culto judaico. É sempre perigoso quando as regras e as tradições valem mais que as pessoas. Para alguns, todos os motivos são válidos para atacar Jesus, para O porem à prova, para Lhe armarem ciladas, para tentarem desacreditá-l'O das pessoas simples e humildes. Nestes dias temos visto como tudo tem servido para atacar o papa Francisco. Porque será que a luz, o bem e a ternura provocam tanta inveja e irritação?

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2 – Pureza ou impureza?! Lavar as mãos antes das refeições, para nós, é uma questão de higiene e de saúde e não de pureza ou impureza. Obviamente a nossa cultura é diferente. Se pensarmos que no século XIX havia pessoas que não tomavam banho ou tomavam apenas uma vez por ano, com medo de adoecerem, ou que as intervenções cirúrgicas e os partos eram efetuados sem lavar as mãos!

Seja como for, a religião há de ser vivida sob a luz e não sob o obscurantismo. Perguntar, informar-se, estudar as razões desta ou daquela tradição, verificar até que ponto uma tradição ajuda as pessoas e as comunidades a viverem melhor. Há o mistério, que se acolhe, se partilha, se vive! Mas nunca às escuras! Não apenas as emoções, mas sentimentos, reflexão, oração, estudo!
Fariseus e escribas vêm de Jerusalém, juntam-se à multidão e perguntam a Jesus pela conduta dos Seus discípulos: «Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar as mãos?» Aparentemente a crítica é feita aos discípulos e não a Jesus diretamente! Mas como sabemos isso é apenas questão de linguagem e pormenor. Ao criticarmos uma criança, adolescente, jovem, na maioria das vezes não criticamos o seu carácter ou o seu proceder, mas os pais ou os professores, ou os catequistas, ou o pároco, porque não souberam ensinar-lhe a comportar-se como deve ser!

 

3 – Jesus supera os limites do puro e do impuro, das tradições e das estruturas para Se fixar na pessoa humana, na intencionalidade das suas ações, na sua responsabilidade pessoal. As estruturas não pecam! As tradições, à partida, não são más, quando muita desajustadas a uma nova realidade. Isso não significa, como defendia São João Paulo II, que não existam estruturas de pecado, conjugação de esforços, de leis, políticas de empresa que promovem, enquanto estrutura, o mal, a corrupção, a destruição da pessoa e da sua dignidade. Porém, a responsabilidade tem de ter um rosto. Hitler tratou os judeus como um todo, um povo a eliminar! Alguém poderia, em sentido inverso, culpar a Alemanha e todos os alemães pelo crime hediondo perpetrado contra os judeus e contra a humanidade.
As palavras de Jesus são clarividentes: «Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro; porque do interior do homem é que saem as más intenções: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez». Se alguém chama a atenção um adolescente ou a um jovem vai responder que não foi ele, ou que os outros também disseram ou fizeram o mesmo, ou não foi ninguém, foi o grupo todo. É compreensível para as crianças, talvez para os adolescentes, menos para os jovens e muito menos quanto as desculpas vêm dos adultos.

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Textos para a Eucaristia (ano B):

Deut 4, 1-2. 6-8; Sl 14 (15); Tg 1, 17-18. 21b-22. 27; Mc 7, 1-8. 14-15. 21-23.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

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